Mês: abril 2026

Uma Abordagem Hemodinâmica para a Hipertensão Pulmonar Crônica na Hérnia Diafragmática Congênita

Uma Abordagem Hemodinâmica para a Hipertensão Pulmonar Crônica na Hérnia Diafragmática Congênita

hemodynamicdriven approach to chronic pulmonary hypertension in congenital diaphragmatic hernia. Byrd CE, Wren JT Jr, Desiraju S, McNamara PJ.J Perinatol. 2026 Feb 23. doi: 10.1038/s41372-026-02582-4. Online ahead of print.PMID: 41731046 Review

Realizado por Paulo R. Margotto.

Apesar dos avanços no tratamento da hipertensão pulmonar (HP) aguda na hérnia diafragmática congênita (HDC), a HP crônica continua pouco estudada. O artigo propõe uma abordagem centrada na fisiologia e na avaliação hemodinâmica seriada (principalmente por ecocardiografia neonatal direcionada) para melhor compreender e tratar essa complicação. Os autores classificam a HP crônica em três fenótipos principais baseados na lei de Ohm adaptada à circulação pulmonar: a)HP MEDIADA POR RESISTÊNCIA (mais comum) causada por hipoplasia vascular + remodelamento vascular secundário a lesão pulmonar induzida por ventilador, doença pulmonar crônica e aspiração. Requer otimização ventilatória, normoxemia e, em casos selecionados, vasodilatadores pulmonares b) HP MEDIADA POR FLUXO Decorrente de excesso de fluxo sanguíneo pulmonar (shunts esquerdo-direito persistentes como canal arterial patente, uso excessivo de vasodilatadores ou prostaglandinas). Pode evoluir para remodelamento vascular e transição para o fenótipo de resistência. O tratamento foca na redução do shunt e uso de diuréticos (vasodilatadores pulmonares podem piorar) c) HP PÓS-CAPILAR (sub-reconhecido) Relacionada à hipoplasia ou disfunção diastólica do ventrículo esquerdo e/ou doença das veias pulmonares. Tratamento inclui diuréticos, controle da pressão arterial sistêmica e, em alguns casos, inibidores da ECA. Vasodilatadores pulmonares são contraindicados. Os autores destacam que os fenótipos podem se sobrepor ou transitar ao longo do tempo, reforçando a necessidade de avaliações hemodinâmicas seriadas e multiparamétricas (antes da alta e no seguimento ambulatorial).Portanto,  A HP crônica na HDC é heterogênea e multifatorial. Uma abordagem hemodinâmica precisa, em vez de tratamento baseado apenas em sintomas, é essencial para guiar a terapia adequada e melhorar os desfechos a longo prazo dessa população complexa

ÁUDIO POR IA: Uma Abordagem Hemodinâmica para a Hipertensão Pulmonar Crônica na Hérnia Diafragmática Congênita

ÁUDIO POR IA: Uma Abordagem Hemodinâmica para a Hipertensão Pulmonar Crônica na Hérnia Diafragmática Congênita

hemodynamicdriven approach to chronic pulmonary hypertension in congenital diaphragmatic hernia. Byrd CE, Wren JT Jr, Desiraju S, McNamara PJ.J Perinatol. 2026 Feb 23. doi: 10.1038/s41372-026-02582-4. Online ahead of print.PMID: 41731046 Review.

Realizado por Paulo R. Margotto.

