Categoria: Farmacologia Neonatal

PROTOCOLO DE RETIRADA DE PSICOATIVOS: Prevenção da abstinência iatrogênica

PROTOCOLO DE RETIRADA DE PSICOATIVOS: Prevenção da abstinência iatrogênica

Priscila Guimarães, Marta David Rocha de Moura, Josileide de Castro e Paulo R. Margotto.

 

A síndrome de abstinência neonatal (SAN) refere-se ao conjunto de manifestações clínicas decorrentes da exposição fetal intrauterina a opioides ou outras substâncias psicoativas. Em contraste, a síndrome de abstinência neonatal iatrogênica (Iatrogenic Withdrawal Syndrome) ou também chamada síndrome de retirada, ocorre em recém-nascidos e crianças após uso prolongado de opioides e/ou sedativos administrados durante a internação em unidades de terapia intensiva. Esta última representa uma complicação frequente em Unidades de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN), com incidência variável conforme a população estudada e o protocolo de analgosedação utilizado. A ocorrência de abstinência iatrogênica na retirada dos opioides na pediatria varia de 0 a 100%, com literatura mais recente citando 45 a 86% na UTI pediátrica .

O objetivo desta abordagem é a padronização do desmame do opioide (fentanil) e benzodiazepínico (midazolam) e dexmetedotmedine na prevenção mais segura dos sintomas de abstinência iatrogênica, garantindo estabilidade hemodinâmica e minimizando a exposição desnecessária a medicamentos sedativos.

Tendências No Uso de Gabapentina em uma Unidade de Terapia Intensiva Neonatal de um único Centro de 2016 A 2024

Tendências No Uso de Gabapentina em uma Unidade de Terapia Intensiva Neonatal de um único Centro de 2016 A 2024

Trends in gabapentin use in a singlecenter neonatal intensive care unit from 2016-2024. Roberts AG, Foote H, Schneider S, Katakam L, Greenberg RG.J Perinatol. 2026 Apr 7. doi: 10.1038/s41372-026-02673-2. Online ahead of print.PMID: 41946932 No abstract available.

Realizado por Paulo R. Margotto

Estudo retrospectivo do Duke University Hospital analisou o uso de gabapentina em 7.915 neonatos internados na UTIN entre 2016 e 2024. Dos quais, 351 (4,4%) receberam o medicamento. Houve  umento significativo no uso: de 2,5% em 2016 para 6,4% em 2024 (aumento relativo de 156%, p < 0,001).  Uso muito maior em prematuros extremos (≤32 semanas) e em neonatos com longa internação (mediana de 125 dias vs. 9 dias). Forte associação com exposição a opioides (96%), benzodiazepínicos (84%), medicamentos para refluxo (70%) e comorbidades como enterocolite necrosante, convulsões, colocação de gastrostomia e síndrome de abstinência. Posologia (mediana): dose inicial 10 mg/kg/dia, dose final 15 mg/kg/dia e dose máxima 17 mg/kg/dia, administrada 1 a 4 vezes ao dia. A maioria dos lactentes recebeu gabapentina próximo à alta, sugerindo continuidade ambulatorial. Apesar do uso crescente, ainda faltam dados prospectivos de segurança, eficácia e posologia padronizada em neonatos. O estudo reforça a necessidade de pesquisas adicionais para definir melhores práticas.

Uso da Gabapentina no Tratamento de Resistência Alimentar, Dor e Irritabilidade em Lactentes e Crianças

Uso da Gabapentina no Tratamento de Resistência Alimentar, Dor e Irritabilidade em Lactentes e Crianças

Marta David Rocha de Moura.

 

