Autor: Paulo Margotto

Este site tem por objetivo a divulgação do que há mais de novo na Medicina Neonatal através de Artigos (Resumidos, Apresentados, Discutidos e Originais), Monografias das Residências Médicas, principalmente do Hospital Materno Infantil de Brasília (HMIB/SES/DF), Apresentações de Congresso e Simpósios (aulas liberadas para divulgação, aulas reproduzidas). Também estamos disponibilizando dois livros da nossa autoria (Assistência ao Recém-Nascido de Risco, 3a Edição, 2013 e Neurossonografia Neonatal, 2013) em forma de links que podem ser baixados para os diferentes Smartphone de forma inteiramente gratuita. A nossa página está disponível para você também que tenha interesse em compartilhar com todos nós os seus conhecimentos. Basta nos enviar que após análise, disponibilizaremos. O nome NEONATOLOGIA EM AÇÃO nasceu de uma idéia que talvez venha se concretizar num futuro não distante de lançarmos um pequeno livro (ou mesmo um aplicativo chamado Neonatologia em Ação) para rápida consulta à beira do leito. No momento estamos arduamente trabalhando com uma excelente Equipe na elaboração da 4a Edição do livro Assistência ao Recém-Nascido de Risco, que conterá em torno de mais 100 capítulos, abordando diferentes temas do dia a dia da Neonatologia Intensiva, com lançamento a partir do segundo semestre de 2018. O site também contempla fotos dos nossos momentos na Unidade (Staffs, Residentes, Internos). Todo esforço está sendo realizado para que transportemos para esta nova página os 6000 artigos do domínio www.paulomargotto.com.br, aqui publicados ao longo de 13 anos.Todas as publicações da página são na língua portuguesa. Quando completamos 30 anos do nosso Boletim Informativo Pediátrico com Enfoque Perinatal (1981- 2011), o berço do livro Assistência ao Recém-Nascido de Risco, escrevemos e que resumo todo este empenho no engrandecimento da Neonatologia brasileira: nestes 30 anos, com certeza, foram várias as razões que nos impulsionam seguir adiante, na conquista do ideal de ser sempre útil, uma doação constante, na esperança do desabrochar de uma vida sadia, que começa em nossas mãos. Este mágico momento não pode admitir erro, sob o risco de uma cicatriz perene. É certamente emocionante fazer parte desta peça há tantos anos! "Não importa o quanto fazemos, mas quanto amor colocamos naquilo que fazemos"
O contato pele a pele precoce melhorou os comportamentos alimentares e estabilizou a transição térmica em neonatos nascidos por cesariana

O contato pele a pele precoce melhorou os comportamentos alimentares e estabilizou a transição térmica em neonatos nascidos por cesariana

Early Skin–To–Skin Contact Enhanced Feeding Behaviours and Stabilised Thermal Transition in Neonates Born by Caesarean. Chen T, Liu X, Kong X, Zhu W, Wang Y, Liu H, Xing L.A. cta Paediatr. 2026 Jun;115(6):1245-1251. doi: 10.1111/apa.70478. Epub 2026 Feb 22.PMID: 41725074 . Clinical Trial.

Realizado por Paulo R. Margotto.

Benefícios do contato pele e pele na Cesariana  Eletiva (Recém-Nascidos a Termo):Prontidão Alimentar: reduz significativamente o tempo (latência) para o recém-nascido demonstrar comportamentos como buscar o seio, morder os lábios e chupar os dedos na primeira hora de vida; Estabilidade Fisiológica: Mantém a temperatura corporal central do bebê mais alta e atenua a perda de peso fisiológica nos primeiros dias pós-parto;Nutrição e Metabolismo: Promove maior frequência diária de amamentação e reduz os níveis de icterícia (bilirrubina transcutânea) aferidos no 3º dia de vida. Assim, o  CPP imediato consolida-se como uma intervenção de baixo custo e alto impacto, facilitando a adaptação extrauterina de bebês saudáveis e oferecendo proteção neurológica e imunológica a prematuros vulneráveis. Em Nota do Editor da página neonatal (www.paulomargotto.com.br): com relação aos prematuros (< 28 e < 32 semanas): ausência de danos: a aplicação do CPP precoce (iniciado nos dias 0 e/ou 1 de vida) é extremamente segura e não eleva as taxas de complicações clínicas graves e tem efeito protetor: associa-se a uma menor ocorrência de hemorragia intraventricular (HIV) e menor incidência de sepse neonatal. Esse último benefício provavelmente decorre da colonização bacteriana precoce por cepas protetoras dos próprios pais em detrimento da flora hospitalar.

