Unidade de Neonatologia
Hospital Regional da Asa SulClube de Revista em 04/03/2002 |
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Hipercalemia em Recém- Nascidos de Muito Baixo Peso: Incidência e Fatores
Associados Nader PJ,
Procianoy RS Jornal
de Pediatria 1996; 72(3): 143-150 |
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Coordenador Preceptor: Paulo Margotto Apresentador: Fabiano Cunha Gonçalves |
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Sabe-se que
a sobrevivência dos RNPT(Recém-nascido pré-termo) e com PN ( peso
ao nascer) <1250g e IG (idade gestacional)<30 sem vem aumentando; Alguns RN com PN<1250g e IG<32s têm potássio elevado sem oligúria e azotemia nos primeiros 3dias de vida;
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Há poucos
estudos para explicar hipercalemia em RN PT por dificuldade de amostras
de sangue em tempos definidos e por dificuldade controle urinário;
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Estudos internacionais
evidenciam hipercalemia associada com arritmias cardíacas e lesões
cerebrais;
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Objetivos do trabalho:
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1.Conhecer
incidência hipercalemia dos PT nascidos no HCPA com IG menor Que.
32s e PN menor que 1250g
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2.Relacionar
potássio plasmático com algumas variáveis :bicarbonato de sódio, K+urin.,
creatinina, taxa de filtração glomerular (TFG), glicemia, aldosterona,
insulina, excreção fracionada Na+ e K+e alterações.
ECG nos RNPT com K+
maior ou igual a 6,7mEq/L.
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Estudo foi
observacional e prospectivo;
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Incluídos
todos RN com IG £ 32s e PN £ 1250g, nascidos no HCPA entre nov.91 a out.
92. Pacientes externos não entraram na amostra, totalizando 26 RNPT
que foram acompanhados nas primeiras 72h vida;
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Excluídos
RN com óbito nas primeiras 24h vida ou doença hemolítica;
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Imediatamente
após nascimento ou nas primeiras 12h de vida a IG foi calculada pelo
Método de Ballard;
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Foi indispensável
o consentimento dos pais ou responsável e aprovação do Conselho de
Ética do HCPA;
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Ao serem
admitidos eram colocados em berço aquecido com cobertor plástico e
mantidos em TAX 36,5C, com infusão líquida de 60-80ml/kd/dia, soro
10% e sem eletrólitos nas primeiras 36h. O grupo em estudo não recebeu
indometacina, diuréticos ou drogas vasoativas nas primeiras 72h, nem
foi feita alimentação enteral nesse período;
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Não foi levado
em consideração a quantidade K+ nas transfusões por terem
sidos usadas papas de hemáceas congeladas e lavadas;
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Todos RN
do estudo fizeram Ecotransfontanelar nos primeiros dias de vida e
os RN que vieram a falecer foram submetidos a necrópsia em busca de
hemorragias intraventriculares;
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Antes da
coleta de sangue os RN estavam com níveis tensionais normais, sendo
a coleta na maioria das vezes feita por cateter arterial ou punção
artéria radial ou venosa;
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As coletas
de creatinina, Na+, K+, glicemia e gasometria,
foram feitas com 12, 24, 36, 48 e 72h de vida e as dosagens de aldosterona
e insulina com 24, 48 e 72h de vida.
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A urina foi
colhida em saco coletor por 120-180 min., tendo seu início 90min.antes
da coleta de sangue para análise
de Na +e K+ urinário. Nos intervalos das dosagens
urinárias o saco coletor era mantido para controle da diurese e quando
não possível, foi controlada por pesagem das fraldas;
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Feitos ECG
nos RN com K+ sérico £ 6,7 mEq/L
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A amostra
estudada foi dividida em 2 grupos: KN ( K+ sérico normal) e KE ( K+sérico elevado).
