Categoria: Farmacologia Neonatal

Hiperglicemia nos recém-nascidos extremamente prematuros-tratamento com insulina, mortalidade e ingesta de nutrientes

Hiperglicemia nos recém-nascidos extremamente prematuros-tratamento com insulina, mortalidade e ingesta de nutrientes

Hyperglycemia in Extremely Preterm Infants-Insulin Treatment, Mortality and Nutrient Intakes.Zamir I, Tornevi A, Abrahamsson T, Ahlsson. J Pediatr. 2018 Sep;200:104-110.e1. doi: 10.1016/j.jpeds.2018.03.049. Epub 2018 May 3.PMID: 29731360.Similar articles. Suécia

Apresentação:Daniela Megumi – R4 de Neonatologia- HMIB/SES/DF.

Coordenação: Dra Joseleide de Castro e Dr. Paulo Margotto.

  • Os autores relataram  nesse estudo que a hiperglicemia durante os primeiros 28 dias pós-natais era comum na coorte EXPRESS de prematuros extremos (Coorte sueca), modestamente afetados pela ingestão de carboidratos, e associada ao aumento da mortalidade.
  • Tratamento com insulina em bebês extremamente prematuros com hiperglicemia durante esse período foi associado a menor mortalidade.
  • Estes resultados sugerem a importância clínica potencial do momento do tratamento com insulina e da definição das concentrações limiares de glicose para o uso de insulina, se indicado.

 No entanto, a insulina tem riscos potenciais que devem ser considerados antes de poder ser recomendada.

Efeito da terapia com hidrocortisona iniciada de 7 a 14 dias após o nascimento na mortalidade ou displasia broncopulmonar entre os bebês muito prematuros que recebem ventilação mecânica.

Efeito da terapia com hidrocortisona iniciada de 7 a 14 dias após o nascimento na mortalidade ou displasia broncopulmonar entre os bebês muito prematuros que recebem ventilação mecânica.

Effect of Hydrocortisone Therapy Initiated 7 to 14 Days After Birth on Mortality or Bronchopulmonary Dysplasia Among Very Preterm Infants Receiving Mechanical Ventilation: A Randomized Clinical Trial.Onland W, Cools F, Kroon A, Rademaker K, Merkus MP, Dijk PH, van Straaten HL, Te Pas AB, Mohns T, Bruneel E, van Heijst AF, Kramer BW, Debeer A, Zonnenberg I, Marechal Y, Blom H, Plaskie K, Offringa M, van Kaam AH; STOP-BPD Study Group.JAMA. 2019 Jan 29;321(4):354-363. doi: 10.1001/jama.2018.21443.PMID:30694322.Similar articles.

Realizado por Paulo R. Margotto.

Unidade de Neonatologia do HMIB/SES/DF.

Hospital Maternidade Brasília.

pmargotto@gmail.com

Este estudo multicêntrico randomizado não encontrou diferença significativa no desfecho composto primário de morte ou displasia broncopulmonar (DBP) com 36 semanas de idade pós-menstrual entre bebês randomizados para hidrocortisona em comparação com aqueles randomizados para placebo em 7 a 14 dias; os resultados do presente estudo sugerem que a hidrocortisona facilita a extubação, mas, em contraste com a dexametasona, não reduz DBP; esse achado não apoia o uso de hidrocortisona para esta indicação; o único efeito adverso atribuído especificamente ao tratamento com hidrocortisona foi a hiperglicemia requerendo insulina

 

 

 

 

Uso racional de esteróide pós-natal (Rational Use of Postnatal Steroids)

Uso racional de esteróide pós-natal (Rational Use of Postnatal Steroids)

Alan Jobe

11o Simpósio Internacional de Neonatologia do Rio de Janeiro, 20-23 de junho de 2018

Minha visão do futuro: nos precisamos de

-Resolver o debate sobre o uso de dexametasona versos hidrocortisona para o tratamento tardio da displasia broncopulmonar (DBP)

-Decidir sobre uma opção de tratamento precoce

-Testar se surfactante + budesonida tardia é efetivo para o tratamento da DBP

-Aprender se antiinflamatórios específicos são benéficos

-Estar alerta a respeito dos efeitos colaterais

Diurético e Displasia broncopulmonar (uma droga off label) Análise usando Grandes Bases de Dados

Diurético e Displasia broncopulmonar (uma droga off label) Análise usando Grandes Bases de Dados

Off-Label Drugs in Neonatology: Analyses Using Large Data Bases.Jobe AH. J Pediatr. 2019 Feb 26. pii: S0022-3476(19)30126-X. doi: 10.1016/j.jpeds.2019.01.038. [Epub ahead of print] No abstract available. PMID: 30824166. Similar articles.

