Mês: abril 2026

Crescimento Anormal em Crianças de 5 Anos Após o Uso de Antibióticos na Primeira Semana de Vida

Crescimento Anormal em Crianças de 5 Anos Após o Uso de Antibióticos na Primeira Semana de Vida

Aberrant Growth in 5YearOld Children After Antibiotics in the First Week of Life.van Leeuwen LM, van Beveren GJ, Peeters MAG, Souverein D, Euser S, Bogaert D, van Houten MA.Acta Paediatr. 2026 Feb;115(2):309-318. doi: 10.1111/apa.70322. Epub 2025 Oct 7.PMID: 41057288.  Clinical Trial.

Realizado por Paulo R Margotto

O uso de antibióticos na primeira semana de vida em recém-nascidos a termo está associado a crescimento alterado até os 5 anos de idade, especialmente redução do escore-z de peso-para-altura. Crianças expostas a antibióticos na 1ª semana tiveram, em média, 0,26 escore-z menor de peso-para-altura nos primeiros 5 anos (p=0,014). O efeito foi mais pronunciado com o regime amoxicilina/ácido clavulânico) + Gentamicina (redução de 0,36 escore-z).Outros regimes (Amoxicilina+Cefotaxima e Penicilina+Gentamicina) também mostraram redução, porém em menor magnitude. Aos 5 anos, as crianças expostas apresentaram peso ≈ 550g menor.Mecanismo provável: Perturbação do microbioma intestinal (↓ Bifidobacterium, ↑ Klebsiella e Enterococcus), que afeta o metabolismo e o crescimento do hospedeiro. Antibióticos na primeira semana de vida, mesmo por suspeita de sepse neonatal de início precoce, podem ter impacto negativo no crescimento até a idade pré-escolar. Sempre que possível, preferir regimes de menor impacto (ex.: Penicilina + Gentamicina) e evitar supertratamento, priorizando ferramentas diagnósticas mais precisas para reduzir o uso desnecessário de antibióticos de amplo espectro.

MONOGRAFIA UTI PEDIÁTRICA 2026 (APRESENTAÇÃO): Manejo da Trombose Neonatal: Uma Revisão Sistemática

MONOGRAFIA UTI PEDIÁTRICA 2026 (APRESENTAÇÃO): Manejo da Trombose Neonatal: Uma Revisão Sistemática

Karla Patricia Ataide Nery de Castro. Coordenação:  Alexandre Peixoto Serafim


A trombose neonatal é uma condição multifatorial, rara porém cada vez mais frequente nas UTIN, predominantemente associada a cateter venoso central (70–85% dos casos). A hemostasia imatura do recém-nascido torna o equilíbrio pró/anti-coagulante frágil, especialmente em prematuros com uso de dispositivos intravasculares, sepse ou hipóxia. Esta revisão sistemática (PRISMA 2020) analisou 21 estudos (maioria coortes retrospectivas observacionais; sem ensaios randomizados). Comparou anticoagulação (principalmente enoxaparina 1,5 mg/kg SC 12/12h, duração 7 semanas a 3 meses) versus conduta expectante (observação + remoção do cateter quando possível).Os principais achados foram:Progressão trombótica: baixa (2–12%); benefício mais consistente na trombose venosa cerebral (redução de ~30% para <10%).Resolução do trombo: variável (40–68%); maior taxa de resolução completa na trombose portal com anticoagulação (48% vs 17%; p=0,03). Resultados heterogêneos nas tromboses cateter-relacionadas não oclusivas. Segurança: sangramento maior <10%, sem diferença estatística significativa entre grupos e sem aumento de mortalidade. Complicações tardias: hipertensão portal, atrofia renal, déficits neurológicos e síndrome pós-trombótica (20–40% em pediatria, dados neonatais limitados). Assim, a anticoagulação não deve ser rotineira. Apresenta benefício mais claro em subtipos específicos (trombose venosa cerebral, eventos oclusivos ou com comprometimento de órgão). Em tromboses cateter-relacionadas não oclusivas e assintomáticas, a observação com monitorização seriada por imagem é estratégia segura. A decisão deve ser individualizada (localização, oclusividade, risco hemorrágico e condição clínica geral), alinhada às Diretrizes ASH/ISTH (recomendações condicionais, evidência baixa). Persistem lacunas importantes; são necessários estudos prospectivos multicêntricos para definir protocolos mais robustos e seguimento estruturado a longo prazo. Nos complementos, o link entre trombose da veia cava tanto superior como inferior e a ocorrência de hemorragia intraventricular nos recém-nascidos.