Categoria: Distúrbios Neurológicos

DIAGNÓSTICO DA ACIDOSE METABÓLICA NEONATAL PELA DETERMINAÇÃO DO pH EUCAPNICO

DIAGNÓSTICO DA ACIDOSE METABÓLICA NEONATAL PELA DETERMINAÇÃO DO pH EUCAPNICO

C. Racinet, G. Richalet, C. Corne, P. Faure, J.-F. Peresse, X. Leverve.

Tradução realizada pela Dra. Lívia Faria, Intensivista Pediátrica do Hospital de Base de Brasília.
Coordenação: Paulo R. Margotto e Marta David Rocha de Moura.

 

O pH eucapnico é por consenso considerado como reflexo do componente não respiratório do pH atual, o qual é o componente metabólico isolado potencialmente nocivo ao cérebro neonatal

OBJETIVO: determinar a existência de uma real acidose metabólica neonatal potencialmente associada a uma asfixia aguda periparto

COMO CORRIGIR O pH: adicionar 0,08 unidades ao pH por excedente de 10mmHg da PaCO2 comparativamente ao valor normal no recém-nascido de 50mmHg.

DIAGNÓSTICO DA ACIDOSE METABÓLICA NEONATAL PELA DETERMINAÇÃO DO pH EUCAPNICO

DIAGNÓSTICO DA ACIDOSE METABÓLICA NEONATAL PELA DETERMINAÇÃO DO pH EUCAPNICO

C. Racinet, G. Richalet, C. Corne, P. Faure, J.-F. Peresse, X. Leverve.

Tradução realizada pela Dra. Lívia Faria, Intensivista Pediátrica do Hospital de Base de Brasília.
Coordenação: Paulo R. Margotto e Marta David Rocha de Moura.

 

O pH eucapnico é por consenso considerado como reflexo do componente não respiratório do pH atual, o qual é o componente metabólico isolado potencialmente nocivo ao cérebro neonatal

OBJETIVO: determinar a existência de uma real acidose metabólica neonatal potencialmente associada a uma asfixia aguda periparto

COMO CORRIGIR O pH: adicionar 0,08 unidades ao pH por excedente de 10mmHg da PaCO2 comparativamente ao valor normal no recém-nascido de 50mmHg.

Dor Neonatal – 2019

Dor Neonatal – 2019

Autores: Paulo R. Margotto, Ludmylla Beleza

Capítulo do Livro Assistência ao Recém-Nascido de Risco, Hospital de Ensino Materno Inantil de Brasília, 4a Edição, 2018 (em preparação)

Nos últimos 5-10 anos descobrimos que os recém-nascidos (RN) prematuros são mais susceptíveis à dor que os RN a termo. Os prematuros têm limiares mais baixos para o reflexo de retirada do membro (reflexo flexor vaso-cutâneo) que tem uma porção aferente medida pelas fibras C, fibras que mediam estímulos neurológicos. Também há uma maturação retardada das fibras inibitórias descendentes (a porção excitatória deste sistema se desenvolve cedo, não havendo inibição descendente que se desenvolve mais tarde). Há 3 estudos evidenciando que os bebês têm um limiar mais alta de dor nas extremidades superiores em comparação com as extremidades inferiores, porque as fibras inibitórias descendentes alcançaram a porção cervical da coluna dorsal e ainda tem que crescer para a porção lombar. Assim, existem diferentes níveis de dor (muito mais dor será produzida nas extremidades inferiores que nos braços e mãos).

Uma das causas freqüentemente colocada para justificar que o RN (prematuro e a termo) não tem percepção da dor é a falta de mielinização. É importante lembrar que mesmo no adulto, 75% dos impulsos noceptivos são carreados através de fibras periféricas não mielinizadas. Dados neuroanatômicos recentes mostram que a mielinização está presente nas vias tálamo-corticais a partir da 22a – 23a semana de idade gestacional, estando completamente mielinizado na 37a semana de gestação (com 30 semanas, as vias noceptivas até o tálamo já estão completamente mielinizadas) e já tem conexão tanto com o sistema límbico como com o sistema cortical.Assim, o RN, incluindo o RN pré-termo extremo  possui substrato neurológico para a nocicepção, ou seja, o RN está apto a integrar e responder ao estímulo doloroso.