. Apesar dos avanços no tratamento da hipertensão pulmonar (HP) aguda na hérnia diafragmática congênita (HDC), a HP crônica continua pouco estudada. O artigo propõe uma abordagem centrada na fisiologia e na avaliação hemodinâmica seriada (principalmente por ecocardiografia neonatal direcionada) para melhor compreender e tratar essa complicação. Os autores classificam a HP crônica em três fenótipos principais baseados na lei de Ohm adaptada à circulação pulmonar: a)HP MEDIADA POR RESISTÊNCIA (mais comum) causada por hipoplasia vascular + remodelamento vascular secundário a lesão pulmonar induzida por ventilador, doença pulmonar crônica e aspiração. Requer otimização ventilatória, normoxemia e, em casos selecionados, vasodilatadores pulmonares b) HP MEDIADA POR FLUXO Decorrente de excesso de fluxo sanguíneo pulmonar (shunts esquerdo-direito persistentes como canal arterial patente, uso excessivo de vasodilatadores ou prostaglandinas). Pode evoluir para remodelamento vascular e transição para o fenótipo de resistência. O tratamento foca na redução do shunt e uso de diuréticos (vasodilatadores pulmonares podem piorar) c) HP PÓS-CAPILAR (sub-reconhecido) Relacionada à hipoplasia ou disfunção diastólica do ventrículo esquerdo e/ou doença das veias pulmonares. Tratamento inclui diuréticos, controle da pressão arterial sistêmica e, em alguns casos, inibidores da ECA. Vasodilatadores pulmonares são contraindicados. Os autores destacam que os fenótipos podem se sobrepor ou transitar ao longo do tempo, reforçando a necessidade de avaliações hemodinâmicas seriadas e multiparamétricas (antes da alta e no seguimento ambulatorial).Portanto,  A HP crônica na HDC é heterogênea e multifatorial. Uma abordagem hemodinâmica precisa, em vez de tratamento baseado apenas em sintomas, é essencial para guiar a terapia adequada e melhorar os desfechos a longo prazo dessa população complexa.

APRESENTAÇÃO:Uma Abordagem Hemodinâmica para a Hipertensão Pulmonar Crônica na Hérnia Diafragmática Congênita

APRESENTAÇÃO:Uma Abordagem Hemodinâmica para a Hipertensão Pulmonar Crônica na Hérnia Diafragmática Congênita

hemodynamicdriven approach to chronic pulmonary hypertension in congenital diaphragmatic hernia. Byrd CE, Wren JT Jr, Desiraju S, McNamara PJ.J Perinatol. 2026 Feb 23. doi: 10.1038/s41372-026-02582-4. Online ahead of print.PMID: 41731046 Review.

Realizado por Paulo R. Margotto (com a IA)

Apesar dos avanços no tratamento da hipertensão pulmonar (HP) aguda na hérnia diafragmática congênita (HDC), a HP crônica continua pouco estudada. O artigo propõe uma abordagem centrada na fisiologia e na avaliação hemodinâmica seriada (principalmente por ecocardiografia neonatal direcionada) para melhor compreender e tratar essa complicação. Os autores classificam a HP crônica em três fenótipos principais baseados na lei de Ohm adaptada à circulação pulmonar: a)HP MEDIADA POR RESISTÊNCIA (mais comum) causada por hipoplasia vascular + remodelamento vascular secundário a lesão pulmonar induzida por ventilador, doença pulmonar crônica e aspiração. Requer otimização ventilatória, normoxemia e, em casos selecionados, vasodilatadores pulmonares b) HP MEDIADA POR FLUXO Decorrente de excesso de fluxo sanguíneo pulmonar (shunts esquerdo-direito persistentes como canal arterial patente, uso excessivo de vasodilatadores ou prostaglandinas). Pode evoluir para remodelamento vascular e transição para o fenótipo de resistência. O tratamento foca na redução do shunt e uso de diuréticos (vasodilatadores pulmonares podem piorar) c) HP PÓS-CAPILAR (sub-reconhecido) Relacionada à hipoplasia ou disfunção diastólica do ventrículo esquerdo e/ou doença das veias pulmonares. Tratamento inclui diuréticos, controle da pressão arterial sistêmica e, em alguns casos, inibidores da ECA. Vasodilatadores pulmonares são contraindicados. Os autores destacam que os fenótipos podem se sobrepor ou transitar ao longo do tempo, reforçando a necessidade de avaliações hemodinâmicas seriadas e multiparamétricas (antes da alta e no seguimento ambulatorial).Portanto,  A HP crônica na HDC é heterogênea e multifatorial. Uma abordagem hemodinâmica precisa, em vez de tratamento baseado apenas em sintomas, é essencial para guiar a terapia adequada e melhorar os desfechos a longo prazo dessa população complexa.

