Categoria: Distúrbios Metabólicos

Malformações entre as crianças de mães com diabetes insulino-dependente: Há uma padrão reconhecível de anormalidade?

Malformações entre as crianças de mães com diabetes insulino-dependente: Há uma padrão reconhecível de anormalidade?

Malformations among infants of mothers with insulin-dependent diabetes: Is there a recognizable pattern of abnormalities?

Nasri HZ, Houde Ng K, Westgate MN, Hunt AT, Holmes LB.Birth Defects Res. 2018 Jan;110(2):108-113. doi: 10.1002/bdr2.1155.

PMID: 29377640.Similar articlesApresentação: Gustavo Borela Valente. Coordenação:  Joseleide de Castro/Paulo R. Margotto

Brasília, 4  de agosto de 2018.

  • O maior risco para malformações fetais tem diminuído com o controle metabólico antes da concepção e logo no início da gestação. Entre as malformações nos recém-nascidos de diabéticas se destacam Transposição de grandes vasos Holoprosencefalia, Dupla saída de VD e truncus arteriosus, polidactilia preaxial, agenesia ou agenesia, anencefalia, anotia ou microtia, anomalias longitudinais de membros. A análise de183 lactentes de mães diabéticas entre 289.365 nascimentos  com malformações confirma que existe um padrão distinto de malformações no recém-nascido de diabética pré-gestacional: anencefalia, encefalocele, defeitos cardíacos específicos, como transposição das grandes artérias, agenesia renal e anomalias vertebrais. Nos RN de diabéticas com múltiplas malformações se destacam as mais graves, como ventrículo único e dupla via de saída do ventrículo direito. Mais importante, sua ocorrência pode ser reduzido significativamente pela mãe conseguindo um controle muito melhor de seu diabetes mellitus antes da concepção. Revisão bibliográfica entre 1979 2 2014 mostrou  que o risco de malformações congênitas está aumentando em mulheres com diabetes mellitus pré-gestacional, quer do tipo 1 como do tipo 2( 1,9 a 10 vezes superior  à população geral). Mais de 50% destas malformações afetam os sistemas nervoso central (OR= 1.55, 95%, IC: 1.13–2.13) e o cardiovascular (OR= 2.20, 95%, IC: 1.88–2.58).A associação entre a diabetes mellitus gestacional e as anomalias fetais mantém-se controversa, havendo aumento quando se faz necessário o uso de insulina. Alguns estudos reconhecem uma associação entre ambas (OR=1.4, 95%, IC 1,22-1,62), enquanto outros estudos atribuem esse aumento de risco ao diagnóstico de diabetes mellitus tipo 22 durante a gravidez, verificando nesse caso taxas de malformações congênitas equiparáveis às de mulheres com diabetes mellitus pré-gestacional. A diabetes mellitus gestacional (DMG) desenvolve-se por volta da 24ª semana de gestação, após a embriogênese estar completa, o que significa que não contribui diretamente para a embriopatia diabética. Mesmo assim, verifica-se um aumento do risco de anomalias congênitas nestes casos, atribuindo-se a sua causa a uma possível diabetes mellitus  tipo 2 apenas diagnosticada durante a gravidez. A hiperglicemia conduz às dismorfogênese através de uma série de cadeias moleculares que levam à hipoxia do embrião, à produção de radicais de superóxido mitocondriais, à diminuição da atividade de anti-oxidantes e a um aumento das vias apoptóticas. Os efeitos da hiperglicemia têm repercussão nos estádios iniciais da cardiogênese, podendo provocar anomalias maiores cardiovasculares e auriculoventriculares, defeitos no fluxo sanguíneo e nas válvulas auriculoventriculares. Nas fases mais tardias da gravidez, desde o final do segundo trimestre até ao início do terceiro, a diabete mellitus pode causar cardiomiopatia hipertrófica. Estes casos são encontrados em 25-30% dos recém-nascidos de mães com DM, 13% dos quais são assintomáticos. Assim, no primeiro trimestre pode ocorrer alteração de genes que controlam a cardiogênese e no 2o/3o trimestres, hipertrofia ventricular patológica.  O risco de malformações fetais pode ser previsto através da medição dos valores de hemoglobina A1c materna às 14 semanas de gestação. A Síndrome de regressão caudal é 200 vezes mais prevalentes em pacientes com história materna de diabetes insulino-dependente.  Vários fatores, entre os quais, a hiperglicemia, hipóxia, cetonemia e anormalidade nos aminoácidos, a glicosilação de proteínas ou equilíbrio hormonal, assim como os genéticos, tem sido relatados como potenciais teratogênicos.Paulo R. Margotto
Desidratação hipernatrêmica no recém-nascido

