Categoria: Distúrbios Neurológicos

Síndrome de Abstinência Neonatal

Síndrome de Abstinência Neonatal

Paulo R. Margotto, Sergio Henrique Veiga.

Capítulo do livro Assistência ao Recém-Nascido, 4a Edição, 2019 (no prelo).

Os efeitos das drogas sobre o feto estão na dependência de vários fatores, entre os

quais, o tipo de droga, a quantidade, a frequência do uso e o período gestacional em que ocorreu o uso. Entre estas substâncias, se destacam a cocaína e o crack (subproduto da cocaína). Quando misturada com bicarbonato de sódio ou amônia, forma pedras de cocaína, que recebem o nome de crack (do verbo to crack, que significa quebrar, devido aos pequenos estalidos produzidos pelos cristais ao serem queimados, como estivem sendo quebrados). Assim, a cocaína pode ser consumida através do fumo (cachimbo, cigarro).

A cocaína, considerada estimulante do sistema nervoso central, age inibindo a:               –recaptação da norepinefrina (daí seus efeitos: vasoconstrição, hipertensão arterial, taquicardia)

da dopamina (daí seus efeitos: sensação de euforia, aumento do estado de alerta, redução da fadiga, estimulação sexual; a depleção dos estoques de dopamina pelo uso continuado da droga leva o usuário a um estado depressivo, sintomas de abstinência).

-da serotonina nos terminais nervosos pré-sinápticos, ocorrendo uma estimulação prolongada destes receptores na membrana pós-sináptica.

A cocaína passa rapidamente através da placenta por difusão simples. Os efeitos da cocaína no feto podem estar aumentados, devido às modificações do metabolismo da cocaína durante a gestação (há uma redução da atividade da colinesterase plasmática, com diminuição do metabolismo da cocaína).

Entendendo a Certificação do Exame Neurológico para a Hipotermia Tardia e Otimização dos Ensaios de Resfriamento

Entendendo a Certificação do Exame Neurológico para a Hipotermia Tardia e Otimização dos Ensaios de Resfriamento

Guilherme Sant´Anna (Canadá)

Hipotermia terapêutica em recém-nascidos com encefalopatia hipóxico-isquêmica. 1º Simpósio Internacional de Neonatologia do Distrito Federal, 1º Simpósio Internacional de Neonatologia do HMIB “DR. PAULO ROBERTO MARGOTTO”, 25 a 27 de outubro de 2018

Alteração da conectividade microestrutural dos pedúnculos cerebelares superior e médio relacionada à disfunção motora em crianças com leucomalácia periventricular por prematuridade : um estudo de tratografia por DTI

Alteração da conectividade microestrutural dos pedúnculos cerebelares superior e médio relacionada à disfunção motora em crianças com leucomalácia periventricular por prematuridade : um estudo de tratografia por DTI

Altered microstructural connectivity of the superior and middle cerebellar peduncles are related to motor dysfunction in children with diffuse periventricular leucomalacia born preterm: a DTI tractography study.Wang S, Fan GG, Xu K, Wang C.Eur J Radiol. 2014 Jun;83(6):997-1004. doi: 10.1016/j.ejrad.2014.03.010. Epub 2014 Mar 22.PMID: 24703518.Similar articles.

Coordenação: Drs. Joseleide de Castro, Raphael Calmon (Neuroradiologista), Sérgio H. Veiga (Neurologista) e Paulo R. Margotto

A tratografa é uma nova técnica de ressonância magnética que permite o mapeamento e, portanto, a avaliação de diferentes tratos da substância branca do sistema nervoso central. O estudo mostra a existência de lesão da massa branca nas vias do cerebelo em pacientes com leucomalácia periventricular LPV difusa, sugerindo que esses bebês também apresentam anormalidades da sustância branca no cerebelo. Vejam que existe uma  relação trófica entre o desenvolvimento de tecidos cerebrais e cerebelares. O cerebelo é uma chave importante em muitas funções, incluindo a cognitiva, habilidades motoras finas, coordenação e sequenciamento motor. Esse achado pode ser devido ao dano da alça transneural entre o cérebro e o cerebelo causado por LPV difusa. Precisamos saber que a  função motora requer redes extensas entre o cérebro e o cerebelo. Muitos estudos demonstraram que o cerebelo pode participar das funções motoras superiores. A má conexão das fibras neurais nesses pedúnculos cerebelares ocasionada pela LPV difusa  pode resultar em menor eficiência de comunicação entre o cerebelo e córtex cerebral específico. Nos links trouxemos uma informação de 2018: a Rede Coreana de Neonatologia demonstrou que as chances de leucomalácia periventricular entre os recém-nascidos com muito baixo peso em 2 vezes ou mais entre crianças que recebem ventilação mecânica por mais de 2 semanas (OR ajustada de 2,29 com IC a 95% de 1,34-5,02).

