Categoria: Distúrbios Neurológicos

Recomendações para o uso de Ressonância Magnética cerebral no período neonatal

Recomendações para o uso de Ressonância Magnética cerebral no período neonatal

Martínez-Biarge M, Arnaez J, Arca G, et al. Recomendaciones para el uso de la resonancia magnética cerebral en el periodo neonatal. An Pediatr (Engl Ed). 2025;103:503935. doi:10.1016/j.anpedi.2025.503935.                                                            Recomendaciones para el uso de la resonancia magnética

Apresentação: Letícia Vasques Marques – MR4  – Neonatologia/HMIB/SES/DF.  Coordenação : Carlos Alberto Zaconeta.

A combinação de Ressonância Magnética (RM) cerebral e Ultrassonografia Transfontanelar (USTF) é a melhor abordagem para o diagnóstico e prognóstico de doenças neurológicas no recém-nascido. RM + USTF: A USTF seriada atua como o método de triagem e monitoramento primordial. A RM confirma o diagnóstico, delimita a extensão e estratifica o prognóstico de neurodesenvolvimento. O texto enfatiza que a tomografia computadorizada possui limitações severas e riscos de radiação, devendo ser evitada na rotina neonatal, exceto em emergências cirúrgicas específicas onde não haja acesso rápido à RM. São detalhadas as indicações e os momentos oportunos para exames em diversas condições, como encefalopatia hipóxico-isquêmica, patologias vasculares, meningoencefalite e distúrbios metabólicos. Além disso, o material aborda a necessidade de protocolos especializados e acompanhamento adequado para avaliar prognósticos neurológicos em bebês com quadros clínicos complexos.

 

Trajetórias de crescimento ventricular observadas antes e depois da intervenção em neonatos com Hemorragia Intraventricular Grave e Dilatação Ventricular pós-hemorrágica

Trajetórias de crescimento ventricular observadas antes e depois da intervenção em neonatos com Hemorragia Intraventricular Grave e Dilatação Ventricular pós-hemorrágica

Observed pre–intervention and non–intervention ventricular growth trajectories in neonates with severe intraventricular hemorrhage and post-hemorrhagic ventricular dilation.Gianneschi G, Christian ML, Arif H, Magesh Kumar N, Fofah O.J Perinatol. 2026 Aug 31. doi: 10.1038/s41372-026-02887-4. Online ahead of print.PMID: 42675187. Estados Unidos.

Realizado por Paulo R. Margotto.

Este estudo analisa as trajetórias de crescimento ventricular em neonatos prematuros com Hemorragia Intraventricular Grave (HIV graus 3 e 4) e Dilatação Ventricular Pós-Hemorrágica (DVPH). As questões centrais tratadas no material incluem:Taxa Média de Expansão Ventricular: O aumento do tamanho ventricular progride de forma aproximadamente linear em relação à idade pós-menstrual, com uma taxa média de expansão de 0,105 mm/dia tanto para o Índice Ventricular (IV) quanto para a Largura do Corno Anterior (LCA). A redução espontânea sustentada das medidas ventriculares durante a internação foi incomum. Escore Composto de Carga Hemorrágica Bilateral: Para além da classificação tradicional de Papile (baseada apenas no lado de maior grau), o estudo avaliou um escore exploratório que soma os graus máximos de hemorragia dos lados direito e esquerdo (variação de 3 a 8). Recém-nascidos com alta carga hemorrágica (escores 7–8) apresentaram expansão ventricular significativamente mais rápida (IV: 0,126 mm/dia vs. 0,096 mm/dia) e maior taxa de mortalidade do que aqueles com baixa carga (escores 3–6). Diferença na Velocidade de Crescimento em Não Sobreviventes: Os bebês que não sobreviveram demonstraram uma velocidade de expansão ventricular inicial acelerada nos primeiros dias pós-hemorragia, enquanto os sobreviventes mantiveram taxas de crescimento mais estáveis ao longo do tempo. Monitoramento e Intervenção Precoce: O acompanhamento seriado por ultrassom craniano (medindo IV e LCA) é fundamental para detectar a progressão precoce. Protocolos clínicos de estratificação por zonas de risco e o uso de ferramentas como o NIRS (monitoramento da oxigenação cerebral regional) auxiliam na identificação do momento adequado para a descompressão ventricular.

Associação entre HIPONATREMIA PRECOCE e diagnósticos neurológicos em bebês com asfixia perinatal.

Associação entre HIPONATREMIA PRECOCE e diagnósticos neurológicos em bebês com asfixia perinatal.