Realizado por Paulo R. Margotto.

Alan Jobe faz análise de um estudo  recente sobre o uso frequente, mas não aprovado, de furosemida para displasia broncopulmonar (BPD) que identificou que o uso prolongado pode diminuir a DBP, incluindo 37.000 bebês. Segundo Alan Jobe assim que o tamanho dos conjuntos de dados e o número de variáveis ​​aumentam, o potencial para significância estatística aumenta, mas relevância biológica é questionável. Claramente, não há consenso na comunidade neonatal sobre a eficácia ou segurança da furosemida para curto intervalo ou longo intervalo de uso e nenhuma boa informação sobre dose. Segundo Tin W, Wiswell T, de todas as terapias adjuntas no prematuro com DBP, a terapia diurética é uma das mais abusadas, sem evidência de benefícios substanciais

Nos complementos….

Quando há ampla variabilidade na prática clínica do uso de diurético na DBP e não existe um padrão verdadeiro é uma declaração sobre a falta de profundidade do nosso conhecimento nessa aplicação.

Antes do uso rotineiro de diuréticos sistêmicos na DBP recomendam-se estudos que demonstram efeitos a longo prazo, como sobrevivência, duração da oxigenação, dependência do ventilador e duração da internação, além do estudo das complicações (nefrocalcinose, persistência do canal arterial e alcalose metabólica).

Portanto:Á luz das evidências disponíveis, não há espaço para o seu uso na DBP, principalmente o uso de espironolactona como “poupadora de potássio” (ora se o néfron não responde à aldosterona, também não vai responder ao seu inibidor)

 

Monografia-UTI-Pediátrica do HMIB-2019: Monitorização multimodal na UTI Pediátrica: o Papel da Ecocardiografia Funcional no Choque Séptico Pediátrico

Monografia-UTI-Pediátrica do HMIB-2019: Monitorização multimodal na UTI Pediátrica: o Papel da Ecocardiografia Funcional no Choque Séptico Pediátrico

Fernanda Kariny Aparecida Gomes.

RESUMO

A sepse é uma das principais causas de morte nas Unidades de Tratamento Intensivo (UTI) Neonatal e Pediátrica. No choque séptico em pacientes pediátricos, alterações do nível de consciência e/ou da perfusão tecidual são os primeiros sinais. É importante o reconhecimento do choque séptico antes da instalação da hipotensão. A velocidade e a adequação do tratamento administrado nas horas iniciais após o desenvolvimento da sepse grave tendem a influenciar o resultado. A ecocardiografia tem se tornado uma ferramenta fundamental no atendimento ao paciente grave e vem sendo incorporada à prática clínica como método de avaliação hemodinâmica. Objetivo: Avaliar o papel da ecocardiografia funcional na mudança da conduta terapêutica dos pacientes com choque séptico. Método: estudo prospectivo, descritivo, transversal, feito por meio da aplicação de um questionário estruturado aos médicos residentes e assistentes da UTI Pediátrica do Hospital Materno Infantil de Brasília (HMIB), entre os meses de janeiro e agosto de 2018, contendo questões sobre a conduta do médico antes e após a realização da ecocardiografia funcional, em pacientes com diagnóstico de choque séptico internados na UTI pediátrica do HMIB. Resultados: Foram avaliados no total 14 pacientes, 71,4% do sexo feminino, idade média de 6 anos e 4 meses, peso médio de 20,85 kg. O diagnóstico que mais motivou o choque séptico foi abdome agudo (50%), 64,3% dos pacientes estavam em uso de drogas vasoativas/inotrópicas e a grande maioria dos exames foi realizado pelos staffs (78,6%). Dos 14 pacientes avaliados no presente estudo, 11 (78,6%) tiveram a conduta terapêutica modificada após a realização do ecocardiograma funcional e apenas 3 (21,4%) não tiveram. Dos 11 pacientes, em 4 (36.3%) houve modificação da droga, 3 (27.2%) iniciaram droga vasoativa e em 1 (9%) a droga foi suspensa. Em 3 (27.2%) foi realizada a expansão volêmica. Conclusão: A ecocardiografia é talvez uma das ferramentas mais úteis no diagnóstico e tratamento do choque, particularmente quando a etiologia é indiferenciada ou multifatorial. Não invasiva e rápida de iniciar, pode ser aplicada à beira do leito a qualquer hora, podendo fornecer à equipe de ressuscitação um poderoso instrumento que pode ser usado para diagnosticar/excluir causas potencialmente tratáveis e orientar a intervenção terapêutica.

