Categoria: Nutrição do Recém-nascido

Nutrição Parenteral em Prematuros Extremos

Nutrição Parenteral em Prematuros Extremos

Marta David Rocha de Moura.

A nutrição parenteral (NP) é fundamental para apoiar o crescimento e desenvolvimento normais dos prematuros, prevenindo a restrição do crescimento e seus efeitos adversos. Recém-nascidos pré-termo possuem estoques limitados de nutrientes e podem desenvolver deficiência de energia, proteínas e ácidos graxos essenciais em apenas dois dias se não receberem nutrição adequada, especialmente aqueles com peso de nascimento inferior a 1000 gramas.

Nutrição Enteral em Prematuros Extremos

Nutrição Enteral em Prematuros Extremos

Alessandra de Cássia Gonçalves Moreira.

O nascimento prematuro é uma emergência nutricional. A nutrição adequada combate diversas complicações a longo prazo, como alterações renais e cardiovasculares, elevação da pressão arterial, adiposidade desfavorável, e riscos aumentados de enterocolite necrosante (ECN), sepse tardia e atrasos no neurodesenvolvimento.

ONG DA PREMATURIDADE 10 ANOS! COORDENAÇÃO GERAL: Denise Suguitani: 1o ENCONTRO NACIONAL DA PREMATURIDADE (São Paulo, 15/6/2025): Nutrição e Desenvolvimento do Prematuro Pós-Alta

ONG DA PREMATURIDADE 10 ANOS! COORDENAÇÃO GERAL: Denise Suguitani: 1o ENCONTRO NACIONAL DA PREMATURIDADE (São Paulo, 15/6/2025): Nutrição e Desenvolvimento do Prematuro Pós-Alta

Viviane Matos.

Realizado por Paulo R. Margotto

O acompanhamento pós-alta deve ser holístico, promovendo crescimento e desenvolvimento sem deficiências nutricionais, com foco no aleitamento materno, introdução alimentar adequada e suplementação estratégica, sempre considerando o contexto familiar e as particularidades do prematuro.

ONG DA PREMATURIDADE 10 ANOS! COORDENAÇÃO GERAL: Denise Suguitani: 1o ENCONTRO NACIONAL DA PREMATURIDADE (São Paulo, 15/6/2025):O papel da amamentação e as estratégias para a sua continuidade

ONG DA PREMATURIDADE 10 ANOS! COORDENAÇÃO GERAL: Denise Suguitani: 1o ENCONTRO NACIONAL DA PREMATURIDADE (São Paulo, 15/6/2025):O papel da amamentação e as estratégias para a sua continuidade

Marcus Renato de Carvalho.

Realizado por Paulo R. Margotto

O sucesso da amamentação em prematuros depende de uma abordagem interdisciplinar, com suporte contínuo à lactante e manejo educacional, garantindo os benefícios imunológicos e nutricionais do leite humano. O envolvimento da família é crucial!

ONG DA PREMATURIDADE 10 ANOS! COORDENAÇÃO GERAL: Denise Suguitani: 1o ENCONTRO NACIONAL DA PREMATURIDADE (São Paulo, 15/6/2025):Alimentação de Prematuros: Desafios e Prontidão

ONG DA PREMATURIDADE 10 ANOS! COORDENAÇÃO GERAL: Denise Suguitani: 1o ENCONTRO NACIONAL DA PREMATURIDADE (São Paulo, 15/6/2025):Alimentação de Prematuros: Desafios e Prontidão

Patrícia Junqueira.

Realizado por Paulo R. Margotto.

“Será que sabemos o que significa na essência um bebê ser totalmente funcional nas suas habilidades para ser alimentado/comer?”A alimentação de prematuros deve ser holística, respeitando o desenvolvimento global, experiências do bebê e contexto familiar, promovendo um aprendizado alimentar saudável, prazeroso e sem estresse

Buscando a Nutrição Ideal dos Recém-Nascidos Prematuros: Estratégias Para Melhorar os Resultados a Curto e Longo Prazo

Buscando a Nutrição Ideal dos Recém-Nascidos Prematuros: Estratégias Para Melhorar os Resultados a Curto e Longo Prazo

Palestra administrada por Mandy Belfort no IX  Encontro Internacional de  Neonatologia, Gramado, RS, 3-5 de abril de 2025.

