Categoria: Infecções Bacterianas e Fúngicas

Uso de Lactobacillus casei Subespécie Rhamnosus GG e Colonização gastrointestinal por espécies de Candida em Recém-nascidos prematuros

Uso de Lactobacillus casei Subespécie Rhamnosus GG e Colonização gastrointestinal por espécies de Candida em Recém-nascidos prematuros

Use of Lactobacillus casei subspecies Rhamnosus GG and gastrointestinal colonization by Candida species in preterm neonates. Manzoni P.J Pediatr Gastroenterol Nutr. 2007 Dec;45 Suppl 3:S190-4. doi: 10.1097/01.mpg.0000302971.06115.15.PMID: 18185091 Review.

Apresentação: Antônio Coelho – R4 Neonatologia/HMIB/SES/DF. Coordenação: Nathália Bardal. Revisão: Paulo R. Margotto.

Essa publicação de 2007 levanta a hipótese de que LGG ou outros probióticos podem ser eficazes na prevenção de infecção fúngica sistêmica devendo ser testada em estudos. No entanto, estudo recente (2020) sobre o Uso e segurança de probióticos na Unidade de Terapia Intensiva Neonatal, um achado inesperado (RN entre 23-29 semanas de idade gestacional) foi o risco aumentado para infecções por Candida entre crianças expostas a probióticos, o que é contraditório com estudos anteriores. Segundo Chan et al (2020), a segurança é um grande problema ao se considerar a prescrição de probióticos para bebês prematuros.

Probiotic Use and Safety in the Neonatal Intensive Care Unit: A Matched Cohort Study. Gray KD, Messina JA, Cortina C, Owens T, Fowler M, Foster M, Gbadegesin S, Clark RH, Benjamin DK Jr, Zimmerman KO, Greenberg RG.J Pediatr. 2020 Jul;222:59-64.e1. doi: 10.1016/j.jpeds.2020.03.051. Epub 2020 May 14.PMID: 32418818

Identificação precoce de IgA anti-SARSCoV-2 no leite materno de mãe com infecção por COVID-19

Identificação precoce de IgA anti-SARSCoV-2 no leite materno de mãe com infecção por COVID-19

Early Identification of IgA Anti-SARSCoV-2 in Milk of Mother With COVID-19 Infection. Lebrão CW, Cruz MN, Silva MHD, Dutra LV, Cristiani C, Affonso Fonseca FL, Suano-Souza FI.J Hum Lact. 2020 Sep 28:890334420960433. doi: 10.1177/0890334420960433. Online ahead of print.PMID: 32985922.

Realizado por Paulo R. Margotto

Em conclusão, o SARS-CoV-2 IgA no leite de mulheres infectadas com COVID-19 pode estar relacionado à proteção contra a transmissão e à gravidade da doença em seus bebês. Estudos de acompanhamento com um número adequado de pares mãe-bebê incluídos, que levam em consideração a proximidade mãe e bebê, quantidade de amamentação e têm acompanhamento de longo prazo, melhorariam nosso conhecimento sobre os efeitos protetores do SARS-CoV-2 IgA no leite materno.

Pacientes pediátricos com COVID-19 internados em unidades de terapia intensiva no Brasil: um estudo multicêntrico prospectivo

Pacientes pediátricos com COVID-19 internados em unidades de terapia intensiva no Brasil: um estudo multicêntrico prospectivo

Pediatric patients with COVID19 admitted to intensive care units in Brazil: a prospective multicenter study.

Prata-Barbosa A, Lima-Setta F, Santos GRD, Lanziotti VS, de Castro REV, de Souza DC, Raymundo CE, de Oliveira FRC, de Lima LFP, Tonial CT, Colleti J Jr, Bellinat APN, Lorenzo VB, Zeitel RS, Pulcheri L, Costa FCMD, La Torre FPF, Figueiredo EADN, Silva TPD, Riveiro PM, Mota ICFD, Brandão IB, de Azevedo ZMA, Gregory SC, Boedo FRO, de Carvalho RN, Castro NAASR, Genu DHS, Foronda FAK, Cunha AJLA, de Magalhães-Barbosa MC; Brazilian Research Network in Pediatric Intensive Care, (BRnet-PIC).J Pediatr (Rio J). 2020 Aug 4:S0021-7557(20)30192-3. doi: 10.1016/j.jped.2020.07.002. Online ahead of print.PMID: 32781034 Free PMC article .Artigo Livre!

