Categoria: Recém-Nascido de Baixo Peso

Dilemas Bioéticos em Neonatologia

Dilemas Bioéticos em Neonatologia

Rosana Alvesa, Valmin Ramos da Silva.

Disponível em: Dilemas bioéticos em neonatologiaResidência Pediátrica residenciapediatrica.com.br › dilemas-bioeticos-em-neonatologia › en-US.

Apresentação: Tatiane Martins Barcelo (R3 3m Neonatologia HMIB/SES/DF.Coordenação: Marta David. Rocha de Moura.

Bioética vem do grego bios (vida) + ethos (ética), é a ética da vida ou ética prática. “A bioética é o conjunto de conceitos, argumentos e normas que valorizam e justificam eticamente os atos humanos que podem ter efeitos irreversíveis sobre os fenômenos vitaisÉ preciso distinguir os termos: EUTANÁSIA (tratamento adequado à doenças incuráveis-“boa morte”; ORTOTANÁSIA (cuidados paliativos adequados prestado diante do paciente que está morrendo: DISTANÁSIA: prolongamento da vida de modo artificial, tornando o morrer doloroso e oneroso). Apenas cinco, dentre 125 escolas médicas nos Estados Unidos (EUA), ofereciam ensinamentos sobre terminalidade da vida e, apenas 26, dos 7048 programas de Residência Médica dos EUA, tratavam do tema em reuniões científicas!!! A bioética não distingue: Não iniciar e Interromper. Eticamente, é mais aceitável retirar a terapia do que não a iniciar, pois oferece ao paciente o benefício da dúvida. Mas a pergunta permanece: quando não iniciar ou interromper os cuidados intensivos neonatais? Todas as Unidades devem  determinar os seus limites de viabilidades na prematuridade extrema. Quanto ao Cuidados Paliativos: cuidado ativo e total do corpo da criança, mente e espírito, envolvendo o suporte a familiares, iniciando no diagnóstico e durante todo o tratamento. O Cuidado Paliativo se concentra na melhoria da qualidade de vida.

Colapso circulatório de início tardio e risco de paralisia cerebral em prematuros extremos

Colapso circulatório de início tardio e risco de paralisia cerebral em prematuros extremos

Late-Onset Circulatory Collapse and Risk of Cerebral Palsy in Extremely Preterm Infants.Yasuoka K, Inoue H, Egami N, Ochiai M, Tanaka K, Sawano T, Kurata H, Ichiyama M, Fujiyoshi J, Matsushita Y, Sakai Y, Ohga S; Neonatal Research Network of Japan..J Pediatr. 2019 Sep;212:117-123.e4. doi: 10.1016/j.jpeds.2019.05.033. Epub 2019 Jun 20.PMID:31229321.Similar articles.

Realizado por Paulo R. Margotto.

Essa condição é caracteriza como hipotensão (não responsiva a expansores de volume ou inotrópicos, MAS RESPONSÍVEL AOS CORTICOSTEROIDES), oligúria e nenhuma causa aparente, incluindo sepse, sangramento ou enterocolite necrosante (ECN) antes do início; emerge após a primeira semana de vida em um recém-nascido prematuro extremo geralmente estável.

Preocupa devido a sua associação com a leucomalácia periventricular (LPV) cística e possível associação com a paralisia cerebral (PC) aos 3 anos, objetivo desse estudo.

O estudo é da Rede de Pesquisa Neonatal do Japão (NRNJ) que inclui 204 Unidades de Terapia Intensivas Neonatais participantes que registram todas as informações clínicas de bebês nascidos com um peso de ≤1500 gramas (3474 bebês com idade gestacional média de 260/7 semanas (IQR 245/7-270/7 semanas) e um peso ao nascer de 769 gramas (IQR, 632-924 gramas), de 2008 a 2012). O colapso circulatório de início tardio ocorreu em 666 bebês (19,17% – aproximadamente 1 em cada 5 prematuros extremos). A análise de regressão logística multivariável revelou que o colapso circulatório de início tardio foi significativamente e independentemente associado à PC (aOR-odds ratio ajustada- de 1,52; IC95%, 1,13-2,04) e um QI <50 (aOR, 1,83; IC95%, 1,23-2,72), sendo considerado um novo risco para a PC.  Essa associação se manteve significativa com a exclusão de confundidores (hemorragia intraventricular, persistência do canal arterial, enterocolite necrosante ou uma combinação dessas doenças (aOR, 1,45; IC 95%, 1,01-2,08).

