Autor: Paulo Margotto

Este site tem por objetivo a divulgação do que há mais de novo na Medicina Neonatal através de Artigos (Resumidos, Apresentados, Discutidos e Originais), Monografias das Residências Médicas, principalmente do Hospital Materno Infantil de Brasília (HMIB/SES/DF), Apresentações de Congresso e Simpósios (aulas liberadas para divulgação, aulas reproduzidas). Também estamos disponibilizando dois livros da nossa autoria (Assistência ao Recém-Nascido de Risco, 3a Edição, 2013 e Neurossonografia Neonatal, 2013) em forma de links que podem ser baixados para os diferentes Smartphone de forma inteiramente gratuita. A nossa página está disponível para você também que tenha interesse em compartilhar com todos nós os seus conhecimentos. Basta nos enviar que após análise, disponibilizaremos. O nome NEONATOLOGIA EM AÇÃO nasceu de uma idéia que talvez venha se concretizar num futuro não distante de lançarmos um pequeno livro (ou mesmo um aplicativo chamado Neonatologia em Ação) para rápida consulta à beira do leito. No momento estamos arduamente trabalhando com uma excelente Equipe na elaboração da 4a Edição do livro Assistência ao Recém-Nascido de Risco, que conterá em torno de mais 100 capítulos, abordando diferentes temas do dia a dia da Neonatologia Intensiva, com lançamento a partir do segundo semestre de 2018. O site também contempla fotos dos nossos momentos na Unidade (Staffs, Residentes, Internos). Todo esforço está sendo realizado para que transportemos para esta nova página os 6000 artigos do domínio www.paulomargotto.com.br, aqui publicados ao longo de 13 anos.Todas as publicações da página são na língua portuguesa. Quando completamos 30 anos do nosso Boletim Informativo Pediátrico com Enfoque Perinatal (1981- 2011), o berço do livro Assistência ao Recém-Nascido de Risco, escrevemos e que resumo todo este empenho no engrandecimento da Neonatologia brasileira: nestes 30 anos, com certeza, foram várias as razões que nos impulsionam seguir adiante, na conquista do ideal de ser sempre útil, uma doação constante, na esperança do desabrochar de uma vida sadia, que começa em nossas mãos. Este mágico momento não pode admitir erro, sob o risco de uma cicatriz perene. É certamente emocionante fazer parte desta peça há tantos anos! "Não importa o quanto fazemos, mas quanto amor colocamos naquilo que fazemos"
AUDIO POR IA (EDUARDO BANCALARI, EUA):CONSEQUÊNCIAS A LONGO PRAZO DA DISPLASIA BRONCOPULMONAR (DBP).

AUDIO POR IA (EDUARDO BANCALARI, EUA):CONSEQUÊNCIAS A LONGO PRAZO DA DISPLASIA BRONCOPULMONAR (DBP).

Eduardo Bancalari (EUA): 27º Congresso de Perinatologia, Rio de Janeiro, 19-22 de novembro de 2025.

Realizado por Paulo R. Margotto.

