Categoria: Artigos

Pesquisa sobre práticas de transfusão em bebês prematuros na Europa

Pesquisa sobre práticas de transfusão em bebês prematuros na Europa

Survey of transfusion practices in preterm infants in Europe.Scrivens A, Reibel NJ, Heeger L, Stanworth S, Lopriore E, New HV, Dame C, Fijnvandraat K, Deschmann E, Aguar M, Brække K, Cardona FS, Cools F, Farrugia R, Ghirardello S, Lozar J, Matasova K, Muehlbacher T, Sankilampi U, Soares H, Szabo M, Szczapa T, Zaharie G, Roehr CC, Fustolo-Gunnink S; Neonatal Transfusion Network.Arch Dis Child Fetal Neonatal Ed. 2023 Jul;108(4):360-366. doi: 10.1136/archdischild-2022-324619. Epub 2023 Jan 18.

Realizado por Paulo R. Margotto.

Na Europa, as práticas de transfusão para bebês prematuros variam muito. Os limiares de transfusão tendem a ser mais liberais em comparação com dados de ensaios recentes que apoiam o uso de limiares mais restritivos

Nebulização profilática de surfactante para aeração precoce do pulmão prematuro: ensaio clínico randomizado

Nebulização profilática de surfactante para aeração precoce do pulmão prematuro: ensaio clínico randomizado

Prophylactic surfactant nebulisation for the early aeration of the preterm lung: a randomised clinical trial. Gaertner VD, Minocchieri S, Waldmann AD, Mühlbacher T, Bassler D, Rüegger CM; SUNSET study group.Arch Dis Child Fetal Neonatal Ed. 2023 May;108(3):217-223. doi: 10.1136/archdischild-2022-324519. Epub 2022 Nov 24.PMID: 36424125 Clinical Trial.

Realizado por Paulo R. Margotto

Nesse estudo randomizado e controlado, com bebês de 26 sem a 31 sem 6 dias. no grupo de intervenção foi nebulizado  200 mg/kg de surfactante por meio de um nebulizador de membrana vibratória personalizado. Não foi encontrado  efeito significativo do surfactante nebulizado  profilático na SDR na impedância pulmonar expiratória final 30 minutos após o nascimento, quando comparado com o tratamento padrão. A deposição pulmonar de nebulizadores de membrana vibratória é estimada em apenas 5% a 20% em situações ideais. Diferentes interfaces, tipos de nebulizador e, mais importante, concentrações de surfactante devem ser pesquisados ​​antes da implementação em futuros estudos clínicos.

Dia 22/6 (LIVE)- 7.30 ás 9 horas: SEPSE NEONATAL-ESTADO DA ARTE (Universidade Federal do Rio Grande do Norte)

Dia 22/6 (LIVE)- 7.30 ás 9 horas: SEPSE NEONATAL-ESTADO DA ARTE (Universidade Federal do Rio Grande do Norte)

Paulo R. Margotto.

UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE. Maternidade Januário Cicco.

Anfiteatro Prof. Leide Moraes.

Coordenador:  Prof. Dr. Ricardo Ney O. Cobucci.

https://teams.microsoft.com/l/meetup-join/19%3ameeting_MTE3YWRhMmItYThmMy00ZTJjLTljYmUtOGQ3YjYwNTkwMmI2%40thread.v2/0?context=%7b%22Tid%22%3a%2264d34ddd-aff0-4d95-b7f1-0734a5c845e5%22%2c%22Oid%22%3a%22029c5d27-d93b-4f4a-aa32-01efb963ca54%22%7d

 

HIPERTENSÃO PULMONAR NA DISPLASIA BRONCOPULMONAR

HIPERTENSÃO PULMONAR NA DISPLASIA BRONCOPULMONAR

Palestra  administrada pelo Dr. Namasivayam Ambalavanan no VIII Encontro Internacional de Neonatologia, ocorrido em Gramado (13 a 15 de abril de 2023).

