Mês: outubro 2022

Monkeypox (Varíola dos Macacos): 1) Correspondence: Infecção neonatal pelo vírus Monkeypox 2) Monkeypox na gravidez: virologia, apresentação clínica e manejo obstétrico)

Monkeypox (Varíola dos Macacos): 1) Correspondence: Infecção neonatal pelo vírus Monkeypox 2) Monkeypox na gravidez: virologia, apresentação clínica e manejo obstétrico)

Neonatal Monkeypox Virus Infection. Ramnarayan P, Mitting R, Whittaker E, Marcolin M, O’Regan C, Sinha R, Bennett A, Moustafa M, Tickner N, Gilchrist M, Kershaw A, Rampling T.N Engl J Med. 2022 Oct 12. doi: 10.1056/NEJMc2210828. Online ahead of print.PMID: 36223535 No abstract available. Imperial College London, London, United Kingdom.                                                              e-mail: p.ramnarayan@imperial.ac.uk

A infecção pelo vírus Monkeypox deve ser considerado no diagnóstico diferencial de uma erupção vesicular neonatal. Nos complementos trouxe também o   artigo de Dashraath P et al (2022) que trás possíveis mecanismos e risco de transmissão in-utero da varíola dos macacos e Protocolo de parto para uma paciente grávida com varíola dos macacos. A doença será um desafio para as gestantes, que representam uma população vulnerável durante qualquer emergência de saúde pública de interesse internacional. Por enquanto, grande parte da gestão obstétrica será baseada em consenso e recomendações de melhores práticas.

Manejo da Hipotensão e Choque Neonatal

Manejo da Hipotensão e Choque Neonatal

Management of Neonatal Hypotension and Shock.Schwarz CE, Dempsey EM.Semin Fetal Neonatal Med. 2020 Oct;25(5):101121. doi: 10.1016/j.siny.2020.101121. Epub 2020 May 21.PMID: 32473881 Free article. Review. Artigo Livre!

Essa abordagem fornece ao clínico grande clareza: intervir abaixo de um determinado valor de pressão arterial (PA), titular o suporte inotrópico para atingir certos valores de PA, e alcançar esse valor com segurança, sabendo que se abordou o problema. Confiar apenas na PA para determinar se um bebê está ou não em choque é problemático: quando a PA está genuinamente baixa, o paciente pode estar no estado descompensado ou mesmo irreversível, mas uma PA normal não necessariamente implica um estado de fluxo normal e, igualmente, uma PA baixa pode ser presente na ausência de choque.

Fatores de Risco Organizacionais e Impactos Clínicos da Extubação Não Planejada na Unidade de Terapia Intensiva Neonatal

Fatores de Risco Organizacionais e Impactos Clínicos da Extubação Não Planejada na Unidade de Terapia Intensiva Neonatal

Organizational Risk Factors and Clinical Impacts of Unplanned Extubation in the Neonatal Intensive Care Unit. Le Blanc G, Jabbour E, Patel S, Kazantseva O, Zeid M, Olivier F, Shalish W, Beltempo M.J Pediatr. 2022 Jun 15:S0022-3476(22)00545-5. doi: 10.1016/j.jpeds.2022.06.012. Online ahead of print.PMID: 35714965. Artigo Livre!

Os prematuros nascidos com <29 semanas de idade gestacional apresentam risco elevado de eventos de extubação não planejados. Um evento de extubação não planejado foi definido como a remoção prematura e/ou não prevista do tubo endotraqueal pelo paciente ou pela equipe. Este estudo de coorte retrospectivo incluiu todos os bebês admitidos na UTIN do Montreal Children’s Hospital–McGill University Hospital Center (Canada) entre 1 de abril de 2016 e 31 de dezembro de 2019. A associação entre eventos de extubação não planejada (com e sem reintubação) e o risco de displasia broncopulmonar (DBP) foi avaliada em bebês nascidos com menos de 29 semanas que necessitaram de ventilação mecânica.  Nesse grupo de bebês evento de extubação não planejado seguido de reintubação estava associado a uma duração mais longa de ventilação mecânica (aOR-odds ratio ajustada-, 13,06; IC 95%, 4,88-37,69 e a um risco maior de displasia broncopulmonar (aOR, 2,86; IC 95%, 1,01-8,58). Houve uma associação entre horas extras de enfermagem e aumento do risco de um evento de extubação não planejado. Na redução desses eventos de extubação não planejados, as estratégias comuns incluem o uso de um método padronizado para fixação do tubo endotraqueal por meio de pontos de referência anatômicos, ter 2 membros da equipe envolvidos nos cuidados/intervenções que exigem a movimentação do bebê intubado e treinamento contínuo e lembretes de rotina dos métodos de prevenção. Em um estudo recente de recém-nascidos de muito baixo peso, 88% dos eventos de extubação não planejados foram seguidos de reintubação e os eventos de extubação não planejados foram associados ao aumento dos custos e da duração do suporte respiratório (Hatch LD et al, 2020).