Realizado por Paulo R. Margotto

Bebês muito prematuros (<1500 g) têm alta vulnerabilidade nutricional devido à perda de nutrientes do terceiro trimestre, imaturidade digestiva e doenças críticas. O leite materno fortificado é ideal, reduzindo o risco de enterocolite necrosante (15-20% a cada 10% adicional na dieta) e promovendo melhor neurodesenvolvimento (maior QI, menos TDAH). Leite de doadora também é protetor. Sem fortificação, o leite humano não supre necessidades de proteína, cálcio e outros nutrientes. Fortificação do leite  humano pode ser:  Padrão (dose fixa para bebês <1500-1800 g,), Ajustável (adapta proteína/gordura conforme crescimento:o conteúdo proteico do leite biologicamente muda ao longo do tempo. Os prematuros tem 2.2/g/dL de proteína e depois cai para <1 g/dL na semana 10 – 12. Então, talvez o leite que o bebê receba de sua mãe na semana 2 é bem diferente em conteúdo proteico do que o leite que receberá uns dois, uns meses depois. Não levamos isso em conta quando fazemos a fortificação) e Direcionada ( personaliza com análise diária do leite, mas ainda não é rotineira devido a custos e complexidade. Os impactos são: Crescimento: melhora do  peso, comprimento e crescimento cefálico. Estudos recentes com fortificação universal nos EUA mostram crescimento semelhante entre leite humano fortificado e fórmula. Neurodesenvolvimento: está associado a melhor volume cerebral, mielinização e organização microestrutural, além de menor risco de comprometimento motor aos 3 anos. Componentes como DHA, lactoferrina e mio-inositol são cruciais).

 

A ingestão parenteral precoce de lipídios auxilia no neurometabolismo cerebelar em bebês prematuros na idade de termo

A ingestão parenteral precoce de lipídios auxilia no neurometabolismo cerebelar em bebês prematuros na idade de termo

Early parenteral lipid intake supports cerebellar neurometabolism at term-age in preterm infants. Basu SK, Ottolini KM, Kapse KJ, Ngwa J, Hui SCN, Andescavage N, Murnick J, du Plessis AJ, Limperopoulos C.J Perinatol. 2025 Jun 23. doi: 10.1038/s41372-025-02336-8. Online ahead of print.PMID: 40550844.

Realizado por Paulo R. Margotto.

A nutrição parenteral precoce é crucial para compensar a interrupção da transferência  transplacentária de nutrientes, especialmente lipídios, essenciais para o desenvolvimento cerebral e retiniano. Análise secundária de um estudo de coorte prospectivo (2016-2020) com 48 bebês prematuros (média de 28,3 semanas de IG) avaliou a relação entre a ingestão parenteral de lipídios e calorias nas primeiras 4 semanas de vida e os neurometabólitos cerebelares (N-acetil aspartato [NAA] e glutamato [Glx]) na idade equivalente ao termo (TEA), usando espectroscopia por ressonância magnética (1H-RM). A nutrição parenteral começou com 1 g/kg/d de lipídios (Intralipid® ou SMOFlipid®) e 3 g/kg/d de proteínas, aumentando para 3 g/kg/d de lipídios e 3,5-4 g/kg/d de proteínas. A ingestão parenteral precoce de lipídios nas primeiras 4 semanas de vida está associada a maiores concentrações de NAA e Glx no cerebelo, sugerindo suporte à maturação metabólica cerebral em prematuros sem lesão cerebral estrutural. Esses achados indicam um papel neuroprotetor dos lipídios, justificando mais estudos sobre impactos a longo prazo no neurodesenvolvimento.

Leite humano e desenvolvimento cerebral de recém-nascidos prematuros

Leite humano e desenvolvimento cerebral de recém-nascidos prematuros

Palestra administrada por Mandy Belfort no IX  Encontro Internacional de  Neonatologia, Gramado, RS, 3-5 de abril de 2025.

Realizado por Paulo R. Margotto.

A internação na UTIN coincide com uma janela crítica (24-29 semanas gestacionais) onde o cérebro dos prematuros é sensível aos estímulos ambientais, como nutrição. A subnutrição nesse período leva a um transtorno de crescimento pós-natal, com peso e perímetro cefálico abaixo das curvas de referência intrauterina. Estudos mostram que uma dieta baseada no leite materno promove melhor neurodesenvolvimento, especialmente em prematuros extremos (<30 semanas). Os benefícios incluem maior QI, melhores resultados em matemática, leitura, memória de trabalho, função motora e menos sintomas de TDAH aos 7 anos. O leite materno fortificado é superior à fórmula, com maior ganho de peso e crescimento cefálico. Exames de ressonância mostram que prematuros alimentados com leite materno (>50% da dieta) maior apresentam volume de substância cinzenta nuclear profunda, melhor mielinização da substância branca (ex.: corpo caloso) e maior organização microestrutural cerebral na idade equivalente ao termo, correlacionando-se com estudos neurocognitivos. Componentes como DHA (ácido ducosahexaenoico), lactoferrina e mio-inositol no leite materno são benéficos para o crescimento cerebral, conectividade neuronal e proteção contra lesões (ex.: enterocolite necrosante). Suplementação de DHA mostrou aumento de QI aos 5 anos. Leite de doadora não apresentou vantagens neurodesenvolvimentais significativas em comparação com a fórmula fortificada, possivelmente devido a déficits nutricionais.

Dieta exclusiva com leite humano está associada a menor risco de comprometimento da função motora aos três anos de idade corrigida

Dieta exclusiva com leite humano está associada a menor risco de comprometimento da função motora aos três anos de idade corrigida

Exclusive human milk diet is associated with lower risk of motor function impairment at three years of corrected age. Chou FS, Zhang J, Villosis MFB, Lakshmanan A.J Perinatol. 2025 Apr 21. doi: 10.1038/s41372-025-02296-z. Online ahead of print.PMID: 40259098. Artigo Gratis!

