Mês: outubro 2019

Conferência de consenso da ERNICA sobre o Manejo de pacientes com atresia esofágica e fístula traqueoesofágica: diagnóstico, manejo pré-operatório, operatório e pós-operatório

Conferência de consenso da ERNICA sobre o Manejo de pacientes com atresia esofágica e fístula traqueoesofágica: diagnóstico, manejo pré-operatório, operatório e pós-operatório

ERNICA Consensus Conference on the Management of Patients with Esophageal Atresia and Tracheoesophageal Fistula: Diagnostics, Preoperative, Operative, and Postoperative Management.Dingemann C, Eaton S, Aksnes G, Bagolan P, Cross KM, Decoppi P, Fruithof J, Gamba P, Husby S, Koivusalo A, Rasmussen L, Sfeir R, Slater G, Svensson JF, Van der Zee DC, Wessel LM, Widenmann-Grolig A, Wijnen R, Ure BM.Eur J Pediatr Surg. 2019 Jul 2. doi: 10.1055/s-0039-1693116. [Epub ahead of print].PMID: 31266084.Similar articles.Dinamarca.

Apresentação: Daniela Megumi – R4 Neonatologia HMIB. Coordenação: Carlos A. Zaconeta.

A ERNICA [European Reference Network on Rare Inherited and Congenital Anomalies]  é uma das 24 redes europeias de referência co-financiadas da União Européia [Programa Saúde] e envolve equipes de 20 hospitais europeus de 10 estados-membros;o objetivo desta primeira Conferência da ERNICA era estabelecer consenso sobre os aspectos relevantes em relação ao tratamento de crianças com atresia esofágica e fístula traqueoesofágica com base em opiniões de especialistas referentes às evidências mais recentes da literatura atual; a atresia de esôfago não é mais um mero problema cirúrgico neonatal, mas requer ao longo da vida atenção de forma individualizada; a Conferência abordou pontos do pré-operatório, operatório e pós-operatório; entre os acordos de 100%, no pré-operatório destacamos o uso rotineiro do tubo de replogle, se necessária ventilação assistida, priorizar a ventilação mecânica;uso rotineiro de antibióticos no perioperatório; no  operatório, a entrada no quarto espaço intercostal é a recomendação abordagem para toracotomia convencional, fístula traqueoesofágica deve preferencialmente ser fechada por sutura transfixante e no pós-operatório, a ventilação e o relaxamento pós-operatórios não devem ser rotineiros e deve ser reservado para pacientes selecionados, como aqueles com anastomose por tensão, alimentação oral pode ser iniciada rotineiramente após 24 horas pós-operatório

O manejo da insuficiência renal aguda e crônica neonatal: uma revisão

O manejo da insuficiência renal aguda e crônica neonatal: uma revisão

The management of neonatal acute and chronic renal failure: A review.Coulthard MG.Early Hum Dev. 2016 Nov;102:25-29. doi: 10.1016/j.earlhumdev.2016.09.004. Epub 2016 Sep 25. Review.PMID: 27682213.Similar articles. 

Apresentação: Milena Pires R4 Neonatologia/HMIB/SES/DF. Coordenação:Marta David Rocha de Moura

UTI Pediátrica: SARAMPO (Measles))

UTI Pediátrica: SARAMPO (Measles))

Measles.Strebel PM, Orenstein WA.N Engl J Med. 2019 Jul 25;381(4):349-357. doi: 10.1056/NEJMcp1905181. Epub 2019 Jul 10. Review. No abstract available.PMID: 31184814.Similar articles.

Apresentação: Letícia Côrtes (R2 Pediatria).Unidade de Terapia Intensiva Pediátrica do HMIB/ES/DF.Coordenação: Alexandre P. Serafim

Altas doses de Vitamina A mostraram-se efetivas na a redução da mortalidade e complicações em crianças hospitalizadas nos países em desenvolvimento; nos EUA as crianças com sarampo tinham baixos níveis séricos de retinol; não se recomenda uso de antibióticos na ausência de pneumonia, sepse ou outros sinais de complicações bacterianas secundárias; a transmissão ocorre desde 4 dias antes até 4 dias após início do rash; na profilaxia pós-exposição, vacina dentro de72h após exposição ou imunoglobulina humana em até 6 dias após exposição: 0,5mL/kg IM em indivíduos com até 30kg; 400mg/kg EV em indivíduos >30kg.

