Categoria: Nutrição do Recém-nascido

A alimentação com fórmula no início da vida está associada a alterações na microbiota intestinal infantil e a um aumento da carga de resistência a antibióticos

A alimentação com fórmula no início da vida está associada a alterações na microbiota intestinal infantil e a um aumento da carga de resistência a antibióticos

Earlylife formula feeding is associated with infant gut microbiota alterations and an increased antibiotic resistance load.Pärnänen KMM, Hultman J, Markkanen M, Satokari R, Rautava S, Lamendella R, Wright J, McLimans CJ, Kelleher SL, Virta MP.Am J Clin Nutr. 2022 Feb 9;115(2):407-421. doi: 10.1093/ajcn/nqab353.PMID: 34677583 Free PMC article. Artigo Livre!

Realizado por Paulo R. Margotto.

Já é do nosso conhecimento que o uso de antibióticos tem um papel bem estabelecido na formação do resistoma dos bebês e que  o número e a extensão dos tratamentos com antibióticos na infância afetam a abundância dos genes de resistência a antibióticos. No entanto, há conhecimento limitado sobre outros fatores que afetam a carga de resistência aos antibióticos do intestino infantil e entre esses, a alimentação com fórmulas no início da vida, que foi o objetivo desse estudo. O presente estudo Esse estudo foi desenhado para eliminar o efeito do uso de antibióticos Foram coletados dados metagenômicos de amostras fecais transversais colhidas na idade de 7 a 36 dias de 46 bebês nascidos prematuros entre 27 e 37 semanas de gestação (21 lactentes foram alimentados com fórmula infantil comercial (Neosure), 20 foram alimentados com leite materno com fortificante de leite humano (Similac) e 5 foram alimentados apenas com leite humano (mãe ou doadora). Os bebês alimentados com qualquer fórmula tiveram abundâncias de genes de resistência a antibióticos significativamente aumento de 70%!) em relação aos bebês alimentados apenas com leite materno ou alimentados com leite suplementado com fortificante. Nesse contexto  não foram observadas  diferenças entre bebês alimentados com fortificante em comparação com bebês alimentados apenas com leite materno.  Além disso, não houve diferenças entre fortificantes derivados de leite humano ou derivados de leite bovino. Assim, esses resultados sugerem que, nos casos em que os bebês precisam de nutrição suplementar, a adição de fortificante ao leite humano pode ter menos impacto no potencial de resistência a antibióticos do que a mudança para a fórmula. Enterobacteriaceae (abrigam vários genes de resistência aos antibióticos, incluindo genes SHV que codificam o fenótipo betalactamase de espectro estendido [ESBL] em Klebsiella) foram mais abundantes em bebês alimentados com qualquer fórmula (3 vezes mais) do que em bebês alimentados com leite humano. Em conclusão, esses dados sugerem que uma dieta contendo apenas leite humano nos primeiros meses de vida reduz a carga de genes resistência aos antibióticos ao modular a comunidade microbiana para favorecer bactérias não portadoras de genes de resistência aos antibióticos.

A amamentação está associada a um risco cardiovascular materno reduzido: revisão sistemática e metanálise envolvendo dados de 8 estudos e 1.192.700 mulheres paridas

A amamentação está associada a um risco cardiovascular materno reduzido: revisão sistemática e metanálise envolvendo dados de 8 estudos e 1.192.700 mulheres paridas

Breastfeeding Is Associated With a Reduced Maternal Cardiovascular Risk: Systematic Review and Meta-Analysis Involving Data From 8 Studies and 1 192 700 Parous Women. Tschiderer L, Seekircher L, Kunutsor SK, Peters SAE, O’Keeffe LM, Willeit P.J Am Heart Assoc. 2022 Jan 18;11(2):e022746. doi: 10.1161/JAHA.121.022746. Epub 2022 Jan 11.PMID: 35014854 Free article. Artigo Livre!

Realizado por Paulo R. Margotto

A amamentação tem sido fortemente associada à redução do risco materno de câncer de mama, câncer de ovário e diabetes tipo 2. Na presente revisão sistemática e metanálise  de 8 estudos e > 1 milhão de mulheres paridas, as autores relataram que as mulheres que amamentaram, e relação as que nunca amamentaram , tiveram um menor risco de doença futura cardiovascular, doença cardíaca coronariana, acidente vascular cerebral e doença cardiovascular fatal. Houve uma redução progressiva do risco cardiovascular com a duração da amamentação de até 12 meses.

