Autor: Paulo Margotto

Este site tem por objetivo a divulgação do que há mais de novo na Medicina Neonatal através de Artigos (Resumidos, Apresentados, Discutidos e Originais), Monografias das Residências Médicas, principalmente do Hospital Materno Infantil de Brasília (HMIB/SES/DF), Apresentações de Congresso e Simpósios (aulas liberadas para divulgação, aulas reproduzidas). Também estamos disponibilizando dois livros da nossa autoria (Assistência ao Recém-Nascido de Risco, 3a Edição, 2013 e Neurossonografia Neonatal, 2013) em forma de links que podem ser baixados para os diferentes Smartphone de forma inteiramente gratuita. A nossa página está disponível para você também que tenha interesse em compartilhar com todos nós os seus conhecimentos. Basta nos enviar que após análise, disponibilizaremos. O nome NEONATOLOGIA EM AÇÃO nasceu de uma idéia que talvez venha se concretizar num futuro não distante de lançarmos um pequeno livro (ou mesmo um aplicativo chamado Neonatologia em Ação) para rápida consulta à beira do leito. No momento estamos arduamente trabalhando com uma excelente Equipe na elaboração da 4a Edição do livro Assistência ao Recém-Nascido de Risco, que conterá em torno de mais 100 capítulos, abordando diferentes temas do dia a dia da Neonatologia Intensiva, com lançamento a partir do segundo semestre de 2018. O site também contempla fotos dos nossos momentos na Unidade (Staffs, Residentes, Internos). Todo esforço está sendo realizado para que transportemos para esta nova página os 6000 artigos do domínio www.paulomargotto.com.br, aqui publicados ao longo de 13 anos.Todas as publicações da página são na língua portuguesa. Quando completamos 30 anos do nosso Boletim Informativo Pediátrico com Enfoque Perinatal (1981- 2011), o berço do livro Assistência ao Recém-Nascido de Risco, escrevemos e que resumo todo este empenho no engrandecimento da Neonatologia brasileira: nestes 30 anos, com certeza, foram várias as razões que nos impulsionam seguir adiante, na conquista do ideal de ser sempre útil, uma doação constante, na esperança do desabrochar de uma vida sadia, que começa em nossas mãos. Este mágico momento não pode admitir erro, sob o risco de uma cicatriz perene. É certamente emocionante fazer parte desta peça há tantos anos! "Não importa o quanto fazemos, mas quanto amor colocamos naquilo que fazemos"
Diuréticos para Prevenção da Displasia Broncopulmonar em Recém-Nascidos Pré-Termo: Uma Revisão Sistemática e Metanálise

Diuréticos para Prevenção da Displasia Broncopulmonar em Recém-Nascidos Pré-Termo: Uma Revisão Sistemática e Metanálise

Diuretics for Preventing Bronchopulmonary Dysplasia in Preterm Infants: A Systematic Review and Meta-Analysis. Kato S, Koizumi M, Nirei J, Honda K, Ishiguro A, Yamazaki M, Isayama T.Neonatology. 2026 Jul 9:1-20. doi: 10.1159/000553435. Online ahead of print.PMID: 42424248. Japão

Realizado por Paulo R. Margotto.

Esta coletânea estudos apresenta uma revisão sistemática e metanálise atualizada sobre o impacto dos diuréticos na prevenção e no manejo da displasia broncopulmonar (DBP) em bebês prematuros (40 estudos publicados até junho de 2025, dos quais 6 eram ensaios clínicos randomizados (ECRs) e 34 eram estudos não randomizados). Os textos destacam que, embora a furosemida seja amplamente prescrita em UTIs neonatais, não existem evidências robustas de que esses medicamentos melhorem o prognóstico de longo prazo ou reduzam a mortalidade. As pesquisas indicam que os benefícios observados são frequentemente transitórios e limitados a melhorias respiratórias agudas, enquanto o uso prolongado eleva riscos de ototoxicidade, nefrocalcinose e desequilíbrios eletrolíticos. Além disso, o fenômeno da tolerância diurética é discutido, revelando que a eficácia dessas drogas diminui rapidamente após doses sucessivas. A evidência científica atual não confirma que os diuréticos previnem a displasia broncopulmonar O conteúdo enfatiza a necessidade de ensaios clínicos randomizados mais rigorosos na era moderna da neonatologia para validar essas práticas. Por fim, os especialistas recomendam uma utilização cautelosa e criteriosa, priorizando o tratamento de edemas específicos em vez do uso rotineiro para prevenir a doença pulmonar crônica.

