Categoria: Distúrbios Neurológicos

AUDIO POR IA:Neuroproteção Perinatal na Prematuridade

AUDIO POR IA:Neuroproteção Perinatal na Prematuridade

Perinatal Neuroprotection in Preterm Birth.Berger R, Stelzl P, Stubert J, Kyvernitakis I, Kribs A, Maul H.Geburtshilfe Frauenheilkd. 2025 Jun 30;85(10):1061-1072. doi: 10.1055/a-2593-0275. eCollection 2025 Oct.PMID: 41089219. Alemanha.

Realizado por Paulo R. Margotto.

A prematuridade extrema apresenta alta morbimortalidade, com sequelas cognitivas, comportamentais e psíquicas afetando entre 25% e 50% dos sobreviventes. A proteção do cérebro imaturo contra danos neuronais e vasculares crônicos envolve intervenções coordenadas 1) Intervenções Antenatais e de Parto a) Corticosteroides Antenatais (ANS): Reduzem significativamente a mortalidade neonatal, a síndrome do desconforto respiratório (SDR) e a taxa de hemorragia intraventricular (HIV). Agem estabilizando a vasculatura vulnerável da matriz germinativa através da supressão da proliferação endotelial e do aumento da cobertura de pericitos. O benefício é evidente em fetos ≤ 30 semanas, e o efeito vascular decai após 10 dias (podendo ser restaurado com um ciclo de resgate) b) Sulfato de Magnésio: Administrado em partos iminentes < 34 semanas, reduz de forma expressiva o risco de paralisia cerebral e o desfecho combinado de “morte ou paralisia cerebral” aos 2 anos de idade corrigida. Os mecanismos celulares incluem o bloqueio de canais de cálcio via receptores NMDA, indução de pré-condicionamento mitocondrial, atenuação do neurotransmissor excitotóxico succinato e redução de processos inflamatórios pós-isquêmicos 3) Manejo do Cordão Umbilical: O clampeamento tardio deve ser preferido para garantir uma transição cardiovascular fisiológica estável. Recomenda-se a estratégia “ventilar primeiro” (iniciar a insuflação pulmonar antes de clampear o cordão). A ordenha (“milking”) é expressamente contraindicada para prematuros de 23 a 27 semanas, pois aumenta em quase quatro vezes o risco de HIV  grave 2) Pós-Natais: a)Hipotermia terapêutica em prematuros ≥ pode ser clinicamente razoável em casos de encefalopatia hipóxico-isquêmica de causa periparto clara, sem sinais de infecção ou inflamação fetal, desde que iniciada de forma muito precoce (< 90 minutos) e com monitoramento estrito de temperatura e exclusão prévia de HIV por ultrassom b) Cuidado Pós-natal na UTIN incluem   Estabilização Clínica: Evitar flutuações bruscas de CO2, pressão arterial e temperatura1. Optar por ventilação não invasiva e administração menos invasiva de surfactante, mantendo a cabeça em posição neutra na linha média e minimizando intervenções dolorosas  Estímulo e Vínculo: Promover o contato pele a pele precoce (método canguru), reduzir ruídos e iluminação agressiva, preservar ciclos fisiológicos de sono-vigília e incentivar a voz dos pais na beira do leito  Nutrição e Suporte Farmacológico: O fornecimento de leite materno é vital para o desenvolvimento psicomotor a longo prazo. Práticas promissoras incluem a administração orofaríngea de colostro ou o uso terapêutico intranasal de leite materno para regeneração em casos de HIV. Clinicamente, o uso de cafeína se destaca por reduzir de forma expressiva o risco de paralisia cerebral e o atraso no desenvolvimento aos 18-21 meses.

Neuroproteção Perinatal na Prematuridade

Neuroproteção Perinatal na Prematuridade

Perinatal Neuroprotection in Preterm Birth.Berger R, Stelzl P, Stubert J, Kyvernitakis I, Kribs A, Maul H.Geburtshilfe Frauenheilkd. 2025 Jun 30;85(10):1061-1072. doi: 10.1055/a-2593-0275. eCollection 2025 Oct.PMID: 41089219. Alemanha.