Discussão Clínica: Periviabilidade (ao redor da viabilidade); Construindo o limite de viabilidade; VNI (ventilação não invasiva): pontos de vistas diferentes; Terapia empírica antifúngica; Quando usar paracetamol oral no canal arterial pérvio; Recrutamento alveolar

Discussão Clínica: Periviabilidade (ao redor da viabilidade); Construindo o limite de viabilidade; VNI (ventilação não invasiva): pontos de vistas diferentes; Terapia empírica antifúngica; Quando usar paracetamol oral no canal arterial pérvio; Recrutamento alveolar

Paulo R. Margotto e Equipe Neonatal do HMIB/SES/DF

ATRESIA DE ESÔFAGO

ATRESIA DE ESÔFAGO

Fábio Augusto Albanez Souza.

Capítulo do livro Assistência ao Recém-Nascido de Risco, 4a Edição, Brasília, Editado por Paulo R. Margotto, 2010, no prelo.

A atresia de esôfago é uma malformação congênita em que há uma descontinuidade, ou alteração, na luz do esôfago. Os cotos, proximal e distal, do esôfago podem terminar em fundo cego ou formarem uma fístula para a traqueia.

O primeiro relato desta malformação foi feito em 1670 por William Durston, que descreveu um coto esofágico em fundo cego de um gêmeo toracópago. Sendo que a primeira correção cirúrgica, em um só tempo, bem sucedida ocorreu em 1941 por Cameron Haight e Harry Towsley. No Brasil a primeira sobrevida após correção cirúrgica em um só tempo ocorreu em 1953 por Carvalho Pinto. Hoje a sobrevida na maioria dos serviços de cirurgia pediátrica chega a 60-90% dos casos.

É a malformação mais comum do esôfago acometendo entre 1:2500 a 1:4000 nascidos vivos, sendo que 35% são prematuros. Havendo um discreto predomínio no gênero masculino em relação ao feminino.

A patogênese e a origem embriológica ainda não são completamente compreendidas. Muitas teorias foram formuladas sendo que uma hipótese amplamente aceita sugere um defeito na septação lateral do intestino anterior, a partir da quarta semana de gestação.

PROTEGENDO O CÉREBRO DO RECÉM- NASCIDO: COQUETÉIS E GELO (Protecting the newborn brain: Cocktails and Ice)

PROTEGENDO O CÉREBRO DO RECÉM- NASCIDO: COQUETÉIS E GELO (Protecting the newborn brain: Cocktails and Ice)

Donna M. Ferriero (EUA).

22º Simpósio Internacional de Neonatologia do Santa Joana, São Paulo, 11-14 de setembro de 2019. Realizado por Paulo R. Margotto

 