A displasia broncopulmonar (DBP), descrita originalmente em 1967, passou de uma doença de fibrose e enfisema (“antiga DBP”) para uma patologia de interrupção do desenvolvimento pulmonar (“nova DBP”). A marca atual da doença é a diminuição da alveolarização, resultando em menor superfície para trocas gasosas. Nos últimos 40 anos, a sobrevida de bebês com peso extremamente baixo (< 1.000g) aumentou significativamente devido a avanços como o uso de surfactante e ventilação menos invasiva. A incidência da DBP é inversamente proporcional à idade gestacional: cerca de 88% em bebês de 22 semanas e menos de 10% naqueles com 28 semanas. O pulmão imaturo sofre danos por excesso de distensão (volutrauma), toxicidade do oxigênio e inflamação/infecção. A maioria dos pacientes apresenta o fenótipo (vias aéreas estreitas e poucos alvéolos), o que gera obstrução fixa e redução da capacidade de difusão (DLCO). Quase todos os ex-prematuros que continuam com chiado, falta de ar ou internações após a alta têm simultaneamente dois problemas irreversíveis: vias aéreas periféricas estreitas e menos alvéolos formados. Esse padrão é hoje considerado a assinatura fisiológica da DBP moderna (“nova”). É por isso que muitos desses bebês não melhoram 100% só com bombinha e corticoide inalatório — o defeito é estrutural, não apenas inflamatório.Antes da alta, bebês com DBP já apresentam volume pulmonar reduzido (CRF ↓ em ~35%) e alta resistência das vias aéreas.Pacientes com DBP nunca atingem o potencial pulmonar máximo. Aos 20 anos, o volume expiratório (VEF₁) pode ser de apenas 50-60% do previsto. O declínio natural da função pulmonar, que começa aos 25 anos, é muito mais rápido nesses indivíduos, podendo levar à insuficiência respiratória na meia-idade. Episódios de hipoxemia na UTI podem “cegar” os sensores de oxigênio (corpos carotídeos), aumentando o risco de apneias tardias e morte súbita. Aos 8 anos, crianças que tiveram DBP apresentam piores resultados em coordenação motora, memória de trabalho e QI. Adultos nascidos prematuros têm maior risco de morte precoce por causas como diabetes e doenças cardiovasculares. Embora a incidência total de DBP seja estável devido à maior sobrevida de bebês extremamente imaturos, a incidência de DBP grave diminuiu drasticamente. Estudos recentes (2025) sugerem que o uso prolongado de CPAP por duas semanas adicionais pode estimular a formação de novos alvéolos e melhorar a função pulmonar a longo prazo. “O pulmão com DBP é como uma biblioteca que foi inaugurada com apenas metade das estantes e corredores muito estreitos. Embora ela funcione, ela nunca terá a mesma capacidade de armazenamento que uma biblioteca completa e ficará superlotada e obsoleta muito mais rápido com o passar do tempo”.

 

EDUARDO BANCALARI: CONSEQUÊNCIAS A LONGO PRAZO DA DISPLASIA BRONCOPULMONAR (DBP)

EDUARDO BANCALARI: CONSEQUÊNCIAS A LONGO PRAZO DA DISPLASIA BRONCOPULMONAR (DBP)

Eduardo  Bancalari. 27º Congresso de Perinatologia, Rio de Janeiro, 19-22 de novembro de 2025.

Realizado por Paulo R. Margotto.

A displasia broncopulmonar (DBP), descrita originalmente em 1967, passou de uma doença de fibrose e enfisema (“antiga DBP”) para uma patologia de interrupção do desenvolvimento pulmonar (“nova DBP”). A marca atual da doença é a diminuição da alveolarização, resultando em menor superfície para trocas gasosas. Nos últimos 40 anos, a sobrevida de bebês com peso extremamente baixo (< 1.000g) aumentou significativamente devido a avanços como o uso de surfactante e ventilação menos invasiva. A incidência da DBP é inversamente proporcional à idade gestacional: cerca de 88% em bebês de 22 semanas e menos de 10% naqueles com 28 semanas. O pulmão imaturo sofre danos por excesso de distensão (volutrauma), toxicidade do oxigênio e inflamação/infecção. A maioria dos pacientes apresenta o fenótipo (vias aéreas estreitas e poucos alvéolos), o que gera obstrução fixa e redução da capacidade de difusão (DLCO). Quase todos os ex-prematuros que continuam com chiado, falta de ar ou internações após a alta têm simultaneamente dois problemas irreversíveis: vias aéreas periféricas estreitas e menos alvéolos formados. Esse padrão é hoje considerado a assinatura fisiológica da DBP moderna (“nova”). É por isso que muitos desses bebês não melhoram 100% só com bombinha e corticoide inalatório — o defeito é estrutural, não apenas inflamatório.Antes da alta, bebês com DBP já apresentam volume pulmonar reduzido (CRF ↓ em ~35%) e alta resistência das vias aéreas.Pacientes com DBP nunca atingem o potencial pulmonar máximo. Aos 20 anos, o volume expiratório (VEF₁) pode ser de apenas 50-60% do previsto. O declínio natural da função pulmonar, que começa aos 25 anos, é muito mais rápido nesses indivíduos, podendo levar à insuficiência respiratória na meia-idade. Episódios de hipoxemia na UTI podem “cegar” os sensores de oxigênio (corpos carotídeos), aumentando o risco de apneias tardias e morte súbita. Aos 8 anos, crianças que tiveram DBP apresentam piores resultados em coordenação motora, memória de trabalho e QI. Adultos nascidos prematuros têm maior risco de morte precoce por causas como diabetes e doenças cardiovasculares. Embora a incidência total de DBP seja estável devido à maior sobrevida de bebês extremamente imaturos, a incidência de DBP grave diminuiu drasticamente. Estudos recentes (2025) sugerem que o uso prolongado de CPAP por duas semanas adicionais pode estimular a formação de novos alvéolos e melhorar a função pulmonar a longo prazo. “O pulmão com DBP é como uma biblioteca que foi inaugurada com apenas metade das estantes e corredores muito estreitos. Embora ela funcione, ela nunca terá a mesma capacidade de armazenamento que uma biblioteca completa e ficará superlotada e obsoleta muito mais rápido com o passar do tempo”.

