ESQUEMA LÚDICO DE REANIMAÇÃO NEONATAL: <34 semanas
Marcela Minoto Marques, Neonatologista do Hospital Regional da Ceilândia ),SES/DF
Marcela Minoto Marques, Neonatologista do Hospital Regional da Ceilândia ),SES/DF
Palestra Administrada pela Dra. Myra Wyckoff (EUA) no Décimo Simpósio de Reanimação Neonatal ocorrido em Foz do Iguaçu, entre os dias 28 e 20 de maio de 2026.
Realizado por Pao R. Margotto.
A manutenção da NORMOTERMIA (36,5–37,5°C) é fundamental na reanimação do prematuro, pois o frio prejudica a transição circulatória, reduz o surfactante, aumenta apneia, acidose e mortalidade. Cada 1°C abaixo de 36,5°C → ↑ 28–30% mortalidade e ↑ 11% sepse. A hipotermia grave em <32 semanas pode duplicar o risco de morte. As principais causas de perda de calor são: pele imatura, pouca gordura, grande superfície corporal e cabeça.Intervenções mais importantes (ILCOR 2025): Sala de Parto aquecida (>23°C, ideal 23–25°C); Saco plástico de polietileno 100% (sem secar o bebê antes) + touca plástica;Gases aquecidos e umidificados; Colchão térmico (com cautela para evitar hipertermia); Berço aquecido + monitorização contínua da temperatura. O Clampeamento tardio (≥60 seg) é recomendado, mas exige proteção térmica imediata.PORTANTO: Evitar hipotermia sem cair em hipertermia (>38°C). Usar pacote de medidas + checklist + monitorização rigorosa melhora sobrevida e reduz morbidade nos prematuros.
Palestra Apresentada por Myra Wyckoff (EUA) no Décimo Simpósio Internacional de Reanimação Neonatal ocorrido em Foz do Iguaçu entre os dis 28 e 30 de maio de 2026.
Realizado por Paulo R. Margotto.
A manutenção da NORMOTERMIA (36,5–37,5°C) é fundamental na reanimação do prematuro, pois o frio prejudica a transição circulatória, reduz o surfactante, aumenta apneia, acidose e mortalidade. Cada 1°C abaixo de 36,5°C → ↑ 28–30% mortalidade e ↑ 11% sepse. A hipotermia grave em <32 semanas pode duplicar o risco de morte. As principais causas de perda de calor são: pele imatura, pouca gordura, grande superfície corporal e cabeça. Intervenções mais importantes (ILCOR 2025): Sala de Parto aquecida (>23°C, ideal 23–25°C); Saco plástico de polietileno 100% (sem secar o bebê antes) + touca plástica; Gases aquecidos e umidificados; Colchão térmico (com cautela para evitar hipertermia); Berço aquecido + monitorização contínua da temperatura. O clampeamento tardio (≥60 seg) é recomendado, mas exige proteção térmica imediata. PORTANTO: Evitar hipotermia sem cair em hipertermia (>38°C). Usar pacote de medidas + checklist + monitorização rigorosa melhora sobrevida e reduz morbidade nos prematuros,
Palestra administrada pela Dra. Elisabeth Foglia (EUA) NO 10º Simpósio de Reanimação Neonatal ocorrido entre os dia 27 a 29 de maio de 2026 em Foz do Iguaçu.
1-Para os Bebês a Termo (≥35 semanas), iniciar com 21% (ar ambiente) – Recomendação consolidada (ILCOR 2019), com redução de mortalidade comparado a 100%. 2. Bebês Prematuros (<32 semanas), as evidências são conflitantes, com o NETMOTION (2024) Sugerindo benefício de FiO₂ mais alta (≥90%), o estudo TORPIDO não mostrou diferença entre 30% vs 60% em morte ou lesão cerebral, o ILCOR (2025) recomenda ser razoável iniciar com FiO₂ ≥ 30% (faixa 30–100%).Recomendação Brasileira (2026): Iniciar com 60% em prematuros <32 semanas.Alvo de Saturação de O2 (SpO2): Meta principal: SpO₂ ≥ 80–85% aos 5 minutos de vida.Não atingir esse alvo está associado a maior risco de morte precoce e hemorragia intraventricular grave. Quanto à Titulação de O2:Colocar oxímetro o mais precoce possível (mão direita), lembrando que demora ~2–3 minutos para a mudança de FiO₂ chegar ao bebê, Priorizar boa aeração pulmonar (PEEP/CPAP) – oxigênio sozinho não resolve pulmão não recrutado.Mensagens finais: Prematuros extremos precisam de oxigênio suficiente desde o início (pouco oxigênio pode ser prejudicial). Equilíbrio é fundamental: evitar hipoxemia e hiperóxia e cada Unidade deve ter protocolo claro de titulação. “Oxigênio é uma droga potente: o suficiente salva, o excesso ou a falta prejudica.”
