Mês: abril 2026

Bubble CPAP (CPAP de Bolha) no Cuidado Neonatal: Mecanismos, Evidências e Caminhos para Otimização

Bubble CPAP (CPAP de Bolha) no Cuidado Neonatal: Mecanismos, Evidências e Caminhos para Otimização

Bubble CPAP in neonatal care: mechanisms, evidence, and pathways to optimization.Gross A, Campbell ER, Oliveira L, Sant’Anna G, Shalish W.Paediatr Respir Rev. 2025 Dec 27:S1526-0542(25)00112-5. doi: 10.1016/j.prrv.2025.12.004. Online ahead of print.PMID: 41547602 Review.

Realizado por Paulo R. Margotto.

O Bubble CPAP é uma forma simples e eficaz de suporte respiratório não invasivo para recém-nascidos prematuros com desconforto respiratório.Mecanismo principal:Gera pressão positiva contínua (CPAP) submergindo o tubo expiratório em água.Produz oscilações de pressão de alta frequência (2–4 cmH₂O, 4–30 Hz) que são transmitidas aos pulmões, ajudando no recrutamento alveolar, melhorando a oxigenação e reduzindo o trabalho respiratório.Entre as vantagens principais:Reduz significativamente a necessidade de intubação na Sala de Parto e ventilação mecânica, diminui as taxas de falha de CPAP em comparação com outros dispositivos, associado a menor incidência de displasia broncopulmonar (DBP) grave quando usado de forma precoce e prolongada, barato, fácil de usar e especialmente útil em unidades de baixa recurso. Uso prolongado (até 34 semanas pós-menstrual) promove melhor crescimento pulmonar (maior volume alveolar e melhor função pulmonar aos 6 meses.

Tratamento da Hipotensão da Prematuridade: Um Ensaio Randomizado

Tratamento da Hipotensão da Prematuridade: Um Ensaio Randomizado

Treatment of Hypotension of Prematurity: a randomised trial.Alderliesten T, Arasteh E, van Alphen A, Groenendaal F, Dudink J, Benders MJ, van Bel F, Lemmers P.Arch Dis Child Fetal Neonatal Ed. 2025 Dec 15;111(1):F60-F66. doi: 10.1136/archdischild-2024-328253.PMID: 40413017 Clinical Trial.Departamento de Neonatologia, University Medical Center Utrecht, Wilhelmina Children’s Hospital, Utrecht, Holanda. Correspondência para Dr. Thomas Alderliesten; t.alderliesten-2@umcutrecht.nl

Realizado por Paulo R. Margotto.

Objetivo: Comparar o tratamento padrão (TP) da hipotensão idiopática em prematuros <30 semanas (iniciar tratamento quando PAM < idade gestacional em semanas) versus abordagem de hipotensão permissiva (HP), que inicia tratamento apenas quando há sinais de baixa perfusão (rScO₂ ≤50%, oligúria, enchimento capilar >3s, lactato >6 mmol/L ou PAM 5 mmHg abaixo da IG). Trata-se de um ensaio randomizado (86 bebês incluídos – 57% do previsto). Avaliação neurodesenvolvimental aos 24 meses (Bayley III). Não houve diferença significativa no neurodesenvolvimento cognitivo ou motor aos 2 anos. Risco de morte e resultado adverso composto (morte ou Bayley <85) foram comparáveis entre os grupos. No grupo hipotensão permissiva (HP):Menor uso de inotrópicos (15% vs 42,5%), Menor duração do suporte inotrópico (17h vs 48h), Pressões arteriais médias semelhantes aos do grupo padrão. Os autores concluem que uma abordagem mais individualizada e permissiva (baseada em sinais de perfusão, e não apenas na PAM) é viável e segura nos primeiros 3 dias de vida em prematuros sem sepse. Reduz significativamente o uso de inotrópicos sem piorar mortalidade ou neurodesenvolvimento (embora o estudo tenha ficado subpotencializado). Mensagem prática: PAM baixa isolada não deve ser tratada automaticamente. Integrar parâmetros de perfusão (oxigenação cerebral por NIRS, lactato, diurese, enchimento capilar) permite tratar menos com inotrópicos sem aparente prejuízo.

Interpretação Prática das Recomendações do ILCOR e do Programa de Reanimação Neonatal para a Concentração Inicial de Oxigênio na Reanimação/Estabilização Neonatal

Interpretação Prática das Recomendações do ILCOR e do Programa de Reanimação Neonatal para a Concentração Inicial de Oxigênio na Reanimação/Estabilização Neonatal

Practical interpretation of ILCOR and neonatal resuscitation program recommendations for initial oxygen concentration for neonatal resuscitation/stabilization. Lakshminrusimha S, Sankaran D, Sollinger C, Vali P, Giusto E.J Perinatol. 2026 Mar 13. doi: 10.1038/s41372-026-02608-x. Online ahead of print.PMID: 41826668 No abstract available.

Realizado por Paulo R. Margotto.

