Mês: março 2026

MONOGRAFIA-UTI PEDIÁTRICA-2026: MANEJO DA TROMBOSE NEONATAL: UMA REVISÃO SISTEMÁTICA

MONOGRAFIA-UTI PEDIÁTRICA-2026: MANEJO DA TROMBOSE NEONATAL: UMA REVISÃO SISTEMÁTICA

Karla Patricia Ataide Nery de Castro. Coordenação:  Alexandre Serafim

 

A trombose neonatal é uma condição multifatorial, rara porém cada vez mais frequente nas UTIN, predominantemente associada a cateter venoso central (70–85% dos casos). A hemostasia imatura do recém-nascido torna o equilíbrio pró/anti-coagulante frágil, especialmente em prematuros com uso de dispositivos intravasculares, sepse ou hipóxia. Esta revisão sistemática (PRISMA 2020) analisou 21 estudos (maioria coortes retrospectivas observacionais; sem ensaios randomizados). Comparou anticoagulação (principalmente enoxaparina 1,5 mg/kg SC 12/12h, duração 7 semanas a 3 meses) versus conduta expectante (observação + remoção do cateter quando possível).Os principais achados foram:Progressão trombótica: baixa (2–12%); benefício mais consistente na trombose venosa cerebral (redução de ~30% para <10%).Resolução do trombo: variável (40–68%); maior taxa de resolução completa na trombose portal com anticoagulação (48% vs 17%; p=0,03). Resultados heterogêneos nas tromboses cateter-relacionadas não oclusivas. Segurança: sangramento maior <10%, sem diferença estatística significativa entre grupos e sem aumento de mortalidade. Complicações tardias: hipertensão portal, atrofia renal, déficits neurológicos e síndrome pós-trombótica (20–40% em pediatria, dados neonatais limitados). Assim, a anticoagulação não deve ser rotineira. Apresenta benefício mais claro em subtipos específicos (trombose venosa cerebral, eventos oclusivos ou com comprometimento de órgão). Em tromboses cateter-relacionadas não oclusivas e assintomáticas, a observação com monitorização seriada por imagem é estratégia segura. A decisão deve ser individualizada (localização, oclusividade, risco hemorrágico e condição clínica geral), alinhada às Diretrizes ASH/ISTH (recomendações condicionais, evidência baixa). Persistem lacunas importantes; são necessários estudos prospectivos multicêntricos para definir protocolos mais robustos e seguimento estruturado a longo prazo. Nos complementos, o link entre trombose da veia cava tanto superior como inferior e a ocorrência de hemorragia intraventricular nos recém-nascidos.

ÁUDIO POR IA: Carga Convulsiva Antes e Depois da Lidocaína como Terapia Adjuvante em Convulsões Neonatais Confirmadas por Eletroencefalografia (Integrada Por Amplitude)

ÁUDIO POR IA: Carga Convulsiva Antes e Depois da Lidocaína como Terapia Adjuvante em Convulsões Neonatais Confirmadas por Eletroencefalografia (Integrada Por Amplitude)

Seizure Burden before and after Lidocaine as AddOn Therapy in (Amplitude-Integrated) Electroencephalography-Confirmed Neonatal SeizuresRondagh M, van Oldenmark BO, van Steenis A, Tromp SC, Tan RNGB, Lopriore E, Steggerda SJ, de Vries LS. Neonatology. 2025 Nov 28:1-9. doi: 10.1159/000549690. Online ahead of print.PMID: 41313732. Holanda

Realizado por Paulo R. Margotto.

Estudo retrospectivo unicêntrico avaliou a eficácia da lidocaína (LDC) como terapia adjuvante em 61 neonatos com convulsões refratárias ao fenobarbital (geralmente após midazolam), confirmadas por aEEG/EEG contínuo.Resultados principais:A carga total de convulsões (TSB) mediana caiu de 31 min para 0 min nas 4 horas após LDC (p < 0,001). A carga máxima por hora (MSB) caiu de 10 min/h para 0 min/h (p < 0,001). Redução de 100% das convulsões em 82% dos casos; >80% em 92%; >50% em 97%. Ausência de crises por ≥24 h em 71%, ≥48 h em ~60% e ≥72 h em 52%.Necessidade de anticonvulsivante adicional: apenas 3% em 4 h, mas 41% em 24 h. Melhor resposta em encefalopatia hipóxico-isquêmica e AVC isquêmico; pior em meningite, AVC hemorrágico e algumas etiologias metabólicas/genéticas. Eventos adversos cardíacos graves ocorreram em 3% (2 casos), associados a comorbidades (hipercalemia, insuficiência cardíaca). Portanto,  a lidocaína foi altamente eficaz em reduzir (e frequentemente abolir) a carga convulsiva em neonatos com crises refratárias, especialmente quando usada precocemente (terceira linha > quarta linha), com perfil de segurança aceitável sob monitorização cardíaca. Ensaios randomizados são necessários para confirmar os achados e definir o posicionamento ideal no algoritmo terapêutico.