Realizado por Paulo R. Margotto.

 

A prematuridade extrema apresenta alta morbimortalidade, com sequelas cognitivas, comportamentais e psíquicas afetando entre 25% e 50% dos sobreviventes. A proteção do cérebro imaturo contra danos neuronais e vasculares crônicos envolve intervenções coordenadas 1) Intervenções Antenatais e de Parto a) Corticosteroides Antenatais (ANS): Reduzem significativamente a mortalidade neonatal, a síndrome do desconforto respiratório (SDR) e a taxa de hemorragia intraventricular (HIV). Agem estabilizando a vasculatura vulnerável da matriz germinativa através da supressão da proliferação endotelial e do aumento da cobertura de pericitos. O benefício é evidente em fetos ≤ 30 semanas, e o efeito vascular decai após 10 dias (podendo ser restaurado com um ciclo de resgate) b) Sulfato de Magnésio: Administrado em partos iminentes < 34 semanas, reduz de forma expressiva o risco de paralisia cerebral e o desfecho combinado de “morte ou paralisia cerebral” aos 2 anos de idade corrigida. Os mecanismos celulares incluem o bloqueio de canais de cálcio via receptores NMDA, indução de pré-condicionamento mitocondrial, atenuação do neurotransmissor excitotóxico succinato e redução de processos inflamatórios pós-isquêmicos 3) Manejo do Cordão Umbilical: O clampeamento tardio deve ser preferido para garantir uma transição cardiovascular fisiológica estável. Recomenda-se a estratégia “ventilar primeiro” (iniciar a insuflação pulmonar antes de clampear o cordão). A ordenha (“milking”) é expressamente contraindicada para prematuros de 23 a 27 semanas, pois aumenta em quase quatro vezes o risco de HIV  grave 2) Pós-Natais: a)Hipotermia terapêutica em prematuros ≥ pode ser clinicamente razoável em casos de encefalopatia hipóxico-isquêmica de causa periparto clara, sem sinais de infecção ou inflamação fetal, desde que iniciada de forma muito precoce (< 90 minutos) e com monitoramento estrito de temperatura e exclusão prévia de HIV por ultrassom b) Cuidado Pós-natal na UTIN incluem   Estabilização Clínica: Evitar flutuações bruscas de CO2, pressão arterial e temperatura1. Optar por ventilação não invasiva e administração menos invasiva de surfactante, mantendo a cabeça em posição neutra na linha média e minimizando intervenções dolorosas  Estímulo e Vínculo: Promover o contato pele a pele precoce (método canguru), reduzir ruídos e iluminação agressiva, preservar ciclos fisiológicos de sono-vigília e incentivar a voz dos pais na beira do leito  Nutrição e Suporte Farmacológico: O fornecimento de leite materno é vital para o desenvolvimento psicomotor a longo prazo. Práticas promissoras incluem a administração orofaríngea de colostro ou o uso terapêutico intranasal de leite materno para regeneração em casos de HIV. Clinicamente, o uso de cafeína se destaca por reduzir de forma expressiva o risco de paralisia cerebral e o atraso no desenvolvimento aos 18-21 meses.

ÁIDIO POR IA: Sildenafil na Encefalopatia Hipóxico-Isquêmica: da descoberta pré-clínica aos ensaios clínicos

ÁIDIO POR IA: Sildenafil na Encefalopatia Hipóxico-Isquêmica: da descoberta pré-clínica aos ensaios clínicos

Pia Wintermark (Canadá). Live da Newborn Brain Society (30 de julho de 2026).

Realizado por Paulo R. Margotto.

