Categoria: Nutrição do Recém-nascido

A suplementação enteral de zinco afeta o crescimento e o neurodesenvolvimento em bebês prematuros?

A suplementação enteral de zinco afeta o crescimento e o neurodesenvolvimento em bebês prematuros?

Does enteral zinc supplementation affect growth and neurodevelopment in preterm infants? Creed PV, Rose RS.J Perinatol. 2023 Jun;43(6):823-826. doi: 10.1038/s41372-023-01698-1. Epub 2023 May 18.PMID: 37202445 No abstract available. Estados Unido

Realizado por Paulo R. Margotto.

Esta metanálise mostrou que em bebês prematuros, a suplementação de zinco está associada à melhora do peso e comprimento aos 3-6 meses de idade com evidência moderada de certeza. O efeito da suplementação de zinco no perímetro cefálico foi estatisticamente significativo apenas para bebês PIG com evidência de certeza moderada. A suplementação com zinco melhorou os escores motores em bebês aos seis meses de idade, mas a certeza da evidência foi muito baixa.

 

Dilemas no estabelecimento da alimentação enteral pré-termo: por onde começamos e com que rapidez avançamos?

Dilemas no estabelecimento da alimentação enteral pré-termo: por onde começamos e com que rapidez avançamos?

Dilemmas in establishing preterm enteral feeding: where do we start and how fast do we go?Assad M, Jerome M, Olyaei A, Nizich S, Hedges M, Gosselin K, Scottoline B.J Perinatol. 2023 May 11. doi: 10.1038/s41372-023-01665-w. Online ahead of print.PMID: 37169912 Review.

Realizado por Paulo R. Margotto

Uma questão diária enfrentada pelos neonatologistas que cuidam de bebês prematuros é como iniciar, avançar e atingir a nutrição enteral completa suficiente para satisfazer as necessidades de nutrientes, energia e líquidos de bebês de muito baixo peso, minimizando o risco. Nesta perspectiva, os autores fornecem  uma visão geral das abordagens e dados de apoio para iniciar e avançar a alimentação enteral em bebês prematuros, particularmente bebês com muito baixo peso ao nascer e discutem as lacunas significativas no conhecimento que acompanham as abordagens atuais

Alimentação de lactentes com encefalopatia hipóxico-isquêmica durante hipotermia terapêutica

Alimentação de lactentes com encefalopatia hipóxico-isquêmica durante hipotermia terapêutica

Feeding infants with hypoxic ischemic encephalopathy during therapeutic hypothermia. Ravikumar C, Pandey R.J Perinatol. 2022 Sep 24. doi: 10.1038/s41372-022-01520-4. Online ahead of print.PMID: 36153408 No abstract available.

Realizado por Paulo R. Margotto.

A enterocolite necrosante é rara em bebês que recebem hipotermia terapêutica. A nutrição enteral em lactentes que recebem hipotermia terapêutica pode estar associada a resultados benéficos, embora a confusão residual não possa ser completamente descartada. Os autores deste estudo relatam que suas descobertas apoiam o início da alimentação com leite durante a hipotermia terapêutica em recém-nascidos a termo ou próximo ao termo com EHI. No entanto, pesquisas futuras devem se concentrar na identificação das características dos bebês que podem se alimentar com segurança durante a hipotermia terapêutica. O desenvolvimento de um escore de pontuação de gravidade clínica usando fatores de risco clínicos e monitoramento de perfusão intestinal pode orientar os médicos na identificação de bebês para alimentação durante a hipotermia terapêutica.

Efeito da voz materna na proporção de alimentação oral em prematuros

Efeito da voz materna na proporção de alimentação oral em prematuros

Effect of maternal voice on proportion of oral feeding in preterm infants. Chhikara A, Hagadorn JI, Lainwala S.J Perinatol. 2022 Aug 18. doi: 10.1038/s41372-022-01493-4. Online ahead of print.PMID: 35982244

Realizado por Paulo R. Margotto.

