Autor: Paulo Margotto

Este site tem por objetivo a divulgação do que há mais de novo na Medicina Neonatal através de Artigos (Resumidos, Apresentados, Discutidos e Originais), Monografias das Residências Médicas, principalmente do Hospital Materno Infantil de Brasília (HMIB/SES/DF), Apresentações de Congresso e Simpósios (aulas liberadas para divulgação, aulas reproduzidas). Também estamos disponibilizando dois livros da nossa autoria (Assistência ao Recém-Nascido de Risco, 3a Edição, 2013 e Neurossonografia Neonatal, 2013) em forma de links que podem ser baixados para os diferentes Smartphone de forma inteiramente gratuita. A nossa página está disponível para você também que tenha interesse em compartilhar com todos nós os seus conhecimentos. Basta nos enviar que após análise, disponibilizaremos. O nome NEONATOLOGIA EM AÇÃO nasceu de uma idéia que talvez venha se concretizar num futuro não distante de lançarmos um pequeno livro (ou mesmo um aplicativo chamado Neonatologia em Ação) para rápida consulta à beira do leito. No momento estamos arduamente trabalhando com uma excelente Equipe na elaboração da 4a Edição do livro Assistência ao Recém-Nascido de Risco, que conterá em torno de mais 100 capítulos, abordando diferentes temas do dia a dia da Neonatologia Intensiva, com lançamento a partir do segundo semestre de 2018. O site também contempla fotos dos nossos momentos na Unidade (Staffs, Residentes, Internos). Todo esforço está sendo realizado para que transportemos para esta nova página os 6000 artigos do domínio www.paulomargotto.com.br, aqui publicados ao longo de 13 anos.Todas as publicações da página são na língua portuguesa. Quando completamos 30 anos do nosso Boletim Informativo Pediátrico com Enfoque Perinatal (1981- 2011), o berço do livro Assistência ao Recém-Nascido de Risco, escrevemos e que resumo todo este empenho no engrandecimento da Neonatologia brasileira: nestes 30 anos, com certeza, foram várias as razões que nos impulsionam seguir adiante, na conquista do ideal de ser sempre útil, uma doação constante, na esperança do desabrochar de uma vida sadia, que começa em nossas mãos. Este mágico momento não pode admitir erro, sob o risco de uma cicatriz perene. É certamente emocionante fazer parte desta peça há tantos anos! "Não importa o quanto fazemos, mas quanto amor colocamos naquilo que fazemos"
EIXO PLACENTA-CORAÇÃO-CÉREBRO-2026

EIXO PLACENTA-CORAÇÃO-CÉREBRO-2026

Paulo R. Margotto. Apresentação na Reunião da Unidade de Neonatologia do Hospital Materno-Infantil de Brasil, SES/DF em 31/8/2026 e no Instituo de Pesquisa Paulo Roberto Margotto (live em 6/8/2026).

 

Esta palestra do Instituto de Pesquisa Neonatal Paulo Roberto Margotto analisa a profunda conexão entre a placenta, o coração e o cérebro no contexto das cardiopatias congênitas. O conteúdo revela que danos neurológicos não surgem apenas de traumas cirúrgicos, mas começam no útero devido à insuficiência placentária e ao fornecimento inadequado de oxigênio pelo coração fetal. Esse cenário resulta em um cérebro com atraso de maturação, que se comporta de forma semelhante ao de um prematuro, gerando prejuízos cognitivos que podem persistir até a fase adulta. Até 50% dos sobreviventes de CC na infância apresentam déficits de memória, atenção e linguagem. Na juventude (16 a 24 anos), esses indivíduos mantêm uma redução definitiva de 21% no volume da substância branca, o que se correlaciona diretamente com menores índices de QI na idade escolar.Para combater esse “efeito dominó”, o autor defende o diagnóstico precoce, o monitoramento rigoroso por ultrassom com Doppler PÓS-CIRURGIA (O IR cerebral pós-operatório é um forte preditor de prognóstico neurológico: valores baixos (ex: <0,60) indicam perda de autorregulação e hiperemia pós-isquêmica (mau prognóstico), ao passo que valores normais (0,60 a 0,85) indicam preservação vascular. e a estabilização hemodinâmica. Exige-se monitorização por eletroencefalograma (EEG) contínuo nas primeiras 24h por 3 dias para flagrar atividades de fundo anormais. Além disso, deve-se evitar o uso de cateter jugular (limitar a no máximo 7 dias se indispensável) pelo alto risco de induzir trombose no seio venoso cerebral. O objetivo central é implementar estratégias de neuroproteção que priorizem a saúde cerebral durante a correção dos defeitos cardíacos. Além disso, discute-se a possibilidade de postergar intervenções cirúrgicas imediatas para evitar maiores danos a um sistema nervoso já fragilizado.