Persistência do canal arterial patente (PCA) e desfechos no desenvolvimento neurológico: uma abordagem terapêutica restritiva não compromete o desenvolvimento neurológico

Persistência do canal arterial patente (PCA) e desfechos no desenvolvimento neurológico: uma abordagem terapêutica restritiva não compromete o desenvolvimento neurológico

Patent Ductus Arteriosus Persistence and Neurodevelopmental Outcomes: A Restrictive Treatment Approach Does Not Compromise Neurological Development. Kallenberger M, Bartling A, Hüning B, Dewan MV, Bialas J, Middendorf L, Dathe AK, Felderhoff-Müser U, Stein A. Acta Paediatr. 2026 Jul;115(7):1461-1466. doi: 10.1111/apa.70511. Epub 2026 Mar 20.PMID: 41860109. Alemanha.

Realizado por Paulo R. Margotto.

Entre os pontos mais essenciais do estudo destacamos: Abordagem Conservadora é Segura: o manejo restritivo/conservador da PCA em prematuros com idade gestacional ≤ 32 semanas não compromete o desenvolvimento neurológico (cognitivo, motor ou de linguagem) aos 2 anos de idade corrigida.Determinantes Reais do Neurodesenvolvimento: O futuro neurológico dessas crianças é determinado fundamentalmente pela idade gestacional ao nascer e pelas comorbidades associadas (como a displasia broncopulmonar), e não pelo tempo de duração da PCA. Alterações de Exame sem Repercussão Clínica: embora o canal aberto tenha associação estatística com um diâmetro transcerebelar menor e com micro-hemorragias cerebrais leves (HIV ≤ II) na ressonância magnética, esses achados são subclínicos e não geram prejuízos funcionais aos 2 anos.Perigos do Tratamento Farmacológico Ativo: dados de um grande ensaio clínico randomizado revelaram que tentar fechar o canal com medicamentos em prematuros extremos dobrou a taxa de mortalidade (9,6% no grupo tratado ativamente vs. 4,1% na conduta expectante de “esperar para ver”) e aumentou significativamente o risco de infecções fatais (3,8% vs. 0,8%). A conduta expectante (conservadora) consolida-se, portanto, como a estratégia mais segura para o manejo da PCA em prematuros.

Líquido Balanceado ou Solução Salina 0,9% em Crianças Tratadas para Choque Séptico

Líquido Balanceado ou Solução Salina 0,9% em Crianças Tratadas para Choque Séptico

Balanced Fluid or 0.9% Saline in Children Treated for Septic Shock. Balamuth F et al;PRoMPT BOLUS Investigators of the PECARN, PERC, and PREDICT Networks. N Engl J Med. 2026 Apr 24 :10.1056/NEJMoa2601969

Apresentação: Gabriela Fonseca Marçal. Coordenação: Alexandre Serafim

 

O estudo PRoMPT BOLUS (2026) avaliou o uso de cristaloides balanceados (como Ringer Lactato ou Plasma-Lyte) em comparação à solução salina (SF) 0,9% na ressuscitação e manutenção de crianças com choque séptico. Os pontos-chaves e resultados essenciais do estudo são: Sem Diferença no Desfecho Primário: O desfecho composto por morte, necessidade de diálise ou disfunção renal persistente em 30 dias ocorreu em 3,4% no grupo de fluidos balanceados e em 3,0% no grupo de SF 0,9%. Essa diferença não foi estatisticamente significativa (p = 0,85).Desfechos Secundários Semelhantes: Não foram observadas diferenças clínicas entre os grupos quanto à mortalidade geral (antes da alta ou aos 90 dias), tempo de internação ou dias livres de hospital. Melhora Bioquímica sem Impacto Clínico: o uso de fluidos balanceados conseguiu reduzir efetivamente a ocorrência de hipercloremia e hipernatremia. No entanto, essa melhora nos parâmetros laboratoriais não se traduziu em benefícios reais centrados no paciente (como menor mortalidade ou menor taxa de lesão renal aguda).Em relação aos neonatos (da Nota do Editor da página neonatal www.paulomargotto.com.br): Diferente da pediatria geral, o manejo do choque em recém-nascidos exige cuidados específicos, como: a pressão arterial isolada não garante boa perfusão tecidual, Recomenda-se o uso do ultrassom à beira leito (POCUS) cardíaco e pulmonar para guiar de forma precisa a reposição hídrica e evitar a sobrecarga de volume e há uma forte recomendação para abandonar o uso da dopamina como primeira linha na neonatologia, priorizando drogas baseadas na fisiopatologia individual (como dobutamina, adrenalina ou noradrenalina). Em suma, para a população pediátrica geral com choque séptico, as soluções balanceadas não se mostraram superiores ao soro fisiológico 0,9% nos desfechos clínicos principais, enquanto na neonatologia a conduta deve ser estritamente individualizada e guiada por ferramentas funcionais.

