Mês: setembro 2018

Hemorragia intraventricular nos neonatos de 23 a 26 semanas de gestação:análise retrospectiva de fatores de risco

Hemorragia intraventricular nos neonatos de 23 a 26 semanas de gestação:análise retrospectiva de fatores de risco

Intraventricular hemorrhage in neonates born from 23 to 26 weeks of gestation: Retrospectiveanalysis of risk factors.

Szpecht D, Nowak I, Kwiatkowska P, Szymankiewicz M, Gadzinowski J.Adv Clin Exp Med. 2017 Jan-Feb;26(1):89-94. doi:0.17219/acem/65311.PMID: 28397438.Free Article.Similar articles. Artigo Livre!

  • Após a análise de vários fatores de risco revelou que a possibilidade de aparecimento da HIV grau 3 e 4 nesses pré-termo extremos entre RN do grupo A (23ª – 24ª semana) e B (25ª -26ª semana) aumentou apenas entre os RN que foram tratados para hipotensão com catecolaminas (OR 2.031 com IC a  95%de 0.269–24.21- p = 0.033 e OR de 1.989 com IC a 95% de 0.224–16.55-p=0.024), respectivamente. Esse achado não ocorreu se mãe tivesse recebido esteróide pré-natal. O estudo aborda a controversa associação entre hipotensão pós-natal nesses recém-nascidos e os desfechos, havendo evidência que o tratamento piora os desfechos, incluindo risco de leucomalácia periventricular! O importante é que  conheçamos e aceitemos a definição de hipotensão permissiva, ou seja, aceitar níveis menores aos definidos quando não acompanhados de  sinais clínicos, ( perfusão, diurese, níveis de lactato). Os resultados do presente estudo são importantes porque eles aconselham cautela ao administrar o tratamento com catecolaminas a recém-nascidos prematuros (analise a possibilidade do uso de hidrocortisona como terapia inicial para esses recém-nascidos!). É crucial comparar os possíveis benefícios com riscos potenciais. O uso de esteróide nos pré-termos extremos tem mostrado  efeitos protetores, exceto para os RN<22 semanas. Assim, parece ser razoável diminuir o limite inferior da administração do esteróide pré-natal e estabelecer na 23ª semana de gravidez. Cuidado com as expansões!!!!Outro grande problema nas UTI Neonatais é o excesso de expansão volêmica. É lógico que a expansão volêmica tem a sua importância nos momentos certos. Estudo de  Ewer  AK et al  evidenciou a maior mortalidade nos RN expandidos. Lembrar que os RN prematuros demoram 6-8 horas para urinar
Discussão Clínica: Antibiótico na primeira semana de vida e asma atópica aos 12 anos de vida; Doença estreptocócica do Grupo B e Enterocolite Necrosante; Variação da incidência e dos fatores de risco na Hemorragia Intraventricular severa em uma coorte populacional

Discussão Clínica: Antibiótico na primeira semana de vida e asma atópica aos 12 anos de vida; Doença estreptocócica do Grupo B e Enterocolite Necrosante; Variação da incidência e dos fatores de risco na Hemorragia Intraventricular severa em uma coorte populacional

Paulo R. Margotto e Equipe Neonatal do Hospital Materno Infantil de Brasília (HMIB)/SES/DF

LESÃO NEUROLÓGICA ISQUÊMICA E HEMORRÁGICA DO PREMATURO: PATOGENIA, FATORES DE RISCO, DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO

LESÃO NEUROLÓGICA ISQUÊMICA E HEMORRÁGICA DO PREMATURO: PATOGENIA, FATORES DE RISCO, DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO

Paulo R. Margotto.