 

 

AUDIO POR IA (EDUARDO BANCALARI, EUA): INSTABILIDADE RESPIRATÓRIA E EPISÓDIOS DE HIPOXIA EM PRE-TERMO

AUDIO POR IA (EDUARDO BANCALARI, EUA): INSTABILIDADE RESPIRATÓRIA E EPISÓDIOS DE HIPOXIA EM PRE-TERMO

Eduardo Bancalari (EUA). 27º Congresso de Perinatologia, Rio de Janeiro, 19-22 de novembro de 2025.

Realizado por Paulo R. Margotto.

Esta Palestra apresenta uma revisão abrangente sobre a instabilidade respiratória e episódios de hipoxemia intermitente em bebês prematuros extremos, desafiando a visão tradicional de que essas quedas de oxigenação resultam apenas de apneias centrais.

O texto revela que a maioria desses eventos decorrem de respostas comportamentais a estímulos e exalações ativas, como o gemido expiratório, que provocam a perda de volume pulmonar e o fechamento das vias aéreas. A análise destaca que a carga total de hipoxemia, e não apenas a duração de eventos isolados, é um fator determinante para complicações graves, incluindo a retinopatia da prematuridade, hemorragias intracranianas e atrasos no neurodesenvolvimento. Para mitigar esses riscos, o material recomenda estratégias práticas como o posicionamento em prono, o uso de ventilação com volume garantido, a manutenção da cafeína até idades gestacionais mais avançadas e o ajuste de alvos de saturação mais elevados para garantir a estabilidade clínica. Os episódios de hipoxemia intermitente são ubíquos e não devem ser subestimados. A maioria é uma resposta comportamental ao desconforto. Medidas simples como melhorar o conforto, ajustar o posicionamento, manter alvos de saturação mais altos e prolongar o uso de CPAP e cafeína podem melhorar significativamente o prognóstico neurológico e pulmonar desses bebêsPor fim, ressalta-se a importância de tecnologias de controle automático de oxigênio e de uma proporção adequada entre enfermeiros e pacientes para evitar flutuações perigosas nos níveis de oxigênio dos recém-nascidos.

EDUARDO BANCALARI (EUA):INSTABILIDADE RESPIRATÓRIA E EPISÓDIOS DE HIPOXIA EM PRE-TERMO

EDUARDO BANCALARI (EUA):INSTABILIDADE RESPIRATÓRIA E EPISÓDIOS DE HIPOXIA EM PRE-TERMO

Eduardo Bancalari (EUA):  27º Congresso de Perinatologia, Rio de Janeiro, 19-22 de novembro de 2025

Realizado por Paulo R. Margotto.