ÁUDIO POR IA:Manejo do Cordão Umbilical no Recém-Nascido Sem Boa Vitalidade ao Nascer doc

ÁUDIO POR IA:Manejo do Cordão Umbilical no Recém-Nascido Sem Boa Vitalidade ao Nascer doc

Helen G. Liley (Austrália). 10º  Simpósio Internacional de Reanimação Neonatal (28-30/5/2026)

Realizado por Paulo R. Margotto.

A Palestra discute o manejo do cordão em recém-nascidos não vigorosos de todas as idades gestacionais, com base em revisões sistemáticas e metanálises recentes (incluindo iCOMP e atualizações 2024-2025). Destaca a confusão de nomenclatura e propõe categorização em: decisões baseadas no tempo (clampeamento imediato <15 s, precoce 15-59 s, tardio ≥60 s), baseadas na fisiologia (reanimação com cordão intacto ou clampeamento após marcos como respiração/ventilação eficaz) e ordenha do cordão (intacta ou de segmento cortado). Do ponto de vista da Fisiologia, as evidências principais são: a) clampear antes da respiração/ventilação causa instabilidade hemodinâmica (queda de fluxo sistêmico e pressão); ventilação prévia ao clampeamento estabiliza a transição (dados de modelos animais e estudos) b) Em prematuros: clampeamento tardio (≥60 s) reduz mortalidade e necessidade de transfusão. Ordenha intacta mostra tendência favorável, mas é desaconselhada em <28 semanas pelo risco potencial de hemorragia intraventricular grave c) em não vigorosos ≥28 semanas / termo e pré-termo tardio: o estudo MINVI (ordenha intacta vs. clampeamento precoce) mostrou redução de encefalopatia hipóxico-isquêmica moderada/grave (de 3% para 1,4%) e menor necessidade de hipotermia terapêutica, com melhorias hematológicas. Adesão e benefícios parecem decorrentes da ordenha em si.Do Consenso de 2025: Adiar o clampeamento por ≥60 s sempre que possível (forte/alta certeza em prematuros; fraca/baixa certeza em termo). em não vigorosos >28 semanas: considerar ordenha do cordão intacto (preferência sobre clampeamento precoce) para reduzir risco de EHI e melhorar resultados hematológicos (evidência moderada, com ressalva pela falta de replicação ampla); em <28 semanas: recomendar contra ordenha intacta; reanimação com cordão intacto: evidência insuficiente para recomendar a favor ou contra em termo/pré-termo tardio não vigorosos; estimulação tátil precoce é razoável. Mais estudos multicêntricos são necessários. Pontos práticos adicionais: comprimento de ordenha estimado em ~20-30 cm (sem necessidade de medição precisa); clampeamento tardio não parece piorar doença hemolítica por isoimunização Rh (dados preliminares); risco de policitemia/hiperviscosidade não está bem definido em estudos específicos. A mensagem central é priorizar estabilidade fisiológica da transição (ventilação antes do clampeamento sempre que viável) e usar ordenha intacta de forma seletiva em não vigorosos ≥28 semanas como alternativa ao clampeamento precoce, com cautela nos extremos de prematuridade.