 

Hemorragia intraventricular nos neonatos de 23 a 26 semanas de gestação:análise retrospectiva de fatores de risco

Hemorragia intraventricular nos neonatos de 23 a 26 semanas de gestação:análise retrospectiva de fatores de risco

Intraventricular hemorrhage in neonates born from 23 to 26 weeks of gestationRetrospectiveanalysis of risk factors.

Szpecht D, Nowak I, Kwiatkowska P, Szymankiewicz M, Gadzinowski J.Adv Clin Exp Med. 2017 Jan-Feb;26(1):89-94. doi:0.17219/acem/65311.PMID: 28397438.Free Article.Similar articles. Artigo Livre!

  • Após a análise de vários fatores de risco revelou que a possibilidade de aparecimento da HIV grau 3 e 4 nesses pré-termo extremos entre RN do grupo A (23ª – 24ª semana) e B (25ª -26ª semana) aumentou apenas entre os RN que foram tratados para hipotensão com catecolaminas (OR 2.031 com IC a  95%de 0.269–24.21- p = 0.033 e OR de 1.989 com IC a 95% de 0.224–16.55-p=0.024), respectivamente. Esse achado não ocorreu se mãe tivesse recebido esteróide pré-natal. O estudo aborda a controversa associação entre hipotensão pós-natal nesses recém-nascidos e os desfechos, havendo evidência que o tratamento piora os desfechos, incluindo risco de leucomalácia periventricular! O importante é que  conheçamos e aceitemos a definição de hipotensão permissiva, ou seja, aceitar níveis menores aos definidos quando não acompanhados de  sinais clínicos, ( perfusão, diurese, níveis de lactato). Os resultados do presente estudo são importantes porque eles aconselham cautela ao administrar o tratamento com catecolaminas a recém-nascidos prematuros (analise a possibilidade do uso de hidrocortisona como terapia inicial para esses recém-nascidos!). É crucial comparar os possíveis benefícios com riscos potenciais. O uso de esteróide nos pré-termos extremos tem mostrado  efeitos protetores, exceto para os RN<22 semanas. Assim, parece ser razoável diminuir o limite inferior da administração do esteróide pré-natal e estabelecer na 23ª semana de gravidez. Cuidado com as expansões!!!!Outro grande problema nas UTI Neonatais é o excesso de expansão volêmica. É lógico que a expansão volêmica tem a sua importância nos momentos certos. Estudo de  Ewer  AK et al  evidenciou a maior mortalidade nos RN expandidos. Lembrar que os RN prematuros demoram 6-8 horas para urinar
LESÃO NEUROLÓGICA ISQUÊMICA E HEMORRÁGICA DO PREMATURO: PATOGENIA, FATORES DE RISCO, DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO

LESÃO NEUROLÓGICA ISQUÊMICA E HEMORRÁGICA DO PREMATURO: PATOGENIA, FATORES DE RISCO, DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO

Paulo R. Margotto.

Capítulo do Livro Assistência ao Recém-Nascido de Risco, 4a Edição, 2019, em Preparação.

A maior seqüela em longo prazo da leucomalácia periventricular é a diplegia espástica, o maior déficit motor no RN pré-termo. Este distúrbio motor caracteriza-se por uma paresia espástica, afetando principalmente membros inferiores. A LPV afeta particularmente as fibras descendentes do trato cortiço- espinhal para os membros inferiores, ou seja, a topografia da lesão inclui a região da substância branca cerebral na qual atravessa as fibras descendentes do córtex motor. Severas lesões se estendendo à corona radiata e ao centro semi-oval podem levar ao comprometimento das extremidades superiores, assim como das funções intelectuais. A lesão aos neurônios da placa subcortical ou uma tardia migração de astrócitos na organização das camadas corticais superficiais podem explicar os possíveis papéis da LPV na deficiente organização neuronal cortical, o que por as vez traduz impacto subseqüente na função cognitiva. Confirmando estes achados, Inder et al., utilizando-se da ressonância magnética, detectaram deficiente desenvolvimento cortical a termo quando ocorreu a lesão na substância branca. Estudo através de tratografia tem mostrado (uma nova técnica de ressonância magnética que permite o mapeamento e, portanto, a avaliação de diferentes tratos da substância branca do sistema nervoso central) a existência de lesão da massa branca nas vias do cerebelo em pacientes com leucomalácia periventricular  difusa.  A leucomalácia periventricular difusa pode causar o desenvolvimento incompleto das vias cérebro-cerebelares ou outras lesões ou perda de células de Purkinje não específicas do cerebelo, o que poderia levar a transmissões de sinal deficientes entre o córtex cerebral e o cerebelo. As lesões da substância branca do cerebelo que foram detectadas no estudo pode ser devido ao dano da alça transneural entre o cérebro e o cerebelo causado por leucomalácia periventricular difusa. Também é importante que saibamos que  a função motora requer redes extensas entre o cérebro e o cerebelo. Muitos estudos demonstraram que o cerebelo pode participar das funções motoras superiores. Na idade equivalente a termo, os volumes cerebelares estão diminuídos em recém-nascidos prematuros quando há dano na substância branca cerebral.