Newborn Brain Society (NBS):Neurologia Neonatal (Visão de Volpe):Joseph J. Volpe, MD.
Realizado por Paulo R. Margotto.
Os prematuros tardios representam cerca de 75% dos prematuros e têm risco significativo de déficits neurodesenvolvimentais (aprox. 4% mesmo nos “saudáveis”). Quando apresentam EHI, o risco de sequelas é bem maior.A neuropatologia característica no prematuro tardio com EHI consiste em Lesão e distúrbio de maturação da substância branca (leucomalácia periventricular, lesão de pré-oligodendrócitos), Comprometimento do desenvolvimento cortical (arborização dendrítica, sinaptogênese e crescimento volumétrico do córtex) e Neuroinflamação prolongada (microgliose e astrogliose reativa), que persiste por semanas e agrava a lesão. O ECR de Faix et al. (2025) (168 bebês de 33–35+6 semanas) não mostrou benefício da HT e sugeriu possível aumento de risco de morte ou deficiência (análise bayesiana). No entanto, o estudo apresenta limitações importantes (tamanho amostral, desbalanço entre grupos, possível maior inflamação no grupo HT). No estudo de El Dib, em 373 bebês de 35 semanas tratados com HT, a mortalidade foi menor que no grupo controle do ECR, especialmente em 35 semanas. Os autores consideram que ainda não há evidências suficientes para mudar as diretrizes atuais que incluem os bebês de 35 semanas nos protocolos de hipotermia. Estudos em fetos de ovelha prematuros (Gunn) mostram que a HT reduz lesão de oligodendrócitos em desenvolvimento, lesão neuronal (hipocampo e gânglios da base) e diminui a inflamação. A neuroinflamação persistente parece ser um mecanismo central de lesão no prematuro tardio, e sua modulação pode ser chave para melhores resultados. Portanto, a lesão cerebral no prematuro tardio com EHI é comum e envolve tanto substância branca quanto córtex em desenvolvimento, com forte componente inflamatório, estudos experimentais são favoráveis à HT, os dados clínicos são inconclusivos e heterogêneos e em bebês de 35 semanas com EHI clara de causa periparto (ex.: evento sentinela) e sem evidência de inflamação fetal/infecciosa, a HT ainda pode ser razoável, especialmente se a instituição não observa dano com seu uso atual. Recomenda discussão cuidadosa com os pais. A mensagem central que Volpe deixa: Ainda não há evidência definitiva contra o uso de hipotermia em prematuros tardios de 35 semanas, sugiro cautela, seleção criteriosa de pacientes e a necessidade de novos estudos mais bem delineados, enquanto mantém a possibilidade de benefício nesse subgrupo específico.
Apresentador (Dr. Gabriel): Gostaria de convidar a Dra. Renata Lourenzete para falar sobre um tema que foi debate no 17th International Newborn Brain Conference, 8-10 de fevereiro de 2026, Naples, Itália , envolvendo três palestrantes de renome: o Dr. Alister Gunn (Nov Zelândia), principal nome na ciência básica de hipotermia terapêutica; o Dr. Abbott Laptook (Estados Unidos), que defende cautela; e o Dr. Mohamed El-Dib (Estados Unidos), que fala a favor do resfriamento em bebês de 35 semanas. A Dra. Renata trará detalhes sobre o veredito dessa discussão.
Os principais pontos do debate foram:Dr. Alister Gunn (ciência básica): Estudos em ovelhas mostraram que prematuros têm fisiologia diferente dos termos (maior tolerância anaeróbica, supressão mais lenta do aEEG, queda mais lenta da pressão arterial). O timing é crítico: o benefício da hipotermia é maior se iniciada antes de 90 minutos de vida. Após 5 horas, a proteção torna-se pouco significativa. Destacou também o risco de necrose tardia da substância branca.Dr. Abbott Laptook (posição contra): Baseado em um trial de 2025 com 168 bebês de 33–35 semanas, observou maior mortalidade no grupo resfriado e dificuldade de controle térmico. Por isso, recomenda cautela e não recomenda o resfriamento sistemático nessa faixa etária. Dr. Mohamed El-Dib (posição a favor): Defende a HT em bebês de 35 semanas, argumentando que o trial citado tem amostra muito pequena de 35 semanas (apenas 28 crianças), insuficiente para mudar diretrizes. Lembrou que a Guideline da Academia Americana de Pediatria de 2014 já incluía os 35 semanas e que muitos centros mantêm a prática com bons resultados clínicos. Enfatiza a avaliação caso a caso. Em conclusão, a fisiologia do bebê de 35 semanas é muito próxima à do termo.: Vale a pena resfriar bebês ≥ 35 semanas, mas com ressalvas importantes:Início o mais precoce possível (idealmente < 90 minutos, preferencialmente nas primeiras 3 horas), controle rigoroso da temperatura (evitar temperaturas abaixo de 32–33°C), realizar ultrassonografia cerebral antes para excluir hemorragia intraventricular nesses bebês de 35 semanas. A mensagem final é não abandonar a prática em 35 semanas, mas individualizar a decisão, priorizando início muito precoce e monitoramento rigoroso.
