Mês: maio 2018

Apneia Neonatal-2018

Apneia Neonatal-2018

Adriana Kawaguchi, Paulo R. Margotto

Capítulo do livro Asistência ao Recém-Nascido de Risco, Hospital de Ensino Materno Infantil de Brasília, 4a Edição, 2018, Em Preparação.

Apneia é definida como uma interrupção do fluxo de ar nas vias respiratórias por um período igual ou superior a 20 segundos, ou por período de menor duração, se acompanhado de bradicardia, cianose ou palidez.A apneia da prematuridade reflete imaturidade do controle respiratório. Ela geralmente se resolve com idade gestacional pós-concepção 36 a 37 semanas em recém nascidos ≥ 28 semanas de gestação. Os recém-nascidos em < 28 semanas de gestação podem ter apnéia que persiste até ou além da gravidez a termo.

É necessária a diferenciação entre apnéia e respiração periódica. Esta última é caracterizada pela presença de movimentos respiratórios por um período de 10 a 15 segundos, intercalados por pausa respiratória de 5 a 10 segundos, sem cianose ou bradicardia. A respiração periódica ocorre em cerca de 25% dos recém-nascidos prematuros e em 2 a 6% dos bebês a termo. Tem bom prognóstico e não necessita de tratamento específico.

Não há dados que sugerem que o diagnóstico de apneia da prematuridade seja  associada a um risco aumentado de síndrome da morte súbita infantil (SMSI) ou que a monitorização domiciliar pode evitar SMSI em “ex-prematuros”. Apesar de recém-nascidos prematuros terem maior risco de SMSI, dados epidemiológicos e fisiológicas não suportam um nexo de causalidade com apneia da prematuridade. Dessa forma, o monitoramento domiciliar de rotina para recém-nascidos prematuros com apneia da prematuridade resolvida não é recomendado.

 

Resultados da abordagem padronizada da doença óssea metabólica de prematuridade

Resultados da abordagem padronizada da doença óssea metabólica de prematuridade

Outcomes of standardised approach to metabolic bone disease of prematurity.
Chin LK, Doan J, Teoh YS, Stewart A, Forrest P, Simm PJ.J Paediatr Child Health. 2018 Jan 2. doi: 10.1111/jpc.13813. [Epub ahead of print].PMID: 29292538.Similar articles.

Artigo Apresentado na Residência de Neonatologia do HMIB/SES/DF pelo Dr. Luis Henrique Jorge e Costa (R2 em Pediatria). .Coordenação:Evelyn Mirela.

  • A Doença metabólica ossea (DMO) geralmente ocorre de 6 a 16 semanas após o nascimento e pode ser clinicamente não detectada até ocorrer desmineralização grave.As complicações da DMO incluem aumento do risco de fraturas, comprometimento da função respiratória e miopia da prematuridade.A incidência prévia de fraturas de ossos longos e costelas no recém-nascido pode ocorrer entre 10 e 32%, embora as taxas atuais pareçam substancialmente inferiores. Dados de desfecho de curto prazo sugerem que a DMO é um transtorno autolimitado, com rápida recuperação ocorrendo entre oito e 16 semanas de idade.
Resultado de prematuros com leucomalácia cística periventricular transitória na imagem craniana seriada até a idade a termo equivalente

Resultado de prematuros com leucomalácia cística periventricular transitória na imagem craniana seriada até a idade a termo equivalente

Outcome of Preterm Infants with Transient Cystic Periventricular Leukomalacia on Serial Cranial Imaging Up to Term Equivalent Age.Sarkar S, Shankaran S, Barks J, Do BT, Laptook AR, Das A, Ambalavanan N, Van Meurs KP, Bell EF, Sanchez PJ, Hintz SR, Wyckoff MH, Stoll BJ, Carlo WA; Eunice Kennedy Shriver National Institute of Child Health and Human Development Neonatal Research Network. Pediatr. 2018 Apr;195:59-65.e3.
doi: 10.1016/j.jpeds.2017.12.010. Epub 2018 Feb 2.PMID: 29398046.Similar articles.

