Categoria: Distúrbios Respiratórios

Live realizada no Instituto de Pesquisa Neonatal Paulo Roberto Margotto (IPN-PRM): Displasia Broncopulmonar (DBP

Live realizada no Instituto de Pesquisa Neonatal Paulo Roberto Margotto (IPN-PRM): Displasia Broncopulmonar (DBP

Paulo R. Margotto.

 

A característica principal da Nova Displasia Broncopulmonar é a parada do desenvolvimento pulmonar (hipoplasia alveolar e vascular), pouca fibrose. Na sua prevenção se destacam: CPAP precoce/prolongado, surfactante minimamente invasivo, cafeína precoce, Ventilação gentil + SatO₂ 90-95%, nutrição precoce e agressiva com leite materno. Riscos principais: ventilação mecânica, corioamnionite, excesso de fluidos. Segundo o Prof. Dr. Eduardo Bancalari (EUA): A DBP é uma doença do desenvolvimento pulmonar. Não existe “bala de prata”. A melhor prevenção é uma abordagem multifatorial integrada. É melhor ter paciência na Sala de Parto do que lesionar o pulmão do prematuro com intubação precoce desnecessária.

Efetividade e impacto da imunização materna contra o Vírus Sincicial Respiratório (VCR e do Nirsevimabe nas infecções por VSR com atendimento médico em crianças nos EUA.

Efetividade e impacto da imunização materna contra o Vírus Sincicial Respiratório (VCR e do Nirsevimabe nas infecções por VSR com atendimento médico em crianças nos EUA.

Effectiveness and Impact of Maternal RSV Immunization and Nirsevimab on Medically Attended RSV in US Children. Moline HL, Tannis A, Goldstein L, Englund JA, Staat MA, Boom JAet al. New Vaccine Surveillance Network Collaborators.JAMA Pediatr. 2026 Mar 1;180(3):314-324. doi: 10.1001/jamapediatrics.2025.5778.PMID: 41428480

Realizado por Paulo R. Margotto

Estudo de vigilância populacional (NVSN) com >5.000 crianças <2 anos com destaque para a: Efetividade da vacina materna (RSVpreF): 70% contra hospitalização por VSR em lactentes <6 meses. 64% contra qualquer doença respiratória atendida medicamente.Efetividade do Nirsevimabe: 81% contra hospitalização por VSR. Proteção durável: 77% entre 130–210 dias após aplicação. Alta efetividade também em prematuros, contra VSR-A e VSR-B, e contra admissão em UTI (90%).Impacto populacional: Redução de 41% a 51% nas hospitalizações por VSR em lactentes de 0–11 meses. Maior redução em 0–2 meses: 56% a 63%. NNI (número necessário para imunizar) mais baixo nos menores de 2 meses (46–61).Portanto,tanto a vacinação materna quanto o nirsevimabe são altamente eficazes na vida real e reduziram pela metade as hospitalizações por VSR na primeira temporada completa de uso amplo nos EUA. A proteção é mais crítica nos primeiros meses de vida.

AUDIO POR IA:Efetividade e impacto da imunização materna contra o Vírus Sincicial Respiratório (VCR e do Nirsevimabe nas infecções por VSR com atendimento médico em crianças nos EUA.

AUDIO POR IA:Efetividade e impacto da imunização materna contra o Vírus Sincicial Respiratório (VCR e do Nirsevimabe nas infecções por VSR com atendimento médico em crianças nos EUA.

Effectiveness and Impact of Maternal RSV Immunization and Nirsevimab on Medically Attended RSV in US Children. Moline HL, Tannis A, Goldstein L, Englund JA, Staat MA, Boom JAet al. New Vaccine Surveillance Network Collaborators.JAMA Pediatr. 2026 Mar 1;180(3):314-324. doi: 10.1001/jamapediatrics.2025.5778.PMID: 41428480

Realizado por Paulo R. Margotto.

