Categoria: Distúrbios Neurológicos

O CÉREBRO DA SÍNDROME DE DOWN

O CÉREBRO DA SÍNDROME DE DOWN

singlecell multiomic analysis identifies molecular and gene-regulatory mechanisms dysregulated in developing Down syndrome neocortex. Vuong CK, Weber A, Seong P, Matoba Net al..Science. 2026 Apr 23;392(6796):eaea1259. doi: 10.1126/science.aea1259. Epub 2026 Apr 23.PMID: 42024758.

Molecular and cellular processes disrupted in the early postnatal Down syndrome prefrontal cortex.

Risgaard RD, Arachchilage KH, Knaack SA.bioRxiv [Preprint]. 2025 Jul 4:2025.06.30.662385. doi: 10.1101/2025.06.30.662385.Update in: Science. 2026 Apr 23;392(6796):eaea1549. doi: 10.1126/science.aea1549.PMID: 40631309 . Preprint.

Realizado por Paulo R. Margotto.

Estes dois  estudo formam um dos conjuntos de dados mais completos já gerados sobre o cérebro humano, mapeando pela primeira vez o cérebro do bebê  com Trissomia 21 em alta resolução molecular, estabelecendo que a patologia da Síndrome de Down é contínua desde a vida fetal, com transição de heterocronia neurogênica (descompasso no tempo de desenvolvimento ou maturação dos tecidos nervosos) para disfunção  sináptica, disfunção  sináptica, desmielinização e neuroinflamação crônica já nos primeiros anos de vida. Foi descoberta  uma cronologia neurogênica acelerada e uma especificação alterada de neurônios excitatórios, levando a um aumento de neurônios intratelencefálicos (IT) em detrimento de neurônios corticotalâmicos (CT) no neocórtex em desenvolvimento, desmielinização e neuroinflamação crônica já nos primeiros anos de vida. A Síndrome de Down causa uma disrupção contínua do desenvolvimento cerebral havendo  aceleração neurogênica fetal, desbalanço de tipos neuronais  e  falha na mielinização, disfunção sináptica e neuroinflamação pós-natal. Esses mecanismos explicam a deficiência intelectual, alterações sensoriais e o Alzheimer precoce na Síndrome de Down, havendo a necessidade de intervenções muito precoces.

ÁUDIO POR IA: O CÉREBRO DA SÍNDROME DE DOWN

ÁUDIO POR IA: O CÉREBRO DA SÍNDROME DE DOWN

singlecell multiomic analysis identifies molecular and gene-regulatory mechanisms dysregulated in developing Down syndrome neocortex. Vuong CK, Weber A, Seong P, Matoba Net al..Science. 2026 Apr 23;392(6796):eaea1259. doi: 10.1126/science.aea1259. Epub 2026 Apr 23.PMID: 42024758.

Molecular and cellular processes disrupted in the early postnatal Down syndrome prefrontal cortexRisgaard RD, Arachchilage KH, Knaack SA.bioRxiv [Preprint]. 2025 Jul 4:2025.06.30.662385. doi: 10.1101/2025.06.30.662385.Update in: Science. 2026 Apr 23;392(6796):eaea1549. doi: 10.1126/science.aea1549.PMID: 40631309 . Preprint.

Realizado por Paulo R. Margotto

Estes dois  estudo formam um dos conjuntos de dados mais completos já gerados sobre o cérebro humano, mapeando pela primeira vez o cérebro do bebê  com Trissomia 21 em alta resolução molecular, estabelecendo que a patologia da Síndrome de Down é contínua desde a vida fetal, com transição de heterocronia neurogênica (descompasso no tempo de desenvolvimento ou maturação dos tecidos nervosos) para disfunção  sináptica, disfunção  sináptica, desmielinização e neuroinflamação crônica já nos primeiros anos de vida. Foi descoberta  uma cronologia neurogênica acelerada e uma especificação alterada de neurônios excitatórios, levando a um aumento de neurônios intratelencefálicos (IT) em detrimento de neurônios corticotalâmicos (CT) no neocórtex em desenvolvimento, desmielinização e neuroinflamação crônica já nos primeiros anos de vida. A Síndrome de Down causa uma disrupção contínua do desenvolvimento cerebral havendo  aceleração neurogênica fetal, desbalanço de tipos neuronais  e  falha na mielinização, disfunção sináptica e neuroinflamação pós-natal. Esses mecanismos explicam a deficiência intelectual, alterações sensoriais e o Alzheimer precoce na Síndrome de Down, havendo a necessidade de intervenções muito precoces.

