Categoria: Artigos

Como fazer a ventilação com pressão Positiva de forma efetiva no recém-nascido

Como fazer a ventilação com pressão Positiva de forma efetiva no recém-nascido

Palestra Administrada pela Dra. Helen G. Liley, Brisbane, Austrália no 10º Simpósio Internacional de Reanimação Neonatal ocorrido em Foz do Iguaçu, entre os dia 27-30 de maio de 2026.

Realizado por Paulo R. Margotto.

A VPP é o elemento mais importante na reanimação neonatal, pois auxilia a transição fetal-extrauterina, estabelece a Capacidade Residual Funcional (CRF) e reduz a necessidade de intervenções mais agressivas (compressões ou epinefrina). As 3 Fases do Recrutamento Pulmonar: Fase 1 (Inicial): Limpeza de líquido fetal e início da aeração. → Usar insuflações sustentadas ou VPP rítmica padronizada para estabelecer CRF rapidamente; Fase 2 (Intersticial): Líquido migra para o interstício (edema). Alto risco de colapso alveolar. → Manter VPP contínua com PEEP – NÃO interromper (pecado mortal da reanimação) E Fase 3 (Tardia): Reabsorção lenta do líquido. → Ventilação protetora, reduzindo parâmetros conforme melhora da complacência pulmonar. Evitar hiperdistensão e volutrauma. As estratégias são, conforme perfil do bebês:Prematuros: Iniciar com PIP ~25 cmH₂O + PEEP 5-8 cmH₂O (até 12 no estudo POLAR). Reduzir PIP se boa resposta.Mecônio espesso: Pressões iniciais mais altas (até 50 cmH₂O) e tempos inspiratórios/expiratórios um pouco mais longos.Hipoplasia pulmonar: Pressões mais baixas para evitar barotrauma e redução do fluxo sistêmico. Os Equipamentos e Interfaces são: Ressuscitador com Peça T: Escolha ideal (pressões precisas e PEEP confiável).Balão autoinflável: Apenas backup (sem PEEP confiável).Máscara facial: Rápida, mas risco de vazamento, reflexo vagal e distensão gástrica.Dispositivo supraglótico: Boa opção de resgate (>34 semanas).Tubo traqueal + videolaringoscópio: Padrão-ouro, mas baixa taxa de sucesso na 1ª tentativa por menos experientes.Meta:Meta: Transição suave (“10 perfeito”) com mínima lesão pulmonar e cerebral.Quanto melhor for a VPP, menos intervenções extremas serão necessárias. O foco é estabelecer e manter a CRF com constância e gentileza.

 

Risco de Citomegalovírus pós-natal não supera os benefícios do Leite materno Cru

Risco de Citomegalovírus pós-natal não supera os benefícios do Leite materno Cru

Postnatal Cytomegalovirus Risk Does Not Outweigh the Benefits of Mother’s Raw Milk. Lawrence SM 1,2, Moreira ME 3, Neu J4.Neoreviews. 2026 Jul 1;27(7):e414-e424. doi: 10.1542/neo.27-7-027.PMID: 42379602 Review.

Realizado por Paulo R. Margotto.

O foco central da discussão reside no equilíbrio entre o risco de transmissão do CMV pelo leite materno e os benefícios imunológicos e nutricionais do leite cru para bebês de muito baixo peso ao nascer (VLBW).O leite materno é descrito como um “tecido vivo” complexo, contendo hormônios, fatores de crescimento e mediadores imunes que são essenciais para o desenvolvimento do prematuro.Benefícios do Leite Cru: O leite materno próprio da mãe (MOM) cru promove a maturação intestinal, protege contra patógenos, auxilia no crescimento do perímetro cefálico e reduz os riscos de enterocolite necrosante (NEC), displasia broncopulmonar (BPD) e sepse de início tardio. Danos da Pasteurização (Método Holder): Embora a pasteurização (aquecimento a 62,5 °C por 30 minutos) elimine o CMV, ela degrada componentes vitais. O processo reduz significativamente a imunoglobulina A secretora (sIgA), a lactoferrina (em até 91%) e inativa a lipase, o que pode prejudicar o ganho de peso e o desenvolvimento neurológico do bebê. Apesar do risco de pCMV (citomegalovirus pós-natal-após 22 dias de vida), as principais diretrizes globais priorizam o aleitamento:AAP e OMS: Recomendam o uso de leite materno cru para bebês prematuros, concluindo que os benefícios à saúde superam os riscos de uma infecção adquirida pós-natalmente.Já a Sociedade Europeia (ESPGHAN): Apresenta uma postura mais cautelosa, sugerindo que as vantagens devem ser pesadas individualmente contra o risco de transmissão. A colostroterapia orofaríngea (administração de gotas nas bochechas) deve ser iniciada nas primeiras 24 horas de vida, mesmo em bebês que não podem ser alimentados via enteral (dieta zero), funcionando como uma “vacina” e estimulador imunológico. Em resumo, a literatura atual enfatiza que o foco excessivo na prevenção do CMV através da esterilização do leite pode acabar prejudicando o bem-estar geral e o crescimento dos prematuros devido à perda de nutrientes e fatores imunológicos essenciais. Estudos são limitados por viés e amostras pequenas. É urgente um estudo multicêntrico internacional. Enquanto isso, priorizar MOM cru conforme diretrizes AAP/WHO, exceto em casos raros de imunodeficiência grave. O foco excessivo no CMV não deve comprometer os benefícios globais do leite materno cru. Enquanto, na Na nossa Unidade (HMIB/SES/DF) usamos a “ colostroterapia” prolongada que  denominamos de  imunoterapia independe te do status materno do CMV. No entanto, para a dieta enteral, nos RN <28 semanas, a partir da segunda semana de vida,  a depender do  status materno do CMV usamos leite pasteurizado até 32 semanas.