MONOGRAFIA-NEONATOLOGIA-HMIB/SES/DF: APRESENTAÇÃO:Avaliação dos Ruídos na Unidade de Terapia Intensiva Neonatal do Hospital Materno Infantil Dr. Antônio Lisboa (HMIB)

MONOGRAFIA-NEONATOLOGIA-HMIB/SES/DF: APRESENTAÇÃO:Avaliação dos Ruídos na Unidade de Terapia Intensiva Neonatal do Hospital Materno Infantil Dr. Antônio Lisboa (HMIB)

Sylvia Cristina Lima sob a Coordenação da Dra. Nathalia Bardal (HMIB).

O ruído em Unidades de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN) constitui agente estressor para o recém-nascido, sobretudo o pré-termo, podendo comprometer a estabilidade fisiológica e o neurodesenvolvimento. Metodologia: Este estudo teve como objetivo caracterizar os níveis de pressão sonora da UTIN do Hospital Materno Infantil Dr. Antônio Lisboa (HMIB) ao longo de um período contínuo de monitoramento. Trata-se de estudo descritivo, quantitativo e observacional, realizado por meio de decibelímetro digital com registro automático contínuo, posicionado sucessivamente em quatro alas assistenciais durante uma semana cada, complementado por medição de 24 horas no interior de uma incubadora e por observação de eventos assistenciais específicos junto ao leito. ResultadoForam consideradas válidas 1.356.141 leituras ambientais e 43.106 leituras no interior da incubadora. O nível de pressão sonora equivalente (Leq) geral foi de 72,4 dB, permanecendo acima do limite de 45 dB recomendado pela literatura em 100% do tempo monitorado, com pico máximo de 112,3 dB. Observou-se variação de até 4,2 dB no Leq entre as alas, redução parcial durante a hora do soninho (Leq de 69,9 dB) e concentração dos picos sonoros no período noturno. No interior da incubadora, o Leq foi de 72,3 dB, com pico de 108,4 dB, e ações rotineiras como o fechamento da incubadora atingiram em média 95 dB. ConclusãoConclui-se que os níveis de ruído da UTIN estudada excederam persistentemente os parâmetros recomendados pela literatura e pelas normas técnicas nacionais e internacionais, reforçando a necessidade de medidas institucionais de controle acústico e de capacitação da equipe assistencial para a redução da exposição sonora do recém-nascido.

MONOGRAFIA-NEONATOLOGIA-HMIB/SES/DF: Avaliação dos Ruídos na Unidade de Terapia Intensiva Neonatal do Hospital Materno Infantil Dr. Antônio Lisboa (HMIB)

MONOGRAFIA-NEONATOLOGIA-HMIB/SES/DF: Avaliação dos Ruídos na Unidade de Terapia Intensiva Neonatal do Hospital Materno Infantil Dr. Antônio Lisboa (HMIB)

Sylvia Cristina Lima sob a Coordenação da Dra. Nathalia Bardal (HMIB).