Cafeína para prevenir hipoxemia intermitente em prematuros tardios: ensaio clínico randomizado controlado

Cafeína para prevenir hipoxemia intermitente em prematuros tardios: ensaio clínico randomizado controlado

Caffeine to prevent intermittent hypoxaemia in late preterm infants: randomised controlled dosage trial. Oliphant EA, McKinlay CJ, McNamara D, Cavadino A, Alsweiler JM.Arch Dis Child Fetal Neonatal Ed. 2022 Aug 29:fetalneonatal-2022-324010. doi: 10.1136/archdischild-2022-324010. Online ahead of print.PMID: 36038256. Artigo Livre!

Os prematuros tardios (34 +0  a 36 +6 semanas de gestação) compreendem a maioria dos nascimentos prematuros e são fisiologicamente e metabolicamente imaturos, com maior risco de morbimortalidade no período neonatal do que os nascidos a termo (são mais propensos a serem diagnosticados com paralisia cerebral, atraso no desenvolvimento  e comprometimento cognitivo). Esses bebês apresentam episódios frequentes de hipoxemia intermitente (HI); decréscimos repetitivos transitórios na saturação de oxigênio não associados à apneia. Eventos hipoxêmicos intermitentes transitórios estão associados a resultados neurológicos ruins em bebês extremamente prematuros. A cafeína é eficaz na prevenção e tratamento da apneia da prematuridade e HI, e reduz a incidência de doença pulmonar crônica, paralisia cerebral e atraso cognitivo em recém-nascidos muito prematuros. A dose eficaz  da cafeína no tratamento dos HI nesses prematuros tardios é desconhecida e esse foi objetivo desse estudo: estabelecer a dose mais eficaz e tolerada da cafeína nesses bebes. Pais, equipe clínica e aqueles que avaliaram os resultados foram todos cegos para o grupo de tratamento. Esse estudo da Nova Zelândia testou  em 5 grupos paralelos as doses de 5,10,15 e 20mg/kg com dose recalculada para o ganho de peso. O citrato de cafeína a 10 ou 20 mg/kg/dia reduziu, de forma significativa a taxa média de HI em 61% e 67%, respectivamente. O tamanho do efeito em todas as medidas respiratórias foi maior para a dose de 20 mg/kg/dia, com efeitos semelhantes na tolerabilidade da droga para a dose de 10 mg/kg/dia. INTERESSANTE que, a dose de 15 mg/kg/dia não foi eficaz! Parece improvável que a cafeína tenha um impacto significativo no crescimento neonatal geral. Assim  doses de 10 ou 20 mg/kg/dia (sendo essa mais efetiva!) de citrato de cafeína são eficazes na redução da hipoxia intermitente em prematuros tardios, sem efeitos adversos gastrintestinal ou no sono, mas com aumento da taquicardia

Ultrassonografia com Doppler carotídeo como método para predizer a responsividade a fluidos em crianças ventiladas mecanicamente

Ultrassonografia com Doppler carotídeo como método para predizer a responsividade a fluidos em crianças ventiladas mecanicamente

Carotid doppler ultrasonography as a method to predict fluid responsiveness in mechanically ventilated children. de Souza TB, Rubio AJ, Carioca FL, Ferraz IS, Brandão MB, Nogueira RJN, de Souza TH.Paediatr Anaesth. 2022 Sep;32(9):1038-1046. doi: 10.1111/pan.14513. Epub 2022 Jul 2.PMID: 35748620.

Apresentação: Dayana Carla de Oliveira (R4 UTIP HMIB). Luciana Melara (R4 UTIP HMIB). Coordenação: Alexandre Serafim.

  • A análise das alterações respiratórias nas artérias carótida e aorta os fluxos sanguíneos são métodos precisos para prever a responsividade a fluidos em crianças sob ventilçao mecânica invasiva
  • Como os parâmetros hemodinâmicos convencionais têm capacidade limitada para identificar pacientes respondedores a fluidos, o uso rotineiro de variáveis dinâmicas de pré-carga deve ser encorajado.
  • Mais estudos são necessários para validar o uso do ultrassom Doppler carotídeo na UTIP e estabelecer uma curva de aprendizado para este novo método.
  • O que já se sabe sobre o tema
    • Os parâmetros hemodinâmicos convencionais têm um capacidade limitada de identificar pacientes responsivos a fluidos, e apenas cerca de metade das crianças experimentará uma melhoria no volume sistólico com carga de fluido.