Já é do nosso conhecimento que o atraso na obtenção de uma alimentação oral bem-sucedida é comum em bebês prematuros e pode prolongar sua internação hospitalar. Uma dessas potenciais intervenções é expor os prematuros na Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN) à voz da mãe (tem um efeito estimulador: proporciona maior estabilidade cardiorrespiratória, melhor tolerância alimentar, desenvolvimento de um córtex auditivo maior e melhores resultados de neurodesenvolvimento. A exposição vocal (leitura) ocorreu por ≥20 min começando 20-30 min antes da alimentação oral, duas vezes ao dia, uma vez durante cada turno do dia e da noite, geralmente com 12 h de intervalo. Essa intervenção ocorreu até alcançar a nutrição enteral plena. Em comparação com a linha de base anterior, os alimentos de intervenção foram associados a um aumento ajustado de 7,1 pontos percentuais na ingestão oral (p  = 0,036) e na análise post-hoc um aumento de 71% na probabilidade de ter a maior pontuação de prontidão alimentar (p  = 0,003). É possível incluir a voz materna como parte do fluxo de trabalho da UTIN, encorajando as mães a ler ou falar antes das mamadas.

 

A alimentação com fórmula no início da vida está associada a alterações na microbiota intestinal infantil e a um aumento da carga de resistência a antibióticos

A alimentação com fórmula no início da vida está associada a alterações na microbiota intestinal infantil e a um aumento da carga de resistência a antibióticos

Earlylife formula feeding is associated with infant gut microbiota alterations and an increased antibiotic resistance load.Pärnänen KMM, Hultman J, Markkanen M, Satokari R, Rautava S, Lamendella R, Wright J, McLimans CJ, Kelleher SL, Virta MP.Am J Clin Nutr. 2022 Feb 9;115(2):407-421. doi: 10.1093/ajcn/nqab353.PMID: 34677583 Free PMC article. Artigo Livre!

Realizado por Paulo R. Margotto.

Já é do nosso conhecimento que o uso de antibióticos tem um papel bem estabelecido na formação do resistoma dos bebês e que  o número e a extensão dos tratamentos com antibióticos na infância afetam a abundância dos genes de resistência a antibióticos. No entanto, há conhecimento limitado sobre outros fatores que afetam a carga de resistência aos antibióticos do intestino infantil e entre esses, a alimentação com fórmulas no início da vida, que foi o objetivo desse estudo. O presente estudo  foi desenhado para eliminar o efeito do uso de antibióticos Foram coletados dados metagenômicos de amostras fecais transversais colhidas na idade de 7 a 36 dias de 46 bebês nascidos prematuros entre 27 e 37 semanas de gestação (21 lactentes foram alimentados com fórmula infantil comercial (Neosure), 20 foram alimentados com leite materno com fortificante de leite humano (Similac) e 5 foram alimentados apenas com leite humano (mãe ou doadora). Os bebês alimentados com qualquer fórmula tiveram abundâncias de genes de resistência a antibióticos significativamente aumento de 70%!) em relação aos bebês alimentados apenas com leite materno ou alimentados com leite suplementado com fortificante. Nesse contexto  não foram observadas  diferenças entre bebês alimentados com fortificante em comparação com bebês alimentados apenas com leite materno.  Além disso, não houve diferenças entre fortificantes derivados de leite humano ou derivados de leite bovino. Assim, esses resultados sugerem que, nos casos em que os bebês precisam de nutrição suplementar, a adição de fortificante ao leite humano pode ter menos impacto no potencial de resistência a antibióticos do que a mudança para a fórmula. Enterobacteriaceae (abrigam vários genes de resistência aos antibióticos, incluindo genes SHV que codificam o fenótipo betalactamase de espectro estendido [ESBL] em Klebsiella) foram mais abundantes em bebês alimentados com qualquer fórmula (3 vezes mais) do que em bebês alimentados com leite humano. Em conclusão, esses dados sugerem que uma dieta contendo apenas leite humano nos primeiros meses de vida reduz a carga de genes resistência aos antibióticos ao modular a comunidade microbiana para favorecer bactérias não portadoras de genes de resistência aos antibióticos.

