Categoria: Artigos

ÁUDIO POR IA: O principal sinal vital na reanimação neonatal: como monitorar a frequência cardíaca

ÁUDIO POR IA: O principal sinal vital na reanimação neonatal: como monitorar a frequência cardíaca

Palestra administrada pela Dra. Myra Wyckogg (EUA) no 10º Simpósio de Reanimação Neonatal ocorrido entre os dias  27 a 29 de maio de 2026 em Foz do Iguaçu (PR).

Realizado por Paulo R. Margotto.

A frequência cardíaca (FC) é o indicador mais importante na Sala de Parto para decidir a necessidade de reanimação e avaliar a eficácia das intervenções, especialmente da ventilação.No recém-nascido, o débito cardíaco depende principalmente da FC (volume sistólico relativamente fixo). Limite de 100 bpm adotado pelo Programa de Reanimação Neonatal, com base  em dados históricos e curva de Dawson (oximetria).Dados recentes (eletrodo seco, clampeamento tardio): FC inicia ~120 bpm e chega a ~160 bpm aos 60 segundos.FC baixa persistente nos primeiros minutos é preditor de lesão cerebral ou mortalidade.Entre os Métodos de Avaliação, do pior ao melhor:Palpação do cordão: evitar  pois é muito imprecisa (20% impalpável; acerta >100 bpm em apenas 55% dos casos); Ausculta com estetoscópio: melhor que palpação, mas imprecisa (erros em ~31% dos casos na zona cinzenta ~80 bpm). Usar apenas inicialmente; Oximetria de pulso: demora (40s a 3 min), especialmente em prematuros, e subestima significativamente a FC nos primeiros minutos → risco de ventilação por pressão positiva  desnecessária; ECG convencional: mais rápido e preciso que oximetria (sinal confiável ~30s), sendo ecomendado pelo ILCOR quando disponível; Eletrodo seco (NeoBeat): mais rápido (~19s antes que ECG), alta precisão (correlação 0,98), fácil uso (cinto, sem gel), bom custo-benefício inclusive em recursos limitados; POCUS (ultrassom): promissor para futuro (diferenciar assistolia de atividade elétrica sem puso [AESP]).Mensagens práticas:priorize sempre boa ventilação antes de compressões. Se a ventilação estiver eficaz, raramente será necessário compressão (limite de 60 bpm simplificado para ensino). Combinação ideal: ausculta inicial + monitor preciso (ECG ou NeoBeat).Portanto, ma avaliação rápida e precisa da FC evita atrasos ou intervenções desnecessárias, sendo o pilar da reanimação neonatal eficaz.

Dexmedetomedina na hipotermia terapêutica (ensaio DICE- Dexmedetomidine Use in Infants undergoing Cooling due to Neonatal Encephalopathy):16 de junho de 2026

Dexmedetomedina na hipotermia terapêutica (ensaio DICE- Dexmedetomidine Use in Infants undergoing Cooling due to Neonatal Encephalopathy):16 de junho de 2026

Dexmedetomidine use in Infants undergoing Cooling due to neonatal Encephalopathy (DICE trial): safety and pharmacokinetics.Baserga MC, Bahr TM, Yang MJ, Rau C, DuPont TL, Ostrander B, Gerday EB, Yellepeddi V, Watt KM.Pediatr Res. 2026 Jun 16. doi: 10.1038/s41390-026-05184-0. Online ahead of print.PMID: 42304121

Realizado por Paulo R. Margotto.