A associação entre a duração da amamentação e os resultados da asma infantil

A associação entre a duração da amamentação e os resultados da asma infantil

The association between duration of breastfeeding and childhood asthma outcomes. Keadrea Wilson,  Tebeb Gebretsadik , Margaret A Adgent Christine LoftusCatherine KarrPaul E Moore Sheela SathyanarayanaNora ByingtonEmily Barrett Nicole Bush Ruby Nguyen Terry J HartmanKaja Z LeWinn Alexis Calvert W Alex Mason Kecia N Carroll . Ann Allergy Asthma Immunol . 2022 May 9;S1081-1206(22)00400-8.  doi: 10.1016/j.anai.2022.04.034. Online ahead of print. Artigo Livre!.

Realizado por Paulo R. Margotto.

Foram estudadas 2.021 díades mãe-filho. As mulheres relataram a duração de qualquer aleitamento materno exclusivo e desfechos de asma infantil durante o acompanhamento na idade da criança de 4 a 6 anos. O estudo, racialmente diverso, mostrou que a duração mais longa do aleitamento materno exclusivo foi associada à diminuição significativa da chance de asma infantil. Nos complementos, o papel do leite materno no cérebro!

 

Administração de Nutrição Parenteral durante a Hipotermia Terapêutica: um estudo observacional em nível populacional usando dados coletados rotineiramente no Banco de Dados Nacional de Pesquisa Neonatal

Administração de Nutrição Parenteral durante a Hipotermia Terapêutica: um estudo observacional em nível populacional usando dados coletados rotineiramente no Banco de Dados Nacional de Pesquisa Neonatal

Administration of parenteral nutrition during therapeutic hypothermia: a population level observational study using routinely collected data held in the National Neonatal Research Database. Gale C, Jeyakumaran D, Longford N, Battersby C, Ojha S, Oughham K, Dorling J.Arch Dis Child Fetal Neonatal Ed. 2021 Nov;106(6):608-613. doi: 10.1136/archdischild-2020-321299. Epub 2021 May 5.PMID: 33952628 Free PMC article. Artigo Livre!

Este é um estudo do Reino Unido de coorte retrospectivo utilizando dados clínicos registrados no banco de dados nacional de pesquisa neonatal, aplicando a metodologia do escore de propensão para formar subgrupos pareados de bebês com encefalopatia hipóxico-isquêmica  com características semelhantes que receberam ou não nutrição parenteral (NP) durante hipotermia terapêutica. O emparelhamento de propensão foi usado para formar dois subgrupos de 1240 bebês com características de base  semelhantes para análises de comparação ( bebês >36 semanas que receberam hipotermia terapêutica (HT) por 3 dias ou que morreram 3 dias após a HT).Os autores mostraram que a infecção da corrente sanguínea confirmada por cultura e a sobrevivência foram ambas maiores em bebês que receberam NP. A incidência de enterocolite necrosante (ECN) foi  semelhante em bebês que receberam NP e aqueles que não receberam. Embora os benefícios da NP nessa população  sejam limitadas, um benefício é a melhora do crescimento cerebral, reparo e consequente neurodesenvolvimento (a nutrição suplementar após lesão cerebral mostra-se promissora, embora sejam necessários mais estudos nesse sentido). O uso de NP é relativamente comum em bebês que estão em hipotermia terapêutica e parece estar aumentando (no Reino Unido, 1 de 4 bebês). Nos complementos, quanto á nutrição enteral:o grande temor é o aumento ECN nesses bebês em HT. Os estudos mostram que a nutrição enteral durante a HT tiveram menor tempo de duração da NP, no tempo para receber dieta oral plena, menor hospitalização, SEM AUMENTO DE ECN (sabe-se que a hipotermia é protetora contra a lesão de reperfusão da isquemia intestinal!) e inclusive estudos recentes estão demonstrando benefícios do uso da hipotermia leve (35,5 graus até por 48 horas) no tratamento da ECN. A  hipotermia pode modular a inflamação! Mais da metade das Unidades Neonatais pesquisadas iniciam a alimentação enteral durante a TH. A nutrição enteral, principalmente com o leite materno, pode realmente desempenhar um papel benéfico, influenciando a integridade estrutural e funcional do intestino, reduzindo as respostas inflamatórias sistêmicas e promovendo a proliferação da diversidade microbiana intestinal. Dados disponíveis recentes indicam que a introdução incremental de leite, idealmente com leite materno, em neonatos em hipotermia terapêutica parece segura e pode ser benéfica para os resultados medidos até a alta da Unidade Neonatal (menos infecção tardia, maior sobrevida e maiores taxas de aleitamento materno). A falta de fornecimento imediato de nutrientes após eventos hipóxico-isquêmicos pode piorar ainda mais as lesões cerebrais progressivas. Mais tarde, os déficits de nutrientes também podem influenciar a fase terciária da lesão, durante a qual ocorrem a neurogênese e a angiogênese, e que é dependente do suporte trófico ideal. O fornecimento adequado de energia, por via enteral ou parenteral, é crucial durante um período de alta vulnerabilidade cerebral gerada pela falha secundária de energia. Na Unidade de Neonatologia do HMIB/SES/DF  iniciamos  NP no 2º  dia de vida, após a estabilização de função renal e eletrólitos e Nutrição enteral com leite materno se RN clinicamente estável.