Carga Convulsiva Antes e Depois da Lidocaína como Terapia Adjuvante em Convulsões Neonatais Confirmadas por Eletroencefalografia (Integrada Por Amplitude)

Carga Convulsiva Antes e Depois da Lidocaína como Terapia Adjuvante em Convulsões Neonatais Confirmadas por Eletroencefalografia (Integrada Por Amplitude)

Seizure Burden before and after Lidocaine as AddOn Therapy in (Amplitude-Integrated) Electroencephalography-Confirmed Neonatal SeizuresRondagh M, van Oldenmark BO, van Steenis A, Tromp SC, Tan RNGB, Lopriore E, Steggerda SJ, de Vries LS.Neonatology. 2025 Nov 28:1-9. doi: 10.1159/000549690. Online ahead of print.PMID: 41313732. Holanda.

Realizado por Paulo R. Margotto.

Estudo retrospectivo unicêntrico avaliou a eficácia da lidocaína (LDC) como terapia adjuvante em 61 neonatos com convulsões refratárias ao fenobarbital (geralmente após midazolam), confirmadas por aEEG/EEG contínuo.Resultados principais:A carga total de convulsões (TSB) mediana caiu de 31 min para 0 min nas 4 horas após LDC (p < 0,001). A carga máxima por hora (MSB) caiu de 10 min/h para 0 min/h (p < 0,001). Redução de 100% das convulsões em 82% dos casos; >80% em 92%; >50% em 97%. Ausência de crises por ≥24 h em 71%, ≥48 h em ~60% e ≥72 h em 52%.Necessidade de anticonvulsivante adicional: apenas 3% em 4 h, mas 41% em 24 h. Melhor resposta em encefalopatia hipóxico-isquêmica e AVC isquêmico; pior em meningite, AVC hemorrágico e algumas etiologias metabólicas/genéticas. Eventos adversos cardíacos graves ocorreram em 3% (2 casos), associados a comorbidades (hipercalemia, insuficiência cardíaca). Portanto,  a lidocaína foi altamente eficaz em reduzir (e frequentemente abolir) a carga convulsiva em neonatos com crises refratárias, especialmente quando usada precocemente (terceira linha > quarta linha), com perfil de segurança aceitável sob monitorização cardíaca. Ensaios randomizados são necessários para confirmar os achados e definir o posicionamento ideal no algoritmo terapêutico.

Tratamento Farmacológico da Hipotensão em Recém-Nascidos Muito Prematuros: Revisão Sistemática e Metanálise de Ensaios Clínicos Randomizados Controlados

Tratamento Farmacológico da Hipotensão em Recém-Nascidos Muito Prematuros: Revisão Sistemática e Metanálise de Ensaios Clínicos Randomizados Controlados


Pharmacological Hypotensive Treatment in Very Preterm NewbornsSystematic Review and MetaAnalysis of Randomised Controlled Trials
Boscarino G, Conti MG, Esposito S, Terrin G.Acta Paediatr. 2026 Mar;115(3):536-553. doi: 10.1111/apa.70411. Epub 2025 Dec 6.PMID: 41353557 Review.Itália.                             Correspondência: Gianluca Terrin (gianluca.terrin@uniroma1.it). Apresentado por Laissa, (R3 de Neonatologia do Hospital Santa Lúcia Sul), sob Coordenação de Paulo R. Margotto

Revisão sistemática + metanálise de 12 ECRs (n=539) sobre tratamento farmacológico da hipotensão em recém-nascidos muito prematuros (≤30 semanas ou MBPN). A Dopamina e hidrocortisona aumentaram a chance de resolução da hipotensão vs. placebo (OR 4,53 e 9,31, respectivamente), mas evidência é limitada e heterogênea.Nenhuma intervenção reduziu mortalidade nem melhorou desfechos neurológicos de longo prazo.Riscos aumentados:Dopamina → maior risco de hemorragia intraventricular / leucomalácia periventricular (OR 3,47) e Hidrocortisona e epinefrina → maior risco de hiperglicemia.Não houve diferenças significativas em enterocolite necrosante, displasia broncopulmonar, retinopatia, mortalidade ou desfecho neurológico tardio entre os fármacos comparados (dopamina vs. dobutamina, epinefrina, vasopressina, etc.).Portanto: Dopamina e hidrocortisona podem elevar a pressão arterial em prematuros hipotensos, mas sem benefício em sobrevida ou neurodesenvolvimento, e com riscos importantes (HIV/LPV com dopamina; hiperglicemia com hidrocortisona/epinefrina). Evidência de baixa qualidade; faltam estudos robustos em subpopulações específicas.

