Persistência do canal arterial patente (PCA) e desfechos no desenvolvimento neurológico: uma abordagem terapêutica restritiva não compromete o desenvolvimento neurológico
Patent Ductus Arteriosus Persistence and Neurodevelopmental Outcomes: A Restrictive Treatment Approach Does Not Compromise Neurological Development. Kallenberger M, Bartling A, Hüning B, Dewan MV, Bialas J, Middendorf L, Dathe AK, Felderhoff-Müser U, Stein A. Acta Paediatr. 2026 Jul;115(7):1461-1466. doi: 10.1111/apa.70511. Epub 2026 Mar 20.PMID: 41860109. Alemanha.
Realizado por Paulo R. Margotto.
Entre os pontos mais essenciais do estudo destacamos: Abordagem Conservadora é Segura: o manejo restritivo/conservador da PCA em prematuros com idade gestacional ≤ 32 semanas não compromete o desenvolvimento neurológico (cognitivo, motor ou de linguagem) aos 2 anos de idade corrigida.Determinantes Reais do Neurodesenvolvimento: O futuro neurológico dessas crianças é determinado fundamentalmente pela idade gestacional ao nascer e pelas comorbidades associadas (como a displasia broncopulmonar), e não pelo tempo de duração da PCA. Alterações de Exame sem Repercussão Clínica: embora o canal aberto tenha associação estatística com um diâmetro transcerebelar menor e com micro-hemorragias cerebrais leves (HIV ≤ II) na ressonância magnética, esses achados são subclínicos e não geram prejuízos funcionais aos 2 anos.Perigos do Tratamento Farmacológico Ativo: dados de um grande ensaio clínico randomizado revelaram que tentar fechar o canal com medicamentos em prematuros extremos dobrou a taxa de mortalidade (9,6% no grupo tratado ativamente vs. 4,1% na conduta expectante de “esperar para ver”) e aumentou significativamente o risco de infecções fatais (3,8% vs. 0,8%). A conduta expectante (conservadora) consolida-se, portanto, como a estratégia mais segura para o manejo da PCA em prematuros.