 

 

 

Nutrição parenteral em condições especiais (Parenteral nutrition in special clinical conditions)

Nutrição parenteral em condições especiais (Parenteral nutrition in special clinical conditions)

Galera Martínez R, Pedrón Giner C.Nutr Hosp. 2017 Jun 26;34(Suppl 3):24-31. doi: 10.20960/nh.1377.PMID: 29154663 Free article. Review. Spanish. No abstract available. Artigo Livre!

Apresentação: Anna Amélia Varela Alvarenga – Residente (R4) de Neonatologia.

Unidade d Neonatologia o HMIB/SES;DF.

Coordenação: Miza Vidigal.

Nutrição Pós-Alta: Aleitamento Materno, Alimentos Complementares, Comportamento Alimentar e Problemas Alimentares / Cuidados Nutricionais do Prematuro na Transição para a Alta Hospitalar

Nutrição Pós-Alta: Aleitamento Materno, Alimentos Complementares, Comportamento Alimentar e Problemas Alimentares / Cuidados Nutricionais do Prematuro na Transição para a Alta Hospitalar

Nadja Haiden (Áustria) /Rita Silveira (RS).

25o Congresso Brasileiro de Perinatologia, entre os dias 1 a 4 de dezembro de 2021, ONLINE.

Realizado por Paulo R. Margotto.