A gabapentina (GB) tem se mostrado uma opção eficaz e relativamente segura para o tratamento de resistência alimentar, dor neuropática e irritabilidade crônica em lactentes e crianças, especialmente naqueles com deficiência neurológica grave (DNG). As Principais indicações e benefícios são: Resistência alimentar: Aumenta significativamente o volume de fórmula consumida e o número de sessões de amamentação eficaz (evidência de ensaio clínico randomizado). Dor e irritabilidade: Reduz escores de dor e agitação, inclusive em casos de hiperalgesia visceral e dor de origem desconhecida. Vantagem adicional: Permite reduzir ou desmamar sedativos e analgésicos mais potentes (opioides e benzodiazepínicos).Mecanismo de ação: Liga-se à subunidade α2-δ dos canais de cálcio, inibindo a liberação de neurotransmissores excitatórios, com bom efeito na dor crônica e nociplástica. Dosagem recomendada (início lento – “start low, go slow”): Início: 5 mg/kg/dose à noite. Titulação gradual até 15 mg/kg/dia (dividido em 3 doses). Dose máxima: 30–60 mg/kg/dia, dependendo do peso. Desmame lento para evitar abstinência. Segurança: Geralmente bem tolerada. Efeitos adversos são leves e infrequentes (sonolência, nystagmus, bradicardia leve). Ajustar dose em insuficiência renal. Monitorar quando associada a opioides. Limitações da evidência:A maioria dos dados é de estudos retrospectivos, observacionais e relatos de casos. Faltam ensaios clínicos randomizados prospectivos, especialmente em neonatos. O uso é majoritariamente off-label. Em conclusão, a gabapentina é uma ferramenta valiosa para melhorar a alimentação, reduzir dor/irritabilidade e otimizar o manejo farmacológico em lactentes com dificuldade neurológica complexa, mas protocolos padronizados e mais estudos de alta qualidade são necessários.

Uso da Gabapentina na Unidade de Terapia Intensiva Neonatal e Além: Relato de Centro Único de 104 casos

Uso da Gabapentina na Unidade de Terapia Intensiva Neonatal e Além: Relato de Centro Único de 104 casos

Gabapentin use in the neonatal intensive care unit and beyond: Single center report of 104 cases. M. Elliotta,*, K. Fairchilda, J. Burnseda, S. Zanellia, K. Heinanb, H.P. Goodkinb, K. Frazierc e L. Letzkusc L.J Neonatal Perinatal Med. 2023;16(4):717-723. doi: 10.3233/NPM-230015.PMID: 38143379 .

Realizado por Paulo R. Margotto.

Este estudo retrospectivo descreve a experiência de um único centro (Universidade da Virgínia, EUA) com o uso de gabapentina em 104 lactentes internados na UTIN entre 2015 e 2021. A maioria dos pacientes era prematura (idade gestacional mediana de 29,5 semanas) e apresentava múltiplas comorbidades, especialmente displasia broncopulmonar (63%) e alterações neurológicas (55%). A principal indicação para o uso de gabapentina foi irritabilidade grave/refratária (86% dos casos). A medicação foi iniciada em média com 41 semanas de idade pós-menstrual, com dose inicial habitual de 5 mg/kg/dia, titulada até uma dose máxima mediana de 25 mg/kg/dia (máximo 35 mg/kg/dia). A gabapentina foi geralmente bem tolerada, com poucos efeitos colaterais (sedação excessiva em 8% e nistagmo em 2 casos), que melhoraram com redução da dose. Dos 90 lactentes que receberam alta da UTIN, 84% saíram de hospital ainda em uso de gabapentina (dose mediana 20 mg/kg/dia). A maioria necessitava de equipamentos domiciliares (sonda de alimentação e/ou suporte respiratório). No acompanhamento ambulatorial, observou-se alto índice de atrasos do desenvolvimento: 93% apresentavam atraso em pelo menos um domínio na primeira consulta e 66% tinham diagnóstico de atraso global do desenvolvimento aos 2 anos de idade corrigida. O desmame da gabapentina foi iniciado, em média, por volta dos 6 meses de idade corrigida, sem efeitos adversos relatados.Portanto,  a gabapentina tem sido utilizada com frequência crescente na UTIN, principalmente para irritabilidade refratária em lactentes clinicamente complexos. Ela parece ser bem tolerada e frequentemente mantida após a alta, mas os pacientes dessa população apresentam alto risco de atrasos neurodesenvolvimentais e necessitam de acompanhamento rigoroso.

Tratamento da Hipotensão da Prematuridade: Um Ensaio Randomizado

Tratamento da Hipotensão da Prematuridade: Um Ensaio Randomizado

Treatment of Hypotension of Prematurity: a randomised trial.Alderliesten T, Arasteh E, van Alphen A, Groenendaal F, Dudink J, Benders MJ, van Bel F, Lemmers P.Arch Dis Child Fetal Neonatal Ed. 2025 Dec 15;111(1):F60-F66. doi: 10.1136/archdischild-2024-328253.PMID: 40413017 Clinical Trial.Departamento de Neonatologia, University Medical Center Utrecht, Wilhelmina Children’s Hospital, Utrecht, Holanda. Correspondência para Dr. Thomas Alderliesten; t.alderliesten-2@umcutrecht.nl

Realizado por Paulo R. Margotto.