O ruído em Unidades de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN) constitui agente estressor para o recém-nascido, sobretudo o pré-termo, podendo comprometer a estabilidade fisiológica e o neurodesenvolvimento. Metodologia: Este estudo teve como objetivo caracterizar os níveis de pressão sonora da UTIN do Hospital Materno Infantil Dr. Antônio Lisboa (HMIB) ao longo de um período contínuo de monitoramento. Trata-se de estudo descritivo, quantitativo e observacional, realizado por meio de decibelímetro digital com registro automático contínuo, posicionado sucessivamente em quatro alas assistenciais durante uma semana cada, complementado por medição de 24 horas no interior de uma incubadora e por observação de eventos assistenciais específicos junto ao leito. Resultado: Foram consideradas válidas 1.356.141 leituras ambientais e 43.106 leituras no interior da incubadora. O nível de pressão sonora equivalente (Leq) geral foi de 72,4 dB, permanecendo acima do limite de 45 dB recomendado pela literatura em 100% do tempo monitorado, com pico máximo de 112,3 dB. Observou-se variação de até 4,2 dB no Leq entre as alas, redução parcial durante a hora do soninho (Leq de 69,9 dB) e concentração dos picos sonoros no período noturno. No interior da incubadora, o Leq foi de 72,3 dB, com pico de 108,4 dB, e ações rotineiras como o fechamento da incubadora atingiram em média 95 dB. Conclusão: Conclui-se que os níveis de ruído da UTIN estudada excederam persistentemente os parâmetros recomendados pela literatura e pelas normas técnicas nacionais e internacionais, reforçando a necessidade de medidas institucionais de controle acústico e de capacitação da equipe assistencial para a redução da exposição sonora do recém-nascido.

AUDIO POR IA: Reanimação Avançada no Recém-Nascido – Quais são as Evidências.

AUDIO POR IA: Reanimação Avançada no Recém-Nascido – Quais são as Evidências.

Palestra proferida pela Dr. Myra  H Wichoff (EUA) no 10º Simpósio Internacional de Reanimação Neonatal, ocorrido em Foz do Iguaçu entre os dias 28-30 de maio de 2026.

Realizado por Paulo R,. Margotto.

A Ventilação é a Prioridade Absoluta: A necessidade de reanimação neonatal decorre quase sempre de falha respiratória e hipoxemia. Por isso, a ventilação eficaz é a chave para recuperar a frequência cardíaca (FC). Compressões só devem ser iniciadas se a FC permanecer < 60 bpm após 30 segundos de ventilação adequada que tenha expandido os pulmões. Se o tórax não expandir, aplique imediatamente as correções do MR. SOPA ou use a máscara laríngea (altamente recomendada para ≥ 34 semanas). Evite Compressões Precoces (Risco de Dano): O limiar de 60 bpm é baseado em consenso, e não em ensaios em humanos. Iniciar compressões cardíacas em um bebê bradicárdico com coração saudável pode causar dano paradoxal, pois a compressão externa rápida (90/min) pode coincidir com a diástole (relaxamento), prejudicando o enchimento do coração e a perfusão coronária. Técnica de Compressão Rigorosa: Deve ser aplicada exclusivamente no terço inferior do esterno (acima do xifóide, para evitar rotura do fígado), utilizando a técnica dos dois polegares (superior à técnica de dois dedos), com profundidade de 1/3 do diâmetro anteroposterior do tórax e na relação coordenada de 3:1. O uso de detectores de etCO2 é um excelente indicador de retorno da circulação espontânea (muda para amarelo com a perfusão pulmonar). Epinefrina é Rara e Preferencialmente Intravenosa: O uso de adrenalina é extremamente raro se a ventilação for de excelência (cerca de 5 a cada 10.000 partos). A via de escolha é a intravenosa (IV) umbilical devido à absorção rápida e picos plasmáticos confiáveis. A via endotraqueal é apenas uma exceção temporária: exige doses até 10 vezes maiores e possui eficácia muito inferior.O sucesso da reanimação avançada reside, fundamentalmente, na qualidade da ventilação na Sala de Parto.

Reanimação Avançada no Recém-Nascido-Quais são as Evidências.

Reanimação Avançada no Recém-Nascido-Quais são as Evidências.

Palestra proferida pela Dr. Myra  H Wichoff (EUA) no 10º Simpósio Internacional de Reanimação Neonatal, ocorrido em Foz do Iguaçu entre os dias 28-30 de maio de 2026.

Realizado por Paulo R. Margotto.