Esta Palestra apresenta uma revisão abrangente sobre a instabilidade respiratória e episódios de hipoxemia intermitente em bebês prematuros extremos, desafiando a visão tradicional de que essas quedas de oxigenação resultam apenas de apneias centrais

O texto revela que a maioria desses eventos decorrem de respostas comportamentais a estímulos e exalações ativas, como o gemido expiratório, que provocam a perda de volume pulmonar e o fechamento das vias aéreas. A análise destaca que a carga total de hipoxemia, e não apenas a duração de eventos isolados, é um fator determinante para complicações graves, incluindo a retinopatia da prematuridade, hemorragias intracranianas e atrasos no neurodesenvolvimento. Para mitigar esses riscos, o material recomenda estratégias práticas como o posicionamento em prono, o uso de ventilação com volume garantido, a manutenção da cafeína até idades gestacionais mais avançadas e o ajuste de alvos de saturação mais elevados para garantir a estabilidade clínica. Os episódios de hipoxemia intermitente são ubíquos e não devem ser subestimados. A maioria é uma resposta comportamental ao desconforto. Medidas simples como melhorar o conforto, ajustar o posicionamento, manter alvos de saturação mais altos e prolongar o uso de CPAP e cafeína podem melhorar significativamente o prognóstico neurológico e pulmonar desses bebês. Por fim, ressalta-se a importância de tecnologias de controle automático de oxigênio e de uma proporção adequada entre enfermeiros e pacientes para evitar flutuações perigosas nos níveis de oxigênio dos recém-nascidos.

ENTEROCOLITE NECROSANTE (ECN): DA EVIDÊNCIA CIENTÍFICA À PRÁTICA CLÍNICA

ENTEROCOLITE NECROSANTE (ECN): DA EVIDÊNCIA CIENTÍFICA À PRÁTICA CLÍNICA

Palestra realizada por Roger Soll (EUA)  no 27º Congresso de Perinatologia, Rio de Janeiro, 19-22/11/2025.

Realizado por Paulo R. Margotto.

A enterocolite necrosante permanece uma das complicações mais graves em recém-nascidos prematuros de muito baixo peso (VLBW), com incidência atual de ~5–6% (queda de ~10% nos anos 2000) e mortalidade de 10–50%, especialmente alta na forma cirúrgica (~35–45%). Sobreviventes apresentam sequelas neurodesenvolvimentais graves, reinternações e cirurgias pós-alta. A patogênese é multifatorial: disbiose intestinal, isquemia/reperfusão e imaturidade da mucosa.Prevenção baseada em evidências Cochrane (até 2024–2025): Estratégias de alimentação (início precoce/tardio, aumento lento/rápido, nutrição trófica) não alteram o risco de ECN ou mortalidade; Leite humano doado reduz o risco de ECN em ~47% (RR 0,53; NNT ≈ 33) sem impacto significativo na mortalidade ou sepse tardia; Probióticos (principalmente combinações Lactobacillus + Bifidobacterium) diminuem ECN em ~46–54%, mortalidade em ~23–32% e sepse tardia levemente, com risco de sepse pelo probiótico <0,1% em produtos de qualidade; Transfusões de hemácias mostram associação temporal, mas ensaios randomizados não confirmam causalidade; Iniciativas de melhoria da qualidade (aumento de leite materno/doado, protocolos padronizados de alimentação/transfusão, stewardship de antibióticos e probióticos em alguns Centros) reduziram a incidência de ECN para <2% em várias UTIs. Portanto,  Leite humano doado é a intervenção mais consensual e segura. Probióticos mostram benefício robusto, mas sua adoção depende de produto regulamentado e contexto local. Há um grande estudo que está sendo realizado agora  que está avaliando com um produto  investigacional específico que será comercializado COMO FÁRMACO o primeiro para neonatos (produto: Lactobacillus reuteri). Na decisão do uso de probióticos é importante que você conheça a sua incidência de ECN e assim você pode calcular o número necessário para tratamento para evitar 1 caso de ECN-há uma tabela interessante Para esse cálculo (se a sua Unidade tem uma incidência de 1%  ou 2%, talvez você tenha que dar probióticos  para 172 a 2940 bebês para prevenir um caso!!!).  E esse é o julgamento se vale apenas  os custos, esforços e  riscos potenciais.

