Mês: agosto 2026

ÁUDIO POR IA: Fatores associados a resultados anormais no rastreio de transtorno do espectro autista em crianças extremamente prematuras.

ÁUDIO POR IA: Fatores associados a resultados anormais no rastreio de transtorno do espectro autista em crianças extremamente prematuras.

Factors associated with abnormal screening for autism spectrum disorder among Extremely Preterm ChildrenPeralta-Carcelen M, Hintz SR, Bann CM, Higgins RD, Duncan AF, Vohr BR; SUPPORT Study Group of the Eunice Kennedy Shriver National Institute of Child Health and Human Development Neonatal Research Network.J Perinatol. 2026 Jul 15. doi: 10.1038/s41372-026-02693-y. Online ahead of print.

Realizado por Paulo R. Margotto.

O estudo avaliou 380 crianças extremamente prematuras (nascidas com menos de 28 semanas de gestação) aos 6-7 anos de idade para investigar a presença de resultados positivos na triagem de Transtorno do Espectro Autista (TEA), utilizando o Questionário de Comunicação Social (SCQ com ponto de corte ≥ 15). Os pontos-chaves e resultados essenciais do estudo são: Alta Prevalência: 14% das crianças apresentaram triagem positiva para TEA aos 6-7 anos. Essa taxa é muito superior aos cerca de 2,76% estimados para a população infantil geral. Fatores de Risco Neonatais e Demográficos: O risco de um resultado positivo na triagem foi significativamente maior em: Crianças do sexo masculino, que apresentaram quase o dobro de chance em comparação às meninas; Bebês com menor peso ao nascer e menor idade gestacional (nascidos com 26-27 semanas tiveram um risco 25% menor do que os nascidos com 24-25 semanas); Presença de retinopatia da prematuridade (ROP) grave. Fortes Preditores Precoces (aos 18–22 meses): O desempenho do bebê nessa idade corrigida mostrou-se altamente preditivo para o TEA na idade escolar:atrasos cognitivos e de linguagem (uma pontuação de linguagem inferior a 70 na escala Bayley-III aumentou o risco de triagem positiva para TEA em mais de 5 a 6 vezes);comprometimento motor ou sensorial: A presença de deficiências sensoriais (como cegueira ou surdez) ou motoras elevou o risco em mais de 5 vezes; competência socioemocional atípica: baixa competência social e maiores problemas de comportamento (avaliados pela escala BITSEA) correlacionaram-se fortemente com a triagem positiva no futuro. Houve uma independência da Neuroimagem Neonatal: Curiosamente, não foram encontradas diferenças significativas nos achados de ultrassonografia craniana convencional ou de ressonância magnética cerebral realizadas no período neonatal entre as crianças que pontuaram positivo ou negativo para TEA. Isso indica que lesões cerebrais macroscópicas detectadas logo após o nascimento não são os principais preditores de risco. Conclusão Clínica: Crianças extremamente prematuras formam uma população de extrema vulnerabilidade para TEA. É fundamental realizar um acompanhamento clínico estruturado e precoce focado não apenas nas habilidades motoras, mas prioritariamente no desenvolvimento socioemocional, cognitivo e de linguagem para viabilizar intervenções terapêuticas oportunas.

APRESENTAÇÃO: Fatores associados a resultados anormais no rastreio de transtorno do espectro autista em crianças extremamente prematuras.

APRESENTAÇÃO: Fatores associados a resultados anormais no rastreio de transtorno do espectro autista em crianças extremamente prematuras.

Factors associated with abnormal screening for autism spectrum disorder among Extremely Preterm ChildrenPeralta-Carcelen M, Hintz SR, Bann CM, Higgins RD, Duncan AF, Vohr BR; SUPPORT Study Group of the Eunice Kennedy Shriver National Institute of Child Health and Human Development Neonatal Research Network.J Perinatol. 2026 Jul 15. doi: 10.1038/s41372-026-02693-y. Online ahead of print.