Association between early hyponatremia and neurological diagnoses in infants with perinatal asphyxia.Viitaharju N, Helenius K, Löyttyniemi E, Singh B, Parikka V.Eur J Pediatr. 2026 Aug 11;185(9):656. doi: 10.1007/s00431-026-07325-3.PMID: 42581167. Finlândia.

Realizado por Paulo R. Margotto

Este estudo clínico investiga a relação entre a hiponatremia precoce e o surgimento de distúrbios neurológicos em recém-nascidos que sofreram asfixia perinatal. Através de uma análise retrospectiva de longo prazo, os pesquisadores observaram que níveis baixos de sódio nas primeiras 72 horas de vida estão fortemente ligados a diagnósticos futuros de paralisia cerebral, epilepsia e deficiências auditivas. O trabalho destaca que a gravidade da redução do sódio é um fator determinante, pois casos de hiponatremia profunda apresentaram maior probabilidade de óbito ou atrasos no desenvolvimento. Além disso, a pesquisa associa o desequilíbrio de fluidos e o ganho de peso inicial, muitas vezes exacerbados pela hipotermia terapêutica, como elementos críticos no cuidado desses pacientes. Em suma, os dados sugerem que monitorar os níveis de sódio pode servir como um importante indicador para o prognóstico neurológico de bebês sob risco.

Cafeína como tratamento para lesão cerebral hipóxico-isquêmica perinatal: riscos e benefícios potenciais

Cafeína como tratamento para lesão cerebral hipóxico-isquêmica perinatal: riscos e benefícios potenciais

Caffeine as a Treatment for Perinatal Hypoxic-Ischemic Brain Injury: The Potential Risks and Benefits.Zhou KQ, Lam F, Bennet L, Gunn AJ, Davidson JO.Dev Neurosci. 2026;48(1):50-58. doi: 10.1159/000545126..Review.Nova Zelândia.

Realizado por Paulo R. Margotto.

O estudo  explora o uso da cafeína como potencial tratamento para a encefalopatia hipóxico-isquêmica (EHI) neonatal, uma condição grave que causa danos cerebrais por falta de oxigenação. Embora a substância seja eficaz no tratamento da apneia em prematuros, sua aplicação como neuroprotetor após insultos hipóxicos apresenta resultados controversos e riscos significativos. Estudos indicam que a cafeína pode bloquear a adenosina, um protetor natural do cérebro, o que potencialmente agrava convulsões e aumenta a mortalidade em doses elevadas. Os textos ressaltam que, enquanto modelos com roedores sugerem benefícios, experimentos com animais de grande porte e dados clínicos iniciais apontam para a falta de eficácia pós-natal e possíveis danos neurológicos. Diante disso, os especialistas defendem cautela extrema, enfatizando que novas pesquisas translacionais são indispensáveis antes de recomendar a cafeína em ensaios clínicos com humanos. O material também discute as limitações da hipotermia terapêutica, especialmente em países de baixa renda, reforçando a urgência por terapias complementares seguras.

ÁUDIO POR IA: Fatores de risco precoces para o AUTISMO: um estudo de coorte de crianças nascidas muito prematuras aos 5 anos de idade.

ÁUDIO POR IA: Fatores de risco precoces para o AUTISMO: um estudo de coorte de crianças nascidas muito prematuras aos 5 anos de idade.


Early autism risk factors: a cohort study of children born very preterm at 5-years.
Stone-Heaberlin M, Blackburn AD, Tamm L, Allahverdy A, Kline-Fath B, Parikh NA.J Perinatol. 2026 Aug 12. doi: 10.1038/s41372-026-02856-x. Online ahead of print.PMID: 42587029.

Realizado por Paulo R. Margotto,

Este estudo investigou os elementos que elevam a probabilidade de autismo em crianças nascidas muito prematuras, acompanhando-as até os cinco anos de idade. Os resultados revelam que essa população apresenta uma taxa de risco de quase 9%, valor significativamente superior ao observado em crianças nascidas a termo. Entre os diversos fatores analisados, as anormalidades cerebelares detectadas por ressonância magnética e a presença de corioamnionite moderada a grave surgiram como os principais preditores biológicos. A corioamnionite desencadeia uma resposta inflamatória materna e fetal, com citocinas pró-inflamatórias atravessando a placenta e entrando na circulação fetal. Isso pode impactar negativamente o cérebro fetal, causando poda sináptica anormal, maturação prejudicada dos oligodendrócitos e/ou mielinização interrompida Além dessas condições médicas, o sexo masculino e contextos de vulnerabilidade social também demonstraram forte correlação com pontuações elevadas em testes de triagem. Crianças identificadas nesse grupo de risco exibiram prejuízos notáveis em habilidades cognitivas, executivas e comportamentais. O aleitamento materno pode ser um fator de proteção contra o autismo. Diante disso, os autores enfatizam que a identificação precoce desses marcadores é fundamental para viabilizar intervenções terapêuticas tempestivas e eficazes.