A amamentação está associada a um risco cardiovascular materno reduzido: revisão sistemática e metanálise envolvendo dados de 8 estudos e 1.192.700 mulheres paridas

A amamentação está associada a um risco cardiovascular materno reduzido: revisão sistemática e metanálise envolvendo dados de 8 estudos e 1.192.700 mulheres paridas

Breastfeeding Is Associated With a Reduced Maternal Cardiovascular Risk: Systematic Review and Meta-Analysis Involving Data From 8 Studies and 1 192 700 Parous Women. Tschiderer L, Seekircher L, Kunutsor SK, Peters SAE, O’Keeffe LM, Willeit P.J Am Heart Assoc. 2022 Jan 18;11(2):e022746. doi: 10.1161/JAHA.121.022746. Epub 2022 Jan 11.PMID: 35014854 Free article. Artigo Livre!

Realizado por Paulo R. Margotto

A amamentação tem sido fortemente associada à redução do risco materno de câncer de mama, câncer de ovário e diabetes tipo 2. Na presente revisão sistemática e metanálise  de 8 estudos e > 1 milhão de mulheres paridas, as autores relataram que as mulheres que amamentaram, e relação as que nunca amamentaram , tiveram um menor risco de doença futura cardiovascular, doença cardíaca coronariana, acidente vascular cerebral e doença cardiovascular fatal. Houve uma redução progressiva do risco cardiovascular com a duração da amamentação de até 12 meses.

A associação entre a duração da amamentação e os resultados da asma infantil

A associação entre a duração da amamentação e os resultados da asma infantil

The association between duration of breastfeeding and childhood asthma outcomes. Keadrea Wilson,  Tebeb Gebretsadik , Margaret A Adgent Christine LoftusCatherine KarrPaul E Moore Sheela SathyanarayanaNora ByingtonEmily Barrett Nicole Bush Ruby Nguyen Terry J HartmanKaja Z LeWinn Alexis Calvert W Alex Mason Kecia N Carroll . Ann Allergy Asthma Immunol . 2022 May 9;S1081-1206(22)00400-8.  doi: 10.1016/j.anai.2022.04.034. Online ahead of print. Artigo Livre!.

Realizado por Paulo R. Margotto.

Foram estudadas 2.021 díades mãe-filho. As mulheres relataram a duração de qualquer aleitamento materno exclusivo e desfechos de asma infantil durante o acompanhamento na idade da criança de 4 a 6 anos. O estudo, racialmente diverso, mostrou que a duração mais longa do aleitamento materno exclusivo foi associada à diminuição significativa da chance de asma infantil. Nos complementos, o papel do leite materno no cérebro!

 

Administração de Nutrição Parenteral durante a Hipotermia Terapêutica: um estudo observacional em nível populacional usando dados coletados rotineiramente no Banco de Dados Nacional de Pesquisa Neonatal

Administração de Nutrição Parenteral durante a Hipotermia Terapêutica: um estudo observacional em nível populacional usando dados coletados rotineiramente no Banco de Dados Nacional de Pesquisa Neonatal

Administration of parenteral nutrition during therapeutic hypothermia: a population level observational study using routinely collected data held in the National Neonatal Research Database. Gale C, Jeyakumaran D, Longford N, Battersby C, Ojha S, Oughham K, Dorling J.Arch Dis Child Fetal Neonatal Ed. 2021 Nov;106(6):608-613. doi: 10.1136/archdischild-2020-321299. Epub 2021 May 5.PMID: 33952628 Free PMC article. Artigo Livre!

