Categoria: Distúrbios Neurológicos

Tendências temporais da hemorragia intraventricular em prematuros: uma coorte multicêntrica brasileira

Tendências temporais da hemorragia intraventricular em prematuros: uma coorte multicêntrica brasileira

Temporal trends in intraventricular hemorrhage in preterm infants: A Brazilian multicenter cohort. de Figueiredo Vinagre LE, de Siqueira Caldas JP, Martins Marba ST, Procianoy RS, de Cássia Silveira R, Santiago Rego MA, de Lima Mota Ferreira DM, Sales Alves Junior JM, Dos Santos JPF, Gimenes CB, de Mello E Silva NM, Conde Gonzalez MR, da Silva RPGVC, do Amaral Gomez DBC, do Vale MS, de Souza Rugolo LMS, Meneguel Ogata JF, de Albuquerque Diniz EM, Luz JH, de Almeida JHCL, de Souza MPA, Goncalves Ferri WA.Eur J Paediatr Neurol. 2022 Jul;39:65-73. doi: 10.1016/j.ejpn.2022.05.003. Epub 2022 May 23.PMID: 35696888.

Realizado por Paulo R. Margotto.

A hemorragia intraventricular [HIV] continua sendo um evento relevante em prematuros <34 semanas de idade gestacional, estando, em suas formas graves (III e IV-INFARTO HEMORRÁGICO PERIVENRICULAR), associada a repercussões desfavoráveis no desenvolvimento neurológico. A sua incidência está diretamente relacionada ao grau de prematuridade e à qualidade da assistência prestada. O presente estudo, da Rede Brasileira de Pesquisas Neonatais, avaliando 18 Centros Universitários do país, englobando 6.420 recém-nascidos de 18 Centros incluídos para análise (<1500g ente 23 semanas e 33 semanas e 6 dias), mostrou a ocorrência da HIV em 1.951/30,4% (variação 27,1-33,8%). A HIV grave ocorreu em 32,2% (29,2 a 34,5%), no período entre 2013-2018. A taxa de incidência de HIV nesta coorte brasileira foi alta e revelou uma tendência crescente ao longo do tempo. A taxa de HIV grave também foi preocupante. Na Unidade de Neonatologia do HMIB/SES/DF (2016) a incidência de HIV foi de 15,3% (Graus I e II:9,2% e III-IV: 6%), em bebês de 25 sem e 32sem 6dias. O fornecimento de sódio a partir de produtos sanguíneos administrados foi associado à hemorragia intraventricular grave em recém-nascidos extremamente prematuros.

O fornecimento de sódio a partir de produtos sanguíneos administrados foi associado a hemorragia intraventricular grave em recém-nascidos extremamente prematuros

O fornecimento de sódio a partir de produtos sanguíneos administrados foi associado a hemorragia intraventricular grave em recém-nascidos extremamente prematuros

Sodium supply from administered blood products was associated with severe intraventricular haemorrhage in extremely preterm infants. Späth C, Stoltz Sjöström E, Ågren J, Ahlsson F, Domellöf M.Acta Paediatr. 2022 Sep;111(9):1701-1708. doi: 10.1111/apa.16423. Epub 2022 Jun 10.PMID: 35615868. Artigo Livre!

Realizado por Paulo R. Margotto

O presente estudo teve como objetivo investigar as associações entre hemorragia intraventricular (HIV) grave e desequilíbrios de sódio, bem como oferta de sódio e volume de líquidos em lactentes de extremo baixo peso. Para esse estudo foram usados dados da coorte EXtremely PREterm in Sweden Study (EXPRESS), composta por todos os bebês nascidos de 22 a 26 semanas gestacionais de 2004 a 2007 (n=707), sendo realizado um estudo de caso-controle aninhado para minimizar a confusão (533 lactentes com média ± SD IG de 25,3 ± 1,1 semanas e PN de 763 ± 169 g). A análise foi realizada em 70 pares caso-controle. Os produtos sanguíneos transfundidos incluíram eritrócitos, plasma, trombócitos e albumina. Dos 533 lactentes de extremo baixo peso, 72 lactentes (13,5%) desenvolveram HIV grave (HIV grau III e infarto hemorrágico periventricular, ou seja, hemorragia parenquimatosa combinada com hemorragia intraventricular – entenda melhor a seguir). Quantidades crescentes de sódio e fluido de produtos sanguíneos transfundidos, bem como o aumento do volume de transfusão per se, foram associados a um risco aumentado de HIV grave (bebês com HIV grave receberam 45% de sua ingestão total de sódio de transfusões, principalmente eritrócitos e plasma). Interessante que o hospital com as diretrizes de transfusão mais rígidas teve uma incidência limítrofe menor de HIV grave em comparação com os outros hospitais, corroborando a associação entre o fator transfusão e o risco de HIV nessa coorte.

