Autor: Paulo Margotto

Este site tem por objetivo a divulgação do que há mais de novo na Medicina Neonatal através de Artigos (Resumidos, Apresentados, Discutidos e Originais), Monografias das Residências Médicas, principalmente do Hospital Materno Infantil de Brasília (HMIB/SES/DF), Apresentações de Congresso e Simpósios (aulas liberadas para divulgação, aulas reproduzidas). Também estamos disponibilizando dois livros da nossa autoria (Assistência ao Recém-Nascido de Risco, 3a Edição, 2013 e Neurossonografia Neonatal, 2013) em forma de links que podem ser baixados para os diferentes Smartphone de forma inteiramente gratuita. A nossa página está disponível para você também que tenha interesse em compartilhar com todos nós os seus conhecimentos. Basta nos enviar que após análise, disponibilizaremos. O nome NEONATOLOGIA EM AÇÃO nasceu de uma idéia que talvez venha se concretizar num futuro não distante de lançarmos um pequeno livro (ou mesmo um aplicativo chamado Neonatologia em Ação) para rápida consulta à beira do leito. No momento estamos arduamente trabalhando com uma excelente Equipe na elaboração da 4a Edição do livro Assistência ao Recém-Nascido de Risco, que conterá em torno de mais 100 capítulos, abordando diferentes temas do dia a dia da Neonatologia Intensiva, com lançamento a partir do segundo semestre de 2018. O site também contempla fotos dos nossos momentos na Unidade (Staffs, Residentes, Internos). Todo esforço está sendo realizado para que transportemos para esta nova página os 6000 artigos do domínio www.paulomargotto.com.br, aqui publicados ao longo de 13 anos.Todas as publicações da página são na língua portuguesa. Quando completamos 30 anos do nosso Boletim Informativo Pediátrico com Enfoque Perinatal (1981- 2011), o berço do livro Assistência ao Recém-Nascido de Risco, escrevemos e que resumo todo este empenho no engrandecimento da Neonatologia brasileira: nestes 30 anos, com certeza, foram várias as razões que nos impulsionam seguir adiante, na conquista do ideal de ser sempre útil, uma doação constante, na esperança do desabrochar de uma vida sadia, que começa em nossas mãos. Este mágico momento não pode admitir erro, sob o risco de uma cicatriz perene. É certamente emocionante fazer parte desta peça há tantos anos! "Não importa o quanto fazemos, mas quanto amor colocamos naquilo que fazemos"
Atresia esofágica e fístula traqueoesofágica: diagnóstico, manejo e resultados

Atresia esofágica e fístula traqueoesofágica: diagnóstico, manejo e resultados

Esophageal Atresia and Tracheoesophageal FistulaDiagnosisManagement, and Outcomes.Kempker T, Peuterbaugh J.Neoreviews. 2025 May 1;26(5):e307-e315. doi: 10.1542/neo.26-5-012.PMID: 40306677 Review.

Realizado por Paulo R. Margotto

A atresia esofágica (AE) com ou sem fístula traqueoesofágica (FTE) é uma malformação congênita rara (1/2.500–4.000 nascimentos), caracterizada por descontinuidade esofágica, frequentemente associada a síndromes como VACTERL (30–85% dos casos). Classificação de Gross: Tipo C é o mais comum (proximal em fundo cego + FTE distal). Manejo pré-operatório: rastreio de anomalias associadas (ecocardiograma, USG renal, RX esquelética, avaliação genética); nada por via oral, cabeceira elevada 30–40°, aspiração contínua (Replogle/Salem Sump), estímulo oral precoce, suporte nutricional e parental. Cirurgia (as correções de atresia de esôfago realizadas nas primeiras 24 horas após o nascimento eram um forte preditor de alta mortalidade, independentemente de outras variáveis, incluindo o peso ao nascer): anastomose primária em tipos curtos; para long-gap (≥3 vértebras): gastrostomia inicial, medição de gap após 2 semanas, reparo tardio (2–9 meses) ou alongamento (Foker); se impossível: transposição gástrica/intestinal. Deformidades musculoesqueléticas torácicas desenvolveram-se com mais frequência em pacientes submetidos a toracotomia do que naqueles submetidos à cirurgia toracoscópica (34,1% vs 1,5%, respectivamente). Complicações pós-operatórias: vazamento anastomótico (10–20%), estenose (30–50%), refluxo gastroesofágico (50–70%), traqueomalácia (10–20%), dismotilidade esofágica crônica.Resultados: mortalidade <10% em Centros especializados (preditores: peso <2.000g, prematuridade, defeitos cardíacos graves); sobrevida a longo prazo: morbidades respiratórias, nutricionais e neurodesenvolvimentais; seguimento multidisciplinar é essencial.