Apresentação: Antonio Batista de Freitas Neto (HMIB – UTI Pediátrica). Coordenação: Alexandre P. Serafim. Revisão: Paulo R. Margotto.

■Até onde sabemos, este é o primeiro estudo sobre o COVID-19 em pacientes de UTIP no Brasil.

■Foi demonstrado que as características desta doença em locais tropicais e subtropicais são semelhantes às de outros países.

■Nessa coorte, a letalidade foi baixa e as doenças crônicas e outras comorbidades desempenharam um papel importante no desenvolvimento das formas graves da doença.

■Ao contrário de outros estudos, a idade inferior a 1 ano não foi associada a um pior prognóstico.

■ Pacientes com MIS-C apresentaram sintomas mais graves, biomarcadores inflamatórios mais elevados e maior predominância do sexo masculino.

Neurossonografia Neonatal-compartilhando imagens: Toxoplasmose Congênita-como evoluem as calcificações

Neurossonografia Neonatal-compartilhando imagens: Toxoplasmose Congênita-como evoluem as calcificações

Paulo R. Margotto.

Recém-nascido (RN) prematuro tardio (36 semanas e 4 dias), peso de 2.435g, AIG, com 2 dias de vida, veio á ecografia transfontanelar para investigar comprometimento cerebral pela Toxoplasmose congênita (mãe IgM+). O exame de fundo de olho evidenciou coriorretinite. Exame realizado pela Dr. Joseleide de Castro que mostrou  hidrocefalia (VD=24,4 mm e VE=20,3 mm), com presença de calcificações cerebrais.

Desafios no diagnóstico e manejo da sepse neonatal

Desafios no diagnóstico e manejo da sepse neonatal

 

Challenges in the diagnosis and management of neonatal sepsis.Zea-Vera A, Ochoa TJ.J Trop Pediatr. 2015 Feb;61(1):1-13. doi: 10.1093/tropej/fmu079. Epub 2015 Jan 20.PMID: 25604489 Free PMC article. Review. Artigo Livre!

Apresentação: Antonio Thiago de Souza Coelho. (R4 em Neonatologia no HMIB/SES/DF). Coordenação: Diogo Pedroso

Uma das maiores dificuldades no manejo da sepse neonatal é obter um diagnóstico preciso, tornando-se necessária uma combinação de achados para fornecer um diagnóstico correto de sepse neonatal. Os valores da PCR são afetados pela ruptura prematura das membranas, febre materna, aspiração de mecônio, sofrimento fetal e etiologia da infecção. A  procalcitonina aumenta mais rapidamente que a PCR, tornando-o um biomarcador muito atraente,  sendo mais sensível na sepse tardia. Quanto ao uso de Calculadora para o risco de sepse nos RN ≥34 semanas (Calculadora de Puopolo): em recente publicação, a Academia Americana de Pediatria sugere que a observação clínica atenta nas primeiras 48 horas possa ser mais eficaz.

NEUROSSONOGRAFIA NEONATAL- Compartilhando imagens: Meningite Purulenta / Morte Encefálica

NEUROSSONOGRAFIA NEONATAL- Compartilhando imagens: Meningite Purulenta / Morte Encefálica

Caso Clínico:

Admitido a UTI Neonatal aos 29 das de vida (2/6/2020) em  posição opistótono, com rigidez de MMSS e MMII, fontanela abaulada e tensa, desconforto respiratório. Recebeu fenobarbital e hidantal e hemotransfusão (Htc de 18% e Hb 5g%).

Realizada US no dia 2/6 que mostrou dilatação biventricular (15 mm), incluindo o 3º Ventrículo, com presença de microdebris em ambos os ventrículos. Ao movimentar o crânio, em tempo real, parecia haver uma massa densa se locomovendo nos ventrículos, o que nos fez pensar num quadro de meningite (purulenta).

 

Avaliação da precisão do teste de diagnóstico de proteína C reativa para infecção tardia em recém-nascidos: uma revisão sistemática e metanálise

Avaliação da precisão do teste de diagnóstico de proteína C reativa para infecção tardia em recém-nascidos: uma revisão sistemática e metanálise

Assessment of C-Reactive Protein Diagnostic Test Accuracy for Late-Onset Infection in Newborn Infants: Systematic Review and Meta-analysis.Brown JVE, Meader N, Wright K, Cleminson J, McGuire W.JAMA Pediatr. 2020 Feb 3. doi: 10.1001/jamapediatrics.2019.5669. [Epub ahead of print].PMID: 32011640.Similar articles.