Objetivo: Comparar o tratamento padrão (TP) da hipotensão idiopática em prematuros <30 semanas (iniciar tratamento quando PAM < idade gestacional em semanas) versus abordagem de hipotensão permissiva (HP), que inicia tratamento apenas quando há sinais de baixa perfusão (rScO₂ ≤50%, oligúria, enchimento capilar >3s, lactato >6 mmol/L ou PAM 5 mmHg abaixo da IG). Trata-se de um ensaio randomizado (86 bebês incluídos – 57% do previsto). Avaliação neurodesenvolvimental aos 24 meses (Bayley III). Não houve diferença significativa no neurodesenvolvimento cognitivo ou motor aos 2 anos. Risco de morte e resultado adverso composto (morte ou Bayley <85) foram comparáveis entre os grupos. No grupo hipotensão permissiva (HP):Menor uso de inotrópicos (15% vs 42,5%), Menor duração do suporte inotrópico (17h vs 48h), Pressões arteriais médias semelhantes aos do grupo padrão. Os autores concluem que uma abordagem mais individualizada e permissiva (baseada em sinais de perfusão, e não apenas na PAM) é viável e segura nos primeiros 3 dias de vida em prematuros sem sepse. Reduz significativamente o uso de inotrópicos sem piorar mortalidade ou neurodesenvolvimento (embora o estudo tenha ficado subpotencializado). Mensagem prática: PAM baixa isolada não deve ser tratada automaticamente. Integrar parâmetros de perfusão (oxigenação cerebral por NIRS, lactato, diurese, enchimento capilar) permite tratar menos com inotrópicos sem aparente prejuízo.

Tratamento Farmacológico da Hipotensão em Recém-Nascidos Muito Prematuros: Revisão Sistemática e Metanálise de Ensaios Clínicos Randomizados Controlados

Tratamento Farmacológico da Hipotensão em Recém-Nascidos Muito Prematuros: Revisão Sistemática e Metanálise de Ensaios Clínicos Randomizados Controlados


Pharmacological Hypotensive Treatment in Very Preterm NewbornsSystematic Review and MetaAnalysis of Randomised Controlled Trials
Boscarino G, Conti MG, Esposito S, Terrin G.Acta Paediatr. 2026 Mar;115(3):536-553. doi: 10.1111/apa.70411. Epub 2025 Dec 6.PMID: 41353557 Review.Itália.                             Correspondência: Gianluca Terrin (gianluca.terrin@uniroma1.it). Apresentado por Laissa, (R3 de Neonatologia do Hospital Santa Lúcia Sul), sob Coordenação de Paulo R. Margotto

Revisão sistemática + metanálise de 12 ECRs (n=539) sobre tratamento farmacológico da hipotensão em recém-nascidos muito prematuros (≤30 semanas ou MBPN). A Dopamina e hidrocortisona aumentaram a chance de resolução da hipotensão vs. placebo (OR 4,53 e 9,31, respectivamente), mas evidência é limitada e heterogênea.Nenhuma intervenção reduziu mortalidade nem melhorou desfechos neurológicos de longo prazo.Riscos aumentados:Dopamina → maior risco de hemorragia intraventricular / leucomalácia periventricular (OR 3,47) e Hidrocortisona e epinefrina → maior risco de hiperglicemia.Não houve diferenças significativas em enterocolite necrosante, displasia broncopulmonar, retinopatia, mortalidade ou desfecho neurológico tardio entre os fármacos comparados (dopamina vs. dobutamina, epinefrina, vasopressina, etc.).Portanto: Dopamina e hidrocortisona podem elevar a pressão arterial em prematuros hipotensos, mas sem benefício em sobrevida ou neurodesenvolvimento, e com riscos importantes (HIV/LPV com dopamina; hiperglicemia com hidrocortisona/epinefrina). Evidência de baixa qualidade; faltam estudos robustos em subpopulações específicas.

Infecções Neonatais e Resistência Bacteriana em UTI: Desafios Terapêuticos e Estratégias de Prevenção

Infecções Neonatais e Resistência Bacteriana em UTI: Desafios Terapêuticos e Estratégias de Prevenção

Roseli Calil. 1º Fórum de Neonatologia do Conselho Federal de Medicina (Desafios e Ética na Assistência Neonatal), em 30 de janeiro de 2026

Realizado por Paulo R. Margotto.