A Ventilação é a Prioridade Absoluta: A necessidade de reanimação neonatal decorre quase sempre de falha respiratória e hipoxemia. Por isso, a ventilação eficaz é a chave para recuperar a frequência cardíaca (FC). Compressões só devem ser iniciadas se a FC permanecer < 60 bpm após 30 segundos de ventilação adequada que tenha expandido os pulmões. Se o tórax não expandir, aplique imediatamente as correções do MR. SOPA ou use a máscara laríngea (altamente recomendada para ≥ 34 semanas). Evite Compressões Precoces (Risco de Dano): O limiar de 60 bpm é baseado em consenso, e não em ensaios em humanos. Iniciar compressões cardíacas em um bebê bradicárdico com coração saudável pode causar dano paradoxal, pois a compressão externa rápida (90/min) pode coincidir com a diástole (relaxamento), prejudicando o enchimento do coração e a perfusão coronária. Técnica de Compressão Rigorosa: Deve ser aplicada exclusivamente no terço inferior do esterno (acima do xifóide, para evitar rotura do fígado), utilizando a técnica dos dois polegares (superior à técnica de dois dedos), com profundidade de 1/3 do diâmetro anteroposterior do tórax e na relação coordenada de 3:1. O uso de detectores de etCO2 é um excelente indicador de retorno da circulação espontânea (muda para amarelo com a perfusão pulmonar). Epinefrina é Rara e Preferencialmente Intravenosa: O uso de adrenalina é extremamente raro se a ventilação for de excelência (cerca de 5 a cada 10.000 partos). A via de escolha é a intravenosa (IV) umbilical devido à absorção rápida e picos plasmáticos confiáveis. A via endotraqueal é apenas uma exceção temporária: exige doses até 10 vezes maiores e possui eficácia muito inferior.O sucesso da reanimação avançada reside, fundamentalmente, na qualidade da ventilação na Sala de Parto.

ÁUDIO POR IA: Fatores associados a resultados anormais no rastreio de transtorno do espectro autista em crianças extremamente prematuras.

ÁUDIO POR IA: Fatores associados a resultados anormais no rastreio de transtorno do espectro autista em crianças extremamente prematuras.

Factors associated with abnormal screening for autism spectrum disorder among Extremely Preterm ChildrenPeralta-Carcelen M, Hintz SR, Bann CM, Higgins RD, Duncan AF, Vohr BR; SUPPORT Study Group of the Eunice Kennedy Shriver National Institute of Child Health and Human Development Neonatal Research Network.J Perinatol. 2026 Jul 15. doi: 10.1038/s41372-026-02693-y. Online ahead of print.

Realizado por Paulo R. Margotto.

O estudo avaliou 380 crianças extremamente prematuras (nascidas com menos de 28 semanas de gestação) aos 6-7 anos de idade para investigar a presença de resultados positivos na triagem de Transtorno do Espectro Autista (TEA), utilizando o Questionário de Comunicação Social (SCQ com ponto de corte ≥ 15). Os pontos-chaves e resultados essenciais do estudo são: Alta Prevalência: 14% das crianças apresentaram triagem positiva para TEA aos 6-7 anos. Essa taxa é muito superior aos cerca de 2,76% estimados para a população infantil geral. Fatores de Risco Neonatais e Demográficos: O risco de um resultado positivo na triagem foi significativamente maior em: Crianças do sexo masculino, que apresentaram quase o dobro de chance em comparação às meninas; Bebês com menor peso ao nascer e menor idade gestacional (nascidos com 26-27 semanas tiveram um risco 25% menor do que os nascidos com 24-25 semanas); Presença de retinopatia da prematuridade (ROP) grave. Fortes Preditores Precoces (aos 18–22 meses): O desempenho do bebê nessa idade corrigida mostrou-se altamente preditivo para o TEA na idade escolar:atrasos cognitivos e de linguagem (uma pontuação de linguagem inferior a 70 na escala Bayley-III aumentou o risco de triagem positiva para TEA em mais de 5 a 6 vezes);comprometimento motor ou sensorial: A presença de deficiências sensoriais (como cegueira ou surdez) ou motoras elevou o risco em mais de 5 vezes; competência socioemocional atípica: baixa competência social e maiores problemas de comportamento (avaliados pela escala BITSEA) correlacionaram-se fortemente com a triagem positiva no futuro. Houve uma independência da Neuroimagem Neonatal: Curiosamente, não foram encontradas diferenças significativas nos achados de ultrassonografia craniana convencional ou de ressonância magnética cerebral realizadas no período neonatal entre as crianças que pontuaram positivo ou negativo para TEA. Isso indica que lesões cerebrais macroscópicas detectadas logo após o nascimento não são os principais preditores de risco. Conclusão Clínica: Crianças extremamente prematuras formam uma população de extrema vulnerabilidade para TEA. É fundamental realizar um acompanhamento clínico estruturado e precoce focado não apenas nas habilidades motoras, mas prioritariamente no desenvolvimento socioemocional, cognitivo e de linguagem para viabilizar intervenções terapêuticas oportunas.