Abnormal Amplitude–Integrated Electroencephalography and Acidosis as Key Criteria Initiating Therapeutic Hypothermia in Asphyxiated Newborns – Data From the German Hypothermia Registry.Demir S, Groteklaes A, Dresbach T, Müller A, Sabir H; German Hypothermia Registry.Acta Paediatr. 2026 Feb;115(2):482-490. doi: 10.1111/apa.70360. Epub 2025 Oct 29.PMID: 41162838.
Realizado por Paulo R. Margotto.
O estudo analisou dados do Registro Alemão de Hipotermia envolvendo 262 recém-nascidos asfixiados tratados com hipotermia terapêutica (HT) em 74 unidades neonatais na Alemanha. Os critérios mais importantes para iniciar a hipotermia terapêutica foram: acidose metabólica grave (principalmente pH < 7,0), padrões anormais no aEEG (eletroencefalografia integrada por amplitude). O pH baixo foi o melhor preditor bioquímico de atividade cerebral anormal no aEEG (razão de chances muito baixa, com forte significância estatística). O escore de Sarnat mostrou boa correlação com padrões anormais de aEEG, sendo mais útil que o escore de Thompson para identificar encefalopatia moderada a grave. O Apgar de 10 minutos também se associou ao aEEG anormal, mas não deve ser usado isoladamente para decidir a hipotermia. Quase todos os centros (99%) utilizaram aEEG para auxiliar na decisão de iniciar o tratamento. A mensagem principal desse estudo foi que a acidose grave associada a um aEEG anormal é fundamental para confirmar a encefalopatia hipóxico-isquêmica moderada a grave e justificar o início da hipotermia terapêutica. Os autores reforçam a importância de não iniciar a HT apenas com base em critérios clínicos iniciais ou tempo (“tempo é cérebro”), mas sim após uma avaliação mais completa que inclua o aEEG (“tempo é diagnóstico”).
Practical interpretation of ILCOR and neonatal resuscitation program recommendations for initial oxygen concentration for neonatal resuscitation/stabilization. Lakshminrusimha S, Sankaran D, Sollinger C, Vali P, Giusto E.J Perinatol. 2026 Mar 13. doi: 10.1038/s41372-026-02608-x. Online ahead of print.PMID: 41826668 No abstract available.
Realizado por Paulo R. Margotto.
Recomendação ILCOR/NRP 2025: Para prematuros < 32 semanas: é razoável iniciar a reanimação com FiO₂ ≥ 30% (faixa aceitável: 30–100%). Não existe mais recomendação única para todos os prematuros.Ponto fundamental Não atingir SpO₂ (saturação de oxigênio) pré-ductal ≥ 80% aos 5 minutos de vida está associado a maior risco de mortalidade precoce e hemorragia intraventricular grave. Sugestão prática: Usar concentração inicial de O₂ variável conforme idade gestacional (escala deslizante):Prematuros mais extremos (ex.: ≤ 26 semanas) → iniciar com FiO₂ mais alta (próxima a 60–100%) e Prematuros mais maduros (próximo a 32 semanas) → FiO₂ mais baixa (próxima a 30–40%). Ajustar FiO₂ a cada 30 segundos, aumentando em 20–30% conforme a distância da SpO₂ alvo, para atingir rapidamente SpO₂ ≥ 80% aos 5 minutos. Lembrar que Prematuros extremos têm resposta diferente à hipóxia (menor sensibilidade vascular pulmonar ao O₂ e maior risco de depressão respiratória com FiO₂ baixa). PORTANTO: Prematuros extremos não são bebês a termo pequenos. Iniciar com FiO₂ muito baixa pode resultar em hipoxemia prolongada e pior desfecho. Cada unidade deve definir seu protocolo dentro da faixa 30–100%, com titulação rápida guiada por oximetria de pulso, visando SpO₂ ≥ 80% aos 5 minutos.
Paulo R. Margotto.