Estudo recente da Rede Coreana de Neonatologia demonstrou que as chances de leucomalácia periventricular entre os recém-nascidos com muito baixo peso em 2 vezes ou mais entre crianças que recebem ventilação mecânica por mais de 2 semanas (OR ajustada de 2,29 com IC a 95% de 1,34-5,02).

Prevenção pós-natal da hemorragia peri/intraventricular do recém-nascido pré-termo-2018

Prevenção pós-natal da hemorragia peri/intraventricular do recém-nascido pré-termo-2018

Paulo R. Margotto.

Então, falando francamente!: 1meiros 3-4dias de vida (Os 15 mandamentos!)

›Atrasar o clampeamento do cordão (quando não possível: ordenha)

›Evitar aspirações de cânulas de rotina

›Evitar o manuseio excessivo; evitar o barulho

›Aconchegar o recém-nascido

›Avaliar a presença de dor; Evitar punções de calcanhares; Agrupar tarefas;

›RN no respirador: avaliar a assincronia; evitar PaCO2>52mmHg (3os dias vida)

›Evitar excessivas aspirações traqueais

›Ao usar o surfactante: nas primeiras 2 horas de vida

›Priorizar o CPAP nasal

›Evitar rápida otimização da pressão arterial com dopamina

›Evitar pneumotórax

›Evitar infusão rápida de volumes

›Identificar RN com PCA que necessitam  de tratamento

›Prevenir a hiperglicemia, a hipernatremia

›Usar cafeína precocemente

 

 

Hemorragia intraventricular no pré-termo-2018

Hemorragia intraventricular no pré-termo-2018

Paulo R. Margotto, Joseleide de Castro.

Capitulo do livro Assistência ao Recém-Nascido de Risco, 4a Edição, 2019, em Preparação.

A despeito dos avanços nos cuidados perinatais nas últimas décadas, o recém-nascido (RN) pré-termo continua de alto risco para o desenvolvimento de hemorragia intraventricular e lesão da substancia branca adjacente. Ambas as condições constituem o maior problema no cuidado neonatal moderno e contribuem significativamente para a morbimortalidade nestes RN, assim como déficits neurocomportamentais a longo prazo.

A HIV é estudada há mais de 25 anos. A sua incidência está relacionada à prematuridade, ao aumento da sobrevivência nos RN com peso ao nascer abaixo de 1000g e, sobretudo às práticas neonatais e a gerência dos serviços obstétricos e neonatais.  Em 1978, Papile e cl relataram uma incidência de 35 – 45 % (1 ¤ 3 a 1 ¤ 2 das autópsias) nos RN com peso ao nascer abaixo de 1500g. Atualmente, as formas mais severas de HIV ocorrem nos RN abaixo de 1000g: aproximadamente 26% nos RN entre 501 e 759g e 12% nos RN com peso ao nascer entre 751 e 1000g. A importância desta informação se deve por duas razões: a sobrevivência dos RN nestas faixas de peso aumenta cada vez mais e tanto a mortalidade como os déficits neurocomportamentais ocorrem com maior probabilidade nos RN com severa HIV. Nos RN <32 semanas, Inder e cl relataram uma incidência entre15-25% e Brower e cl, 5,6%

Na Unidade de Neonatologia do HMIB/SES/DF, no ano de 2008, a HIV (todos os graus) ocorreu em 11.6% nos RN entre 26 e 34 semanas de idade gestacional. Estudo da nossa Unidade, em 2011 mostrou uma incidência de HIV graus II-IV em 20% nos RN entre 25-27 semanas 6 dia, 11% entre 28-29 semanas 6 dias,   caindo para 1,3% entre 30 semanas e 31 semanas e 6 dias.