APRESENTAÇÃO: Fatores associados a resultados anormais no rastreio de transtorno do espectro autista em crianças extremamente prematuras.

APRESENTAÇÃO: Fatores associados a resultados anormais no rastreio de transtorno do espectro autista em crianças extremamente prematuras.

Factors associated with abnormal screening for autism spectrum disorder among Extremely Preterm ChildrenPeralta-Carcelen M, Hintz SR, Bann CM, Higgins RD, Duncan AF, Vohr BR; SUPPORT Study Group of the Eunice Kennedy Shriver National Institute of Child Health and Human Development Neonatal Research Network.J Perinatol. 2026 Jul 15. doi: 10.1038/s41372-026-02693-y. Online ahead of print.

Apresentação: Jennefer Kellner (Residente do 4ª Ano na UTI Neonatal do Hospital Santa Lúcia Sul. Coordenação: Paulo R. Margotto

O estudo avaliou 380 crianças extremamente prematuras (nascidas com menos de 28 semanas de gestação) aos 6-7 anos de idade para investigar a presença de resultados positivos na triagem de Transtorno do Espectro Autista (TEA), utilizando o Questionário de Comunicação Social (SCQ com ponto de corte ≥ 15). Os pontos-chaves e resultados essenciais do estudo são: Alta Prevalência: 14% das crianças apresentaram triagem positiva para TEA aos 6-7 anos. Essa taxa é muito superior aos cerca de 2,76% estimados para a população infantil geral. Fatores de Risco Neonatais e Demográficos: O risco de um resultado positivo na triagem foi significativamente maior em: Crianças do sexo masculino, que apresentaram quase o dobro de chance em comparação às meninas; Bebês com menor peso ao nascer e menor idade gestacional (nascidos com 26-27 semanas tiveram um risco 25% menor do que os nascidos com 24-25 semanas); Presença de retinopatia da prematuridade (ROP) grave. Fortes Preditores Precoces (aos 18–22 meses): O desempenho do bebê nessa idade corrigida mostrou-se altamente preditivo para o TEA na idade escolar:atrasos cognitivos e de linguagem (uma pontuação de linguagem inferior a 70 na escala Bayley-III aumentou o risco de triagem positiva para TEA em mais de 5 a 6 vezes);comprometimento motor ou sensorial: A presença de deficiências sensoriais (como cegueira ou surdez) ou motoras elevou o risco em mais de 5 vezes; competência socioemocional atípica: baixa competência social e maiores problemas de comportamento (avaliados pela escala BITSEA) correlacionaram-se fortemente com a triagem positiva no futuro. Houve uma independência da Neuroimagem Neonatal: Curiosamente, não foram encontradas diferenças significativas nos achados de ultrassonografia craniana convencional ou de ressonância magnética cerebral realizadas no período neonatal entre as crianças que pontuaram positivo ou negativo para TEA. Isso indica que lesões cerebrais macroscópicas detectadas logo após o nascimento não são os principais preditores de risco. Conclusão Clínica: Crianças extremamente prematuras formam uma população de extrema vulnerabilidade para TEA. É fundamental realizar um acompanhamento clínico estruturado e precoce focado não apenas nas habilidades motoras, mas prioritariamente no desenvolvimento socioemocional, cognitivo e de linguagem para viabilizar intervenções terapêuticas oportunas.