Por quê colhemos sangue na mãozinha ao invés do calcanhar? Nos últimos 5-10 anos descobriu-se que os RN prematuros são mais susceptíveis à dor que os RN a termo. Os prematuros têm limiares mais baixos para o reflexo de retirada do membro (reflexo flexor vaso-cutâneo), que tem uma porção aferente medida pelas fibras C, sendo estas responsáveis por mediar os estímulos neurológicos. Também possuem uma maturação retardada das fibras inibitórias descendentes (a porção excitatória deste sistema desenvolve-se cedo, não havendo inibição descendente, que se desenvolve mais tarde). Há 3 estudos evidenciando que os bebês têm um limiar mais alto de dor nas extremidades superiores em comparação com as extremidades inferiores, já que as fibras inibitórias descendentes alcançaram apenas a porção cervical da coluna dorsal, tendo ainda que crescer para a porção lombar. Dessa forma, existem diferentes níveis de dor de acordo com a porção do corpo em que é aplicada (muito mais dor será produzida nas extremidades inferiores que nos braços e mãos).  A venopunção no dorso das mãos é muito menos dolorosa do que  a coleta no calcanhar, além de que a primeira é um procedimento rápido e se obtém  mais freqüentemente sucesso com apenas uma punção.

Síndrome de abstinência neonatal – 2021

Síndrome de abstinência neonatal – 2021

Autores:  Paulo R. Margotto, Sergio Henrique Veiga

Capítulo do Livro Assistência ao Recém-Nascido de Risco, Hospital de Ensino Materno Infantil de Brasília, 4a Edição, 2021

Os efeitos das drogas sobre o feto estão na dependência de vários fatores, entre os quais, o tipo de droga, a quantidade, a frequência do uso e o período gestacional em que ocorreu o uso. Entre estas substâncias, se destacam a cocaína e o crack (subproduto da cocaína). Quando misturada com bicarbonato de sódio ou amônia, forma pedras de cocaína, que recebem o nome de crack (do verbo to crack, que significa quebrar, devido aos pequenos estalidos produzidos pelos cristais ao serem queimados, como estivem sendo quebrados). Assim, a cocaína pode ser consumida através do fumo (cachimbo, cigarro). A cocaína, considerada estimulante do sistema nervoso central, age inibindo a:    –recaptação da norepinefrina (daí seus efeitos: vasoconstrição, hipertensão arterial, taquicardia)

da dopamina (daí seus efeitos: sensação de euforia, aumento do estado de alerta, redução da fadiga, estimulação sexual; a depleção dos estoques de dopamina pelo uso continuado da droga leva o usuário a um estado depressivo, sintomas de abstinência).

-da serotonina nos terminais nervosos pré-sinápticos, ocorrendo uma estimulação prolongada destes receptores na membrana pós-sináptica.

A cocaína passa rapidamente através da placenta por difusão simples. Os efeitos da cocaína no feto podem estar aumentados, devido às modificações do metabolismo da cocaína durante a gestação (há uma redução da atividade da colinesterase plasmática, com diminuição do metabolismo da cocaína).

Meningite Neonatal: patogênese a prevenção da lesão do Sistema Nervoso Central

Meningite Neonatal: patogênese a prevenção da lesão do Sistema Nervoso Central

Neonatal Meningitis: Pathogenesis and Prevention of Central Nervous System Injury

Richard A. Polin M.D. Morgan Stanley Childrens Hospital Columbia University

Apresentação Original ocorrida no Simpósio Internacional de Neonatologia, São Paulo, Grupo Santa Joana, 14-16 de setembro de 2017.

Polin R (2017) acredita que a punção lombar provavelmente não deveria fazer parte dos exames rotineiros na suspeita de sepse de início precoce em recém-nascidos com aparência saudável. É difícil distinguir os bebês sem condições de infecção daqueles com sepse de início precoce. A meningite é muito improvável em lactentes com condições não infecciosas óbvias (por exemplo, doença da membrana hialina, taquipnéia transitória do recém-nascido) ou quando não há fatores de risco para sepse.  E nos pacientes sintomáticos?

★ a meningite está presente em 10-25% de bebês bacterêmicos.

★ até 1/3 de bebês com meningite têm hemoculturas negativas (assim sendo a decisão de fazer punção lombar não pode ser baseada em resultados de hemocultura).

Portanto, a punção lombar  não deve ser uma parte rotineira do processo de sepse precoce, mas deve ser feito seletivamente.