Trata-se de um relato de um caso de EHI predominantemente antenatal/perinatal com neuroimagem (ultrassonografia transfontanelar e ressonância magnética mostrando lesão difusa cística e walleriana ) no qual hipotetizamos a relevância crítica do exame placentário e a possibilidade de cofatores genéticos em quadros atípicos, embora nenhum desses exames estivesse disponíveis.
Recém-nascido transferido aos 6 dias de vida, com de 36 sem e 4 dias ao nascer, 2364g, cesariana (indicação: trabalho de parto prematuro, sofrimento fetal agudo, líquido meconial fuido), tempo de bolsa rota de 12 horas. Apgar de 7-9 (no entanto: reanimação sob máscara com ventilação por pressão positiva (VPP), um ciclo). Há relato de que o bebê não chorou ao nascer, cianótico, clampeamento do cordão imediato. Após VPP , manteve-se hipotônico, letárgico, não chorou em nenhum momento. Ao ser retirado do O2, reiniciou cianose central, sendo colocado em Hood.Diagnóstico como sífilis congênita. Micrognatia, implantação baixa de orelhas, hipotonia generalizada (não autorizada estudo genético). Teste do pezinho positivo para fibrose cística. Mãe com sífilis não tratada. RX de ossos mostrando periostite, Iniciado penicilina. O primeiro rastreio infeccioso foi normal porém com 24 horas, PCR de 7,41 com queda de plaquetas. Aos 7 dias, em CPAP apresentou piora do padrão respiratório sendo colocado em ventilação mecânica por 12 dias, mas retornou a ventilação mecânica por falha de extubação em duas vezes. Com 9 dias de vida, o EEG prolongado mostrou atividade elétrica cerebral desorganizada para a idade e o bebê apresentava movimentos repetitivos em membro superior esquerdo. Aos 42 dias de vida, o bebe faleceu.
Real–World Therapeutic Hypothermia for Neonatal HIE: Neurodevelopmental Outcomes and Predictors. Bedetti L, Lugli L, Guidotti I, Roversi MF, Muttini EDC, Pugliese M, Bertoncelli N, Spaggiari E, Todeschini A, Ancora G, Grandi S, Gargano G, Gallo C, Motta M, Catenazzi P, Corvaglia LT, Paoletti V, Solinas A, Ballardini E, Perrone S, Moretti S, Stella M, Berardi A, Ferrari F.Acta Paediatr. 2025 Nov;114(11):2874-2884. doi: 10.1111/apa.70186. Epub 2025 Jun 18.PMID: 40533883. Itália.
Realizado por Paulo R. Margotto.
Este estudo observacional prospectivo italiano (Rede Neuronat, 2016–2021: oito UTINs italianas), avaliou os resultados do neurodesenvolvimento de dois anos e os preditores de desfechos desfavoráveis em neonatos com encefalopatia hipóxico-isquêmica(EHI) de qualquer grau tratados com hipotermia terapêutica (HT) fora de ensaios clínicos randomizados (ECRs). As taxas de mortalidade geral (3,8%) e de Incapacidade Funcional Grave (IFG/SFD) (11,6%) foram significativamente menores do que as relatadas em Ensaios Clínicos Randomizados (ECRs) e na maioria dos estudos de coorte anteriores. Preditores de Desfecho Desfavorável: Os fatores mais fortes associados à IFG foram: Convulsões confirmadas por cEEG/aEEG durante a HT (OR = 12,9) e Anomalias graves na Ressonância Magnética (RM) cerebral. Quanto à EHI Leve: nenhuma criança (12,9% da coorte) com EHI leve que recebeu HT desenvolveu desabilidade funcional severa. O estudo destaca a tendência clínica de expandir o uso da HT para casos leves, mas ressalta que o benefício da HT nessa população de baixo risco permanece questionável na ausência de um grupo de controle. Os achados reforçam a eficácia da HT no atendimento de rotina e a importância da monitorização (cEEG/aEEG) e da RM como ferramentas cruciais para o prognóstico.NO ENTANTO… Embora a HT reduza morte e incapacidades graves, déficits cognitivos persistem, especialmente na transição para a escola, quando as exigências cognitivas aumentam. Estudo observacional prospectivo de Vincent IN et al com 58 recém-nascidos (≥36 semanas) internados na UTIN de um hospital de referência em Portugal (2011-2019) para HT devido a EHI mostrou que o acompanhamento a longo prazo é essencial para crianças com EHI tratadas com HT, pois déficits cognitivos leves, muitas vezes associados a lesões na substância branca, podem surgir na idade escolar. A RM neonatal é um preditor robusto para incapacidades moderadas a graves, mas não para déficits leves. Programas de seguimento e intervenções precoces são cruciais para apoiar a transição escolar e minimizar impactos a longo prazo.