Realizado por Paulo R. Margotto

Entre os fatores de risco (para os que sobrevivem a partir de 28 dias de vida): idade gestacional, ventilação mecânica, uso de oxigênio, PCA hemodinamicamente significativa e peso ao nascer (especialmente os pequenos para  idade gestacional).No diagnóstico, ecocardiograma com 4-6 semanas de idade  e depois, a cada mês, havendo evidência que o bebê tem HP-DBP ou se houver uma necessidade assistência respiratória contínua (O2, respirador). Um simples achado positivo de qualquer componente do critério designado é suficiente pra o diagnóstico de HP (pressão do VD, desvio septal, shunt bidirecional D-E). Um único desses já dava o diagnóstico de HP. Sinais precoces de HP aos 7 dias de idade foram comuns e foram associados com risco aumentado para DBP e HP tardia. Por outro lado, a ausência de HP aos 7 dias de idade foi associada a um risco muito baixo de HP tardia. Na patogenia, achados suportam a hipótese de que a doença vascular pulmonar precoce precede o desenvolvimento da DBP e está fortemente associada à HP tardia e morbidades respiratórias. Apesar da microvasculatura pulmonar expandir com a ventilação  quase proporcional ao crescimento do parênquima de troca de ar, a rede capilar nos pulmões ventilados retém o padrão vascular primitivo diminuindo a eficiência da troca gasosa no parênquima em expansão (trata-se de um pulmão dismórfico), além de anastomose arteriovenosas pré-capilares (como uma doença cardíaca congênita com shunt D-E!). Uma grande preocupação: estenose da veia pulmonar, agravando o quadro com uso de vasodilatadores. Um biomarcador acessível é  peptídeo natriurético BNP (reflete a resposta ao  tratamento). Fazer a medida do BNP no primeiro ecocárdio e mensalmente  e podemos correlacionar o BNP  à fisiologia cardíaca São preocupantes as repercussões na vida adulta: 18% dos RN de 28 semanas com hipertensão pulmonar franca!

COMO EVITAR A VENTILAÇÃO MECÂNICA EM PRÉ-TERMOS EXTREMOS

COMO EVITAR A VENTILAÇÃO MECÂNICA EM PRÉ-TERMOS EXTREMOS

Namasivayam Ambalavann (EUA) no VIII Encontro Internacional de Neonatologia, Gramado, 13-15 de abril de 2023.

Realizado por Paulo R. Margotto.

Cada vez mais há interesse  em métodos menos invasivo do uso de surfactante. Revisão sistemática da Cochrane de 2021 evidenciou diminuição de displasia broncopulmonar (DBP)/MORTE com o uso de surfactante menos invasivo versos endotraqueal (você precisa tratar 9 bebês para evitar 1 DBP/morte). O Estudo OPTIMIST mostrou, com essa técnica, menos intubação a qualquer tempo, menor duração da ventilação mecânica. O uso de  surfactante+budesonida teve importante redução na DBP/morte (efeito grande!). Aguardamos os resultados completo desse estudo ainda esse mês, nos EUA. Os esteroides antenatais reduz a incidência de doença da membrana hialina, morte, mas não DBP. O uso precoce da cafeína reduz a incidência de DBP (muitos dos nossos  bebês não estão intubados e estão em CPAP; começamos a dar cafeína para esses bebês mais cedo [alguns Centros <3dias e outros ≤ 3dias]). Se você não consegue EVITAR a VM, EXTUBE o mais precoce possível. Na isto ação todos esses critérios devem estar presentes: -PaCO2 <65 mmHg em um pH > 7.20 (O CO2 é um estímulo forte para respirar!), -Sat O2 >88 (agora: 91 a 95%) com FiO2< 50%, -Pressão média de vias aéreas <10cm H20, -Taxa ventilador  <20 respirações por min, -Amplitude menor do que  duas  vezes  a pressão média das vias aéreas se em alta frequência ( se a pressão média for de 8 cm H2O, extubar com Amplitude de 15 ou menos)  -Estabilidade hemodinâmica. Não tenham medo de falha na extubação. Nem você e nem o bebê estão falhando! E algo que  ocorre nos bebês muito doentes. É um marcador de severidade da doença. Se todas as suas extubações são sucesso, você não está extubando precocemente (2/3 das extubações, em média, dão certo!).  Se o bebê falhar na extubação,  reintube-o e se for na primeira ou na segunda semana,  tente novamente em 1-2 dias mais tarde. Se o bebê tiver 3-4 semanas, normalmente esperamos um pouquinho mais. Forte preditor de extubação: bom esforço respiratório espontâneo. Extube para S-NIPPV ( a melhor intervenção pós extubação). Se não conseguir extubar rapidamente, tentar desmamar lentamente, como taxa respiratória de 5/dia para alcançar 20/min com suporte de pressão adicional e com FiO2 <60 e então extube o bebê. Estratégias ventilatórias para os bebes com DBP mais tardia: -menor taxa no ventilador (20-40/min ou as vezes, menos; pressão de suporte para respirações espontâneas (esses bebês têm doença heterogênea), -longo tempo expiratório (0.6-1 segundo; evitar  aprisionamento de gás), -longo tempo inspiratório (0.5-0.7segundo, devido a longa constante de tempo), -PEEP  adequada (4-8  cmh20 para evitar colapso das vias aéreas devido a baixa PEEP ou aprisionamento de gás com alta PEEP) – muito desses bebês tem  traqueobroncomalácia, -volume corrente adequado (7-10 ml/kg)-esses bebês podem ser beneficiar de ventilação com volume alvo, pois esses bebes são propensos à atelectasia, -evitar hipoxemia (alvo de saturação entre 92-95%), -hipercapnia permissiva (manter pH>7,2 ou 7,25 e PaCO2> 55 mmHg. Uso de esteroide: esquema DART, iniciando depois da primeira semana de vida. Se não conseguir extubar, repetir com 1 mês depois e se não conseguir, trata-se de um  fenótipo que não responde por não ter inflamação. Repetindo vários ciclos, aumenta o risco de efeitos colaterais.

