Uso de gabapentina na Unidade de Terapia Intensiva Neonatal e além: Relato de centro único de 104 casos

Uso de gabapentina na Unidade de Terapia Intensiva Neonatal e além: Relato de centro único de 104 casos

Gabapentin use in the neonatal intensive care unit and beyond: Single center report of 104 cases. M. Elliotta,*, K. Fairchilda, J. Burnseda, S. Zanellia, K. Heinanb, H.P. Goodkinb, K. Frazierc e L. Letzkusc L.J Neonatal Perinatal Med. 2023;16(4):717-723. doi: 10.3233/NPM-230015.PMID: 38143379 .

Realizado por Paulo R. Margotto.

Este estudo retrospectivo descreve a experiência de um único centro (Universidade da Virgínia, EUA) com o uso de gabapentina em 104 lactentes internados na UTIN entre 2015 e 2021. A maioria dos pacientes era prematura (idade gestacional mediana de 29,5 semanas) e apresentava múltiplas comorbidades, especialmente displasia broncopulmonar (63%) e alterações neurológicas (55%). A principal indicação para o uso de gabapentina foi irritabilidade grave/refratária (86% dos casos). A medicação foi iniciada em média com 41 semanas de idade pós-menstrual, com dose inicial habitual de 5 mg/kg/dia, titulada até uma dose máxima mediana de 25 mg/kg/dia (máximo 35 mg/kg/dia). A gabapentina foi geralmente bem tolerada, com poucos efeitos colaterais (sedação excessiva em 8% e nistagmo em 2 casos), que melhoraram com redução da dose. Dos 90 lactentes que receberam alta da UTIN, 84% saíram de hospital ainda em uso de gabapentina (dose mediana 20 mg/kg/dia). A maioria necessitava de equipamentos domiciliares (sonda de alimentação e/ou suporte respiratório). No acompanhamento ambulatorial, observou-se alto índice de atrasos do desenvolvimento: 93% apresentavam atraso em pelo menos um domínio na primeira consulta e 66% tinham diagnóstico de atraso global do desenvolvimento aos 2 anos de idade corrigida. O desmame da gabapentina foi iniciado, em média, por volta dos 6 meses de idade corrigida, sem efeitos adversos relatados.Portanto,  a gabapentina tem sido utilizada com frequência crescente na UTIN, principalmente para irritabilidade refratária em lactentes clinicamente complexos. Ela parece ser bem tolerada e frequentemente mantida após a alta, mas os pacientes dessa população apresentam alto risco de atrasos neurodesenvolvimentais e necessitam de acompanhamento rigoroso.