Impacto da Covid-19 nos recém-nascidos do Distrito Federal (1o Congresso Internacional de Neonatologia do DF, 30/11 a 1/12/2022)
Geraldo Magela Fernandes (DF)
Geraldo Magela Fernandes (DF)
Liú Campello Porto.
Capítulo do livro Assistência ao Recém-nascido de Risco, 4a Edição, HMIB/SES/DF, Brasília, 2021
O protozoário Toxoplasma gondii é um parasita de distribuição mundial com as mais altas prevalências registradas na Europa, América e África Centrais(80%) e Brasil (60%), devido ao clima quente e úmido e hábitos alimentares e de higiene. Na América Latina, as manifestações clínicas são muito mais prevalentes e severas, especialmente em relação à coriorretinite pela predominância de cepas mais virulentas do parasito (tipos I e III).
No Brasil, mais de 20% da população apresenta coriorretinite por toxoplasmose, sendo a maior causa de cegueira na Améerica Latina .Entre as gestantes, a incidência de infecção é de 1 a 8 por 1000 entre as gestantes suscetíveis e, entre os nascidos vivos, varia entre 1:1.000 e 1:10.000.
A toxoplasmose adquirida caracteriza-se por ser autolimitada e benigna, exceto em pacientes imunossuprimidos. A infecção aguda entre as gestantes poderá resultar em transmissão transplacentária e infecção fetal com graves sequelas neurológicas e oculares de manifestação precoce ou tardia. Porém, diferentemente da maioria das infecções congênitas, a toxoplasmose é tratável e as graves sequelas podem ser evitadas em caso de diagnóstico e tratamento precoces.
Lu, YC., Andescavage, N., Wu, Y. et ai. Maternal psychological distress during the COVID-19 pandemic and structural changes of the human fetal brain. Commun Med 2, 47 (2022). https://doi.org/10.1038/s43856-022-00111-w
Maternal psychological distress during the COVID-19 … – Nature
Realizado por Paulo R. Margotto.
O objetivo desta investigação foi determinar os efeitos da saúde mental materna no desenvolvimento in vivo do cérebro fetal humano durante a pandemia de COVID-19 avaliado pela ressonância magnética, em GESTANTES SEM EXPOSIÇÃO À COVID-19, comparando dois períodos, durante a pandemia e pré-pandemia. Em cada ressonância magnética, o sofrimento materno foi avaliado usando escalas validadas de estresse, ansiedade e depressão. Estudos mostraram que a exposição pré-natal ao sofrimento psíquico materno resulta em mudanças estruturais e funcionais no desenvolvimento cerebral de crianças pequenas até a idade escolar, incluindo mudanças regionais na área de superfície, massa cinzenta e volumes da amígdala, juntamente com afinamento cortical. Durante a pandemia, foram relatados níveis elevados de depressão, ansiedade, estresse pós-traumático e sofrimento psíquico. Os escores de estresse e depressão são significativamente maiores na coorte pandêmica, em comparação com a coorte pré-pandemia. Os volumes de substância branca fetal, hipocampo e cerebelar estão diminuídos na coorte pandêmica. A área de superfície cortical e o índice de girificação local também estão diminuídos em todos os quatro lobos. A profundidade do sulco é menor nos lobos frontal, parietal e occipital na coorte pandêmica, indicando girificação cerebral atrasada. Assim os autores sugerem que os efeitos cumulativos na pandemia de COVID-19 aumentaram o sofrimento psicológico materno pré-natal, podendo contribuir ainda mais para o desenvolvimento alterado de estruturas em regiões-chave do cérebro fetal. As potenciais consequências de longo prazo no desenvolvimento neurológico do desenvolvimento cerebral fetal alterado nas gestações da era COVID merecem um estudo mais aprofundado. E mais: informações recentes do Congresso Europeu de Psiquiatria no dia 7/6/2022 mostrando que bebês nascidos de mulheres que tiveram COVID – 19 (21 bebês) apresentaram maiores dificuldades e relaxar e adaptar o corpo quando estavam no colo, além de dificuldades de controlar os movimentos da cabeça e ombros, em relação aos bebês de mães que não tiveram COVID-19 (21 bebês). Essas alterações foram detectadas na 6ª semana após o parto e foram mais acentuadas se a mãe tivesse sido infectada no final da gestação.