Apresentação:Juliana Esper, Breno Borges e Thalita Sá. Coordenação: Paulo R. Margotto. Internato em Neonatologia na Unidade de Neonatologia do HMIB/SES/DF. Faculdade de Medicina da Universidade Católica de Brasília

 

Vamos juntos entender o comportamento das lesões císticas da substância branca cerebral dos pré-termos, que conhecemos como leucomalácia periventricular (LPV). Em termos de neurodesenvolvimento o que ocorre com os cistos que “desaparecem” (now you see, now you don´t-agora você vê, agora você não vê, como se expressa Fisher PG em seu Editorial) ou com os cistos que aparecem mais tarde em relação  com os cistos persistentes? Respostas são dadas no estudo de Sarkar S et al (National Institute of Child Health and Human Development Neonatal Research Network, EUA, 2018):Resultado de prematuros com leucomalácia cística periventricular transitória na imagem  craniana seriada até a idade a termo equivalente. A partir de 7063 RN (22-26sem6dia) que preencheram os critérios, 433 apresentação LPV cística (6,1%), sendo que  em 76 os cistos desapareceram, 87 os cistos persistiram e 270 os cistos apareceram tardiamente (assim, 6630 não apresentaram cistos).O desfecho composto primário de morte tardia ou comprometimento do neurodesenvolvimento foi mais comum em crianças com LPV desaparecida em comparação com lactentes sem LPV (Odds Ratio:2,89, IC 95% 1,82-4,61). Entre todos os lactentes com LPV, a incidência do desfecho primário composto não diferiu entre os lactentes com LPV desaparecida e persistente (P = .74), ou entre os lactentes com LPV desaparecida e os lactentes que apresentavam leucomalácia periventricular detectada apenas na 36ª semana em imagem craniana. Estes resultados persistiram mesmo com a odds ratio ajustada para os Centros. Ment L et al e De Vries et al, citados pelos autores, afirmam que o ultrassom (US) craniano constitui a técnica de neuroimagem de escolha para o screening de rotina para a leucomalácia cística no pré-termo de extremo baixo peso, havendo boa correlação com a neuropatologia e melhor marcador  de prevenção de paralisia cerebral nos pré-termo extremos. O presente estudo mostrou cistos”desaparecidos”, persistentes e tardios foram independentemente associados ao comprometimento do neurodesenvolvimento, reforçando a importância do rastreio sequencial tardio de neuroimagem para o diagnóstico de casos adicionais de LPV.Nos links, trouxemos a discussão da ventriculomegalia que pode traduzir perda de substância branca, afetando negativamente o neurodesenvolvimento (medidas lineares dos ventrículos laterais no US na idade corrigida a termo correlacionam-se com as anormalidades vistas na ressonância magnética). Grandes ventrículos laterais na região parietal na idade de 1 mês associam-se com pior resultado motor aos 2 anos). Trouxemos também o entendimento da hiperecogenicidade periventricular: à luz do neurodesenvolvimento e ressonância magnética, na nossa prática clínica não consideramos a hiperecogenicidade como leucomalácia, diferente de outros autores. Ela pode ser transitória, quando detectada nos primeiros 14 dias de vida (principalmente nos primeiros 6 dias de vida). A persistência depois de 14 dias implica em acompanhamento, pela possibilidade de  detecção de leucomalácia cística. Quando a hiperecogenicidade vem acompanhada  de dilatatação biventricular, a nossa atenção é maior e se estes achados  persistirem na alta do bebê, encaminhamos à Terapia Ocupacional, pois pode traduzir lesão cerebral difusa.

Gerenciamento de bebês extremamente baixo peso ao nascer na Sala de Parto

Gerenciamento de bebês extremamente baixo peso ao nascer na Sala de Parto

Management of Extremely Low Birth Weight Infants in Delivery Room.Nosherwan A, Cheung PY, Schmölzer GM.Clin Perinatol. 2017 Jun;44(2):361-375. doi: 10.1016/j.clp.2017.01.004. Epub 2017 Mar 9. Review.PMID: 28477666.Similar articles.