Exposição Antenatal a Opioides — Descoberta de um Espectro Amplo de Desenvolvimento Cerebral Prejudicado em Recém-Nascidos Afetados.

Exposição Antenatal a Opioides — Descoberta de um Espectro Amplo de Desenvolvimento Cerebral Prejudicado em Recém-Nascidos Afetados.

Joseph J. Volpe (EUA)

Realizado por Paulo R. Margotto.

Nos EUA, a prevalência do uso de opioides durante a gravidez mais que quadruplicou de 1999-2014 (de 1,5 por 100 internações por parto para 6,5). Os descendentes exibem um espectro amplo de déficits envolvendo cognição, função motora, função visual, linguagem e comportamento social. Entre os principais achados: exposição pré-natal a opioides (especialmente buprenorfina e metadona) causa prejuízo generalizado e difuso no desenvolvimento cerebral, com alterações estruturais (volumes menores de cérebro total, córtex, substância branca, cerebelo, tálamo, tronco encefálico, amígdala) e funcionais (conectividade alterada em múltiplas redes).A RM funcional mostrou:  Hipoconectividade em vias córtico-cerebelares e fronto-límbicas → associada a déficits motores, cognitivos, emocionais e comportamentais de longo prazo (TDAH, transtornos de conduta, problemas sociais).Hiperconectividade em circuitos límbicos, paralímbicos, occipitais e parietais → pode explicar reatividade aumentada neonatal e posteriores dificuldades em percepção social, linguagem e processamento visual.Mecanismos prováveis: opioides afetam progenitores neuronais ( diminuição da  proliferação e migração, aumento da  apoptose), astrócitos (sinaptogênese prejudicada) e oligodendrócitos (maturação e mielinização alteradas), levando a dismaturação cerebral ampla. A principal implicação clínica desses achados:recém-nascidos expostos devem ser identificados precocemente e acompanhados de forma intensiva e multidisciplinar (desenvolvimento cognitivo, motor, visual, comportamental e social), pois apresentam espectro amplo de sequelas neurodesenvolvimentais que persistem além da síndrome de abstinência neonatal.

MEDIÇÃO DA BILIRRUBINA LIVRE (UBCheck): O efeito da bilirrubina conjugada na medição da bilirrubina não ligada

MEDIÇÃO DA BILIRRUBINA LIVRE (UBCheck): O efeito da bilirrubina conjugada na medição da bilirrubina não ligada

The Effect of Conjugated Bilirubin on he Measurement of Unbound Bilirubin.Kleinfeld A, Huber A, Oh W, Hegyi T.Acta Paediatr. 2026 Feb;115(2):468-472. doi: 10.1111/apa.70357. Epub 2025 Oct 27.PMID: 41144788.

Realizado por Paulo R. Margotto.

Medições precisas de bilirrubina livre (BL)  são cruciais para identificar risco real de neurotoxicidade (kernicterus), especialmente em prematuros e bebês com colestase. A BL é a fração neurotóxica da bilirrubina capaz de atravessar a barreira hematoencefálica e danificar neurônios. Historicamente, o método de peroxidase tem sido o principal para medir a ligação e o deslocamento de bilirrubina (essa técnica requer diluição significativa de amostras de plasma, o que altera o equilíbrio de bilirrubina-albumina em direção a uma ligação mais apertada, subestimando assim o grau de deslocamento). Para abordar essa limitação, o inovador sistema UBCheck foi desenvolvido, que utiliza uma nova sonda fluorescente no infravermelho próximo que permite medições diretas e rápidas de BL em sangue total não diluído . Em níveis baixo de bilirrubina direta (BD)≤ 0,2 mg/dL), ambos os métodos dão resultados semelhantes,  o que não ocorre com valores de BD 0,5–4 mg/dL). Já o UBCheck permanece estável e preciso até ~3–4 mg/dL de BD (apenas leve aumento em níveis suprafisiológicos, raros em neonatos).Portanto o UBCheck é superior e mais confiável para medir bilirrubina livre em recém-nascidos com bilirrubina direta elevada, evitando superestimações artificiais que ocorrem com o método de peroxidase

NEUROIMAGEM: ENCEFALOPATIA HIPÓXICO-ISQUÊMICA (EHI).

NEUROIMAGEM: ENCEFALOPATIA HIPÓXICO-ISQUÊMICA (EHI).

Paulo R. Margotto.