Administração Precoce de Cafeína e Resultados do Neurodesenvolvimento em Bebês Prematuros

Administração Precoce de Cafeína e Resultados do Neurodesenvolvimento em Bebês Prematuros

Early Caffeine Administration and Neurodevelopmental Outcomes in Preterm Infants. 

Abhay Lodha, Rebecca Entz, Anne Synnes, Dianne Creighton, Kamran Yusuf, AnieLapointe, Junmin Yang, Prakesh S. Shah, on behalf of the investigators of the Canadian Neonatal Network (CNN) and the Canadian Neonatal Follow-up Network (CNFUN). Pediatrics Jan 2019, 143 (1) e20181348; DOI: 10.1542/peds.2018-1348.

Preterm neonates who received caffeine (within 2 days of birth) had lower odds of sNDI at 18 to 24 months’ CA.

Realizado por Paulo R. Margotto.

N os bebês <29 semanas de idade gestacional, a terapia precoce com cafeína (≤ 2 dias) foi associada com chances reduzidas de significante deficiência no neurodesenvolvimento e melhor função cognitiva aos 18 até 24 meses de idade corrigida, quando comparado com terapia tardia com cafeína (>2dias). Embora as estimativas foram benéficas em 2 estratégias analíticas, ambas revelaram efeitos benéficos em diferentes domínios. Avaliar a eficácia e segurança da cafeína precoce através de um estudo randomizado controlado será necessário.

Óxido nítrico no tratamento de prematuros com SDR grave e hipertensão pulmonar

Óxido nítrico no tratamento de prematuros com SDR grave e hipertensão pulmonar

Nitric oxide for the treatment of preterm infants with severe RDS and pulmonary hypertension.

Dani C, Corsini I, Cangemi J, Vangi V, Pratesi S.Pediatr Pulmonol. 2017 Nov;52(11):1461-1468. doi: 10.1002/ppul.23843.PMID: 29058384.Similar articles

Apresentação:

Milena Pires R3 Neonatologia/HMIB/SES/DF

Coordenação: Dra Adriana Kawaguchi

A Síndrome do Desconforto Respiratório-doença da membrana hialina (SDR) pode ser agravada pelo desenvolvimento concomitante de shunt extrapulmonar direita para a esquerda devido à hipertensão pulmonar (HP) ou shunt intrapulmonar devido a alterações na relação ventilação-perfusão. Nessa situação o óxido nítrico inalatório (NOi) pode melhorar a oxigenação pelo seu efeito vasodilatador, com diminuição da resistência vascular pulmonar. O estudo foi realizado em um único Centro em RN<30 semanas ou peso ao nascer <1250g, grave na primeira semana de vida, compreendendo 42 RN (28 com HP e 14 sem HP). O ecocardiograma foi realizado entre 12-24 horas. Foram considerados os responsivos ao tratamento com NOi quando apresentavam uma diminuição na FiO2 maior que 30% em 6 horas. Os bebês que responderam foram os que apresentaram maior peso ao nascer, maior FIO2 basal, maior IO (índice de oxigenação) e menor relação Saturação de O2/FiO2. Além disso, 90% dos lactentes que responderam ao NOi apresentavam HP em comparação com 48% dos RN sem HP que não responderam.  A regressão logística multivariada demonstrou que A análise de regressão logística multivariada  FiO2>65%, peso ao nascer>750g e a presença de HP associaram-se independentemente à resposta ao NOi. Nesse estudo a HP ocorreu em 67% dos pacientes com SDR grave. Assim, os autores acreditam  que a terapia com NOi não pode ser recomendada para o tratamento rotineiro de insuficiência respiratória em neonatos prematuros, mas o “uso clínico nessa população deve ser deixado a critério clínico”, para o qual o diagnóstico de HP deve ser considerado.