Fatores de risco precoces para o AUTISMO: um estudo de coorte de crianças nascidas muito prematuras aos 5 anos de idade.

Fatores de risco precoces para o AUTISMO: um estudo de coorte de crianças nascidas muito prematuras aos 5 anos de idade.


Early autism risk factors: a cohort study of children born very preterm at 5-years.
Stone-Heaberlin M, Blackburn AD, Tamm L, Allahverdy A, Kline-Fath B, Parikh NA.J Perinatol. 2026 Aug 12. doi: 10.1038/s41372-026-02856-x. Online ahead of print.PMID: 42587029.

Realizado por Paulo R. Margotto.

Este estudo investigou os elementos que elevam a probabilidade de autismo em crianças nascidas muito prematuras, acompanhando-as até os cinco anos de idade. Os resultados revelam que essa população apresenta uma taxa de risco de quase 9%, valor significativamente superior ao observado em crianças nascidas a termo. Entre os diversos fatores analisados, as anormalidades cerebelares detectadas por ressonância magnética e a presença de corioamnionite moderada a grave surgiram como os principais preditores biológicos. A corioamnionite desencadeia uma resposta inflamatória materna e fetal, com citocinas pró-inflamatórias atravessando a placenta e entrando na circulação fetal. Isso pode impactar negativamente o cérebro fetal, causando poda sináptica anormal, maturação prejudicada dos oligodendrócitos e/ou mielinização interrompida Além dessas condições médicas, o sexo masculino e contextos de vulnerabilidade social também demonstraram forte correlação com pontuações elevadas em testes de triagem. Crianças identificadas nesse grupo de risco exibiram prejuízos notáveis em habilidades cognitivas, executivas e comportamentais. O aleitamento materno pode ser um fator de proteção contra o autismo Diante disso, os autores enfatizam que a identificação precoce desses marcadores é fundamental para viabilizar intervenções terapêuticas tempestivas e eficazes.

AUDIO POR IA:Neuroproteção Perinatal na Prematuridade

AUDIO POR IA:Neuroproteção Perinatal na Prematuridade

Perinatal Neuroprotection in Preterm Birth.Berger R, Stelzl P, Stubert J, Kyvernitakis I, Kribs A, Maul H.Geburtshilfe Frauenheilkd. 2025 Jun 30;85(10):1061-1072. doi: 10.1055/a-2593-0275. eCollection 2025 Oct.PMID: 41089219. Alemanha.

Realizado por Paulo R. Margotto.

A prematuridade extrema apresenta alta morbimortalidade, com sequelas cognitivas, comportamentais e psíquicas afetando entre 25% e 50% dos sobreviventes. A proteção do cérebro imaturo contra danos neuronais e vasculares crônicos envolve intervenções coordenadas 1) Intervenções Antenatais e de Parto a) Corticosteroides Antenatais (ANS): Reduzem significativamente a mortalidade neonatal, a síndrome do desconforto respiratório (SDR) e a taxa de hemorragia intraventricular (HIV). Agem estabilizando a vasculatura vulnerável da matriz germinativa através da supressão da proliferação endotelial e do aumento da cobertura de pericitos. O benefício é evidente em fetos ≤ 30 semanas, e o efeito vascular decai após 10 dias (podendo ser restaurado com um ciclo de resgate) b) Sulfato de Magnésio: Administrado em partos iminentes < 34 semanas, reduz de forma expressiva o risco de paralisia cerebral e o desfecho combinado de “morte ou paralisia cerebral” aos 2 anos de idade corrigida. Os mecanismos celulares incluem o bloqueio de canais de cálcio via receptores NMDA, indução de pré-condicionamento mitocondrial, atenuação do neurotransmissor excitotóxico succinato e redução de processos inflamatórios pós-isquêmicos 3) Manejo do Cordão Umbilical: O clampeamento tardio deve ser preferido para garantir uma transição cardiovascular fisiológica estável. Recomenda-se a estratégia “ventilar primeiro” (iniciar a insuflação pulmonar antes de clampear o cordão). A ordenha (“milking”) é expressamente contraindicada para prematuros de 23 a 27 semanas, pois aumenta em quase quatro vezes o risco de HIV  grave 2) Pós-Natais: a)Hipotermia terapêutica em prematuros ≥ pode ser clinicamente razoável em casos de encefalopatia hipóxico-isquêmica de causa periparto clara, sem sinais de infecção ou inflamação fetal, desde que iniciada de forma muito precoce (< 90 minutos) e com monitoramento estrito de temperatura e exclusão prévia de HIV por ultrassom b) Cuidado Pós-natal na UTIN incluem   Estabilização Clínica: Evitar flutuações bruscas de CO2, pressão arterial e temperatura1. Optar por ventilação não invasiva e administração menos invasiva de surfactante, mantendo a cabeça em posição neutra na linha média e minimizando intervenções dolorosas  Estímulo e Vínculo: Promover o contato pele a pele precoce (método canguru), reduzir ruídos e iluminação agressiva, preservar ciclos fisiológicos de sono-vigília e incentivar a voz dos pais na beira do leito  Nutrição e Suporte Farmacológico: O fornecimento de leite materno é vital para o desenvolvimento psicomotor a longo prazo. Práticas promissoras incluem a administração orofaríngea de colostro ou o uso terapêutico intranasal de leite materno para regeneração em casos de HIV. Clinicamente, o uso de cafeína se destaca por reduzir de forma expressiva o risco de paralisia cerebral e o atraso no desenvolvimento aos 18-21 meses.