Azitromicina para prevenção de displasia broncopulmonar e outros desfechos adversos neonatais em bebês prematuros: uma revisão sistemática atualizada e metanálise

Azitromicina para prevenção de displasia broncopulmonar e outros desfechos adversos neonatais em bebês prematuros: uma revisão sistemática atualizada e metanálise

Azithromycin for Prevention of Bronchopulmonary Dysplasia and Other Neonatal Adverse Outcomes in Preterm Infants: An Updated Systematic Review and Meta-Analysis. Joseph M, Murali Krishna M, Karlinksi Vizentin V, Provinciatto H, Ezenna C.Neonatology. 2025 Aug 12:1-10. doi: 10.1159/000547537. Online ahead of print.PMID: 40795809. Estados Unidos.

Realizado por Paulo R. Margotto.

A Displasia Broncopulmonar (DBP) é uma causa de morbidade grave em bebês prematuros, e a azitromicina foi estudada devido às suas propriedades antimicrobianas e anti-inflamatórias.Uma metanálise atualizada de Ensaios Clínicos Randomizados (ECRs), incluindo 1.360 recém-nascidos prematuros, concluiu que:  a azitromicina não alterou significativamente o risco do composto de DBP ou morte; o risco de DBP isolada, morte, enterocolite necrosante (NEC), hemorragia intraventricular (HIV), retinopatia da prematuridade (RoP), duração da ventilação mecânica e necessidade de corticosteroide pós-natal foram semelhantes entre o grupo azitromicina e o grupo placebo. Os autores concluem que  em recém-nascidos prematuros, a azitromicina não demonstrou valor na prevenção de desfechos clínicos adversos em comparação ao placebo.A melhor estratégia para reduzir a incidência de DBP é evitar ou diminuir a duração da ventilação invasiva e gerenciar fatores como a administração de cafeína (primeira droga a ser usada) e o controle rigoroso de fluidos.

Impacto da patologia placentária no risco de displasia broncopulmonar em bebês prematuros: o papel da idade gestacional e do sexo.

Impacto da patologia placentária no risco de displasia broncopulmonar em bebês prematuros: o papel da idade gestacional e do sexo.

Impact of placental pathology on the risk of bronchopulmonary dysplasia in preterm infants: The role of gestational age and sex.Ramos-Navarro C, Gregorio-Hernández R, Pérez-Pérez A, Rodríguez-Corrales E, Vigil-Vázquez S, Arriaga-Redondo M, Merino-Hernández A, Sánchez-Luna M.Eur J Pediatr. 2025 Feb 26;184(3):211. doi: 10.1007/s00431-025-06016-9.PMID: 40009187. Itália.

Realizado por Paulo R. Margotto.

Esse artigo foca no impacto da patologia placentária (má perfusão vascular e inflamação) no risco de Displasia Broncopulmonar (DBP)  de grau 2-3 em 1128 recém-nascidos prematuros (< 32 semanas de gestação0, destacando a influência da idade gestacional (IG) e do sexo. As patologias placentárias foram classificadas em inflamatória, má perfusão vascular ou ausência de patologia.  Os resultados demonstram que o impacto da patologia placentária é influenciado pela idade gestacional (IG) e pelo sexo: a patologia placentária foi fortemente associada a uma menor idade gestacional ao nascimento (em média, 1,4 semanas a menos). Embora aumente a mortalidade ao desencadear o parto extremamente prematuro, a inflamação placentária, por si só, não aumenta a morbidade respiratória (DBP) quando comparada a bebês com IG semelhante. A má perfusão vascular apresentou dimorfismo sexual nos bebês nascidos com 27 semanas de IG ou mais: Meninos: a má perfusão placentária conferiu um risco 2,25 vezes maior de desenvolver DBP. Esse efeito é crucialmente independente da idade gestacional e da exposição à ventilação mecânica (VM). á as meninas não apresentaram diferenças significativas no risco de DBP nessa faixa etária gestacional.Assim, A má perfusão placentária afeta o desenvolvimento pulmonar de forma específica ao sexo, indicando que agressões pré-natais influenciam a fisiopatologia da DBP de maneira diferenciada, especialmente nos MENINOS, Solicite SOLICITE HISTOLOGIA DA PLACENTA E PESO NOS PREMATUROS! Pode inclusive prever o desenvolvimento de Retinopatia da prematuridade (nos complementos);