Prevalência de Metahemoglobinemia Após o Uso de Lidocaína (LDC) como Terapia Adjuvante em Convulsões

Prevalência de Metahemoglobinemia Após o Uso de Lidocaína (LDC) como Terapia Adjuvante em Convulsões

Prevalence of methemoglobinemia after lidocaine as add-on therapy in neonatal seizures. van Oldenmark BO, Rondagh M, Schimmel KJM, Pas ABT, Lopriore E, de Vries LS, Steggerda SJ.Eur J Pediatr. 2026 Apr 28;185(5):314. doi: 10.1007/s00431-026-06958-8.PMID: 42050163 . Holanda.

Realizado por Paulo R. Margotto.

Nessa população de estudo, aproximadamente metade dos neonatos que receberam infusão contínua de LDC para convulsões neonatais desenvolveram metahemoglobinemia, e isso esteve fortemente associado ao regime de dosagem. Dada a alta prevalência de metemoglobinemia, em sua maioria leve, em neonatos que recebem infusão contínua de LDC, os médicos devem estar cientes dessa possível complicação, particularmente em bebês que recebem tratamento prolongado. Em caso de deterioração respiratória inexplicável ou hipoxemia durante a terapia com LDC, recomenda-se a medição dos níveis de metahemoglobina. fatores de estresse perinatal comuns, como hipóxia, sepse ou acidose, podem prejudicar a capacidade de compensar os níveis elevados de MetHb, exacerbando assim a toxicidade clínica em doses que podem ser bem toleradas em crianças mais velhas ou adultos. A metahemoglobinemia foi definida como MetHb > 2% em amostras de gasometria arterial ou capilar.

O Surgimento da Autoconsciência em Bebês Prematuros: Insights a Partir do Reflexo de Busca

O Surgimento da Autoconsciência em Bebês Prematuros: Insights a Partir do Reflexo de Busca

The Emergence of SelfAwareness in Preterm Infants: Insights From the Rooting Reflex. Touraton A, Lejeune F, Audéoud FB, Debillon T, Chevallier M, Gentaz E, Doutau J.Acta Paediatr. 2026 May;115(5):1085-1091. doi: 10.1111/apa.70453. Epub 2026 Jan 20.PMID: 41557511. França, Suíça

                                                                        Realizado por Paulo R. Margotto.

A autoconsciência sensorial precoce em bebês prematuros é crucial para a compreensão do desenvolvimento neonatal e para a melhoria dos cuidados. Bebês nascidos entre 24 e 37 semanas de idade gestacional demonstram discriminação tátil e preferência por autoestimulação. Esses resultados sugerem que a autoconsciência sensorial fornece uma base para o desenvolvimento cognitivo e social, oferecendo informações importantes para a prática clínica e orientando futuras pesquisas sobre a maturação sensorial e neurológica neonatal

 

Exposição Pré-Natal à Poluição do Ar Está Associada a Desfechos Neurodesenvolvimentais Alterados na Primeira Infância.

Exposição Pré-Natal à Poluição do Ar Está Associada a Desfechos Neurodesenvolvimentais Alterados na Primeira Infância.

Prenatal air pollution exposure is associated with altered neurodevelopmental outcomes in early childhood. Bonthrone AF, Bos B, Barratt B, Pang HCO, Beevers S, Chew A, Falconer S, Hajnal JV, Kelly FJ, Nosarti C, Edwards AD, Counsell SJ.J Physiol. 2026 Apr 28. doi: 10.1113/JP290327. Online ahead of print.PMID: 42049054.

Realizado por Paulo R Margotto.

O estudo analisou 498 crianças (incluindo 125 prematuras) da coorte Developing Human Connectome Project (dHCP) em Londres. Os pesquisadores avaliaram o impacto da exposição materna a poluentes (PM₂.₅, PM₁₀ e NO₂), estimada pelo código postal durante a gestação, no desenvolvimento neurocognitivo aos 18 meses (avaliado pelas Bayley Scales).Entre os principais achados: Linguagem: Maior exposição aos poluentes no 1º trimestre esteve associada a pontuações significativamente mais baixas de linguagem (5 a 7 pontos a menos em média; até 11 pontos a menos em prematuros), mesmo após ajuste para fatores socioeconômicos, étnicos, complicações maternas e ambiente linguístico domiciliar. Habilidades motoras: Maior exposição aos poluentes ao longo de toda a gestação esteve associada a piores escores motores apenas em prematuros muito precoces (< 32 semanas). Não houve efeito significativo em prematuros moderados ou crianças a termo. O sexo da criança não influenciou as associações. Os autores concluem  que a exposição à poluição do ar no início da gestação parece ser particularmente prejudicial ao desenvolvimento da linguagem. Bebês muito prematuros são mais vulneráveis aos efeitos da poluição ao longo da gravidez no desenvolvimento motor. Os autores destacam que a poluição do ar é um fator de risco modificável e que reduzir a exposição pode melhorar os desfechos do neurodesenvolvimento  na primeira infância.  estudo reforça a importância de proteger gestantes (especialmente em grandes Centros urbanos) da poluição atmosférica, mesmo dentro dos limites legais atuais.

