Categoria: Infeccções Perinatais Crônicas: Discussão com a Dra. Liu Campello Porto

Sofrimento psicológico materno durante a pandemia de COVID-19 e mudanças estruturais do cérebro fetal humano

Sofrimento psicológico materno durante a pandemia de COVID-19 e mudanças estruturais do cérebro fetal humano

Lu, YC., Andescavage, N., Wu, Y. et ai. Maternal psychological distress during the COVID-19 pandemic and structural changes of the human fetal brain. Commun Med 2, 47 (2022). https://doi.org/10.1038/s43856-022-00111-w 

Maternal psychological distress during the COVID-19 … – Nature

Realizado por Paulo R. Margotto.

O objetivo desta investigação foi determinar os efeitos da saúde mental materna no desenvolvimento in vivo do cérebro fetal humano durante a pandemia de COVID-19 avaliado pela ressonância magnética, em GESTANTES SEM EXPOSIÇÃO À COVID-19, comparando dois períodos, durante a pandemia e pré-pandemia. Em cada ressonância magnética, o sofrimento materno foi avaliado usando escalas validadas de estresse, ansiedade e depressão. Estudos mostraram que a exposição pré-natal ao sofrimento psíquico materno resulta em mudanças estruturais e funcionais no desenvolvimento cerebral de crianças pequenas até a idade escolar, incluindo mudanças regionais na área de superfície, massa cinzenta e volumes da amígdala, juntamente com afinamento cortical. Durante a pandemia, foram relatados níveis elevados de depressão, ansiedade, estresse pós-traumático e sofrimento psíquico.  Os escores de estresse e depressão são significativamente maiores na coorte pandêmica, em comparação com a coorte pré-pandemia. Os volumes de substância branca fetal, hipocampo e cerebelar estão diminuídos na coorte pandêmica. A área de superfície cortical e o índice de girificação local também estão diminuídos em todos os quatro lobos. A profundidade do sulco é menor nos lobos frontal, parietal e occipital na coorte pandêmica, indicando girificação cerebral atrasada. Assim os autores sugerem que os efeitos cumulativos na pandemia de COVID-19 aumentaram o sofrimento psicológico materno pré-natal, podendo contribuir ainda mais para o desenvolvimento alterado de estruturas em regiões-chave do cérebro fetal. As potenciais consequências de longo prazo no desenvolvimento neurológico do desenvolvimento cerebral fetal alterado nas gestações da era COVID merecem um estudo mais aprofundado. E mais: informações recentes do Congresso Europeu de Psiquiatria no dia 7/6/2022 mostrando que bebês nascidos de mulheres que tiveram COVID – 19 (21 bebês) apresentaram maiores dificuldades e relaxar e adaptar o corpo quando estavam no colo, além de dificuldades de controlar os movimentos da cabeça e ombros, em relação aos bebês de mães que não tiveram COVID-19 (21 bebês). Essas alterações foram detectadas na 6ª semana após o parto e foram mais acentuadas se a mãe tivesse sido infectada no final da gestação.

A PLACENTA PROTEGE: Síndrome Respiratória Aguda Grave por Infecção por Coronavírus 2 na gravidez está associada à liberação da enzima conversora de angiotensina 2 placentária

A PLACENTA PROTEGE: Síndrome Respiratória Aguda Grave por Infecção por Coronavírus 2 na gravidez está associada à liberação da enzima conversora de angiotensina 2 placentária

Acute Severe Acute Respiratory Syndrome Coronavirus 2 Infection in Pregnancy Is Associated with Placental Angiotensin-Converting Enzyme 2 Shedding Elizabeth S. Taglauer, Elisha M. Wachman, Lillian Juttukonda, Timothy Klouda, Jiwon Kim, Qiong Wang, Asuka Ishiyama, David J. Hackam, Ke Yuan, Hongpeng Jia. Am J Pathol. 2022 Apr; 192(4): 595–603. doi: 10.1016/j.ajpath.2021.12.

Realizado por Paulo R. Margotto.

Como a placenta impede que a mãe contaminada pela COVID-19  transmita a infecção para o bebê? Resposta: Receptor ACE2 ( A enzima conversora de angiotensina 2 (ACE2) é o principal receptor para SARS-CoV-2 [facilita a entrada do coronavírus na célula], sendo regulada por uma enzima de clivagem de metaloprotease, um domínio de desintegrina e metaloprotease 17 (ADAM17).