A HIPOCARBIA ESTÁ ASSOCIADA A RESULTADOS ADVERSOS NA ENCEFALOPATIA HIPÓXICO-ISQUÊMICA (EHI

A HIPOCARBIA ESTÁ ASSOCIADA A RESULTADOS ADVERSOS NA ENCEFALOPATIA HIPÓXICO-ISQUÊMICA (EHI

Hypocarbia is associated with adverse outcomes in hypoxic ischaemic encephalopathy (HIE). Devi U, Pullattayil AK, Chandrasekaran M.Acta Paediatr. 2023 Apr;112(4):635-641. doi: 10.1111/apa.16679. Epub 2023 Jan 30.PMID: 36662594 Review.

Realizado por Paulo R. Margotto

A encefalopatia hipóxico isquêmica (EHI) após asfixia perinatal é responsável por mais de 42 milhões de anos de vida ajustados por incapacidade. A hipotermia terapêutica (HT) é uma terapia eficaz que reduz significativamente o desfecho combinado de morte ou neuroincapacidade após EHI [RR 0,75 (IC 95% 0,68–0,83)].  A hipocarbia pode exacerbar a lesão cerebral ao causar vasoconstrição cerebral com FSC reduzido  e foi o que mostrou essa mini-revisão com 371 resultados, sendo  é evidente que níveis de pCO2 gravemente baixos em neonatos com EHI foram associados a resultados adversos de curto e longo prazo. Além de causar vasoconstrição cerebral, a hipocarbia também causa diminuição da liberação de oxigênio da hemoglobina e aumento da excitabilidade neuronal devido ao aumento da demanda de oxigênio.  Além disso, a hipocarbia também causa fragmentação do DNA nuclear no córtex cerebral e morte celular apoptótica. Nos  complementos, Monitorar os gases sanguíneos corrigindo pH e PaCO2 em RN saudáveis com uma temperatura corporal de 37°C, pH e PaCO2 devem se aproximar de 7.4 e 40mmHg, respectivamente. Durante a hipotermia (33°C), pH se elevará a 7.5 e PaCO2 baixará para 34 mm Hg. Evitar oscilações bruscas de PaCO2.

 

Disfunção hemodinâmica na sepse neonatal (Hemodynamic dysfunction in neonatal sepsis)

Disfunção hemodinâmica na sepse neonatal (Hemodynamic dysfunction in neonatal sepsis)

Hemodynamic dysfunction in neonatal sepsis

Kharrat A, Jain A.Pediatr Res. 2022 Jan;91(2):413-424. doi: 10.1038/s41390-021-01855-2. Epub 2021 Nov 24.PMID: 34819654 Review.

Apresentação:  Amanda do Carmo Alves|R4 Neonatologia). Coordenação: Paulo Roberto Margotto.

Muitos lactentes com sepse desenvolvem instabilidade cardiovascular; prematuros são particularmente vulneráveis devido às características únicas de sua função e reserva cardiovascular. O objetivo desta revisão é destacar os mecanismos fisiopatológicos envolvidos em um distúrbio hemodinâmico na sepse neonatal, fornecer insights obtidos a partir de estudos clínicos direcionados baseados em ecocardiografia neonatal (TNE) e sugerir sua potencial incorporação no manejo diário. Em pacientes adultos,  predomina o choque quente, enquanto que em crianças, a sepse tende a produzir principalmente a fisiologia do choque frio. Estudos fisiológicos em prematuros, semelhantes aos adultos, demonstraram que a fisiologia do choque quente é o fenótipo predominante, caracterizado por menor retorno venoso (maior colapsabilidade da veia cava inferior), menor RVS calculado e maior débitos cardíacos em comparação com controles ou valores normativos publicados (a hipotensão geralmente começa como pressão arterial [PA] diastólica baixa e progride para PA diastólica e sistólica baixas). As diversas manifestações hemodinâmicas são produtos de vias inflamatórias variáveis, imaturidade cardíaca e respostas hormonais. Vale a pena ler esse artigo  a nós enviado pelo nosso amigo Guilherme Sant´Ana (Canadá).

