Categoria: Enfermagem Neonatal

Risco de Citomegalovírus pós-natal não supera os benefícios do Leite materno Cru

Risco de Citomegalovírus pós-natal não supera os benefícios do Leite materno Cru

Postnatal Cytomegalovirus Risk Does Not Outweigh the Benefits of Mother’s Raw Milk. Lawrence SM 1,2, Moreira ME 3, Neu J4.Neoreviews. 2026 Jul 1;27(7):e414-e424. doi: 10.1542/neo.27-7-027.PMID: 42379602 Review.

Realizado por Paulo R. Margotto.

O foco central da discussão reside no equilíbrio entre o risco de transmissão do CMV pelo leite materno e os benefícios imunológicos e nutricionais do leite cru para bebês de muito baixo peso ao nascer (VLBW).O leite materno é descrito como um “tecido vivo” complexo, contendo hormônios, fatores de crescimento e mediadores imunes que são essenciais para o desenvolvimento do prematuro.Benefícios do Leite Cru: O leite materno próprio da mãe (MOM) cru promove a maturação intestinal, protege contra patógenos, auxilia no crescimento do perímetro cefálico e reduz os riscos de enterocolite necrosante (NEC), displasia broncopulmonar (BPD) e sepse de início tardio. Danos da Pasteurização (Método Holder): Embora a pasteurização (aquecimento a 62,5 °C por 30 minutos) elimine o CMV, ela degrada componentes vitais. O processo reduz significativamente a imunoglobulina A secretora (sIgA), a lactoferrina (em até 91%) e inativa a lipase, o que pode prejudicar o ganho de peso e o desenvolvimento neurológico do bebê. Apesar do risco de pCMV (citomegalovirus pós-natal-após 22 dias de vida), as principais diretrizes globais priorizam o aleitamento:AAP e OMS: Recomendam o uso de leite materno cru para bebês prematuros, concluindo que os benefícios à saúde superam os riscos de uma infecção adquirida pós-natalmente.Já a Sociedade Europeia (ESPGHAN): Apresenta uma postura mais cautelosa, sugerindo que as vantagens devem ser pesadas individualmente contra o risco de transmissão. A colostroterapia orofaríngea (administração de gotas nas bochechas) deve ser iniciada nas primeiras 24 horas de vida, mesmo em bebês que não podem ser alimentados via enteral (dieta zero), funcionando como uma “vacina” e estimulador imunológico. Em resumo, a literatura atual enfatiza que o foco excessivo na prevenção do CMV através da esterilização do leite pode acabar prejudicando o bem-estar geral e o crescimento dos prematuros devido à perda de nutrientes e fatores imunológicos essenciais. Estudos são limitados por viés e amostras pequenas. É urgente um estudo multicêntrico internacional. Enquanto isso, priorizar MOM cru conforme diretrizes AAP/WHO, exceto em casos raros de imunodeficiência grave. O foco excessivo no CMV não deve comprometer os benefícios globais do leite materno cru. Enquanto, na Na nossa Unidade (HMIB/SES/DF) usamos a “ colostroterapia” prolongada que  denominamos de  imunoterapia independe te do status materno do CMV. No entanto, para a dieta enteral, nos RN <28 semanas, a partir da segunda semana de vida,  a depender do  status materno do CMV usamos leite pasteurizado até 32 semanas.

ÁUDIO POR IA: Risco de Citomegalovírus pós-natal não supera os benefícios do Leite materno Cru

ÁUDIO POR IA: Risco de Citomegalovírus pós-natal não supera os benefícios do Leite materno Cru

Postnatal Cytomegalovirus Risk Does Not Outweigh the Benefits of Mother’s Raw Milk. Lawrence SM 1,2, Moreira ME 3, Neu J4.Neoreviews. 2026 Jul 1;27(7):e414-e424. doi: 10.1542/neo.27-7-027.PMID: 42379602 Review.

Realizado por Paulo R. Margotto.