Torna-se necessária a proteção do cérebro dos recém-nascidos (RN), porque 1 em 2000 recém-nascidos tem acidente vascular cerebral (AVC), 1,5/1000 passam por uma experiência em  encefalopatia hipóxico- isquêmica (EHI)), 6-8/1000 tem EHI latus sensus, 1 em 8 nascimentos são prematuros (10% apresentam déficits motores maiores, 50% apresentam déficits cognitivos, comportamentais e sensoriais). No pré-termo, lesão ocorre na substância branca e assim temos que pensar nos déficits da substância branca e no a termo a lesão é localizada principalmente na substância cinzenta principalmente na parte profunda do cérebro. Quanto à hipotermia, considerado padrão de tratamento nos RN ≥36 semanas com encefalopatia hipóxico-isquêmica (EHI), os estudos demonstraram que reduz a incapacidade do neurodesenvolvimento (o número necessário para tratamento é de 7 a 8!> No entanto, 40% NÃO RESPONDEM. Como identificar esses não responsíveis: usando a RMS (ressonância magnética por espectroscopia), uma técnica avançada (C13 hiperpolarizada) e assim podemos prever como ocorre o  metabolismo da conversão do piruvato para o lactato ( os não responsíveis não fazem essa conversão). Esses bebês tem apresentado lesão na região watershed (zonas vasculares limítrofes). Se  a mãe nos informa que sentiu redução dos movimentos fetais durante o parto, podemos pensar em lesão na região watershed. Entre os fatores modificáveis da lesão cerebral estão a INFECÇÃO NEONATAL (a infecção recorrente aumento o risco de lesão na sustância branca dos pré-termos em 8 vezes: ao higienizarmos as mãos estamos protegendo a substância branca do pré-termo!); USO DO SULFATO DE MAGNESIO (diminui a hemorragia cerebelar): CORTICOSTERÓIDE PÓS-NATAL (tanto dexametasona como hidrocortisona prejudicam o desenvolvimento do cerebelo; temos que parar de usar). Quanto aos RECÉM-NASCIDOS CARDÍACOS, esses tem um desenvolvimento tardio, parecendo com o cérebro de um bebê pré-termo e não bebê a termo, ou seja, apresentam lesão na sustância branca. Esses bebês a termo com cardiopatia congênita se comportam como um bebê prematuro quanto ao desenvolvimento cerebral. Quanto aos coquetéis, o favorito é a ERITROPOIETINA (EPO): parece reduzir lesão de substância branca e assim como perda substância cinzenta, porém sem diferenças nos desfechos aos dois anos de idade. Manipulando os coquetéis com gelo, ou seja, EPO + HIPOTERMIA: o estudo de Fase III em andamento (HEAL Study) envolvendo 500 crianças (ainda faltam 12), com moderada a severa EHI, com envolvimento de 15 a 20 Centros e com avaliação dos resultados aos 2 anos de idade. A hipótese primária é que alta dose de EPO com a hipotermia reduziria o desfecho combinado de morte ou deficiente neurodesenvolvimento na idade de 22-26 meses. Adicionalmente, a EPO seria segura, diminui a severidade da lesão cerebral na RM neonatal e diminuiria citocinas inflamatórias séricas. No futuro  as células tronco farão parte dos coquetéis (há problemas a serem resolvidos, como: ótimo tipo de células, rota, dose e o momento ideal da terapia. Temos que ter em mente que a otimização do ambiente metabólico e a perfusão cerebral e a prevenção de lesões cerebrais secundárias são essenciais para o cuidado neurocrítico. Isso inclui gerenciamento rigoroso dos níveis de temperatura, pressão arterial, oxigenação, dióxido de carbono e glicose. As intervenções precoces de desenvolvimento e o envolvimento da terapia física e ocupacional fornecem informações adicionais sobre a avaliação. Finalmente, o acompanhamento a longo prazo é essencial para qualquer programa de assistência neurocrítica. Lembrar que na UTI TRATAMOS DE CÉREBROS EM DESENVOLVIMENTO! Durante a Conferência foi muito falado em ressonância magnética (RM) e foi perguntado o papel do ultrassom na UTI Neonatal, uma tecnologia disponível em nosso meio, reservando a RM posteriormente:”eu amo a RM,  mas o ultrassom craniano é extremamente valioso, principalmente se realizado nas mãos de pessoas competentes; gostaria de incentivar os Neonatologista a fazer o ultrassom craniano; os Radiologistas protegem as máquinas de ultrassom com as suas próprias vidas e não  querem que façamos o ultrassom, mas nós Neonatologistas somos capazes de fazer o ultrassom craniano; são muitos úteis, ajudam muito para pacientes instáveis,  muito úteis em prematuros e o Doppler é crucial para bebes com trombose de seios venosos para avaliar os coágulos, etc; não quero subestimar o ultrassom craniano e supervalorizar a ressonância magnética; não  quero tirar o mérito do ultrassom de cabeça que é valioso; é uma fermenta sensacional na UTI Neonatal. Com relação a RM posterior, ela é importante para bebês  com convulsões  refratárias (é malformação ou distúrbios metabólicos progressivos?).

Confiabilidade interexaminadores entre enfermeiros de cuidados intensivos, realizando uma modificação pediátrica na escala de coma de Glasgow

Confiabilidade interexaminadores entre enfermeiros de cuidados intensivos, realizando uma modificação pediátrica na escala de coma de Glasgow

Inter-Rater Reliability Between Critical Care Nurses Performing a Pediatric Modification to the Glasgow Coma Scale.Kirschen MP, Snyder M, Smith K, Lourie K, Agarwal K, DiDonato P, Doll A, Zhang B, Mensinger J, Ichord R, Shea JA, Berg RA, Nadkarni V, Topjian A.Pediatr Crit Care Med. 2019 Jul;20(7):660-666. doi: 10.1097/PCC.0000000000001938.PMID: 30946292.Similar articles.

Apresentação Laura P. Nishioka. Coordenação: Alexandre P. Serafim. Unidade de Terapia Intensiva Pediátrica do HMIB/SES/DF.

Uma modificação pediátrica da escala de coma de Glasgow (ECG), projetada especificamente para avaliações neurológicas seriadas na UTIP, possui excelente confiabilidade entre avaliadores.Essa ferramenta, no entanto, reduziu a confiabilidade para respostas intermediárias da ECG e em pacientes com deficiências de desenvolvimento, situações em que identificar a deterioração do estado neurológico é crucial.São necessários novos trabalhos para construir novas ferramentas que tenham melhor confiabilidade e capacidade de discriminar alterações na função neurológica para a população diversificada de pacientes das UTI Pediátricas contemporâneas

Discussão Clínica: Uso da melatonina ( N-acetil-5-metoxitriptamina) para neuroproteção na asfixia perinatal: um estudo piloto randomizado controlado; ECLÂMPSIA; Hiperbilirrubinemia livre associa-se com apnéia central nos prematuros

Discussão Clínica: Uso da melatonina ( N-acetil-5-metoxitriptamina) para neuroproteção na asfixia perinatal: um estudo piloto randomizado controlado; ECLÂMPSIA; Hiperbilirrubinemia livre associa-se com apnéia central nos prematuros

Paulo R. Margotto e Equipe Neonatal do HMIB/SES/DF.