Estudo de vigilância populacional (NVSN) com >5.000 crianças <2 anos com destaque para a: Efetividade da vacina materna (RSVpreF): 70% contra hospitalização por VSR em lactentes <6 meses. 64% contra qualquer doença respiratória atendida medicamente.Efetividade do Nirsevimabe: 81% contra hospitalização por VSR. Proteção durável: 77% entre 130–210 dias após aplicação. Alta efetividade também em prematuros, contra VSR-A e VSR-B, e contra admissão em UTI (90%).Impacto populacional: Redução de 41% a 51% nas hospitalizações por VSR em lactentes de 0–11 meses. Maior redução em 0–2 meses: 56% a 63%. NNI (número necessário para imunizar) mais baixo nos menores de 2 meses (46–61).Portanto,tanto a vacinação materna quanto o nirsevimabe são altamente eficazes na vida real e reduziram pela metade as hospitalizações por VSR na primeira temporada completa de uso amplo nos EUA. A proteção é mais crítica nos primeiros meses de vida,

Efeito do bloqueio neuromuscular contínuo em uma coorte de pacientes com displasia broncopulmonar (DBP) evolutiva ou grau 3

Efeito do bloqueio neuromuscular contínuo em uma coorte de pacientes com displasia broncopulmonar (DBP) evolutiva ou grau 3

The Effect of Continuous Neuromuscular Blockade in a Cohort of Patients with Evolving or Grade 3 Bronchopulmonary DysplasiaCosnahan A, Farraj FA, Mitchell J, Bauer SE, Conlon S, Rose R.Am J Perinatol. 2026 May;43(7):895-899. doi: 10.1055/a-2706-5861. Epub 2025 Oct 6.PMID: 41052539

Realizado por Paulo R. Margotto.

Trata-se de uma coorte retrospectiva (EUA, 2020–2024) com 18 neonatos com DBP evolutiva ou grau 3 que receberam infusão contínua de vecurônio (NMBA) por ≥48 horas (9-10 dias). Entre os resultados principais: Sobrevida em curto prazo: 77% (14/18) sobreviveram mais de 7 dias após o início do bloqueio. Quatro óbitos (22%), a maioria nas primeiras 24 horas. Melhora respiratória: redução significativa do RSS (escore de gravidade respiratória) e OSI (índice de saturação de oxigênio) durante o tratamento (p=0,003). Quase todos os pacientes apresentaram declínio nesses índices. Desfechos de longo prazo (sobreviventes): alta taxa de traqueostomia (6/7), dependência de sonda gástrica e atrasos no neurodesenvolvimento. Os autores concluem que o bloqueio neuromuscular contínuo pode ser uma terapia de resgate útil em casos graves de DBP com agitação/descompensação, associado a melhora dos parâmetros respiratórios e boa sobrevida em curto prazo na maioria dos casos. Não é tratamento de longo prazo. Os dados são limitados (pequena coorte retrospectiva) e servem como geradores de hipótese para estudos futuros

Administração de O2 Suplementar na Reanimação Neonatal

Administração de O2 Suplementar na Reanimação Neonatal

Palestra administrada pela Dra. Elisabeth Foglia (EUA) NO 10º Simpósio de Reanimação Neonatal ocorrido entre os dia 27 a 29 de maio de 2026 em Foz do Iguaçu.

1-Para os  Bebês a Termo (≥35 semanas), iniciar com 21% (ar ambiente) – Recomendação consolidada (ILCOR 2019), com redução de  mortalidade comparado a 100%. 2. Bebês Prematuros (<32 semanas), as evidências são conflitantes, com o NETMOTION (2024) Sugerindo benefício de FiO₂ mais alta (≥90%), o estudo  TORPIDO não mostrou diferença entre 30% vs 60% em morte ou lesão cerebral, o ILCOR (2025) recomenda ser razoável   iniciar com FiO₂ ≥ 30% (faixa 30–100%).Recomendação Brasileira (2026): Iniciar com 60% em prematuros <32 semanas.Alvo de Saturação de O2 (SpO2): Meta principal: SpO₂ ≥ 80–85% aos 5 minutos de vida.Não atingir esse alvo está associado a maior risco de morte precoce e hemorragia intraventricular grave. Quanto à Titulação de O2:Colocar oxímetro o mais precoce possível (mão direita), lembrando que demora ~2–3 minutos para a mudança de FiO₂ chegar ao bebê, Priorizar  boa aeração pulmonar (PEEP/CPAP) – oxigênio sozinho não resolve pulmão não recrutado.Mensagens finais: Prematuros extremos precisam de oxigênio suficiente desde o início (pouco oxigênio pode ser prejudicial). Equilíbrio é fundamental: evitar hipoxemia e hiperóxia e cada Unidade deve ter protocolo claro de titulação. “Oxigênio é uma droga potente: o suficiente salva, o excesso ou a falta prejudica.”