HEMORRAGIA PERI/INTRAVENTRICULAR: Como prevenir/Leucomalácia Periventricular (2022)

HEMORRAGIA PERI/INTRAVENTRICULAR: Como prevenir/Leucomalácia Periventricular (2022)

Paul R. Margotto.

Reunião com a Residência de Neonatologia do HMIB/SES/DF em 22 de agosto de 2022

Então, falando francamente!: Nos primeiros 3-4dias de vida (Os 12 Mandamentos!)

›Atrasar o clampeamento do cordão (EVITAR ORDENHA<28 SEM)

›Evitar aspirações de cânulas de rotina

›Evitar o manuseio excessivo (Punção lombar ), evitar o barulho

›Aconchegar o recém-nascido

›Avaliar a presença de dor; Evitar punções de calcanhares; Agrupar tarefas;

›RN no respirador: avaliar a assincronia; evitar PaCO2>52mmHg (3os dias vida)

›Evitar excessivas aspirações traqueais

›Ao usar o surfactante: nas primeiras 2 horas de vida

›Priorizar o uso de CPAP nasal

›Evitar pneumotórax

›Evitar infusão rápida de volumes/ altas cargas de sódio, uso consciencioso de drogas vasoativas

›Identificar RN com PCA que necessita  de tratamento

Gravidade da Convulsão e Resposta ao Tratamento em Recém-nascidos com Convulsões Atribuídas à Hemorragia Intracraniana

Gravidade da Convulsão e Resposta ao Tratamento em Recém-nascidos com Convulsões Atribuídas à Hemorragia Intracraniana

Seizure Severity and Treatment Response in Newborn Infants with Seizures Attributed to Intracranial Hemorrhage. Herzberg EM, Machie M, Glass HC, Shellhaas RA, Wusthoff CJ, Chang T, Abend NS, Chu CJ, Cilio MR, Bonifacio SL, Massey SL, McCulloch CE, Soul JS; Neonatal Seizure Registry study group.J Pediatr. 2022 Mar;242:121-128.e1. doi: 10.1016/j.jpeds.2021.11.012. Epub 2021 Nov 13.PMID: 34780777.

Realizado por Paulo R. Margotto, Marta David Rocha de Moura, Lucas do Carmo e Miguel Nieto.

A hemorragia intracraniana (HIC) é uma importante causa de morbidade neonatal e uma das etiologias mais comuns de convulsões neonatais  A coorte estudada NSR  (Registro de Convulsões Neonatais) incluiu 513 bebês nascidos a termo e 92 bebês nascidos prematuros. A HIC como causa de convulsões é mais comum em bebês nascidos prematuros (27%-33%) do que em bebês nascidos a termo, e a HIC é a causa mais comum de convulsões em bebês nascidos com ≤32 semanas de gestação. A maioria das crianças teve convulsões subclínicas  (74%) e uma resposta incompleta à medicação anticonvulsiva inicial (ASM) (68%). Interessante foi que quase todos os bebês (93%) com HIC multissítio tiveram convulsões subclínicas O estado de mal epiléptico  foi mais comum entre os recém-nascidos a termo com  encefalopatia hipóxico-isquêmica e HIC vs EHI sozinho. Assim, os médicos devem considerar iniciar o monitoramento por video eletroencefalograma contínuo para bebês com hemorragia parenquimatosa e HIV de alto grau, mesmo na ausência de convulsões clínicas, devido à alta gravidade das convulsões subclínicas frequentes nessa população para melhorar a detecção de convulsões e um plano de tratamento em várias etapas que considere o uso precoce de ASMs.

ARTIGO 5.602: ENSAIO DE ERITROPOIETINA (EPO) PARA ENCEFALOPATIA HIPÓXICO-ISQUÊMICA EM RECÉM-NASCIDOS

ARTIGO 5.602: ENSAIO DE ERITROPOIETINA (EPO) PARA ENCEFALOPATIA HIPÓXICO-ISQUÊMICA EM RECÉM-NASCIDOS

Trial of Erythropoietin for Hypoxic–Ischemic Encephalopathy in Newborns.