Perfuração intestinal espontânea (PIE) em bebês extremamente prematuros expostos à hidrocortisona em baixas doses precocemente

Perfuração intestinal espontânea (PIE) em bebês extremamente prematuros expostos à hidrocortisona em baixas doses precocemente

Spontaneous Intestinal Perforation in Extremely Premature Infants Exposed to Early Low-Dose Hydrocortisone. Cambonie G, Jouffrey A, Tessier B, Combes C, Polito A, Gavotto A.Acta Paediatr. 2025 Nov;114(11):2856-2863. doi: 10.1111/apa.70175. Epub 2025 Jun 11.PMID: 40497674. França.

Realizado por Paulo R. Margotto.

.A PIE é uma condição abdominal grave que afeta primariamente bebês extremamente prematuros (IG < 28 semanas e/ou peso < 1000g). A PIE é associada a um alto risco de mortalidade e comprometimento neurodesenvolvimento. Um estudo observacional avaliou a incidência de PIE em relação à administração de Hidrocortisona em Baixas Doses Precocemente (ELH), usada para prevenir a Displasia Broncopulmonar (DBP). Exposição à ELH Aumenta o Risco de PIE: A taxa de PIE foi significativamente maior no grupo exposto à ELH (8,1% vs. 2,9% no grupo não exposto). O tratamento concomitante precoce com ELH e ibuprofeno (usado para Persistência do Canal Arterial – PCA) esteve associado ao maior risco de PIE, com uma taxa de 11,8% nos bebês cotratados (vs. 3,8% nos não expostos ao cotratamento). A conclusão é que o co-tratamento precoce com ELH e ibuprofeno está associado a um risco aumentado de PIE em bebês nascidos com menos de 28 semanas. Isso reforça a necessidade de direcionamento preciso da terapia ELH, evitando o tratamento concomitante com anti-inflamatórios não esteroidais, como o ibuprofeno.Outros fatores associados a PIE: a pré-eclâmpsia materna é um fator de risco independente para PIE em recém-nascidos muito pré-termos, possivelmente devido à hipóxia fetal e isquemia intestinal.Fator Não Associado: o sulfato de magnésio pré-natal (usado para neuroprofilaxia) demonstrou, em metanálises recentes, não aumentar o risco de morbidades gastrointestinais, incluindo PIE, em bebês prematuros. Quanto a ECN após PIR em bebês de muito baixo peso: revisão retrospectiva de 18 anos de mais de 250 neonatos tratados cirurgicamente para PIE, os autores relataram  uma incidência de 11,2% de um episódio discreto de ECN após o tratamento inicial de PIE. A laparotomia, seja devido à falha de drenagem peritoneal ou laparotomia primária, pareceu estar associada ao aumento da incidência de ECN após PIE!

AUDIO:Perfuração intestinal espontânea em bebês extremamente prematuros expostos à hidrocortisona em baixas doses precocemente

AUDIO:Perfuração intestinal espontânea em bebês extremamente prematuros expostos à hidrocortisona em baixas doses precocemente

Spontaneous Intestinal Perforation in Extremely Premature Infants Exposed to Early Low-Dose Hydrocortisone. Cambonie G, Jouffrey A, Tessier B, Combes C, Polito A, Gavotto A.Acta Paediatr. 2025 Nov;114(11):2856-2863. doi: 10.1111/apa.70175. Epub 2025 Jun 11.PMID: 40497674. França.

Realizado por Paulo R. Margotto.