Os bebês prematuros têm uma grande necessidade de nutrientes e por outro lado, apresentam imaturidade dos órgãos, o que contribui para a dificuldade de alcançar a ingesta alimentar adequada capaz de permitir que essas crianças tenham um crescimento adequado. Apresentam mais sono do que um bebê a termo, têm dificuldade na coordenação para manter sucção e deglutição, além de comorbidades persistentes. Há quatro padrões pós-natal ou padrões de crescimento pós-alta (ESPGHAM): AIG (ao nascer) /AIG (alta); PIG/AIG; AIG/PIG e PIG/PIG, ou seja, no momento da alta existem dois padrões: o crescimento apropriado correspondendo ao grupo 1 e 2 e  esses bebês têm alta acima do percentil 10 e o segundo padrão é o de bebês que precisam de um catch-up growth, eles recebem alta abaixo do percentil 10 e correspondem aos grupos 3 e 4. Eles têm requisitos muito mais elevados, de tal forma que se em uso de leite materno, precisa de aditivação (50% aditivação é possível atender perfeitamente aos requisitos dos bebês pós-alta), além de que leite materno aditivado no pós-alta, melhora função pulmonar aos 6 anos com melhores parâmetros antropométricos no grupo especial de prematuros com peso abaixo de 1250g até 1 ano de vida e uma melhor função visual. Os bebês amamentados não crescem tanto durante a sua permanência na UTI Neonatal, mas apresentam um crescimento melhor depois, especialmente no quesito perímetro cefálico. Também há uma correlação entre o resultado do neurodesenvolvimento e a amamentação (esse achado e conhecido como paradoxo da amamentação aparente). Como não temos disponível fortificante do leite humano pós-alta, na prática clínica temos intercalado fórmula de transição com o leite humano, com o objetivo de alcançar os objetivos propostos. Os dados disponíveis sugerem que não há um momento específico para a introdução de sólidos que se aplique com segurança a todos os bebês prematuros que constituem uma população de nível extremamente variado em termos do desenvolvimento de habilidades motoras e habilidades orais. Ter em mente que prematuros que desenvolveram disfunção oral necessitam de uma intervenção individualizada conduzida por uma Equipe multidisciplinar que deve incluir clínicos, nutricionistas e fonoaudiólogos especializados na função oral. Nos complementos trouxemos Parte da Palestra proferida pela Dra. Rita Silveira (RS) sobre Cuidados Nutricionais Do Prematuro na Transição para a Alta Hospitalar, ocorrida por ocasião do 25º Congresso Brasileiro de Perinatologia.  Na prevenção dos fatores que dificultam a via oral e geram intolerância alimentar, temos que trabalhar na prevenção dessa situação e é por isso que temos o que se chama atualmente de “Feeding Program” que é uma intervenção com treino de deglutição que melhora na habilidade de alimentação. O objetivo é o início da alimentação via oral e obtenção da alimentação exclusiva via oral em um curto período de tempo com prontidão para via oral em idades gestacionais mais precoces. Esse Programa de Estimulação Motora Oral começa com estimulação tátil extra, peri e intra-oral uma vez ao dia por 15 minutos por 10 dias, iniciando ao redor de 31 semanas. É enfatizado o papel do ZINCO que afeta o crescimento e o desenvolvimento cerebral de forma particular entre 24-54 semanas pós-menstrual que é um período muito crítico para a neuronutrição. A fórmula de transição pós-alta do prematuro tem um teor mais adequado de DHA e ARA, proporciona maior crescimento linear, ganho de peso e minerilização óssea. A fórmula de transição já tem um teor adequado de zinco e não precisa acrescentar o zinco (leite humano aditivado precisa de suplementação de zinco: iniciar a partir de 36 semanas de idade corrigida nas crianças em uso de leite materno: 1 mg/kg/dia e aumentamos até o máximo de 5mg/dia aos 6 meses de idade corrigida). No entanto, precisa acrescentar ferro. Fórmula de transição está recomendada para aqueles prematuros que não estão em alimentação com leite materno com idade <34 semanas e peso ao nascer <2000g, até 52 semanas (se nasce com 28 semanas, vai receber até 6 meses de vida) Para aqueles com DBP ou outras comorbidades, é sugerido usar até 9-12 meses de idade corrigida. A indicação pode muitas vezes começar já dentro da UTI para o prematuro <1800g quando o prematuro estiver pronto para alta hospitalar com peso aproximado de 1800g. Lembrar sempre que o leite materno é o padrão outro nutricional (não devemos nos esquecer jamais!). O segmento do prematuro é uma extensão do cuidado neonatal. Temos que ter manejo adequado na nutrição nas fases precoces da vida, pois isso vai impactar na qualidade de vida do nosso prematuro.

PRIORIZAÇÃO DA INICIAÇÃO E MANUTENÇÃO DA ESTABILIDADE DA LACTAÇÃO EM MÃES com PRÉ-TERMOS NA UTI NEONATAL

PRIORIZAÇÃO DA INICIAÇÃO E MANUTENÇÃO DA ESTABILIDADE DA LACTAÇÃO EM MÃES com PRÉ-TERMOS NA UTI NEONATAL

Paula P Meier (EUA).

25º  Congresso de Perinatologia, 1-4 de dezembro de 2021 (online)

Realizado por Paulo R. Margotto.