Trata-se de um relato de um caso de EHI  predominantemente antenatal/perinatal com  neuroimagem (ultrassonografia transfontanelar e ressonância magnética mostrando lesão difusa cística e walleriana )  no qual hipotetizamos a relevância  crítica do exame placentário e a possibilidade de cofatores genéticos em quadros atípicos, embora nenhum desses exames estivesse disponíveis.

 

Recém-nascido transferido aos 6 dias de vida, com  de 36 sem e 4 dias ao nascer, 2364g, cesariana (indicação: trabalho de parto prematuro, sofrimento fetal agudo, líquido meconial fuido), tempo de bolsa rota de 12 horas. Apgar  de 7-9 (no entanto: reanimação sob máscara com ventilação por pressão positiva (VPP), um ciclo). Há relato de que o bebê não chorou ao nascer, cianótico, clampeamento do cordão imediato. Após   VPP , manteve-se  hipotônico, letárgico, não chorou em nenhum momento. Ao ser retirado do O2, reiniciou cianose central, sendo colocado em Hood.Diagnóstico como sífilis congênita. Micrognatia, implantação baixa de orelhas, hipotonia generalizada (não autorizada estudo genético). Teste do pezinho positivo para fibrose cística. Mãe com sífilis não tratada. RX de ossos mostrando periostite, Iniciado penicilina. O primeiro rastreio infeccioso foi normal porém com 24 horas, PCR de 7,41 com queda de plaquetas. Aos 7 dias, em CPAP apresentou piora do  padrão respiratório sendo colocado em ventilação mecânica por 12 dias, mas retornou a ventilação mecânica por falha de extubação em duas vezes. Com 9 dias de vida, o EEG prolongado mostrou  atividade elétrica  cerebral desorganizada para a idade  e o bebê apresentava  movimentos repetitivos  em membro superior esquerdo. Aos 42 dias de vida, o bebe faleceu.

MONOGRAFIA-2026-APRESENTAÇÃO:UNIDADE DE NEONATOLOGIA DO HMIB.FATORES PERINATAIS RELACIONADOS À FALHA DO CPAP BOLHA PRECOCE EM RNPT ≤ 32 SEMANAS

MONOGRAFIA-2026-APRESENTAÇÃO:UNIDADE DE NEONATOLOGIA DO HMIB.FATORES PERINATAIS RELACIONADOS À FALHA DO CPAP BOLHA PRECOCE EM RNPT ≤ 32 SEMANAS

Nathalia Regina Cardoso Aragão / Coordenação: Carlos Alberto Moreno Zaconeta.

Os resultados (a taxa de falha foi de 24,6%) sugerem que a falha do CPAP bolha nos recém-nascidos ≤ 32 semanas está fortemente associada a condições maternas (hipertensão arterial), à imaturidade do recém-nascido (baixo peso) e a complicações neonatais graves (PCA com repercussão, necessidade de surfactante e instabilidade hemodinâmica). O parto normal surgiu como um fator protetor. Esses achados podem auxiliar na identificação precoce de pacientes de maior risco para falha do CPAP bolha, permitindo um manejo mais individualizado e, possivelmente, a indicação de outras modalidades de suporte respiratório mais precocemente.

MONOGRAFIA-2026-UTI NEONATAL SANTA LÚCIA SUL:APRESENTAÇÃO: EFICÁCIA DO ESCORE CRIB II NA MORTALIDADE NEONATAL EM UMA MATERNIDADE TERCIÁRIA PRIVADA

MONOGRAFIA-2026-UTI NEONATAL SANTA LÚCIA SUL:APRESENTAÇÃO: EFICÁCIA DO ESCORE CRIB II NA MORTALIDADE NEONATAL EM UMA MATERNIDADE TERCIÁRIA PRIVADA

Letícia Martins Perci. Coordenação: Marta David Rocha de Moura

Esse estudo proporcionou conhecermos o perfil da morbimortalidade na UTI Neonatal  pioneira no DF, no período 2000 a 2024 (1980 INTERNAÇÕES). Observou-se uma  taxa de sobrevida elevada (94,4%) e uma mortalidade média  entre 3-4%.  Entre os casos cirúrgicos, destacam-se 58 cardiopatias congênitas (mortalidade de 29%) e 13 defeitos de fechamento de parede abdominal (gastrosquise e onfalocele) com apenas um óbito (7,7%). Os dados indicam ambiente  de cuidado especializado e eficaz, com necessidade contínua de recursos para ventilação, cuidados com a prematuridade  e monitoramento clínico. O CRIB II consolidou-se como padrão para pré-termos, mas novos modelos como o VIS (Vasoactive Inotropic Score), que avalia a carga de medicamentos vasoativos  e o SENSS (Score for Essential Neonatal Symptoms and Signs), focado em sinais clínicos básicos em contextos de recursos limitados, surgem para complementar o monitoramento hemodinâmico e assistencial.