Os documentos apresentam pesquisas lideradas pela Dra. Pia Wintermark (Canadá) sobre o uso do SILDENAFIL para tratar a encefalopatia hipóxico-isquêmica (EHI) em recém-nascidos. Diferente da hipotermia terapêutica tradicional, que foca na proteção imediata, essa abordagem busca a neurorestauração para reparar danos cerebrais já estabelecidos. A hipotermia terapêutica  falha em até 30% dos casos e não possui efeito neurorrestaurador, o que significa que ela não repara as lesões cerebrais que já estão consolidadas no tecido. O mecanismo de ação envolve a redução da neuroinflamação (fazendo com que astrócitos e microglias ativados retornem a um estado inativo), a atenuação da apoptose neuronal e o fomento à regeneração de oligodendrócitos e reparo da substância branca Estudos clínicos e pré-clínicos indicam que o medicamento é seguro, bem tolerado e capaz de melhorar a mielinização e a plasticidade sináptica. Análises quantitativas por ressonância magnética demonstraram que bebês tratados apresentaram menor perda de volume cerebral e recuperação superior em comparação aos grupos de controle. As fontes detalham o sucesso das fases iniciais do estudo SANE (Sildenafil Administration to treat Neonatal Encephalopath), reforçando o potencial dessa terapia como um tratamento adjuvante inovador na neonatologia. Um ensaio clínico de viabilidade multicêntrico está em andamento para avaliar o tratamento em uma coorte maior de 120 neonatos em múltiplos centros no Canadá e nos EUA.

Arquivos

EIXO PLACENTA-CORAÇÃO-CÉREBRO-2026

EIXO PLACENTA-CORAÇÃO-CÉREBRO-2026

Paulo R. Margotto. Apresentação na Reunião da Unidade de Neonatologia do Hospital Materno-Infantil de Brasil, SES/DF em 31/8/2026 e no Instituo de Pesquisa Paulo Roberto Margotto (live em 6/8/2026).

 

Esta palestra do Instituto de Pesquisa Neonatal Paulo Roberto Margotto analisa a profunda conexão entre placenta, o coração e o cérebro no contexto das cardiopatias congênitas. O conteúdo revela que danos neurológicos não surgem apenas de traumas cirúrgicos, mas começam no útero devido à insuficiência placentária e ao fornecimento inadequado de oxigênio pelo coração fetal. Esse cenário resulta em um cérebro com atraso de maturação, que se comporta de forma semelhante ao de um prematuro, gerando prejuízos cognitivos que podem persistir até a fase adulta. Até 50% dos sobreviventes de CC na infância apresentam déficits de memória, atenção e linguagem. Na juventude (16 a 24 anos), esses indivíduos mantêm uma redução definitiva de 21% no volume da substância branca, o que se correlaciona diretamente com menores índices de QI na idade escolar.Para combater esse “efeito dominó”, o autor defende o diagnóstico precoce, o monitoramento rigoroso por ultrassom com Doppler PÓS-CIRURGIA (O IR cerebral pós-operatório é um forte preditor de prognóstico neurológico: valores baixos (ex: <0,60) indicam perda de autorregulação e hiperemia pós-isquêmica (mau prognóstico), ao passo que valores normais (0,60 a 0,85) indicam preservação vascular. e a estabilização hemodinâmica. Exige-se monitorização por eletroencefalograma (EEG) contínuo nas primeiras 24h por 3 dias para flagrar atividades de fundo anormais. Além disso, deve-se evitar o uso de cateter jugular (limitar a no máximo 7 dias se indispensável) pelo alto risco de induzir trombose no seio venoso cerebral. O objetivo central é implementar estratégias de neuroproteção que priorizem a saúde cerebral durante a correção dos defeitos cardíacos. Além disso, discute-se a possibilidade de postergar intervenções cirúrgicas imediatas para evitar maiores danos a um sistema nervoso já fragilizado.

Sildenafil na encefalopatia hipóxico-isquêmica: da descoberta pré-clínica aos ensaios clínicos

Sildenafil na encefalopatia hipóxico-isquêmica: da descoberta pré-clínica aos ensaios clínicos

Pia Wintermark (Canadá). Live da Newborn Brain Society (30 de julho de 2026).

Realizado por Paulo R. Margotto.