Desidratação hipernatrêmica no recém-nascido

Hypernatremic dehydration in newborn infants | Sousa | NASCER E …revistas.rcaap.pt/nascercrescer/article/view/8823

Vânia SousaI; Catarina CarruscaII; Manuela SantosII.Apresentado por: R4 Neonatologia Letícia.Coordenação: Diogo Pedroso

A correção da desidratação hipernatrêmica deve ser prudente, com a devida mensuração do déficit de água livre e do ritmo de hidratação, de forma a prevenir o surgimento de complicações como o edema cerebral

Cafeína é um fator de risco para a osteopenia da prematuridade nos pré-termo:estudo de coorte

Cafeína é um fator de risco para a osteopenia da prematuridade nos pré-termo:estudo de coorte

Caffeine is a risk factor for osteopenia of prematurity in preterm infants: a cohort study.

Ali E, Rockman-Greenberg C, Moffatt M, Narvey M, Reed M, Jiang D.BMC Pediatr. 2018 Jan 22;18(1):9. doi: Apresentação: Mateus Chadud de Pádua Resende, Pedro Henrique de Souza Tavares, Faculdade de Medicina da Universidade Católica de Brasília. Coordenador:Paulo Roberto Margotto

A partir de resultados em estudos animais (ratos) sugerindo que a cafeína reduz a densidade óssea através do aumento da osteoclastogênese e seu efeito calciúrico, foi conduzido um estudo piloto nos RN recebendo cafeína, avaliando a dose cumulativa ou a duração,  para a possibilidade de associação entre cafeína e doença metabólica óssea da prematuridade [DMO] (n-109 RN<32 semanas e peso ao nascer< 1500g). Não houve grupo controle pois todos recebiam cafeína, no entanto foram controlados fatores de risco, como diurético, nutrição parenteral, esteróide, ingesta de Vitamina D, paridade, fosfato sérico, idade gestacional e gênero. Diferente do estudo de Viswanathan et al (2014), os presente autores relataram significativa associação do uso de cafeína (dose acumulativa e duração) e DMO, principalmente nos menores prematuros, assim como com a dose acumulativa de esteróides, sem diferença entre os sexos. Concluem os autores que estudos adicionais são necessários para determinar menores doses efetivas de cafeína, diferentes estratégias de ventilação, ingestão adequada de vitamina D. Enquanto seria prudente triar estes bebês para DMO com intervalo menor (cada 2 semanas ao invés de cada 21 dias!). Quanto à trajetória da cafeína na Neonatologia: o principal estudo de Barbara Schmidt, em 2006 (1006 foram para o grupo da cafeína e 1000 para o grupo placebo), mostrou, como resultado inesperado, menor displasia broncopulmonar (DBP), além e menor incidência de canal arterial patente. O seguimento aos 18 a 21 meses (2007) melhorou a taxa de sobrevivência sem desabilidade neurocomportamental (reduziu a taxa de paralisia cerebral e atraso cognitivo), além de não aumentar o risco  de morte ou incapacidade naqueles reanimados vigorosamente na Sala de Parto. Em 2010, foi evidenciado que a cafeína precoce diminui o tempo de ventilação mecânica, sendo cafeína considerada por Aranda, como a bala de prata da Neonatologia (umas das terapias mais seguras, mais custo-efetivo e eficazes no recém-nascido). Aos 5 anos (2012), houve evidência de diminuição significativa na função motora grossa e no distúrbio da coordenação no grupo da cafeína. Aos 11 anos do uso da cafeína (2007), não se mostrou efeitos na duração do sono ou apneia do sono (inclusive aos 5 anos de idade) e com diferença significativa para a menor deficiência motora no grupo da cafeína, sem diferenças na  deficiência funcional e na performance acadêmica, demonstrando que nas doses, usadas neste ensaio, a cafeína neonatal é efetiva e segura na idade