A PIE é uma condição abdominal grave que afeta primariamente bebês extremamente prematuros (IG < 28 semanas e/ou peso < 1000g). A PIE é associada a um alto risco de mortalidade e comprometimento neurodesenvolvimento. Um estudo observacional avaliou a incidência de PIE em relação à administração de Hidrocortisona em Baixas Doses Precocemente (ELH), usada para prevenir a Displasia Broncopulmonar (DBP). Exposição à ELH Aumenta o Risco de PIE: A taxa de PIE foi significativamente maior no grupo exposto à ELH (8,1% vs. 2,9% no grupo não exposto). O tratamento concomitante precoce com ELH e ibuprofeno (usado para Persistência do Canal Arterial – PCA) esteve associado ao maior risco de PIE, com uma taxa de 11,8% nos bebês cotratados (vs. 3,8% nos não expostos ao cotratamento). A conclusão é que o co-tratamento precoce com ELH e ibuprofeno está associado a um risco aumentado de PIE em bebês nascidos com menos de 28 semanas. Isso reforça a necessidade de direcionamento preciso da terapia ELH, evitando o tratamento concomitante com anti-inflamatórios não esteroidais, como o ibuprofeno.Outros fatores associados a PIE: a pré-eclâmpsia materna é um fator de risco independente para PIE em recém-nascidos muito pré-termos, possivelmente devido à hipóxia fetal e isquemia intestinal. Fator Não Associado: o sulfato de magnésio pré-natal (usado para neuroprofilaxia) demonstrou, em metanálises recentes, não aumentar o risco de morbidades gastrointestinais, incluindo PIE, em bebês prematuros. Quanto a ECN após PIR em bebês de muito baixo peso: revisão retrospectiva de 18 anos de mais de 250 neonatos tratados cirurgicamente para PIE, os autores relataram  uma incidência de 11,2% de um episódio discreto de ECN após o tratamento inicial de PIE. A laparotomia, seja devido à falha de drenagem peritoneal ou laparotomia primária, pareceu estar associada ao aumento da incidência de ECN após PIE!

Hipotermia terapêutica no mundo real para encefalopatia hipóxico isquêmica neonatal: resultados e preditores do neurodesenvolvimento

Hipotermia terapêutica no mundo real para encefalopatia hipóxico isquêmica neonatal: resultados e preditores do neurodesenvolvimento

RealWorld Therapeutic Hypothermia for Neonatal HIE: Neurodevelopmental Outcomes and Predictors. Bedetti L, Lugli L, Guidotti I, Roversi MF, Muttini EDC, Pugliese M, Bertoncelli N, Spaggiari E, Todeschini A, Ancora G, Grandi S, Gargano G, Gallo C, Motta M, Catenazzi P, Corvaglia LT, Paoletti V, Solinas A, Ballardini E, Perrone S, Moretti S, Stella M, Berardi A, Ferrari F.Acta Paediatr. 2025 Nov;114(11):2874-2884. doi: 10.1111/apa.70186. Epub 2025 Jun 18.PMID: 40533883. Itália.

Realizado por Paulo R. Margotto.

 

Este estudo observacional prospectivo italiano (Rede Neuronat, 2016–2021: oito UTINs italianas), avaliou os resultados do neurodesenvolvimento de dois anos e os preditores de desfechos desfavoráveis em neonatos com encefalopatia hipóxico-isquêmica(EHI) de qualquer grau tratados com hipotermia terapêutica (HT) fora de ensaios clínicos randomizados (ECRs). As taxas de mortalidade geral (3,8%) e de Incapacidade Funcional Grave (IFG/SFD) (11,6%) foram significativamente menores do que as relatadas em Ensaios Clínicos Randomizados (ECRs) e na maioria dos estudos de coorte anteriores. Preditores de Desfecho Desfavorável: Os fatores mais fortes associados à IFG foram:  Convulsões confirmadas por cEEG/aEEG durante a HT (OR = 12,9)  e   Anomalias graves na Ressonância Magnética (RM) cerebral. Quanto à EHI Leve: nenhuma criança (12,9% da coorte) com EHI leve que recebeu HT desenvolveu desabilidade funcional severa. O estudo destaca a tendência clínica de expandir o uso da HT para casos leves, mas ressalta que o benefício da HT nessa população de baixo risco permanece questionável na ausência de um grupo de controle.  Os achados reforçam a eficácia da HT no atendimento de rotina e a importância da monitorização (cEEG/aEEG) e da RM como ferramentas cruciais para o prognóstico.NO ENTANTO… Embora a HT reduza morte e incapacidades graves, déficits cognitivos persistem, especialmente na transição para a escola, quando as exigências cognitivas aumentam. Estudo observacional prospectivo de Vincent IN et al  com 58 recém-nascidos (≥36 semanas) internados na UTIN de um hospital de referência em Portugal (2011-2019) para HT devido a EHI mostrou que o acompanhamento a longo prazo é essencial para crianças com EHI tratadas com HT, pois déficits cognitivos leves, muitas vezes associados a lesões na substância branca, podem surgir na idade escolar. A RM neonatal é um preditor robusto para incapacidades moderadas a graves, mas não para déficits leves. Programas de seguimento e intervenções precoces são cruciais para apoiar a transição escolar e minimizar impactos a longo prazo.