Estudos evidenciaram que a insuficiência adrenocortical relativa pode persistir após o período de transição em recém-nascidos prematuros, que se pensa ser uma das principais causas de aparecimento do colapso circulatório de início tardio nesses bebês.

Foi sugerido que o colapso circulatório de início tardio, que provavelmente está associado a problemas permanentes, deve ser tratado o mais precoce possível e na maioria dos casos, a hidrocortisona é eficaz no tratamento dessa condição (dose inicial de 0,5-2mg/kg; a terapia foi individualizada, dependendo do quadro clínico e resposta ao tratamento inicial pelos neonatologistas responsáveis). O tempo o médio entre a dose inicial de hidrocortisona e as melhorias foi de 4 horas).

Para um melhor entendimento da fisiopatologia dessa condição buscamos mais estudos, todos japoneses, de 2010 a 2019. Os bebes que apresentaram colapso circulatório de início tardio tinham, com maior frequência, displasia broncopulmonar, hemorragia intraventricular grave, maior tempo de ventilação mecânica, maior área adrenal real ou igual à prevista no valor ao nascimento e inalterada em 3 semanas ao ultrassom da supra-renal, uso de levotiroxina sódica-LT4 (o hormônio tireoidiano aumenta o metabolismo e a depuração do cortisol), uso do fentanil dentro de duas semanas (os opioides têm um efeito ou induz uma diminuição no ACTH ou glicocorticóides e a administração crônica pode ser associada à diminuição da resposta à doença aguda), hiponatremia (um baixo nível sérico de sódio pode ser um achado prodrômico de colapso circulatório de início tardio). Interessante que a cafeína foi protetora (cafeína eleva a concentração sérica de cortisol em humanos e roedores). Durante o estágio agudo do colapso circulatório a principal prioridade foi o início precoce da terapia com glicocorticoides (o tempo médio entre a dose inicial de hidrocortisona e as melhorias foi de 4 horas).

Por que existe só no Japão? Fora do Japão o colapso circulatório de início tardio pode ser diagnosticado como outras condições, tais como deterioração da função respiratória, disfunção renal, uma insuficiência adrenal relativa associada à sepse não comprovada e assim por diante.

 

Uma emulsão lipídica mista contendo óleo de peixe e seu feito sobre maturação cerebral eletrofisiológica em crianças de extremo baixo peso ao nascer: uma análise secundária de um ensaio clínico randomizado

Uma emulsão lipídica mista contendo óleo de peixe e seu feito sobre maturação cerebral eletrofisiológica em crianças de extremo baixo peso ao nascer: uma análise secundária de um ensaio clínico randomizado

A Mixed Lipid Emulsion Containing Fish Oil and Its Effect on Electrophysiological Brain Maturation in Infants of Extremely Low Birth Weight: A Secondary Analysis of a Randomized Clinical Trial.Binder C, Giordano V, Thanhaeuser M, Kreissl A et al J Pediatr. 2019 Aug;211:46-53.e2. Doi:10.1016/j.jpeds.2019.03.039. Epub 2019 Apr 25. PMID: 31030946. Similar articles.

Realizado por Paulo R. Margotto.

Emulsões lipídicas [EL] à base de óleo de soja são ricos em ácidos graxos polinsaturados  pró-inflamatórios de cadeia longa  ω-6 LC –PUFA) e fitosteróis que podem  desencadear lesão hepática associada à nutrição parenteral; devido a esse motivo foram desenvolvidas novas EL à base de óleo de peixe, com substancial melhora na lesão hepática; devido à inadequada disponibilidade de ácidos graxos essenciais, outra EL foram desenvolvidas contendo óleo de soja, óleo de peixe, óleo de azeite e triglicerídeos de cadeia média (SMOF-LE), no entanto  sem diminuição da lesão hepática, embora tenha havido queda dos níveis de bilirrubina direta; no entanto, nos recém-nascidos de extremo baixo peso ao nascer (<1000g) os presentes autores relataram, nos RN recebendo SMOF-LE, acelerada maturação eletrofisiológica que pode prever neurodesenvolvimento [pontuação significativamente maior para atividade de aEEG, ciclo sono-vigília e apresentaram significativamente mais atividade contínua de base, ambos os indicadores sensíveis de maturação cerebral e possíveis preditores do neurodesenvolvimento]; esse resultado é devido ao ω-3 LC-PUFA docosahexaenóico (DHA), principal componente estrutural e funcional do cérebro; as EL à base de óleo de soja NÃO contem DHA; nos complementos, novamente a ênfase do início precoce da nutrição enteral na prevenção da lesão hepática associada à  nutrição parenteral e de preferência, use EL que contenha óleo de peixe, principalmente  pelo seu efeito na maturação cerebral. Agradeço ao Dr. Sérgio H. Veiga pelas orientações quanto ao EEG