Capítulo do Livro Assistência ao Recém-Nascido de Risco, 4a Edição, 2021

A maior seqüela em longo prazo da leucomalácia periventricular é a diplegia espástica, o maior déficit motor no RN pré-termo. Este distúrbio motor caracteriza-se por uma paresia espástica, afetando principalmente membros inferiores. A LPV afeta particularmente as fibras descendentes do trato cortiço- espinhal para os membros inferiores, ou seja, a topografia da lesão inclui a região da substância branca cerebral na qual atravessa as fibras descendentes do córtex motor. Severas lesões se estendendo à corona radiata e ao centro semi-oval podem levar ao comprometimento das extremidades superiores, assim como das funções intelectuais. A lesão aos neurônios da placa subcortical ou uma tardia migração de astrócitos na organização das camadas corticais superficiais podem explicar os possíveis papéis da LPV na deficiente organização neuronal cortical, o que por as vez traduz impacto subseqüente na função cognitiva. Confirmando estes achados, Inder et al., utilizando-se da ressonância magnética, detectaram deficiente desenvolvimento cortical a termo quando ocorreu a lesão na substância branca. Estudo através de tratografia tem mostrado (uma nova técnica de ressonância magnética que permite o mapeamento e, portanto, a avaliação de diferentes tratos da substância branca do sistema nervoso central) a existência de lesão da massa branca nas vias do cerebelo em pacientes com leucomalácia periventricular  difusa.  A leucomalácia periventricular difusa pode causar o desenvolvimento incompleto das vias cérebro-cerebelares ou outras lesões ou perda de células de Purkinje não específicas do cerebelo, o que poderia levar a transmissões de sinal deficientes entre o córtex cerebral e o cerebelo. As lesões da substância branca do cerebelo que foram detectadas no estudo pode ser devido ao dano da alça transneural entre o cérebro e o cerebelo causado por leucomalácia periventricular difusa. Também é importante que saibamos que  a função motora requer redes extensas entre o cérebro e o cerebelo. Muitos estudos demonstraram que o cerebelo pode participar das funções motoras superiores. Na idade equivalente a termo, os volumes cerebelares estão diminuídos em recém-nascidos prematuros quando há dano na substância branca cerebral.

Estudo recente da Rede Coreana de Neonatologia demonstrou que as chances de leucomalácia periventricular entre os recém-nascidos com muito baixo peso em 2 vezes ou mais entre crianças que recebem ventilação mecânica por mais de 2 semanas (OR ajustada de 2,29 com IC a 95% de 1,34-5,02).

Prevenção pós-natal da hemorragia peri/intraventricular do recém-nascido pré-termo-2018

Prevenção pós-natal da hemorragia peri/intraventricular do recém-nascido pré-termo-2018

Paulo R. Margotto.

Então, falando francamente!: 1meiros 3-4dias de vida (Os 15 mandamentos!)

›Atrasar o clampeamento do cordão (quando não possível: ordenha)

›Evitar aspirações de cânulas de rotina

›Evitar o manuseio excessivo; evitar o barulho

›Aconchegar o recém-nascido

›Avaliar a presença de dor; Evitar punções de calcanhares; Agrupar tarefas;

›RN no respirador: avaliar a assincronia; evitar PaCO2>52mmHg (3os dias vida)

›Evitar excessivas aspirações traqueais

›Ao usar o surfactante: nas primeiras 2 horas de vida

›Priorizar o CPAP nasal

›Evitar rápida otimização da pressão arterial com dopamina

›Evitar pneumotórax

›Evitar infusão rápida de volumes

›Identificar RN com PCA que necessitam  de tratamento

›Prevenir a hiperglicemia, a hipernatremia

›Usar cafeína precocemente

 

 

Hemorragia intraventricular no pré-termo-2018

Hemorragia intraventricular no pré-termo-2018

Paulo R. Margotto, Joseleide de Castro.

Capitulo do livro Assistência ao Recém-Nascido de Risco, 4a Edição, 2019, em Preparação.

A despeito dos avanços nos cuidados perinatais nas últimas décadas, o recém-nascido (RN) pré-termo continua de alto risco para o desenvolvimento de hemorragia intraventricular e lesão da substancia branca adjacente. Ambas as condições constituem o maior problema no cuidado neonatal moderno e contribuem significativamente para a morbimortalidade nestes RN, assim como déficits neurocomportamentais a longo prazo.

A HIV é estudada há mais de 25 anos. A sua incidência está relacionada à prematuridade, ao aumento da sobrevivência nos RN com peso ao nascer abaixo de 1000g e, sobretudo às práticas neonatais e a gerência dos serviços obstétricos e neonatais.  Em 1978, Papile e cl relataram uma incidência de 35 – 45 % (1 ¤ 3 a 1 ¤ 2 das autópsias) nos RN com peso ao nascer abaixo de 1500g. Atualmente, as formas mais severas de HIV ocorrem nos RN abaixo de 1000g: aproximadamente 26% nos RN entre 501 e 759g e 12% nos RN com peso ao nascer entre 751 e 1000g. A importância desta informação se deve por duas razões: a sobrevivência dos RN nestas faixas de peso aumenta cada vez mais e tanto a mortalidade como os déficits neurocomportamentais ocorrem com maior probabilidade nos RN com severa HIV. Nos RN <32 semanas, Inder e cl relataram uma incidência entre15-25% e Brower e cl, 5,6%

Na Unidade de Neonatologia do HMIB/SES/DF, no ano de 2008, a HIV (todos os graus) ocorreu em 11.6% nos RN entre 26 e 34 semanas de idade gestacional. Estudo da nossa Unidade, em 2011 mostrou uma incidência de HIV graus II-IV em 20% nos RN entre 25-27 semanas 6 dia, 11% entre 28-29 semanas 6 dias,   caindo para 1,3% entre 30 semanas e 31 semanas e 6 dias.