A Palestra inicia diferenciando leite da própria mãe (MOM-Mothers´Own Milk), leite de doadoras (DHM-Donor human Milk) e leite humano (HM-Human Milk-combinação de leite da própria mãe + leite de doadoras) e não são a mesma coisa. O leite da própria mãe (fresco ou congelado) reduz as complicações específicas da prematuridade e seus custos de forma dose-resposta e promove o crescimento adequado. Esses resultados benéficos não se estendem ao leite da própria mãe pasteurizado. O leite humano de doadora reduz a enterocolite necrosante, mas não a sepse, a displasia broncopulmonar e problemas de neurodesenvolvimento e custos e se associa a um crescimento lento. MOM é a forma mais pura da MEDICINA PERSONALIZADA porque provê à criança que o recebe nutrição individualizada e componentes imunomodulatórios.   MOM interage com as enzimas da criança receptora (ou vice-versa). A enzima no leite da própria mãe (xantina amilase) interage com a xantina para PRODUZIR EFEITO ANTIMICROBIANO PODEROSO que não pode ser medido no leite antes da interação com a saliva do bebê, o que não ocorre com o leite de doadora, cuja pasteurização destrói a enzima amilase xantina e muito menos com a fórmula! Inclusive há uma adequação na degradação por proteases endógenas presentes no leite do pré-termo pode atenuar os problemas por causa do sistema digestivo imaturo do bebê prematuro. O contato pele a pele coloniza a pele que vai até então ao intestino materno e chega até a corrente sanguínea, glândula mamária e chega até o RN. Em termos gerais e científicos não há substituto do leite da sua própria mãe para os bebês prematuros. Então, vejamos como conseguir mais esse leite, como fazer com que as mães consigam produzir mais leite e consigam atravessar todo esse tempo de internação na UTI até chegarem em casa amamentando. O maior preditor de amamentação após sair da UTI (odds ratio de 9,7) é atingir o volume ≥ 500 ml/dia pós-parto no 14º dia (coming to volume-CTV). A mãe deve produzir muito mais leite do que a criança pode consumir nas primeiras 2 semanas de vida. Chamamos isso de DEFASAGEM entre o volume necessário de MOM para satisfazer a demanda do RN versus o volume necessário para regular os processos de lactação, e isso cria confusão para as famílias e os Cuidadores de Saúde. No entanto, a mãe precisa estar produzindo mais de 500 ml por dia para conseguir produzir leite para o seu bebê ao chegar em casa e manter a lactação. Entendendo como conseguir essa quantidade de leite: entre os mecanismos responsáveis pela regulação da lactação são a) pico de prolactina induzido pela sucção (sempre que há o estímulo para remoção do leite, como o uso da bomba tira leite ou sucção), observa-se um aumento 2-3 vezes acima do valor basal de prolactina pela hipótese b) FIL (inibidor do feedback da lactação): proteína do leite que, quando não removida pelo bebê durante a amamentação (ou seja, fica leite para trás) torna a glândula mamária menos sensível à prolactina. Em outras palavras, é a estase do leite inibindo a produção. A mama “pensa” que o bebê não precisa de toda essa quantidade de leite e então não substitui esse leite. É O MECANISMO DO DESMAME! As mães em uso de extração manual exclusiva tiveram significativamente (p <0,05) menor produção de leite diária cumulativa ao longo dos primeiros 7 dias pós-parto em comparação com mães em uso de extração por bomba de tira leite exclusiva. Use uma bomba tira leite e use a expressão manual somente depois da bomba tira leite e não exclusivamente. A bomba tira-leite regula a lactação, não serve apenas para a remoção do leite. Dizer que só podemos usar a expressão manual está completamente contrário às evidências nessa área. Quanto aos biomarcadores, a concentração de Na e a relação Na:K nos dias 3 e 5 pós-parto no leite da própria mãe são preditivos de obtenção de CTV nesta população (elevação prolongada do Na+ ou na relação ou Na/K previu uma ativação secretora prejudicada). Segundo Ricardo Nunes, o percentual de bebês que saem do Hospital amamentando exclusivamente ao seio no Brasil é apenas 20%. Por que não combinar expressão manual com a bomba elétrica? Combinando a expressão manual com a bomba elétrica, aumenta a retirada de leite. Estudos mostram que nos primeiros 3-5 dias combinando a expressão manual com a bomba elétrica, foi possível obter um volume de 700 ml ao final da 2ª semana e mais, a partir do 20º dia pós-parto, ensinando as mães a usarem a expressão manual após bomba elétrica, conseguiram um volume médio de leite 48% maior. Quanto aos custos, foi evidenciada uma economia para o Sistema Nacional de Saúde (NHS) no Reino Unido de 39,1 milhões de dólares em um ano de aumento do uso do leito humano e amamentação da UTI Neonatal. Isso mostra a importância do uso do leite da própria mãe na UTI Neonatal.

 

Alimentação oral de crianças em suporte respiratório não invasivo: Estudo europeu de 4 Centros

Alimentação oral de crianças em suporte respiratório não invasivo: Estudo europeu de 4 Centros

Enteral Feeding of Children on Noninvasive Respiratory Support: A Four-Center European Study.