 

Uso Não Invasivo de Óxido Nítrico para Hipertensão Pulmonar e Doença Vascular Pulmonar Associada à Displasia Broncopulmonar em Bebês Prematuros

Uso Não Invasivo de Óxido Nítrico para Hipertensão Pulmonar e Doença Vascular Pulmonar Associada à Displasia Broncopulmonar em Bebês Prematuros

Noninvasive nitric oxide use for pulmonary hypertension and pulmonary vascular disease associated with bronchopulmonary dysplasia in preterm infants. Chandra A, Rios DR, Dagle D, McNamara PJ, Bischoff AR.J Perinatol. 2026 Apr 15. doi: 10.1038/s41372-026-02687-w. Online ahead of print.PMID: 41986669 No abstract available.

                                                                               Realizado por Paulo R. Margotto.

Esse estudo avaliou a resposta clínica e ecocardiográfica ao iNO administrado de forma não invasiva (via tubo nasofaríngeo ou cânula RAM em CPAP/NAVA) em prematuros com DBP.12 prematuros extremos (idade gestacional média 24,8 semanas, peso ao nascer 550 g) receberam iNO iniciado em 20 ppm por critério clínico + ecocardiografia, sendo o desfecho principal: melhora ecocardiográfica (resolução de HP ou DVP[doença vascular pulmonar]).A resposta ecocardiográfica ocorreu em 42 % (5/12 pacientes) sendo 33% nos casos de Hipertensão pulmonar  e 67% nos casos de DVP isolada. Duração da terapia: cerca de 19 dias. Todos os paciente sobreviveram à alta. Portanto, O iNO não invasivo é viável e seguro em prematuros selecionados com DBP e HP/DVP. Aproximadamente metade dos pacientes apresenta resposta ecocardiográfica positiva. Portanto, o iNO não invasivo é viável e seguro em prematuros selecionados com DBP e HP/DVP Pode ser uma opção útil em bebês com DBP crônica que ainda não estão intubados, especialmente nos casos de DVP mais leve. Estudos prospectivos maiores são necessários para definir melhor os candidatos ideais e comparar diferentes interfaces não invasivas.

Uma Abordagem Hemodinâmica para a Hipertensão Pulmonar Crônica na Hérnia Diafragmática Congênita

Uma Abordagem Hemodinâmica para a Hipertensão Pulmonar Crônica na Hérnia Diafragmática Congênita

hemodynamicdriven approach to chronic pulmonary hypertension in congenital diaphragmatic hernia. Byrd CE, Wren JT Jr, Desiraju S, McNamara PJ.J Perinatol. 2026 Feb 23. doi: 10.1038/s41372-026-02582-4. Online ahead of print.PMID: 41731046 Review

Realizado por Paulo R. Margotto.

Apesar dos avanços no tratamento da hipertensão pulmonar (HP) aguda na hérnia diafragmática congênita (HDC), a HP crônica continua pouco estudada. O artigo propõe uma abordagem centrada na fisiologia e na avaliação hemodinâmica seriada (principalmente por ecocardiografia neonatal direcionada) para melhor compreender e tratar essa complicação. Os autores classificam a HP crônica em três fenótipos principais baseados na lei de Ohm adaptada à circulação pulmonar: a)HP MEDIADA POR RESISTÊNCIA (mais comum) causada por hipoplasia vascular + remodelamento vascular secundário a lesão pulmonar induzida por ventilador, doença pulmonar crônica e aspiração. Requer otimização ventilatória, normoxemia e, em casos selecionados, vasodilatadores pulmonares b) HP MEDIADA POR FLUXO Decorrente de excesso de fluxo sanguíneo pulmonar (shunts esquerdo-direito persistentes como canal arterial patente, uso excessivo de vasodilatadores ou prostaglandinas). Pode evoluir para remodelamento vascular e transição para o fenótipo de resistência. O tratamento foca na redução do shunt e uso de diuréticos (vasodilatadores pulmonares podem piorar) c) HP PÓS-CAPILAR (sub-reconhecido) Relacionada à hipoplasia ou disfunção diastólica do ventrículo esquerdo e/ou doença das veias pulmonares. Tratamento inclui diuréticos, controle da pressão arterial sistêmica e, em alguns casos, inibidores da ECA. Vasodilatadores pulmonares são contraindicados. Os autores destacam que os fenótipos podem se sobrepor ou transitar ao longo do tempo, reforçando a necessidade de avaliações hemodinâmicas seriadas e multiparamétricas (antes da alta e no seguimento ambulatorial).Portanto,  A HP crônica na HDC é heterogênea e multifatorial. Uma abordagem hemodinâmica precisa, em vez de tratamento baseado apenas em sintomas, é essencial para guiar a terapia adequada e melhorar os desfechos a longo prazo dessa população complexa

ÁUDIO POR IA: Uma Abordagem Hemodinâmica para a Hipertensão Pulmonar Crônica na Hérnia Diafragmática Congênita

ÁUDIO POR IA: Uma Abordagem Hemodinâmica para a Hipertensão Pulmonar Crônica na Hérnia Diafragmática Congênita

hemodynamicdriven approach to chronic pulmonary hypertension in congenital diaphragmatic hernia. Byrd CE, Wren JT Jr, Desiraju S, McNamara PJ.J Perinatol. 2026 Feb 23. doi: 10.1038/s41372-026-02582-4. Online ahead of print.PMID: 41731046 Review.