O foco central da discussão reside no equilíbrio entre o risco de transmissão do CMV pelo leite materno e os benefícios imunológicos e nutricionais do leite cru para bebês de muito baixo peso ao nascer (VLBW).O leite materno é descrito como um “tecido vivo” complexo, contendo hormônios, fatores de crescimento e mediadores imunes que são essenciais para o desenvolvimento do prematuro.Benefícios do Leite Cru: O leite materno próprio da mãe (MOM) cru promove a maturação intestinal, protege contra patógenos, auxilia no crescimento do perímetro cefálico e reduz os riscos de enterocolite necrosante (NEC), displasia broncopulmonar (BPD) e sepse de início tardio. Danos da Pasteurização (Método Holder): Embora a pasteurização (aquecimento a 62,5 °C por 30 minutos) elimine o CMV, ela degrada componentes vitais. O processo reduz significativamente a imunoglobulina A secretora (sIgA), a lactoferrina (em até 91%) e inativa a lipase, o que pode prejudicar o ganho de peso e o desenvolvimento neurológico do bebê. Apesar do risco de pCMV (citomegalovirus pós-natal-após 22 dias de vida), as principais diretrizes globais priorizam o aleitamento:AAP e OMS: Recomendam o uso de leite materno cru para bebês prematuros, concluindo que os benefícios à saúde superam os riscos de uma infecção adquirida pós-natalmente.Já a Sociedade Europeia (ESPGHAN): Apresenta uma postura mais cautelosa, sugerindo que as vantagens devem ser pesadas individualmente contra o risco de transmissão. A colostroterapia orofaríngea (administração de gotas nas bochechas) deve ser iniciada nas primeiras 24 horas de vida, mesmo em bebês que não podem ser alimentados via enteral (dieta zero), funcionando como uma “vacina” e estimulador imunológico. Em resumo, a literatura atual enfatiza que o foco excessivo na prevenção do CMV através da esterilização do leite pode acabar prejudicando o bem-estar geral e o crescimento dos prematuros devido à perda de nutrientes e fatores imunológicos essenciais. Estudos são limitados por viés e amostras pequenas. É urgente um estudo multicêntrico internacional. Enquanto isso, priorizar MOM cru conforme diretrizes AAP/WHO, exceto em casos raros de imunodeficiência grave. O foco excessivo no CMV não deve comprometer os benefícios globais do leite materno cru.Enquanto, na Na nossa Unidade (HMIB/SES/DF) usamos a “ colostroterapia” prolongada que  denominamos de  imunoterapia independe te do status materno do CMV. No entanto, para a dieta enteral, nos RN <28 semanas, a partir da segunda semana de vida,  a depender do  status materno do CMV usamos leite pasteurizado até 32 semanas.

DOR NEONATAL- 2026

DOR NEONATAL- 2026

Apresentação: Ludmylla de Oliveira Beleza , Marta David Rocha de Moura e Paulo R. Margotto, ocorrida na Reunião da Unidade de Neonatologia do HMIB (29/6/2026).

Esta palestra aborda a evolução do entendimento sobre a dor neonatal, destacando que, ao contrário do que se acreditava antigamente, os recém-nascidos, especialmente os prematuros, possuem uma sensibilidade à dor superior à dos adultos. A ciência comprovou que o sistema sensorial para a dor se desenvolve precocemente. Receptores sensoriais surgem por volta da 7ª semana de gestação, e por volta da 20ª semana, todos os neurônios sensitivos já estão presentes na pele e mucosas. O bebê prematuro sente mais dor e tem uma sensibilidade maior que o bebê a termo ou o adulto. Isso ocorre porque suas vias inibitórias descendentes (que ajudam a modular e diminuir a dor) são menos desenvolvidas. Um estímulo doloroso que dura 10 minutos em um adulto pode ser sentido por até 90 minutos por um bebê a termo. A dor não é apenas uma sensação, mas uma interação complexa que afeta os sistemas imune, nervoso e endócrino. Ocorrem alterações na frequência cardíaca, saturação de oxigênio, pressão arterial e picos hormonais (aumento de cortisol e glucagon).A exposição repetida à dor sem tratamento pode causar apoptose neuronal (morte de células cerebrais), afinamento do córtex e redução do volume de estruturas como o hipocampo e o cerebelo. gerar alodinia (quando um estímulo que não deveria causar dor, como a troca de fralda, provoca uma reação desesperada) e dificuldades futuras de atenção e sociabilidade. A palestra enfatiza que a avaliação da dor deve ser parte dos sinais vitais, utilizando escalas validadas para reduzir a subjetividade. O uso de Inteligência Artificial, decodificação do choro e monitoramento da condutância da pele são ferramentas emergentes para tornar a avaliação em tempo real e mais objetiva.

Recém-nascido de mãe usuária de drogas / Síndrome de Abstinência Neonatal

Recém-nascido de mãe usuária de drogas / Síndrome de Abstinência Neonatal

Apresentação: Paulo R. Margotto/Sérgio Veiga/Joseleide de Castro.

A Apresentação  fornece uma visão abrangente sobre o tema do Recém-Nascido de mãe usuária de drogas e a Síndrome de Abstinência Neonatal (SAN), apresentados por profissionais da Unidade de Neonatologia do HMIB em Brasília. O material detalha os tipos de drogas (estimulantes, depressoras e perturbadoras) e seus efeitos específicos sobre o feto e o recém-nascido, com foco na maconha e na cocaína/crack. Uma parte significativa aborda a Síndrome de Abstinência Neonatal, definindo seus sinais clínicos e sintomas, bem como a prevalência em recém-nascidos expostos a opioides. O texto também explora a avaliação da severidade da SAN, incluindo o uso dos escores de Lipsitz e o modelo mais recente de COMER, DORMIR E SER CONSOLADO (Eat -Sleep-Console – ESC). Finalmente, são apresentadas as abordagens de tratamento, priorizando terapias não farmacológicas, o alojamento conjunto e, quando necessário, o uso de medicamentos como morfina e metadona, além de tocar em recomendações de alta hospitalar e atualizações em suporte neonatal à vida.