Sildenafil na encefalopatia hipóxico-isquêmica: da descoberta pré-clínica aos ensaios clínicos

Sildenafil na encefalopatia hipóxico-isquêmica: da descoberta pré-clínica aos ensaios clínicos

Pia Wintermark (Canadá). Live da Newborn Brain Society (30 de julho de 2026).

Realizado por Paulo R. Margotto.

Os documentos apresentam pesquisas lideradas pela Dra. Pia Wintermark (Canadá) sobre o uso do SILDENAFIL para tratar a encefalopatia hipóxico-isquêmica (EHI) em recém-nascidos. Diferente da hipotermia terapêutica tradicional, que foca na proteção imediata, essa abordagem busca a neurorestauração para reparar danos cerebrais já estabelecidos. A hipotermia terapêutica  falha em até 30% dos casos e não possui efeito neurorrestaurador, o que significa que ela não repara as lesões cerebrais que já estão consolidadas no tecido. O mecanismo de ação envolve a redução da neuroinflamação (fazendo com que astrócitos e microglias ativados retornem a um estado inativo), a atenuação da apoptose neuronal e o fomento à regeneração de oligodendrócitos e reparo da substância branca Estudos clínicos e pré-clínicos indicam que o medicamento é seguro, bem tolerado e capaz de melhorar a mielinização e a plasticidade sináptica. Análises quantitativas por ressonância magnética demonstraram que bebês tratados apresentaram menor perda de volume cerebral e recuperação superior em comparação aos grupos de controle. As fontes detalham o sucesso das fases iniciais do estudo SANE (Sildenafil Administration to treat Neonatal Encephalopath), reforçando o potencial dessa terapia como um tratamento adjuvante inovador na neonatologia. Um ensaio clínico de viabilidade multicêntrico está em andamento para avaliar o tratamento em uma coorte maior de 120 neonatos em múltiplos centros no Canadá e nos EUA.

Diuréticos para Prevenção da Displasia Broncopulmonar em Recém-Nascidos Pré-Termo: Uma Revisão Sistemática e Metanálise

Diuréticos para Prevenção da Displasia Broncopulmonar em Recém-Nascidos Pré-Termo: Uma Revisão Sistemática e Metanálise

Diuretics for Preventing Bronchopulmonary Dysplasia in Preterm Infants: A Systematic Review and Meta-Analysis. Kato S, Koizumi M, Nirei J, Honda K, Ishiguro A, Yamazaki M, Isayama T.Neonatology. 2026 Jul 9:1-20. doi: 10.1159/000553435. Online ahead of print.PMID: 42424248. Japão

Realizado por Paulo R. Margotto.