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Resultados:
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De nov 91
a out 92 nasceram 3323 crianças no HCPA, sendo que o número de RN
com PN £ 1250g foi 56, sendo 38 com IG £ 32s. Foram excluídos 9 RN que morreram nas
primeiras 12h e dos 29 restantes, 3 não participaram do estudo por
terem sido avaliados com mais de 12h de vida, representando uma perda
de 10,3%;
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Dos 26 casos
restantes, 10 tiveram K+ ³ 6 nas 1as 72h de vida ( Grupo
KE );
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Os 16 casos
restantes tiveram K+< 6 ( Grupo KN );
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Em cada grupo
foram encontradas 4 gestantes com pré-eclampsia que usaram hidralazina
e metildopa;
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Não houve
caso de diabetes gestacional.
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Já os níveis
de aldosterona foram significativamente maiores no grupo KE com 24h
de vida (p<0,05), mas não teve diferenças significativas com 48
e 72h de vida.
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Não houve
diferença significativa entre os grupos KN e KE quando foram comparados
creatinina, TFG K+urinário,excreção fracionada de Na+
e K+, índice tubular de aldosterona e diurese. DISCUSSÃO
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No estudo,
29 RN preencheram os critérios de inclusão, com a perda de 3 casos
;a amostra foi composta de 26 pacientes, o que representa uma perda
de10,3%;
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Não houve
vício de seleção na amostragem;
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Houve perda
de algumas amostras;
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Os óbitos
no grupo KN ocorreram com 48h (3óbitos) e 72h (1 óbito), mas como
no período de maior pico de hipercalemia o K+ foi de 5,5
é provável que esses RN não fossem ter hipercalemia com 48 e 72h de
vida;
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O grupo KE
teve 1 óbito com 48h de vida e nível aumentado de K+ com
24 h devida. Aqui o amento do K+ foi precoce não havendo
associação com a doença que levou a morte desse RN ( Doença da Membrana
Hialina0);
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O aumento
K+ no grupo KE poderia ser justificado por aumento hemólise
que promove liberação do K+ intracelular, porém em ambos
grupos foi afastada doença hemolítica do RN;
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O K+
não sofreu alterações pelo uso materno de hidralazina e metildopa;
estudos anteriores também comprovam isso;
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A incidência
do K+ aumentado predominou nas primeiras 48h de vida em
9 dos 10 casos, o que se iguala a estudos anteriores. Isso mostra
que desde as primeiras 24h o grupo KE mantém níveis mais altos de
K+ por mecanismos ainda não definidos;
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Incidência
hipercalemia : 38,5% (K+³6)e 15,4% com K+³ 6,7
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Avaliação
da excreção renal pode ser feita pela mensuração da filtração glomerular
e por testes de função tubular, entretanto os níveis de creatinina
e TFG não tiveram diferença ssignificativas nos 2 grupos, mostrando
que a função glomerular era semelhante;
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O índice
tubular de aldosterona mostrou que ambos grupos têm uma resistência
tubular a aldosterona, não sendo o nível de aldosterona um fator responsável
pela diminuição da excreção de K+;
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A diurese
também não foi importante, apesar do grupo KN ter tido maior diurese
(essa diferença não foi estatisticamente significativa);
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O índice
de Apgar foi menor no grupo KN no primeiro minuto. O grupo KE teve maiores índices de Apgar, não sendo portanto
valores baixos de Apgar responsáveis pelo aumento do K+
sérico;
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O grupo KE
tem maior índice de aldosterona nas primeiras 24h com p<0,05;
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A atividade
da enzima Na-K-ATPase não foi avaliada;
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Em 1991 SATO
e cl mostraram que quanto menor a IG , maior foi a concentração K+e
menor a concentração de Na+
nas hemáceas; também mostraram um aumento K+sérico com
diminuição do K+ intracelular, sugerindo que a hipercalemia
aconteça por saída do K+ intracelular ao meio extracelular,
causando uma hipercalemia não oligúrica e aumento da excreção urinária
de K+
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Em 1993 STEFANO
e cl. observaram uma diminuição do K+ e atividade Na-K-ATPase
eritrocitária em RNPT com K+ > 6,8.
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Assim os achados desse estudo
mostram que a incidência de hipercalemia em RN com PN £ 1250g e IG £32s é de 38,5%
e que não há diferenças significativas entre os 2 grupos embora não tenha sido pesquisado nesse estudo o mecanismo
da hipercalemia não oligúrica nos RNPT, causado mais provavelmente
pela deficiência da enzima Na-K-ATPase. |