O foco central é a necessidade urgente de implementar Programas de Gerenciamento de Antimicrobianos (PGA) e práticas de prevenção para reduzir a morbimortalidade e os danos causados pelo uso excessivo de antibióticos. A resistência bacteriana é um “cenário assustador”. Impacto do uso inadequado de antibióticos: sepse tardia, enterocolite necrosante, resistência bacteriana, morte! Fator de Risco para a sepse NÃO E DOENÇA! Reavalie entre 36 e 48 horas a necessidade de continuidade desse tratamento. A HEMOCULTURA É O PADRÃO OURO!!! Se não cresceu até 48 horas, o que crescer depois é contaminação! Para Sepse Tardia, oxacilina+ aminoglicosídeo e NÃO vancomicina+ aminoglicosídeo. EVITE PIPERACILINA + TAZOBACTAM (PIPETAZO): indutor de resistência para quadros graves e sem penetração no SNC! A Dra. Roseli conclui que estratégias de longo prazo, baseadas em educação e adesão da equipe, funcionam para controlar a resistência microbiana, reforçando que “o tempo da ação é agora”.

Avaliação do Choque Séptico e Hipovolemia

Avaliação do Choque Séptico e Hipovolemia

Palestra realizada por Lauren Rouss (EUA) no 27º Congresso de Perinatologia, Rio de Janeiro, 2o-22/11/2025).

Realizado por Paulo R. Margotto.

Pressão arterial (PA) isolada não é suficiente: Ter uma pressão arterial normal não garante uma perfusão tecidual adequada. É possível ter PA normal com débito cardíaco baixo e hipoperfusão (ex: lactato subindo, enchimento capilar lento).Como definir choque: é um estado de lesão celular onde a oferta de oxigênio não supre a demanda. A definição fisiológica não inclui necessariamente hipotensão em estágios iniciais. Importância da pressão diastólica: A PA diastólica baixa geralmente indica choque vasodilatatório ou shunts (como canal arterial patente).Agora, se  a Sistólica cai, deve-se pensar em comprometimento do débito cardíaco. Devemos abandonar os termos antigos: A classificação de “choque quente” versus “choque frio” é considerada ultrapassada e simplista. A classificação atual: Baseia-se no estado hemodinâmico real visualizado pelo ecocardiograma:    ◦ Choque de Baixo Débito Cardíaco (coração fraco/lento).    ◦ Choque de Alto Débito Cardíaco (hiperdinâmico, típico de sepse precoce).O uso do ultrassom à beira leito é fundamental para guiar a terapia e evitar diagnósticos errados:a avaliação  cardíaca permite avaliar contratilidade (função), volume (enchimento das câmaras) e presença de derrames ou shunts. A avaliação Pulmonar pelo  ultrassom pulmonar guia a reposição volêmica. A transição de Linhas A (pulmão seco) para Linhas B (edema intersticial) indica o momento de parar a expansão volêmica para evitar sobrecarga hídrica. Cuidado na avaliação da  veia cava inferior (VCI): Uma VCI pequena e colapsável nem sempre é hipovolemia. Em casos de hipertensão pulmonar grave, a VCI pode estar colabada devido à dificuldade de retorno venoso. Dar volume nesses casos pode ser fatal (colapso do ventrículo direito-VD). Sempre correlacionar com o ultrassom pulmonar (se estiver seco) e cardíaco. Quanto ao manejo de fluidos, há preferência pelo uso de Ringer Lactato (o uso excessivo de SF 0,9% está associado a acidose hiperclorêmica e lesão renal. Cuidado: A ressuscitação volêmica excessiva é prejudicial. Quanto aos vasopressores, uma mudança de paradigma: Fim da Era “Dopamina para Todos” (segundo o Dr. Audrey Hébert: chegou a hora de terminar esse namoro da Neonatologia  com a dopamina) Existe um forte movimento para abandonar a Dopamina como droga padrão (primeira linha) na neonatologia, especialmente em prematuros. E o motivo é que a dopamina aumenta a resistência vascular pulmonar (prejudicial na hipertensão pulmonar) e muitas vezes não melhora o desfecho clínico.Escolha a droga baseada na fisiologia:    ◦ choque vasodilatatório/séptico: considerar noradrenalina ou vasopressina. A vasopressina tem ganhado destaque, preservando a função renal e evitando ECMO em alguns casos, mas exige monitoramento do sódio (risco de hiponatremia, embora atue como natriurético).Na  disfunção  miocárdica/contratilidade dê preferência por dobutamina ou epinefrina (em doses adequadas).Na hipertensão pulmonar evitar dopamina. Focar na redução da resistência vascular pulmonar e suporte ao ventrículo direito. Não trate apenas números no monitor. A terapia deve ser guiada pela fisiologia individual do bebê (usando ecocardiografia funcional/pulmão e abdômen [POCUS]). Se uma droga não está funcionando, investigar a causa e mudar a estratégia em vez de apenas aumentar a dose indefinidamente.

