Categoria: Distúrbios Metabólicos

Mobilização precoce & doença metabólica óssea

Mobilização precoce & doença metabólica óssea

Thaís Borges de Araujo.

Fisioterapia motora: mobilização precoce com 2-5 semanas de vida (a depender da estabilização do bebê) por meios de exercícios passivos nos recém-nascidos de risco levou a efeitos benéficos sobre o peso corporal, aumento da mineralização óssea, aumento dos marcadores de formação óssea e níveis de leptina e atenuação do declínio pós-natal natural na velocidade óssea do som. Estes resultados sugerem que o exercício pode desempenhar um papel importante na prevenção e tratamento da osteopenia da prematuridade. Os exercícios consistem em movimentos de extensão e flexão passiva de membros superiores e inferiores durante 5-15 minutos /dia, 2-3 vezes ao por 4-8 semanas).

Doença Metabólica Óssea da Prematuridade-2019

Doença Metabólica Óssea da Prematuridade-2019

Miza Maria B.A.Vidigal, Paulo R. Margotto

Capitulo do livro Assistência ao Recém-Nascido de Risco, 4ª Edição, 2019, no Prelo

Condição patológica inerente ao bebe prematura caracterizada por uma redução do tecido osteóide e do componente mineral e por alterações bioquímicas do metabolismo fósforo-cálcico que determinam alterações no processo de mineralização óssea levando a fragilidade do suporte estrutural deste (osteopenia), podendo ocasionar o aparecimento de fraturas espontâneas (raquitismo) quando na sua forma mais grave. A incidência atual é desconhecida e os últimos estudos mostram que mais da metade dos recém-nascidos com menos de 28 semanas de idade gestacional e menos de 1000g gramas desenvolverão a patologia e um em cada 5 dos menores de 1500g. A concomitância de prematuridade extrema com retardo de crescimento aumenta ainda mais a gravidade da doença.

NA PROFILAXIA

-Fisioterapia motora: mobilização precoce com 2-5 semanas de vida (a depender da estabilização do bebê) por meios de exercícios passivos nos recém-nascidos de risco levou a efeitos benéficos sobre o peso corporal, aumento da mineralização óssea, aumento dos marcadores de formação óssea e níveis de leptina e atenuação do declínio pós-natal natural na velocidade óssea do som. Estes resultados sugerem que o exercício pode desempenhar um papel importante na prevenção e tratamento da osteopenia da prematuridade. Os exercícios consistem em movimentos de extensão e flexão passiva de membros superiores e inferiores durante 5-15 minutos /dia, 2-3 vezes ao por 4-8 semanas).

Como usar o lactato

Como usar o lactato

How to use lactate. Fine-Goulden MR, Durward A.Arch Dis Child Educ Pract Ed. 2014 Feb;99(1):17-22. doi: 10.1136/archdischild-2013-304338. Epub 2013 Sep 2. Review. No abstract available.PMID: 23999233.Similar articles.

Apresentação: Gabriela Santos da Silva (R3 em UTI Pediátrica do HMIB/SES/DF). Coordenação: Nathalia Bardal e Paulo R. Margotto

  • O lactato é produzido por glicólise, a partir do piruvato, pela enzima lactato desidrogenase, localizada na membrana interna das mitocôndrias. Os termos “lactato” e “ácido lático” são frequentemente usados com a mesma finalidade. O lactato é produzido continuamente e rapidamente metabolizado, mesmo em repouso e níveis séricos de 0.5–1.8 mmol/L refletem um balanço entre a produção e consumo (os valores de lactato arterial e venoso são semelhantes, assim, procedimentos de calcanhar também podem ser usados). Se o sangue não for analisado e armazenado em temperatura ambiente logo após sua retirada, a glicólise dentro da amostra pode aumentar os níveis de lactato significativamente (até 70% em 30 minutos), especialmente na presença de leucocitose ou hematócrito elevado. O lactato se correlaciona com maior morbimortalidade em diversas patologias agudas em crianças, e medições seriadas são mais úteis que um único valor elevado. No entanto, esta associação não é, isoladamente, indicador de mau prognóstico confiável. Em 72 RN com < 32 semanas uma única dosagem de lactato > 5,6 teve mau prognóstico com VPN 100%, VPP 33%. Lactato > 9 com 30 minutos de vida foi preditor de encefalopatia hipóxico-isquêmica (EHI) com VPN 91%, VPP 50%, RR 5,8 (CI 2,2 a 15,4). Estudo recente (Tuten A et al, 2017) mostrou que a retinopatia da prematuridade (ROP) foi significativamente maior nos pacientes com níveis elevados de lactato (> 4 mg / dL) na 1ª hora de vida (p = 0,042). A taxa de tratamento da ROP foi  significativamente maior no grupo de maior lactato na 1ª hora.  Altos níveis de lactato (> 4 mg / dL) poderiam ser usados como parâmetros iniciais para predição de ROP e displasia broncopulmonar. Os dados atuais sugerem que, em bebês de muito baixo peso, os níveis de lactato e os parâmetros nas 24 horas serão eficazes na determinação do prognóstico da doença. No entanto os autores acreditam  que maiores ensaios clínicos randomizados controlados são susceptíveis de estabelecer o verdadeiro benefício                                                                                                                                                                                                                                                 Paulo R. Margotto
Valores de lactato no dia 1 em prematuros abaixo de 32 semanas

Valores de lactato no dia 1 em prematuros abaixo de 32 semanas

Day 1 serum lactate values in preterm infants less than 32 weeks gestation.