APRESENTAÇÃO: PATRÍCIA TEODORO DE QUEIROZ

R4 NEONATOLOGIA – HMIB/SES/DF

UNIDADE DE NEONATOLOGIA

COORDENAÇÃO: DIOGO PEDROSO

Prematuros extremos enfrentam grandes desafios no nascimento devido à sua fisiologia imatura levando a transição complicada. As morbidades multifatoriais e a falta de resultados robustos de desenvolvimento neurológico a longo prazo continuam sendo as principais barreiras no estabelecimento de diretrizes claras e bem definidas para a ressuscitação neonatal para essa população vulnerável.

 

LIMITE DE VIABILIDADE NA UNIDADE DE NEONATOLGIA DO HMIB/SES/DF

LIMITE DE VIABILIDADE NA UNIDADE DE NEONATOLGIA DO HMIB/SES/DF

Capítulo do Livro Assistência ao Recém-Nascido de Risco, Hospital de Ensino Materno Infantil de Brasília, 4a Edição, 2018, Em Preparação.

Paulo R. Margotto, Sandra Lins, Marta David Rocha de Moura, Márcia Pimentel, Patrícia Berebe, Martha G. Vieira,  Zilma Eliane Ferreira Alves, Lucila Nagata.

 

A sobrevivência de recém-nascidos prematuros melhorou ao longo das últimas cinco décadas. A idade gestacional em que pelo menos metade das crianças sobrevive diminuiu de 30 a 31 semanas nos anos 60 para 23 a 24 semanas, durante esta década. O aumento da sobrevida destes RN cada vez menores e vulneráveis representa uma enorme melhoria ocorrida no pré-natal e no período perinatal. A estreita colaboração entre a Perinatologia e a Neonatologia e os avanças na compreensão da fisiopatologia fetal e neonatal com ênfase no período transicional teve importante papel.

Um dos desafios fundamentais na Medicina Perinatal  a partir de sua criação é definir o nível de maturidade, abaixo do qual a sobrevivência e/ou aceitável neurodesenvolvimento são extremamente improvável.

Do ponto de vista ético, cada Serviço deve ter o seu limite de viabilidade (cada Serviço tem que conhecer a sua capacidade de manter um RN naquelas condições com qualidade de vida). Eticamente é muito mais importante dar uma vida digna do que simplesmente salvar a vida. Portanto, é importante que se estabeleça limite para cada Serviço.

O estudo realizado na Unidade de Neonatologia do HRAS/HMIB/SES/DF por   de Castro MP, Rugolo LM, Margotto PR (2012), ao   avaliar a proporção de sobrevivência por cada semana de idade gestacional, observou-se que o limite de viabilidade foi de 26 semanas; no entanto, quase metade (45,4%) dos RN com 25 semanas sobreviveram até 28 dias, aumentando para 91% nos recém-nascidos de 31 semanas

Segundo Marba STM, Souza JL, Calda JPS (2014), a Rede Brasileira de Pesquisas Neonatais  entre 2008-2012, envolvendo 6628 crianças, 16 unidades universitárias brasileiras de nível terciário mostrou que a sobrevivência nos RN com idade gestacional  <24 semanas foi em média de 5,9%.

Comparação da taxa calórica e proteica ingerida por recém–nascidos de muito baixo peso que recebem leite materno ordenhado x Leite humano do Banco de Leite quando a composição nutricional é medida por um analisador de leite

Comparação da taxa calórica e proteica ingerida por recém–nascidos de muito baixo peso que recebem leite materno ordenhado x Leite humano do Banco de Leite quando a composição nutricional é medida por um analisador de leite

Comparison of Calorie and Protein Intake of Very Low Birth Weight Infants Receiving Mother’s Own Milk or Donor Milk When the Nutrient Composition of Human Milk Is Measured With a Breast Milk Analyzer.Newkirk M, Shakeel F, Parimi P, Rothpletz-Puglia P, Patusco R, Marcus AF, Brody R.Nutr Clin Pract. 2018 Mar 30. doi: 10.1002/ncp.10060. [Epub ahead of print]PMID: 29603403.Similar articles.

Apresentação:Lara Ramos Pereira – R4 Neonatologia / HMIB/SES/DF

Coordenação: Carlos Alberto Zaconeta