Determinação da Posição Precisa de Cateteres Venosos Umbilicais em Prematuros

Determinação da Posição Precisa de Cateteres Venosos Umbilicais em Prematuros

Determination of Accurate Position of Umbilical Venous Catheters in Premature Infants. Akar S, Dincer E, Topcuoğlu S, Yavuz T, Akay H, Gokmen T, Karatekin G.Am J Perinatol. 2022 Mar;39(4):369-372. doi: 10.1055/s-0040-1716405. Epub 2020 Sep 3.PMID: 32882742.

Realizado por Paulo R. Margotto.

O objetivo do estudo é determinar o comprimento e a posição mais precisos do cateter venoso umbilical (CVU). Embora a radiografia é o método mais utilizado para avaliação da posição do cateter após a inserção, a ecocardiografia  e a ultrassonografia são bastantes convenientes para a determinação da posição do cateter após a inserção.. Após a sua inserção o CVU foi avaliado primeiramente através de radiografia de tórax e, em seguida, com ecocardiograma para confirmar sua posição. Cateteres vistos na radiografia de tórax foram classificados como posição exata quando  a ponta estava ao nível das vértebras T9-T10  e aqueles vistas acima da vértebra T9 como posição alta (risco de derrame pericárdico com tamponamento) e  os identificados abaixo da vértebra  T10 vértebra foram classificadas como posição baixa (risco de extravasamento hepático com lesões hepáticas graves). Agora veja QUE RESULTADO PREOCUPANTE: em 68 bebês com menos de 36 semanas de gestação, na avaliação ecocardiográfica, 80% dos casos identificados como “posição correta”, 100% dos casos classificados como “posição alta” e 33% dos casos definidos como “posição baixa” no  Raio X de tórax foram intracardíacos! Cateteres intracardíacos foram puxados para trás com ecocardiograma guiado e fixados em posição adequada. Na nossa norma da UTI Neonatal:  a zona alvo para o posicionamento da extremidade distal do CVU é na porção torácica da VCI ou na junção da Veia Cava Inferior com o átrio direito (VCI/AD). A ponta do cateter  deverá estar localizada de 0,5 a 1,0 cm acima do diafragma. O cateter deve ser instalado, não só fora da silhueta cardíaca, mas também fora da porção intrapericárdica da veia cava inferior e superior – 1 cm fora da silhueta cardíaca em pré-termos e 2 cm em RN a termo). Para melhor avaliar a fixação do cateter essa deve ser guiada por ecocardiografia, reduzindo as complicações relacionadas ao mau posicionamento do cateter. Estamos deixando o CVU por 48 horas, quando optamos pelo Cateter central de inserção periférica (PICC). A efusão pericárdica pode, inclusive ocorrer com CVU colocado corretamente, devendo sempre ter alto índice de suspeita.

Utilidade da Procalcitonina do líquido cefalorraquidiano e procalcitonina sérica para o diagnóstico de meningite neonatal.

Utilidade da Procalcitonina do líquido cefalorraquidiano e procalcitonina sérica para o diagnóstico de meningite neonatal.

Utility of Cerebrospinal Fluid and Serum Procalcitonin for the Diagnosis of Neonatal MeningitisRajial T, Batra P, Harit D, Singh NP.Am J Perinatol. 2022 Mar;39(4):373-378. doi: 10.1055/s-0040-1716406. Epub 2020 Sep 13.PMID: 32920797. India

Realizado por Paulo R. Margotto

Esses autores canadenses planejaram este estudo com o objetivo de comparar os níveis séricos e líquores de PCT e a razão entre soro e PCT líquor em neonatos (>34 semanas) com grupos confirmados, prováveis ​​e sem meningite. Diferença significativa foi observada na média da PCT do LCR em recém-nascidos com grupos confirmados (0,31 ng/mL), prováveis (0,22 ng/mL) e não meningite (0,11 ng/mL). A proporção de soro para PCT no LCR foi comparável. No ponto de corte de 0,2 ng/mL, a PCT do LCR apresentou sensibilidade de 95,2% e especificidade de 96% no diagnóstico de meningite. a PCT do LCR é um marcador útil para o diagnóstico precoce de meningite neonatal onde os sintomas, outras investigações de sangue e parâmetros do LCR são inconclusivos.