ÁUDIO PELA IA: Exposição Pré-Natal à Poluição do Ar Está Associada a Desfechos Neurodesenvolvimentais Alterados na Primeira Infância.

ÁUDIO PELA IA: Exposição Pré-Natal à Poluição do Ar Está Associada a Desfechos Neurodesenvolvimentais Alterados na Primeira Infância.

Prenatal air pollution exposure is associated with altered neurodevelopmental outcomes in early childhood. Bonthrone AF, Bos B, Barratt B, Pang HCO, Beevers S, Chew A, Falconer S, Hajnal JV, Kelly FJ, Nosarti C, Edwards AD, Counsell SJ.J Physiol. 2026 Apr 28. doi: 10.1113/JP290327. Online ahead of print.PMID: 42049054.

Realizado por Paulo R. Margotto.

O estudo analisou 498 crianças (incluindo 125 prematuras) da coorte Developing Human Connectome Project (dHCP) em Londres. Os pesquisadores avaliaram o impacto da exposição materna a poluentes (PM₂.₅, PM₁₀ e NO₂), estimada pelo código postal durante a gestação, no desenvolvimento neurocognitivo aos 18 meses (avaliado pelas Bayley Scales).Entre os principais achados: Linguagem: Maior exposição aos poluentes no 1º trimestre esteve associada a pontuações significativamente mais baixas de linguagem (5 a 7 pontos a menos em média; até 11 pontos a menos em prematuros), mesmo após ajuste para fatores socioeconômicos, étnicos, complicações maternas e ambiente linguístico domiciliar .Habilidades motoras: Maior exposição aos poluentes ao longo de toda a gestação esteve associada a piores escores motores apenas em prematuros muito precoces (< 32 semanas). Não houve efeito significativo em prematuros moderados ou crianças a termo. O sexo da criança não influenciou as associações. Os autores concluem que a exposição à poluição do ar no início da gestação parece ser particularmente prejudicial ao desenvolvimento da linguagem. Bebês muito prematuros são mais vulneráveis aos efeitos da poluição ao longo da gravidez no desenvolvimento motor. Os autores destacam que a poluição do ar é um fator de risco modificável e que reduzir a exposição pode melhorar os desfechos do neurodesenvolvimento na primeira infância.  estudo reforça a importância de proteger gestantes (especialmente em grandes Centros urbanos) da poluição atmosférica, mesmo dentro dos limites legais atuais.

Hipotermia Terapêutica (HT) No Recém-Nascido Prematuro Tardio com Encefalopatia Hipóxico-Isquêmica (EHI) (Visão do Volpe, 2026)

Hipotermia Terapêutica (HT) No Recém-Nascido Prematuro Tardio com Encefalopatia Hipóxico-Isquêmica (EHI) (Visão do Volpe, 2026)

Newborn Brain Society (NBS):Neurologia Neonatal (Visão de Volpe):Joseph J. Volpe, MD.

Realizado por Paulo R. Margotto.