2o WORKSHOP DE ALOJAMENTO CONJUNTO

2o WORKSHOP DE ALOJAMENTO CONJUNTO

Atenção Pediatras, Enfermeiras e Neonatologistas que passam ALCON ❤❤❤

2o Workshop de Alojamento Conjunto da SPDF

6/10/2018 – 8:00 -12:00 e 14:00-18:00 horas

Jorge Afiune   (ICDF): Teste do coraçãozinho e sopro cardíaco no ALCON

Davi Haje (HBDF): conduta no Ortholani positivo, pé torto congênito ou fratura de clavícula no ALCON

Dennis Burns (SPDF): Síndrome de Down no ALCON.

Cassiano Isaac (HRAN): Teste do olhinho.

Carlos Zaconeta (HMIB): icterícia no ALCON, como conduzir .

Vanessa Macedo (HMIB): como avaliar e orientar a amamentação no ALCON

Geraldo Fernandes (HuB): hipoglicemia, quando (não) solicitar glicemia capilar no ALCON. Quando e como tratar.

Carlos Zaconeta (HMIB): o pré-termo tardio no ALCON

Felipe Teixeira (HMIB): RN exposto a HIV ou sífilis no ALCON

Mariana Temer (H. Anchieta): o que avaliar e o que orientar na visita de ALCON?

Rita de Fátima Pinto (HuB): Como conduzir o atraso na apojadura e o ingurgitamento mamário no ALCON.

A incidência de hemorragia intraventricular grave baseada na análise retrospectiva de 35939 recém-nascidos a termo – relato de dois casos e revisão da literatura

A incidência de hemorragia intraventricular grave baseada na análise retrospectiva de 35939 recém-nascidos a termo – relato de dois casos e revisão da literatura

Vários fatores influenciam a predisposição para a HIV grave em neonatos a termo, devendo ser levado em conta período perinatal complicado por sofrimento fetal, trauma de nascimento e asfixia. O recém-nascido a termo com HIV geralmente apresenta sinais como convulsões, apneia, irritabilidade ou letargia e vômitos com desidratação. Flacidez, perda de reação pupilar, coma, irritabilidade, vômitos, choro estridente, opistótono, febre ou hipotermia, hipoglicemia ou hiperglicemia, hipotonia são menos freqüentes em recém-nascidos a termo, porém mais frequentemente observados em prematuros. No entanto, é possível que a etiopatogenia não possa ser definida claramente, mesmo com os estudos genéticos (polimorfismos do gene do fator V de Leiden, polimorfismo da variante da metilenotratrahidrofolato redutase (MTHFR). Assim, os autores recomendam a  ultrassonografia craniana em um grupo específico de recém-nascidos a termo (levando-se em consideração os fatores de risco para HIV)

Fatores de risco para hemorragia intraventricular em recém-nascidos asfixiados a termo tratados com hipotermia.

Fatores de risco para hemorragia intraventricular em recém-nascidos asfixiados a termo tratados com hipotermia.

Risk factors for intraventricular hemorrhage in term asphyxiated newborns treated with hypothermia. Al Yazidi G, Srour M, Wintermark P.Pediatr Neurol. 2014 Jun;50(6):630-5. doi: 10.1016/j.pediatrneurol.2014.01.054. Epub 2014 Feb 10. Review.PMID: 24731482.Similar articles. Canada. l.Artigo Integral.