Esta coletânea estudos apresenta uma revisão sistemática e metanálise atualizada sobre o impacto dos diuréticos na prevenção e no manejo da displasia broncopulmonar (DBP) em bebês prematuros (40 estudos publicados até junho de 2025, dos quais 6 eram ensaios clínicos randomizados (ECRs) e 34 eram estudos não randomizados). Os textos destacam que, embora a furosemida seja amplamente prescrita em UTIs neonatais, não existem evidências robustas de que esses medicamentos melhorem o prognóstico de longo prazo ou reduzam a mortalidade. As pesquisas indicam que os benefícios observados são frequentemente transitórios e limitados a melhorias respiratórias agudas, enquanto o uso prolongado eleva riscos de ototoxicidade, nefrocalcinose e desequilíbrios eletrolíticos. Além disso, o fenômeno da tolerância diurética é discutido, revelando que a eficácia dessas drogas diminui rapidamente após doses sucessivas. A evidência científica atual não confirma que os diuréticos previnem a displasia broncopulmonar O conteúdo enfatiza a necessidade de ensaios clínicos randomizados mais rigorosos na era moderna da neonatologia para validar essas práticas. Por fim, os especialistas recomendam uma utilização cautelosa e criteriosa, priorizando o tratamento de edemas específicos em vez do uso rotineiro para prevenir a doença pulmonar crônica.

MONOGRAFIA-NEONATOLOGIA-HMIB/SES/DF: APRESENTAÇÃO:Avaliação dos Ruídos na Unidade de Terapia Intensiva Neonatal do Hospital Materno Infantil Dr. Antônio Lisboa (HMIB)

MONOGRAFIA-NEONATOLOGIA-HMIB/SES/DF: APRESENTAÇÃO:Avaliação dos Ruídos na Unidade de Terapia Intensiva Neonatal do Hospital Materno Infantil Dr. Antônio Lisboa (HMIB)

Sylvia Cristina Lima sob a Coordenação da Dra. Nathalia Bardal (HMIB).

O ruído em Unidades de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN) constitui agente estressor para o recém-nascido, sobretudo o pré-termo, podendo comprometer a estabilidade fisiológica e o neurodesenvolvimento. Metodologia: Este estudo teve como objetivo caracterizar os níveis de pressão sonora da UTIN do Hospital Materno Infantil Dr. Antônio Lisboa (HMIB) ao longo de um período contínuo de monitoramento. Trata-se de estudo descritivo, quantitativo e observacional, realizado por meio de decibelímetro digital com registro automático contínuo, posicionado sucessivamente em quatro alas assistenciais durante uma semana cada, complementado por medição de 24 horas no interior de uma incubadora e por observação de eventos assistenciais específicos junto ao leito. Resultado: Foram consideradas válidas 1.356.141 leituras ambientais e 43.106 leituras no interior da incubadora. O nível de pressão sonora equivalente (Leq) geral foi de 72,4 dB, permanecendo acima do limite de 45 dB recomendado pela literatura em 100% do tempo monitorado, com pico máximo de 112,3 dB. Observou-se variação de até 4,2 dB no Leq entre as alas, redução parcial durante a hora do soninho (Leq de 69,9 dB) e concentração dos picos sonoros no período noturno. No interior da incubadora, o Leq foi de 72,3 dB, com pico de 108,4 dB, e ações rotineiras como o fechamento da incubadora atingiram em média 95 dB. Conclusão: Conclui-se que os níveis de ruído da UTIN estudada excederam persistentemente os parâmetros recomendados pela literatura e pelas normas técnicas nacionais e internacionais, reforçando a necessidade de medidas institucionais de controle acústico e de capacitação da equipe assistencial para a redução da exposição sonora do recém-nascido.

MONOGRAFIA-NEONATOLOGIA-HMIB/SES/DF: Avaliação dos Ruídos na Unidade de Terapia Intensiva Neonatal do Hospital Materno Infantil Dr. Antônio Lisboa (HMIB)

MONOGRAFIA-NEONATOLOGIA-HMIB/SES/DF: Avaliação dos Ruídos na Unidade de Terapia Intensiva Neonatal do Hospital Materno Infantil Dr. Antônio Lisboa (HMIB)

Sylvia Cristina Lima sob a Coordenação da Dra. Nathalia Bardal (HMIB).