Os prematuros tardios representam cerca de 75% dos prematuros e têm risco significativo de déficits neurodesenvolvimentais (aprox. 4% mesmo nos “saudáveis”). Quando apresentam EHI, o risco de sequelas é bem maior.A neuropatologia característica  no prematuro tardio com EHI consiste em Lesão e distúrbio de maturação da substância branca (leucomalácia periventricular, lesão de pré-oligodendrócitos), Comprometimento do desenvolvimento cortical (arborização dendrítica, sinaptogênese e crescimento volumétrico do córtex) e Neuroinflamação prolongada (microgliose e astrogliose reativa), que persiste por semanas e agrava a lesão. O ECR de Faix et al. (2025) (168 bebês de 33–35+6 semanas) não mostrou benefício da HT e sugeriu possível aumento de risco de morte ou deficiência (análise bayesiana). No entanto, o estudo apresenta limitações importantes (tamanho amostral, desbalanço entre grupos, possível maior inflamação no grupo HT). No estudo de El Dib, em 373 bebês de 35 semanas tratados com HT, a mortalidade foi menor que no grupo controle do ECR, especialmente em 35 semanas. Os autores consideram que ainda não há evidências suficientes para mudar as diretrizes atuais que incluem os bebês de 35 semanas nos protocolos de hipotermia. Estudos em fetos de ovelha prematuros (Gunn) mostram que a HT reduz lesão de oligodendrócitos em desenvolvimento, lesão neuronal (hipocampo e gânglios da base) e diminui a inflamação. A neuroinflamação persistente parece ser um mecanismo central de lesão no prematuro tardio, e sua modulação pode ser chave para melhores resultados. Portanto, a lesão cerebral no prematuro tardio com EHI é comum e envolve tanto substância branca quanto córtex em desenvolvimento, com forte componente inflamatório, estudos experimentais são favoráveis à HT, os dados clínicos são inconclusivos e heterogêneos e em bebês de 35 semanas com EHI clara de causa periparto (ex.: evento sentinela) e sem evidência de inflamação fetal/infecciosa, a HT ainda pode ser razoável, especialmente se a instituição não observa dano com seu uso atual. Recomenda discussão cuidadosa com os pais. A mensagem central que Volpe deixa: Ainda não há evidência definitiva contra o uso de hipotermia em prematuros tardios de 35 semanas, sugiro cautela, seleção criteriosa de pacientes e a necessidade de novos estudos mais bem delineados, enquanto mantém a possibilidade de benefício nesse subgrupo específico.

 

 

AUDIO POR IA:Hipotermia Terapêutica (HT) No Recém-Nascido Prematuro Tardio com Encefalopatia Hipóxico-Isquêmica (EHI) (Visão do Volpe, 2026)

AUDIO POR IA:Hipotermia Terapêutica (HT) No Recém-Nascido Prematuro Tardio com Encefalopatia Hipóxico-Isquêmica (EHI) (Visão do Volpe, 2026)

Newborn Brain Society (NBS):Neurologia neonatal (Visão de Volpe):Joseph J. Volpe, MD

Realizado por Paulo R. Margotto

Os prematuros tardios representam cerca de 75% dos prematuros e têm risco significativo de déficits neurodesenvolvimentais (aprox. 4% mesmo nos “saudáveis”). Quando apresentam EHI, o risco de sequelas é bem maior.A neuropatologia característica  no prematuro tardio com EHI consiste em Lesão e distúrbio de maturação da substância branca (leucomalácia periventricular, lesão de pré-oligodendrócitos), Comprometimento do desenvolvimento cortical (arborização dendrítica, sinaptogênese e crescimento volumétrico do córtex) e Neuroinflamação prolongada (microgliose e astrogliose reativa), que persiste por semanas e agrava a lesão. O ECR de Faix et al. (2025) (168 bebês de 33–35+6 semanas) não mostrou benefício da HT e sugeriu possível aumento de risco de morte ou deficiência (análise bayesiana). No entanto, o estudo apresenta limitações importantes (tamanho amostral, desbalanço entre grupos, possível maior inflamação no grupo HT). No estudo de El Dib, em 373 bebês de 35 semanas tratados com HT, a mortalidade foi menor que no grupo controle do ECR, especialmente em 35 semanas. Os autores consideram que ainda não há evidências suficientes para mudar as diretrizes atuais que incluem os bebês de 35 semanas nos protocolos de hipotermia. Estudos em fetos de ovelha prematuros (Gunn) mostram que a HT reduz lesão de oligodendrócitos em desenvolvimento, lesão neuronal (hipocampo e gânglios da base) e diminui a inflamação. A neuroinflamação persistente parece ser um mecanismo central de lesão no prematuro tardio, e sua modulação pode ser chave para melhores resultados. Portanto, a lesão cerebral no prematuro tardio com EHI é comum e envolve tanto substância branca quanto córtex em desenvolvimento, com forte componente inflamatório, estudos experimentais são favoráveis à HT, os dados clínicos são inconclusivos e heterogêneos e em bebês de 35 semanas com EHI clara de causa periparto (ex.: evento sentinela) e sem evidência de inflamação fetal/infecciosa, a HT ainda pode ser razoável, especialmente se a instituição não observa dano com seu uso atual. Recomenda discussão cuidadosa com os pais. A mensagem central que Volpe deixa: Ainda não há evidência definitiva contra o uso de hipotermia em prematuros tardios de 35 semanas, sugiro cautela, seleção criteriosa de pacientes e a necessidade de novos estudos mais bem delineados, enquanto mantém a possibilidade de benefício nesse subgrupo específico.