Auxílio simplificado à decisão do paciente sobre cirurgia de língua presa em bebês amamentados

Auxílio simplificado à decisão do paciente sobre cirurgia de língua presa em bebês amamentados

Simplified patient decision-aid for tongue-tie surgery for breast-fed infants
S M Hashim Nainar, BDS, MDSc Paediatrics & Child Health, pxaf061, july, 2025. https://doi.org/10.1093/pch/pxaf061
Oxford Academic https://academic.oup.com › pch

Realizado por Paulo R. Margotto,

O número de cirurgias para anquiloglossia (língua presa)recentemente, impulsionado, em parte, pela desinformação disponível nas redes sociais. É crucial uma avaliação multidisciplinar (pediatras, especialistas em lactação, terapeutas de alimentação, cirurgiões) antes de decidir por uma intervenção cirúrgica, uma vez que a amamentação subótima é uma questão complexa. A maioria dos bebês com anquiloglossia é assintomática e não apresenta problemas de alimentação. Além disso, não há uma conexão clara entre anquiloglossia e distúrbios da fala. Estudos e revisões sistemáticas não encontraram um efeito positivo consistente da cirurgia na amamentação infantil. O apoio à lactação, focado na otimização da pega, deve ser a estratégia primária para bebês com dificuldades de amamentação. Embora a cirurgia possa reduzir a dor no mamilo materno a curto prazo, o benefício definitivo não está comprovado e é baseado em estudos de baixa qualidade. Estratégias simples como modificar a pega ou usar protetores de mamilo também podem aliviar a dor. A cirurgia de anquiloglossia é geralmente segura, mas existem riscos de complicações, incluindo má alimentação, perda de peso, dor, infecção, sangramento, cicatrizes, e, em casos raros, complicações mais graves como edema submandibular, choque hipovolêmico, obstrução aguda das vias aéreas e, em notícias, até fatalidade. Um estudo na Nova Zelândia relatou uma incidência anual de 13,9 complicações por 100.000 bebês após a frenotomia.

MONOGRAFIA NEONATOLOGIA-HMIB-2025: Dificuldades maternas no processo de aleitamento materno de prematuros internados em uma UTI Neonatal do Distrito Fede

MONOGRAFIA NEONATOLOGIA-HMIB-2025: Dificuldades maternas no processo de aleitamento materno de prematuros internados em uma UTI Neonatal do Distrito Fede

Ana Luiza Espinoza Resende, Flávio Ramiro Espinoza Resende, Nathalia Falchano Bardal.

Contribuciones a Las Ciencias Sociales, São José dos Pinhais, v.18, n.2, p. 01-12, 2025

Características da UTIN do HMIB como a cesárea como via de parto mais prevalente e uma maior quantidade de prematuros entre 28 e 32 semanas de idade gestacional de nascimento, apresentam-se como dificultadores indiretos do aleitamento materno. Entretanto, por se tratar de uma unidade de referência no Distrito Federal, não há como alterar essas características de forma direta. Assim, é necessário adotar práticas que estimulem o aleitamento materno, como a prática da posição canguru, ou mesmo a colostroterapia. O estudo mostra que apesar de realizar o contato pele a pele na unidade, esta prática tem sido feita mais tardiamente. Torna-se necessário adaptar suas rotinas e implantar outras estratégias para possibilitar o contato entre mãe e filho o mais precoce possível para assim estimular a lactação e ordenha visando a manutenção do aleitamento materno. Por meio das respostas das participantes, o estudo mostra que a maior dificuldade materna no processo de aleitamento materno na UTIN do HMIB é a distância do hospital até a sua casa, bem como o custo com transporte até o hospital. Dessa forma torna-se necessário que a unidade disponha de infraestrutura para permitir que as mães estejam presentes o maior tempo possível na UTIN para amamentar e ordenhar.