Tume LN, Eveleens RD, Mayordomo-Colunga J, López J, Verbruggen SCAT, Fricaudet M, Smith C, Garcia Cusco MG, Latten L, Valla FV; ESPNIC Metabolism, Endocrine and Nutrition Section and the Respiratory Failure Section.Pediatr Crit Care Med. 2021 Mar 1;22(3):e192-e202. doi: 10.1097/PCC.0000000000002602.PMID: 33093326.

Apresentação: Kamilla Tuanny Braudes de Sinai (Residente 3º ano – Unidade de Terapia Intensiva HMIB). Coordenação: Alexandre Serafim.

Apesar das variações entre as UTIs Pediátricas em termos de uso de ventilação não invasiva (VNI), metas de nutrição e práticas de oferta, esse estudo sugere que a alimentação enteral precoce é possível durante a VNI, mesmo se as metas de energia não forem atingidas e com risco baixo de complicações.

NUTRIÇÃO, MULTIOMICS E O EIXO INTESTINO-CÉREBRO NO PREMATURO

NUTRIÇÃO, MULTIOMICS E O EIXO INTESTINO-CÉREBRO NO PREMATURO

Josef Neu (EUA). XVIII Encontro Internacional de Neonatologia da Santa Casa de São Paulo, 19/6/2021.

Realizado por Paulo R. Margotto

 

A Conferência é iniciada citando como nutrir um bebê de 24 semanas: como quase não tem estoques lipídicos, também não tem reservas energéticas e se não oferecer energia, essa será obtida através da massa muscular (proteólise), entrando num estado catabólico (intraútero, esse feto  recebe continuamente glicose, proteina [4g/kg/dia] e lipídio [3g/kg/dia]. O crescimento do cérebro nesse período é intenso e se não nutrir esses bebes  as conseqüência se refletirão no deficiente neurodesenvolvimento e paralisia cerebral. Se em nutrição enteral necessita de 120 cal/kg e 4 g/k/g/dia de proteína. Em 2009 escreveu um Editorial: “É hora de parar de matar bebês prematuros de fome?” A nutrição enteral desempenha importante papel na junção de oclusão das células na superfície intestinal e sem a nutrição enteral, essas junções se abrem você e você obterá algo chamado “intestino permeável” que  permite que micróbios e antígenos entrem nesse subepitélio altamente imunorreativo e que induz uma resposta inflamatória e também trás certos  metabólitos que podem afetar a barreira hematoencefálica. O vazamento do trato gastrintestinal  pode afetar todos os sistemas de órgãos do corpo, incluindo o cérebro, por não alimentar totalmente o bebê e induzir essa resposta inflamatória. É possível um maior amento na taxa de alimentação (18mlkg para 30ml/kg) sem diferença na enterocolite necrosante. A seguir o Prof. Josef Neu aborda sobre Iniciativa de Medicina de Precisão (abordagem emergente para  a prevenção e tratamento de doenças  que leva em conta as variações individuais das pessoas no ambiente de genes e estilo de vida). A medicina de ontem  era baseada na intuição e  em sintomas, e hoje,  temos a  medicina baseada em evidências e padrões. No futuro: será medicina baseada em algoritmos e precisão. Estamos começando a descobrir que o meio ambiente   também desempenha um papel importante e temos algo chamado um segundo GENOMA isto é o  MICROBIOMA que parece ser um elo perdido entre os genes, ambiente e doença. Estamos começando a reconhecer que o elo que faltava entre os genes, o ambiente e as doenças, pelo menos parte dele, pode residir em nossos micróbios. Temos que reconhecer o que esses micróbios realmente fazem (sais biliares:vem de  ácidos biliares; o micróbios pegam esses ácidos  biliares e os transformam em sais biliares).Através dos seus metabólitos podemos encontrar biomarcadores desses que ser usados para diagnosticar, monitorar e estadiar uma doença bem como monitorar a terapia e a progressão da doença. Existem importantes mecanismos de sinalização intestinal para o Sistema Nervoso Central como os ácidos graxos de cadeia curta se baixos promovem junções abertas entre as células intestinais promovendo vazamentos intestinais com citado e podemos usá-los como marcadores metabólicos capazes de prevê doenças; aminoácidos, como o Triptofano (produto do metabolismo microbiano), importante na interface do eixo microbioma-intestino-cérebro; produção do metabólito ácido gama-aminobutírico e esse é considerado um neurotransmissor inibitório porque bloqueia  ou inibe certos sinais cerebrais) Ou seja:  estamos começando a reconhecer que os micróbios do trato gastrintestinal tem efeito sobre todos eles metabólitos os  fatores que podem afetar os metabólitos são  nutrição, drogas, estilo de vida, doenças, meio ambiente, idade. Quanto ao ANTIBIÓTICO e o NEURODESENVOLVIMENTO: quase todo bebê que nasce com menos de 33 semanas de gestação recebe um curso de pelo menos alguns dias de antibiótico logo após o nascimento e isso faz bem? Os antibióticos podem perturbar essa comunidade microbiana equilibrada, onde você obtém uma diminuição da diversidade de espécies, alteração do sinal do receptor toll-like e desrregulação imunológica. Sabemos e agora que apenas dois dias de antibióticos podem realmente ter efeitos de longo prazo no microbioma, mas realmente não estamos totalmente cientes de quais são exatamente esses efeitos. Estudo realizado por Josef Neu mostrou diminuição dos níveis de alguns dos neurotransmissores no grupo de antibióticos e a preocupação que temos é para a função normal desses neurotransmissores e potenciais efeitos sistêmicos de transmissores como serotonina e GABA. Os estudos nesse sentido prosseguem. Quanto ao LEITE HUMANO: o ideal é o da própria (leite materno contem 105-6 bactérias/ml! Estas são destruídas pelo processo de pasteurização!). No entanto, é possível personalizar o leite de doadora usando pequenas quantidades do leite da própria mãe do bebê! O desenvolvimento de micróbio que se pareciam muito com o leite original materno do bebê no leite doado e também olhamos para o perfil metabolômico e descobrimos que esse perfil também começou a ficar parecido cada vez mais com o leite da própria mãe do bebê.