 

Manejo do Cordão Umbilical no Recém-Nascido Sem Boa Vitalidade ao Nascer

Manejo do Cordão Umbilical no Recém-Nascido Sem Boa Vitalidade ao Nascer

Helen G. Leley (Australia). 10º Simpósio Internacional de Reanimação Neonatal ocorrido em Foz do Iguaçu(PR) entre os dias 28 a 30 de maio de 2026

Realizado por Paulo R. Margotto

A Palestra discute o manejo do cordão em recém-nascidos não vigorosos de todas as idades gestacionais, com base em revisões sistemáticas e metanálises recentes (incluindo iCOMP e atualizações 2024-2025). Destaca a confusão de nomenclatura e propõe categorização em: decisões baseadas no tempo (clampeamento imediato <15 s, precoce 15-59 s, tardio ≥60 s), baseadas na fisiologia (reanimação com cordão intacto ou clampeamento após marcos como respiração/ventilação eficaz) e ordenha do cordão (intacta ou de segmento cortado). Do ponto de vista da Fisiologia, as evidências principais são: a) clampear antes da respiração/ventilação causa instabilidade hemodinâmica (queda de fluxo sistêmico e pressão); ventilação prévia ao clampeamento estabiliza a transição (dados de modelos animais e estudos) b) Em prematuros: clampeamento tardio (≥60 s) reduz mortalidade e necessidade de transfusão. Ordenha intacta mostra tendência favorável, mas é desaconselhada em <28 semanas pelo risco potencial de hemorragia intraventricular grave c) em não vigorosos ≥28 semanas / termo e pré-termo tardio: o estudo MINVI (ordenha intacta vs. clampeamento precoce) mostrou redução de encefalopatia hipóxico-isquêmica moderada/grave (de 3% para 1,4%) e menor necessidade de hipotermia terapêutica, com melhorias hematológicas. Adesão e benefícios parecem decorrentes da ordenha em si.Do Consenso de 2025: Adiar o clampeamento por ≥60 s sempre que possível (forte/alta certeza em prematuros; fraca/baixa certeza em termo). em não vigorosos >28 semanas: considerar ordenha do cordão intacto (preferência sobre clampeamento precoce) para reduzir risco de EHI e melhorar resultados hematológicos (evidência moderada, com ressalva pela falta de replicação ampla); em <28 semanas: recomendar contra ordenha intacta; reanimação com cordão intacto: evidência insuficiente para recomendar a favor ou contra em termo/pré-termo tardio não vigorosos; estimulação tátil precoce é razoável. Mais estudos multicêntricos são necessários. Pontos práticos adicionais: comprimento de ordenha estimado em ~20-30 cm (sem necessidade de medição precisa); clampeamento tardio não parece piorar doença hemolítica por isoimunização Rh (dados preliminares); risco de policitemia/hiperviscosidade não está bem definido em estudos específicos. A mensagem central é priorizar estabilidade fisiológica da transição (ventilação antes do clampeamento sempre que viável) e usar ordenha intacta de forma seletiva em não vigorosos ≥28 semanas como alternativa ao clampeamento precoce, com cautela nos extremos de prematuridade.

ÁUDIO POR IA: ORTOPEDIA PARA NEONATOLOGIA

ÁUDIO POR IA: ORTOPEDIA PARA NEONATOLOGIA

Mariana Ferrer (DF). Reunião da Unidade de Neonatologia do HMIB/SES/DF em 27/7/2026

Nessa Palestra a Dra. Mariana Ferrer destaca a integração essencial entre ortopedia e neonatologia: muitas alterações ortopédicas podem e devem ser diagnosticadas ao nascimento. O diagnóstico precoce muda radicalmente o prognóstico. O Exame físico deve ser sistematizado,  avaliando sempre cabeça, coluna cervical, membros e dedos, observando postura, tônus e assimetrias (mesmo com queixa localizada, reexaminar o bebê por completo). A  Displasia do Desenvolvimento do Quadril (DDH)  foi o  tema principal: o acetábulo raso impede o encaixe adequado da cabeça femoral; principais fatores de risco: apresentação pélvica, história familiar, sexo feminino, oligoidrâmnio, gemelaridade e primeira gestação.  O Sinal de Ortolani deve ser realizado na Sala de Parto. Ultrassom de quadril deve ser solicitado precocemente em todos os bebês de risco (preferencialmente até 2 semanas de vida). Tratamento de escolha: Suspensório de Pavlik (ideal antes de 12 semanas).Evitar “charutinhos” com pernas esticadas; preferir posição em “M” (slings/cangurus). Fralda dupla não substitui o tratamento adequado. Nos prematuros extremos monitorar quadris e coluna pelo risco de luxação silenciosa associada à imobilidade e à espasticidade (paralisia cerebral).Mensagem final: o  diagnóstico precoce é o “patrono” da ortopedia pediátrica.

