Enterocolite Necrosante: A Lógica da Prevenção (2026)
Paul0 R. Margotto
A diferença entre perfuração intestinal espontânea (PIE) e ECN: a PIE ocorre nos primeiros dias de vida, não depende da dieta e está ligada ao uso de corticoides/indometacina e ao sexo masculino. Já a ECN clássica surge por volta da 3ª semana e é causada por disbiose (excesso de Proteobactérias) e inflamação. Mitos da UTIN: os Critérios de Bell estão obsoletos. Imagens radiológicas de fezes com ar em bebês clinicamente bem são apenas “cocotose” e não ECN. O jejum prolongado e o uso de antibióticos empíricos ou bloqueadores H2 lesionam a barreira intestinal e aumentam o risco da doença. Biomarcadores de Risco: uma queda repentina >20% nos monócitos periféricos sinaliza inflamação intestinal ativa. A hiponatremia severa (<135mEq/L) indica falha no tratamento clínico e provável necessidade de cirurgia. Estratégias de Prevenção: O leite materno , de preferência cru, é o principal fator protetor (contém a lipase BSLL e gera óxido nítrico). Recomenda-se suspender a dieta durante transfusões de sangue para evitar isquemia mesentérica. O uso combinado de probióticos reduz a ECN em até 54%, no entanto não temos usado por não se ratar de um fármaco, no momento. Abordagem Sistêmica: A ECN é uma falha de sistema, não de azar. A aplicação de pacotes de melhoria de qualidade (QI) com protocolos rígidos pode reduzir a incidência da doença para próximo de zero.