ÁUDIO POR IA: O principal sinal vital na reanimação neonatal: como monitorar a frequência cardíaca

ÁUDIO POR IA: O principal sinal vital na reanimação neonatal: como monitorar a frequência cardíaca

Palestra administrada pela Dra. Myra Wyckogg (EUA) no 10º Simpósio de Reanimação Neonatal ocorrido entre os dias  27 a 29 de maio de 2026 em Foz do Iguaçu (PR).

Realizado por Paulo R. Margotto.

A frequência cardíaca (FC) é o indicador mais importante na Sala de Parto para decidir a necessidade de reanimação e avaliar a eficácia das intervenções, especialmente da ventilação.No recém-nascido, o débito cardíaco depende principalmente da FC (volume sistólico relativamente fixo). Limite de 100 bpm adotado pelo Programa de Reanimação Neonatal, com base  em dados históricos e curva de Dawson (oximetria).Dados recentes (eletrodo seco, clampeamento tardio): FC inicia ~120 bpm e chega a ~160 bpm aos 60 segundos.FC baixa persistente nos primeiros minutos é preditor de lesão cerebral ou mortalidade.Entre os Métodos de Avaliação, do pior ao melhor:Palpação do cordão: evitar  pois é muito imprecisa (20% impalpável; acerta >100 bpm em apenas 55% dos casos); Ausculta com estetoscópio: melhor que palpação, mas imprecisa (erros em ~31% dos casos na zona cinzenta ~80 bpm). Usar apenas inicialmente; Oximetria de pulso: demora (40s a 3 min), especialmente em prematuros, e subestima significativamente a FC nos primeiros minutos → risco de ventilação por pressão positiva  desnecessária; ECG convencional: mais rápido e preciso que oximetria (sinal confiável ~30s), sendo ecomendado pelo ILCOR quando disponível; Eletrodo seco (NeoBeat): mais rápido (~19s antes que ECG), alta precisão (correlação 0,98), fácil uso (cinto, sem gel), bom custo-benefício inclusive em recursos limitados; POCUS (ultrassom): promissor para futuro (diferenciar assistolia de atividade elétrica sem puso [AESP]).Mensagens práticas:priorize sempre boa ventilação antes de compressões. Se a ventilação estiver eficaz, raramente será necessário compressão (limite de 60 bpm simplificado para ensino). Combinação ideal: ausculta inicial + monitor preciso (ECG ou NeoBeat).Portanto, ma avaliação rápida e precisa da FC evita atrasos ou intervenções desnecessárias, sendo o pilar da reanimação neonatal eficaz.

Dexmedetomedina na hipotermia terapêutica (ensaio DICE- Dexmedetomidine Use in Infants undergoing Cooling due to Neonatal Encephalopathy):16 de junho de 2026

Dexmedetomedina na hipotermia terapêutica (ensaio DICE- Dexmedetomidine Use in Infants undergoing Cooling due to Neonatal Encephalopathy):16 de junho de 2026

Dexmedetomidine use in Infants undergoing Cooling due to neonatal Encephalopathy (DICE trial): safety and pharmacokinetics.Baserga MC, Bahr TM, Yang MJ, Rau C, DuPont TL, Ostrander B, Gerday EB, Yellepeddi V, Watt KM.Pediatr Res. 2026 Jun 16. doi: 10.1038/s41390-026-05184-0. Online ahead of print.PMID: 42304121

Realizado por Paulo R. Margotto.