Os documentos apresentam pesquisas lideradas pela Dra. Pia Wintermark (Canadá) sobre o uso do SILDENAFIL para tratar a encefalopatia hipóxico-isquêmica (EHI) em recém-nascidos. Diferente da hipotermia terapêutica tradicional, que foca na proteção imediata, essa abordagem busca a neurorestauração para reparar danos cerebrais já estabelecidos. A hipotermia terapêutica  falha em até 30% dos casos e não possui efeito neurorrestaurador, o que significa que ela não repara as lesões cerebrais que já estão consolidadas no tecido. O mecanismo de ação envolve a redução da neuroinflamação (fazendo com que astrócitos e microglias ativados retornem a um estado inativo), a atenuação da apoptose neuronal e o fomento à regeneração de oligodendrócitos e reparo da substância branca Estudos clínicos e pré-clínicos indicam que o medicamento é seguro, bem tolerado e capaz de melhorar a mielinização e a plasticidade sináptica. Análises quantitativas por ressonância magnética demonstraram que bebês tratados apresentaram menor perda de volume cerebral e recuperação superior em comparação aos grupos de controle. As fontes detalham o sucesso das fases iniciais do estudo SANE (Sildenafil Administration to treat Neonatal Encephalopath), reforçando o potencial dessa terapia como um tratamento adjuvante inovador na neonatologia. Um ensaio clínico de viabilidade multicêntrico está em andamento para avaliar o tratamento em uma coorte maior de 120 neonatos em múltiplos centros no Canadá e nos EUA.

ÁUDIO POR IA: Fatores associados a resultados anormais no rastreio de transtorno do espectro autista em crianças extremamente prematuras.

ÁUDIO POR IA: Fatores associados a resultados anormais no rastreio de transtorno do espectro autista em crianças extremamente prematuras.

Factors associated with abnormal screening for autism spectrum disorder among Extremely Preterm ChildrenPeralta-Carcelen M, Hintz SR, Bann CM, Higgins RD, Duncan AF, Vohr BR; SUPPORT Study Group of the Eunice Kennedy Shriver National Institute of Child Health and Human Development Neonatal Research Network.J Perinatol. 2026 Jul 15. doi: 10.1038/s41372-026-02693-y. Online ahead of print.

Realizado por Paulo R. Margotto.

O estudo avaliou 380 crianças extremamente prematuras (nascidas com menos de 28 semanas de gestação) aos 6-7 anos de idade para investigar a presença de resultados positivos na triagem de Transtorno do Espectro Autista (TEA), utilizando o Questionário de Comunicação Social (SCQ com ponto de corte ≥ 15). Os pontos-chaves e resultados essenciais do estudo são: Alta Prevalência: 14% das crianças apresentaram triagem positiva para TEA aos 6-7 anos. Essa taxa é muito superior aos cerca de 2,76% estimados para a população infantil geral. Fatores de Risco Neonatais e Demográficos: O risco de um resultado positivo na triagem foi significativamente maior em: Crianças do sexo masculino, que apresentaram quase o dobro de chance em comparação às meninas; Bebês com menor peso ao nascer e menor idade gestacional (nascidos com 26-27 semanas tiveram um risco 25% menor do que os nascidos com 24-25 semanas); Presença de retinopatia da prematuridade (ROP) grave. Fortes Preditores Precoces (aos 18–22 meses): O desempenho do bebê nessa idade corrigida mostrou-se altamente preditivo para o TEA na idade escolar:atrasos cognitivos e de linguagem (uma pontuação de linguagem inferior a 70 na escala Bayley-III aumentou o risco de triagem positiva para TEA em mais de 5 a 6 vezes);comprometimento motor ou sensorial: A presença de deficiências sensoriais (como cegueira ou surdez) ou motoras elevou o risco em mais de 5 vezes; competência socioemocional atípica: baixa competência social e maiores problemas de comportamento (avaliados pela escala BITSEA) correlacionaram-se fortemente com a triagem positiva no futuro. Houve uma independência da Neuroimagem Neonatal: Curiosamente, não foram encontradas diferenças significativas nos achados de ultrassonografia craniana convencional ou de ressonância magnética cerebral realizadas no período neonatal entre as crianças que pontuaram positivo ou negativo para TEA. Isso indica que lesões cerebrais macroscópicas detectadas logo após o nascimento não são os principais preditores de risco. Conclusão Clínica: Crianças extremamente prematuras formam uma população de extrema vulnerabilidade para TEA. É fundamental realizar um acompanhamento clínico estruturado e precoce focado não apenas nas habilidades motoras, mas prioritariamente no desenvolvimento socioemocional, cognitivo e de linguagem para viabilizar intervenções terapêuticas oportunas.

