Categoria: Humanização

MONOGRAFIA-NEONATOLOGIA-HMIB/SES/DF: APRESENTAÇÃO:Avaliação dos Ruídos na Unidade de Terapia Intensiva Neonatal do Hospital Materno Infantil Dr. Antônio Lisboa (HMIB)

MONOGRAFIA-NEONATOLOGIA-HMIB/SES/DF: APRESENTAÇÃO:Avaliação dos Ruídos na Unidade de Terapia Intensiva Neonatal do Hospital Materno Infantil Dr. Antônio Lisboa (HMIB)

Sylvia Cristina Lima sob a Coordenação da Dra. Nathalia Bardal (HMIB).

O ruído em Unidades de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN) constitui agente estressor para o recém-nascido, sobretudo o pré-termo, podendo comprometer a estabilidade fisiológica e o neurodesenvolvimento. Metodologia: Este estudo teve como objetivo caracterizar os níveis de pressão sonora da UTIN do Hospital Materno Infantil Dr. Antônio Lisboa (HMIB) ao longo de um período contínuo de monitoramento. Trata-se de estudo descritivo, quantitativo e observacional, realizado por meio de decibelímetro digital com registro automático contínuo, posicionado sucessivamente em quatro alas assistenciais durante uma semana cada, complementado por medição de 24 horas no interior de uma incubadora e por observação de eventos assistenciais específicos junto ao leito. ResultadoForam consideradas válidas 1.356.141 leituras ambientais e 43.106 leituras no interior da incubadora. O nível de pressão sonora equivalente (Leq) geral foi de 72,4 dB, permanecendo acima do limite de 45 dB recomendado pela literatura em 100% do tempo monitorado, com pico máximo de 112,3 dB. Observou-se variação de até 4,2 dB no Leq entre as alas, redução parcial durante a hora do soninho (Leq de 69,9 dB) e concentração dos picos sonoros no período noturno. No interior da incubadora, o Leq foi de 72,3 dB, com pico de 108,4 dB, e ações rotineiras como o fechamento da incubadora atingiram em média 95 dB. ConclusãoConclui-se que os níveis de ruído da UTIN estudada excederam persistentemente os parâmetros recomendados pela literatura e pelas normas técnicas nacionais e internacionais, reforçando a necessidade de medidas institucionais de controle acústico e de capacitação da equipe assistencial para a redução da exposição sonora do recém-nascido.

O contato pele a pele precoce melhorou os comportamentos alimentares e estabilizou a transição térmica em neonatos nascidos por cesariana

O contato pele a pele precoce melhorou os comportamentos alimentares e estabilizou a transição térmica em neonatos nascidos por cesariana

Early SkinToSkin Contact Enhanced Feeding Behaviours and Stabilised Thermal Transition in Neonates Born by Caesarean. Chen T, Liu X, Kong X, Zhu W, Wang Y, Liu H, Xing L.A. cta Paediatr. 2026 Jun;115(6):1245-1251. doi: 10.1111/apa.70478. Epub 2026 Feb 22.PMID: 41725074 . Clinical Trial.

Realizado por Paulo R. Margotto.

Benefícios do contato pele e pele na Cesariana  Eletiva (Recém-Nascidos a Termo):Prontidão Alimentar: reduz significativamente o tempo (latência) para o recém-nascido demonstrar comportamentos como buscar o seio, morder os lábios e chupar os dedos na primeira hora de vida; Estabilidade Fisiológica: Mantém a temperatura corporal central do bebê mais alta e atenua a perda de peso fisiológica nos primeiros dias pós-parto;Nutrição e Metabolismo: Promove maior frequência diária de amamentação e reduz os níveis de icterícia (bilirrubina transcutânea) aferidos no 3º dia de vida. Assim, o  CPP imediato consolida-se como uma intervenção de baixo custo e alto impacto, facilitando a adaptação extrauterina de bebês saudáveis e oferecendo proteção neurológica e imunológica a prematuros vulneráveis. Em Nota do Editor da página neonatal (www.paulomargotto.com.br): com relação aos prematuros (< 28 e < 32 semanas): ausência de danos: a aplicação do CPP precoce (iniciado nos dias 0 e/ou 1 de vida) é extremamente segura e não eleva as taxas de complicações clínicas graves e tem efeito protetor: associa-se a uma menor ocorrência de hemorragia intraventricular (HIV) e menor incidência de sepse neonatal. Esse último benefício provavelmente decorre da colonização bacteriana precoce por cepas protetoras dos próprios pais em detrimento da flora hospitalar.

