Cafeína como tratamento para lesão cerebral hipóxico-isquêmica perinatal: riscos e benefícios potenciais

Cafeína como tratamento para lesão cerebral hipóxico-isquêmica perinatal: riscos e benefícios potenciais

Caffeine as a Treatment for Perinatal Hypoxic-Ischemic Brain Injury: The Potential Risks and Benefits.Zhou KQ, Lam F, Bennet L, Gunn AJ, Davidson JO.Dev Neurosci. 2026;48(1):50-58. doi: 10.1159/000545126..Review.Nova Zelândia.

Realizado por Paulo R. Margotto.

O estudo  explora o uso da cafeína como potencial tratamento para a encefalopatia hipóxico-isquêmica (EHI) neonatal, uma condição grave que causa danos cerebrais por falta de oxigenação. Embora a substância seja eficaz no tratamento da apneia em prematuros, sua aplicação como neuroprotetor após insultos hipóxicos apresenta resultados controversos e riscos significativos. Estudos indicam que a cafeína pode bloquear a adenosina, um protetor natural do cérebro, o que potencialmente agrava convulsões e aumenta a mortalidade em doses elevadas. Os textos ressaltam que, enquanto modelos com roedores sugerem benefícios, experimentos com animais de grande porte e dados clínicos iniciais apontam para a falta de eficácia pós-natal e possíveis danos neurológicos. Diante disso, os especialistas defendem cautela extrema, enfatizando que novas pesquisas translacionais são indispensáveis antes de recomendar a cafeína em ensaios clínicos com humanos. O material também discute as limitações da hipotermia terapêutica, especialmente em países de baixa renda, reforçando a urgência por terapias complementares seguras.