Mês: abril 2022

Nutrição Pós-Alta: Aleitamento Materno, Alimentos Complementares, Comportamento Alimentar e Problemas Alimentares / Cuidados Nutricionais do Prematuro na Transição para a Alta Hospitalar

Nutrição Pós-Alta: Aleitamento Materno, Alimentos Complementares, Comportamento Alimentar e Problemas Alimentares / Cuidados Nutricionais do Prematuro na Transição para a Alta Hospitalar

Nadja Haiden (Áustria) /Rita Silveira (RS).

25o Congresso Brasileiro de Perinatologia, entre os dias 1 a 4 de dezembro de 2021, ONLINE.

Realizado por Paulo R. Margotto.

Os bebês prematuros têm uma grande necessidade de nutrientes e por outro lado, apresentam imaturidade dos órgãos, o que contribui para a dificuldade de alcançar a ingesta alimentar adequada capaz de permitir que essas crianças tenham um crescimento adequado. Apresentam mais sono do que um bebê a termo, têm dificuldade na coordenação para manter sucção e deglutição, além de comorbidades persistentes. Há quatro padrões pós-natal ou padrões de crescimento pós-alta (ESPGHAM): AIG (ao nascer) /AIG (alta); PIG/AIG; AIG/PIG e PIG/PIG, ou seja, no momento da alta existem dois padrões: o crescimento apropriado correspondendo ao grupo 1 e 2 e  esses bebês têm alta acima do percentil 10 e o segundo padrão é o de bebês que precisam de um catch-up growth, eles recebem alta abaixo do percentil 10 e correspondem aos grupos 3 e 4. Eles têm requisitos muito mais elevados, de tal forma que se em uso de leite materno, precisa de aditivação (50% aditivação é possível atender perfeitamente aos requisitos dos bebês pós-alta), além de que leite materno aditivado no pós-alta, melhora função pulmonar aos 6 anos com melhores parâmetros antropométricos no grupo especial de prematuros com peso abaixo de 1250g até 1 ano de vida e uma melhor função visual. Os bebês amamentados não crescem tanto durante a sua permanência na UTI Neonatal, mas apresentam um crescimento melhor depois, especialmente no quesito perímetro cefálico. Também há uma correlação entre o resultado do neurodesenvolvimento e a amamentação (esse achado e conhecido como paradoxo da amamentação aparente). Como não temos disponível fortificante do leite humano pós-alta, na prática clínica temos intercalado fórmula de transição com o leite humano, com o objetivo de alcançar os objetivos propostos. Os dados disponíveis sugerem que não há um momento específico para a introdução de sólidos que se aplique com segurança a todos os bebês prematuros que constituem uma população de nível extremamente variado em termos do desenvolvimento de habilidades motoras e habilidades orais. Ter em mente que prematuros que desenvolveram disfunção oral necessitam de uma intervenção individualizada conduzida por uma Equipe multidisciplinar que deve incluir clínicos, nutricionistas e fonoaudiólogos especializados na função oral. Nos complementos trouxemos Parte da Palestra proferida pela Dra. Rita Silveira (RS) sobre Cuidados Nutricionais Do Prematuro na Transição para a Alta Hospitalar, ocorrida por ocasião do 25º Congresso Brasileiro de Perinatologia.  Na prevenção dos fatores que dificultam a via oral e geram intolerância alimentar, temos que trabalhar na prevenção dessa situação e é por isso que temos o que se chama atualmente de “Feeding Program” que é uma intervenção com treino de deglutição que melhora na habilidade de alimentação. O objetivo é o início da alimentação via oral e obtenção da alimentação exclusiva via oral em um curto período de tempo com prontidão para via oral em idades gestacionais mais precoces. Esse Programa de Estimulação Motora Oral começa com estimulação tátil extra, peri e intra-oral uma vez ao dia por 15 minutos por 10 dias, iniciando ao redor de 31 semanas. É enfatizado o papel do ZINCO que afeta o crescimento e o desenvolvimento cerebral de forma particular entre 24-54 semanas pós-menstrual que é um período muito crítico para a neuronutrição. A fórmula de transição pós-alta do prematuro tem um teor mais adequado de DHA e ARA, proporciona maior crescimento linear, ganho de peso e minerilização óssea. A fórmula de transição já tem um teor adequado de zinco e não precisa acrescentar o zinco (leite humano aditivado precisa de suplementação de zinco: iniciar a partir de 36 semanas de idade corrigida nas crianças em uso de leite materno: 1 mg/kg/dia e aumentamos até o máximo de 5mg/dia aos 6 meses de idade corrigida). No entanto, precisa acrescentar ferro. Fórmula de transição está recomendada para aqueles prematuros que não estão em alimentação com leite materno com idade <34 semanas e peso ao nascer <2000g, até 52 semanas (se nasce com 28 semanas, vai receber até 6 meses de vida) Para aqueles com DBP ou outras comorbidades, é sugerido usar até 9-12 meses de idade corrigida. A indicação pode muitas vezes começar já dentro da UTI para o prematuro <1800g quando o prematuro estiver pronto para alta hospitalar com peso aproximado de 1800g. Lembrar sempre que o leite materno é o padrão outro nutricional (não devemos nos esquecer jamais!). O segmento do prematuro é uma extensão do cuidado neonatal. Temos que ter manejo adequado na nutrição nas fases precoces da vida, pois isso vai impactar na qualidade de vida do nosso prematuro.