Exame Neurológico do Recém-Nascido (incluindo ESCALA DE COMA DE GLASGOW MODIFICADA: Avaliação da função cortical e PROTOLOCO PARA MORTE ENCEFÁLICA NEONATAL)

Exame Neurológico do Recém-Nascido (incluindo ESCALA DE COMA DE GLASGOW MODIFICADA: Avaliação da função cortical e PROTOLOCO PARA MORTE ENCEFÁLICA NEONATAL)

Sérgio Henrique Veiga.

Capítulo do livro Assistência ao Recém-Nascido de Risco, Editado por Paulo R.Margotto,  4ª Edição, 2020, em preparação

 

Lactato venoso do cordão umbilical para predizer acidemia láctica arterial e morbidade neonatal a termo

Lactato venoso do cordão umbilical para predizer acidemia láctica arterial e morbidade neonatal a termo

Umbilical cord Venous Lactate for Predicting Arterial Lactic Acidemia and Neonatal Morbidity at Term.Tuuli MG, Stout MJ, Macones GA, Cahill AG.Obstet Gynecol. 2016 Apr;127(4):674-80. doi: 10.1097/AOG.0000000000001339.PMID: 26959212.Free PMC Article.Similar articles. Artigo Livre!

APRESENTAÇÃO TATIANE MARTINS BARCELOS – R3 NEONATOLOGIA/HMIB/SES/DF
COORDENAÇÃO: MIZA VIDIGAL

O lactato tem sido comparável ao base excess (BE) na predição da mortalidade, com uma vantagem de que é medido diretamente e não calculado, como é o BE. Sabemos que sempre é possível a obtenção de sangue arterial umbilical na Sala de Parto, o que não ocorre com o sangue venoso (veia umbilical é mais calibrosa). A literatura já mostrou, em 2014 que parâmetros gasométricos do sangue venoso são fortes preditores do pH e do BE da gasometria arterial, porem não avaliaram o lactato, o que esse presente estudo faz. A partir de uma coorte de 7.741 RN (104 com morbidades e 7637 sem morbidades) os autores mostraram uma forte correlação entre lactato umbilical venoso e arterial do cordão umbilical (coeficiente de correlação [r] 0,916). Elevando o r ao quadro, temos o coeficiente de determinação (r2) que significa que o lactato venoso explica o lactato arterial em 83, 9% (nos complementos discutimos essa interpretação). Usando a Curva ROC para otimizar a sensibilidade e especificidade, a área sob a curva da predição do lactato arterial a partir do venoso foi de 0.95 com um ponto de corte do lactado venoso de 3,4 mmol/L. Assim, o lactato venoso é forte preditor de acidemia láctica arterial e de morbidade neonatal com sensibilidade comparável ao lactato arterial. Assim, o lactato venoso umbilical pode ser uma medida alternativa útil de risco para morbidade neonatal quando sangue arterial não estiver disponível, ou seja, não despreze esse valor se a fonte for venosa! Nos complementos discutimos a importância do lactato na Neonatologia, e inclusive na UTI Pediátrica, devendo o sangue ser analisado imediatamente após ser coletado. Também discutimos o chamado pH eucapnico, ou seja, reflexo do componente metabólico (é importante considerar a etiologia da acidose: uma acidose respiratória causada pelo acúmulo de dióxido de carbono é muito menos significativa para o feto e recém-nascido do que uma acidose metabólica causada pela hipoxia durante o trabalho de parto). No estudo de Westgate et al 40% dos casos com pH arterial baixo [abaixo de 7.05] apresentavam acidose respiratória e não seria esperado que tivessem sequelas a longo prazo, a menos que houvesse hipoxia no período neonatal). COMO CORRIGIR O pH: adicionar 0,08 unidades ao pH por excedente de 10mmHg da PaCO2 comparativamente ao valor normal no recém-nascido de 50mmHg (pH de 7,1 com PaCO2 de 70. Qual é o pH eucapnico? 7,26). Acidose: pH eucapnico≤7,10