Hipotermia Terapêutica (HT) No Recém-Nascido Prematuro Tardio com Encefalopatia Hipóxico-Isquêmica (EHI) (Visão do Volpe, 2026)
Newborn Brain Society (NBS):Neurologia Neonatal (Visão de Volpe):Joseph J. Volpe, MD.
Realizado por Paulo R. Margotto.
Os prematuros tardios representam cerca de 75% dos prematuros e têm risco significativo de déficits neurodesenvolvimentais (aprox. 4% mesmo nos “saudáveis”). Quando apresentam EHI, o risco de sequelas é bem maior.A neuropatologia característica no prematuro tardio com EHI consiste em Lesão e distúrbio de maturação da substância branca (leucomalácia periventricular, lesão de pré-oligodendrócitos), Comprometimento do desenvolvimento cortical (arborização dendrítica, sinaptogênese e crescimento volumétrico do córtex) e Neuroinflamação prolongada (microgliose e astrogliose reativa), que persiste por semanas e agrava a lesão. O ECR de Faix et al. (2025) (168 bebês de 33–35+6 semanas) não mostrou benefício da HT e sugeriu possível aumento de risco de morte ou deficiência (análise bayesiana). No entanto, o estudo apresenta limitações importantes (tamanho amostral, desbalanço entre grupos, possível maior inflamação no grupo HT). No estudo de El Dib, em 373 bebês de 35 semanas tratados com HT, a mortalidade foi menor que no grupo controle do ECR, especialmente em 35 semanas. Os autores consideram que ainda não há evidências suficientes para mudar as diretrizes atuais que incluem os bebês de 35 semanas nos protocolos de hipotermia. Estudos em fetos de ovelha prematuros (Gunn) mostram que a HT reduz lesão de oligodendrócitos em desenvolvimento, lesão neuronal (hipocampo e gânglios da base) e diminui a inflamação. A neuroinflamação persistente parece ser um mecanismo central de lesão no prematuro tardio, e sua modulação pode ser chave para melhores resultados. Portanto, a lesão cerebral no prematuro tardio com EHI é comum e envolve tanto substância branca quanto córtex em desenvolvimento, com forte componente inflamatório, estudos experimentais são favoráveis à HT, os dados clínicos são inconclusivos e heterogêneos e em bebês de 35 semanas com EHI clara de causa periparto (ex.: evento sentinela) e sem evidência de inflamação fetal/infecciosa, a HT ainda pode ser razoável, especialmente se a instituição não observa dano com seu uso atual. Recomenda discussão cuidadosa com os pais. A mensagem central que Volpe deixa: Ainda não há evidência definitiva contra o uso de hipotermia em prematuros tardios de 35 semanas, sugiro cautela, seleção criteriosa de pacientes e a necessidade de novos estudos mais bem delineados, enquanto mantém a possibilidade de benefício nesse subgrupo específico.