Realizado por Paulo R. Margotto.

. Apesar dos avanços no tratamento da hipertensão pulmonar (HP) aguda na hérnia diafragmática congênita (HDC), a HP crônica continua pouco estudada. O artigo propõe uma abordagem centrada na fisiologia e na avaliação hemodinâmica seriada (principalmente por ecocardiografia neonatal direcionada) para melhor compreender e tratar essa complicação. Os autores classificam a HP crônica em três fenótipos principais baseados na lei de Ohm adaptada à circulação pulmonar: a)HP MEDIADA POR RESISTÊNCIA (mais comum) causada por hipoplasia vascular + remodelamento vascular secundário a lesão pulmonar induzida por ventilador, doença pulmonar crônica e aspiração. Requer otimização ventilatória, normoxemia e, em casos selecionados, vasodilatadores pulmonares b) HP MEDIADA POR FLUXO Decorrente de excesso de fluxo sanguíneo pulmonar (shunts esquerdo-direito persistentes como canal arterial patente, uso excessivo de vasodilatadores ou prostaglandinas). Pode evoluir para remodelamento vascular e transição para o fenótipo de resistência. O tratamento foca na redução do shunt e uso de diuréticos (vasodilatadores pulmonares podem piorar) c) HP PÓS-CAPILAR (sub-reconhecido) Relacionada à hipoplasia ou disfunção diastólica do ventrículo esquerdo e/ou doença das veias pulmonares. Tratamento inclui diuréticos, controle da pressão arterial sistêmica e, em alguns casos, inibidores da ECA. Vasodilatadores pulmonares são contraindicados. Os autores destacam que os fenótipos podem se sobrepor ou transitar ao longo do tempo, reforçando a necessidade de avaliações hemodinâmicas seriadas e multiparamétricas (antes da alta e no seguimento ambulatorial).Portanto,  A HP crônica na HDC é heterogênea e multifatorial. Uma abordagem hemodinâmica precisa, em vez de tratamento baseado apenas em sintomas, é essencial para guiar a terapia adequada e melhorar os desfechos a longo prazo dessa população complexa.

APRESENTAÇÃO:Uma Abordagem Hemodinâmica para a Hipertensão Pulmonar Crônica na Hérnia Diafragmática Congênita

APRESENTAÇÃO:Uma Abordagem Hemodinâmica para a Hipertensão Pulmonar Crônica na Hérnia Diafragmática Congênita

hemodynamicdriven approach to chronic pulmonary hypertension in congenital diaphragmatic hernia. Byrd CE, Wren JT Jr, Desiraju S, McNamara PJ.J Perinatol. 2026 Feb 23. doi: 10.1038/s41372-026-02582-4. Online ahead of print.PMID: 41731046 Review.

Realizado por Paulo R. Margotto (com a IA)

Apesar dos avanços no tratamento da hipertensão pulmonar (HP) aguda na hérnia diafragmática congênita (HDC), a HP crônica continua pouco estudada. O artigo propõe uma abordagem centrada na fisiologia e na avaliação hemodinâmica seriada (principalmente por ecocardiografia neonatal direcionada) para melhor compreender e tratar essa complicação. Os autores classificam a HP crônica em três fenótipos principais baseados na lei de Ohm adaptada à circulação pulmonar: a)HP MEDIADA POR RESISTÊNCIA (mais comum) causada por hipoplasia vascular + remodelamento vascular secundário a lesão pulmonar induzida por ventilador, doença pulmonar crônica e aspiração. Requer otimização ventilatória, normoxemia e, em casos selecionados, vasodilatadores pulmonares b) HP MEDIADA POR FLUXO Decorrente de excesso de fluxo sanguíneo pulmonar (shunts esquerdo-direito persistentes como canal arterial patente, uso excessivo de vasodilatadores ou prostaglandinas). Pode evoluir para remodelamento vascular e transição para o fenótipo de resistência. O tratamento foca na redução do shunt e uso de diuréticos (vasodilatadores pulmonares podem piorar) c) HP PÓS-CAPILAR (sub-reconhecido) Relacionada à hipoplasia ou disfunção diastólica do ventrículo esquerdo e/ou doença das veias pulmonares. Tratamento inclui diuréticos, controle da pressão arterial sistêmica e, em alguns casos, inibidores da ECA. Vasodilatadores pulmonares são contraindicados. Os autores destacam que os fenótipos podem se sobrepor ou transitar ao longo do tempo, reforçando a necessidade de avaliações hemodinâmicas seriadas e multiparamétricas (antes da alta e no seguimento ambulatorial).Portanto,  A HP crônica na HDC é heterogênea e multifatorial. Uma abordagem hemodinâmica precisa, em vez de tratamento baseado apenas em sintomas, é essencial para guiar a terapia adequada e melhorar os desfechos a longo prazo dessa população complexa.