AUDIO POR IA:Enterocolite Necrosante(ECN): da evidência científica à prática clínica

AUDIO POR IA:Enterocolite Necrosante(ECN): da evidência científica à prática clínica

Palestra realizada por Roger Soll (EUA)  no 27º Congresso de Perinatologia, Rio de Janeiro, 19-22/11/2025.

Realizado por Paulo R. Margotto

 

A enterocolite necrosante permanece uma das complicações mais graves em recém-nascidos prematuros de muito baixo peso (VLBW), com incidência atual de ~5–6% (queda de ~10% nos anos 2000) e mortalidade de 10–50%, especialmente alta na forma cirúrgica (~35–45%). Sobreviventes apresentam sequelas neurodesenvolvimentais graves, reinternações e cirurgias pós-alta. A patogênese é multifatorial: disbiose intestinal, isquemia/reperfusão e imaturidade da mucosa.Prevenção baseada em evidências Cochrane (até 2024–2025): Estratégias de alimentação (início precoce/tardio, aumento lento/rápido, nutrição trófica) não alteram o risco de ECN ou mortalidade; Leite humano doado reduz o risco de ECN em ~47% (RR 0,53; NNT ≈ 33) sem impacto significativo na mortalidade ou sepse tardia; Probióticos (principalmente combinações Lactobacillus + Bifidobacterium) diminuem ECN em ~46–54%, mortalidade em ~23–32% e sepse tardia levemente, com risco de sepse pelo probiótico <0,1% em produtos de qualidade; Transfusões de hemácias mostram associação temporal, mas ensaios randomizados não confirmam causalidade; Iniciativas de melhoria da qualidade (aumento de leite materno/doado, protocolos padronizados de alimentação/transfusão, stewardship de antibióticos e probióticos em alguns Centros) reduziram a incidência de ECN para <2% em várias UTIs. Portanto,  Leite humano doado é a intervenção mais consensual e segura. Probióticos mostram benefício robusto, mas sua adoção depende de produto regulamentado e contexto local. Há um grande estudo que está sendo realizado agora  que está avaliando com um produto  investigacional específico que será comercializado COMO FÁRMACO o primeiro para neonatos (produto: Lactobacillus reuteri). Na decisão do uso de probióticos é importante que você conheça a sua incidência de ECN e assim você pode calcular o número necessário para tratamento para evitar 1 caso de ECN-há uma tabela interessante Para esse cálculo (se a sua Unidade tem uma incidência de 1%  ou 2%, talvez você tenha que dar probióticos  para 172 a 2940 bebês para prevenir um caso!!!).  E esse é o julgamento se vale apenas  os custos, esforços e  riscos potenciais.

UTI PEDIÁTRICA: Eficácia do oxigênio nasal de alto fluxo durante a apneia na hipoxemia e no sucesso da intubação em Serviços de Emergência Pediátrica e UTI: um ensaio clínico randomizado, controlado e aberto

UTI PEDIÁTRICA: Eficácia do oxigênio nasal de alto fluxo durante a apneia na hipoxemia e no sucesso da intubação em Serviços de Emergência Pediátrica e UTI: um ensaio clínico randomizado, controlado e aberto

Effectiveness of nasal highflow oxygen during apnoea on hypoxaemia and intubation success in paediatric emergency and ICU settings: a randomised, controlled, open-label trial.George S, Williams T, Humphreys S et al. Paediatric Research in Emergency Departments International Collaborative research networks and the Australian and New Zealand Intensive Care Society Paediatric Study Group.Lancet Respir Med. 2025 Jun;13(6):545-555. doi: 10.1016/S2213-2600(25)00074-8. Epub 2025 Mar 21.PMID: 40127666 Clinical Trial. Apresentação: Silvia Carolina Bialeski de Souza Médica Residente da UTI Neonatal do Hospital Materno Infantil de Brasilia (HMIB). Coordenação: Alexandre Serafim.