Monitorização do crescimento pós-natal do prematuro

Monitorização do crescimento pós-natal do prematuro

Alessandra de Cássia Gonçalves Moreira

Papel do neonatologista: gerenciamento nutricional individualizado no cuidado do prematuro

“Não se gerencia o que não se mede,
não se
mede o que não se define,
não se
define o que não se entende,
e não há
sucesso no que não se gerencia

William Edwards Deming – especialista em controle de qualidade e otimização de processos

Desenvolvimento motor de prematuros avaliados pela Alberta Infant Motor Scale: artigo de revisão sistemática

Desenvolvimento motor de prematuros avaliados pela Alberta Infant Motor Scale: artigo de revisão sistemática

Motor development of preterm infants assessed by the Alberta Infant Motor Scale: systematic review article. Fuentefria RDN, Silveira RC, Procianoy RS.J Pediatr (Rio J). 2017 Jul – Aug;93(4):328-342. doi: 10.1016/j.jped.2017.03.003. Epub 2017 May 12. Review.PMID: 28506665. Free Article. Similar articles. Artigo Livre.

Apresentação: Gustavo Borela (R4 de eonatologia/HMIB/SESDF). Coordenação: Marta David Rocha de Moura

A maioria dos estudos analisados busca identificar diferenças no desenvolvimento motor amplo, por meio da AIMS, entre prematuros e crianças nascidas a termo, em variadas idades de avaliações. Pode-se afirmar que os estudos apontam inferioridade no desempenho motor dos prematuros nos primeiros 18 meses de ICo, seja por meio da análise comparativa com os dados da normativa canadense da Alberta Infant Motor Scale (AIMS) ou com os dados de um grupo controle de crianças nascidas a termo. A depender da idade da avaliação e das características da amostra, variado percentual de atraso motor entre os prematuros foi identificado. Baixa escolaridade e idade materna, bem como fatores relacionados à prematuridade, como menor peso ao nascer, a hemorragia peri/intraventricular  e a doença pulmonar crônica, estiveram associados com desfecho motor atípico na AIMS.

Análise dos óbitos e cuidados paliativos em uma Unidade de Terapia Intensiva Neonatal

Análise dos óbitos e cuidados paliativos em uma Unidade de Terapia Intensiva Neonatal

ANALYSIS OF DEATH AND PALLIATIVE CARE IN A NEONATAL INTENSIVE CARE UNIT.Marçola L, Barbosa SMM, Zoboli I, Polastrini RTV, Ceccon MEJ. Rev Paul Pediatr. 2017 Apr-Jun;35(2):125-129. doi: 10.1590/1984-0462/;2017;35;2;00012. Epub 2017 May 15. Portuguese, English.PMID: 28977325. Free PMC Article.Similar articles. Artigo Integral. EM PORTUGUES: análise dos óbitos e cuidados paliativos em uma unidade de terapia …

Apresentação: Dr. André Da Silva Simões R4 de Neonatologia HMIB. Coordenação: Nathalia Bardal.

▪Observou –se grande proporção de recém nascidos com doenças e condições graves de saúde. Em alguns poucos casos foram estabelecidos cuidados paliativos, porém para a maior parte não foi nem discutido tal cuidado. Espera-se que este trabalho chame a atenção para a necessidade da proposição de protocolos nessa unidade e capacitação de equipes para o melhor tratamento dessas crianças. Há poucas descrições na literatura de Protocolos de Cuidados Paliativos utilizados nas UTIN; a maior dificuldade documentada relaciona-se à indicação desses cuidados. Ao procurar diagnosticar a situação nessa UTIN, este estudo chama a atenção para a necessidade de protocolos e programas de cuidados paliativos, além da capacitação da equipe assistencial para que as crianças atendidas tenham o melhor e mais digno tratamento possível, em direção à cura ou não.