Nutrição enteral precoce após cirurgia pediátrica abdominal: uma revisão sistemática da literatura

Nutrição enteral precoce após cirurgia pediátrica abdominal: uma revisão sistemática da literatura

Early enteral feeding after pediatric abdominal surgery: A systematic review of the literature.Greer D, Karunaratne YG, Karpelowsky J, Adams S.J Pediatr Surg. 2020 Jul;55(7):1180-1187. doi: 10.1016/j.jpedsurg.2019.08.055. Epub 2019 Sep 5.PMID: 31676081.

Apresentação: Thaiana Beleza MR5 Neonatologia/HIB/SES/DF. Coordenação: Miza Vidigal.

Resumo

Introdução: Tradicionalmente, a nutrição enteral tem sido adiada após cirurgia abdominal em crianças, para prevenir complicações. No entanto, evidências recentes na literatura adulta refutam os supostos benefícios do jejum e sugerem diminuição das complicações com nutrição enteral precoce (EEN). Esta revisão teve como objetivo compilar as evidências para EEN em crianças neste cenário.

Métodos :Bases de dados Pubmed, EmBase, Medline e listas de referência foram pesquisadas em busca de artigos contendo termos de pesquisa relevantes de acordo com as diretrizes do PRISMA. Os primeiros e segundos autores revisaram os resumos. Estudos contendo pacientes menores de 18 anos submetidos à cirurgia abdominal, com alimentação iniciada antes da prática padrão, foram incluídos. Estudos incluindo piloromiotomia foram excluídos. O desfecho primário foi o tempo de internação (LOS). Os desfechos secundários incluíram tempo para nutrição enteral completa, tempo para evacuar e complicações pós-operatórias.

Resultados: 14 artigos preencheram os critérios de inclusão – cinco sobre cirurgia abdominal neonatal, três sobre formação de gastrostomia e seis sobre anastomoses intestinais. Havia três ensaios clínicos randomizados (RCTs), cinco estudos de coorte, quatro ensaios históricos de controle, um ensaio não randomizado e uma série de casos. Nove estudos mostraram uma diminuição do LOS com EEN. A maioria dos estudos que relataram tempo para nutrição enteral completa mostrou melhora com EEN, porém o tempo para evacuar foi semelhante na maioria dos estudos. As complicações pós-operatórias diminuíram ou não foram estatisticamente diferentes nos grupos EEN em todos os estudos.

Conclusão :Os estudos até o momento em um número limitado de procedimentos sugerem que o EEN parece seguro e eficaz em crianças submetidas à cirurgia abdominal. Embora faltem evidências robustas, há benefícios claros em LOS e tempo para alimentações completas, e nenhum aumento nas complicações.