Achados dos autores: -a expressão de ACE2 placentária vilositária é diminuída em infeccções maternas agudas por SARS-CoV-2  na gravidez;     -Infecções maternas agudas por SARS-CoV-2 no terceiro trimestre estão associadas a aumentos na atividade placentária de ADAM17 e soro materno circulante ACE2, Sugerindo  uma clivagem de ACE2 do tecido placentário viloso

As descobertas atuais sugerem que as alterações na expressão da proteína ACE2 são o resultado do derramamento placentário de ACE2 mediado por ADAM17 em resposta ao SARS-CoV-2 materno.

Assim os autores acreditam que nas mulheres grávidas infectadas pela Covid 19, a placenta elimina o ACE2 (permite a entrada do novo coronavírus  nas células humanas),  atuando assim como uma forma de impedir que  o SARS-CoV-2 passe para o feto

Em entrevista à mídia, a autora  Elisabeth S. Taglauer, Pequisadora da Universidade de Boston diz  que a placenta  é uma das “poucas histórias de sucesso” da pandemia. Se  compreendermos totalmente como  ela protege  naturalmente os bebês da COVID-19, isso pode fornecer informações importante para a terapias e estratégias futuras

 

 

Doenças Maternas Infecciosas e Amamentação

Doenças Maternas Infecciosas e Amamentação

Doenças maternas infecciosas e amamentação
Departamento Científico de Aleitamento Materno

Presidente: Elsa Regina Justo Giugliani
Secretária: Graciete Oliveira Vieira

Conselho Científico: Carmen Lúcia Leal Ferreira Elias, Claudete Teixeira Krause Closs,
Roberto Mário da Silveira Issler, Rosa Maria Negri Rodrigues Alves,
Rossiclei de Souza Pinheiro, Vilneide Maria Santos Braga Diégues Serva

Apresentação: Thalita Ferreira MR5 de Neonatologia. Coordenação: Maria Luiza.

Está bem fundamentado que o leite materno é a forma mais completa de nutrição dos lactentes, incluindo os recém-nascidos pré-termo. No entanto, existe um número limitado de doenças infecciosas maternas em que a amamentação está contraindicada, como na infecção pelo HIV-1 e HIV-2 (em países como o Brasil) e pelo HTLV-1 e HTLV-2. Em outras doenças infecciosas, intervenções preventivas podem ser tomadas com o intuito de garantir a manutenção do aleitamento materno, como o uso de imunoglobulina sérica, vacinação ou medicação antimicrobiana profilática, que protegem as crianças contra a transmissão
vertical de doenças. Em algumas circunstâncias, a avaliação caso a caso pode ajudar o médico a decidir se a exposição a determinados vírus ou bactérias através do leite materno justifica a interrupção do aleitamento materno. O profissional de saúde deve despender esforços para que não seja realizada a interrupção desnecessária do aleitamento materno.

Nos complementos, Vacinação da  Gestante e Amamentação:

  • O Departamento Científico de Imunizações da Sociedade de Pediatria (2021) para grávidas e puérperas recomenda para as mulheres pertencentes ao grupo de risco e nestas condições, a vacinação poderá ser realizada após avaliação cautelosa dos riscos e benefícios e com decisão compartilhada, entre a mulher e seu médico prescritor.
  • Até o momento não existe documentação de transmissão pelo leite materno
  • Afim com o CDC norte americano e o RCOG de Londres, a SBP recomenda a amamentação em mães suspeitas ou infectadas e orienta   que  ao amamentar a mãe deve lavar AS MÃOS antes de tocar no bebê na hora da mamada, USAR MÁSCARA FACIAL DURANTE A AMAMENTAÇÃO
  • O Aleitamento Materno deve ser a primeira opção de alimentação para RN de mãe com suspeita ou confirmação de COVID 19
Pacientes pediátricos com COVID-19 internados em unidades de terapia intensiva no Brasil: um estudo multicêntrico prospectivo

Pacientes pediátricos com COVID-19 internados em unidades de terapia intensiva no Brasil: um estudo multicêntrico prospectivo

Pediatric patients with COVID19 admitted to intensive care units in Brazil: a prospective multicenter study.