 

Lactentes com encefalopatia neonatal (EN) moderada a grave em hipotermia terapêutica (HT) frequentemente necessitam de sedação e analgesia. A morfina é o padrão atual, mas traz riscos (depressão respiratória, efeitos adversos no neurodesenvolvimento e dismotilidade intestinal). A dexmedetomidina surge como alternativa promissora por oferecer sedação, analgesia e prevenção de tremores sem deprimir a ventilação. Trata-se de um  estudo randomizado, multicêntrico, aberto; dexmedetomidina (ataque 1 µg/kg + infusão 0,1–0,5 µg/kg/h) vs morfina. Sem diferença  significativa em eventos adversos graves, bradicardia, hipotensão, convulsões ou outros desfechos cardiovasculares/renais/hepáticos comparado à morfina, desfechos semelhantes (suporte respiratório, tempo de internação, tremores), tendência a maior tempo para alimentação oral completa no grupo dexmedetomidina (11 vs 7 dias – margem de significância), tendência a maior tempo para alimentação oral completa no grupo dexmedetomidina (11 vs 7 dias – margem de significância).Portanto, o estudo conclui que a  Dexmedetomidina é segura na dose estudada, com perfil hemodinâmico comparável à morfina e menor risco de depressão respiratória. Estudos de fase III são necessários para avaliar neuroproteção e eficácia a longo prazo.

Displasia do Desenvolvimento do Quadril (DDQ): uma doença silenciosa (o que todo o Pediatra deveria saber)

Displasia do Desenvolvimento do Quadril (DDQ): uma doença silenciosa (o que todo o Pediatra deveria saber)

Giovanna Braga Motta.

A DDQ é uma condição silenciosa, mas com potencial para graves sequelas se não diagnosticada e tratada precocemente.Rastreamento Clínico: Manobras de Ortolani (redução de quadril luxado) e Barlow (estabilidade). Sinais de alerta em lactentes: assimetria de pregas, limitação de abdução, sinal de Galeazzi e teste de Klisic.O Exame físico tem até 14% de falsos negativos, mesmo por especialistas. Entre os fatores de riscos: apresentação pélvica, história familiar, oligohidrâmnio, sexo feminino, primogenitura e gemelaridade. A ultrassonografia (Método de Graf): padrão-ouro até 4–6 meses (ideal entre 4ª–6ª semana). O diagnóstico precoce (clínico + US pelo Método de Graf) muda o prognóstico, evitando cirurgias complexas. Todo pediatra deve identificar fatores de risco e sinais de alerta para encaminhamento oportuno.

Desafios para a manutenção da normotermia ao nascer no recém-nascido pré-termo.

Desafios para a manutenção da normotermia ao nascer no recém-nascido pré-termo.

Palestra Administrada pela Dra. Myra Wyckoff (EUA) no Décimo Simpósio de Reanimação Neonatal ocorrido  em Foz do Iguaçu, entre os dias  28 e 20 de maio de 2026.

Realizado por Pao R. Margotto.

A manutenção da NORMOTERMIA (36,5–37,5°C) é fundamental na reanimação do prematuro, pois o frio prejudica a transição circulatória, reduz o surfactante, aumenta apneia, acidose e mortalidade. Cada 1°C abaixo de 36,5°C → ↑ 28–30% mortalidade e ↑ 11% sepse. A hipotermia grave em <32 semanas pode duplicar o risco de morte. As principais causas de perda de calor são: pele imatura, pouca gordura, grande superfície corporal e cabeça.Intervenções mais importantes (ILCOR 2025): Sala de Parto aquecida (>23°C, ideal 23–25°C); Saco plástico de polietileno 100% (sem secar o bebê antes) + touca plástica;Gases aquecidos e umidificados; Colchão térmico (com cautela para evitar hipertermia); Berço aquecido + monitorização contínua da temperatura. O Clampeamento tardio (≥60 seg) é recomendado, mas exige proteção térmica imediata.PORTANTO: Evitar hipotermia sem cair em hipertermia (>38°C). Usar pacote de medidas + checklist + monitorização rigorosa melhora sobrevida e reduz morbidade nos prematuros.

ÁUDIO POR IA: Desafios para a manutenção da normotermia ao nascer no recém-nascido pré-termo.

ÁUDIO POR IA: Desafios para a manutenção da normotermia ao nascer no recém-nascido pré-termo.