 

Recomendação ILCOR/NRP 2025: Para prematuros < 32 semanas: é razoável iniciar a reanimação com FiO₂ ≥ 30% (faixa aceitável: 30–100%). Não existe mais recomendação única para todos os prematuros.Ponto fundamental Não atingir SpO₂ (saturação de oxigênio) pré-ductal ≥ 80% aos 5 minutos de vida está associado a maior risco de mortalidade precoce e hemorragia intraventricular grave. Sugestão prática: Usar concentração inicial de O₂ variável conforme idade gestacional (escala deslizante):Prematuros mais extremos (ex.: ≤ 26 semanas) → iniciar com FiO₂ mais alta (próxima a 60–100%) e Prematuros mais maduros (próximo a 32 semanas) → FiO₂ mais baixa (próxima a 30–40%). Ajustar FiO₂ a cada 30 segundos, aumentando em 20–30% conforme a distância da SpO₂ alvo, para atingir rapidamente SpO₂ ≥ 80% aos 5 minutos. Lembrar que Prematuros extremos têm resposta diferente à hipóxia (menor sensibilidade vascular pulmonar ao O₂ e maior risco de depressão respiratória com FiO₂ baixa). PORTANTO: Prematuros extremos não são bebês a termo pequenos. Iniciar com FiO₂ muito baixa pode resultar em hipoxemia prolongada e pior desfecho. Cada unidade deve definir seu protocolo dentro da faixa 30–100%, com titulação rápida guiada por oximetria de pulso, visando SpO₂ ≥ 80% aos 5 minutos.

Crescimento Anormal em Crianças de 5 Anos Após o Uso de Antibióticos na Primeira Semana de Vida

Crescimento Anormal em Crianças de 5 Anos Após o Uso de Antibióticos na Primeira Semana de Vida

Aberrant Growth in 5YearOld Children After Antibiotics in the First Week of Life.van Leeuwen LM, van Beveren GJ, Peeters MAG, Souverein D, Euser S, Bogaert D, van Houten MA.Acta Paediatr. 2026 Feb;115(2):309-318. doi: 10.1111/apa.70322. Epub 2025 Oct 7.PMID: 41057288.  Clinical Trial.

Realizado por Paulo R Margotto

O uso de antibióticos na primeira semana de vida em recém-nascidos a termo está associado a crescimento alterado até os 5 anos de idade, especialmente redução do escore-z de peso-para-altura. Crianças expostas a antibióticos na 1ª semana tiveram, em média, 0,26 escore-z menor de peso-para-altura nos primeiros 5 anos (p=0,014). O efeito foi mais pronunciado com o regime amoxicilina/ácido clavulânico) + Gentamicina (redução de 0,36 escore-z).Outros regimes (Amoxicilina+Cefotaxima e Penicilina+Gentamicina) também mostraram redução, porém em menor magnitude. Aos 5 anos, as crianças expostas apresentaram peso ≈ 550g menor.Mecanismo provável: Perturbação do microbioma intestinal (↓ Bifidobacterium, ↑ Klebsiella e Enterococcus), que afeta o metabolismo e o crescimento do hospedeiro. Antibióticos na primeira semana de vida, mesmo por suspeita de sepse neonatal de início precoce, podem ter impacto negativo no crescimento até a idade pré-escolar. Sempre que possível, preferir regimes de menor impacto (ex.: Penicilina + Gentamicina) e evitar supertratamento, priorizando ferramentas diagnósticas mais precisas para reduzir o uso desnecessário de antibióticos de amplo espectro.

MONOGRAFIA UTI PEDIÁTRICA 2026 (APRESENTAÇÃO): Manejo da Trombose Neonatal: Uma Revisão Sistemática

MONOGRAFIA UTI PEDIÁTRICA 2026 (APRESENTAÇÃO): Manejo da Trombose Neonatal: Uma Revisão Sistemática

Karla Patricia Ataide Nery de Castro. Coordenação:  Alexandre Peixoto Serafim


A trombose neonatal é uma condição multifatorial, rara porém cada vez mais frequente nas UTIN, predominantemente associada a cateter venoso central (70–85% dos casos). A hemostasia imatura do recém-nascido torna o equilíbrio pró/anti-coagulante frágil, especialmente em prematuros com uso de dispositivos intravasculares, sepse ou hipóxia. Esta revisão sistemática (PRISMA 2020) analisou 21 estudos (maioria coortes retrospectivas observacionais; sem ensaios randomizados). Comparou anticoagulação (principalmente enoxaparina 1,5 mg/kg SC 12/12h, duração 7 semanas a 3 meses) versus conduta expectante (observação + remoção do cateter quando possível).Os principais achados foram:Progressão trombótica: baixa (2–12%); benefício mais consistente na trombose venosa cerebral (redução de ~30% para <10%).Resolução do trombo: variável (40–68%); maior taxa de resolução completa na trombose portal com anticoagulação (48% vs 17%; p=0,03). Resultados heterogêneos nas tromboses cateter-relacionadas não oclusivas. Segurança: sangramento maior <10%, sem diferença estatística significativa entre grupos e sem aumento de mortalidade. Complicações tardias: hipertensão portal, atrofia renal, déficits neurológicos e síndrome pós-trombótica (20–40% em pediatria, dados neonatais limitados). Assim, a anticoagulação não deve ser rotineira. Apresenta benefício mais claro em subtipos específicos (trombose venosa cerebral, eventos oclusivos ou com comprometimento de órgão). Em tromboses cateter-relacionadas não oclusivas e assintomáticas, a observação com monitorização seriada por imagem é estratégia segura. A decisão deve ser individualizada (localização, oclusividade, risco hemorrágico e condição clínica geral), alinhada às Diretrizes ASH/ISTH (recomendações condicionais, evidência baixa). Persistem lacunas importantes; são necessários estudos prospectivos multicêntricos para definir protocolos mais robustos e seguimento estruturado a longo prazo. Nos complementos, o link entre trombose da veia cava tanto superior como inferior e a ocorrência de hemorragia intraventricular nos recém-nascidos.