Nadeem M, Clarke A, Dempsey EM.Eur J Pediatr. 2010 Jun;169(6):667-70. doi: 10.1007/s00431-009-1085-y. Epub 2009 Oct 16.PMID: 19834738.Similar articles.

Apresentação: Gabriela Santos da Silva. R3 em UTI Pediátrica do HMIB/SES/DF. Coordenação: Nathália Bardal, Paulo R. Margotto

  • Existem limitações à atual avaliação do estado hemodinâmico de RN pré-termo, e sugere-se que os valores de lactato sérico, idealmente dosagens seriadas, devam fazer parte de um algoritmo para avaliação da perfusão tecidual.A decisão de indicar alguma intervenção deve se basear em uma combinação de sinais clínicos, valores de pressão arterial e valores séricos de lactato.
Malformações entre as crianças de mães com diabetes insulino-dependente: Há uma padrão reconhecível de anormalidade?

Malformações entre as crianças de mães com diabetes insulino-dependente: Há uma padrão reconhecível de anormalidade?

Malformations among infants of mothers with insulin-dependent diabetes: Is there a recognizable pattern of abnormalities?

Nasri HZ, Houde Ng K, Westgate MN, Hunt AT, Holmes LB.Birth Defects Res. 2018 Jan;110(2):108-113. doi: 10.1002/bdr2.1155.

PMID: 29377640.Similar articlesApresentação: Gustavo Borela Valente. Coordenação:  Joseleide de Castro/Paulo R. Margotto

Brasília, 4  de agosto de 2018.

  • O maior risco para malformações fetais tem diminuído com o controle metabólico antes da concepção e logo no início da gestação. Entre as malformações nos recém-nascidos de diabéticas se destacam Transposição de grandes vasos Holoprosencefalia, Dupla saída de VD e truncus arteriosus, polidactilia preaxial, agenesia ou agenesia, anencefalia, anotia ou microtia, anomalias longitudinais de membros. A análise de183 lactentes de mães diabéticas entre 289.365 nascimentos  com malformações confirma que existe um padrão distinto de malformações no recém-nascido de diabética pré-gestacional: anencefalia, encefalocele, defeitos cardíacos específicos, como transposição das grandes artérias, agenesia renal e anomalias vertebrais. Nos RN de diabéticas com múltiplas malformações se destacam as mais graves, como ventrículo único e dupla via de saída do ventrículo direito. Mais importante, sua ocorrência pode ser reduzido significativamente pela mãe conseguindo um controle muito melhor de seu diabetes mellitus antes da concepção. Revisão bibliográfica entre 1979 2 2014 mostrou  que o risco de malformações congênitas está aumentando em mulheres com diabetes mellitus pré-gestacional, quer do tipo 1 como do tipo 2( 1,9 a 10 vezes superior  à população geral). Mais de 50% destas malformações afetam os sistemas nervoso central (OR= 1.55, 95%, IC: 1.13–2.13) e o cardiovascular (OR= 2.20, 95%, IC: 1.88–2.58).A associação entre a diabetes mellitus gestacional e as anomalias fetais mantém-se controversa, havendo aumento quando se faz necessário o uso de insulina. Alguns estudos reconhecem uma associação entre ambas (OR=1.4, 95%, IC 1,22-1,62), enquanto outros estudos atribuem esse aumento de risco ao diagnóstico de diabetes mellitus tipo 22 durante a gravidez, verificando nesse caso taxas de malformações congênitas equiparáveis às de mulheres com diabetes mellitus pré-gestacional. A diabetes mellitus gestacional (DMG) desenvolve-se por volta da 24ª semana de gestação, após a embriogênese estar completa, o que significa que não contribui diretamente para a embriopatia diabética. Mesmo assim, verifica-se um aumento do risco de anomalias congênitas nestes casos, atribuindo-se a sua causa a uma possível diabetes mellitus  tipo 2 apenas diagnosticada durante a gravidez. A hiperglicemia conduz às dismorfogênese através de uma série de cadeias moleculares que levam à hipoxia do embrião, à produção de radicais de superóxido mitocondriais, à diminuição da atividade de anti-oxidantes e a um aumento das vias apoptóticas. Os efeitos da hiperglicemia têm repercussão nos estádios iniciais da cardiogênese, podendo provocar anomalias maiores cardiovasculares e auriculoventriculares, defeitos no fluxo sanguíneo e nas válvulas auriculoventriculares. Nas fases mais tardias da gravidez, desde o final do segundo trimestre até ao início do terceiro, a diabete mellitus pode causar cardiomiopatia hipertrófica. Estes casos são encontrados em 25-30% dos recém-nascidos de mães com DM, 13% dos quais são assintomáticos. Assim, no primeiro trimestre pode ocorrer alteração de genes que controlam a cardiogênese e no 2o/3o trimestres, hipertrofia ventricular patológica.  O risco de malformações fetais pode ser previsto através da medição dos valores de hemoglobina A1c materna às 14 semanas de gestação. A Síndrome de regressão caudal é 200 vezes mais prevalentes em pacientes com história materna de diabetes insulino-dependente.  Vários fatores, entre os quais, a hiperglicemia, hipóxia, cetonemia e anormalidade nos aminoácidos, a glicosilação de proteínas ou equilíbrio hormonal, assim como os genéticos, tem sido relatados como potenciais teratogênicos.Paulo R. Margotto