APRESENTAÇÃO: Fatores associados a resultados anormais no rastreio de transtorno do espectro autista em crianças extremamente prematuras.

APRESENTAÇÃO: Fatores associados a resultados anormais no rastreio de transtorno do espectro autista em crianças extremamente prematuras.

Factors associated with abnormal screening for autism spectrum disorder among Extremely Preterm ChildrenPeralta-Carcelen M, Hintz SR, Bann CM, Higgins RD, Duncan AF, Vohr BR; SUPPORT Study Group of the Eunice Kennedy Shriver National Institute of Child Health and Human Development Neonatal Research Network.J Perinatol. 2026 Jul 15. doi: 10.1038/s41372-026-02693-y. Online ahead of print.

Apresentação: Jennefer Kellner (Residente do 4ª Ano na UTI Neonatal do Hospital Santa Lúcia Sul. Coordenação: Paulo R. Margotto

O estudo avaliou 380 crianças extremamente prematuras (nascidas com menos de 28 semanas de gestação) aos 6-7 anos de idade para investigar a presença de resultados positivos na triagem de Transtorno do Espectro Autista (TEA), utilizando o Questionário de Comunicação Social (SCQ com ponto de corte ≥ 15). Os pontos-chaves e resultados essenciais do estudo são: Alta Prevalência: 14% das crianças apresentaram triagem positiva para TEA aos 6-7 anos. Essa taxa é muito superior aos cerca de 2,76% estimados para a população infantil geral. Fatores de Risco Neonatais e Demográficos: O risco de um resultado positivo na triagem foi significativamente maior em: Crianças do sexo masculino, que apresentaram quase o dobro de chance em comparação às meninas; Bebês com menor peso ao nascer e menor idade gestacional (nascidos com 26-27 semanas tiveram um risco 25% menor do que os nascidos com 24-25 semanas); Presença de retinopatia da prematuridade (ROP) grave. Fortes Preditores Precoces (aos 18–22 meses): O desempenho do bebê nessa idade corrigida mostrou-se altamente preditivo para o TEA na idade escolar:atrasos cognitivos e de linguagem (uma pontuação de linguagem inferior a 70 na escala Bayley-III aumentou o risco de triagem positiva para TEA em mais de 5 a 6 vezes);comprometimento motor ou sensorial: A presença de deficiências sensoriais (como cegueira ou surdez) ou motoras elevou o risco em mais de 5 vezes; competência socioemocional atípica: baixa competência social e maiores problemas de comportamento (avaliados pela escala BITSEA) correlacionaram-se fortemente com a triagem positiva no futuro. Houve uma independência da Neuroimagem Neonatal: Curiosamente, não foram encontradas diferenças significativas nos achados de ultrassonografia craniana convencional ou de ressonância magnética cerebral realizadas no período neonatal entre as crianças que pontuaram positivo ou negativo para TEA. Isso indica que lesões cerebrais macroscópicas detectadas logo após o nascimento não são os principais preditores de risco. Conclusão Clínica: Crianças extremamente prematuras formam uma população de extrema vulnerabilidade para TEA. É fundamental realizar um acompanhamento clínico estruturado e precoce focado não apenas nas habilidades motoras, mas prioritariamente no desenvolvimento socioemocional, cognitivo e de linguagem para viabilizar intervenções terapêuticas oportunas.