E na sepse de início tardio? Estudo retrospectivo de 9641 lactentes 6056 tiveram ≥ 1 hemocultura e e 2877 ≥ 1 punção lombar) além do dia 3 mostrou:.

★ a meningite esteve presente em pelo menos 5% das crianças com suspeita de sepse de início tardio;

★ 1/3 das crianças com meningite apresentaram hemoculturas negativas.

Portanto, nestes recém-nascidos a   punção lombar deve ser feita seletivamente.

Punção lombar seletiva:  A punção lombar deve ser utilizada seletivamente para bebês tanto com hemocultura positiva ou com alta probabilidade de sepse bacteriana ou fúngica (com base em sinais clínicos ou dados laboratoriais) ou lactentes que não respondem terapia antibiótica convencional da maneira usual.

Na sepse tardia sempre realizamos a punção lombar quando as condições do bebê permitem.

Hemorragia peri/intraventricular no recém-nascido pré-termo

Hemorragia peri/intraventricular no recém-nascido pré-termo

Capítulo de autoria dos Drs. Paulo R. Margotto/ Joseleide de Castro,   da 4a Edição do livro Assistência ao Recém-Nascido de Risco. Hospital de Ensino Materno Infantil de Brasília,SES/DF, 4a Edição, 2021 .

A despeito dos avanços nos cuidados perinatais nas últimas décadas, o recém-nascido (RN) pré-termo continua de alto risco para o desenvolvimento de hemorragia intraventricular e lesão da substancia branca adjacente. Ambas as condições constituem o maior problema no cuidado neonatal moderno e contribuem significativamente para a morbimortalidade nestes RN, assim como déficits neurocomportamentais a longo prazo.

A HIV é estudada há mais de 25 anos. A sua incidência está relacionada à prematuridade, ao aumento da sobrevivência nos RN com peso ao nascer abaixo de 1000g e, sobretudo às práticas neonatais e a gerência dos serviços obstétricos e neonatais.  Em 1978, Papile e cl relataram uma incidência de 35 – 45 % (1 ¤ 3 a 1 ¤ 2 das autópsias) nos RN com peso ao nascer abaixo de 1500g. Atualmente, as formas mais severas de HIV ocorrem nos RN abaixo de 1000g: aproximadamente 26% nos RN entre 501 e 759g e 12% nos RN com peso ao nascer entre 751 e 1000g. A importância desta informação se deve por duas razões: a sobrevivência dos RN nestas faixas de peso aumenta cada vez mais e tanto a mortalidade como os déficits neurocomportamentais ocorrem com maior probabilidade nos RN com severa HIV. Nos RN <32 semanas, Inder e cl relataram uma incidência entre15-25% e Brower e cl, 5,6%

Na Unidade de Neonatologia do HMIB/SES/DF, no ano de 2008, a HIV (todos os graus) ocorreu em 11.6% nos RN entre 26 e 34 semanas de idade gestacional. Estudo da nossa Unidade, em 2011 mostrou uma incidência de HIV graus II-IV em 20% nos RN entre 25-27 semanas 6 dia, 11% entre 28-29 semanas 6 dias,   caindo para 1,3% entre 30 semanas e 31 semanas e 6 dias.

Os efeitos da hemorragia intraventricular leve na matriz germinativa no desenvolvimento microestrutural da substância branca de neonatos prematuros: Um estudo DTI

Os efeitos da hemorragia intraventricular leve na matriz germinativa no desenvolvimento microestrutural da substância branca de neonatos prematuros: Um estudo DTI