Sacarose ou glicose comparada ao leite materno para o controle da dor em bebês prematuros: uma revisão sistemática e metanálise

Sacarose ou glicose comparada ao leite materno para o controle da dor em bebês prematuros: uma revisão sistemática e metanálise

Sucrose or glucose compared to breast milk for pain control in preterm infants: a systematic review and metaanalysisShahid S, Acosta-Reyes J, Florez ID.J Perinatol. 2025 Oct 24. doi: 10.1038/s41372-025-02423-w. Online ahead of print.PMID: 41136616 Review.Canadá.

Realizada  por Paulo R. Margotto.

 

Seis ensaios clínicos randomizados (525 bebês) compararam sacarose (24%) ou glicose (30%, 10%, 25%) com leite materno/leite materno extraído. Não houve diferença entre as alternativas na redução da dor 30 segundos após o procedimento, medida pelos escores do Perfil de Dor do Bebê Prematuro. A sacarose reduziu a duração do choro. Não houve diferenças entre a sacarose e o leite materno/leite materno extraído na alteração da frequência cardíaca ou em eventos adversos.Os autores concluem que  evidências com grau de certeza moderado sugerem que a sacarose ou glicose pode ser superior ao leite materno//leite materno extraído na redução da duração do choro durante procedimentos de punção no calcanhar e venopunção, mas não na redução da intensidade da dor. Realizamos a coleta de sangue na mãozinha (inclusive para o teste do pezinho!): a venopunção no dorso das mãos é muito menos dolorosa do que  a coleta no calcanhar, além de que a primeira é um procedimento rápido e se obtém  mais freqüentemente sucesso com apenas uma punção. Na coleta de sangue, fazemos na mãozinha precedida de 2 minutos de glicose a 25% para liberar endorfinas (para glicemia capilar não usamos a glicose a 25%!)

Insuficiência Renal Aguda no Prematuro

Insuficiência Renal Aguda no Prematuro

Marynéa Silva do Vale. Live da SBP em 11/11/2025.

Realizado por Paul R. Margotto.

A aula foca na importância de se reconhecer e manejar a Lesão Renal Aguda (LRA) no prematuro, destacando que essa condição é um marcador de gravidade e preditor de disfunção renal futura. O bebê prematuro é a população mais vulnerável.A nefrogênese se estende até a 36ª semana de gestação, e o nascimento pré-termo implica uma redução da massa nefrônica. Os néfrons formados após o parto tendem a ser anormais e a envelhecer rapidamente. A principal consequência dessa redução de massa é a hiperfiltração compensatória, que leva à Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS). A HAS, por sua vez, predispõe o indivíduo à Doença Renal Crônica (DRC), um risco que pode se estender por até 50 anos de vida, conforme a Teoria de Barker (DOHaD). Fatores como baixo peso ao nascer, sepse, asfixia, e uso de drogas nefrotóxicas na UTI neonatal elevam dramaticamente o risco.  O diagnóstico de LRA/IRA é desafiador devido à falta de critérios padronizados e à grande variabilidade de incidência na literatura (3% a 70%). O bebê prematuro é a população mais vulnerável. O monitoramento deve ser rigoroso, especialmente em bebês de alto risco (< 32 semanas de IG ou < 1500g):