Palestra Apresentada por Myra Wyckoff (EUA)  no Décimo Simpósio Internacional de Reanimação  Neonatal ocorrido em Foz do Iguaçu entre os dis 28 e 30 de maio de 2026.

Realizado por Paulo R. Margotto.

A manutenção da NORMOTERMIA (36,5–37,5°C) é fundamental na reanimação do prematuro, pois o frio prejudica a transição circulatória, reduz o surfactante, aumenta apneia, acidose e mortalidade. Cada 1°C abaixo de 36,5°C → ↑ 28–30% mortalidade e ↑ 11% sepse. A hipotermia grave em <32 semanas pode duplicar o risco de morte. As principais causas de perda de calor são: pele imatura, pouca gordura, grande superfície corporal e cabeça. Intervenções mais importantes (ILCOR 2025): Sala de Parto aquecida (>23°C, ideal 23–25°C); Saco plástico de polietileno 100% (sem secar o bebê antes) + touca plástica; Gases aquecidos e umidificados; Colchão térmico (com cautela para evitar hipertermia); Berço aquecido + monitorização contínua da temperatura. O clampeamento tardio (≥60 seg) é recomendado, mas exige proteção térmica imediata. PORTANTO: Evitar hipotermia sem cair em hipertermia (>38°C). Usar pacote de medidas + checklist + monitorização rigorosa melhora sobrevida e reduz morbidade nos prematuros,

Efeito do bloqueio neuromuscular contínuo em uma coorte de pacientes com displasia broncopulmonar (DBP) evolutiva ou grau 3

Efeito do bloqueio neuromuscular contínuo em uma coorte de pacientes com displasia broncopulmonar (DBP) evolutiva ou grau 3

The Effect of Continuous Neuromuscular Blockade in a Cohort of Patients with Evolving or Grade 3 Bronchopulmonary DysplasiaCosnahan A, Farraj FA, Mitchell J, Bauer SE, Conlon S, Rose R.Am J Perinatol. 2026 May;43(7):895-899. doi: 10.1055/a-2706-5861. Epub 2025 Oct 6.PMID: 41052539

Realizado por Paulo R. Margotto.

Trata-se de uma coorte retrospectiva (EUA, 2020–2024) com 18 neonatos com DBP evolutiva ou grau 3 que receberam infusão contínua de vecurônio (NMBA) por ≥48 horas (9-10 dias). Entre os resultados principais: Sobrevida em curto prazo: 77% (14/18) sobreviveram mais de 7 dias após o início do bloqueio. Quatro óbitos (22%), a maioria nas primeiras 24 horas. Melhora respiratória: redução significativa do RSS (escore de gravidade respiratória) e OSI (índice de saturação de oxigênio) durante o tratamento (p=0,003). Quase todos os pacientes apresentaram declínio nesses índices. Desfechos de longo prazo (sobreviventes): alta taxa de traqueostomia (6/7), dependência de sonda gástrica e atrasos no neurodesenvolvimento. Os autores concluem que o bloqueio neuromuscular contínuo pode ser uma terapia de resgate útil em casos graves de DBP com agitação/descompensação, associado a melhora dos parâmetros respiratórios e boa sobrevida em curto prazo na maioria dos casos. Não é tratamento de longo prazo. Os dados são limitados (pequena coorte retrospectiva) e servem como geradores de hipótese para estudos futuros

ÁUDIO POR IA: Administração de O2 Suplementar na Reanimação Neonatal

ÁUDIO POR IA: Administração de O2 Suplementar na Reanimação Neonatal

Palestra administrada pela Dra. Elisabeth Foglia (EUA) NO 10º Simpósio de Reanimação Neonatal ocorrido entre os dia 27 a 29 de maio de 2026 em Foz do Iguaçu.