Nos complementos (links) trouxemos uma revisão seletiva sobe 1) o papel do NOi na prevenção da displasia broncopulmonar-DBP (o NOi não reduz a taxa de DBP em prematuros, independentemente da precocidade da gravidade da doença respiratória) 2) displasia broncopulmonar associada à hipertensão pulmonar (DBP-HP) cuja incidência  varia entre de 8% a 42% (a HP  no 7º dia de vida e a tardia, com 36 semanas pós-menstrual). Quanto à etiologia da HP na DBP provavelmente se deva à lesão precoce no desenvolvimento pulmonar, com  piora da alveolarização e a angiogênese e evidências indicam que o prematuro extremo produz um atraso no desenvolvimento dos vasos pulmonares. A exposição a altas concentrações de oxigênio leva a remodelação e parada do desenvolvimento de pequenos vasos pulmonares, produzindo disfunção vascular e hipertensão pulmonar. Entre os fatores de risco se destacam o sexo masculino, menores idades gestacionais  e peso ao nascer, além de pequeno para a idade gestacional, FiO2>30% aos 10 dias de vida. A ausência de HP aos 7 dias de vida associou-se a um risco muito baixo de HP tardia associada à DBP. Essa é a razão pela qual se especula a realização de ecocadiogramas precoces em prematuros de alto risco para DBP e HP tardia para futuros estudos preventivos e terapêuticos. Maiores valores do CRIB (Índice de Risco Clínico para Bebês) associaram-se significativamente com a maior ocorrência de  DBP-HP e níveis de saturação entre 90-95% versos 88-92%, com menor incidência de DBP-HP na 36ª semana de idade  gestacional pós-menstrual. No tratamento se destaca o uso do sildenafil, bloqueador da fosfodiesterase 5 (pode ter benefício na angiogênese!), mostrando seguro, com benefícios hemodinâmicos e diminuição da mortalidade, apesar de necessitar de mais estudos. Cautela com a ocorrência de hipotensão arterial!Usamos o sildenafil nas doses de 0,5mg/Kg/dose de 8/8 horas, aumentando para 1-2mg/kg/dose de 4/4 horas. Quanto ao NOi, segundo Belik, a nova tendência a dar o óxido nítrico inalatório para prematuros com displasia broncopulmonar  é uma tentativa de evitar esse bloqueio ou inibição do processo de angiogênese;  o óxido nítrico é um estimulador da angiogênese. Então a lógica de dar óxido nítrico por tempo prolongado nessas crianças não é com a finalidade de se obter a vasodilatação, mas sim promover a angiogênese. Encerramos discutindo a importância da ecocardiografia para o uso racional das drogas vasoativas na hipertensão pulmonar neonatal.

Analgesia e sedação no recém-nascido em ventilação mecânica/sequência rápida de intubação

Analgesia e sedação no recém-nascido em ventilação mecânica/sequência rápida de intubação

Paulo R. Margotto, Martha David Rocha Moura

Capítulo do Livro Assistência ao Recém-Nascido de Risco, 4a Edição, 2019, em preparação

DEVEMOS USAR DE ROTINA ANALGÉSICOS NOS RECÉM-NASCIDO VENTILADOS?

Segundo Hall  e cl  para algumas terapias como drogas anticanceres, o benefício a longo prazo do tratamento é superior aos efeitos adversos. É este o caso para a analgesia em todo recém-nascido ventilado? A análise de importantes resultados de morte e evidências ultrassonográficas de lesão cerebral não mostrou melhora na morbimortalidade ou morbidade com o uso de opióide. Metanálise realizada por Bellú e cl (Cochrane) não demonstrou diferença entre os grupos com uso e não uso de morfina quanto a displasia broncopulmonar, enterocolite necrosante ou duração de internação hospitalar. Os recém-nascidos mais prematuros  que receberam morfina demoraram significativamente mais tempo para atingirem a nutrição enteral plena em relação aos controles. Inclusive dados de longo follow-up (5-6 anos) não mostrou diferença significante no neurodesenvolvimento entre as crianças que receberam e as que não receberam morfina. No entanto, de Graaf e cl mostraram evidência de efeitos negativos da morfina na função cognitiva nas crianças aos 5 anos de idade que receberam morfina na ventilação mecânica no período neonatal. Portanto, os opióides nos RN em ventilação mecânica devem ser usados seletivamente, quando indicado pelo julgamento clínico e pelas avaliações dos indicadores de dor e somente após a estabilização do paciente, apesar da ventilação mecânica constituir uma intervenção dolorosa e desconfortante. A terapia com narcóticos para os RN ventilados só pode ser considerada provada e eticamente mandatória somente se o seu valor estiver estabelecido em um ou mais ensaios randomizados e cegos com número suficiente de RN para avaliar todos os benefícios potenciais e efeitos adversos.