Neuroproteção Perinatal na Prematuridade

Neuroproteção Perinatal na Prematuridade

Perinatal Neuroprotection in Preterm Birth.Berger R, Stelzl P, Stubert J, Kyvernitakis I, Kribs A, Maul H.Geburtshilfe Frauenheilkd. 2025 Jun 30;85(10):1061-1072. doi: 10.1055/a-2593-0275. eCollection 2025 Oct.PMID: 41089219. Alemanha.

Realizado por Paulo R. Margotto.

 

A prematuridade extrema apresenta alta morbimortalidade, com sequelas cognitivas, comportamentais e psíquicas afetando entre 25% e 50% dos sobreviventes. A proteção do cérebro imaturo contra danos neuronais e vasculares crônicos envolve intervenções coordenadas 1) Intervenções Antenatais e de Parto a) Corticosteroides Antenatais (ANS): Reduzem significativamente a mortalidade neonatal, a síndrome do desconforto respiratório (SDR) e a taxa de hemorragia intraventricular (HIV). Agem estabilizando a vasculatura vulnerável da matriz germinativa através da supressão da proliferação endotelial e do aumento da cobertura de pericitos. O benefício é evidente em fetos ≤ 30 semanas, e o efeito vascular decai após 10 dias (podendo ser restaurado com um ciclo de resgate) b) Sulfato de Magnésio: Administrado em partos iminentes < 34 semanas, reduz de forma expressiva o risco de paralisia cerebral e o desfecho combinado de “morte ou paralisia cerebral” aos 2 anos de idade corrigida. Os mecanismos celulares incluem o bloqueio de canais de cálcio via receptores NMDA, indução de pré-condicionamento mitocondrial, atenuação do neurotransmissor excitotóxico succinato e redução de processos inflamatórios pós-isquêmicos 3) Manejo do Cordão Umbilical: O clampeamento tardio deve ser preferido para garantir uma transição cardiovascular fisiológica estável. Recomenda-se a estratégia “ventilar primeiro” (iniciar a insuflação pulmonar antes de clampear o cordão). A ordenha (“milking”) é expressamente contraindicada para prematuros de 23 a 27 semanas, pois aumenta em quase quatro vezes o risco de HIV  grave 2) Pós-Natais: a)Hipotermia terapêutica em prematuros ≥ pode ser clinicamente razoável em casos de encefalopatia hipóxico-isquêmica de causa periparto clara, sem sinais de infecção ou inflamação fetal, desde que iniciada de forma muito precoce (< 90 minutos) e com monitoramento estrito de temperatura e exclusão prévia de HIV por ultrassom b) Cuidado Pós-natal na UTIN incluem   Estabilização Clínica: Evitar flutuações bruscas de CO2, pressão arterial e temperatura1. Optar por ventilação não invasiva e administração menos invasiva de surfactante, mantendo a cabeça em posição neutra na linha média e minimizando intervenções dolorosas  Estímulo e Vínculo: Promover o contato pele a pele precoce (método canguru), reduzir ruídos e iluminação agressiva, preservar ciclos fisiológicos de sono-vigília e incentivar a voz dos pais na beira do leito  Nutrição e Suporte Farmacológico: O fornecimento de leite materno é vital para o desenvolvimento psicomotor a longo prazo. Práticas promissoras incluem a administração orofaríngea de colostro ou o uso terapêutico intranasal de leite materno para regeneração em casos de HIV. Clinicamente, o uso de cafeína se destaca por reduzir de forma expressiva o risco de paralisia cerebral e o atraso no desenvolvimento aos 18-21 meses.