Apresentação: Laura Pereira Nishioka. Coordenação: Alexandre P. Serafim.

A infecção de início tardio (>72 horas de vida) está associada a resultados adversos no desenvolvimento neurológico, incluindo paralisia e deficiências visuais, auditivas e cognitivas. Já que os sinais clínicos de infecção no s neonatos podem ser inespecíficos, a cultura microbiológica leva 24-48 horas, o tratamento tardio pode aumentar o risco de morbimortalidade e o tratamento empírico de todos suspeitos levaria a curós desnecessários de antibióticos, foram desenvolvidos marcadores e entre esses, o mais utilizado tem sido a proteína C reativa (PCR).  A PCR é um reagente de fase aguda sintetizado por hepatócitos em resposta a citosinas inflamatórias geradas pelos glóbulos brancos que reagem a pirogênios microbianos. O presente estudo responde a pergunta: O nível sérico de proteína C reativa é suficientemente preciso para auxiliar no diagnóstico de infecção tardia em recém-nascidos? A presente revisão sistemática e metanálise, englobando estudos de 1946 a 2019, englobando 22 estudos de coorte (2255 crianças) comparando a precisão do teste diagnóstico de proteína C reativa sérica com cultura microbiológica, a mediana para a especificidade foi de 0,74 e a sensibilidade combinada foi de 0,62. Acessando somente o nível sérico de PCR seriam perdidos 152 casos de infecção (resultados falso-negativos) e diagnosticados erroneamente 156 casos (resultados falso-positivos). Esses resultados sugerem que o nível sérico de proteína C-reativa não é suficientemente preciso para ajudar no diagnóstico ou para informar a decisão para tratar bebês com suspeita de infecção tardia. Nos complementos, o papel da PCR nos prematuros extremos, devido a sua inconsistente resposta inflamatória à sepse, várias condições não infecciosas que influenciam os valores de PCR nos primeiros dias, razão pela qual avaliamos a PCR depois de 24 horas de vida.

COVID-19 NA UTI NEONATAL: MITOS E VERDADES NA NEONATOLOGIA

COVID-19 NA UTI NEONATAL: MITOS E VERDADES NA NEONATOLOGIA

Live com Guilherme Sant`Anna (Canadá). Organização: Marilene K. Martins (SP)

Reprodução autorizada realizada por Paulo R. Margotto

Hoje estamos vivenciando um momento único. Lembro que temos sempre coisas boas, no meio de coisas ruins. Procurem coisas boas para aprender tirar lições nesses momentos difíceis. Todos nós estamos passando por um momento difícil. A humanidade está passando por um momento difícil, particularmente o Brasil, devido às condições econômicas, sociais e políticas. O país nesse momento deveria estar unido e não dividido. Em minha opinião o Brasil está atravessando um momento mais difícil. Você pode dizer que os EUA tem mais casos e óbitos do que o Brasil, mas nas condições do Brasil e  na minha opinião, a tendência é que as coisas no Brasil vão piorar nos meses de maio, junho e julho por causas das  condições culturais, econômicas e políticas. Mesmo assim, é possível tirar coisas boas e aprender a ver que é possível realizar um Encontro como esse. Uma lição que tento passar inclusive para os meus colegas daqui do Canadá: o médico, enfermeira, fisioterapeuta precisam Estudar. Estamos em frente a uma doença que não conhecemos e se não estudarmos, vamos continuar no escuro. Devemos entender porque as normas são definidas.

Fluxograma para o gerenciamento perinatal-neonatal de Infecção Suspeita e Confirmada pelo Novo Coronavírus 2019.

Fluxograma para o gerenciamento perinatal-neonatal de Infecção Suspeita e Confirmada pelo Novo Coronavírus 2019.

Wang L, Shi Y, Xiao T, et al. Chinese expert consensus on the perinatal and neonatal management for the prevention
and control of the 2019 novel coronavirus infection (First edition). Ann Transl Med 2020.
doi: 10.21037/atm.2020.02.20

Realizado por Paulo R. Margotto

 

GERENCIAMENTO DO USO DE ANTIBIÓTICOS NA UTI NEONATAL

GERENCIAMENTO DO USO DE ANTIBIÓTICOS NA UTI NEONATAL

Lisa Saiman (EUA). 22º Simpósio Internacional de Neonatologia do Santa Joana, São Paulo, 11-14 de setembro de 2019. Realizado por Paulo R. Margotto.