 

Eletroencefalografia com Amplitude Integrada Anormal e Acidose como Critérios-Chave para Iniciar Hipotermia Terapêutica em Recém-Nascidos Asfixiados – Dados do Registro Alemão de Hipotermia

Eletroencefalografia com Amplitude Integrada Anormal e Acidose como Critérios-Chave para Iniciar Hipotermia Terapêutica em Recém-Nascidos Asfixiados – Dados do Registro Alemão de Hipotermia

Abnormal AmplitudeIntegrated Electroencephalography and Acidosis as Key Criteria Initiating Therapeutic Hypothermia in Asphyxiated Newborns – Data From the German Hypothermia Registry.Demir S, Groteklaes A, Dresbach T, Müller A, Sabir H; German Hypothermia Registry.Acta Paediatr. 2026 Feb;115(2):482-490. doi: 10.1111/apa.70360. Epub 2025 Oct 29.PMID: 41162838.

Realizado por Paulo R. Margotto.

O estudo analisou dados do Registro Alemão de Hipotermia envolvendo 262 recém-nascidos asfixiados tratados com hipotermia terapêutica (HT) em 74 unidades neonatais na Alemanha. Os critérios mais importantes para iniciar a hipotermia terapêutica foram: acidose metabólica grave (principalmente pH < 7,0), padrões anormais no aEEG (eletroencefalografia integrada por amplitude). O pH baixo foi o melhor preditor bioquímico de atividade cerebral anormal no aEEG (razão de chances muito baixa, com forte significância estatística). O escore de Sarnat mostrou boa correlação com padrões anormais de aEEG, sendo mais útil que o escore de Thompson para identificar encefalopatia moderada a grave. O Apgar de 10 minutos também se associou ao aEEG anormal, mas não deve ser usado isoladamente para decidir a hipotermia. Quase todos os centros (99%) utilizaram aEEG para auxiliar na decisão de iniciar o tratamento. A mensagem principal desse estudo foi que  a acidose grave associada a um aEEG anormal é fundamental para confirmar a encefalopatia hipóxico-isquêmica moderada a grave e justificar o início da hipotermia terapêutica. Os autores reforçam a importância de não iniciar a HT apenas com base em critérios clínicos iniciais ou tempo (“tempo é cérebro”), mas sim após uma avaliação mais completa que inclua o aEEG (“tempo é diagnóstico”).

Tendências No Uso de Gabapentina em uma Unidade de Terapia Intensiva Neonatal de um único Centro de 2016 A 2024

Tendências No Uso de Gabapentina em uma Unidade de Terapia Intensiva Neonatal de um único Centro de 2016 A 2024

Trends in gabapentin use in a singlecenter neonatal intensive care unit from 2016-2024. Roberts AG, Foote H, Schneider S, Katakam L, Greenberg RG.J Perinatol. 2026 Apr 7. doi: 10.1038/s41372-026-02673-2. Online ahead of print.PMID: 41946932 No abstract available.

Realizado por Paulo R. Margotto

Estudo retrospectivo do Duke University Hospital analisou o uso de gabapentina em 7.915 neonatos internados na UTIN entre 2016 e 2024. Dos quais, 351 (4,4%) receberam o medicamento. Houve  umento significativo no uso: de 2,5% em 2016 para 6,4% em 2024 (aumento relativo de 156%, p < 0,001).  Uso muito maior em prematuros extremos (≤32 semanas) e em neonatos com longa internação (mediana de 125 dias vs. 9 dias). Forte associação com exposição a opioides (96%), benzodiazepínicos (84%), medicamentos para refluxo (70%) e comorbidades como enterocolite necrosante, convulsões, colocação de gastrostomia e síndrome de abstinência. Posologia (mediana): dose inicial 10 mg/kg/dia, dose final 15 mg/kg/dia e dose máxima 17 mg/kg/dia, administrada 1 a 4 vezes ao dia. A maioria dos lactentes recebeu gabapentina próximo à alta, sugerindo continuidade ambulatorial. Apesar do uso crescente, ainda faltam dados prospectivos de segurança, eficácia e posologia padronizada em neonatos. O estudo reforça a necessidade de pesquisas adicionais para definir melhores práticas.

