Categoria: Farmacologia Neonatal

Estudo multicêntrico, fase II/III, farmacocinético, de Segurança e Eficácia da Dexmedetomidina em neonatos pré-termo e a termo

Estudo multicêntrico, fase II/III, farmacocinético, de Segurança e Eficácia da Dexmedetomidina em neonatos pré-termo e a termo

Constantinos Chrysostomou, Scott R. Schuman, Mario Herrera Castellanos,Benton E. Cofer, Sanjay Mitra, Marcelo Garcia da Rocha, Wayne A. Wisemandle, and Lisa Gramlich.

Apresentação: Bruna Miclos, Camila Martins e Leandro Cassimiro.
Coordenação: Paulo R. Margotto

Distúrbios Metabólicos-2021

Distúrbios Metabólicos-2021

Paulo R. Margotto, Evely Mirela

Capítulo do Livro Assistência ao Recém-Nascido de Risco, Hospital de Ensino Materno Infantil de Brasília, 4a Edição, 2021

Uso de sensor de glicose (monitorização contínua da glicose) : funciona como uma variável contínua semelhante à saturação de oxigênio; muitos episódios de hipoglicemia documentados (tanto pelo sangue quanto pelas medições pelo sensor de glicose), se resolveram espontaneamente. Além disso, não foram observados pelas enfermeiras a beira-leito sinais clínicos que podem ser interpretados como sintomas de hipoglicemia. Os beneficio do uso do sensor de glicose incluem a redução de tratamento desnecessário da hipoglicemia, identificação de pacientes que apresentaram resolução espontânea da hipoglicemia antes de intervenções, além da redução de exposição ao procedimento doloroso. Pode ser de valor na detecção de hipoglicemia grave por hiperinsulinemia ou por outros distúrbios metabólicos  No entanto, o sensor de glicose pode aumentar o tratamento desnecessário de hipoglicemia insignificante. Estudo recente mostrou que a  titulação de glicose guiada pelo sensor de glicose pode aumentar com sucesso o tempo no intervalo euglicêmico, reduzir a hipoglicemia e minimizar a variabilidade glicêmica nos pré-termos durante a primeira semana de vida.

Gel de dextrose (200mg/kg) massageado na mucosa bucal; repetir se 30 minutos após continuar com baixo s níveis de glicose ou persistir  hipoglicemia  recorrente, repetir até 6 doses em 48 horas (reduz o número de episódios de hipoglicemia, a taxa de recorrência de hipoglicemia e aumenta as taxas de aleitamento materno exclusivo na alta, com diminuição da necessidade de admissão à UTI Neonatal para tratar a hipoglicemia). O gel de dextrose aumenta a glicemia em média de 11,7 mg%. Aos 2 anos,  felizmente, não houve diferenças entre os grupos em relação ao desenvolvimento neurossensorial, processamento de dificuldades. O uso de gel de dextrose não elimina a necessidade de terapia intravenosa.

Makker K et al relataram que a transferência para a  UTIN para a gestão da hipoglicemia neonatal  caiu de 8,1% para  3,7% com o uso adjuvante de gel de dextrose a 40% (200mg/kg), com  redução de 57% (OR de  0.43, IC a 95% de  0.22, 0.83). A taxa de exclusividade para a  amamentação aumentou de 6% para 19%.Houve uma redução de gastos hospitalares de 801.276 USD para 387.688 USD.

Recente metanálise da Cochrane não encontrou efeitos adversos do gel de dextrose a 40% durante o período neonatal ou aos 2 anos de idade e recomendou o uso de gel de dextrose como uma abordagem de primeira linha para o controle glicêmico de prematuros tardios e bebês a termo. Reduz a incidência de separação mãe-bebê para tratamento e aumenta a probabilidade de amamentação completa após a alta, em comparação com o gel placebo. O gel de dextrose oral deve ser considerado tratamento de primeira linha para bebês com hipoglicemia neonatal.