Desde os anos 80 ocorre aumento das taxas de resistências, segundo dados provenientes do Center for  Disease Control (CDC) dos Estados Unidos. Há 15 anos, a Sociedade de Doenças Infecciosas (IDSA) publicou: micróbios ruins sem medicamentos, tentando mostrar o conceito de resistência aos antimicrobianos, agora uma crise de saúde pública verdadeira. A Organização Mundial de Saúde em 2014 publicou relatório dizendo que “O problema é tão sério que ameaça a realização da medicina moderna. A era do pós-antibiótico em que infecções comuns e pequenas podem matar; não sendo uma fantasia apocalíptica, isso pode ser uma verdade no século 21. Enquanto antibióticos salvam vidas, pode haver consequências adversas. A resistência aos antibióticos é um problema muito caro associado com custos de saúde muito altos. Entre os efeitos adversos: enterocolite necrosante, candidemia e aumento da mortalidade; há uma taxa maior de nefrotoxicidade e ototoxicidade e consequências sobre o microbioma; a curto prazo há um impacto na nutrição, na imunidade e risco de infecção e a logo prazo, risco aumentado de distúrbios do espectro autismo, alergia, asma, obesidade ansiedade e depressão. As estratégias baseadas em evidências demonstraram que o gerenciamento antimicrobiano melhora o uso apropriado de antibióticos. É uma prioridade internacional. A primeira é a EDUCAÇÃO. Educando os nossos colegas que fazem a prescrição, mostrando que é importante usar o antibiótico com cuidado. Outra estratégia: restrição do uso, através do formulário. O Neonatologista precisa ter permissão de usar uma cefalosporina de terceira geração ou vancomicina ou carbapenêmico. O processo que temos para a aprovação no nosso Hospital é que o Infectologista treinado em Gerenciamento de Antimicrobianos ou Farmacêutico Clínico dê a aprovação. A pré-aprovação limita o uso de antibióticos de amplo espectro e também reduz os custos e isso sem eventos adversos para os pacientes. O outro é auditoria prospectiva e feedback: é uma estratégia que dá muito trabalho. O nosso farmacêutico clínico ou médico fica interagindo diretamente com quem está prescrevendo o antibiótico para melhor o uso do antimicrobiano. Outras estratégias foi o desenvolvimento de  diretrizes clínicas, com base em evidência. O gerenciamento de antibiótico esta se tornando medida regulatória de qualidade. A Acreditação Hospitalar busca as evidências dessas coletas de dados. Primeiro, o antibiótico só pode ser usado mediante indicação. Isso melhora a transição do cuidado de uma equipe para outra e facilita a revisão em tempo real do uso do antibiótico. Rever o uso do antibiótico após de 72 horas: para refletir a razão de ter prescrito o antibiótico e se você deve continuar, modificar ou interromper. Outra estratégia: revisão de todos os resultados dos exames de sangue, com uma meta de garantir terapia otimizada ou  descontinuar a terapia se não for mais necessária.Com o uso dessas estratégias, houve melhora na prescrição adequada do antimicrobiano adequado, houve diminuição do uso de antimicrobiano de 22-36%, aumentou cura clínica, reduziu a resistência, reduziu desfechos adversos, como por exemplo, toxicidade, redução significativa dos gastos farmacêuticos e o mais importante, nenhum estudo relatou prejuízos com os programas de gerenciamento de antibióticos. A maior parte do uso de antibióticos na UTI Neonatal é EMPÍRICA (95% das culturas são estéreis! E apesar disso, continuam co antibiótico por mais 5 dias!). O uso de antibiótico variou de forma geral em 40 vezes entre as UTI Neonatais (algumas UTI só tinham 2,4% de uso de antibióticos e outras, 97%!). Não havia diferenças de gravidade das doenças entre os Centros! O uso do antibiótico refletiu mais práticas locais dos Serviços (alguns líderes de opiniões em algumas UTIs que decidiam as terapias). Concluindo dizendo que espera tê-los convencido de que vocês precisam obter a aprovação de todas as partes interessadas desde o princípio, fazer uma revisão das práticas com base na evidência, mas é preciso desenvolver Diretrizes locais, coletar dados e provê feedback. Lembre que a variabilidade de condutas pode estar ao nosso favor (DISCUTAM E CHEGUEM A UM CONSENSO). Se vocês conseguirem pensar em uma atividade de gerenciamento de antimicrobianos que é viável de ser implementada na sua UTI, continuem pensando nessa possibilidade. É muito interessante!