Apresentação: Jennefer Kellner (Residente do 4ª Ano na UTI Neonatal do Hospital Santa Lúcia Sul. Coordenação: Paulo R. Margotto

O estudo avaliou 380 crianças extremamente prematuras (nascidas com menos de 28 semanas de gestação) aos 6-7 anos de idade para investigar a presença de resultados positivos na triagem de Transtorno do Espectro Autista (TEA), utilizando o Questionário de Comunicação Social (SCQ com ponto de corte ≥ 15). Os pontos-chaves e resultados essenciais do estudo são: Alta Prevalência: 14% das crianças apresentaram triagem positiva para TEA aos 6-7 anos. Essa taxa é muito superior aos cerca de 2,76% estimados para a população infantil geral. Fatores de Risco Neonatais e Demográficos: O risco de um resultado positivo na triagem foi significativamente maior em: Crianças do sexo masculino, que apresentaram quase o dobro de chance em comparação às meninas; Bebês com menor peso ao nascer e menor idade gestacional (nascidos com 26-27 semanas tiveram um risco 25% menor do que os nascidos com 24-25 semanas); Presença de retinopatia da prematuridade (ROP) grave. Fortes Preditores Precoces (aos 18–22 meses): O desempenho do bebê nessa idade corrigida mostrou-se altamente preditivo para o TEA na idade escolar:atrasos cognitivos e de linguagem (uma pontuação de linguagem inferior a 70 na escala Bayley-III aumentou o risco de triagem positiva para TEA em mais de 5 a 6 vezes);comprometimento motor ou sensorial: A presença de deficiências sensoriais (como cegueira ou surdez) ou motoras elevou o risco em mais de 5 vezes; competência socioemocional atípica: baixa competência social e maiores problemas de comportamento (avaliados pela escala BITSEA) correlacionaram-se fortemente com a triagem positiva no futuro. Houve uma independência da Neuroimagem Neonatal: Curiosamente, não foram encontradas diferenças significativas nos achados de ultrassonografia craniana convencional ou de ressonância magnética cerebral realizadas no período neonatal entre as crianças que pontuaram positivo ou negativo para TEA. Isso indica que lesões cerebrais macroscópicas detectadas logo após o nascimento não são os principais preditores de risco. Conclusão Clínica: Crianças extremamente prematuras formam uma população de extrema vulnerabilidade para TEA. É fundamental realizar um acompanhamento clínico estruturado e precoce focado não apenas nas habilidades motoras, mas prioritariamente no desenvolvimento socioemocional, cognitivo e de linguagem para viabilizar intervenções terapêuticas oportunas.

Fatores associados a resultados anormais no rastreio de Transtorno do Espectro Autista em Crianças Extremamente Prematuras

Fatores associados a resultados anormais no rastreio de Transtorno do Espectro Autista em Crianças Extremamente Prematuras

Factors associated with abnormal screening for autism spectrum disorder among Extremely Preterm ChildrenPeralta-Carcelen M, Hintz SR, Bann CM, Higgins RD, Duncan AF, Vohr BR; SUPPORT Study Group of the Eunice Kennedy Shriver National Institute of Child Health and Human Development Neonatal Research Network.J Perinatol. 2026 Jul 15. doi: 10.1038/s41372-026-02693-y. Online ahead of print.

Realizado por Paulo R. Margotto.

 