Wu YW, Comstock BA, Gonzalez FF, Mayock DE, Goodman AM, Maitre NL, Chang T, Van Meurs KP, Lampland AL, Bendel-Stenzel E, Mathur AM, Wu TW, Riley D, Mietzsch U, Chalak L, Flibotte J, Weitkamp JH, Ahmad KA, Yanowitz TD, Baserga M, Poindexter BB, Rogers EE, Lowe JR, Kuban KCK, O’Shea TM, Wisnowski JL, McKinstry RC, Bluml S, Bonifacio S, Benninger KL, Rao R, Smyser CD, Sokol GM, Merhar S, Schreiber MD, Glass HC, Heagerty PJ, Juul SE; HEAL Consortium.N Engl J Med. 2022 Jul 14;387(2):148-159. doi: 10.1056/NEJMoa2119660.PMID: 35830641 Clinical Trial.

Realizado por Paulo R. Margotto.

Estudo clínico (2014) na Suíça multicêntrico, randomizado, duplo cego, prospectivo mostrou maiores os escores de lesão cerebral nos prematuros não tratados com eritropoietina ( EPO).  No entanto, estudo de Juul SE et al (2020), multicêntrico, randomizado e duplo-cego de eritropoietina em altas doses com cerca de 1000 bebês com uso da eritropoietina a partir de 24 horas do nascimento até 32 semanas de idade pós-menstrual na neuroproteção do prematuro não resultou em um risco menor de comprometimento do neurodesenvolvimento grave ou morte aos 2 anos de idade. Vejamos agora a EPO (altas doses) + Hipotermia terapêutica (a hipotermia terapêutica é a única terapia neuroprotetora que melhorou os resultados do neurodesenvolvimento em grandes ensaios envolvendo humanos; porém, até 40% lactentes que receberam esta terapia durante um ensaio clínico morreu ou teve deficiências de longo prazo, incluindo paralisia cerebral e intelectual deficiência. Foram envolvidas  500 crianças (257 receberam eritropoietina e 243 receberam placebo). Os autores detectaram que múltiplas doses altas de eritropoietina administradas com hipotermia terapêutica a recém-nascidos a termo e próximo do  termo com encefalopatia hipóxico-isquêmica moderada ou grave não afetou significativamente a incidência de morte ou comprometimento do neurodesenvolvimento aos 2 a 3 anos de idade. E mais: os bebês que receberam eritropoietina foram mais propensos a ter pelo menos um evento adverso grave e tiveram maior número de eventos adversos graves do que aqueles que receberam placebo. Interessante que  em alguns países, 13 a 27% dos hospitais pesquisados ​​recentemente estão usando eritropoietina para tratar encefalopatia hipóxico-isquêmica em lactentes, com ou sem hipotermia! ( a falta de benefício observada nesse grande estudo randomizado controlado por placebo põe em dúvida a prática). Dados clínicos de segurança de um ensaio clínico em andamento (EPO em altas doses  e hipotermia terapêutica), inesperadamente te mostrado uma maior incidência de anormalidades comportamentais aos 2 anos de idade entre as crianças do grupo eritropoietina do que entre aquelas do grupo placebo.

Hipocapnia nas primeiras horas de vida está associada à lesão cerebral na encefalopatia neonatal moderada a grave

Hipocapnia nas primeiras horas de vida está associada à lesão cerebral na encefalopatia neonatal moderada a grave

Hypocapnia in early hours of life is associated with brain injury in moderate to severe neonatal encephalopathy. Szakmar E, Munster C, El-Shibiny H, Jermendy A, Inder T, El-Dib M.J Perinatol. 2022 Jul;42(7):892-897. doi: 10.1038/s41372-022-01398-2. Epub 2022 Apr 23.PMID: 35461333

