Mês: março 2018

Toxicidade da metadona e possível indução e aumento da eliminação no neonato prematuro

Toxicidade da metadona e possível indução e aumento da eliminação no neonato prematuro

Methadone toxicity and possible induction and enhanced elimination in a premature neonate.

George M, Kitzmiller JP, Ewald MB, O’Donell KA, Becter ML, Salhanick S.J Med Toxicol. 2012 Dec;8(4):432-5. doi: 10.1007/s13181-012-0249-8.PMID: 22898875 Free PMC Article Similar articles. Artigo Integral!

Apresentação:Allana Nogueira e Rafaella Brunale. Coordenação: Paulo R. Margotto

Os dados toxicológicos e a recuperação clínica apresentados neste relato de caso (quando o recém-nascido recebeu em uma única dose de metadona para desmame do fentanil,  o equivalente a 200 vezes a dose pretendida por um erro de diluição),  levam à luz a indução do metabolismo como uma ferramenta de gerenciamento potencial para a superdosagem  de metadona no recém-nascido (RN).Duas horas após a superdosagem de metadona, o RN apresentou sinais de depressão respiratória, necessitando de ajuste para o ventilador. Devido a movimentos interpretados como convulsões presumíveis, foi iniciado o fenobarbital, com melhora do estado ventilatório e hemodinâmico. A toxicidade pela metadona resulta em depressão respiratória, depressão do estado mental, convulsão, hipotensão, hiperglicemia, rigidez torácica e arritmias que podem ser fatais (prolongamento do intervalo QT). A meia-vida da metadona é longa, variando entre 3,5 até 60 horas nos pacientes pediátricos (no RN deste caso foi de 30 horas).Nos RN a absorção intramuscular é atrasada (instabilidade vasomotora periférica), a percutânea é aumentada (diminuição da espessura do estrato córneo, aumento da área superficial por peso). N-desmetilação significativa ocorreu neste neonato, provavelmente às custas de CYP3a  induzida pelo fenobarbital. A indução enzimática pode ser considerada uma ferramenta complementar potencial para o gerenciamento de superdosagem de metadona. A despeito de uma recente ocorrência de intoxicação por metadona na nossa Unidade, nos links discutimos também o papel do uso do naloxone ou naloxona endovenosa (antagonista potente e competitivo do receptor μ-opióide, deslocando os opióides dos receptores cerebrais e restaura a respiração e a consciência, levando 2-5 minutos para o efeito). Há poucas informações neonatais na literatura. Pode ser administrado, off label, por vias subcutânea, endotraqueal, sublingual, inalada e intranasal (importante este conhecimento principalmente em cenários sem acesso venoso, que é a forma preferencial). Em situações de intoxicação com a metadona em pacientes em uso dessa, há uma menor taxa de abstinência se uso do naloxone de forma contínua , iniciando com menor dose (estudos em adultos!). Entre efeitos colaterais tóxicos do naloxone incluem arritmias cardíacas, hipertensão e edema pulmonar não cardiogênico. Em situação de superdosagem de Metadona, em paciente recebendo metadona e  estando atento à Síndrome de rigidez torácica que pode ocorrer com a metadona, temos a seguinte conduta: suporte ventilatório; naloxone:0,1 mg/kg (0,25-0,5ml/kg da concentração de  0,4mg/ml), repetindo de acôrdo com a resposta a cada 3-5 minutos, devendo ser mantida alguma terapia com o opióide para evitar síndrome de abstinência. Fenobarbital, inicialmente se convulsão e posteriormente, se muito necessário for, para acelerar a depuração do opióide. Consultado o Dr. Charles Berne (Professor of Anaesthesia (Pediatrics),Harvard Medical School) que nos informou: a metadona tem um metabolismo mais lento em recém-nascidos em comparação com bebês e crianças mais velhas, então você esperaria um período muito longo de narcotização parcial. Mesmo quando os bebês parecem relativamente acordados e respirando mais que o  ventilador, eles terão concentrações residuais de metadona por um longo tempo, portanto, eles exigem uma observação prolongada mesmo após a extubação e correm risco adicional de hipoventilação e apneia durante vários dias após a extubação.Eu não tenho uma opinião forte sobre fenobarbital neste cenário. Pode acelerar a depuração da metadona ao longo do tempo por indução da enzima hepática, mas pode ter uma interação direta mais imediata com a metadona para intensificar a depressão respiratória

Hidropsia fetal não imune

Hidropsia fetal não imune

Society for maternal-fetal medicine (SMFM) clinical guideline #7: nonimmune hydrops fetalis.