Resistência antimicrobiana na infância com previsões globais

Resistência antimicrobiana na infância com previsões globais

Childhood Antimicrobial Resistance With Global Forecasts. Hu YJ, Qiu H, Harwell JI, Bryant PA.JAMA Pediatr. 2026 Jul 20:e262808. doi: 10.1001/jamapediatrics.2026.2808.

Realizado por Paulo R. Margotto

O estudo analisou mais de 106.000 isolados bacterianos de crianças em 82 países entre 2004 e 2022. O objetivo foi avaliar as tendências de resistência utilizando a classificação AWaRe da OMS (Acesso, Vigilância e Reserva) e prever o cenário até 2035.Os principais achados foram: Aumento Global: A resistência aumentou em todas as regiões do mundo, com crescimento mais acelerado e níveis mais altos em contextos com recursos limitados. Grupos de Alto Risco: O aumento da resistência foi mais acentuado em  Unidades de Terapia Intensiva (UTIs), onde a resistência aos antibióticos do grupo “Vigilância” dobrou (de 15% para 33%), Crianças de 0 a 2 anos. e Pacientes com sepse ou infecções respiratórias.. Entre os patógenos críticos: Acinetobacter baumannii: apresentou a maior resistência geral, superando 55% em todas as categorias de antibióticos, Klebsiella spp.: Foi o patógeno com o crescimento mais rápido de resistência, especialmente contra cefalosporinas e carbapenêmicos. As previsões para 2035 são alarmante  caso não haja intervenção: a resistência aos carbapenêmicos (antibióticos de última linha) deve atingir 82% em A. baumannii e 35% em Klebsiella spp. Portanto: Em certas regiões, a resistência de Klebsiella spp. às cefalosporinas de 3ª e 4ª gerações pode ultrapassar 70%. Portanto a crescente resistência ameaça a eficácia dos tratamentos empíricos para infecções graves, podendo levar a medicina de volta à era pré-antibiótica, onde infecções corriqueiras se tornam fatais. Os autores enfatizam a necessidade urgente de Sistemas de vigilância integrados e estratificados por idade, Fortalecimento do uso racional de antimicrobianos (programas de stewardship) e Melhoria no saneamento e controle de infecções, especialmente em países de baixa renda.

ÁUDIO POR IA: Resistência antimicrobiana na infância com previsões globais

ÁUDIO POR IA: Resistência antimicrobiana na infância com previsões globais

Childhood Antimicrobial Resistance With Global Forecasts. Hu YJ, Qiu H, Harwell JI, Bryant PA.JAMA Pediatr. 2026 Jul 20:e262808. doi: 10.1001/jamapediatrics.2026.2808.

Realizado por Paulo R. Margotto

O estudo analisou mais de 106.000 isolados bacterianos de crianças em 82 países entre 2004 e 2022. O objetivo foi avaliar as tendências de resistência utilizando a classificação AWaRe da OMS (Acesso, Vigilância e Reserva) e prever o cenário até 2035.Os principais achados foram:Aumento Global: A resistência aumentou em todas as regiões do mundo, com crescimento mais acelerado e níveis mais altos em contextos com recursos limitados.Grupos de Alto Risco: O aumento da resistência foi mais acentuado em  Unidades de Terapia Intensiva (UTIs), onde a resistência aos antibióticos do grupo “Vigilância” dobrou (de 15% para 33%), Crianças de 0 a 2 anos. e Pacientes com sepse ou infecções respiratórias.. Entre os patógenos críticos:Acinetobacter baumannii: apresentou a maior resistência geral, superando 55% em todas as categorias de antibióticos, Klebsiella spp.: fFoi o patógeno com o crescimento mais rápido de resistência, especialmente contra cefalosporinas e carbapenêmicos. As previsões para 2035 são alarmante  caso não haja intervenção:a resistência aos carbapenêmicos (antibióticos de última linha) deve atingir 82% em A. baumannii e 35% em Klebsiella spp. Portanto:Em certas regiões, a resistência de Klebsiella spp. às cefalosporinas de 3ª e 4ª gerações pode ultrapassar 70%. Portanto a crescente resistência ameaça a eficácia dos tratamentos empíricos para infecções graves, podendo levar a medicina de volta à era pré-antibiótica, onde infecções corriqueiras se tornam fatais. Os autores enfatizam a necessidade urgente de:Sistemas de vigilância integrados e estratificados por idade, Fortalecimento do uso racional de antimicrobianos (programas de stewardship) e Melhoria no saneamento e controle de infecções, especialmente em países de baixa renda.