 

Lactentes com encefalopatia neonatal (EN) moderada a grave em hipotermia terapêutica (HT) frequentemente necessitam de sedação e analgesia. A morfina é o padrão atual, mas traz riscos (depressão respiratória, efeitos adversos no neurodesenvolvimento e dismotilidade intestinal). A dexmedetomidina surge como alternativa promissora por oferecer sedação, analgesia e prevenção de tremores sem deprimir a ventilação. Trata-se de um  estudo randomizado, multicêntrico, aberto; dexmedetomidina (ataque 1 µg/kg + infusão 0,1–0,5 µg/kg/h) vs morfina. Sem diferença  significativa em eventos adversos graves, bradicardia, hipotensão, convulsões ou outros desfechos cardiovasculares/renais/hepáticos comparado à morfina, desfechos semelhantes (suporte respiratório, tempo de internação, tremores), tendência a maior tempo para alimentação oral completa no grupo dexmedetomidina (11 vs 7 dias – margem de significância), tendência a maior tempo para alimentação oral completa no grupo dexmedetomidina (11 vs 7 dias – margem de significância).Portanto, o estudo conclui que a  Dexmedetomidina é segura na dose estudada, com perfil hemodinâmico comparável à morfina e menor risco de depressão respiratória. Estudos de fase III são necessários para avaliar neuroproteção e eficácia a longo prazo.

Displasia do Desenvolvimento do Quadril (DDQ): uma doença silenciosa (o que todo o Pediatra deveria saber)

Displasia do Desenvolvimento do Quadril (DDQ): uma doença silenciosa (o que todo o Pediatra deveria saber)

Giovanna Braga Motta.

A DDQ é uma condição silenciosa, mas com potencial para graves sequelas se não diagnosticada e tratada precocemente.Rastreamento Clínico: Manobras de Ortolani (redução de quadril luxado) e Barlow (estabilidade). Sinais de alerta em lactentes: assimetria de pregas, limitação de abdução, sinal de Galeazzi e teste de Klisic.O Exame físico tem até 14% de falsos negativos, mesmo por especialistas. Entre os fatores de riscos: apresentação pélvica, história familiar, oligohidrâmnio, sexo feminino, primogenitura e gemelaridade. A ultrassonografia (Método de Graf): padrão-ouro até 4–6 meses (ideal entre 4ª–6ª semana). O diagnóstico precoce (clínico + US pelo Método de Graf) muda o prognóstico, evitando cirurgias complexas. Todo pediatra deve identificar fatores de risco e sinais de alerta para encaminhamento oportuno.

Desafios para a manutenção da normotermia ao nascer no recém-nascido pré-termo.

Desafios para a manutenção da normotermia ao nascer no recém-nascido pré-termo.

Palestra Administrada pela Dra. Myra Wyckoff (EUA) no Décimo Simpósio de Reanimação Neonatal ocorrido  em Foz do Iguaçu, entre os dias  28 e 20 de maio de 2026.

Realizado por Pao R. Margotto.

A manutenção da NORMOTERMIA (36,5–37,5°C) é fundamental na reanimação do prematuro, pois o frio prejudica a transição circulatória, reduz o surfactante, aumenta apneia, acidose e mortalidade. Cada 1°C abaixo de 36,5°C → ↑ 28–30% mortalidade e ↑ 11% sepse. A hipotermia grave em <32 semanas pode duplicar o risco de morte. As principais causas de perda de calor são: pele imatura, pouca gordura, grande superfície corporal e cabeça.Intervenções mais importantes (ILCOR 2025): Sala de Parto aquecida (>23°C, ideal 23–25°C); Saco plástico de polietileno 100% (sem secar o bebê antes) + touca plástica;Gases aquecidos e umidificados; Colchão térmico (com cautela para evitar hipertermia); Berço aquecido + monitorização contínua da temperatura. O Clampeamento tardio (≥60 seg) é recomendado, mas exige proteção térmica imediata.PORTANTO: Evitar hipotermia sem cair em hipertermia (>38°C). Usar pacote de medidas + checklist + monitorização rigorosa melhora sobrevida e reduz morbidade nos prematuros.

ÁUDIO POR IA: Desafios para a manutenção da normotermia ao nascer no recém-nascido pré-termo.

ÁUDIO POR IA: Desafios para a manutenção da normotermia ao nascer no recém-nascido pré-termo.

Palestra Apresentada por Myra Wyckoff (EUA)  no Décimo Simpósio Internacional de Reanimação  Neonatal ocorrido em Foz do Iguaçu entre os dis 28 e 30 de maio de 2026.

Realizado por Paulo R. Margotto.