Realizado por Paulo R. Margotto.

(Nos complementos, os impactos, na Neonatologia,  da cânula de alto fluxo na displasia broncopulmonar e retinopatia da prematuridade)

 

Este estudo é um ensaio clínico randomizado controlado e aberto realizado em 10 hospitais na Austrália, Nova Zelândia e Suíça. Ele investigou o uso de oxigênio nasal de alto fluxo (NHF) durante a apneia em intubações endotraqueais de emergência em crianças menores de 16 anos em departamentos de emergência e UTIs pediátricas. Na análise de intenção de tratar modificada (950 intubações), o NHF não reduziu significativamente os eventos hipoxêmicos (12,8% vs. 16,2%; OR ajustado 0,74; p=0,15) nem aumentou o sucesso na primeira tentativa (63% vs. 59,1%; OR ajustado 1,13; p=0,43). Na análise por protocolo (905 intubações), houve redução na hipoxemia (10,8% vs. 16,7%; OR ajustado 0,59; p=0,017), mas sem diferença no sucesso da intubação. Assim, o NHF não melhorou os desfechos no mundo real, mas sugere benefícios em condições ideais. Mais pesquisas são necessárias para entender barreiras e fatores etários.   

 

Hemodinâmica em lactentes com Encefalopatia Hipóxico-Isquêmica: fisiopatologia (EHI) e Além.

Hemodinâmica em lactentes com Encefalopatia Hipóxico-Isquêmica: fisiopatologia (EHI) e Além.

Hemodynamics in infants with hypoxemic ischemic encephalopathy: pathophysiology and beyond. Surak A, Schmölzer GM, McNamara PJ, Ting JY, Alshareef M, Mohammad K.J Perinatol. 2025 Dec 1. doi: 10.1038/s41372-025-02516-6. Online ahead of print.PMID: 41326752 Review.

No anexo: SUPORTE CARDIOVASCULAR EM RECÉM-NASCIDOS COM ENCEFALOPATIA HIPÓXICO-ISQUÊMICA (EHI). Shahab Noori (EUA), 27º Congresso de Perinatologia, Rio de Janeiro, 19-22/11/2025.

Realizado por Paulo R. Margotto.

 

A ENCEFALOPATIA hIPÓXICO-ISQUÊMICA (EHI) é uma complicação grave da asfixia perinatal que frequentemente compromete a hemodinâmica neonatal. A fisiopatologia envolve redistribuição do fluxo sanguíneo fetal (reflexo de mergulho), lesão miocárdica, disfunção ventricular (especialmente do ventrículo direito), hipertensão pulmonar persistente e interrupção da autorregulação cerebral, levando a risco aumentado de hiperperfusão/reperfusão cerebral e lesão secundária. A hipotermia terapêutica (HT), padrão ouro no tratamento, reduz a demanda metabólica cerebral, mas pode aumentar a resistência vascular pulmonar, causar bradicardia e alterar o débito cardíaco. Durante o reaquecimento, observa-se aumento do débito cardíaco e vasodilatação sistêmica. O manejo hemodinâmico atual é heterogêneo e frequentemente baseado em parâmetros clínicos pouco confiáveis (pressão arterial, lactato, tempo de enchimento capilar). Estudos mostram que disfunção do ventrículo direito (TAPSE <6 mm, RVFAC <29%) e hiperperfusão cerebral (baixo índice resistivo, elevado fluxo veia cava superior, rSO₂ elevada na NIRS) estão fortemente associados a piores desfechos neurológicos e maior mortalidade.Recomenda-se abordagem individualizada guiada por ecocardiografia neonatal funcional, NIRS e neuromonitoramento multimodal, identificando o fenótipo hemodinâmico predominante (disfunção miocárdica, hipertensão pulmonar, vasodilatação, hipovolemia). Agentes como dopamina e milrinona devem ser usados com cautela, pois podem agravar lesão por reperfusão ou causar hipotensão. Hidrocortisona pode ser útil em hipotensão resistente. Assim, uma avaliação hemodinâmica precoce, objetiva e multiparamétrica é essencial para otimizar o suporte cardiovascular, minimizar lesões iatrogênicas e potencialmente melhorar os desfechos neurodesenvolvimentais em neonatos com EHI.