Acute Severe Acute Respiratory Syndrome Coronavirus 2 Infection in Pregnancy Is Associated with Placental Angiotensin-Converting Enzyme 2 Shedding Elizabeth S. Taglauer, Elisha M. Wachman, Lillian Juttukonda, Timothy Klouda, Jiwon Kim, Qiong Wang, Asuka Ishiyama, David J. Hackam, Ke Yuan, Hongpeng Jia. Am J Pathol. 2022 Apr; 192(4): 595–603. doi: 10.1016/j.ajpath.2021.12.
Realizado por Paulo R. Margotto.
Como a placenta impede que a mãe contaminada pela COVID-19 transmita a infecção para o bebê? Resposta: Receptor ACE2 ( A enzima conversora de angiotensina 2 (ACE2) é o principal receptor para SARS-CoV-2 [facilita a entrada do coronavírus na célula], sendo regulada por uma enzima de clivagem de metaloprotease, um domínio de desintegrina e metaloprotease 17 (ADAM17).
Achados dos autores: -a expressão de ACE2 placentária vilositária é diminuída em infeccções maternas agudas por SARS-CoV-2 na gravidez; -Infecções maternas agudas por SARS-CoV-2 no terceiro trimestre estão associadas a aumentos na atividade placentária de ADAM17 e soro materno circulante ACE2, Sugerindo uma clivagem de ACE2 do tecido placentário viloso
As descobertas atuais sugerem que as alterações na expressão da proteína ACE2 são o resultado do derramamento placentário de ACE2 mediado por ADAM17 em resposta ao SARS-CoV-2 materno.
Assim os autores acreditam que nas mulheres grávidas infectadas pela Covid 19, a placenta elimina o ACE2 (permite a entrada do novo coronavírus nas células humanas), atuando assim como uma forma de impedir que o SARS-CoV-2 passe para o feto
Em entrevista à mídia, a autora Elisabeth S. Taglauer, Pequisadora da Universidade de Boston diz que a placenta é uma das “poucas histórias de sucesso” da pandemia. Se compreendermos totalmente como ela protege naturalmente os bebês da COVID-19, isso pode fornecer informações importante para a terapias e estratégias futuras
Apresentação: Carolina e Isabela. Coordenação: Diogo Pedroso
Doenças maternas infecciosas e amamentação
Departamento Científico de Aleitamento Materno
| Presidente: | Elsa Regina Justo Giugliani |
| Secretária: | Graciete Oliveira Vieira |
Conselho Científico: Carmen Lúcia Leal Ferreira Elias, Claudete Teixeira Krause Closs,
Roberto Mário da Silveira Issler, Rosa Maria Negri Rodrigues Alves,
Rossiclei de Souza Pinheiro, Vilneide Maria Santos Braga Diégues Serva
Apresentação: Thalita Ferreira MR5 de Neonatologia. Coordenação: Maria Luiza.
Está bem fundamentado que o leite materno é a forma mais completa de nutrição dos lactentes, incluindo os recém-nascidos pré-termo. No entanto, existe um número limitado de doenças infecciosas maternas em que a amamentação está contraindicada, como na infecção pelo HIV-1 e HIV-2 (em países como o Brasil) e pelo HTLV-1 e HTLV-2. Em outras doenças infecciosas, intervenções preventivas podem ser tomadas com o intuito de garantir a manutenção do aleitamento materno, como o uso de imunoglobulina sérica, vacinação ou medicação antimicrobiana profilática, que protegem as crianças contra a transmissão
vertical de doenças. Em algumas circunstâncias, a avaliação caso a caso pode ajudar o médico a decidir se a exposição a determinados vírus ou bactérias através do leite materno justifica a interrupção do aleitamento materno. O profissional de saúde deve despender esforços para que não seja realizada a interrupção desnecessária do aleitamento materno.
Nos complementos, Vacinação da Gestante e Amamentação:
Pediatric patients with COVID–19 admitted to intensive care units in Brazil: a prospective multicenter study.