O estudo avaliou 380 crianças extremamente prematuras (nascidas com menos de 28 semanas de gestação) aos 6-7 anos de idade para investigar a presença de resultados positivos na triagem de Transtorno do Espectro Autista (TEA), utilizando o Questionário de Comunicação Social (SCQ com ponto de corte ≥ 15). Os pontos-chaves e resultados essenciais do estudo são: Alta Prevalência: 14% das crianças apresentaram triagem positiva para TEA aos 6-7 anos. Essa taxa é muito superior aos cerca de 2,76% estimados para a população infantil geral. Fatores de Risco Neonatais e Demográficos: O risco de um resultado positivo na triagem foi significativamente maior em: Crianças do sexo masculino, que apresentaram quase o dobro de chance em comparação às meninas; Bebês com menor peso ao nascer e menor idade gestacional (nascidos com 26-27 semanas tiveram um risco 25% menor do que os nascidos com 24-25 semanas); Presença de retinopatia da prematuridade (ROP) grave. Fortes Preditores Precoces (aos 18–22 meses): O desempenho do bebê nessa idade corrigida mostrou-se altamente preditivo para o TEA na idade escolar:atrasos cognitivos e de linguagem (uma pontuação de linguagem inferior a 70 na escala Bayley-III aumentou o risco de triagem positiva para TEA em mais de 5 a 6 vezes);comprometimento motor ou sensorial: A presença de deficiências sensoriais (como cegueira ou surdez) ou motoras elevou o risco em mais de 5 vezes; competência socioemocional atípica: baixa competência social e maiores problemas de comportamento (avaliados pela escala BITSEA) correlacionaram-se fortemente com a triagem positiva no futuro. Houve uma independência da Neuroimagem Neonatal: Curiosamente, não foram encontradas diferenças significativas nos achados de ultrassonografia craniana convencional ou de ressonância magnética cerebral realizadas no período neonatal entre as crianças que pontuaram positivo ou negativo para TEA. Isso indica que lesões cerebrais macroscópicas detectadas logo após o nascimento não são os principais preditores de risco. Conclusão Clínica: Crianças extremamente prematuras formam uma população de extrema vulnerabilidade para TEA. É fundamental realizar um acompanhamento clínico estruturado e precoce focado não apenas nas habilidades motoras, mas prioritariamente no desenvolvimento socioemocional, cognitivo e de linguagem para viabilizar intervenções terapêuticas oportunas.

O contato pele a pele precoce melhorou os comportamentos alimentares e estabilizou a transição térmica em neonatos nascidos por cesariana

O contato pele a pele precoce melhorou os comportamentos alimentares e estabilizou a transição térmica em neonatos nascidos por cesariana

Early SkinToSkin Contact Enhanced Feeding Behaviours and Stabilised Thermal Transition in Neonates Born by Caesarean. Chen T, Liu X, Kong X, Zhu W, Wang Y, Liu H, Xing L.A. cta Paediatr. 2026 Jun;115(6):1245-1251. doi: 10.1111/apa.70478. Epub 2026 Feb 22.PMID: 41725074 . Clinical Trial.

Realizado por Paulo R. Margotto.

Benefícios do contato pele e pele na Cesariana  Eletiva (Recém-Nascidos a Termo):Prontidão Alimentar: reduz significativamente o tempo (latência) para o recém-nascido demonstrar comportamentos como buscar o seio, morder os lábios e chupar os dedos na primeira hora de vida; Estabilidade Fisiológica: Mantém a temperatura corporal central do bebê mais alta e atenua a perda de peso fisiológica nos primeiros dias pós-parto;Nutrição e Metabolismo: Promove maior frequência diária de amamentação e reduz os níveis de icterícia (bilirrubina transcutânea) aferidos no 3º dia de vida. Assim, o  CPP imediato consolida-se como uma intervenção de baixo custo e alto impacto, facilitando a adaptação extrauterina de bebês saudáveis e oferecendo proteção neurológica e imunológica a prematuros vulneráveis. Em Nota do Editor da página neonatal (www.paulomargotto.com.br): com relação aos prematuros (< 28 e < 32 semanas): ausência de danos: a aplicação do CPP precoce (iniciado nos dias 0 e/ou 1 de vida) é extremamente segura e não eleva as taxas de complicações clínicas graves e tem efeito protetor: associa-se a uma menor ocorrência de hemorragia intraventricular (HIV) e menor incidência de sepse neonatal. Esse último benefício provavelmente decorre da colonização bacteriana precoce por cepas protetoras dos próprios pais em detrimento da flora hospitalar.

Persistência do canal arterial patente (PCA) e desfechos no desenvolvimento neurológico: uma abordagem terapêutica restritiva não compromete o desenvolvimento neurológico

Persistência do canal arterial patente (PCA) e desfechos no desenvolvimento neurológico: uma abordagem terapêutica restritiva não compromete o desenvolvimento neurológico

Patent Ductus Arteriosus Persistence and Neurodevelopmental Outcomes: A Restrictive Treatment Approach Does Not Compromise Neurological Development. Kallenberger M, Bartling A, Hüning B, Dewan MV, Bialas J, Middendorf L, Dathe AK, Felderhoff-Müser U, Stein A. Acta Paediatr. 2026 Jul;115(7):1461-1466. doi: 10.1111/apa.70511. Epub 2026 Mar 20.PMID: 41860109. Alemanha.