Os autores apresentam um caso grave de síndrome hipóxico-isquêmica em hipotermia terapêutica que apresentou instabilidade hemodinâmica, distúrbio de coagulação, convulsões eletrográficas (tornaram-se mais progressivas à medida que o reaquecimento progrediu, associam-se a pior desfecho neurológico e  esses bebês deveriam ser monitorizados com eletroencefalograma contínuo, para a pronta identificação das convulsões e tratamento imediato, segundo publicação desse mês, precisamente dia 11/9, de  Fitzgerald MP et al) e, na fase de reaquecimento, HIV à direita com extensão parenquimatosa à direita parieto-occipital e para o ventrículo esquerdo, além de infarto nas páreas watershed bilaterais. A hipotermia terapêutica e o reaquecimento podem causar flutuações no fluxo sanguíneo cerebral, nos pacientes com risco de HIV. A redução da temperatura corporal diminuiu o fluxo sanguíneo cerebral, mas o reaquecimento deve ser feito  de modo que  o fluxo seja restabelecido normalmente. O processo de reaquecimento tipicamente causa vasodilatação periférica, o que aumenta volume sanguíneo intravascular e frequentemente leva à hipotensão, havendo um desequilíbrio entre oferta e consumo de oxigênio. Estudo subseqüente desse grupo (2015) mostrou que 70%da ocorrência da HIV ocorreu durante o processo de reaquecimento, período provavelmente que corresponde às maiores flutuações do fluxo sanguíneo cerebral nesses pacientes). Assim, os esforços devem ser direcionados no sentido de manter a estabilidade hemodinâmica nesses pacientes, sobretudo  durante a fase de reaquecimento (observem os níveis de lactato nos primeiros 4 dias nesses pacientes, um potencial marcador  do estado hemodinâmico desses pacientes, segundo Al Balushi A et al, 2016)

Epinefrina versus dopamina no choque séptico neonatal: um estudo duplo-cego randomizado controlado

Epinefrina versus dopamina no choque séptico neonatal: um estudo duplo-cego randomizado controlado

Epinephrine versus dopamine in neonatal septic shock: a double-blind randomized controlled trial. Baske K, Saini SS, Dutta S, Sundaram V.Eur J Pediatr. 2018 Jun 23. doi: 10.1007/s00431-018-3195-x. [Epub ahead of print].PMID: 29936590.Similar articles.

Apresentação: Alessandra Sousa  Marques  (R2 de Pediatria).Hospital Universitário de Brasília ( HUB\UNB).Coordenação : Karina Nascimento  Costa .Márcia Pimentel de Castro.

A escolha vasopressores no choque séptico neonatal é empírica e a dopamina é o fármaco vasoativo de primeira linha convencional, muitas vezes extrapolados de dados de adultos e pediátricos.A dopamina atua  principalmente através da liberação de norepinefrina a partir de vesículas pré-sinápticas. Em recém-nascidos doentes, os estoques de norepinefrina podem se esgotar poucas horas após o início da doença. Além disso, a conversão de dopamina em noradrenalina está diminuída em recém-nascidos extremamente prematuros e hipotensos. Portanto, a dopamina pode ser ineficaz em alguns neonatos.Além disso, a dopamina pode levar a efeitos endócrinos adversos e autorregulação cerebral anormal em bebês prematuros (aumentar a cada  1mcg/kg/min para evitar aumento súbito do fluxo sanguíneo cerebral).

—  O presente estudo, comparando epinefrina e dopamina  no choque séptico neonatal  não responsivo a fluidos não demonstrou diferença nos resultados (proporção de neonatos que alcançaram a reversão do choque nos primeiros 45 minutos, estabilidade hemodinâmica, moralidade nos primeiros 28 dias de vida). No entanto, para os bebês ≤30 semanas e 6 dias, a epinefrina mostrou melhor desempenho. Nos links trouxemos mais informações. No choque séptico pediátrico, comparando dopamina x epinefrina, a dopamina aumentou  6,5 vezes mais a mortalidade, além de taxas mais elevadas de infecção (28,5% versos  2,3% com a epinefrina) Há  10 anos foi evidenciado o papel da noradrenalina (NA) no choque séptico  do recém-nascido a termo (a maior parte tinha hipertensão pulmonar associada), com melhora do desempenho cardíaco, além do efeito vasodilatador pulmonar e  melhora da pressão de perfusão e função dos órgãos nos recém-nascido com choque refratário. Em 2018, foi evidenciado pela primeira vez o papel da noradrenalina no choque séptico do pré-termo:houve melhora do estado de choque em 80% da coorte estudada. Segundo os autores canadenses, o risco potencial de hipertensão pulmonar persistente no período neonatal levantou preocupações sobre os efeitos pulmonares da noradrenalina; no entanto, no período neonatal, a NA parece exibir efeito vasodilatador , quando comparado à dopamina, que é amplamente utilizada em todo o mundo apesar de ter demonstrado aumentar a resistência vascular pulmonar e a pressão arterial pulmonar em recém-nascidos. Finalmente, a Ecocardiografia Funcional (Joseleide de Castro e Paulo R. Margotto), Capítulo do livro Assistência ao Recém-Nascido de Risco, 4 Edição, Em Preparação, que avalia a função e não a estrutura e nos possibilita entender a fisiologia, permitindo definir a melhor opção de tratamento para esta criança, pelo melhor entendimento de sua fisiologia(Paulo R. Margotto)