LINKTREE da Unidade de Neonatologia do HMIB/SES/DF: Avaliação do Choque Séptico e Hipovolemia

LINKTREE da Unidade de Neonatologia do HMIB/SES/DF: Avaliação do Choque Séptico e Hipovolemia

Palestra realizada por Lauren Rouss (EUA) no 27º Congresso de Perinatologia, Rio de Janeiro, 20-22/11/2025)

Realizado por Paulo R. Margotto.

Linktree   realizado por Fabiano Cunha Gonçalves

Pressão arterial (PA) isolada não é suficiente: Ter uma pressão arterial normal não garante uma perfusão tecidual adequada. É possível ter PA normal com débito cardíaco baixo e hipoperfusão (ex: lactato subindo, enchimento capilar lento).Como definir choque: é um estado de lesão celular onde a oferta de oxigênio não supre a demanda. A definição fisiológica não inclui necessariamente hipotensão em estágios iniciais. Importância da pressão diastólica: A PA diastólica baixa geralmente indica choque vasodilatatório ou shunts (como canal arterial patente).Agora, se  a Sistólica cai, deve-se pensar em comprometimento do débito cardíaco. Devemos abandonar os termos antigos: A classificação de “choque quente” versus “choque frio” é considerada ultrapassada e simplista. A classificação atual: Baseia-se no estado hemodinâmico real visualizado pelo ecocardiograma:    ◦ Choque de Baixo Débito Cardíaco (coração fraco/lento).    ◦ Choque de Alto Débito Cardíaco (hiperdinâmico, típico de sepse precoce).O uso do ultrassom à beira leito é fundamental para guiar a terapia e evitar diagnósticos errados:a avaliação  cardíaca permite avaliar contratilidade (função), volume (enchimento das câmaras) e presença de derrames ou shunts. A avaliação Pulmonar pelo  ultrassom pulmonar guia a reposição volêmica. A transição de Linhas A (pulmão seco) para Linhas B (edema intersticial) indica o momento de parar a expansão volêmica para evitar sobrecarga hídrica. Cuidado na avaliação da  veia cava inferior (VCI): Uma VCI pequena e colapsável nem sempre é hipovolemia. Em casos de hipertensão pulmonar grave, a VCI pode estar colabada devido à dificuldade de retorno venoso. Dar volume nesses casos pode ser fatal (colapso do ventrículo direito-VD). Sempre correlacionar com o ultrassom pulmonar (se estiver seco) e cardíaco. Quanto ao manejo de fluidos, há preferência pelo uso de Ringer Lactato (o uso excessivo de SF 0,9% está associado a acidose hiperclorêmica e lesão renal. Cuidado: A ressuscitação volêmica excessiva é prejudicial. Quanto aos vasopressores, uma mudança de paradigma: Fim da Era “Dopamina para Todos” (segundo o Dr. Audrey Hébert: chegou a hora de terminar esse namoro da Neonatologia  com a dopamina) Existe um forte movimento para abandonar a Dopamina como droga padrão (primeira linha) na neonatologia, especialmente em prematuros. E o motivo é que a dopamina aumenta a resistência vascular pulmonar (prejudicial na hipertensão pulmonar) e muitas vezes não melhora o desfecho clínico.Escolha a droga baseada na fisiologia:    ◦ choque vasodilatatório/séptico: considerar noradrenalina ou vasopressina. A vasopressina tem ganhado destaque, preservando a função renal e evitando ECMO em alguns casos, mas exige monitoramento do sódio (risco de hiponatremia, embora atue como natriurético).Na  disfunção  miocárdica/contratilidade dê preferência por dobutamina ou epinefrina (em doses adequadas).Na hipertensão pulmonar evitar dopamina. Focar na redução da resistência vascular pulmonar e suporte ao ventrículo direito. Não trate apenas números no monitor. A terapia deve ser guiada pela fisiologia individual do bebê (usando ecocardiografia funcional/pulmão e abdômen [POCUS]). Se uma droga não está funcionando, investigar a causa e mudar a estratégia em vez de apenas aumentar a dose indefinidamente.