O ruído em Unidades de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN) constitui agente estressor para o recém-nascido, sobretudo o pré-termo, podendo comprometer a estabilidade fisiológica e o neurodesenvolvimento. Metodologia: Este estudo teve como objetivo caracterizar os níveis de pressão sonora da UTIN do Hospital Materno Infantil Dr. Antônio Lisboa (HMIB) ao longo de um período contínuo de monitoramento. Trata-se de estudo descritivo, quantitativo e observacional, realizado por meio de decibelímetro digital com registro automático contínuo, posicionado sucessivamente em quatro alas assistenciais durante uma semana cada, complementado por medição de 24 horas no interior de uma incubadora e por observação de eventos assistenciais específicos junto ao leito. Resultado: Foram consideradas válidas 1.356.141 leituras ambientais e 43.106 leituras no interior da incubadora. O nível de pressão sonora equivalente (Leq) geral foi de 72,4 dB, permanecendo acima do limite de 45 dB recomendado pela literatura em 100% do tempo monitorado, com pico máximo de 112,3 dB. Observou-se variação de até 4,2 dB no Leq entre as alas, redução parcial durante a hora do soninho (Leq de 69,9 dB) e concentração dos picos sonoros no período noturno. No interior da incubadora, o Leq foi de 72,3 dB, com pico de 108,4 dB, e ações rotineiras como o fechamento da incubadora atingiram em média 95 dB. Conclusão: Conclui-se que os níveis de ruído da UTIN estudada excederam persistentemente os parâmetros recomendados pela literatura e pelas normas técnicas nacionais e internacionais, reforçando a necessidade de medidas institucionais de controle acústico e de capacitação da equipe assistencial para a redução da exposição sonora do recém-nascido.

AUDIO POR IA: Reanimação Avançada no Recém-Nascido – Quais são as Evidências.

AUDIO POR IA: Reanimação Avançada no Recém-Nascido – Quais são as Evidências.

Palestra proferida pela Dr. Myra  H Wichoff (EUA) no 10º Simpósio Internacional de Reanimação Neonatal, ocorrido em Foz do Iguaçu entre os dias 28-30 de maio de 2026.

Realizado por Paulo R,. Margotto.

A Ventilação é a Prioridade Absoluta: A necessidade de reanimação neonatal decorre quase sempre de falha respiratória e hipoxemia. Por isso, a ventilação eficaz é a chave para recuperar a frequência cardíaca (FC). Compressões só devem ser iniciadas se a FC permanecer < 60 bpm após 30 segundos de ventilação adequada que tenha expandido os pulmões. Se o tórax não expandir, aplique imediatamente as correções do MR. SOPA ou use a máscara laríngea (altamente recomendada para ≥ 34 semanas). Evite Compressões Precoces (Risco de Dano): O limiar de 60 bpm é baseado em consenso, e não em ensaios em humanos. Iniciar compressões cardíacas em um bebê bradicárdico com coração saudável pode causar dano paradoxal, pois a compressão externa rápida (90/min) pode coincidir com a diástole (relaxamento), prejudicando o enchimento do coração e a perfusão coronária. Técnica de Compressão Rigorosa: Deve ser aplicada exclusivamente no terço inferior do esterno (acima do xifóide, para evitar rotura do fígado), utilizando a técnica dos dois polegares (superior à técnica de dois dedos), com profundidade de 1/3 do diâmetro anteroposterior do tórax e na relação coordenada de 3:1. O uso de detectores de etCO2 é um excelente indicador de retorno da circulação espontânea (muda para amarelo com a perfusão pulmonar). Epinefrina é Rara e Preferencialmente Intravenosa: O uso de adrenalina é extremamente raro se a ventilação for de excelência (cerca de 5 a cada 10.000 partos). A via de escolha é a intravenosa (IV) umbilical devido à absorção rápida e picos plasmáticos confiáveis. A via endotraqueal é apenas uma exceção temporária: exige doses até 10 vezes maiores e possui eficácia muito inferior.O sucesso da reanimação avançada reside, fundamentalmente, na qualidade da ventilação na Sala de Parto.

Reanimação Avançada no Recém-Nascido-Quais são as Evidências.