A certeza que fica é que para a vida valer a pena, é necessário amar e ser amado, e ter muito cuidado com o cristal de que os outros são feitos. (Nuno Lobo Antunes

 

ÚTERO ARTIFICIAL PODE SALVAR PREMATUROS

ÚTERO ARTIFICIAL PODE SALVAR PREMATUROS

An extra-uterine system to physiologically support the extreme premature lamb.Partridge EA, Davey MG, Hornick MA, McGovern PE, Mejaddam AY, Vrecenak JD, Mesas-Burgos C, Olive A, Caskey RC, Weiland TR, Han J, Schupper AJ, Connelly JT, Dysart KC, Rychik J, Hedrick HL, Peranteau WH, Flake AW.Nat Commun. 2017 Apr 25;8:15112. doi: 10.1038/ncomms15112.Received 25 Apr 2016 | Accepted 2 Mar 2017 | Published 25 Apr 2017. Realizado por Paulo R. Margotto

“Esse sistema é potencialmente muito superior ao que os Hospitais podem, hoje, fazer por bebês nascidos com 23 semanas. Isso pode estabelecer um novo padrão de cuidado”, Alan W. Flake, diretor do Centro de Pesquisa Fetal do Hospital Infantil da Filadélfia

Perfil de recém-nascidos de risco atendidos por enfermeiros em seguimento ambulatorial: estudo de coorte retrospectiva

Perfil de recém-nascidos de risco atendidos por enfermeiros em seguimento ambulatorial: estudo de coorte retrospectiva

Ludmylla de Oliviera Beleza, Laiane Medeiros Ribeiro, Rayanne Augusta Parente Paula, Laíse Escalianti Del Alamo Guarda, Gessica Borges Vieira, Kassandra Silva Falcão Costa.

Objetivo: analisar o perfil de coorte dos recém-nascidos de risco atendidos por enfermeiros em Ambulatório de Seguimento Multidisciplinar, com destaque ao tipo de alimentação e ao ganho ponderal, após a alta hospitalar. Método: coorte retrospectiva, população composta por recém‑nascidos de risco atendidos em período de 4 anos, dados procedentes de prontuário e relatório de atendimento, posteriormente exportados para o Programa R. As variáveis de desfecho foram: número da consulta com o enfermeiro, tipo de alimentação, ganho diário de peso e principais orientações. Houve a realização de estatística descritiva, distribuição de frequências e aplicação dos testes Mann-Whitney, Qui-Quadrado, Correlação de Spearman, Análise de Variância e Tukey, sendo significativo p<0,05. Resultados: foram analisados 882 atendimentos com 629 bebês e famílias. As frequências do aleitamento materno exclusivo e do ganho ponderal foram
aumentando com o passar das consultas. Os bebês que necessitaram de mais consultas e com menor ganho ponderal foram os com menores idade gestacional (p=0,001) e peso de nascimento (p=0,000), maior tempo de internação (p<0,005) e que possuíam diagnósticos relacionados à prematuridade extrema (p<0,05), dentre outros. Conclusão: verificou-se a importância do acompanhamento ambulatorial de recém-nascidos de risco pelo enfermeiro, especialmente na promoção do aleitamento materno e do crescimento saudável.

Monografia-Neonatologia (HMIB/2019)- Apresentação: Desfecho aos 6 meses de idade dos recém-nascidos prematuros atendidos no Serviço de Neonatologia do Hospital Materno Infantil de Brasília em relação ao ALEITAMENTO MATERNO

Monografia-Neonatologia (HMIB/2019)- Apresentação: Desfecho aos 6 meses de idade dos recém-nascidos prematuros atendidos no Serviço de Neonatologia do Hospital Materno Infantil de Brasília em relação ao ALEITAMENTO MATERNO

Letícia Rodrigues de Moraes.

O desmame precoce ocorreu em  média de 67,7 dias; 60% teve acompanhamento ambulatorial e em média por 76,78 dias. A Prevalência do ALEITAMENTO MATERNO EXCLUSIVO e seguimento após a alta ESTEVE  aquém do recomendado pela OMS. O seu aumento  deve ser prioridade e para isso, há necessidade de reorganização dos Serviços de Saúde, tanto em nível ambulatorial quanto hospitalar. A autora sugere: – Aumentar o número de ambulatórios de follow-up

– Realização de busca ativa dos pacientes

– Criação de um ambulatório de aleitamento materno,

– Melhoria dos registros nos prontuários.

– Necessidade de novas pesquisas com aprofundamento no tema