ÁUDIO POR IA: Avaliação do choque séptico e hipovolemia

ÁUDIO POR IA: Avaliação do choque séptico e hipovolemia

Palestra realizada por Lauren Rouss (EUA) no 27º Congresso de Perinatologia, Rio de Janeiro, 2-22/11/2025).

Realizado por Paulo R. Margotto.

Pressão arterial (PA) isolada não é suficiente: Ter uma pressão arterial normal não garante uma perfusão tecidual adequada. É possível ter PA normal com débito cardíaco baixo e hipoperfusão (ex: lactato subindo, enchimento capilar lento).Como definir choque: é um estado de lesão celular onde a oferta de oxigênio não supre a demanda. A definição fisiológica não inclui necessariamente hipotensão em estágios iniciais. Importância da pressão diastólica: A PA diastólica baixa geralmente indica choque vasodilatatório ou shunts (como canal arterial patente).Agora, se  a Sistólica cai, deve-se pensar em comprometimento do débito cardíaco. Devemos abandonar os termos antigos: A classificação de “choque quente” versus “choque frio” é considerada ultrapassada e simplista. A classificação atual: Baseia-se no estado hemodinâmico real visualizado pelo ecocardiograma:    ◦ Choque de Baixo Débito Cardíaco (coração fraco/lento).    ◦ Choque de Alto Débito Cardíaco (hiperdinâmico, típico de sepse precoce).O uso do ultrassom à beira leito é fundamental para guiar a terapia e evitar diagnósticos errados:a avaliação  cardíaca permite avaliar contratilidade (função), volume (enchimento das câmaras) e presença de derrames ou shunts. A avaliação Pulmonar pelo  ultrassom pulmonar guia a reposição volêmica. A transição de Linhas A (pulmão seco) para Linhas B (edema intersticial) indica o momento de parar a expansão volêmica para evitar sobrecarga hídrica. Cuidado na avaliação da  veia cava inferior (VCI): Uma VCI pequena e colapsável nem sempre é hipovolemia. Em casos de hipertensão pulmonar grave, a VCI pode estar colabada devido à dificuldade de retorno venoso. Dar volume nesses casos pode ser fatal (colapso do ventrículo direito-VD). Sempre correlacionar com o ultrassom pulmonar (se estiver seco) e cardíaco. Quanto ao manejo de fluidos, há preferência pelo uso de Ringer Lactato (o uso excessivo de SF 0,9% está associado a acidose hiperclorêmica e lesão renal. Cuidado: A ressuscitação volêmica excessiva é prejudicial. Quanto aos vasopressores, uma mudança de paradigma: Fim da Era “Dopamina para Todos” (segundo o Dr. Audrey Hébert: chegou a hora de terminar esse namoro da Neonatologia  com a dopamina) Existe um forte movimento para abandonar a Dopamina como droga padrão (primeira linha) na neonatologia, especialmente em prematuros. E o motivo é que a dopamina aumenta a resistência vascular pulmonar (prejudicial na hipertensão pulmonar) e muitas vezes não melhora o desfecho clínico. Escolha a droga baseada na fisiologia:    ◦ choque vasodilatatório/séptico: considerar noradrenalina ou vasopressina. A vasopressina tem ganhado destaque, preservando a função renal e evitando ECMO em alguns casos, mas exige monitoramento do sódio (risco de hiponatremia, embora atue como natriurético).Na  disfunção  miocárdica/contratilidade dê preferência por dobutamina ou epinefrina (em doses adequadas).Na hipertensão pulmonar evitar dopamina. Focar na redução da resistência vascular pulmonar e suporte ao ventrículo direito. Não trate apenas números no monitor. A terapia deve ser guiada pela fisiologia individual do bebê (usando ecocardiografia funcional/pulmão e abdômen [POCUS]). Se uma droga não está funcionando, investigar a causa e mudar a estratégia em vez de apenas aumentar a dose indefinidamente.