Este é um estudo do Reino Unido de coorte retrospectivo utilizando dados clínicos registrados no banco de dados nacional de pesquisa neonatal, aplicando a metodologia do escore de propensão para formar subgrupos pareados de bebês com encefalopatia hipóxico-isquêmica  com características semelhantes que receberam ou não nutrição parenteral (NP) durante hipotermia terapêutica. O emparelhamento de propensão foi usado para formar dois subgrupos de 1240 bebês com características de base  semelhantes para análises de comparação ( bebês >36 semanas que receberam hipotermia terapêutica (HT) por 3 dias ou que morreram 3 dias após a HT).Os autores mostraram que a infecção da corrente sanguínea confirmada por cultura e a sobrevivência foram ambas maiores em bebês que receberam NP. A incidência de enterocolite necrosante (ECN) foi  semelhante em bebês que receberam NP e aqueles que não receberam. Embora os benefícios da NP nessa população  sejam limitadas, um benefício é a melhora do crescimento cerebral, reparo e consequente neurodesenvolvimento (a nutrição suplementar após lesão cerebral mostra-se promissora, embora sejam necessários mais estudos nesse sentido). O uso de NP é relativamente comum em bebês que estão em hipotermia terapêutica e parece estar aumentando (no Reino Unido, 1 de 4 bebês). Nos complementos, quanto á nutrição enteral:o grande temor é o aumento ECN nesses bebês em HT. Os estudos mostram que a nutrição enteral durante a HT tiveram menor tempo de duração da NP, no tempo para receber dieta oral plena, menor hospitalização, SEM AUMENTO DE ECN (sabe-se que a hipotermia é protetora contra a lesão de reperfusão da isquemia intestinal!) e inclusive estudos recentes estão demonstrando benefícios do uso da hipotermia leve (35,5 graus até por 48 horas) no tratamento da ECN. A  hipotermia pode modular a inflamação! Mais da metade das Unidades Neonatais pesquisadas iniciam a alimentação enteral durante a TH. A nutrição enteral, principalmente com o leite materno, pode realmente desempenhar um papel benéfico, influenciando a integridade estrutural e funcional do intestino, reduzindo as respostas inflamatórias sistêmicas e promovendo a proliferação da diversidade microbiana intestinal. Dados disponíveis recentes indicam que a introdução incremental de leite, idealmente com leite materno, em neonatos em hipotermia terapêutica parece segura e pode ser benéfica para os resultados medidos até a alta da Unidade Neonatal (menos infecção tardia, maior sobrevida e maiores taxas de aleitamento materno). A falta de fornecimento imediato de nutrientes após eventos hipóxico-isquêmicos pode piorar ainda mais as lesões cerebrais progressivas. Mais tarde, os déficits de nutrientes também podem influenciar a fase terciária da lesão, durante a qual ocorrem a neurogênese e a angiogênese, e que é dependente do suporte trófico ideal. O fornecimento adequado de energia, por via enteral ou parenteral, é crucial durante um período de alta vulnerabilidade cerebral gerada pela falha secundária de energia. Na Unidade de Neonatologia do HMIB/SES/DF  iniciamos  NP no 2º  dia de vida, após a estabilização de função renal e eletrólitos e Nutrição enteral com leite materno se RN clinicamente estável.

 

 

 

Nutrição parenteral em condições especiais (Parenteral nutrition in special clinical conditions)

Nutrição parenteral em condições especiais (Parenteral nutrition in special clinical conditions)

Galera Martínez R, Pedrón Giner C.Nutr Hosp. 2017 Jun 26;34(Suppl 3):24-31. doi: 10.20960/nh.1377.PMID: 29154663 Free article. Review. Spanish. No abstract available. Artigo Livre!

Apresentação: Anna Amélia Varela Alvarenga – Residente (R4) de Neonatologia.

Unidade d Neonatologia o HMIB/SES;DF.

Coordenação: Miza Vidigal.