Colostroterapia, colostro e amamentação na UTI Neonatal : o que temos de novo (2º Congresso Internacional de Neonatologia do Distrito Federal de28-29 de novembro de 2024)

Colostroterapia, colostro e amamentação na UTI Neonatal : o que temos de novo (2º Congresso Internacional de Neonatologia do Distrito Federal de28-29 de novembro de 2024)

Ricardo Nunes (RJ). 2º Congresso Internacional de Neonatologia do Distrito Federal (28-29 de novembro de 2024)

Deve ser sempre priorizado o leite da própria mãe cru, combinando expressão manual + retirada por bomba [quanto mais esvazia o seio, mais leite vai ter]

Segurança do Método Canguru no Prematuro Extremo desde os primeiros dias: Evidências e Fake-neos

Segurança do Método Canguru no Prematuro Extremo desde os primeiros dias: Evidências e Fake-neos

Nicole Gianini (RJ). 2o Congresso Internacional de Neonatologia do DF (28-29/11/2024)

O Método Canguru não é para acredita e sim ESTUDAR! Método canguru – 23 vezes mais chance de alta em aleitamento materno exclusivo, 19% de redução no tempo de internação. O canguru não é apenas o pele a pele – é uma lógica assistencial, proposta de trabalho. A mãe é responsável por todos os indicadores de qualidade da Unidade Neonatal. Linha de cuidado em consonância com as  evidências científicas.Método Canguru não é religião – não é para acreditar. É para estudar. A ciência é para pobres e ricos. O benefício é para todos.

IMUNOTERAPIA PELO LEITE HUMANO: Colostroterapia expandida

IMUNOTERAPIA PELO LEITE HUMANO: Colostroterapia expandida

Apresentação: Nathalia Bardal, Realizado pelas Equipes do Banco de Leite, da Neonatologia e da Farmácia Clínica.

Importância: melhoria da resposta imune, modulação da microbiota intestinal, proteção contra infecções (enterocolite, sepse tardia e  pneumonia associada à ventilação mecânica), melhora da progressão da dieta enteral.  Quando realizar? Iniciar dentro das primeiras 24 horas de vida, 3/3 hs, mesmo em dieta zero e realizar até que o bebê esteja mamando ao seio materno (<1500g: 0,1 ml-1gota em casa bochecha e ≥1550g0,2 ml-2gotas em cada bochecha. Utilizar seringa de 1 ml. Realizar pelo Profissional de Enfermagem  que está cuidando do bebê. Qual leite? SEMPRE que possível leite cru da própria mãe ordenhado a beira do leito (colostro, leite de transição ou leite maduro) INDEPENDENTE do status do CMV (já na dieta nos menores <28 semanas, segue a Norma já estabelecida). Na ausência do leite cru, exceções devem ser discutidas com a Equipe (exemplo, mãe usuária de droga).

A terapia com colostro orofaríngeo reduz a incidência de pneumonia associada à ventilação mecânica em recém-nascidos de muito baixo peso: uma revisão sistemática e meta-análise

A terapia com colostro orofaríngeo reduz a incidência de pneumonia associada à ventilação mecânica em recém-nascidos de muito baixo peso: uma revisão sistemática e meta-análise

Oropharyngeal colostrum therapy reduces the incidence of ventilatorassociated pneumonia in very low birth weight infants: a systematic review and meta-analysis.Ma A, Yang J, Li Y, Zhang X, Kang Y.Pediatr Res. 2021 Jan;89(1):54-62. doi: 10.1038/s41390-020-0854-1. Epub 2020 Mar 30.PMID: 32225172  Artigo Grátis! China.

Realizado por Paulo R Margotto.

O leite (cru) da própria mãe é a forma mais pura da MEDICINA PERSONALIZADA porque provê à criança que o recebe nutrição individualizada e componente imunomodulatórios de tal modo que, mesmo o leite da mesma espécie (Leite materno de  doadora) pode não prover os mesmos resultados benéficos.

O leite humano, especialmente o colostro, é o melhor primeiro estimulador imunológico em bebês. A presente metanálise incluiu 8 estudos controlados randomizados, englobando 682 RN<32 semanas de idade gestacional  no total (grupo colostroterapia: 332; grupo não colostroterapia: 350). Bebês de baixo peso ao nascer EM colostroterapia apresentaram uma redução notável na incidência de pneumonia associada a ventilação mecânica (OR = 0,39, IC de 95%: 0,17–0,88, P  = 0,02), diminuição do tempo para atingir a nutrição enteral completa, com uma significância potencial de redução da incidência de enterocolite necrosante e uma tendência de regulação negativa da mortalidade na UTI e da incidência de sepse comprovada. Um dos fatores importante na pneumonia associada a ventilação é a duração da ventilação mecânica. O estudo de Abd-Elgawad et al mostrou que o colostro poderia encurtar significativamente a duração da ventilação mecânica. Nos complementos, estudos recentes sugerem potenciais associações protetoras de maior contribuição de leite humano fresco e e leite da própria mãe (MOM) para as mamadas gerais durante a hospitalização contra o desenvolvimento de DBP. Nossos resultados destacam a importância do MOM como uma fonte ideal de nutrição durante a primeira infância.