Mês: agosto 2025

Importância da nutrição adequada para prematuros e nas ferramentas para avaliar seu estado nutricional (buscando um equilíbrio entre o neurodesenvolvimento e a saúde cardiometabólica)

Importância da nutrição adequada para prematuros e nas ferramentas para avaliar seu estado nutricional (buscando um equilíbrio entre o neurodesenvolvimento e a saúde cardiometabólica)

Palestra administrada por Mandy Belfort no IX  Encontro Internacional de  Neonatologia, Gramado, RS, 3-5 de abril de 2025.

Realizado por Paulo R. Margotto.

A palestra aborda a relevância da nutrição na UTI neonatal (UTIN) para prematuros, equilibrando neurodesenvolvimento e saúde cardiometabólica, e as ferramentas para avaliação nutricional. A dieta fornecida na UTIN influencia a saúde ao longo da vida, especialmente o desenvolvimento cerebral e de outros órgãos. A fortificação da dieta está associada a melhores desfechos de crescimento e neurodesenvolvimento, conforme evidências de estudos observacionais e clínicos. Prematuros apresentam maior risco de doenças cardiovasculares na vida adulta, como hipertensão, diabetes, distúrbios lipídicos e apneia do sono, conforme estudos epidemiológicos. Ganho de peso rápido nos primeiros meses está ligado a maior QI, mas também a pressão arterial elevada na idade escolar, sugerindo a necessidade de equilibrar neurodesenvolvimento e riscos cardiometabólicos. Prematuros na idade equivalente a termo têm menos massa magra e mais gordura que bebês a termo. A massa magra está associada a maiores volumes cerebrais. A nutrição na UTIN deve otimizar o crescimento da massa magra, apoiar o neurodesenvolvimento e minimizar riscos cardiometabólicos.Assim, Além da antropometria (peso, comprimento, perímetro cefálico, curva de crescimento) e importante que se avalie a COMPOSIÇÃO CORPORTAL através da Air Displacement Plethysmography [ADP] (Técnica precisa, mas cara, não portátil e limitada a bebês estáveis e Bioimpedância elétrica [BIA] (Promissora, acessível, portátil e aplicável à beira do leito). O leite materno é ideal, apesar de potencialmente levar a menor ganho de massa magra em comparação com fórmula. Prioriza-se seu uso por benefícios como prevenção de infecções e enterocolite. Leite de banco de doadoras é uma “ponte” valiosa, mas o foco é apoiar a produção de leite materno.

Ausência de evidências de efeitos benéficos de fortificantes à base de leite materno: uma metanálise com média de Modelo Bayesiano

Ausência de evidências de efeitos benéficos de fortificantes à base de leite materno: uma metanálise com média de Modelo Bayesiano

Absence of Evidence of Beneficial Effects of Human MilkBased Fortifier: A Bayesian Model-Averaged Meta-Analysis.Huizing MJ, Vizzari G, Bartoš F, Cavallaro G, Gianni ML, Villamor E.Acta Paediatr. 2025 Jul 29. doi: 10.1111/apa.70260. Online ahead of print.PMID: 40729426.

Realizado por Paulo R. Margotto.

O leite materno é a primeira escolha para prematuros, mas requer fortificação para atender às necessidades nutricionais de bebês muito prematuros (<32 semanas) ou de muito baixo peso (<1500 g), prevenindo restrição de crescimento pós-natal associado a comprometimento neurocognitivo, retinopatia da prematuridade e displasia broncopulmonar. Fortificantes à base de leite humano (MBF humano) são usados, apesar do alto custo e evidências limitadas de eficácia, em comparação com fortificantes à base de leite bovino (MBF bovino). A metanálise bayesiana de três estudos controlados e randomizados  não encontrou evidências conclusivas de benefícios do MBF humano em comparação com o MBF bovino para NEC, mortalidade, sepse tardia, displasia broncopulmonar ou retinopatia da prematuridade. A ausência de evidências, devido a amostras pequenas, destaca a necessidade de estudos maiores para avaliar a eficácia e custo-efetividade do MBF humano.

 

Momento para a admissão escolar de crianças com deficiências

Momento para a admissão escolar de crianças com deficiências

Andrea Duncan (EUA).Palestra administrada pela Dra. Andrea Duncan, no IX Encontro Internacional de Neonatologia, Gramado, 3-5 de abril de 2025.