Ultrassom Craniano em Neonatos Pequenos para a Idade Gestacional

Ultrassom Craniano em Neonatos Pequenos para a Idade Gestacional

Palestra da Dra. Arohi Gupta (Índia), ocorrida no dia 9/4/2026 (Newborn Brain Society).

Na palestra da Dra. Arohi Gupta (Índia), foi destacada a importância do ultrassom craniano em neonatos PIG (peso < percentil 10 para idade gestacional- é apenas uma medida estática de peso baixo ), grupo que representa 10–47% dos nascimentos, especialmente em países de baixa e média renda. Já a Restrição de Crescimento Fetal (RCF) é patológica, com insuficiência placentária e alterações hemodinâmicas. PARADOXO DA PRESERVAÇÃO CEREBRAL (BRAIN SPARING): In utero, ocorre vasodilatação cerebral para proteger o cérebro da hipóxia. Após o nascimento, essa vasodilatação persiste (principalmente na artéria cerebral média – ACM), gerando fluxo “pressão-passiva”, hiperperfusão e maior risco de hemorragia intraventricular (HIV) e lesões na substância branca. Estudo prospectivo da autora e cl em 30 PIG vs 40 AIG mostrou que  a persistência de vasodilatação cerebral até 48-72 horas (maior velocidade diastólica e menor resistência na ACM) associou-se a menor tamanho do cerebelo (altura do vermis e diâmetro transverso) em todas as avaliações até 1 mês e maior incidência de calcificações periependimárias e cistos do plexo coroide.Assim,  a RCF é um fator de risco neurológico independente, incluir neonatos PIG (mesmo a termo ou prematuros tardios) com Doppler antenatal alterado nos protocolos de ultrassom craniano de rotina (nas primeiras 72h e com 1 mês) e medidas protetora incluem  manter cabeça na linha média, evitar flutuações de pressão arterial, oxigenação cuidadosa e uso cauteloso de inotrópicos (“pacote de prevenção de HIV”).O fenômeno de preservação cerebral é um alerta precoce. O Doppler cerebral pós-natal ajuda a identificar bebês em risco de hiperperfusão e permite intervenções precoces para melhorar o prognóstico neurológico a longo prazo (acompanhamento até 5 anos).

Uso da Gabapentina no Tratamento de Resistência Alimentar, Dor e Irritabilidade em Lactentes e Crianças

Uso da Gabapentina no Tratamento de Resistência Alimentar, Dor e Irritabilidade em Lactentes e Crianças

Marta David Rocha de Moura.

 

A gabapentina (GB) tem se mostrado uma opção eficaz e relativamente segura para o tratamento de resistência alimentar, dor neuropática e irritabilidade crônica em lactentes e crianças, especialmente naqueles com deficiência neurológica grave (DNG). As Principais indicações e benefícios são: Resistência alimentar: Aumenta significativamente o volume de fórmula consumida e o número de sessões de amamentação eficaz (evidência de ensaio clínico randomizado). Dor e irritabilidade: Reduz escores de dor e agitação, inclusive em casos de hiperalgesia visceral e dor de origem desconhecida. Vantagem adicional: Permite reduzir ou desmamar sedativos e analgésicos mais potentes (opioides e benzodiazepínicos).Mecanismo de ação: Liga-se à subunidade α2-δ dos canais de cálcio, inibindo a liberação de neurotransmissores excitatórios, com bom efeito na dor crônica e nociplástica. Dosagem recomendada (início lento – “start low, go slow”): Início: 5 mg/kg/dose à noite. Titulação gradual até 15 mg/kg/dia (dividido em 3 doses). Dose máxima: 30–60 mg/kg/dia, dependendo do peso. Desmame lento para evitar abstinência. Segurança: Geralmente bem tolerada. Efeitos adversos são leves e infrequentes (sonolência, nystagmus, bradicardia leve). Ajustar dose em insuficiência renal. Monitorar quando associada a opioides. Limitações da evidência:A maioria dos dados é de estudos retrospectivos, observacionais e relatos de casos. Faltam ensaios clínicos randomizados prospectivos, especialmente em neonatos. O uso é majoritariamente off-label. Em conclusão, a gabapentina é uma ferramenta valiosa para melhorar a alimentação, reduzir dor/irritabilidade e otimizar o manejo farmacológico em lactentes com dificuldade neurológica complexa, mas protocolos padronizados e mais estudos de alta qualidade são necessários.