    Que novas informações este estudo adiciona

    A análise das alterações respiratórias nos fluxos sanguíneos aórticos e carotídeos são métodos não invasivos precisos para prever a responsividade a fluidos em crianças sob tratamento em ventilação mecânica invasiva

Avaliação de três modos ventilatórios não invasivos após extubação no tratamento de prematuros com síndrome do desconforto respiratório grave

Avaliação de três modos ventilatórios não invasivos após extubação no tratamento de prematuros com síndrome do desconforto respiratório grave

Evaluation of three noninvasive ventilation modes after extubation in the treatment of preterm infants with severe respiratory distress syndrome. Yuan G, Liu H, Wu Z, Chen X.J Perinatol. 2022 Sep;42(9):1238-1243. doi: 10.1038/s41372-022-01461-y. Epub 2022 Aug 11.PMID: 35953535 Clinical Trial.

Realizado por Paulo R. Margotto.

O suporte respiratório não invasivo oportuno após a extubação da ventilação mecânica pode reduzir a morbidade e melhorar o prognóstico de prematuros. Várias modalidades de suporte respiratório não invasivo estão disponíveis para o tratamento da SDR neonatal: CPAP nasal (NCPAP); Ventilação com pressão positiva nasal sincronizada: IPPB (entre nós, conhecido como VNI-Ventilação Não Invasiva) e a ventilação oscilatória não invasiva de alta frequência: NHFO. Esse estudo avaliou a eficácia e segurança de três modos diferentes de suportes ventilatórios pós-extubação, a partir de 240 bebês com SDR grave, divididos em dois grupos com base na idade gestacional (32 semanas) como limiar: os menores de 32 semanas ou os maiores de 32 semanas. Comparadas às abordagens NCPAP, NIPPV e NHFO têm mais vantagens, como menor tempo de oxigenoterapia total e tempo de ventilação não invasiva do ventilador, menor incidência de complicações (apneia, displasia broncopulmonar-DBP, retinopatia da prematuridade-ROP, vazamento de ar, distensão abdominal) e menor duração e custo de hospitalização nos bebês <32 semanas de idade gestacional ao nascer. No entanto, não houve diferença estatisticamente significativa nos resultados do tratamento e complicações entre os três grupos de bebês com idade gestacional de 32-36 + 6 semanas. A incidência de hemorragia intraventricular no grupo NHFO foi maior do que nos outros grupos, devendo monitorar dinamicamente o valor de dióxido de carbono. Na nossa Unidade extubamos para CPAP nasal em selo d´agua com FiO2 de 50%, pressão de 7 cmH2O, aumentando até 8-9 cmH2O se necessário; se falha, NIPPV sincronizada (Nasal Intermittent positive pressure ventilation*  sincronizada), conhecida entre nós como VNI (ventilação não invasiva, “CPAP nasal ciclado”) nos parâmetros: PEEP: 5-6cmH2O; PI: 2 cmH2O a mais da que estava na VMC (espera-se que na pronga exista uma queda de ± 2cmH2O entre a pressão oferecida e a que chega ao pulmão),  TI: 0,4 seg; FR: 20-25 ipm; Fluxo: 8-10 L/min; FiO2: a mesma que estava na ventilação mecânica convencional).

 

A hiperglicemia precoce em bebês muito prematuros está associada à redução do volume de substância branca e piores resultados cognitivos e motores aos 2,5 anos

A hiperglicemia precoce em bebês muito prematuros está associada à redução do volume de substância branca e piores resultados cognitivos e motores aos 2,5 anos

Early Hyperglycemia in Very Preterm Infants Is Associated with Reduced White Matter Volume and Worse Cognitive and Motor Outcomes at 2.5 Years. Naseh N, Canto Moreira N, Vaz TF, Gonzalez Tamez K, Ferreira H, Kaul YF, Johansson M, Diderholm B, Ahlsson F, Ågren J, Hellström-Westas L.Neonatology. 2022 Sep 15:1-8. doi: 10.1159/000524923. Online ahead of print.PMID: 36108597 Free article. Artigo Livre!

Realizado por Paulo R. Margotto

A hiperglicemia foi definida como concentrações de glicose acima de 8,3 mmol/L (150 mg/dL) e acima de 10 mmol/L (180 mg/dL), respectivamente, categorizadas como: a glicose mais alta dias 0-2, número de dias acima de 8,3 e 10 mmol /L, e – prolongada (sim/não) 2 dias ou mais acima de 8,3 e 10 mmol/L. A análise de ressonância magnética, realizada na idade gestacional pós-menstrual de 40,1 semanas. A presente investigação demonstrou que a hiperglicemia precoce está associada à redução do volume da substância branca e alterações estruturais da substância branca a termo em bebês nascidos IG <32 semanas e com pior cognição e função motora aos 2,5 anos nos bebês extremamente prematuros (<28 semanas). As associações foram mais fortes para níveis de glicose acima de 10 mmol/L (180mg%) e com hiperglicemia prolongada, indicando um efeito adverso dose-resposta. A hiperglicemia parece afetar tanto a estrutura da substância branca quanto dos gânglios basais e o crescimento da substância branca.