Óxido Nítrico Inalatório como terapia de resgate em RN prematuro com hipertensão pulmonar severa: relato de caso

Óxido Nítrico Inalatório como terapia de resgate em RN prematuro com hipertensão pulmonar severa: relato de caso

Inhaled nitric oxide as a rescue therapy in a preterm neonate with severe pulmonary hypertension: a case report.Busè M, Graziano F, Lunetta F, Sulliotti G, Du Ca V.Ital. J Pediatra. 2018 Mas 15;44(1):55. dói: 10.1186/s13052-018-0494-9.PMID: 29764471. Frei PMC Article.Similar articules. Artigo Livre.

Apresentação:Maria Eduarda Canellas de Castro/ Coordenação: Adriana Fernandes Kawaguchi.

Os autores descreveram um caso de um recém-nascido pré-termo, nascido com 30 semanas + 1 dia de idade gestacional, com hipertensão pulmonar grave tratada com óxido nítrico inalatório (NOi) por 50 horas sendo extubada em 60 horas. Os autores desse estudo não excluem a possibilidade do ibuprofeno usado no fechamento do canal arterial ter sido a causa da hipertensão pulmonar! O papel do NOi nos pré-termos não está bem claro, no entanto estudos mostraram ser eficaz como terapia de resgate em situações de hipertensão pulmonar grave. Parece que a resposta ao NOi melhora significativamente com o aumento da idade gestacional: neonatos nascidos ≥29 semanas apresentam uma resposta significativamente maior em comparação aos neonatos <29 semanas. Essa terapia não deve ser usada de forma rotineira e quando o fizer, com cautela. Dani C et al sugerem que em uma situação com FiO2 >0,65, com diagnóstico ecocardiográfico da hipertensão pulmonar e o peso ao nascer >750 grama,s independentemente predizem um efeito benéfico do NOi em bebês muito prematuros com doença da membrana hialina. o  NOi Consensus Statement, de 2011 e o 2014 report from American Academy of Pediatrics recomendam o não uso do NOi para esta população (não reduz a mortalidade e nem a morbidade). O uso do NOi off-label (em prematuros) em 2013 nos EUA gerou um custo em torno de 19 milhões de dólares! A hipertensão pulmonar  do pré-termo geralmente é secundária à patologia pulmonar parenquimatosa,explicando o impacto limitado do NOi nestes pacientes. No entanto, existem alguns grupos de prematuros em que a hipertensão pulmonar grave é quase universal, particularmente nos nascidos após prolongado oligohidrâmnio (estes podem responde agudamente ao NOi).Como racionalizar o uso do NOi? Definir os subgrupos de prematuros em que o uso de NOi é mais eficaz  (>=29 semanas) e implementar o Ecocardiograma funcional (esse fornece um diagnóstico definitivo: identifica o RN que tem a hipertensão pulmonar como patologia predominante e que, por isso, mais se beneficia do uso de NOi). Ziegler DS et al relataram aumento significativo  do risco de câncer infantil (4meses-5 anos) com o uso do NOi (8,6 vezes mais). Os resultados do estudo de Manja V (2018) avaliando a tomada de decisões dos Neonatologistas em relação ao uso do NOi nos pré-termos demonstram uma tensão entre evidência e terapia baseada na fisiopatologia.

Tratamento antifúngico e resultado em recém-nascidos com muito baixo peso: um estudo observacional de base populacional da Rede Neonatal Alemã

Tratamento antifúngico e resultado em recém-nascidos com muito baixo peso: um estudo observacional de base populacional da Rede Neonatal Alemã

Antifungal Treatment and Outcome in Very Low Birth Weight Infants: A Population-based Observational Study of the German Neonatal Network. Fortmann I, Hartz A, Paul P, Pulzer F, Müller A, Böttger R, Proquitté H, Dawczynski K, Simon A, Rupp J, Herting E, Göpel W, Härtel C; German Neonatal Network.Pediatr Infect Dis J. 2018 Nov;37(11):1165-1171. doi: 10.1097/INF.0000000000002001.PMID: 29601449.Similar articles.

Apresentação: Gustavo Borela Valente –  R3 Neonatologia HMIB. Apresentação de artigo Científico da Unidade sob Coordenação da Dra.  Nathália Bardal.