DOR NEONATAL- 2026

DOR NEONATAL- 2026

Apresentação: Ludmylla de Oliveira Beleza , Marta David Rocha de Moura e Paulo R. Margotto, ocorrida na Reunião da Unidade de Neonatologia do HMIB (29/6/2026).

Esta palestra aborda a evolução do entendimento sobre a dor neonatal, destacando que, ao contrário do que se acreditava antigamente, os recém-nascidos, especialmente os prematuros, possuem uma sensibilidade à dor superior à dos adultos. A ciência comprovou que o sistema sensorial para a dor se desenvolve precocemente. Receptores sensoriais surgem por volta da 7ª semana de gestação, e por volta da 20ª semana, todos os neurônios sensitivos já estão presentes na pele e mucosas. O bebê prematuro sente mais dor e tem uma sensibilidade maior que o bebê a termo ou o adulto. Isso ocorre porque suas vias inibitórias descendentes (que ajudam a modular e diminuir a dor) são menos desenvolvidas. Um estímulo doloroso que dura 10 minutos em um adulto pode ser sentido por até 90 minutos por um bebê a termo. A dor não é apenas uma sensação, mas uma interação complexa que afeta os sistemas imune, nervoso e endócrino. Ocorrem alterações na frequência cardíaca, saturação de oxigênio, pressão arterial e picos hormonais (aumento de cortisol e glucagon).A exposição repetida à dor sem tratamento pode causar apoptose neuronal (morte de células cerebrais), afinamento do córtex e redução do volume de estruturas como o hipocampo e o cerebelo. gerar alodinia (quando um estímulo que não deveria causar dor, como a troca de fralda, provoca uma reação desesperada) e dificuldades futuras de atenção e sociabilidade. A palestra enfatiza que a avaliação da dor deve ser parte dos sinais vitais, utilizando escalas validadas para reduzir a subjetividade. O uso de Inteligência Artificial, decodificação do choro e monitoramento da condutância da pele são ferramentas emergentes para tornar a avaliação em tempo real e mais objetiva.

ÁUDIO POR IA: DOR NEONATAL-2026

ÁUDIO POR IA: DOR NEONATAL-2026

Apresentação: Ludmylla de Oliveira Beleza , Marta David Rocha de Moura e Paulo R. Margotto, ocorrida na Reunião da Unidade de Neonatologia do HMIB (29/6/2026).

Esta palestra aborda a evolução do entendimento sobre a dor neonatal, destacando que, ao contrário do que se acreditava antigamente, os recém-nascidos, especialmente os prematuros, possuem uma sensibilidade à dor superior à dos adultos. A ciência comprovou que o sistema sensorial para a dor se desenvolve precocemente. Receptores sensoriais surgem por volta da 7ª semana de gestação, e por volta da 20ª semana, todos os neurônios sensitivos já estão presentes na pele e mucosas. O bebê prematuro sente mais dor e tem uma sensibilidade maior que o bebê a termo ou o adulto. Isso ocorre porque suas vias inibitórias descendentes (que ajudam a modular e diminuir a dor) são menos desenvolvidas. Um estímulo doloroso que dura 10 minutos em um adulto pode ser sentido por até 90 minutos por um bebê a termo. A dor não é apenas uma sensação, mas uma interação complexa que afeta os sistemas imune, nervoso e endócrino.Ocorrem alterações na frequência cardíaca, saturação de oxigênio, pressão arterial e picos hormonais (aumento de cortisol e glucagon).A exposição repetida à dor sem tratamento pode causar apoptose neuronal (morte de células cerebrais), afinamento do córtex e redução do volume de estruturas como o hipocampo e o cerebelo.Pode gerar alodinia (quando um estímulo que não deveria causar dor, como a troca de fralda, provoca uma reação desesperada) e dificuldades futuras de atenção e sociabilidade. A palestra enfatiza que a avaliação da dor deve ser parte dos sinais vitais, utilizando escalas validadas para reduzir a subjetividade. O uso de Inteligência Artificial, decodificação do choro e monitoramento da condutância da pele são ferramentas emergentes para tornar a avaliação em tempo real e mais objetiva.