ÁIDIO POR IA: Sildenafil na Encefalopatia Hipóxico-Isquêmica: da descoberta pré-clínica aos ensaios clínicos

ÁIDIO POR IA: Sildenafil na Encefalopatia Hipóxico-Isquêmica: da descoberta pré-clínica aos ensaios clínicos

Pia Wintermark (Canadá). Live da Newborn Brain Society (30 de julho de 2026).

Realizado por Paulo R. Margotto.

Os documentos apresentam pesquisas lideradas pela Dra. Pia Wintermark (Canadá) sobre o uso do SILDENAFIL para tratar a encefalopatia hipóxico-isquêmica (EHI) em recém-nascidos. Diferente da hipotermia terapêutica tradicional, que foca na proteção imediata, essa abordagem busca a neurorestauração para reparar danos cerebrais já estabelecidos. A hipotermia terapêutica  falha em até 30% dos casos e não possui efeito neurorrestaurador, o que significa que ela não repara as lesões cerebrais que já estão consolidadas no tecido. O mecanismo de ação envolve a redução da neuroinflamação (fazendo com que astrócitos e microglias ativados retornem a um estado inativo), a atenuação da apoptose neuronal e o fomento à regeneração de oligodendrócitos e reparo da substância branca Estudos clínicos e pré-clínicos indicam que o medicamento é seguro, bem tolerado e capaz de melhorar a mielinização e a plasticidade sináptica. Análises quantitativas por ressonância magnética demonstraram que bebês tratados apresentaram menor perda de volume cerebral e recuperação superior em comparação aos grupos de controle. As fontes detalham o sucesso das fases iniciais do estudo SANE (Sildenafil Administration to treat Neonatal Encephalopath), reforçando o potencial dessa terapia como um tratamento adjuvante inovador na neonatologia. Um ensaio clínico de viabilidade multicêntrico está em andamento para avaliar o tratamento em uma coorte maior de 120 neonatos em múltiplos centros no Canadá e nos EUA.

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EIXO PLACENTA-CORAÇÃO-CÉREBRO-2026

EIXO PLACENTA-CORAÇÃO-CÉREBRO-2026

Paulo R. Margotto. Apresentação na Reunião da Unidade de Neonatologia do Hospital Materno-Infantil de Brasil, SES/DF em 31/8/2026 e no Instituo de Pesquisa Paulo Roberto Margotto (live em 6/8/2026).

 

Esta palestra do Instituto de Pesquisa Neonatal Paulo Roberto Margotto analisa a profunda conexão entre a placenta, o coração e o cérebro no contexto das cardiopatias congênitas. O conteúdo revela que danos neurológicos não surgem apenas de traumas cirúrgicos, mas começam no útero devido à insuficiência placentária e ao fornecimento inadequado de oxigênio pelo coração fetal. Esse cenário resulta em um cérebro com atraso de maturação, que se comporta de forma semelhante ao de um prematuro, gerando prejuízos cognitivos que podem persistir até a fase adulta. Até 50% dos sobreviventes de CC na infância apresentam déficits de memória, atenção e linguagem. Na juventude (16 a 24 anos), esses indivíduos mantêm uma redução definitiva de 21% no volume da substância branca, o que se correlaciona diretamente com menores índices de QI na idade escolar.Para combater esse “efeito dominó”, o autor defende o diagnóstico precoce, o monitoramento rigoroso por ultrassom com Doppler PÓS-CIRURGIA (O IR cerebral pós-operatório é um forte preditor de prognóstico neurológico: valores baixos (ex: <0,60) indicam perda de autorregulação e hiperemia pós-isquêmica (mau prognóstico), ao passo que valores normais (0,60 a 0,85) indicam preservação vascular. e a estabilização hemodinâmica. Exige-se monitorização por eletroencefalograma (EEG) contínuo nas primeiras 24h por 3 dias para flagrar atividades de fundo anormais. Além disso, deve-se evitar o uso de cateter jugular (limitar a no máximo 7 dias se indispensável) pelo alto risco de induzir trombose no seio venoso cerebral. O objetivo central é implementar estratégias de neuroproteção que priorizem a saúde cerebral durante a correção dos defeitos cardíacos. Além disso, discute-se a possibilidade de postergar intervenções cirúrgicas imediatas para evitar maiores danos a um sistema nervoso já fragilizado.