Prata-Barbosa A, Lima-Setta F, Santos GRD, Lanziotti VS, de Castro REV, de Souza DC, Raymundo CE, de Oliveira FRC, de Lima LFP, Tonial CT, Colleti J Jr, Bellinat APN, Lorenzo VB, Zeitel RS, Pulcheri L, Costa FCMD, La Torre FPF, Figueiredo EADN, Silva TPD, Riveiro PM, Mota ICFD, Brandão IB, de Azevedo ZMA, Gregory SC, Boedo FRO, de Carvalho RN, Castro NAASR, Genu DHS, Foronda FAK, Cunha AJLA, de Magalhães-Barbosa MC; Brazilian Research Network in Pediatric Intensive Care, (BRnet-PIC).J Pediatr (Rio J). 2020 Aug 4:S0021-7557(20)30192-3. doi: 10.1016/j.jped.2020.07.002. Online ahead of print.PMID: 32781034 Free PMC article .Artigo Livre!
Apresentação: Antonio Batista de Freitas Neto (HMIB – UTI Pediátrica). Coordenação: Alexandre P. Serafim. Revisão: Paulo R. Margotto.
■Até onde sabemos, este é o primeiro estudo sobre o COVID-19 em pacientes de UTIP no Brasil.
■Foi demonstrado que as características desta doença em locais tropicais e subtropicais são semelhantes às de outros países.
■Nessa coorte, a letalidade foi baixa e as doenças crônicas e outras comorbidades desempenharam um papel importante no desenvolvimento das formas graves da doença.
■Ao contrário de outros estudos, a idade inferior a 1 ano não foi associada a um pior prognóstico.
■ Pacientes com MIS-C apresentaram sintomas mais graves, biomarcadores inflamatórios mais elevados e maior predominância do sexo masculino.
Carlos Moreno Zaconeta.
Até o momento não existe documentação de transmissão pelo leite materno. Afim com o CDC norte americano e o RCOG de Londres, a SBP recomenda a amamentação em mães suspeitas ou infectadas e orienta que ao amamentar a mãe deve lavar AS MÃOS antes de tocar no bebê na hora da mamada, USAR MÁSCARA FACIAL DURANTE A AMAMENTAÇÃO. O Aleitamento Materno deve ser a primeira opção de alimentação para RN de mãe com suspeita ou confirmação de COVID 19
Departamento Científico de Neonatologia
| Presidente: | Maria Albertina Santiago Rego |
| Secretária: | Lilian Santos Rodrigues Sadeck |
Conselho Científico: Alexandre Lopes Miralha, Danielle Cintra Bezerra Brandão,
Laura de Fátima Afonso Dias, Leila Denise Cesário Pereira,
Lícia Maria Oliveira Moreira, Marynea Silva do Vale,
Salma Saraty Malveira, Silvana Salgado Nader
| Autores: | Milton Harumi Miyoshi, Ruth Guinsburg, Maria Fernanda Branco de Almeida |
Renato Soibelmann Procianoy, Rita C. Silveira, Paolo Manzoni, Guilherme Sant’Anna. Neonatal COVID‐19: little evidence and the need for more information Jornal de Pediatria (Versão em Português), Volume 96, Issue 3, May–June 2020, Pages 269-272. Download PDF. Artigo Integral!
Com base nos relatos disponíveis (até o momento da redacão deste editorial) e nos dados científicos relatados pela China, Itália e pelos Estados Unidos, recém-nascidos parecem ser significativamente menos afetados pela COVID-19 do que os adultos. No entanto, a falta de evidências de alta qualidade para essa situacão e o ritmo constante de informacões novas e conflitantes têm sido um desafio geral para todas as especialidades médicas, inclusive a terapia intensiva neonatal. Em realidade, o conhecimento atual sobre infeccão por coronavírus 2 (SARS-CoV-2) na síndrome respiratória aguda grave neonatal é limitado. Portanto, várias perguntas permanecem sem resposta e, ao mesmo tempo, a comunidade neonatal precisa agir. Não é de surpreender que isso tenha causado um estresse significativo entre os prestadores de cuidados de saúde neonatal. Em todo o mundo, vários grupos importantes têm trabalhado diligentemente no desenvolvimento de protocolos e diretrizes para a COVID-19 neonatal.No Brasil, um número significativo de documentos sobre esse assunto foi produzido rapidamente por entidades nacionais como a Sociedade Brasileira de Pediatria, o Ministério da Saúde e o Programa de Reanimacão Neonatal. Sem dúvida, essas são etapas críticas e fundamentais na luta contra a COVID-19, mas, dada a constante atualizacão e algumas informacões conflitantes, os profissionais de saúde enfrentam dificuldades para determinar as melhores diretrizes locais. Para tornar as coisas ainda mais desafiadoras, notícias diárias (e muitas vezes não científicas) são divulgadas pela imprensa.