Fatores associados a resultados anormais no rastreio de Transtorno do Espectro Autista em Crianças Extremamente Prematuras

Fatores associados a resultados anormais no rastreio de Transtorno do Espectro Autista em Crianças Extremamente Prematuras

Factors associated with abnormal screening for autism spectrum disorder among Extremely Preterm ChildrenPeralta-Carcelen M, Hintz SR, Bann CM, Higgins RD, Duncan AF, Vohr BR; SUPPORT Study Group of the Eunice Kennedy Shriver National Institute of Child Health and Human Development Neonatal Research Network.J Perinatol. 2026 Jul 15. doi: 10.1038/s41372-026-02693-y. Online ahead of print.

Realizado por Paulo R. Margotto.

 

O estudo avaliou 380 crianças extremamente prematuras (nascidas com menos de 28 semanas de gestação) aos 6-7 anos de idade para investigar a presença de resultados positivos na triagem de Transtorno do Espectro Autista (TEA), utilizando o Questionário de Comunicação Social (SCQ com ponto de corte ≥ 15). Os pontos-chaves e resultados essenciais do estudo são: Alta Prevalência: 14% das crianças apresentaram triagem positiva para TEA aos 6-7 anos. Essa taxa é muito superior aos cerca de 2,76% estimados para a população infantil geral. Fatores de Risco Neonatais e Demográficos: O risco de um resultado positivo na triagem foi significativamente maior em: Crianças do sexo masculino, que apresentaram quase o dobro de chance em comparação às meninas; Bebês com menor peso ao nascer e menor idade gestacional (nascidos com 26-27 semanas tiveram um risco 25% menor do que os nascidos com 24-25 semanas); Presença de retinopatia da prematuridade (ROP) grave. Fortes Preditores Precoces (aos 18–22 meses): O desempenho do bebê nessa idade corrigida mostrou-se altamente preditivo para o TEA na idade escolar:atrasos cognitivos e de linguagem (uma pontuação de linguagem inferior a 70 na escala Bayley-III aumentou o risco de triagem positiva para TEA em mais de 5 a 6 vezes);comprometimento motor ou sensorial: A presença de deficiências sensoriais (como cegueira ou surdez) ou motoras elevou o risco em mais de 5 vezes; competência socioemocional atípica: baixa competência social e maiores problemas de comportamento (avaliados pela escala BITSEA) correlacionaram-se fortemente com a triagem positiva no futuro. Houve uma independência da Neuroimagem Neonatal: Curiosamente, não foram encontradas diferenças significativas nos achados de ultrassonografia craniana convencional ou de ressonância magnética cerebral realizadas no período neonatal entre as crianças que pontuaram positivo ou negativo para TEA. Isso indica que lesões cerebrais macroscópicas detectadas logo após o nascimento não são os principais preditores de risco. Conclusão Clínica: Crianças extremamente prematuras formam uma população de extrema vulnerabilidade para TEA. É fundamental realizar um acompanhamento clínico estruturado e precoce focado não apenas nas habilidades motoras, mas prioritariamente no desenvolvimento socioemocional, cognitivo e de linguagem para viabilizar intervenções terapêuticas oportunas.

Persistência do canal arterial patente (PCA) e desfechos no desenvolvimento neurológico: uma abordagem terapêutica restritiva não compromete o desenvolvimento neurológico

Persistência do canal arterial patente (PCA) e desfechos no desenvolvimento neurológico: uma abordagem terapêutica restritiva não compromete o desenvolvimento neurológico

Patent Ductus Arteriosus Persistence and Neurodevelopmental Outcomes: A Restrictive Treatment Approach Does Not Compromise Neurological Development. Kallenberger M, Bartling A, Hüning B, Dewan MV, Bialas J, Middendorf L, Dathe AK, Felderhoff-Müser U, Stein A. Acta Paediatr. 2026 Jul;115(7):1461-1466. doi: 10.1111/apa.70511. Epub 2026 Mar 20.PMID: 41860109. Alemanha.