A manutenção da NORMOTERMIA (36,5–37,5°C) é fundamental na reanimação do prematuro, pois o frio prejudica a transição circulatória, reduz o surfactante, aumenta apneia, acidose e mortalidade. Cada 1°C abaixo de 36,5°C → ↑ 28–30% mortalidade e ↑ 11% sepse. A hipotermia grave em <32 semanas pode duplicar o risco de morte. As principais causas de perda de calor são: pele imatura, pouca gordura, grande superfície corporal e cabeça. Intervenções mais importantes (ILCOR 2025): Sala de Parto aquecida (>23°C, ideal 23–25°C); Saco plástico de polietileno 100% (sem secar o bebê antes) + touca plástica; Gases aquecidos e umidificados; Colchão térmico (com cautela para evitar hipertermia); Berço aquecido + monitorização contínua da temperatura. O clampeamento tardio (≥60 seg) é recomendado, mas exige proteção térmica imediata. PORTANTO: Evitar hipotermia sem cair em hipertermia (>38°C). Usar pacote de medidas + checklist + monitorização rigorosa melhora sobrevida e reduz morbidade nos prematuros,

Efeito do bloqueio neuromuscular contínuo em uma coorte de pacientes com displasia broncopulmonar (DBP) evolutiva ou grau 3

Efeito do bloqueio neuromuscular contínuo em uma coorte de pacientes com displasia broncopulmonar (DBP) evolutiva ou grau 3

The Effect of Continuous Neuromuscular Blockade in a Cohort of Patients with Evolving or Grade 3 Bronchopulmonary DysplasiaCosnahan A, Farraj FA, Mitchell J, Bauer SE, Conlon S, Rose R.Am J Perinatol. 2026 May;43(7):895-899. doi: 10.1055/a-2706-5861. Epub 2025 Oct 6.PMID: 41052539

Realizado por Paulo R. Margotto.

Trata-se de uma coorte retrospectiva (EUA, 2020–2024) com 18 neonatos com DBP evolutiva ou grau 3 que receberam infusão contínua de vecurônio (NMBA) por ≥48 horas (9-10 dias). Entre os resultados principais: Sobrevida em curto prazo: 77% (14/18) sobreviveram mais de 7 dias após o início do bloqueio. Quatro óbitos (22%), a maioria nas primeiras 24 horas. Melhora respiratória: redução significativa do RSS (escore de gravidade respiratória) e OSI (índice de saturação de oxigênio) durante o tratamento (p=0,003). Quase todos os pacientes apresentaram declínio nesses índices. Desfechos de longo prazo (sobreviventes): alta taxa de traqueostomia (6/7), dependência de sonda gástrica e atrasos no neurodesenvolvimento. Os autores concluem que o bloqueio neuromuscular contínuo pode ser uma terapia de resgate útil em casos graves de DBP com agitação/descompensação, associado a melhora dos parâmetros respiratórios e boa sobrevida em curto prazo na maioria dos casos. Não é tratamento de longo prazo. Os dados são limitados (pequena coorte retrospectiva) e servem como geradores de hipótese para estudos futuros

ÁUDIO POR IA: Administração de O2 Suplementar na Reanimação Neonatal

ÁUDIO POR IA: Administração de O2 Suplementar na Reanimação Neonatal

Palestra administrada pela Dra. Elisabeth Foglia (EUA) NO 10º Simpósio de Reanimação Neonatal ocorrido entre os dia 27 a 29 de maio de 2026 em Foz do Iguaçu.

Realizado por Paulo R. Margotto

1-Para os  Bebês a Termo (≥35 semanas), iniciar com 21% (ar ambiente) – Recomendação consolidada (ILCOR 2019), com redução de  mortalidade comparado a 100%. 2. Bebês Prematuros (<32 semanas), as evidências são conflitantes, com o NETMOTION (2024) Sugerindo benefício de FiO₂ mais alta (≥90%), o estudo  TORPIDO não mostrou diferença entre 30% vs 60% em morte ou lesão cerebral, o ILCOR (2025) recomenda ser razoável   iniciar com FiO₂ ≥ 30% (faixa 30–100%).Recomendação Brasileira (2026): Iniciar com 60% em prematuros <32 semanas.Alvo de Saturação de O2 (SpO2): Meta principal: SpO₂ ≥ 80–85% aos 5 minutos de vida.Não atingir esse alvo está associado a maior risco de morte precoce e hemorragia intraventricular grave.Quanto à Titulação de O2:Colocar oxímetro o mais precoce possível (mão direita), lembrando que demora ~2–3 minutos para a mudança de FiO₂ chegar ao bebê, Priorizar  boa aeração pulmonar (PEEP/CPAP) – oxigênio sozinho não resolve pulmão não recrutado.Mensagens finais: Prematuros extremos precisam de oxigênio suficiente desde o início (pouco oxigênio pode ser prejudicial), Equilíbrio é fundamental: evitar hipoxemia e hiperóxia, cada Unidade deve ter protocolo claro de titulação. “Oxigênio é uma droga potente: o suficiente salva, o excesso ou a falta prejudica.”