 

DISPLASIA BRONCOPULMONAR (DBP)-2026: O QUE HÁ DE NOVO

DISPLASIA BRONCOPULMONAR (DBP)-2026: O QUE HÁ DE NOVO

Apresentação: Dr. Paulo R. Margotto: Reunião da Unidade de Neonatologia do HMIB/SES/DF sob Coordenação dos Drs. Fabiano C. Gonçalves e Marta DR de Moura, em 30/3/2026.

A DBP moderna é caracterizada principalmente por parada do desenvolvimento pulmonar (diminuição da alveolarização e do desenvolvimento vascular), com pouca ou nenhuma fibrose e mínima lesão das vias aéreas. O achado mais consistente é a hipoplasia alveolar com fibrose sacular variável. Definição (NIH 2001): Necessidade de oxigênio suplementar às 36 semanas pós-menstrual (para RN < 32 semanas) ou aos 56 dias de vida (para ≥ 32 semanas).Graus:Grau 1 (Leve): O₂ suplementar sem pressão positiva,Grau 2 (Moderada): O₂ + CPAP/VNI.Grau 3 (Grave): O₂ + ventilação mecânica invasiva. Entre os principais  fatores de risco:Pré-natais:Corioamnionite (aumenta 3×),Pré-eclâmpsia (aumenta até 18×) e Múltiplos cursos de esteroide antenatal (>3 cursos aumentam risco), Pós-Natais: Pós-natais:Ventilação mecânica prolongada (principal fator evitável), Baixos níveis de hemoglobina nos primeiros 3 dias, Uso prolongado de antibióticos sem infecção comprovada, Infecções (CMV antenatal, VSR pós-natal), Alto fluxo nasal (associado a maior risco de DBP e ROP), Excesso de fluidos nas primeiras semanas. Prevenção (estratégias mais eficazes):CPAP nasal precoce e estendido (melhor evidência atual para reduzir intubação e promover crescimento alveolar), Surfactante minimamente invasivo (LISA/MIST) logo após o nascimento, Cafeína precoce (iniciar no 1º dia), Alvo de saturação de O₂: 90-95%, Ventilação extremamente gentil (volume corrente baixo, evitar hipocapnia e hiperventilação), Nutrição agressiva, especialmente proteica (leite materno preferencial) com adequado suprimento energético, Restrição hídrica cuidadosa nas primeiras semanas. Tratamento: Esteroides pós-natais: só após 7–10 dias de vida, em casos selecionados (discutir em equipe), com doses baixas e curtas (ex.: dexametasona acumulada 1,8 mg/kg em 9 dias). Nunca precocemente. Diuréticos: apenas em edema pulmonar evidente (pouca evidência rotineira). Hipertensão pulmonar associada à DBP: rastrear com ecocardiograma; tratar com oxigênio, iNO, sildenafil e/ou milrinona quando indicados. Consequências a Longo Prazo: Doença pulmonar obstrutiva crônica persistente (padrão semelhante a DPOC mesmo em adultos jovens), Maior risco de internações respiratórias, uso de oxigênio domiciliar e hipertensão pulmonar. Pior neurodesenvolvimento (menor volume cerebral, maior risco de paralisia cerebral e déficit cognitivo), Ventilação mecânica às 36 semanas é forte marcador de risco neurodesenvolvimental ruim. PRIORIZE A MOBILIDADE PROGRESSIVA PRECOCE. Mensagem Final, segundo o Prof. Dr. Eduardo Bancalari (EUA): A DBP é uma doença do desenvolvimento pulmonar. Não existe “bala de prata”. A melhor prevenção é uma abordagem multifatorial integrada. É melhor ter paciência na Sala de Parto do que lesionar o pulmão do prematuro com intubação precoce desnecessária.