Desafios contemporâneos na Homeostase Térmica: hora de repensar?
Contemporary Challenges in Thermal Homeostasis: Time for a Rethink?Andersen CC, Crawford TM, Bailey DN, Stark MJ.Neonatology. 2026;123(4):508-513. doi: 10.1159/000550872. Epub 2026 Feb 12.PMID: 41678435.
Realizado por Paulo R. Margotto.
Os estudos históricos sobre termorregulação baseavam-se em recém-nascidos mais maduros e sem suporte ventilatório. Hoje, a UTI Neonatal atende bebês extremamente prematuros (abaixo de 27 semanas), caracterizados por extrema imaturidade cutânea, escassez de gordura marrom e necessidade de ventilação assistida prolongada. A perda transepidérmica de água (PTEA/TEWL) gera uma perda de calor por evaporação que pode igualar ou superar a própria produção metabólica de calor do recém-nascido no início do período pós-natal.Dilema do Ponto de Orvalho e Umidade: Embora a alta umidade relativa (80–95%) reduza a perda evaporativa, ela aproxima o ponto de orvalho da temperatura da incubadora. Isso reduz a margem operacional e eleva o risco de condensação, o que pode provocar o resfriamento latente do bebê. Reduza a umidade relativa da incubadora sempre que houver condensação visível na isolheta ou nos circuitos respiratórios.: A temperatura corporal alvo situa-se entre 36,5 °C e 37,5 °C.Cada redução de 1 °C abaixo de 36,5 °C na admissão está associada a um aumento de 28% a 30% na mortalidade e de 11% no risco de sepse. Em prematuros com menos de 32 semanas, a hipotermia grave pode dobrar o risco de óbito. O objetivo assistencial moderno evoluiu da simples manutenção de uma temperatura central normal para a gestão ativa dos gradientes térmicos e de vapor, buscando garantir a estabilidade térmica com a menor carga metabólica possível para o recém-nascido.