Society for Maternal-Fetal Medicine (SMFM), Norton ME, Chauhan SP, Dashe JS.         Am J Obstet Gynecol. 2015 Feb;212(2):127-39. doi: 10.1016/j.ajog.2014.12.018. Epub 2014 Dec 31. Review.PMID: 25557883 Similar articles.

Apresentação (R4  em Neonatologia do HMIB/SES/DF):  Deyse Costa e Letícia Rodrigues. Coordenação: Diogo Pedroso.

žCom a melhora da terapia pré-natal, a hidropsia fetal devido à isoimunização Rh tornou-se menos comum (nas séries iniciais era 80% de 1976-1988, caiu para 20% e hoje, provavelmente seja mais baixa), evidenciando, portanto, a importância do conhecimento e manuseio de outras causas de hidropsia fetal (hidropsia não imune žEntre as principais causas temos as  alterações cromossômicas (Síndrome de Turner é a mais comum), hipoplasia pulmonar, hérnia diafragmática, disfunção cardíaca, quilotórax fibrose cística do pâncreas, obstruções do trato urinário, síndrome nefrótica, doenças do metabolismo, hemoglobinopatias (a mais comum é a talassemia alfa homozigótica). Vários tipos de nanismo e infecções perinatais crônicas, como Doença de Chagas, Parvovirose B19, Citomegalovírus, Infecção pelo Zika virus (A constatação de uma associação entre infecção pelo zika vírus  e hidropisia fetal sugere que o vírus pode provocar danos aos tecidos, para além do sistema nervoso central fetal; o mecanismo permanece especulativo) podem levar a hidropsia. Anormalidades cardiovasculares e a alfa-talassemia homozigótica tem sido relatados como sendo as causas mais freqüentes, seguido de anormalidades cromossômicas. Em 44%  dos casos não se consegue determinar as causas. O prognóstico é ruim, principalmente se diagnosticada antes de 24 semanas de gestação e principalmente se associada com cariótipo anormal (cursa com uma mortalidade perinatal de 70 a 90%). Fukushima e cl, em uma série de 214 casos, avaliados em um período de 27 anos, relataram uma mortalidade de  41,4% e sobrevivência intacta de 50%.

Contagem de plaquetas e patência do canal arterial em prematuros Uma revisão sistemática e metanálise

Contagem de plaquetas e patência do canal arterial em prematuros Uma revisão sistemática e metanálise

Sorina R. Simon, Lieke van Zogchel, Maria Pilar Bas-Suárez, Giacomo Cavallaro, Ronald I. Clyman, Eduardo Villamor, (Holanda, Espanha, Itália e Estados Unidos).

Apresentação: Letícia Magalhães Costa. 
Coordenação:Paulo R. Margotto

 

Viabilidade de implantação da triagem para doenças cardíacas congênitas através da oximetria de pulso em um hospital da comunidade

Viabilidade de implantação da triagem para doenças cardíacas congênitas através da oximetria de pulso em um hospital da comunidade

EA Bradshaw1, S Cuzzi1,2,3, SC Kiernan2, N Nagel2, JA Becker1,3 and GR Martin1,3
1Children’s National Medical Center, Washington, DC, USA; 2Holy Cross Hospital, Silver Spring, MD, USA and 3The George
Washington University School of Medicine, Washington, DC, USA
J Perinatol 2012 (publicação online em 26/01/2012).

Apresentação: Carolina G. Paim; Priscilla Gatto; Tatyane Machado. 
Coordenação: Paulo R. Margotto.