escolar média. Treze hospitais acadêmicos no Canadá, Austrália, Grã-Bretanha e Suécia (2018) demonstraram que aos 11 anos, a terapia com cafeína neonatal foi associada a melhor habilidades visuomotora, visuoperceptual e visuoespacial, nas crianças nascida com muito baixo peso. O uso precoce da cafeína (<3 dias) tem mostrado diminuição da DBP, apesar de estudo recente do grupo de Bancalari (2018) ter mostrado maior tendência à mortalidade no grupo da cafeína precoce, o que fez com que o estudo fosse interrompido e segundo os autores, é possível que o efeito da cafeína na mortalidade e nas morbidades neonatais possa ser superestimado devido à interrupção precoce do estudo (poder estatístico menor do que o planejado pelo término antecipado do estudo). Concluindo, Revisão Sistemática, Metanálise e Aplicação da  Classificação de Recomendações (2018) do grupo de Patel (Atlanta, EUA), englobando 39.549 RN paro o uso precoce versos tardio  da cafeína (estudos observacionais)  concluiu que  o início precoce da cafeína, em comparação com o início tardio, está associado a uma diminuição do risco de displasia broncopulmonar, tanto nas análises multivariadas  não ajustada (OR de 0,59; IC a 95%:0,39 a 0,90 [n= 63049 ])  como na análise ajustada (OR de  0,69; IC a 95%: 0,64-0,75), assim como com uma dose maior de cafeína (estamos evitando usar doses maiores devido a preocupações quanto a hemorragia cerebelar, convulsões, taquicardia). Interessante que uma análise post hoc de subgrupo do ensaio CAP também suporta o efeito benéfico do início precoce de cafeína no risco de DBP. No entanto, por tratar de estudos observacionais, poderiam ser influenciados pela confusão por indicação de tratamento precoce com cafeína. Na Unidade de Neonatologia do HMIB/SES/DF temos usado precocemente a cafeína na dose habitual para um grupo selecionado de RN em ventilação não invasiva com grande chance de ventilação mecânica (RN≤1250g).

Resultados da abordagem padronizada da doença óssea metabólica de prematuridade

Resultados da abordagem padronizada da doença óssea metabólica de prematuridade

Outcomes of standardised approach to metabolic bone disease of prematurity.
Chin LK, Doan J, Teoh YS, Stewart A, Forrest P, Simm PJ.J Paediatr Child Health. 2018 Jan 2. doi: 10.1111/jpc.13813. [Epub ahead of print].PMID: 29292538.Similar articles.

Artigo Apresentado na Residência de Neonatologia do HMIB/SES/DF pelo Dr. Luis Henrique Jorge e Costa (R2 em Pediatria). .Coordenação:Evelyn Mirela.

  • A Doença metabólica ossea (DMO) geralmente ocorre de 6 a 16 semanas após o nascimento e pode ser clinicamente não detectada até ocorrer desmineralização grave.As complicações da DMO incluem aumento do risco de fraturas, comprometimento da função respiratória e miopia da prematuridade.A incidência prévia de fraturas de ossos longos e costelas no recém-nascido pode ocorrer entre 10 e 32%, embora as taxas atuais pareçam substancialmente inferiores. Dados de desfecho de curto prazo sugerem que a DMO é um transtorno autolimitado, com rápida recuperação ocorrendo entre oito e 16 semanas de idade.
Gel de dextrose profilático não previne hipoglicemia neonatal:um estudo piloto quase-experimental

Gel de dextrose profilático não previne hipoglicemia neonatal:um estudo piloto quase-experimental

Prophylactic Dextrose Gel Does Not Prevent Neonatal Hypoglycemia: A Quasi-Experimental Pilot Study. Coors SM, Cousin JJ, Hagan JL, Kaiser JR. J Pediatr. 2018 Mar 28. pii: S0022-3476(18)30213-0. doi: 10.1016/j.jpeds.2018.02.025. [Epub ahead of print] PMID:  29605395. Similar articles.