 

 

17th International Newborn Brain  Conference, 8-10 de fevereiro de 2026: Hipotermia Terapêutica em Prematuros Tardios

17th International Newborn Brain  Conference, 8-10 de fevereiro de 2026: Hipotermia Terapêutica em Prematuros Tardios

Apresentador (Dr. Gabriel): Gostaria de convidar a Dra. Renata Lourenzete para falar sobre um tema que foi debate no 17th International Newborn Brain  Conference, 8-10 de fevereiro de 2026, Naples, Itália , envolvendo três palestrantes de renome: o Dr. Alister Gunn (Nov Zelândia), principal nome na ciência básica de hipotermia terapêutica; o Dr. Abbott Laptook (Estados Unidos), que defende cautela; e o Dr. Mohamed El-Dib (Estados Unidos), que fala a favor do resfriamento em bebês de 35 semanas. A Dra. Renata trará detalhes sobre o veredito dessa discussão.

Os principais pontos do debate foram:Dr. Alister Gunn (ciência básica): Estudos em ovelhas mostraram que prematuros têm fisiologia diferente dos termos (maior tolerância anaeróbica, supressão mais lenta do aEEG, queda mais lenta da pressão arterial). O timing é crítico: o benefício da hipotermia é maior se iniciada antes de 90 minutos de vida. Após 5 horas, a proteção torna-se pouco significativa. Destacou também o risco de necrose tardia da substância branca.Dr. Abbott Laptook (posição contra): Baseado em um trial de 2025 com 168 bebês de 33–35 semanas, observou maior mortalidade no grupo resfriado e dificuldade de controle térmico. Por isso, recomenda cautela e não recomenda o resfriamento sistemático nessa faixa etária. Dr. Mohamed El-Dib (posição a favor): Defende a HT em bebês de 35 semanas, argumentando que o trial citado tem amostra muito pequena de 35 semanas (apenas 28 crianças), insuficiente para mudar diretrizes. Lembrou que a Guideline da Academia Americana de Pediatria de 2014 já incluía os 35 semanas e que muitos centros mantêm a prática com bons resultados clínicos. Enfatiza a avaliação caso a caso. Em conclusão, a fisiologia do bebê de 35 semanas é muito próxima à do termo.: Vale a pena resfriar bebês ≥ 35 semanas, mas com ressalvas importantes:Início o mais precoce possível (idealmente < 90 minutos, preferencialmente nas primeiras 3 horas), controle rigoroso da temperatura (evitar temperaturas abaixo de 32–33°C), realizar ultrassonografia cerebral antes para excluir hemorragia intraventricular nesses bebês de 35 semanas. A mensagem final é não abandonar a prática em 35 semanas, mas individualizar a decisão, priorizando início muito precoce e monitoramento rigoroso.

A Carga de Convulsões Neonatais: Aja Cedo, Pense a Longo Prazo

A Carga de Convulsões Neonatais: Aja Cedo, Pense a Longo Prazo

Andreea Pavel (Irlanda), Life do Newborn Brain Society ocorrida em 19/3/2026.

Realizado por Paulo R. Margottto.

Os pontos principais dessa Palestra foram :as convulsões neonatais são o sintoma neurológico mais frequente no período neonatal. A maioria (>80%) é apenas eletrográfica (sem manifestação clínica visível), o que torna o diagnóstico clínico pouco confiável, o padrão ouro na sua detecção é o Vídeo-EEG contínuo (  recomendado por pelo menos 24h nos RN de alto risco) e o  aEEG é útil, mas pode perder convulsões. A Carga de convulsão é o  tempo total de atividade convulsiva (inclui carga total [minutos], horária e máxima. Quanto ao impacto clínico: alta carga está fortemente associada a piores desfechos (carga total > 40 minutos → 9 vezes maior chance de resultado anormal).Cada minuto adicional de convulsão aumenta o risco de desfecho ruim em ~7%.Cargas elevadas (60-70 min) são associadas a queda significativa nos escores cognitivos e de linguagem aos 2 anos. Quanto ao tratamento: o Fenobarbital ainda é a primeira linha (dose de ataque 20 mg/kg). O tempo é crucial — quanto maior o atraso, menor a resposta ao medicamento e maior a carga convulsiva. Levetiracetam (KeppraR) como segunda linha. Em estado de mal, midazolam em infusão é útil. Sempre suspender anticonvulsivantes precocemente se as convulsões cessarem e não houver epilepsia neonatal. Mensagem para casa:As convulsões aumentam o metabolismo cerebral e causam lesão secundária. Reconhecer cedo, tratar rápido e monitorar com EEG reduz a carga convulsiva e melhora o prognóstico neurológico a longo prazo. Palestra excelente e prática, com forte ênfase em agir precocemente!