Reanimação Avançada no Recém-Nascido-Quais são as Evidências.

Palestra proferida pela Dr. Myra  H Wichoff (EUA) no 10º Simpósio Internacional de Reanimação Neonatal, ocorrido em Foz do Iguaçu entre os dias 28-30 de maio de 2026.

Realizado por Paulo R. Margotto.

A Ventilação é a Prioridade Absoluta: A necessidade de reanimação neonatal decorre quase sempre de falha respiratória e hipoxemia. Por isso, a ventilação eficaz é a chave para recuperar a frequência cardíaca (FC). Compressões só devem ser iniciadas se a FC permanecer < 60 bpm após 30 segundos de ventilação adequada que tenha expandido os pulmões. Se o tórax não expandir, aplique imediatamente as correções do MR. SOPA ou use a máscara laríngea (altamente recomendada para ≥ 34 semanas). Evite Compressões Precoces (Risco de Dano): O limiar de 60 bpm é baseado em consenso, e não em ensaios em humanos. Iniciar compressões cardíacas em um bebê bradicárdico com coração saudável pode causar dano paradoxal, pois a compressão externa rápida (90/min) pode coincidir com a diástole (relaxamento), prejudicando o enchimento do coração e a perfusão coronária. Técnica de Compressão Rigorosa: Deve ser aplicada exclusivamente no terço inferior do esterno (acima do xifóide, para evitar rotura do fígado), utilizando a técnica dos dois polegares (superior à técnica de dois dedos), com profundidade de 1/3 do diâmetro anteroposterior do tórax e na relação coordenada de 3:1. O uso de detectores de etCO2 é um excelente indicador de retorno da circulação espontânea (muda para amarelo com a perfusão pulmonar). Epinefrina é Rara e Preferencialmente Intravenosa: O uso de adrenalina é extremamente raro se a ventilação for de excelência (cerca de 5 a cada 10.000 partos). A via de escolha é a intravenosa (IV) umbilical devido à absorção rápida e picos plasmáticos confiáveis. A via endotraqueal é apenas uma exceção temporária: exige doses até 10 vezes maiores e possui eficácia muito inferior.O sucesso da reanimação avançada reside, fundamentalmente, na qualidade da ventilação na Sala de Parto.

ÁUDIO POR IA: Fatores associados a resultados anormais no rastreio de transtorno do espectro autista em crianças extremamente prematuras.

ÁUDIO POR IA: Fatores associados a resultados anormais no rastreio de transtorno do espectro autista em crianças extremamente prematuras.

Factors associated with abnormal screening for autism spectrum disorder among Extremely Preterm Children. Peralta-Carcelen M, Hintz SR, Bann CM, Higgins RD, Duncan AF, Vohr BR; SUPPORT Study Group of the Eunice Kennedy Shriver National Institute of Child Health and Human Development Neonatal Research Network.J Perinatol. 2026 Jul 15. doi: 10.1038/s41372-026-02693-y. Online ahead of print.

Realizado por Paulo R. Margotto.