 

Ventilação nasal com pressão positiva intermitente (VN1) em neonatos com displasia broncopulmonar (DBP) de Grau 3

Ventilação nasal com pressão positiva intermitente (VN1) em neonatos com displasia broncopulmonar (DBP) de Grau 3

Nasal intermittent positive pressure ventilation in neonates with grade 3 bronchopulmonary dysplasiaWeems MF, Lamba V, Chilakala S, Murdock LB, Rana D, Sakaria R, Zaveri P, Ramanathan R; Le Bonheur NICU Center for Lung Development.J Perinatol. 2025 Nov 17. doi: 10.1038/s41372-025-02472-1. Online ahead of print.PMID: 4124959.

Realizado por Paulo R. Margotto.

Trata-se de um estudo  retrospectivo de coorte única (2020–2024) que avaliou 45 prematuros extremos com displasia broncopulmonar (DBP) grau 3 (intubados ≥36 semanas PMA) extubados para VNI via cânula RAM® como ponte entre ventilação invasiva crônica e CPAP nasal.VNI com pressões mais elevadas (PIP inicial mediana 30 cmH₂O (IQR 25–39),   PEEP inicial 12 cmH₂O (IQR 9–13), Frequência 30–50 rpm (mediana 35) e Tempo inspiratório 0,5–0,6 s,  Desmame progressivo da PIP antes de reduzir frequência e PEEP) permitiu extubação bem-sucedida e alta sem traqueostomia em mais de 60% dos casos, reduzindo significativamente o tempo de internação. A detecção precoce de ESTENOSE SUBGLÓTICA é essencial para melhor seleção de pacientes. Estudos prospectivos são necessários para confirmar a eficácia e refinar a estratégia . Esse estudo mostrou que existe um subgrupo de pacientes com DBP grau 3 que podem ser tratados com sucesso com VNI e desmamados para suporte ventilatório mínimo até a alta hospitalar, em vez de prosseguir com a traqueostomia.

Conduta expectante versus medicação para persistência do canal arterial (PCA) em bebês prematuros.

Conduta expectante versus medicação para persistência do canal arterial (PCA) em bebês prematuros.

Expectant Management vs Medication for Patent Ductus Arteriosus in Preterm Infants: The PDA Randomized Clinical Trial.Laughon MM, Thomas SM, Watterberg KL, Kennedy KA et alJAMA. 2025 Dec 9:e2523330. doi: 10.1001/jama.2025.23330. Online ahead of print.PMID: 41364689.

Realizado por Paulo R. Margotto.

Estudo clínico multicêntrico recente (dezembro de 2025) avaliou se a conduta expectante (observação) seria superior ao tratamento ativo (medicamentos como paracetamol, ibuprofeno ou indometacina) em bebês extremamente prematuros (22 semanas e 0 dias e 28 semanas e 6 dias com PCA hemodinamicamente significativa), Os principais achados indicam que não houve diferença significativa na incidência combinada de morte ou displasia broncopulmonar (DBP) entre os dois grupos,. Entretanto, os dados revelaram que a sobrevida foi significativamente maior no grupo de conduta expectante, que apresentou uma taxa de óbito de 4,1% contra 9,6% no grupo tratado ativamente. Devido a essa preocupação com a segurança e à falta de benefícios comprovados (futilidade), o ensaio foi interrompido precocemente ( PARA CADA 20 BEBÊS TRATADOS, UM VAI Á ÓBITO!) As fontes destacam ainda que o tratamento ativo foi associado a um risco maior de infecções que resultaram em óbito (3,8% vs. 0,8%). Em suma, as evidências sugerem que a abordagem de “esperar para ver” é mais segura, pois o fechamento farmacológico imediato não melhora os resultados clínicos e pode aumentar a mortalidade.