NEUROSSONOGRAFIA NEONATAL – Compartilhando imagens: Encefalopatia hipóxico-isquêmica (EHI) Grave -Sinal das 4 Colunas.

NEUROSSONOGRAFIA NEONATAL – Compartilhando imagens: Encefalopatia hipóxico-isquêmica (EHI) Grave -Sinal das 4 Colunas.

Paulo R. Margotto.

Relatamos um caso grave de EHI grave com discussão, cujo ultrassom craniano com 14 horas de vida mostrou grave lesão nos núcleos da base e tálamo caracterizando o Sinal das 4 Colunas no plano coronal, causada pela moderada ou severa hiperecogenicidade do tálamo e putamen, além de fluxo sanguíneo reverso (IR>1), um sinal de morte encefálica.

Mudanças Maturacionais no Metabolismo do Sódio em Prematuros no Limite da Viabilidade

Mudanças Maturacionais no Metabolismo do Sódio em Prematuros no Limite da Viabilidade

Maturational changes in sodium metabolism in periviable infants. Segar JL, Grobe CC, Grobe JL.Pediatr Nephrol. 2021 Nov;36(11):3693-3698. doi: 10.1007/s00467-021-05119-3. Epub 2021 May 19.PMID: 34013388.

Apresentação: Mayara Martin. Coordenação: Carlos  A. Zaconeta

                        O balanço de sódio é sabidamente correlacionado com o crescimento somático em mamíferos

  • Os autores fornecem novos dados sobre o balanço de sódio nos primeiros meses após o nascimento em uma coorte de prematuros extremos.
  • Esses achados sugerem que, além do período de diurese pós-natal, os bebês nascidos no extremo da prematuridade têm necessidades substanciais de sódio para um estado de balanço de sódio positivo a ser alcançado, que é necessário para crescimento ideal.
Defeitos Cardíacos Congênitos em lactentes de mãe diabética: uma experiência de Centro único

Defeitos Cardíacos Congênitos em lactentes de mãe diabética: uma experiência de Centro único

CONGENITAL HEART DEFECTS IN INFANTS BORN TO …

Muhammad Shamaoon , Zunaira , Muhammad Ahsan , Tehmina Maqbool , Rabia Aslam , Ambreen Yaseen.

Professional Med J 2020;27(5):950-956

Apresentação: Lays S. Piantino Pimentel – Residente de Neonatologia. Coordenação: Marta David Rocha de Moura

Nos complementos (Paulo R. Margotto): Entendendo o mecanismo das malformações nos bebês de mães diabéticas, Malformações cerebrais e Síndrome de Regressão Caudal.

O sistema cardiovascular juntamente com outros sistemas do corpo dos neonatos é afetado em cerca de 50% dos neonatos filhos de mães diabéticas. Recomenda-se o diagnóstico precoce da cardiopatia congênita por meio de ecocardiograma de rastreamento para morbimortalidade. Quanto mais precocemente detectar as lesões cardíacas, mais fácil será o manejo desses pacientes e complicações associadas, prevenindo assim a morbidade e melhorando a sobrevida.