De Tortora D et al , Itália, 2017, artigo complexo brilhantemente Apresentado pelas Acadêmicas (6a Série) da Faculdade de  Medicina da Universidade Católica de Brasília, sob nossa Coordenação. Antigamente acreditava-se que as leves hemorragias intraventriculares graus I e II (HIV leve) não aumentavam o risco de comprometimento do desenvolvimento neurológico além do risco relacionado a própria prematuridade. No entanto, já tem sido evidenciado que a HIV leve associava-se com maiores taxas de comprometimento neurológico aos 2-3 anos de idade corrigida, além de diminuição do volume cortical e crescimento cerebelar reduzido. Por outro lado, pouco ainda é conhecido a respeito do substrato anatômico do deficiente resultados  neurocognitivos e motores nas crianças com HIV leve.No presente estudo italiano de Tortora et al, esta informação é trazida através das estatísticas espaciais baseadas em tratos, para avaliação das diferenças nos parâmetros imagem de  tensor de difusão (DTI), uma abordagem amplamente utilizadas para explorar anormalidades microestruturais da substância branca em crianças nascidas pré-termo. Este estudo de ressonância foi realizado na idade equivalente a termo. Os autores relataram, nos recém-nascidos (RN) <29 semanas com HIV leve mais comprometimento microestrutural severo em regiões periventriculares e nos RN≥29 semanas alterações mais leves  na substância branca e também na substância branca subcortical. As anormalidades de DTI foram associadas com uma deficiente coordenação  locomotora e mão-olho e resultados de desempenho em 24 meses.Assim este estudo mostra a organização anormal da microestrutura da substância branca nos pré-termos com HIV leve. Sabemos que a matriz germinativa é a principal fonte de células precursoras oligodendrogliais, que mais tarde, no terceiro trimestre, migram para a substância, onde eles se diferenciam e produzem mielina durante os primeiros anos de vida. Portanto, há o dano inicial à substância branca decorrente da mielinização inadequada, dano axonal, ou incoerências das fibras  e estas alterações são provavelmente associadas com déficits de desenvolvimento neurológico aos 24 meses de idade. Nos links, a discussão da corticoneurogênese: a matriz germinativa representa o remanescente da zona germinativa; entre 10-24 semanas de gestação, esta região celular é a fonte de precursores neuronais; após 24 semanas de gestação, a migração neuronal se completou, mas a matriz germinativa provê precursores gliais que se tornarão oligodendrócitos e astrócitos. Neste estágio tardio da gliogênese, os astrócitos migram às camadas superiores corticais e são cruciais para a sobrevivência neuronal e o desenvolvimento normal do córtex cerebral.É importante este conhecimento para melhor  orientação aos país deste prematuros com  HIV leve.

Implicações da dor e da exposição à morfina no neurodesenvolvimento

Implicações da dor e da exposição à morfina no neurodesenvolvimento

De Kesavan K et al, 2015, Apresentado pela Dr. Letícia Rodrigues de Moraes, R3 em Neonatologia do HMIB/SES/DF, sob Coordenação da Dra. Evely Mirela. Os opiáceos como morfina e fentanil atuam nos receptores mu, kappa e delta e ativam várias vias intracelulares de sinalização que são responsáveis não só pelos efeitos analgésicos mas também pela modulação na proliferação, sobrevivência e diferenciação de células tronco, neurônios, a células da glia que expressam receptores opióides. A exposição repetida à morfina, tanto longa (>7 dias) como curta modifica a neuroplasticidade sináptica nos locais pós-sinápticos do sistema límbico, o que leva a um permanente efeito de reorganização das conexões sinápticas nas áreas que regulam motivação, recompensa e aprendizagem ao longo da vida adulta. Essas mudanças são permanentes e permanecem mesmo após a remoção da morfina. A maior exposição à morfina foi associada a maiores características de internalização como padrão ansioso/depressivo e triste/depressivo ou problemas somáticos. A exposição neonatal a opióides pode ter implicações duradouras para a estrutura e função do cérebro, PRINCIPALMENTE NA AUSÊNCIA DE DOR. Tal como acontece com toda decisão clínica, os riscos e benefícios da analgesia com opióides deve ser considerado com cautela. Quano ao fentanil: causa menos hipotensão, menos efeito sedativo, pode causar menor desenvolvimento cerebelar. São necessários estudos posteriores prospectivos, que avaliem os riscos e benefícios do uso de sedativos e analgésicos mais comuns, particularmente em relação ao crescimento cerebral.Torna-se importante que saibamos avaliar as consequências clínicas de tudo que fazemos na UTI Neonatal, pois tratamos de cérebros, principalmente relacionadas coma precoce administração de opióides nestes vulneráveis pré-termos. Há sugestão da necessidade de um novo projeto de agentes que podem alterar as mudanças neuroplásticas induzidas pelos opiáceos. NA UTI NEONATAL TODOS OS CAMINHOS CONDUZEM AO CÉREBRO! particularmente em relação ao crescimento cerebral.Torna-se importante que saibamos avaliar as consequências clínicas de tudo que fazemos na UTI Neonatal, pois tratamos de cérebros, principalmente relacionadas coma precoce administração de opióides nestes vulneráveis pré-termos. Há sugestão da necessidade de um novo projeto de agentes que podem alterar as mudanças neuroplásticas induzidas pelos opiáceos