O estudo avaliou 380 crianças extremamente prematuras (nascidas com menos de 28 semanas de gestação) aos 6-7 anos de idade para investigar a presença de resultados positivos na triagem de Transtorno do Espectro Autista (TEA), utilizando o Questionário de Comunicação Social (SCQ com ponto de corte ≥ 15). Os pontos-chaves e resultados essenciais do estudo são: Alta Prevalência: 14% das crianças apresentaram triagem positiva para TEA aos 6-7 anos. Essa taxa é muito superior aos cerca de 2,76% estimados para a população infantil geral. Fatores de Risco Neonatais e Demográficos: O risco de um resultado positivo na triagem foi significativamente maior em: Crianças do sexo masculino, que apresentaram quase o dobro de chance em comparação às meninas; Bebês com menor peso ao nascer e menor idade gestacional (nascidos com 26-27 semanas tiveram um risco 25% menor do que os nascidos com 24-25 semanas); Presença de retinopatia da prematuridade (ROP) grave. Fortes Preditores Precoces (aos 18–22 meses): O desempenho do bebê nessa idade corrigida mostrou-se altamente preditivo para o TEA na idade escolar:atrasos cognitivos e de linguagem (uma pontuação de linguagem inferior a 70 na escala Bayley-III aumentou o risco de triagem positiva para TEA em mais de 5 a 6 vezes);comprometimento motor ou sensorial: A presença de deficiências sensoriais (como cegueira ou surdez) ou motoras elevou o risco em mais de 5 vezes; competência socioemocional atípica: baixa competência social e maiores problemas de comportamento (avaliados pela escala BITSEA) correlacionaram-se fortemente com a triagem positiva no futuro. Houve uma independência da Neuroimagem Neonatal: Curiosamente, não foram encontradas diferenças significativas nos achados de ultrassonografia craniana convencional ou de ressonância magnética cerebral realizadas no período neonatal entre as crianças que pontuaram positivo ou negativo para TEA. Isso indica que lesões cerebrais macroscópicas detectadas logo após o nascimento não são os principais preditores de risco. Conclusão Clínica: Crianças extremamente prematuras formam uma população de extrema vulnerabilidade para TEA. É fundamental realizar um acompanhamento clínico estruturado e precoce focado não apenas nas habilidades motoras, mas prioritariamente no desenvolvimento socioemocional, cognitivo e de linguagem para viabilizar intervenções terapêuticas oportunas.

APRESENTAÇÃO: Fatores associados a resultados anormais no rastreio de transtorno do espectro autista em crianças extremamente prematuras.

APRESENTAÇÃO: Fatores associados a resultados anormais no rastreio de transtorno do espectro autista em crianças extremamente prematuras.

Factors associated with abnormal screening for autism spectrum disorder among Extremely Preterm Children. Peralta-Carcelen M, Hintz SR, Bann CM, Higgins RD, Duncan AF, Vohr BR; SUPPORT Study Group of the Eunice Kennedy Shriver National Institute of Child Health and Human Development Neonatal Research Network.J Perinatol. 2026 Jul 15. doi: 10.1038/s41372-026-02693-y. Online ahead of print.

Apresentação: Jennefer Kellner (Residente do 4ª Ano na UTI Neonatal do Hospital Santa Lúcia Sul. Coordenação: Paulo R. Margotto

O estudo avaliou 380 crianças extremamente prematuras (nascidas com menos de 28 semanas de gestação) aos 6-7 anos de idade para investigar a presença de resultados positivos na triagem de Transtorno do Espectro Autista (TEA), utilizando o Questionário de Comunicação Social (SCQ com ponto de corte ≥ 15). Os pontos-chaves e resultados essenciais do estudo são: Alta Prevalência: 14% das crianças apresentaram triagem positiva para TEA aos 6-7 anos. Essa taxa é muito superior aos cerca de 2,76% estimados para a população infantil geral. Fatores de Risco Neonatais e Demográficos: O risco de um resultado positivo na triagem foi significativamente maior em: Crianças do sexo masculino, que apresentaram quase o dobro de chance em comparação às meninas; Bebês com menor peso ao nascer e menor idade gestacional (nascidos com 26-27 semanas tiveram um risco 25% menor do que os nascidos com 24-25 semanas); Presença de retinopatia da prematuridade (ROP) grave. Fortes Preditores Precoces (aos 18–22 meses): O desempenho do bebê nessa idade corrigida mostrou-se altamente preditivo para o TEA na idade escolar:atrasos cognitivos e de linguagem (uma pontuação de linguagem inferior a 70 na escala Bayley-III aumentou o risco de triagem positiva para TEA em mais de 5 a 6 vezes);comprometimento motor ou sensorial: A presença de deficiências sensoriais (como cegueira ou surdez) ou motoras elevou o risco em mais de 5 vezes; competência socioemocional atípica: baixa competência social e maiores problemas de comportamento (avaliados pela escala BITSEA) correlacionaram-se fortemente com a triagem positiva no futuro. Houve uma independência da Neuroimagem Neonatal: Curiosamente, não foram encontradas diferenças significativas nos achados de ultrassonografia craniana convencional ou de ressonância magnética cerebral realizadas no período neonatal entre as crianças que pontuaram positivo ou negativo para TEA. Isso indica que lesões cerebrais macroscópicas detectadas logo após o nascimento não são os principais preditores de risco. Conclusão Clínica: Crianças extremamente prematuras formam uma população de extrema vulnerabilidade para TEA. É fundamental realizar um acompanhamento clínico estruturado e precoce focado não apenas nas habilidades motoras, mas prioritariamente no desenvolvimento socioemocional, cognitivo e de linguagem para viabilizar intervenções terapêuticas oportunas.