Monografia (NEONATOLOGIA-HMIB-2022): CORRELAÇÃO ENTRE HEMOCULTURA POSITIVA E SEPSE NEONATAL TARDIA EM UNIDADE DE TERAPIA INTENSIVA NEONATAL DO DISTRITO FEDERAL

Monografia (NEONATOLOGIA-HMIB-2022): CORRELAÇÃO ENTRE HEMOCULTURA POSITIVA E SEPSE NEONATAL TARDIA EM UNIDADE DE TERAPIA INTENSIVA NEONATAL DO DISTRITO FEDERAL

Flávia Moura. Orientação: Dra. Evely Mirela Santos França e   Dr. Felipe Teixeira de Mello Freitas

O diagnóstico representa um desafio, uma vez que as manifestações clínicas são variáveis e inespecíficas. Exames laboratoriais podem auxiliar no diagnóstico, mas também são inespecíficos. A hemocultura é “padrão-ouro” para isolamento de patógenos microbianos na sepse, entretanto apresenta baixa sensibilidade e muitas vezes não é possível aguardar o resultado da hemocultura, sendo iniciada a antibioticoterapia empírica diante de um quadro clínico sugestivo. A dificuldade no diagnóstico pode levar ao retardo do tratamento ou ao uso excessivo de antibióticos, permitindo a seleção da flora e resistência bacteriana.

OBJETIVO: Determinar a incidência da sepse neonatal tardia comprovada por hemocultura, em recém-nascidos internados na UTIN do Hospital Materno Infantil de Brasília.

A sepse neonatal tardia comprovada com hemocultura positiva apresentou uma incidência de 38% (32/84), com maior participação de gram-positivos (72%), sendo o fator significativo a cirurgia prévia. No entanto, a maioria dos recém-nascidos não utilizou a ventilação mecânica (65,6%), fez uso de acesso venoso central (87,5%), usou nutrição parenteral total (65,6%), usou antibiótico prévio (84,4%), e não foi submetida a procedimentos cirúrgicos (81,3%).

Fato relevante observado foi o uso prévio de antibióticos em 84,4% dos RN com hemocultura positiva. RN são imunocomprometidos e expostos a situações de risco infeccioso que favorecem o uso de antibióticos. Outro aspecto é a dificuldade no diagnóstico da sepse, bem como à baixa positividade de hemoculturas. A antibioticoterapia, produz alteração na flora e na resistência bacteriana. Uma vez afastado infecção, esses antibióticos devem ser suspensos de forma imediata e se houver a confirmação do agente, o descalonamento de antimicrobianos deve sempre ser feito.

Hidratação e Necessidades hidroeletrolíticas do pré-termo (Hydration and Fluid and Electrolyte Requiriments of the Preterm Infant)

Hidratação e Necessidades hidroeletrolíticas do pré-termo (Hydration and Fluid and Electrolyte Requiriments of the Preterm Infant)

Jeffrey Segar (EUA) ocorrida no 25o Congresso Brasileiro de Perinatologia, entre os dias 1 a 4 de dezembro de 2021.

Realizado por Paulo R. Margotto

A provisão de água é o conceito mais básico em sustentar a vida, no entanto, há poucos estudos, assim como Palestras em Congressos abordando esse tema de vital importância. O entendimento da quantidade de fluidos que devemos administrar aos recém-nascidos necessita do entendimento da adaptação dos compartimentos de água que ocorrem ao nascimento. É esperado e desejado uma diminuição de peso após o nascimento devido à perda da água total corporal que é maior em pré-termo do que em bebês a termo. Há uma relação direta entre o equilíbrio hídrico e a necessidade de ventilação mecânica continuada aos 7 dias de vida.  Há associação com melhores desfechos respiratórios, uma vez que os bebês alcançam um equilíbrio negativo entre 5-10% do peso ao nascimento nos primeiros 7 dias de vida. Menos líquido associou-se com menos canal arterial pérvio e menos canal arterial pérvio associado à displasia broncopulmonar, menos enterocolite necrosante e menos insuficiência cardíaca congestiva Para que possamos entender o quanto de líquido devemos oferecer ao bebê, temos que entender o que está acontecendo, ou seja, o que está entrando e saindo. Idealmente o que devemos fazer é oferecer líquido suficiente para evitar a hipernatremia, mas também para permitir que haja a contração do espaço extracelular nos primeiros 3-5 dias de vida, o que pode ser aferido pela perda de peso. No entanto, a quantidade ideal de líquido ainda não é conhecida. Quanto ao sódio pensar no sódio como um nutriente!Oferta maior de sódio promove o crescimento (a deficiência de sódio e cloreto limita a utilização de energia e proteína). Os valores séricos de sódio não nos informam a necessidade. Suficiente ingesta de sódio é necessária para otimizar o crescimento! As necessidades de sódio além dos primeiros dias de vida devem garantir um balanço positivo de sódio para gerar o crescimento. A hiponatremia provavelmente reflete a deficiência total do corpo e um valor de sódio normal não replica um estado normal de sódio corporal.  O valor de sódio na urina funciona como uma medida da homeostase do sódio (quando<40 mmol/L, sem uso de diuréticos, informa a necessidade de adicionar sódio na dieta). Duas a 8 semanas depois a coorte com suplementação de sódio teve um crescimento pós-natal notavelmente melhorado. Agora, HIPONATREMIA é um fator de isco para várias morbidades (perda auditiva, paralisia cerebral, deficiência neuromotora aos 2 anos de vida, displasia broncopulmonar e retinopatia da prematuridade)!!! Há um ganho de massa livre de gordura! Novamente: A hiponatremia provavelmente reflete a deficiência do sódio corporal total. No entanto, sódio sérico normal NÃO implica em um estado repleto de sódio. Atualmente a recomendação do aporte de sódio de 3-5mE/kg/dia é frequentemente insuficiente para muitos prematuros, para que possam obter um ótimo crescimento (a deficiência de sódio que piora o crescimento). Diurético na Displasia broncopulmonar (DBP): por conta da probabilidade tanto da depleção de sódio produzido pelos diuréticos como da ativação do sistema renina-angiotensina-aldosterona, como demonstrado em estudos em animais ser prejudicial à vasculatura pulmonar e provavelmente aumenta o risco de desenvolvimento de hipertensão pulmonar associada à DBP. Defendo a ideia da alimentação altamente calórica e oferecer sódio adequadamente para esses RN com DBP

