Categoria: Distúrbios Neurológicos

Hemorragia intraventricular no recém-nascido a termo (Apresentação realizada no dia 21/9/2020) na Residência de Neonatologia do HMIB

Hemorragia intraventricular no recém-nascido a termo (Apresentação realizada no dia 21/9/2020) na Residência de Neonatologia do HMIB

Paulo R. Margotto.

RESUMO:

-É importante que saibamos que a sua patogênese é diferente do que ocorre nos pré-termos, incluindo inclusive estudo genético.

-Os livros textos disponíveis escrevem pouco sobre o tema altamente angustiante para os Pediatras e Neonatologistas: RN a termo, de parto normal, Apgar de 9/10 que se apresenta com quadro neurológico grave ao Pronto Socorro, com 7-14 dias de vida! -Impulsionados pela necessidade de melhor compreender esta condição, escrevemos um capítulo específico sobre o tema nos nossos 2 livros Assistência ao Recém-Nascido de Risco, ESCS, Brasília, 3ª Edição, 2013 e Neurossonografia Neonatal, ESCS, Brasília, 2013.

-Em uma coorte de 2.397 recém nascidos com idade gestacional média de 38,3 semanas e peso médio ao nascer de 3 Kg, Wu et al relataram a ocorrência  da HIV em 29 RN (1,2%) , com a determinação da causa  e a apresentação clínica.

-A trombose no seio venoso cerebral esteve presente em 31%, sendo a origem mais comum do sangramento no tálamo.

-Descrevemos 5 casos, sendo que nos 2 últimos fizemos estudo protrombótico e inclusive genético na determinação da causa.

-A propedêutica nestes casos, sem fatores clássicos conhecidos, deve incluir, sempre a ressonância magnética e o Doppler de alta resolução no diagnóstico de trombose de seios venosos cerebrais, além de angiografia cerebral para excluir malformação arteriovenosa.

-Também deve ser feita uma investigação laboratorial para distúrbios protrombóticos, incluindo estudos genéticos.

-Nos RN asfixiados em hipotermia deve ser mantida a estabilidade hemodinâmica, principalmente na fase de reaquecimento

Avaliação dos principais parâmetros clínicos antes e depois da hemorragia intraventricular em bebês muito prematuros

Avaliação dos principais parâmetros clínicos antes e depois da hemorragia intraventricular em bebês muito prematuros

Assessing key clinical parameters before and after intraventricular hemorrhage in very preterm infants.

Lampe R, Rieger-Fackeldey E, Sidorenko I, Turova V, Botkin N, Eckardt L, Alves-Pinto A, Kovtanyuk A, Schündeln M, Felderhoff-Müser UEur J Pediatr. 2020 Jun;179(6):929-937. doi: 10.1007/s00431-020-03585-9. Epub 2020 Jan 28.PMID: 31993776 Free PMC article. Artigo Livre!

Apresentação: Antonio Thiago de Souza Coelho e Marcus Vinícius Batista Machado. Coordenação: Nathalia Bardal, Paulo R. Margotto.

A hemorragia intraventricular (HIV)  é a causa mais frequente de dano cerebral em bebês prematuros, levando frequentemente a distúrbios do neurodesenvolvimento. Estudando 136 prematuros diagnosticados com HIV grau I-IV (grupo afetado), e 118 prematuros  sem  HIV (grupo controle), esses autores alemães mostraram  a relevância da alta PaCO2, da Pressão arterial média baixa e das alterações mais expressivas do fluxo o sanguíneo cerebral (FSC) em um cenário de deficiente autorregulação do FSC, associada a uma proeminência do FSC à matriz germinativa, constituída por frágeis vasos .Nos complementos, 1) a orientação sábia de evitar que a PaCO2 não ultrapasse 52 mmg Hg nos primeiros 3-4 dias de vida, 2) a importância do controle dos gases nos recém-nascido ventilados, 3) a valorização da pressão arterial média em combinação com outros comemorativos (diurese, perfusão).

Neurossonografia Neonatal-Compartilhando imagens: Acidente Vascular Cerebral Arterial Isquêmico

Neurossonografia Neonatal-Compartilhando imagens: Acidente Vascular Cerebral Arterial Isquêmico

Paulo R. Margotto

Caso Clínico:

RN do dia 21/7/2020, 28 sem 3 dias, cesariana (pré-eclâmpsia + sofrimento fetal. VPP com ambú e máscara, intubação orotraqueal e encaminhado à UTI Neonatal. Recebeu surfactante.Evoluiu grave com  hipertensão pulmonar, insuficiência renal (diálise), sepse tardia (Pseudomona aeruginosa ), sepse  fúngica (Candida parapisilosis) e retinopatia da prematuridade. Com 49 dias de vida, pupilas mióticas,  arreflexia, queda de saturação e bradicardia, anasarca, anúrica e óbito aos 49 dias.