Realizado por Paulo R. Margotto.

Entre os pontos mais essenciais do estudo destacamos: Abordagem Conservadora é Segura: o manejo restritivo/conservador da PCA em prematuros com idade gestacional ≤ 32 semanas não compromete o desenvolvimento neurológico (cognitivo, motor ou de linguagem) aos 2 anos de idade corrigida.Determinantes Reais do Neurodesenvolvimento: O futuro neurológico dessas crianças é determinado fundamentalmente pela idade gestacional ao nascer e pelas comorbidades associadas (como a displasia broncopulmonar), e não pelo tempo de duração da PCA. Alterações de Exame sem Repercussão Clínica: embora o canal aberto tenha associação estatística com um diâmetro transcerebelar menor e com micro-hemorragias cerebrais leves (HIV ≤ II) na ressonância magnética, esses achados são subclínicos e não geram prejuízos funcionais aos 2 anos.Perigos do Tratamento Farmacológico Ativo: dados de um grande ensaio clínico randomizado revelaram que tentar fechar o canal com medicamentos em prematuros extremos dobrou a taxa de mortalidade (9,6% no grupo tratado ativamente vs. 4,1% na conduta expectante de “esperar para ver”) e aumentou significativamente o risco de infecções fatais (3,8% vs. 0,8%). A conduta expectante (conservadora) consolida-se, portanto, como a estratégia mais segura para o manejo da PCA em prematuros.

Prevalência da Lesão Cerebral em Neonatos com Cardiopatia Congênita

Prevalência da Lesão Cerebral em Neonatos com Cardiopatia Congênita

Prevalence of Ischemic Brain Injury in Neonates With Congenital Heart Disease: A Systematic Review and Meta-Analys is. Kim C1, Chetan D2, Kazazian V3, Alzamil J4, Chau V5, Seed M 3,5, Miller SP 1,5,6, Selvanathan T 1,5.Neurology. 2026 Feb 10;106(3):e214569. doi: 10.1212/WNL.0000000000214569. Epub 2026 Jan 9.PMID: 41512205.

Realizado por Paulo R. Margotto

Esta revisão sistemática e metanálise (31 estudos) quantificou a prevalência de lesão cerebral isquêmica (lesão da substância branca (WMI), acidente vascular cerebral isquêmico arterial  (AIS (e lesão hipóxico-isquêmica (HII) em neonatos com cardiopatia congênita (CHD) crítica. Os principais achados de prevalência agrupada se destacam: lesão isquêmica cumulativa (pré + pós-operatória): 68,5% (IC 95% 62,7–73,8%);pré-operatória: 34,7% e ova lesão pós-operatória: 46,5%.Tipo de lesão: lesão da substância branca (mais comum): cumulativa 39,7%; pré-operatória 23,8%; nova pós-operatória ~40%); acidente vascular isquêmico cerebral cumulativa 20,2%; pré-operatória 10,5%; nova pós-operatória 16,1% e Lesão hipóxico-isquêmica com baixa prevalência (cumulativa ~2,4%; pré-operatória 3,4%).As mensagens principais: a carga de lesão isquêmica é elevada e ocorre tanto antes quanto após a cirurgia. A lesão da substancia branca é  o padrão mais frequente e se assemelha à observada em prematuros. A lesão é frequentemente sutil/assintomática e pode ser subdiagnosticada por ultrassonografia; a RM(ressonância magnética) é superior para detecção. A idade mais jovem na cirurgia associou-se a maior prevalência cumulativa de lesão da substancia branca (possível confusão com gravidade clínica). Os resultados reforçam a necessidade de RM pré e/ou pós-operatória rotineira (quando viável) para orientar famílias sobre risco de déficits do neurodesenvovimento e iniciar vigilância/intervenção precoce. Assim, o  estudo destaca a doença cardíaca crítica congênita como condição que impacta profundamente o cérebro e enfatiza a importância de relatos padronizados, investigação de fatores de risco modificáveis e estratégias de neuroproteção.