Uso da Gabapentina na Unidade de Terapia Intensiva Neonatal e Além: Relato de Centro Único de 104 casos

Uso da Gabapentina na Unidade de Terapia Intensiva Neonatal e Além: Relato de Centro Único de 104 casos

Gabapentin use in the neonatal intensive care unit and beyond: Single center report of 104 cases. M. Elliotta,*, K. Fairchilda, J. Burnseda, S. Zanellia, K. Heinanb, H.P. Goodkinb, K. Frazierc e L. Letzkusc L.J Neonatal Perinatal Med. 2023;16(4):717-723. doi: 10.3233/NPM-230015.PMID: 38143379 .

Realizado por Paulo R. Margotto.

Este estudo retrospectivo descreve a experiência de um único centro (Universidade da Virgínia, EUA) com o uso de gabapentina em 104 lactentes internados na UTIN entre 2015 e 2021. A maioria dos pacientes era prematura (idade gestacional mediana de 29,5 semanas) e apresentava múltiplas comorbidades, especialmente displasia broncopulmonar (63%) e alterações neurológicas (55%). A principal indicação para o uso de gabapentina foi irritabilidade grave/refratária (86% dos casos). A medicação foi iniciada em média com 41 semanas de idade pós-menstrual, com dose inicial habitual de 5 mg/kg/dia, titulada até uma dose máxima mediana de 25 mg/kg/dia (máximo 35 mg/kg/dia). A gabapentina foi geralmente bem tolerada, com poucos efeitos colaterais (sedação excessiva em 8% e nistagmo em 2 casos), que melhoraram com redução da dose. Dos 90 lactentes que receberam alta da UTIN, 84% saíram de hospital ainda em uso de gabapentina (dose mediana 20 mg/kg/dia). A maioria necessitava de equipamentos domiciliares (sonda de alimentação e/ou suporte respiratório). No acompanhamento ambulatorial, observou-se alto índice de atrasos do desenvolvimento: 93% apresentavam atraso em pelo menos um domínio na primeira consulta e 66% tinham diagnóstico de atraso global do desenvolvimento aos 2 anos de idade corrigida. O desmame da gabapentina foi iniciado, em média, por volta dos 6 meses de idade corrigida, sem efeitos adversos relatados.Portanto,  a gabapentina tem sido utilizada com frequência crescente na UTIN, principalmente para irritabilidade refratária em lactentes clinicamente complexos. Ela parece ser bem tolerada e frequentemente mantida após a alta, mas os pacientes dessa população apresentam alto risco de atrasos neurodesenvolvimentais e necessitam de acompanhamento rigoroso.

DISPLASIA BRONCOPULMONAR (DBP)-2026: O QUE HÁ DE NOVO

DISPLASIA BRONCOPULMONAR (DBP)-2026: O QUE HÁ DE NOVO

Apresentação: Dr. Paulo R. Margotto: Reunião da Unidade de Neonatologia do HMIB/SES/DF sob Coordenação dos Drs. Fabiano C. Gonçalves e Marta DR de Moura, em 30/3/2026.