  • Diurese: Um débito urinário inferior a 1 ml/kg/h é um alerta crítico.
  • Laboratorial: A creatinina sérica é o marcador mais usado. A Cistatina C é considerada mais precisa para pesquisa, com mínima transferência placentária e taxa de produção constante, independente de fatores como massa muscular ou sexo (que influenciam a creatinina). Pesquisas utilizando fórmulas combinadas de creatinina e cistatina encontraram um déficit de função renal em 34,4% das crianças em acompanhamento ambulatorial.
  • TFG: A Taxa de Filtração Glomerular é o marcador mais sensível da função renal, mas seu cálculo é complexo e baseado em inúmeras fórmulas (como a de Swartz).
  • Critérios KDIGO: Os critérios adaptados para neonatologia definem a LRA como um aumento de creatinina > 0,3 mg/dl em 48h ou diurese < 1 ml/kg/h por 24h.Prevenção, Manejo e Seguimento: O manejo inicial exige garantir a hemodinâmica adequada e minimizar a exposição a drogas nefrotóxicas (ajustando doses pela TFG estimada se o uso for inevitável). É vital monitorar o balanço hídrico e corrigir distúrbios eletrolíticos precocemente. O seguimento a longo prazo é obrigatório, pois muitos prematuros não recuperam totalmente a função renal. Esse segmento deve incluir a medição seriada da Pressão Arterial (PA) — que deve começar desde a alta em prematuros, antes dos 3 anos. A gestão multidisciplinar (incluindo nefropediatra, nutricionista e enfermagem) é essencial para o diagnóstico precoce e para retardar a progressão da DRC, evitando assim a necessidade de terapia renal substitutiva (diálise). A mensagem final é que o manejo precoce da função renal é crucial para garantir o melhor prognóstico para esses bebês.

 

 

 

 

 

Uso Racional de Antibióticos nas Unidades Neonatais

Uso Racional de Antibióticos nas Unidades Neonatais

Marta David Rocha de Moura

A resistência antimicrobiana é um desafio global que contribuiu para 5 milhões de mortes em 2019, sendo a sepse neonatal responsável por 25% das mortes de recém-nascidos (RN) mundialmente.O diagnóstico de sepse é difícil devido a sinais clínicos inespecíficos e baixa acurácia dos exames. A maior parte do uso de antibióticos na UTIN é EMPÍRICA, levando 83% a 94% dos RN tratados por suspeita de sepse em países de alta renda a terem hemoculturas negativas. A coleta de culturas (hemocultura, líquor, urina) deve preceder o início dos antibióticos. É crucial colher no mínimo 1 mL de sangue por amostra para a hemocultura.A terapia deve ser, individualizada, e é mandatório adequar o antibiótico conforme o microrganismo e o antibiograma após o resultado das culturas. A duração ideal da terapia empírica foi reduzida para 36 a 48 horas. O tratamento empírico prolongado (≥ 5 dias) em RN de extremo baixo peso associa-se ao aumento de enterocolite necrosante (ECN) e morte. A regra geral é dizer NÃO às cefalosporinas de terceira geração, carbapenêmicos (como meropenem) e glicopeptídeos (vancomicina). Cefalosporinas de 3ª Geração devem ser evitadas empiricamente, pois seu uso está ligado à emergência de enterobactérias produtoras de ESBL. Os carbapenêmicos são fortes indutores de resistência e alteram profundamente a microbiota dos RNs; devem ser restritos. A vancomicina empírica  se justifica somente em UTINs com alta prevalência de Staphylococcus aureus resistente à meticilina/oxacilina (MRSA). Deve ser suspensa se o microrganismo for sensível a outras drogas. O objetivo ideal é que somente bebês com infecção comprovada recebam antibióticos. Tratar colonização é a maior causa do excesso de uso de antimicrobianos (ex: tratar bacteremia, e não a cultura de ponta de cateter). A disbiose (alteração do microbioma) induzida por antibióticos está associada à consequências de curto e longo prazo, incluindo o aumento do risco de ECN e morte, redução do ganho de peso e estatura em meninos, aumento de Distúrbios Gastrointestinais Funcionais (FGIDs), e é um fator de risco independente para asma atópica aos 12 anos de idade. Eventuais erros estarão corrigidos na página neonatal  www.paulomargotto.com.br. Passe por lá, você também!

 

LIVE:Atualização em Neonatologia: Avanços em monitoramento e terapias-USO DA ULTRASSONOGRAFIA DOPPLER CEREBRAL EM NEONATOLOGIA

LIVE:Atualização em Neonatologia: Avanços em monitoramento e terapias-USO DA ULTRASSONOGRAFIA DOPPLER CEREBRAL EM NEONATOLOGIA

Margotto PR, Moura MDR. Uso  de ultrassonografia craniana com Doppler em Neonatologia. In.Sociedade Brasileira de Pediatria, Procianoy RS, Leone CR, organizadores.PRORN .Ciclo 21, 2024,p.87-139.

LINK PARA ACESSO DA AULA: https://www.youtube.com/watch?v=l9cDPlH-Dis&authuser=0