Padrões de comunicação não verbal de médicos durante reuniões familiares em Unidade de Terapia Intensiva: uma análise exploratória em vídeo

Padrões de comunicação não verbal de médicos durante reuniões familiares em Unidade de Terapia Intensiva: uma análise exploratória em vídeo

Patterns of Physicians’ Nonverbal Communication During Family Meetings in Intensive Care:
An Exploratory Video Analysis.

CHEST Critical Care (2026), doi: https://doi.org/10.1016/j.chstcc.2026.100273

Patterns of Physicians’ Nonverbal Communication During …

Trata-se de uma análise exploratória qualitativa por vídeo de 35 reuniões médico-família em UTI adulta (Hospital Universitário de Paris) com destaque para: Importância da comunicação não verbal: Inclui postura, olhar, gestos, silêncio, tom de voz e expressão facial. Complementa a fala, transmite empatia e afeta como a família recebe más notícias e constrói confiança. Contexto desafiador da UTI: Alta carga emocional, incerteza e decisões difíceis. Famílias falam apenas ~27% do tempo. Os achados principais foram:Postura: ~50% dos médicos inclinavam-se para frente (sinal de engajamento).Movimentos de cabeça: Presentes em 91% das reuniões → validação e atenção. Empatia: Poucos gestos explícitos (toque, lenço). Expressa principalmente por tom de voz, silêncio e presença. Congruência: 68% (alinhamento entre fala e emoção). Incongruência (ex: sorriso em momento grave) prejudica a confiança. Gestos: Explicativos ajudam na compreensão; não explicativos (mexer em objetos, esfregar mãos) surgem em desconforto. Silêncio: Essencial após más notícias (57% adequados), mas frequentemente interrompido. Tipos: constrangedor, convidativo e compassivo. Olhar e tom de voz: Ajustados conforme o momento; desvio do olhar comum em situações difíceis. Mensagem Principal: A comunicação não verbal é tão importante quanto o conteúdo verbal. Pequenas atitudes (postura aberta, silêncio compassivo, congruência e olhar atento) melhoram a compreensão, reduzem ansiedade e fortalecem o vínculo com a família. É uma habilidade treinável, não apenas talento.Incline-se levemente, use silêncio após notícias graves, module o tom/ritmo e mantenha a congruência emocional

Prematuridade Extrema: O Limite da Viabilidade e As Implicações Éticas No Cuidado

Prematuridade Extrema: O Limite da Viabilidade e As Implicações Éticas No Cuidado

Rita Silveira (RS). I Fórum de Neonatologia do Conselho Federal de Medicina, 30/1/2026.

Realizado por Paulo R. Margotto.

Essa Palestra deixou com muita clareza  essa mensagem para reflexão: O limite da viabilidade não é apenas um número, é um espaço de incertezas onde ciência, ética e humanidade se encontram. O neonatologista, não apenas salva vidas, ele molda histórias com responsabilidade e compaixão. É necessário, sim, conhecer as morbidades que impactam na qualidade de vida e as potenciais intervenções precoces no segmento do prematuro, que é para garantir um desfecho um pouco melhor. E de forma bem importante, cada Centro de Neonatologia precisa ter o seu segmento após a alta estruturado para medir a viabilidade e a qualidade de vida das crianças que sobreviverão e precisa conhecer qual é a sua faixa de idade gestacional que tem tido maior sobrevida e baixar a idade gestacional. Sempre temos  que buscar melhorar. Se hoje morrem 100% com 23 semanas, vamos trabalhar para morrer 80%, 70%. Falar isso para família, “olha, você pode ser um primeiro a sobreviver”. Vamos usar o corticosteroide  pré-natal, vamos alinhar com a obstetrícia o sulfato de magnésio, vamos organizar a assistência em Sala de Parto. Organizar a nossa UTI Neonatal com as boas práticas e organizar o segmento. Esse é o nosso compromisso.