Fatores associados a resultados anormais no rastreio de Transtorno do Espectro Autista em Crianças Extremamente Prematuras

Fatores associados a resultados anormais no rastreio de Transtorno do Espectro Autista em Crianças Extremamente Prematuras

Factors associated with abnormal screening for autism spectrum disorder among Extremely Preterm ChildrenPeralta-Carcelen M, Hintz SR, Bann CM, Higgins RD, Duncan AF, Vohr BR; SUPPORT Study Group of the Eunice Kennedy Shriver National Institute of Child Health and Human Development Neonatal Research Network.J Perinatol. 2026 Jul 15. doi: 10.1038/s41372-026-02693-y. Online ahead of print.

Realizado por Paulo R. Margotto.

 

O estudo avaliou 380 crianças extremamente prematuras (nascidas com menos de 28 semanas de gestação) aos 6-7 anos de idade para investigar a presença de resultados positivos na triagem de Transtorno do Espectro Autista (TEA), utilizando o Questionário de Comunicação Social (SCQ com ponto de corte ≥ 15). Os pontos-chaves e resultados essenciais do estudo são: Alta Prevalência: 14% das crianças apresentaram triagem positiva para TEA aos 6-7 anos. Essa taxa é muito superior aos cerca de 2,76% estimados para a população infantil geral. Fatores de Risco Neonatais e Demográficos: O risco de um resultado positivo na triagem foi significativamente maior em: Crianças do sexo masculino, que apresentaram quase o dobro de chance em comparação às meninas; Bebês com menor peso ao nascer e menor idade gestacional (nascidos com 26-27 semanas tiveram um risco 25% menor do que os nascidos com 24-25 semanas); Presença de retinopatia da prematuridade (ROP) grave. Fortes Preditores Precoces (aos 18–22 meses): O desempenho do bebê nessa idade corrigida mostrou-se altamente preditivo para o TEA na idade escolar:atrasos cognitivos e de linguagem (uma pontuação de linguagem inferior a 70 na escala Bayley-III aumentou o risco de triagem positiva para TEA em mais de 5 a 6 vezes);comprometimento motor ou sensorial: A presença de deficiências sensoriais (como cegueira ou surdez) ou motoras elevou o risco em mais de 5 vezes; competência socioemocional atípica: baixa competência social e maiores problemas de comportamento (avaliados pela escala BITSEA) correlacionaram-se fortemente com a triagem positiva no futuro. Houve uma independência da Neuroimagem Neonatal: Curiosamente, não foram encontradas diferenças significativas nos achados de ultrassonografia craniana convencional ou de ressonância magnética cerebral realizadas no período neonatal entre as crianças que pontuaram positivo ou negativo para TEA. Isso indica que lesões cerebrais macroscópicas detectadas logo após o nascimento não são os principais preditores de risco. Conclusão Clínica: Crianças extremamente prematuras formam uma população de extrema vulnerabilidade para TEA. É fundamental realizar um acompanhamento clínico estruturado e precoce focado não apenas nas habilidades motoras, mas prioritariamente no desenvolvimento socioemocional, cognitivo e de linguagem para viabilizar intervenções terapêuticas oportunas.

O contato pele a pele precoce melhorou os comportamentos alimentares e estabilizou a transição térmica em neonatos nascidos por cesariana

O contato pele a pele precoce melhorou os comportamentos alimentares e estabilizou a transição térmica em neonatos nascidos por cesariana

Early SkinToSkin Contact Enhanced Feeding Behaviours and Stabilised Thermal Transition in Neonates Born by Caesarean. Chen T, Liu X, Kong X, Zhu W, Wang Y, Liu H, Xing L.A. cta Paediatr. 2026 Jun;115(6):1245-1251. doi: 10.1111/apa.70478. Epub 2026 Feb 22.PMID: 41725074 . Clinical Trial.

