AUDIO POR IA:Neuroproteção Perinatal na Prematuridade
Perinatal Neuroprotection in Preterm Birth.Berger R, Stelzl P, Stubert J, Kyvernitakis I, Kribs A, Maul H.Geburtshilfe Frauenheilkd. 2025 Jun 30;85(10):1061-1072. doi: 10.1055/a-2593-0275. eCollection 2025 Oct.PMID: 41089219. Alemanha.
Realizado por Paulo R. Margotto.
A prematuridade extrema apresenta alta morbimortalidade, com sequelas cognitivas, comportamentais e psíquicas afetando entre 25% e 50% dos sobreviventes. A proteção do cérebro imaturo contra danos neuronais e vasculares crônicos envolve intervenções coordenadas 1) Intervenções Antenatais e de Parto a) Corticosteroides Antenatais (ANS): Reduzem significativamente a mortalidade neonatal, a síndrome do desconforto respiratório (SDR) e a taxa de hemorragia intraventricular (HIV). Agem estabilizando a vasculatura vulnerável da matriz germinativa através da supressão da proliferação endotelial e do aumento da cobertura de pericitos. O benefício é evidente em fetos ≤ 30 semanas, e o efeito vascular decai após 10 dias (podendo ser restaurado com um ciclo de resgate) b) Sulfato de Magnésio: Administrado em partos iminentes < 34 semanas, reduz de forma expressiva o risco de paralisia cerebral e o desfecho combinado de “morte ou paralisia cerebral” aos 2 anos de idade corrigida. Os mecanismos celulares incluem o bloqueio de canais de cálcio via receptores NMDA, indução de pré-condicionamento mitocondrial, atenuação do neurotransmissor excitotóxico succinato e redução de processos inflamatórios pós-isquêmicos 3) Manejo do Cordão Umbilical: O clampeamento tardio deve ser preferido para garantir uma transição cardiovascular fisiológica estável. Recomenda-se a estratégia “ventilar primeiro” (iniciar a insuflação pulmonar antes de clampear o cordão). A ordenha (“milking”) é expressamente contraindicada para prematuros de 23 a 27 semanas, pois aumenta em quase quatro vezes o risco de HIV grave 2) Pós-Natais: a)Hipotermia terapêutica em prematuros ≥ pode ser clinicamente razoável em casos de encefalopatia hipóxico-isquêmica de causa periparto clara, sem sinais de infecção ou inflamação fetal, desde que iniciada de forma muito precoce (< 90 minutos) e com monitoramento estrito de temperatura e exclusão prévia de HIV por ultrassom b) Cuidado Pós-natal na UTIN incluem Estabilização Clínica: Evitar flutuações bruscas de CO2, pressão arterial e temperatura1. Optar por ventilação não invasiva e administração menos invasiva de surfactante, mantendo a cabeça em posição neutra na linha média e minimizando intervenções dolorosas Estímulo e Vínculo: Promover o contato pele a pele precoce (método canguru), reduzir ruídos e iluminação agressiva, preservar ciclos fisiológicos de sono-vigília e incentivar a voz dos pais na beira do leito Nutrição e Suporte Farmacológico: O fornecimento de leite materno é vital para o desenvolvimento psicomotor a longo prazo. Práticas promissoras incluem a administração orofaríngea de colostro ou o uso terapêutico intranasal de leite materno para regeneração em casos de HIV. Clinicamente, o uso de cafeína se destaca por reduzir de forma expressiva o risco de paralisia cerebral e o atraso no desenvolvimento aos 18-21 meses.
