Mês: agosto 2026

Líquido Balanceado ou Solução Salina 0,9% em Crianças Tratadas para Choque Séptico

Líquido Balanceado ou Solução Salina 0,9% em Crianças Tratadas para Choque Séptico

Balanced Fluid or 0.9Saline in Children Treated for Septic Shock. Balamuth F et al;PRoMPT BOLUS Investigators of the PECARN, PERC, and PREDICT Networks. N Engl J Med. 2026 Apr 24 :10.1056/NEJMoa2601969

Apresentação: Gabriela Fonseca Marçal. Coordenação: Alexandre Serafim

 

O estudo PRoMPT BOLUS (2026) avaliou o uso de cristaloides balanceados (como Ringer Lactato ou Plasma-Lyte) em comparação à solução salina (SF) 0,9% na ressuscitação e manutenção de crianças com choque séptico. Os pontos-chaves e resultados essenciais do estudo são: Sem Diferença no Desfecho Primário: O desfecho composto por morte, necessidade de diálise ou disfunção renal persistente em 30 dias ocorreu em 3,4% no grupo de fluidos balanceados e em 3,0% no grupo de SF 0,9%. Essa diferença não foi estatisticamente significativa (p = 0,85).Desfechos Secundários Semelhantes: Não foram observadas diferenças clínicas entre os grupos quanto à mortalidade geral (antes da alta ou aos 90 dias), tempo de internação ou dias livres de hospital. Melhora Bioquímica sem Impacto Clínico: o uso de fluidos balanceados conseguiu reduzir efetivamente a ocorrência de hipercloremia e hipernatremia. No entanto, essa melhora nos parâmetros laboratoriais não se traduziu em benefícios reais centrados no paciente (como menor mortalidade ou menor taxa de lesão renal aguda).Em relação aos neonatos (da Nota do Editor da página neonatal www.paulomargotto.com.br): Diferente da pediatria geral, o manejo do choque em recém-nascidos exige cuidados específicos, como: a pressão arterial isolada não garante boa perfusão tecidual, Recomenda-se o uso do ultrassom à beira leito (POCUS) cardíaco e pulmonar para guiar de forma precisa a reposição hídrica e evitar a sobrecarga de volume e há uma forte recomendação para abandonar o uso da dopamina como primeira linha na neonatologia, priorizando drogas baseadas na fisiopatologia individual (como dobutamina, adrenalina ou noradrenalina). Em suma, para a população pediátrica geral com choque séptico, as soluções balanceadas não se mostraram superiores ao soro fisiológico 0,9% nos desfechos clínicos principais, enquanto na neonatologia a conduta deve ser estritamente individualizada e guiada por ferramentas funcionais.