A incidência de sepse fúngica nos prematuros em diferentes países e instituições é variável entre 0-28% em recém nascidos com peso de nascimento < 1000 g. O presente estudo da rede alemã de Neonatologia (54 UTIs Neonatais entre 2009 a 2015, 16 anos! 13.343 recém-nascidos [RN] com peso <1550g, com idade gestacional   de 22 sem a 36 sem 6dias) teve como objetivo determinar resultados a curto e longo prazo em recém-nascido  pré-termo  de muito baixo peso (RNPT MBP) em uso de profilaxia antifúngica empírica independentemente da evidência de infecção fúngica. a indicação de terapia com drogas antifúngicas foi empírica em mais de 95 % de todos tratamentos! RN expostos a terapia antifúngica nasceram mais frequentemente com corioaminionite e foram  mais expostos a antibióticos pré-natais. RN expostos a terapia antifúngica foram caracterizados pela maior necessidade de medidas invasivas, bem como tratamento com inotrópicos, além de maior taxa de uso de antibióticos (100 vs 81,1%; p<0,001) incluindo antibióticos de terceira linha como carbapenêmicos (67,4% vs 18%; p<0,001). Após o ajuste para variáveis confundidoras, os fatores de riscos independentes para exposição para terapia antifúngica foram: uso de corticoide pós-natal, ventilação mecânica, necessidade de cirurgia abdominal e exposição a carbapenêmicos.A profilaxia com fluconazol ocorreu em 10,3 % (n=1345) dos prematuros muito baixo (12,2 % destes tiveram que trocar para dose de tratamento (9,1% fluconazol e 2,5% anfotericina lipossomal). Após o ajuste para variáveis confundidoras, houve significativa associação com a terapia antifúngica com displasia broncopulmonar (OR ajustado 1,9), retinopatia da prematuridade que necessita de intervenção (OR ajustado 1,69, cirurgia para enterocolite e/ou perfuração intestinal focal (OR ajustada 2,12), e desfecho combinado com alguma complicação severa (OR ajustada 1,33), mas não houve associação com mortalidade (OR 0,9 , IC 95%, IC 0,61-1,22, p=0,41- veja que no intervalo de confiança contem a unidade!).Na análise de subgrupo de RN com idade gestacional < 26 semanas em que a exposição a terapia antifúngica foi 16% houve associação significativa  com displasia broncopulmonar (OR 1,88) e cirurgia para enterocolite e/ou perfuração intestinal focal (OR 1,92). Após o ajuste para os fatores de risco para desfecho neurológico a longo prazo incluindo sepse e hemorragia intracerebral como complicações do prematuro, a terapia antifúngica permaneceu significativamente como fator de risco para paralisia cerebral (OR 2,79), e QI<85 (OR 2,07). Estudo recente de Aliaga et al notaram declínio da incidência de sepse fúngica em prematuros quando o espectro antibiótico utilizado era restrito. Estudos tem mostrado que a implementação de boas práticas clínicas tem potencial para melhoras os desfechos  dos prematuros muito baixo peso. O diagnóstico e tratamento de infecções fúngicas suspeitas ou confirmadas precisam estar integrados com esforços da vigilância. o fluconazol inibe o citocromo P450, especialmente CYP3A4 e CYP2C9, o que deixa as crianças expostas mais vulneráveis a interações com drogas. Por outro lado, infecção / inflamação são gatilhos conhecidos para geração de enzimas reativas de oxigênio e permanece especulativa se a inflamação subjacente ou a terapia antifúngica contribuem para o estresse oxidativo que podem levar aos  resultados adversos relatados com a terapia antifúngica.Na Unidade de Neonatologia do HMIB, estamos usando profilaxia anti-fúngica com fluconazol, seguindo as recomendações da Latin America Invasive Mycosis Network, uma vez que a incidência de candidíase invasiva, de janeiro a abril de 2018  esteve em 11%! (antes, 2016-2017: <=5%). Há Serviços neonatais que usam a profilaxia sem conhecimento das suas taxas de candidíase invasiva, tornando a profilaxia de risco para morbidades, como displasia broncopulmonar, retinopatia da prematuridade e inclusive, enterocolite necrosante!´Torna-se importante a vigilância constante, a detecção de quebras de barreiras, o controle rigoroso do uso (racional) de antibióticos,, assim como o seu tempo de uso, menor tempo de ventilação e de nutrição parenteral. É um trabalho de toda a Equipe no resgate das menores taxas de candidíase!