Realizado por Paulo R. Margotto.

Entre os pontos mais essenciais do estudo destacamos: Abordagem Conservadora é Segura: o manejo restritivo/conservador da PCA em prematuros com idade gestacional ≤ 32 semanas não compromete o desenvolvimento neurológico (cognitivo, motor ou de linguagem) aos 2 anos de idade corrigida.Determinantes Reais do Neurodesenvolvimento: O futuro neurológico dessas crianças é determinado fundamentalmente pela idade gestacional ao nascer e pelas comorbidades associadas (como a displasia broncopulmonar), e não pelo tempo de duração da PCA. Alterações de Exame sem Repercussão Clínica: embora o canal aberto tenha associação estatística com um diâmetro transcerebelar menor e com micro-hemorragias cerebrais leves (HIV ≤ II) na ressonância magnética, esses achados são subclínicos e não geram prejuízos funcionais aos 2 anos.Perigos do Tratamento Farmacológico Ativo: dados de um grande ensaio clínico randomizado revelaram que tentar fechar o canal com medicamentos em prematuros extremos dobrou a taxa de mortalidade (9,6% no grupo tratado ativamente vs. 4,1% na conduta expectante de “esperar para ver”) e aumentou significativamente o risco de infecções fatais (3,8% vs. 0,8%). A conduta expectante (conservadora) consolida-se, portanto, como a estratégia mais segura para o manejo da PCA em prematuros.

Líquido Balanceado ou Solução Salina 0,9% em Crianças Tratadas para Choque Séptico

Líquido Balanceado ou Solução Salina 0,9% em Crianças Tratadas para Choque Séptico

Balanced Fluid or 0.9Saline in Children Treated for Septic Shock. Balamuth F et al;PRoMPT BOLUS Investigators of the PECARN, PERC, and PREDICT Networks. N Engl J Med. 2026 Apr 24 :10.1056/NEJMoa2601969

Apresentação: Gabriela Fonseca Marçal. Coordenação: Alexandre Serafim

 

O estudo PRoMPT BOLUS (2026) avaliou o uso de cristaloides balanceados (como Ringer Lactato ou Plasma-Lyte) em comparação à solução salina (SF) 0,9% na ressuscitação e manutenção de crianças com choque séptico. Os pontos-chaves e resultados essenciais do estudo são: Sem Diferença no Desfecho Primário: O desfecho composto por morte, necessidade de diálise ou disfunção renal persistente em 30 dias ocorreu em 3,4% no grupo de fluidos balanceados e em 3,0% no grupo de SF 0,9%. Essa diferença não foi estatisticamente significativa (p = 0,85).Desfechos Secundários Semelhantes: Não foram observadas diferenças clínicas entre os grupos quanto à mortalidade geral (antes da alta ou aos 90 dias), tempo de internação ou dias livres de hospital. Melhora Bioquímica sem Impacto Clínico: o uso de fluidos balanceados conseguiu reduzir efetivamente a ocorrência de hipercloremia e hipernatremia. No entanto, essa melhora nos parâmetros laboratoriais não se traduziu em benefícios reais centrados no paciente (como menor mortalidade ou menor taxa de lesão renal aguda).Em relação aos neonatos (da Nota do Editor da página neonatal www.paulomargotto.com.br): Diferente da pediatria geral, o manejo do choque em recém-nascidos exige cuidados específicos, como: a pressão arterial isolada não garante boa perfusão tecidual, Recomenda-se o uso do ultrassom à beira leito (POCUS) cardíaco e pulmonar para guiar de forma precisa a reposição hídrica e evitar a sobrecarga de volume e há uma forte recomendação para abandonar o uso da dopamina como primeira linha na neonatologia, priorizando drogas baseadas na fisiopatologia individual (como dobutamina, adrenalina ou noradrenalina). Em suma, para a população pediátrica geral com choque séptico, as soluções balanceadas não se mostraram superiores ao soro fisiológico 0,9% nos desfechos clínicos principais, enquanto na neonatologia a conduta deve ser estritamente individualizada e guiada por ferramentas funcionais.