Realizado por Paulo R. Margotto.

 

Os bebês que receberam   leite humano (materno ou doado) fortificado com fortificante à base de leite humano (LHM) por ≥75% dos dias até 33 6/7 semanas de idade pós-menstrual em comparação aos que receberam leite humano fortificado com proteína bovina  ou fórmula apresentaram redução do risco de comprometimento da função motora, possivelmente devido a componentes como lactoferrina (Proteína anti-inflamatória que promove o crescimento cerebral e reduz inflamação sistêmica) , ácidos graxos poli-insaturados de cadeia longa (LC-PUFA, ex.: DHA e ARA: essenciais para membranas celulares neurais, associado a maior quociente de inteligência aos 5 anos), mio-Inositol (promove conectividade neuronal, especialmente nos estágios iniciais da lactação) e  oligossacarídeos do leite humano, os HMOs (fortalecem a barreira intestinal e modulam o microbioma, contribuindo para o neurodesenvolvimento) . Apesar de o leite humano doado (LHD) pasteurizado ter menor conteúdo nutricional, a fortificação com proteína do leite humano restaura componentes bioativos, como lactoferrina. “Apenas uma pequena percentagem de recém-nascidos humanos deve correr o risco de ingerir fórmulas artificiais” (Forestes Cockburn).

Hot points da Terapia Nutricional no recém-nascido pré-termo

Hot points da Terapia Nutricional no recém-nascido pré-termo

Apresentação de Rubens Feferbaum no XXXII Encontro Internacional de Neonatologia da Santa Casa de São Paulo, 12-17/5/2025

Realizado por Paulo R. Margotto.

São abordados  os Desafios e Diretrizes da Terapia Nutricional em recém-nascidos pré-termos, com foco em nutrição parenteral (NP), enteral (NE), transição entre elas, colostroterapia e prevenção de complicações. Objetivos da Terapia Nutricional: promover crescimento semelhante ao intrauterino (15 g/kg/dia); garantir desenvolvimento neurológico adequado; prevenir doenças crônicas não transmissíveis a longo prazo; evitar subnutrição e catabolismo proteico; proteger o sistema nervoso central e reduzir inflamação, considerando eixos como intestino-cérebro e intestino-pulmão. Recomenda-se iniciar NP imediatamente após o nascimento com acesso vascular, fornecendo 1,5 g/kg/dia de aminoácidos (AA) no 1º dia, progredindo para 2,5–3,5 g/kg/dia (máximo 3 g/kg/dia para evitar sepse). Evidência: baixa, recomendação forte (ASPEN). Aminoácidos: Cisteína (antioxidante), taurina (desenvolvimento retinal) e arginina (óxido nítrico, insulina) são cruciais. Estabilizam glicemia e reduzem catabolismo. Lipídios: Iniciar com 1–2 g/kg/dia, progredindo para 3–4 g/kg/dia. Emulsões multicompartimentadas (óleo de peixe, ômega-3) reduzem inflamação e melhoram capacidade antioxidante. NICE (2020) recomenda início precoce. Eletrólitos: Suplementar sódio, potássio, cálcio e fósforo desde o 1º dia para evitar Síndrome de Realimentação (SR), caracterizada por hipofosfatemia (<4 mg/dL, grave <2,5 mg/dL), hipocalemia (<3 mEq/L) e hipomagnesemia (<1,5 mEq/L). Fósforo é crítico devido à depleção placentária. Micronutrientes: Zinco, selênio e outros são essenciais, mas há limitações no Brasil. Deficiência de selênio agrava displasia broncopulmonar e retinopatia. Colostroterapia: Modula microbiota intestinal, reduzindo enterocolite necrosante. Na ausência do colostro da própria mãe, pode ser usado o colostro pasteurizado (contém pré-bióticos,  oligossacarídeos [HMOs]  que são resistentes à pasteurização e promovem Lactobacillus e Bifidobacterium. Progressão: Avanço de 18–30 mL/kg/dia com leite humano não aumenta riscos (sepse, enterocolite). Não medir resíduo gástrico rotineiramente, salvo se colorido. Fortificação: Essencial para prematuros de muito baixo peso, garantindo crescimento e mineralização óssea. Transição NP/NE: Fase crítica para evitar déficits nutricionais. Manter NP até NE atingir 135 mL/kg/dia (leite fortificado) ou 110 kcal/kg/dia. Aporte proteico mínimo: 4 g/kg/dia. Complicações: Síndrome de Realimentação: Risco em 20–38% dos prematuros extremos, associada a hipofosfatemia e sepse. Prevenir com suplementação precoce de fósforo e monitoramento de eletrólitos. Colestase Associada à NP: Reduzida com NE precoce, ciclagem de NP (a cada 12 horas) e emulsões multicompartimentadas (óleo de peixe, vitamina E). Evitar jejum prolongado