Apresentação:Fernanda Reginatto Bau (R4), Daniela Megumi R.Yoshimoto (R3). Coordenação: Joseleide de Castro Gomes, Paulo R. Margotto. Unidade de Neonatologia do Hospital Materno Infantil de Brasília/SES/DF.

Tem sido já evidenciada que a aplicação do gel de dextrose à mucosa bucal como tratamento para hipoglicemia neonatal transitória demonstrou, em estudos randomizados e não randomizados, reduzir pela metade com segurança as internações na Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN) por hipoglicemia pela metade. Também tem sido associado a significante aumento da  amamentação exclusiva ao seio (reduz a incidência de separação da mãe-bebê para o tratamento, com aumento da probabilidade da amamentação plena ao seio  na alta, além da redução de gastos hospitalares. Recente metanálise da Cochrane não encontrou efeitos adversos do gel de dextrose a 40% durante o período neonatal ou aos 2 anos de idade e recomendou o uso de gel de dextrose como uma abordagem de primeira linha para o controle glicêmico de prematuros tardios e bebês a termo. Como profilático, Hegarty et al (200mg/kg) evidenciaram que com uma dose única de gel de dextrose a 40% profilático reduziu a hipoglicemia (<47mg%) durante as primeiras 48 horas de vida, assim como a redução de internação. No entanto o presente estudo aqui Apresentado (Coors SM et al), utilizando um gel de dextrose a 77% e com conservantes não evidenciaram estes resultados, sendo atribuídos esta diferença a maior concentração de dextrose no gel usado. Talvez a maior concentração de carboidratos do gel utilizado (77%), comparado com a dose mais efetiva de 200mg/kg/dose (gel a 40%)  causou resposta hiperinsulinêmica e não preveniu a hipoglicemia com o seu uso profilático. Também nos links trouxemos o capítulo de Hipoglicemia atualizado em que frisamos o entendimento da homeostase da glicose durante os primeiros horas em que os mecanismos de contrarregulação são especialmente ativos (não queira e não exija que o bebê tenha um glicemia ≥50 mg% ao nascer, especialmente nos RN a termo). A queda de glicose parece essencial para facilitar a transição fisiológica para a vida neonatal incluindo um aumento na produção de glicose por glicogenólise, gliconeogênese, estimulação do apetite, adaptação aos ciclos de jejum e pós-prandial e promoção de um metabolismo oxidativo da gordura usando lipídios dos depósitos e ingeridos no leite. Nestes RN concentrações transitórias de glicose no sangue tão baixas quanto 30 mg% são comuns nas primeiras 1 a 2 horas após o nascimento, mas, geralmente aumentam acima de 45 mg% até 12 horas de idade

COMENTÁRIO: Valores de gasometria durante hipotermia em neonatos a termo asfixiados

COMENTÁRIO: Valores de gasometria durante hipotermia em neonatos a termo asfixiados

Floris Groenendaal, MD, PhD a, Karen M. K. De Vooght, PharmD, PhD b, Frank van Bel, MD, PhD- a Department of Neonatology, Wilhelmina Children’s Hospital, University Medical Center, Utrecht, Netherlands; b Department of Clinical Chemistry and Hematology, University Medical Center, Utrecht, Netherlands (Holanda).
Pediatrics 2009;123:170-172

Apresentação: Juvenal Fernandes e Laércio Scalco, Internos  de Pediatria da UCB.
Coordenação: Paulo R. Margotto