Realizado por Paulo R. Margotto

Nessa Palestra é abordada   a prontidão escolar para crianças com deficiências, com ênfase em prematuros, destacando sua importância para desfechos sociais, econômicos e de saúde, e a necessidade de intervenções precoces iniciadas na UTI neonatal (UTIN). A prontidão escolar é crucial para o sucesso de crianças com deficiências, reduzindo desigualdades precocemente e promovendo melhores resultados sociais, econômicos e de saúde .Intervenções na UTIN podem influenciar a prontidão, promovendo identificação precoce e sistemas educacionais inclusivos. A educação começa em casa e na comunidade, com experiências precoces moldando o desenvolvimento cerebral. A prontidão escolar para crianças com deficiências exige uma abordagem holística, iniciada na UTIN, envolvendo famílias, escolas e comunidades. Intervenções precoces, avaliações multidimensionais e ambientes inclusivos são essenciais para reduzir desigualdades e promover sucesso educacional. Profissionais de saúde têm papel crucial em monitoramento, educação parental e advocacia por políticas de apoio.

Neurodesenvolvimento na transição para a escola em crianças submetidas à hipotermia por encefalopatia hipóxico-isquêmica neonatal: um estudo prospectivo

Neurodesenvolvimento na transição para a escola em crianças submetidas à hipotermia por encefalopatia hipóxico-isquêmica neonatal: um estudo prospectivo

Neurodevelopment in the transition to school in children subjected to hypothermia due to neonatal hypoxic-ischemic encephalopathy: A prospective study.Vicente IN, Marques C, Pinto J, Castelo TM, Pereira C, Dinis A, Pinto CR, Oliveira G.Early Hum Dev. 2025 Aug;207:106305. doi: 10.1016/j.earlhumdev.2025.106305. Epub 2025 May 29.PMID: 40482578.

Realizado por Paulo R. Margotto.

 

Crianças com encefalopatia hipóxico-isquêmica (EHI) neonatal, mesmo submetidas à hipotermia terapêutica (HT), apresentam risco de comprometimentos neurodesenvolvimentais a longo prazo, como dificuldades cognitivas, de aprendizagem, comportamentais, paralisia cerebral (PC), epilepsia e déficits sensoriais. Embora a HT reduza morte e incapacidades graves, déficits cognitivos persistem, especialmente na transição para a escola, quando as exigências cognitivas aumentam. Esse estudo observacional prospectivo com 58 recém-nascidos (≥36 semanas) internados na UTIN de um hospital de referência em Portugal (2011-2019) para HT devido a EHI mostrou que o acompanhamento a longo prazo é essencial para crianças com EHI tratadas com HT, pois déficits cognitivos leves, muitas vezes associados a lesões na substância branca, podem surgir na idade escolar. A RM neonatal é um preditor robusto para incapacidades moderadas a graves, mas não para déficits leves. Programas de seguimento e intervenções precoces são cruciais para apoiar a transição escolar e minimizar impactos a longo prazo.

 

Hipertensão pulmonar aguda (HPA) em neonatos com encefalopatia hipóxico-isquêmica (EHI).

Hipertensão pulmonar aguda (HPA) em neonatos com encefalopatia hipóxico-isquêmica (EHI).

AsphyxiaTherapeutic Hypothermia, and Pulmonary HypertensionGeisinger R, Rios DR, McNamara PJ, Levy PT.Clin Perinatol. 2024 Mar;51(1):127-149. doi: 10.1016/j.clp.2023.11.007. Epub 2023 Dec 15.PMID: 38325938 Review

Apresentação: Amanda Lopes de Alencar- R4 Neonatologia HMIB/SES/DF. Coordenação: Carlos  Alberto Zaconeta.

Recém-nascidos com encefalopatia hipóxico-isquêmica (EHI) devido a asfixia perinatal têm risco de desenvolver hipertensão pulmonar aguda (aPH), que agrava sequelas neurológicas e aumenta a mortalidade em comparação com aPH isolada. A hipotermia terapêutica (HT), padrão para EHI moderada a grave, pode exacerbar a aPH, exigindo avaliação hemodinâmica cuidadosa, com destaque para o papel do ecocardiograma. Neonatos com EHI e aPH apresentam riscos elevados devido a vasoconstrição pulmonar hipóxica e disfunção cardíaca. A HT, embora padrão, pode exacerbar a aPH, exigindo triagem com ecocardiogramas seriais para avaliar gravidade e resposta ao tratamento. A combinação de vasodilatadores pulmonares, inotrópicos e agentes vasoativos é essencial para otimizar a hemodinâmica, com ajustes cuidadosos durante resfriamento e reaquecimento. É crucial entender as etiologias subjacentes, os perfis hemodinâmicos únicos dos diferentes endotipos e as avaliações inovadoras para guiar um manejo direcionado e melhorar os resultados em neonatos após um evento hipóxico perinatal e com risco de HPA.