NEUROSSONOGRAFIA NEONATAL- Compartilhando imagens ACIDENTE VASCULAR CEREBRAL HEMORRÁGICO

NEUROSSONOGRAFIA NEONATAL- Compartilhando imagens ACIDENTE VASCULAR CEREBRAL HEMORRÁGICO

Paulo R. Margotto.

São 2 casos, sendo um de Divinópolis enviado pelo Dr. Júlio César Veloso. Em ambos os casos, recém-nascidos a termo, convulsões nas primeiras 24 horas de vida, sem histórias perinatais de risco para sangramento. Foram submetidas, além da ultrassonografia transfontanelar, à tomografia de crânio e ressonância magnética, não sendo demonstradas malformações vasculares (pode estar presente na metade dos casos relatados!) pela angiotomografia e angiorressonância magnética de crânio tanto arterial como venosa. Também não identificadas alterações laboratoriais hematológicas, incluindo estudo genético em um dos casos. O AVC Hemorrágico Neonatal é diagnosticado em um recém-nascido com acúmulo focal de sangue no parênquima cerebral (confirmado por autópsia ou imagem) com ou sem sangue intraventricular ou subaracnoide. O lobo temporal é a localização mais comum para o AVC Hemorrágico Neonatal idiopático A literatura tem demonstrado que a maioria ocorre em RN a termo, 65% cursam com convulsões 67 a 75% são idiopáticos. Segunda Donna Ferriero, a apneia pode ser um sinal de convulsão subclínica. É importante que se tenha pelo menos um ultrassom craniano e se os achados do ultrassom estiverem confusos, faça ressonância magnética. Está indicado também  fazer o EEG de amplitude integrada para documentar a convulsão. A boa notícia, melhor de todas que podemos dar aos pais: a taxa de recorrência em crianças com AVC neonatal é de <1% comparado com taxa de AVC na infância que é 25 a 30%. Mais promissoras são as novas abordagens pelas quais a Plasticidade potente do cérebro em desenvolvimento pode ser aproveitada para melhorar o neurodesenvolvimento

Bloqueio Neuromuscular Precoce na Síndrome de Angústia Respiratória Aguda Pediátrica Moderada a Grave

Bloqueio Neuromuscular Precoce na Síndrome de Angústia Respiratória Aguda Pediátrica Moderada a Grave

Early Neuromuscular Blockade in Moderate-to-Severe Pediatric Acute Respiratory Distress Syndrome.

Rudolph MW, Kneyber MCJ, Asaro LA, Cheifetz IM, Wypij D, Curley MAQ; RESTORE Study Investigators.Crit Care Med. 2022 Jan 6. doi: 10.1097/CCM.0000000000005426. Online ahead of print.PMID: 35029869.

