UNIDADE DE NEONATOLOGIA
HOSPITAL REGIONAL DA ASA SUL
RESIDÊNCIA MÉDICA EM NEONATOLOGIA
CLUBE DE REVISTA 10/12/2001
Paulo R. Margotto Maria A Suassuna
Coordenador Preceptor
Liú Campello Jefferson G. Resende
Preceptor Preceptor
Ana Lúcia do N. Moreira Nilcéia P. Lessa
Preceptor Preceptor
Márcia Pimentel
Preceptor
Melhora do manuseio líquido no recém-nascido de extremo baixo peso utilizando incubadora com umidificação
(Improved fluid management utilizing humidified incubator in extremely low birth weight infants)
Journal of Perinatology 2001; 21: 438-443
Mark S. Gaylord
Kelly Wright
Esteban Walker
Kimberly Lorch
Esteban Walker
Apresentador: Thayssa Aquino de Sá
Coordenador: Paulo R. Margotto
Introdução
Os primeiros dias de vida de um recém-nascido de extremo baixo peso (RNEBP) podem ser bastante precários, caracterizados por problemas hídricos, eletrolíticos, ambos influenciados por mudanças fisiológicas e patológicas. Para evitar esses desequilíbrios, os aumentos de fluidos são freqüentemente necessários para manter hidratação, diurese e para evitar distúrbio eletrolítico, face ás grandes perdas insensíveis de água pela pele e diurese excessiva. Apesar disso, a hiponatremia, hiperglicemia, hiperosmolaridade e hipercalemia são eventos comuns nos RNEBP.Esses distúrbios, associados ao excesso de líquidos podem agravar doenças pulmonares (Displasia broncopulmonar), aumentar o risco de ductus arteriosus patente e exarcebar hemorragia intraventricular (HIV).
Atualmente, alguns métodos são utilizados para diminuir e/ou tratar as grandes perdas insensíveis de água: cobertores aquecidos, protetores de pele oclusivos, escudo plástico aquecido e incubadoras umidificadas ou não. A maioria desses são limitados quanto à eficácia, diminuem o acesso da família ao bebê.
Em Janeiro de 1997, foram lançadas novas incubadoras capazes de fornecer umidificação do ar em torno de 40 –80%.A experiência clínica com esse tipo de incubadora levou a esse estudo retrospectivo sobre hidratação, controle eletrolítico e incubadoras umidificadas.
Foram estudadas 155 RNEBP com menos de 1000g que viveram mais de 96hs, de janeiro de 95 a janeiro de 97.Todos foram inicialmente colocados em berços aquecidos, controlados para manter a temperatura entre 36.5 – 36.9° . Foram cobertos com cobertores plásticos e transferidos para uma incubadora após 12hs vida. No período de 01/95 a 01/97, os RNEBP foram tratados em incubadoras não umidificadas com parede dupla, sendo caracterizado como grupo I, correspondendo 70 bebês. Os 95 bebês nascidos entre 01/97 e 01/99 foram colocados em incubadoras umidificadas (em torno de 64%).
A equipe médica foi a mesma, a taxa hídrica de 80 – 100 ml/kg/ h no primeiro dia, até chegar 150 ml/kg/h no quinto dia.Os fluidos foram ajustados tendo como objetivo de minimizar hipernatremia, hipercalemia, azotemia. Outras variáveis utilizadas foram peso, diurese, evidência de PCA (persistência canal arterial) e DBP. O PCA era investigado com Ecodoppler e considerado significativo se fosse necessário o tratamento com Indometacina ou cirúrgico. A DBP foi considerada se clínica respiratória persistente, radiologia compatível e uso de oxigênio até 36 sem de idade pós-concepção. Compararam-se as taxas de infecção hospitalar, avaliadas pela mesma comissão hospitalar; calculadas através do tempo de internação enumero de crianças acometidas.
Resultados e Discussão
Avanços recentes relacionados ao atendimento ao RNEBP, tem mostrado queda da mortalidade desses bebês. O uso do surfactante aumentou a sobrevida, mas os neonatologistas passaram a lidar com problemas relacionados ao distúrbio hidroeletrolítico Embora o peso de nascimento fosse um pouco menor no grupo I, ambos os grupos evoluíram de forma semelhante em relação ao ganho de peso. Apesar de perdas diárias similares, o grupo I recebeu mais fluido e teve menor diurese, e apresentou maiores índices de hipernatremia, hipercalemia e azotemia após 96hs vida. Em relação ao PCA e DBP relacionados à ventilação pulmonar, não há dados estatísticos significativos. Embora não tenha sido observadas mudanças nas taxas de infecção nosocomial, houve aumento significativo de gram negativos isolados no grupo II. Porém, ao mesmo tempo de estudo, o serviço de obstetrícia estava realizando profilaxia contra estrepto grupo B, com mudança da flora materna. Em 99 houve campanha em massa com penicilina antes do parto. Esse acontecimento deve ser relevante.
Conclusão
RNEBP que vão para incubadoras umidificadas necessitam de menor taxa hídrica, têm melhor diurese e são menos predispostos a terem hipernatremia, hipercalemia, e azotemia.