PREMATURIDADE EXTEMA: Assistência ao prematuro extremo na Sala de Parto, Recepção do prematuro extremos ao chegar na UTI Neonatal, Nutrição Parenteral, Nutrição Enteral e Hemorragia intraventricular (é possível sim evitar)

PREMATURIDADE EXTEMA: Assistência ao prematuro extremo na Sala de Parto, Recepção do prematuro extremos ao chegar na UTI Neonatal, Nutrição Parenteral, Nutrição Enteral e Hemorragia intraventricular (é possível sim evitar)

Adriana Kawaguchi, Carlos Alberto Moreno Zaconeta, Mart David Rocha de Moura, Alessandra de Cássia Gonçalves Moreira.

Realizado por Paulo R. Margotto

Manter a saturação de O2 >80% aos 5 minutos: baixa saturação aos 5 minutos de vida aumenta a morte precoce (3 vezes) e a HIV (3 vezes). Iiniciar a reanimação com 30% de O2 pode não ser conveniente, talvez 60-70%). Evitar a hipofostatemia nos primeiros dias (a hipofosfatemia se associa à trombocitopenia e alterações da coagulação, aumentando a predisposição à HIV em 5,3 vezes).

 

Hipertensão Pulmonar Aguda (HPA) em Neonatos com Encefalopatia Hipóxico-Isquêmica (EHI)

Hipertensão Pulmonar Aguda (HPA) em Neonatos com Encefalopatia Hipóxico-Isquêmica (EHI)


Asphyxia
Therapeutic Hypothermia, and Pulmonary Hypertension.

Geisinger R, Rios DR, McNamara PJ, Levy PT.Clin Perinatol. 2024 Mar;51(1):127-149. doi: 10.1016/j.clp.2023.11.007. Epub 2023 Dec 15.PMID: 38325938 Review.

Realizado por Paulo R. Margotto

Neonatos que experimentam um evento hipóxico perinatal e subsequente encefalopatia neonatal apresentam risco de desenvolver hipertensão pulmonar aguda (HPA) no período neonatal precoce. Esta condição pode exacerbar ainda mais o dano aos órgãos e contribuir para sequelas neurológicas de curto e longo prazo. A mortalidade é maior em bebês com características combinadas de encefalopatia hipóxico-isquêmica (EHI) e HPA em comparação com aqueles apenas com HPA.

É crucial entender as etiologias subjacentes, os perfis hemodinâmicos únicos dos diferentes endotipos e as avaliações inovadoras para guiar um manejo direcionado e melhorar os resultados em neonatos após um evento hipóxico perinatal e com risco de HPA.

Hemorragia Intraventricular (HIV) no Pré-Termo-extremo: Podemos Prevenir!

Hemorragia Intraventricular (HIV) no Pré-Termo-extremo: Podemos Prevenir!

Paulo R. Margotto;

A incidência de HIV no Brasil, segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria, é de 30%, com 32,4% de gravidade

  • No serviço em questão, um estudo de 2012 mostrou 20% de incidência em bebês abaixo de 28 semanas, e um estudo recente (Mayara) apontou 22,3% no geral.
  • O tempo de início da HIV mudou ao longo de 40 anos: antes ocorria nos primeiros 4 dias, agora começa a ocorrer após 6 dias.
  • O entendimento da HIV baseia-se em um “tripé”: a matriz germinativa (região com vasos muito imaturos que diminui com a idade gestacional, sendo maior com 24 semanas), a distribuição do fluxo sanguíneo, e a flutuação do fluxo sanguíneo.
  • A combinação de vasos imaturos, aumento e flutuação do fluxo sanguíneo à matriz germinativa aumenta o risco de rompimento e sangramento.
  • As consequências da HIV incluem comprometimento cortical (redução de 16%), complicações cerebelares, tetraplegia espástica e hidrocefalia pós-hemorrágica.
Recepção na UTI Neonatal do Prematuro Extremo ao chegar na UTI Neonatal

Recepção na UTI Neonatal do Prematuro Extremo ao chegar na UTI Neonatal

Carlos Alberto Moreno Zaconeta.

Além de manter a normotermia, a pressão positiva contínua nas vias aéreas (CPAP) nasal é a melhor evidência disponível para dar ao recém-nascido prematuro, especialmente os menores de 28 semanas, a melhor chance de sobreviver livre de displasia broncopulmonar.  CPAP deve ser oferecido imediatamente após o nascimento e mantido como terapêutica ventilatória preferencial.