Malformações cardiovasculares em crianças de mães diabéticas: um estudo de caso – controle retrospectivo

Malformações cardiovasculares em crianças de mães diabéticas: um estudo de caso – controle retrospectivo

Cardiovascular Malformations in Infants of Diabetic Mothers: A Retrospective Case-Control Study.Akbariasbagh P, Shariat M, Akbariasbagh N, Ebrahim B.Acta Med Iran. 2017 Feb;55(2):103-108.PMID: 28282706 Free article. Artigo Livre!

Apresentação: Gabriela Rabelo Cunha. R4 – Medicina Intensiva Pediátrica do Hospital Materno Infantil de Brasília.Coordenação: Nathalia Bardal.Revisão: Paulo R. Margotto.

  • A prevalência de anomalias cardiovasculares para todos os tipos de malformações em bebês nascidos de mães diabéticas foi de 42,8% e a incidência de outras doenças, como defeito do septo ventricular, defeito do septo atrial, deslocamento de grandes vasos mediastinais e atresia de válvula foi estimada em 11,4%. Interessante que 19% não apresentaram nenhum sintoma, enfatizando a importância do acompanhamento desses recém-nascidos. Nos complementos, informações recentes mostram que mais de 50% destas malformações afetam o sistema nervoso central (OR= 1.55, 95%, IC: 1.13–2.13- 10x mais para holoprosencefalia!) e o cardiovascular (OR= 2.20, 95%, IC: 1.88–2.58) principalmente se diabetes preexistente (200 vezes ais de ocorrência de síndrome de regressão caudal!). O diabetes mellitus gestacional pode constituir uma possível diabetes mellitus  tipo 2 apenas diagnosticada durante a gravidez. A hiperglicemia e a causa da dismorfogênese (repercussões nas fases iniciais da cardiogênese). Como o controle glicêmico antes da gravidez está associado a um risco reduzido de defeitos congênitos, o cuidado contínuo de qualidade para pessoas com diabetes é uma oportunidade importante de prevenção
Convulsões Em Recém-Nascidos Sem Encefalopatia Hipóxico-Isquêmica Fatores de Risco Antenatais e Relacionados ao Parto

Convulsões Em Recém-Nascidos Sem Encefalopatia Hipóxico-Isquêmica Fatores de Risco Antenatais e Relacionados ao Parto

Seizures in newborn infants without hypoxic ischemic encephalopathyantenatal and labor-related risk factors: a case-control studyMalmqvist O, Ohlin A, Ågren J, Jonsson M.J Matern Fetal Neonatal Med. 2020 Mar;33(5):799-805. doi: 10.1080/14767058.2018.1505853. Epub 2018 Oct 29.PMID: 30373414.

Apresentação: Flávia Moura (R3 em Neonatologia). Coordenação: Paulo R. Margotto/ Marta David Rocha de Moura.

Entre os fatores de risco destacam a prematuridade, a baixa estatura materna, baixo nível socioeconômico, fertilização assistida, perímetro cefálico acima de 37 cm e cesariana prévia (esse é o primeiro estudo mostrando a associação entre cesária prévia e convulsões neonatais sem EHI!)

Live do Hospital Anchieta: O Cérebro do Recém-Nascido com Cardiopatia Congênita Crítica

Live do Hospital Anchieta: O Cérebro do Recém-Nascido com Cardiopatia Congênita Crítica

Paulo R. Margotto

Observamos que as lesões nesses recém-nascidos a termo cardíacos tinham imagens parecidas com a lesão da substância branca dos recém-nascidos prematuros.. O que vemos aqui é a ponta do iceberg, o topo, é um sinal de que há uma anomalia no desenvolvimento do cérebro (Donna Ferriero, 2019)

Caso Clínico: Síndrome de Aspiração Meconial/Encefalopatia Hipóxico-isquêmica

Caso Clínico: Síndrome de Aspiração Meconial/Encefalopatia Hipóxico-isquêmica

Apresentação:       Jamille Coutinho Alves

Coordenação:        Nathalia Bardal

Unidade de Neonatologia do HMIB/SES/DF

▪A presença de líquido amniótico tinto de mecônio é um sinal potencialmente sério de comprometimento fetal e está associado com aumento da mortalidade perinatal.