Fatores associados a resultados anormais no rastreio de Transtorno do Espectro Autista em Crianças Extremamente Prematuras

Fatores associados a resultados anormais no rastreio de Transtorno do Espectro Autista em Crianças Extremamente Prematuras

Factors associated with abnormal screening for autism spectrum disorder among Extremely Preterm Children. Peralta-Carcelen M, Hintz SR, Bann CM, Higgins RD, Duncan AF, Vohr BR; SUPPORT Study Group of the Eunice Kennedy Shriver National Institute of Child Health and Human Development Neonatal Research Network.J Perinatol. 2026 Jul 15. doi: 10.1038/s41372-026-02693-y. Online ahead of print.

Realizado por Paulo R. Margotto.

 

O estudo avaliou 380 crianças extremamente prematuras (nascidas com menos de 28 semanas de gestação) aos 6-7 anos de idade para investigar a presença de resultados positivos na triagem de Transtorno do Espectro Autista (TEA), utilizando o Questionário de Comunicação Social (SCQ com ponto de corte ≥ 15). Os pontos-chaves e resultados essenciais do estudo são: Alta Prevalência: 14% das crianças apresentaram triagem positiva para TEA aos 6-7 anos. Essa taxa é muito superior aos cerca de 2,76% estimados para a população infantil geral. Fatores de Risco Neonatais e Demográficos: O risco de um resultado positivo na triagem foi significativamente maior em: Crianças do sexo masculino, que apresentaram quase o dobro de chance em comparação às meninas; Bebês com menor peso ao nascer e menor idade gestacional (nascidos com 26-27 semanas tiveram um risco 25% menor do que os nascidos com 24-25 semanas); Presença de retinopatia da prematuridade (ROP) grave. Fortes Preditores Precoces (aos 18–22 meses): O desempenho do bebê nessa idade corrigida mostrou-se altamente preditivo para o TEA na idade escolar:atrasos cognitivos e de linguagem (uma pontuação de linguagem inferior a 70 na escala Bayley-III aumentou o risco de triagem positiva para TEA em mais de 5 a 6 vezes);comprometimento motor ou sensorial: A presença de deficiências sensoriais (como cegueira ou surdez) ou motoras elevou o risco em mais de 5 vezes; competência socioemocional atípica: baixa competência social e maiores problemas de comportamento (avaliados pela escala BITSEA) correlacionaram-se fortemente com a triagem positiva no futuro. Houve uma independência da Neuroimagem Neonatal: Curiosamente, não foram encontradas diferenças significativas nos achados de ultrassonografia craniana convencional ou de ressonância magnética cerebral realizadas no período neonatal entre as crianças que pontuaram positivo ou negativo para TEA. Isso indica que lesões cerebrais macroscópicas detectadas logo após o nascimento não são os principais preditores de risco. Conclusão Clínica: Crianças extremamente prematuras formam uma população de extrema vulnerabilidade para TEA. É fundamental realizar um acompanhamento clínico estruturado e precoce focado não apenas nas habilidades motoras, mas prioritariamente no desenvolvimento socioemocional, cognitivo e de linguagem para viabilizar intervenções terapêuticas oportunas.