A DBP moderna é caracterizada principalmente por parada do desenvolvimento pulmonar (diminuição da alveolarização e do desenvolvimento vascular), com pouca ou nenhuma fibrose e mínima lesão das vias aéreas. O achado mais consistente é a hipoplasia alveolar com fibrose sacular variável. Definição (NIH 2001): Necessidade de oxigênio suplementar às 36 semanas pós-menstrual (para RN < 32 semanas) ou aos 56 dias de vida (para ≥ 32 semanas).Graus:Grau 1 (Leve): O₂ suplementar sem pressão positiva,Grau 2 (Moderada): O₂ + CPAP/VNI.Grau 3 (Grave): O₂ + ventilação mecânica invasiva. Entre os principais  fatores de risco:Pré-natais:Corioamnionite (aumenta 3×),Pré-eclâmpsia (aumenta até 18×) e Múltiplos cursos de esteroide antenatal (>3 cursos aumentam risco), Pós-Natais: Pós-natais:Ventilação mecânica prolongada (principal fator evitável), Baixos níveis de hemoglobina nos primeiros 3 dias, Uso prolongado de antibióticos sem infecção comprovada, Infecções (CMV antenatal, VSR pós-natal), Alto fluxo nasal (associado a maior risco de DBP e ROP), Excesso de fluidos nas primeiras semanas. Prevenção (estratégias mais eficazes):CPAP nasal precoce e estendido (melhor evidência atual para reduzir intubação e promover crescimento alveolar), Surfactante minimamente invasivo (LISA/MIST) logo após o nascimento, Cafeína precoce (iniciar no 1º dia), Alvo de saturação de O₂: 90-95%, Ventilação extremamente gentil (volume corrente baixo, evitar hipocapnia e hiperventilação), Nutrição agressiva, especialmente proteica (leite materno preferencial) com adequado suprimento energético, Restrição hídrica cuidadosa nas primeiras semanas. Tratamento: Esteroides pós-natais: só após 7–10 dias de vida, em casos selecionados (discutir em equipe), com doses baixas e curtas (ex.: dexametasona acumulada 1,8 mg/kg em 9 dias). Nunca precocemente. Diuréticos: apenas em edema pulmonar evidente (pouca evidência rotineira). Hipertensão pulmonar associada à DBP: rastrear com ecocardiograma; tratar com oxigênio, iNO, sildenafil e/ou milrinona quando indicados. Consequências a Longo Prazo: Doença pulmonar obstrutiva crônica persistente (padrão semelhante a DPOC mesmo em adultos jovens), Maior risco de internações respiratórias, uso de oxigênio domiciliar e hipertensão pulmonar. Pior neurodesenvolvimento (menor volume cerebral, maior risco de paralisia cerebral e déficit cognitivo), Ventilação mecânica às 36 semanas é forte marcador de risco neurodesenvolvimental ruim. PRIORIZE A MOBILIDADE PROGRESSIVA PRECOCE. Mensagem Final, segundo o Prof. Dr. Eduardo Bancalari (EUA): A DBP é uma doença do desenvolvimento pulmonar. Não existe “bala de prata”. A melhor prevenção é uma abordagem multifatorial integrada. É melhor ter paciência na Sala de Parto do que lesionar o pulmão do prematuro com intubação precoce desnecessária.

ÁUDIO POR IA: Bubble CPAP (CPAP de Bolha) no Cuidado Neonatal: Mecanismos, Evidências e Caminhos para Otimização

ÁUDIO POR IA: Bubble CPAP (CPAP de Bolha) no Cuidado Neonatal: Mecanismos, Evidências e Caminhos para Otimização

Bubble CPAP in neonatal caremechanisms, evidence, and pathways to optimization.Gross A, Campbell ER, Oliveira L, Sant’Anna G, Shalish W.Paediatr Respir Rev. 2025 Dec 27:S1526-0542(25)00112-5. doi: 10.1016/j.prrv.2025.12.004. Online ahead of print.PMID: 41547602 Review.

Realizado por Paulo R. Margotto.

O Bubble CPAP é uma forma simples e eficaz de suporte respiratório não invasivo para recém-nascidos prematuros com desconforto respiratório.Mecanismo principal:Gera pressão positiva contínua (CPAP) submergindo o tubo expiratório em água.Produz oscilações de pressão de alta frequência (2–4 cmH₂O, 4–30 Hz) que são transmitidas aos pulmões, ajudando no recrutamento alveolar, melhorando a oxigenação e reduzindo o trabalho respiratório.Entre as vantagens principais:Reduz significativamente a necessidade de intubação na Sala de Parto e ventilação mecânica, diminui as taxas de falha de CPAP em comparação com outros dispositivos, associado a menor incidência de displasia broncopulmonar (DBP) grave quando usado de forma precoce e prolongada, barato, fácil de usar e especialmente útil em unidades de baixa recurso. Uso prolongado (até 34 semanas pós-menstrual) promove melhor crescimento pulmonar (maior volume alveolar e melhor função pulmonar aos 6 meses