Prata-Barbosa A, Lima-Setta F, Santos GRD, Lanziotti VS, de Castro REV, de Souza DC, Raymundo CE, de Oliveira FRC, de Lima LFP, Tonial CT, Colleti J Jr, Bellinat APN, Lorenzo VB, Zeitel RS, Pulcheri L, Costa FCMD, La Torre FPF, Figueiredo EADN, Silva TPD, Riveiro PM, Mota ICFD, Brandão IB, de Azevedo ZMA, Gregory SC, Boedo FRO, de Carvalho RN, Castro NAASR, Genu DHS, Foronda FAK, Cunha AJLA, de Magalhães-Barbosa MC; Brazilian Research Network in Pediatric Intensive Care, (BRnet-PIC).J Pediatr (Rio J). 2020 Aug 4:S0021-7557(20)30192-3. doi: 10.1016/j.jped.2020.07.002. Online ahead of print.PMID: 32781034 Free PMC article .Artigo Livre!

Apresentação: Antonio Batista de Freitas Neto (HMIB – UTI Pediátrica). Coordenação: Alexandre P. Serafim. Revisão: Paulo R. Margotto.

■Até onde sabemos, este é o primeiro estudo sobre o COVID-19 em pacientes de UTIP no Brasil.

■Foi demonstrado que as características desta doença em locais tropicais e subtropicais são semelhantes às de outros países.

■Nessa coorte, a letalidade foi baixa e as doenças crônicas e outras comorbidades desempenharam um papel importante no desenvolvimento das formas graves da doença.

■Ao contrário de outros estudos, a idade inferior a 1 ano não foi associada a um pior prognóstico.

■ Pacientes com MIS-C apresentaram sintomas mais graves, biomarcadores inflamatórios mais elevados e maior predominância do sexo masculino.

Alojamento Conjunto em tempos de COVID-19

Alojamento Conjunto em tempos de COVID-19

Carlos Moreno Zaconeta.

Até o momento não existe documentação de transmissão pelo leite materno. Afim com o CDC norte americano e o RCOG de Londres, a SBP recomenda a amamentação em mães suspeitas ou infectadas e orienta   que  ao amamentar a mãe deve lavar AS MÃOS antes de tocar no bebê na hora da mamada, USAR MÁSCARA FACIAL DURANTE A AMAMENTAÇÃO. O Aleitamento Materno deve ser a primeira opção de alimentação para RN de mãe com suspeita ou confirmação de COVID 19

Uso de filtros Bacterianos/Virais nos equipamentos para suporte respiratório no Período Neonatal – Orientações Práticas

Uso de filtros Bacterianos/Virais nos equipamentos para suporte respiratório no Período Neonatal – Orientações Práticas

Departamento Científico de Neonatologia

Presidente: Maria Albertina Santiago Rego
Secretária: Lilian Santos Rodrigues Sadeck

Conselho Científico: Alexandre Lopes Miralha, Danielle Cintra Bezerra Brandão,
Laura de Fátima Afonso Dias, Leila Denise Cesário Pereira,
Lícia Maria Oliveira Moreira, Marynea Silva do Vale,
Salma Saraty Malveira, Silvana Salgado Nader

Autores: Milton Harumi Miyoshi, Ruth Guinsburg,
Maria Fernanda Branco de Almeida

 

COVID-19 neonatal: poucas evidências e necessidade de mais informacões (Neonatal COVID-19: little evidence and the need for more information)

COVID-19 neonatal: poucas evidências e necessidade de mais informacões (Neonatal COVID-19: little evidence and the need for more information)

Renato Soibelmann Procianoy, Rita C. Silveira, Paolo Manzoni, Guilherme Sant’Anna. Neonatal COVID‐19: little evidence and the need for more information Jornal de Pediatria (Versão em Português), Volume 96, Issue 3, May–June 2020, Pages 269-272. Download PDF. Artigo Integral!