Realizado por Paulo R. Margotto.

Benefícios do contato pele e pele na Cesariana  Eletiva (Recém-Nascidos a Termo):Prontidão Alimentar: reduz significativamente o tempo (latência) para o recém-nascido demonstrar comportamentos como buscar o seio, morder os lábios e chupar os dedos na primeira hora de vida; Estabilidade Fisiológica: Mantém a temperatura corporal central do bebê mais alta e atenua a perda de peso fisiológica nos primeiros dias pós-parto;Nutrição e Metabolismo: Promove maior frequência diária de amamentação e reduz os níveis de icterícia (bilirrubina transcutânea) aferidos no 3º dia de vida. Assim, o  CPP imediato consolida-se como uma intervenção de baixo custo e alto impacto, facilitando a adaptação extrauterina de bebês saudáveis e oferecendo proteção neurológica e imunológica a prematuros vulneráveis. Em Nota do Editor da página neonatal (www.paulomargotto.com.br): com relação aos prematuros (< 28 e < 32 semanas): ausência de danos: a aplicação do CPP precoce (iniciado nos dias 0 e/ou 1 de vida) é extremamente segura e não eleva as taxas de complicações clínicas graves e tem efeito protetor: associa-se a uma menor ocorrência de hemorragia intraventricular (HIV) e menor incidência de sepse neonatal. Esse último benefício provavelmente decorre da colonização bacteriana precoce por cepas protetoras dos próprios pais em detrimento da flora hospitalar.

Persistência do canal arterial patente (PCA) e desfechos no desenvolvimento neurológico: uma abordagem terapêutica restritiva não compromete o desenvolvimento neurológico

Persistência do canal arterial patente (PCA) e desfechos no desenvolvimento neurológico: uma abordagem terapêutica restritiva não compromete o desenvolvimento neurológico

Patent Ductus Arteriosus Persistence and Neurodevelopmental Outcomes: A Restrictive Treatment Approach Does Not Compromise Neurological Development. Kallenberger M, Bartling A, Hüning B, Dewan MV, Bialas J, Middendorf L, Dathe AK, Felderhoff-Müser U, Stein A. Acta Paediatr. 2026 Jul;115(7):1461-1466. doi: 10.1111/apa.70511. Epub 2026 Mar 20.PMID: 41860109. Alemanha.

Realizado por Paulo R. Margotto.

Entre os pontos mais essenciais do estudo destacamos: Abordagem Conservadora é Segura: o manejo restritivo/conservador da PCA em prematuros com idade gestacional ≤ 32 semanas não compromete o desenvolvimento neurológico (cognitivo, motor ou de linguagem) aos 2 anos de idade corrigida.Determinantes Reais do Neurodesenvolvimento: O futuro neurológico dessas crianças é determinado fundamentalmente pela idade gestacional ao nascer e pelas comorbidades associadas (como a displasia broncopulmonar), e não pelo tempo de duração da PCA. Alterações de Exame sem Repercussão Clínica: embora o canal aberto tenha associação estatística com um diâmetro transcerebelar menor e com micro-hemorragias cerebrais leves (HIV ≤ II) na ressonância magnética, esses achados são subclínicos e não geram prejuízos funcionais aos 2 anos.Perigos do Tratamento Farmacológico Ativo: dados de um grande ensaio clínico randomizado revelaram que tentar fechar o canal com medicamentos em prematuros extremos dobrou a taxa de mortalidade (9,6% no grupo tratado ativamente vs. 4,1% na conduta expectante de “esperar para ver”) e aumentou significativamente o risco de infecções fatais (3,8% vs. 0,8%). A conduta expectante (conservadora) consolida-se, portanto, como a estratégia mais segura para o manejo da PCA em prematuros.