Apresentação: Luciana Melara (R4 UTIP)/HMIB/SES/DF; Coordenação: Alexandre Serafim

  • Esta análise secundária do banco de dados RESTORE (Randomized Evaluation of Sedation Titration for Respiratory Failure) mostrou que o BNM precoce esteve associado a uma maior duração da VM e maior tempo de recuperação da insuficiência respiratória aguda em moderada a grave Síndrome de Angústia Respiratória Pediátrica Esta análise ressalta a necessidade de um estudo controlado randomizado em pediatria.
  • Atualmente o Estudo de Bloqueio Neuromuscular da SDRA Pediátrica está atualmente recrutando (NCT02902055).
Trombose Venosa Cerebral Neonatal após Infecção Materna por SARS-CoV-2 na Gravidez

Trombose Venosa Cerebral Neonatal após Infecção Materna por SARS-CoV-2 na Gravidez

Neonatal Cerebral Venous Thrombosis following Maternal SARS-CoV-2 Infection in Pregnancy. Campi F, Longo D, Bersani I, Savarese I, Lucignani G, Haass C, Paolino MC, Vadalà S, De Liso P, Di Capua M, Luciani M, Esposito G, Amante PG, Vigevano F, Dotta A.Neonatology. 2022;119(2):268-272. doi: 10.1159/000520537. Epub 2022 Feb 25.PMID: 35220305 Free article. Artigo Livre!

Realizado por Paulo R. Margotto.

Uma possível consequência da infecção por coronavírus 2 da síndrome respiratória aguda grave (SARS-CoV-2) é o desenvolvimento de um estado trombofílico exacerbado e a trombose venosa cerebral (TVC) é uma complicação rara, mas possível, da infecção por SARS-CoV-2 relatada tanto em adultos e em crianças. O presente relato de caso descreve o curso clínico de um recém-nascido a termo com TVC estendida de origem incerta, cuja mãe desenvolveu infecção por SARS-CoV-2 durante o terceiro trimestre de gravidez. Especulamos que o estado pró-trombótico induzido pela infecção materna por SARS-CoV-2 pode ter desempenhado um papel fisiopatológico no desenvolvimento dessa complicação neonatal grave. Mais investigações são necessárias para confirmar tal hipótese.

 

HIPOGLICEMIA NEONATAL: além da Quadriginta Septenm Phobia (representa o número 47)

HIPOGLICEMIA NEONATAL: além da Quadriginta Septenm Phobia (representa o número 47)

Richard A. Polin (EUA).

25º Congresso de  Perinatologia, 1-4 de dezembro de 2021 (ONLINE).

Realizado por Paulo R. Margotto.

O objetivo foi mostrar evidência/ciência no tratamento da hipoglicemia neonatal. Significante hipoglicemia não pode ser definida por um número simples que pode ser universalmente aplicado a todo paciente (varia com o estado da doença, desenvolvimento da maturidade e fisiologia, como por exemplo, substratos alternativos de energia). Não há evidência baseada em estudos que defina os níveis de glicose levando a danos irreversíveis no cérebro dos bebês. Não há evidência que o tratamento da hipoglicemia assintomática melhora o resultado neurológico. Não sabemos em que níveis os Neonatos se tornam neuroglicopênicos.  O efeito a longo prazo da hipoglicemia persistente assintomática é controverso/ desconhecido. Os bebês que mais nos preocupam são aqueles com sinais clínicos de hipoglicemia como convulsões ou encefalopatia. É durante essas primeiras horas após o nascimento que as concentrações de glicose no sangue mostram marcada variabilidade fisiológica e isto representa uma fase de transição normal da fisiologia da glicose. Neonatos termo sadios podem ter glicemias baixas (27 mg% no percentil 5) e normalizar depois de 1-2. Após esse período de hipoglicemia transitória, a glicemia se estabiliza após 3 horas até 72 horas de vida e depois tende aumentar entre 72-120 horas de vida. Os que recebem leite materno têm menores glicemias do que os que recebem fórmula. No entanto temos que lembrar que os que recebem leite materno têm maiores níveis de corpos cetônicos e são uma alternativa importante de energia para o cérebro, nesses bebês que recebem aleitamento materno (cetogênese com o leite humano poupa glicose para o consumo cerebral). Qual valor devemos usar para definir hipoglicemia? 47 mg% não parece um bom valor, pois se escolhermos esse valor vamos ter muitos bebês assintomáticos identificados com baixo nível de glicose. Glicemia inferior a 47 mg% não esteve associada à deficiente neurodesenvolvimento. Atraso cognitivo foi associado com concentração maior de glicose e menor estabilidade da glicose, sugerindo, portanto que o tratamento pode ser pior. Manter o nível mínino de glicose de 50mg% (para os bebês cm hipoglicemia transitória, só deve sair de alta com glicemia superior a 60mg%; os necessitaram de tratamento para a hipoglicemia, os valores pré-alimentação devem estar acima de 70 mg%). Os bebês com hipoglicemia persistente ou de repetição devem ser avaliados pela Endocrinologia. Nos complementos, brilhante palestra de Paulo Manzoni (Itália, 2021) sobre a associação entre hiperglicemia e infecções bacterianas e fúngicas, além do maior risco de retinopatia da prematuridade.