Realizado por Paulo R. Margotto

1-Para os  Bebês a Termo (≥35 semanas), iniciar com 21% (ar ambiente) – Recomendação consolidada (ILCOR 2019), com redução de  mortalidade comparado a 100%. 2. Bebês Prematuros (<32 semanas), as evidências são conflitantes, com o NETMOTION (2024) Sugerindo benefício de FiO₂ mais alta (≥90%), o estudo  TORPIDO não mostrou diferença entre 30% vs 60% em morte ou lesão cerebral, o ILCOR (2025) recomenda ser razoável   iniciar com FiO₂ ≥ 30% (faixa 30–100%).Recomendação Brasileira (2026): Iniciar com 60% em prematuros <32 semanas.Alvo de Saturação de O2 (SpO2): Meta principal: SpO₂ ≥ 80–85% aos 5 minutos de vida.Não atingir esse alvo está associado a maior risco de morte precoce e hemorragia intraventricular grave.Quanto à Titulação de O2:Colocar oxímetro o mais precoce possível (mão direita), lembrando que demora ~2–3 minutos para a mudança de FiO₂ chegar ao bebê, Priorizar  boa aeração pulmonar (PEEP/CPAP) – oxigênio sozinho não resolve pulmão não recrutado.Mensagens finais: Prematuros extremos precisam de oxigênio suficiente desde o início (pouco oxigênio pode ser prejudicial), Equilíbrio é fundamental: evitar hipoxemia e hiperóxia, cada Unidade deve ter protocolo claro de titulação. “Oxigênio é uma droga potente: o suficiente salva, o excesso ou a falta prejudica.”

Exposição Pré-Natal à Poluição do Ar Está Associada a Desfechos Neurodesenvolvimentais Alterados na Primeira Infância.

Exposição Pré-Natal à Poluição do Ar Está Associada a Desfechos Neurodesenvolvimentais Alterados na Primeira Infância.

Prenatal air pollution exposure is associated with altered neurodevelopmental outcomes in early childhood. Bonthrone AF, Bos B, Barratt B, Pang HCO, Beevers S, Chew A, Falconer S, Hajnal JV, Kelly FJ, Nosarti C, Edwards AD, Counsell SJ.J Physiol. 2026 Apr 28. doi: 10.1113/JP290327. Online ahead of print.PMID: 42049054.

Realizado por Paulo R Margotto.

O estudo analisou 498 crianças (incluindo 125 prematuras) da coorte Developing Human Connectome Project (dHCP) em Londres. Os pesquisadores avaliaram o impacto da exposição materna a poluentes (PM₂.₅, PM₁₀ e NO₂), estimada pelo código postal durante a gestação, no desenvolvimento neurocognitivo aos 18 meses (avaliado pelas Bayley Scales).Entre os principais achados: Linguagem: Maior exposição aos poluentes no 1º trimestre esteve associada a pontuações significativamente mais baixas de linguagem (5 a 7 pontos a menos em média; até 11 pontos a menos em prematuros), mesmo após ajuste para fatores socioeconômicos, étnicos, complicações maternas e ambiente linguístico domiciliar. Habilidades motoras: Maior exposição aos poluentes ao longo de toda a gestação esteve associada a piores escores motores apenas em prematuros muito precoces (< 32 semanas). Não houve efeito significativo em prematuros moderados ou crianças a termo. O sexo da criança não influenciou as associações. Os autores concluem  que a exposição à poluição do ar no início da gestação parece ser particularmente prejudicial ao desenvolvimento da linguagem. Bebês muito prematuros são mais vulneráveis aos efeitos da poluição ao longo da gravidez no desenvolvimento motor. Os autores destacam que a poluição do ar é um fator de risco modificável e que reduzir a exposição pode melhorar os desfechos do neurodesenvolvimento  na primeira infância.  estudo reforça a importância de proteger gestantes (especialmente em grandes Centros urbanos) da poluição atmosférica, mesmo dentro dos limites legais atuais.