APRESENTAÇÃO: Ortopedia para os Neonatologistas

APRESENTAÇÃO: Ortopedia para os Neonatologistas

Mariana Ferrer (Reunião da Unidade de  Neonatologia do HMIB/SES/DF em  27/7/2026

A Dra. Mariana Ferrer destaca a integração essencial entre ortopedia e neonatologia: muitas alterações ortopédicas podem e devem ser diagnosticadas ao nascimento. O diagnóstico precoce muda radicalmente o prognóstico. O Exame físico deve ser sistematizado,  avaliando sempre cabeça, coluna cervical, membros e dedos, observando postura, tônus e assimetrias (mesmo com queixa localizada, reexaminar o bebê por completo). A  Displasia do Desenvolvimento do Quadril (DDH)  foi o  tema principal: o acetábulo raso impede o encaixe adequado da cabeça femoral; principais fatores de risco: apresentação pélvica, história familiar, sexo feminino, oligodrâmnio, gemelaridade e primeira gestação.  O Sinal de Ortolani deve ser realizado na Sala de Parto. Ultrassom de quadril deve ser solicitado precocemente em todos os bebês de risco (preferencialmente até 2 semanas de vida). Tratamento de escolha: Suspensório de Pavlik (ideal antes de 12 semanas).Evitar “charutinhos” com pernas esticadas; preferir posição em “M” (slings/cangurus). Fralda dupla não substitui o tratamento adequado. Nos prematuros extremos monitorar quadris e coluna pelo risco de luxação silenciosa associada à imobilidade e à espasticidade (paralisia cerebral).Mensagem final: o  diagnóstico precoce é o “patrono” da ortopedia pediátrica.

Prevalência da Lesão Cerebral em Neonatos com Cardiopatia Congênita

Prevalência da Lesão Cerebral em Neonatos com Cardiopatia Congênita

Prevalence of Ischemic Brain Injury in Neonates With Congenital Heart Disease: A Systematic Review and Meta-Analys is. Kim C1, Chetan D2, Kazazian V3, Alzamil J4, Chau V5, Seed M 3,5, Miller SP 1,5,6, Selvanathan T 1,5.Neurology. 2026 Feb 10;106(3):e214569. doi: 10.1212/WNL.0000000000214569. Epub 2026 Jan 9.PMID: 41512205.

Realizado por Paulo R. Margotto

Esta revisão sistemática e metanálise (31 estudos) quantificou a prevalência de lesão cerebral isquêmica (lesão da substância branca (WMI), acidente vascular cerebral isquêmico arterial  (AIS (e lesão hipóxico-isquêmica (HII) em neonatos com cardiopatia congênita (CHD) crítica. Os principais achados de prevalência agrupada se destacam: lesão isquêmica cumulativa (pré + pós-operatória): 68,5% (IC 95% 62,7–73,8%);pré-operatória: 34,7% e ova lesão pós-operatória: 46,5%.Tipo de lesão: lesão da substância branca (mais comum): cumulativa 39,7%; pré-operatória 23,8%; nova pós-operatória ~40%); acidente vascular isquêmico cerebral cumulativa 20,2%; pré-operatória 10,5%; nova pós-operatória 16,1% e Lesão hipóxico-isquêmica com baixa prevalência (cumulativa ~2,4%; pré-operatória 3,4%).As mensagens principais: a carga de lesão isquêmica é elevada e ocorre tanto antes quanto após a cirurgia. A lesão da substancia branca é  o padrão mais frequente e se assemelha à observada em prematuros. A lesão é frequentemente sutil/assintomática e pode ser subdiagnosticada por ultrassonografia; a RM(ressonância magnética) é superior para detecção. A idade mais jovem na cirurgia associou-se a maior prevalência cumulativa de lesão da substancia branca (possível confusão com gravidade clínica). Os resultados reforçam a necessidade de RM pré e/ou pós-operatória rotineira (quando viável) para orientar famílias sobre risco de déficits do neurodesenvovimento e iniciar vigilância/intervenção precoce. Assim, o  estudo destaca a doença cardíaca crítica congênita como condição que impacta profundamente o cérebro e enfatiza a importância de relatos padronizados, investigação de fatores de risco modificáveis e estratégias de neuroproteção.