Comunicação de Más Noticias e Suporte Parental na Neonatologia

Comunicação de Más Noticias e Suporte Parental na Neonatologia

Alessandra Maia (PE). I Fórum de Neonatologia do Conselho Federal de Medicina, 30/1/2026.

Realizado por Paulo R. Margotto.

Na Neonatologia, a comunicação não é um momento. É um processo clínico. Pais não se lembram de tudo o que foi dito, mas nunca esquecem como se sentiram. Na Neonatologia não escolhemos as noticias que teremos que dar. Mas escolheremos como estaremos presente ao dá-las. Então essa escolha é fundamental, ser presença, ser ético, ser humano. Isso vai fazer toda a diferença no acompanhamento e no cuidado na qualidade de vida do recém-nascido e da família.

Tomada de Decisão Compartilhada

Tomada de Decisão Compartilhada

Ana Claudia Y. Prestes (SP). I Fórum de Neonatologia  do Conselho Federal de Medicina, 30/1/2026.

Realizado por Paulo R. Margotto.

Na Neonatologia, o conceito de AUTONOMIA SOLIDÁRIA refere-se a um modelo de tomada de decisão compartilhada onde a família não é deixada sozinha para decidir sobre o tratamento do recém-nascido, nem o médico decide de forma isolada. Diferente de uma “autonomia solitária”, na qual se ofereceria aos pais apenas um “cardápio” de opções técnicas para que escolhessem sem orientação, a autonomia solidária pressupõe que a equipe de saúde ofereça suporte técnico, acolhimento e sinceridade para construir, em conjunto com os responsáveis, o melhor plano de cuidado.

Aspectos Bioéticos do Paliativismo em Neonatologia

Aspectos Bioéticos do Paliativismo em Neonatologia

Lília Maria Caldas (BA). I Fórum de Neonatologia do Conselho Regional de Medicina, 30/1/2026.

Realizado por Paulo R. Margotto.

 A questão talvez seja o que é cuidado paliativo na sua grandiosidade. Nem todas as pessoas que estão em cuidado paliativo estão em final de vida. E eu vou exemplificar a minha pessoa que estou em cuidados paliativos há 10 anos, mas eu não estou em final de vida, mas isso não me tira o direito de ser bem cuidada. É a mesma coisa para os nossos bebês, uma reflexão importante para pensarmos nisso

MONOGRAFIA DA UNIDADE DE NEONATOLOGIA DO HMIB-2026 (Apresentação):Cuidados Paliativos: um estudo com profissionais de saúde em uma Unidade de Terapia Intensiva Neonatal de referência do DF

MONOGRAFIA DA UNIDADE DE NEONATOLOGIA DO HMIB-2026 (Apresentação):Cuidados Paliativos: um estudo com profissionais de saúde em uma Unidade de Terapia Intensiva Neonatal de referência do DF

Autora: Luísa Teixeira Fischer Dias   / Orientadora: Evely Mirela Santos França.

Observou-se compreensão conceitual consistente, com reconhecimento do controle da dor (97,4%), do apoio à família (84,5%) e da integração de aspectos psicológicos e espirituais (78,4%). Entretanto, apenas 41,4% relataram sentir-se preparados, enquanto 53,4% referiram preparo parcial. A experiência foi considerada difícil ou muito difícil por 81,1%, destacando-se sentimentos de impotência (27,6%), insegurança (12,1%) e frustração (10,3%). A ausência de protocolos e fragilidades organizacionais emergiram como barreiras centrais. Conclusão: Apesar da base conceitual sólida, permanecem lacunas no preparo formal, na estrutura institucional e no suporte emocional às equipes. A consolidação dos cuidados paliativos neonatais na UTIN requer investimento em educação permanente, protocolos assistenciais e fortalecimento multiprofissional.