 

Com base nos relatos disponíveis (até o momento da redacão deste editorial) e nos dados científicos relatados pela China, Itália e pelos Estados Unidos, recém-nascidos parecem ser significativamente menos afetados pela COVID-19 do que os adultos. No entanto, a falta de evidências de alta qualidade para essa situacão e o ritmo constante de informacões novas e conflitantes têm sido um desafio geral para todas as especialidades médicas, inclusive a terapia intensiva neonatal. Em realidade, o conhecimento atual sobre infeccão por coronavírus 2 (SARS-CoV-2) na síndrome respiratória aguda grave neonatal é limitado. Portanto, várias perguntas permanecem sem resposta e, ao mesmo tempo, a comunidade neonatal precisa agir. Não é de surpreender que isso tenha causado um estresse significativo entre os prestadores de cuidados de saúde neonatal. Em todo o mundo, vários grupos importantes têm trabalhado diligentemente no desenvolvimento de protocolos e diretrizes para a COVID-19 neonatal.No Brasil, um número significativo de documentos sobre esse assunto foi produzido rapidamente por entidades nacionais como a Sociedade Brasileira de Pediatria, o Ministério da Saúde e o Programa de Reanimacão Neonatal. Sem dúvida, essas são etapas críticas e fundamentais na luta contra a COVID-19, mas, dada a constante atualizacão e algumas informacões conflitantes, os profissionais de saúde enfrentam dificuldades para determinar as melhores diretrizes locais. Para tornar as coisas ainda mais desafiadoras, notícias diárias (e muitas vezes não científicas) são divulgadas pela imprensa.

 

Barreira durante a Intubação Endotraqueal

Barreira durante a Intubação Endotraqueal

N Engl J Med. 2020 Apr 3. doi: 10.1056/NEJMc2007589. [Epub ahead of print] Barrier Enclosure during Endotracheal Intubation. Canelli R1Connor CWGonzalez MNozari AOrtega R.PMID:32243118.DOI:10.1056/NEJMc2007589. Artigo Livre!

Realizado por Paulo R. Margotto

Clínicos com acesso inadequado ao equipamento de proteção individual (EPI) padrão foram compelidos a improvisar os compartimentos de barreira protetora para uso durante a intubação endotraqueal. Os autores descrevem  uma dessas barreiras que é facilmente fabricada e pode ajudar a proteger os médicos durante este procedimento. A barreira estudada era uma “caixa de aerossol” 1, que consiste em um cubo de plástico transparente projetado para cobrir a cabeça de um paciente e que incorpora duas portas circulares através das quais as mãos do clínico são passadas para realizar a procedimento das vias aéreas.

Possível transmissão vertical de SARS-CoV-2 de uma mãe infectada para seu recém-nascido (Comentários do Dr. Guilherme Sant´Anna, Canadá)

Possível transmissão vertical de SARS-CoV-2 de uma mãe infectada para seu recém-nascido (Comentários do Dr. Guilherme Sant´Anna, Canadá)

Possible Vertical Transmission of SARS-CoV-2  From an Infected Mother to Her Newborn.

Possible Vertical Transmission of SARS-CoV-2 From an …

Lan Dong, MD, Jinhua Tian, MD, Songming He, MD, Chuchao Zhu, MD, Jian Wang, MD, Chen Liu, MD, Jing Yang, MD

Realizado por Paulo R. Margotto

Um recém-nascido nascido de mãe com COVID-19 apresentou níveis elevados de anticorpos e resultados anormais nos testes de citocinas 2 horas após o nascimento. O nível elevado de anticorpos IgG sugere que o recém-nascido foi infectado no útero. Os anticorpos IgM não são transferidos para o feto pela placenta. O bebê poderia estar potencialmente exposto por 23 dias a partir do momento do diagnóstico da COVID-19 até o parto.

Os resultados laboratoriais que exibem inflamação e lesão hepática indiretamente apoiam a possibilidade de transmissão vertical. Embora a infecção no momento do parto não possa ser descartada, os anticorpos IgM geralmente não aparecem até 3 a 7 dias após a infecção e a IgM elevada no neonato era evidente em uma amostra de sangue colhida 2 horas após o nascimento.

Além disso, as secreções vaginais da mãe eram negativas para SARS-CoV-2. O teste de RT-PCR repetidamente negativo da criança nos swabs nasofaríngeos é difícil de explicar, embora esses testes nem sempre sejam positivos com a infecção. Os anticorpos IgG podem ser transmitidos ao feto através da placenta e aparecer depois da IgM. Portanto, a elevação do nível da  IgG pode refletir infecção materna ou infantil.