▪ Muitos autores acreditam que a causa da passagem de mecônio para o líquido amniótico (LA) seja devido à hipoxia que leva ao relaxamento do esfíncter anal.

▪ O comprometimento do bem estar fetal pode levar ao LA tinto de mecônio e este comprometimento pode ser devido à infecção, evidenciado pela corioamnionite. A infecção poderia aumentar a sensibilidade a hipóxia e poderia ser um fator contribuinte de sofrimento fetal durante o trabalho de parto.

Uso da ketamina para intubação traqueal em crianças criticamente doentes é associado com menor ocorrência de efeitos adversos hemodinâmicos

Uso da ketamina para intubação traqueal em crianças criticamente doentes é associado com menor ocorrência de efeitos adversos hemodinâmicos

  • Apresentação:Helena de Oliveira Melo (R3 UTI Pediátrica do HMIB). Coordenação: Alexandre Peixoto Serafim
  • . O uso de ketamina na indução de intubação orotraqueal em pacientes críticos está associada a menos eventos adversos hemodinâmicos em comparação com outros agentes de indução, tanto em crianças com ou sem hemodinâmica instável/ choque pré-existente. Nos complementos: E na Neonatologia: a neurotoxicidade é um sério efeito potencial da ketamina em populações vulneráveis, particularmente os pré-termos e as gestantes, agora, pela primeira vez evidenciada em células neuronais humanas! O uso rotineiro de ketamina para a analgesia nesta população de risco, principalmente para imediata analgesia devido à intubação eletiva de pré-termos na Sala de Parto, não está recomendado até que novos estudos demonstrando segurança da ketamina sejam conduzidos. O bloqueio dos receptores NMDA (é como age a ketamina) por somente poucas horas durante o período fetal tardio ou neonatal precoce pode iniciar uma ampla neurodegeneração apoptótica no cérebro
Asfixia Perinatal

Asfixia Perinatal

Apresentação: Pollyana Alves Gouveia Assunção

Coordenação: Carlos Alberto Zaconeta.

Asfixia perinatal é uma injuria sofrida pelo feto ou pelo recém-nascido (RN) devido à má oxigenação (hipoxia) e/ou má perfusão (isquemia) de múltiplos órgãos. Associa-se a acidose láctica e, na presença de hipoventilação, a hipercapnia. A asfixia pode ser o resultado do insulto crónico, subagudo ou agudo sofrido pelo feto.

Realizar um diagnóstico bem fundamentado de  asfixia confirmando ou refutando a etiologia perinatal  é de extrema importância para a família e para os profissionais, pois um diagnóstico apressado pode acarretar sofrimento familiar e, cada vez com maior frequência,  repercussões médico-legais tanto para obstetras como para neonatologistas.

Contudo, definir asfixia não é simples e isto faz com que seja difícil comparar todos os trabalhos clínicos existentes, uma vez que com freqüência, as definições utilizadas são diferentes. Vários estudos têm evidenciado que o escore de Apgar é insuficiente, como critério único, para o diagnóstico de asfixia perinatal.  Uns  dos critérios mais usados para caracterizar a presença de asfixia são os da Academia Americana de Pediatria que reserva o termo asfixia para pacientes que apresentam os seguintes fatores associados:

  1. Acidemia metabólica ou mista profunda (pH<7,0) em sangue arterial de cordão umbilical;
  2. escore de Apgar de 0-3 por mais de 5 minutos;
  3. manifestações neurológicas neonatais (ex: convulsões, coma ou hipotonia);
  4. Disfunção orgânica multisistêmica (ex:  sistemas cardiovascular, gastrintestinal, hematológico, pulmonar ou renal).

 

Artigo 5.345: Importância da avaliação e treinamento em USG de crânio para a avaliação do bebê prematuro

Artigo 5.345: Importância da avaliação e treinamento em USG de crânio para a avaliação do bebê prematuro

Paulo R. Margotto.

Live do Lançamento da Plataforma Educacional PBSF: INOVAR COM QUALIDADE EM NEONATOLOGIA (29 de julho de  2020).

A beleza do US craniano vai além do exame, pois ao seu lado há quem espera de você um diálogo franco que possa manter a construção de um futuro programado desde a concepção para aquele bebê. Tudo é em tempo real!

  • Devemos saber dialogar com os pais que esperam atentamente uma palavra que os orientem nesses difíceis momentos.
  • Os pais observam todos os nossos gestos ao realizar o exame.
  • Manter a calma e a serenidade são estratégias que aprendi ao longo desses mais de 30 anos que realizamos US cranianos.
  • Não devemos ficar calados e na surdez ao clamor, emitir friamente laudos (às vezes, remoto)