Dor Neonatal – 2019

Dor Neonatal – 2019

Autores: Paulo R. Margotto, Ludmylla Beleza

Capítulo do Livro Assistência ao Recém-Nascido de Risco, Hospital de Ensino Materno Inantil de Brasília, 4a Edição, 2018 (em preparação)

Nos últimos 5-10 anos descobrimos que os recém-nascidos (RN) prematuros são mais susceptíveis à dor que os RN a termo. Os prematuros têm limiares mais baixos para o reflexo de retirada do membro (reflexo flexor vaso-cutâneo) que tem uma porção aferente medida pelas fibras C, fibras que mediam estímulos neurológicos. Também há uma maturação retardada das fibras inibitórias descendentes (a porção excitatória deste sistema se desenvolve cedo, não havendo inibição descendente que se desenvolve mais tarde). Há 3 estudos evidenciando que os bebês têm um limiar mais alta de dor nas extremidades superiores em comparação com as extremidades inferiores, porque as fibras inibitórias descendentes alcançaram a porção cervical da coluna dorsal e ainda tem que crescer para a porção lombar. Assim, existem diferentes níveis de dor (muito mais dor será produzida nas extremidades inferiores que nos braços e mãos).

Uma das causas freqüentemente colocada para justificar que o RN (prematuro e a termo) não tem percepção da dor é a falta de mielinização. É importante lembrar que mesmo no adulto, 75% dos impulsos noceptivos são carreados através de fibras periféricas não mielinizadas. Dados neuroanatômicos recentes mostram que a mielinização está presente nas vias tálamo-corticais a partir da 22a – 23a semana de idade gestacional, estando completamente mielinizado na 37a semana de gestação (com 30 semanas, as vias noceptivas até o tálamo já estão completamente mielinizadas) e já tem conexão tanto com o sistema límbico como com o sistema cortical.Assim, o RN, incluindo o RN pré-termo extremo  possui substrato neurológico para a nocicepção, ou seja, o RN está apto a integrar e responder ao estímulo doloroso.

Por quê colhemos sangue na mãozinha ao invés do calcanhar? Nos últimos 5-10 anos descobriu-se que os RN prematuros são mais susceptíveis à dor que os RN a termo. Os prematuros têm limiares mais baixos para o reflexo de retirada do membro (reflexo flexor vaso-cutâneo), que tem uma porção aferente medida pelas fibras C, sendo estas responsáveis por mediar os estímulos neurológicos. Também possuem uma maturação retardada das fibras inibitórias descendentes (a porção excitatória deste sistema desenvolve-se cedo, não havendo inibição descendente, que se desenvolve mais tarde). Há 3 estudos evidenciando que os bebês têm um limiar mais alto de dor nas extremidades superiores em comparação com as extremidades inferiores, já que as fibras inibitórias descendentes alcançaram apenas a porção cervical da coluna dorsal, tendo ainda que crescer para a porção lombar. Dessa forma, existem diferentes níveis de dor de acordo com a porção do corpo em que é aplicada (muito mais dor será produzida nas extremidades inferiores que nos braços e mãos).  A venopunção no dorso das mãos é muito menos dolorosa do que  a coleta no calcanhar, além de que a primeira é um procedimento rápido e se obtém  mais freqüentemente sucesso com apenas uma punção.

Síndrome de abstinência neonatal – 2021

Síndrome de abstinência neonatal – 2021

Autores:  Paulo R. Margotto, Sergio Henrique Veiga

Capítulo do Livro Assistência ao Recém-Nascido de Risco, Hospital de Ensino Materno Infantil de Brasília, 4a Edição, 2021

Os efeitos das drogas sobre o feto estão na dependência de vários fatores, entre os quais, o tipo de droga, a quantidade, a frequência do uso e o período gestacional em que ocorreu o uso. Entre estas substâncias, se destacam a cocaína e o crack (subproduto da cocaína). Quando misturada com bicarbonato de sódio ou amônia, forma pedras de cocaína, que recebem o nome de crack (do verbo to crack, que significa quebrar, devido aos pequenos estalidos produzidos pelos cristais ao serem queimados, como estivem sendo quebrados). Assim, a cocaína pode ser consumida através do fumo (cachimbo, cigarro). A cocaína, considerada estimulante do sistema nervoso central, age inibindo a:    –recaptação da norepinefrina (daí seus efeitos: vasoconstrição, hipertensão arterial, taquicardia)

da dopamina (daí seus efeitos: sensação de euforia, aumento do estado de alerta, redução da fadiga, estimulação sexual; a depleção dos estoques de dopamina pelo uso continuado da droga leva o usuário a um estado depressivo, sintomas de abstinência).

-da serotonina nos terminais nervosos pré-sinápticos, ocorrendo uma estimulação prolongada destes receptores na membrana pós-sináptica.

A cocaína passa rapidamente através da placenta por difusão simples. Os efeitos da cocaína no feto podem estar aumentados, devido às modificações do metabolismo da cocaína durante a gestação (há uma redução da atividade da colinesterase plasmática, com diminuição do metabolismo da cocaína).