Realizado por Paulo R. Margotto

Nos últimos anos, evidências crescentes sustentam que existe uma associação entre hipocapnia e comprometimento neurológico nessa população. O objetivo primário deste estudo foi avaliar a associação entre hipocapnia (PCO2≤35 mmHg) nas primeiras 24 h e lesão cerebral avaliada por RM pós-reaquecimento em lactentes que receberam HT para encefalopatia hipóxico-isquêmica (EHI) com um número significativo de casos leves. Nos pacientes com EHI moderada-grave, foi detectado um aumento de 6% no escore total de lesão cerebral na RM para cada hora extra gasta na faixa hipocápnica no modelo de regressão ajustado. A hipocapnia tem o potencial de exacerbar a lesão cerebral via vasoconstrição cerebral e redução do fluxo sanguíneo cerebral, diminuição do suprimento de oxigênio devido ao desvio para a esquerda da curva da oxihemoglobina e aumento da demanda de O 2 através do aumento da neuro-excitabilidade. A hipocapnia também pode causar fragmentação do DNA no córtex cerebral, peroxidação lipídica da membrana e morte celular por apoptose, como mostrado em modelos animais. Assim, o manejo respiratório cuidadoso e o monitoramento contínuo e não invasivo de CO2 são necessários  ​​nessa população de alto risco. Ter em mente que durante a hipotermia, a PaCO2 arterial diminui e o pH aumenta em comparação com a temperatura de 37 °C, quando as medidas são feitas com a temperatura corporal real (assim,  a hipotermia-33°C- o pH se elevará a 7,5 e a  pCO2 baixará para 34 mmHg)

NEUROSSONOGRAFIA NEONATAL- Compartilhando imagens: ARMADILHAS NA FORMAÇÃO DA IMAGEM

NEUROSSONOGRAFIA NEONATAL- Compartilhando imagens: ARMADILHAS NA FORMAÇÃO DA IMAGEM

Paulo R. Margotto / Naima Moura Hamidah.

Muitos artefatos sugerem a presença de estruturas que de fato não estão presentes. Aqueles incluem a reverberação e a refração.

–Os artefatos de reverberação se originam quando o sinal ultrassonográfico reflete repetidamente entre interfaces reflexivas, porém nem sempre próximas ao transdutor.

As reverberações podem também dar a falsa impressão de estruturas sólidas em áreas onde apenas liquido está presente.

Os artefatos de reverberação podem usualmente ser reduzidos ou eliminados pela mudança no ângulo de aquisição das das imagens 

-A refração provoca uma curvatura no feixe de som de maneira que aqueles que não estejam ao longo do eixo do transdutor sejam atingidos. Suas reflexões são então detectadas e mostradas na imagem. Isto pode fazer com que apareçam estruturas na imagem que de fato estão fora do volume que o investigador presume que está sendo examinado.

Acompanhamento do Recém-Nascido Termo após Encefalopatia hipóxico-isquêmica

Acompanhamento do Recém-Nascido Termo após Encefalopatia hipóxico-isquêmica

Follow-up of the term infant after hypoxic–ischemic encephalopathy Follow-up of the term infant after hypoxic–ischemic encephalopathy.Robertson CM, Perlman M.Paediatr Child Health. 2006 May;11(5):278-82.PMID: 19030289 Free PMC article. Artigo Livre!

Apresentação: Lays S. P. Pimentel – Residente em Neonatologia. Coordenação: Carlos Zaconeta.

 

Objetivos do acompanhamento: detectar comprometimento ou normalidade, manter os pais informados, promover a intervenção precoce e detectar mudanças nos resultados.

Objetivos do artigo: descrever um esquema de acompanhamento para recém-nascidos com encefalopatia hipóxico-isquêmica (EHI) e explicar sua base.

A base depende do diagnóstico preciso da EHI neonatal, sendo necessário para identificar, categorizar e selecionar os pacientes para acompanhamento.

Foi resumida a literatura sobre predição de desfecho nos primeiros dias após o nascimento, o que é necessário para fornecer informações às famílias e individualizar o acompanhamento.

Com base no prognóstico de recém-nascidos adequadamente categorizados, sugere-se um plano de acompanhamento e intervenção precoce.

IMPORTÂNCIA DO ULTRASSOM (US) TRANSFONTANELAR NA UTI NEONATAL

IMPORTÂNCIA DO ULTRASSOM (US) TRANSFONTANELAR NA UTI NEONATAL

Paulo R. Margotto.

Live do Hospital Brasília, REDE DASA.

Brasília 13 de junho de 2022.

OBJETIVO: reflexão  do porque você solicitou o US transfontanelar.

“A enorme massa do saber quantificável e tecnicamente utilizável não passa de veneno se for privada da força libertadora da reflexão” (eu acrescentaria: do compartilhamento)

J. Adorno