Categoria: Distúrbios Respiratórios

Asssociação entre níveis de hemoglobina nos primeiros 3 dias de vida e displasia broncopulmonar nos recém-nascidos pré-termos

Asssociação entre níveis de hemoglobina nos primeiros 3 dias de vida e displasia broncopulmonar nos recém-nascidos pré-termos

Association between Hemoglobin Levels in the First 3 Days of Life and Bronchopulmonary Dysplasia in Preterm Infants.  Jun Duan, Xiangyong Kong, Qiuping Li, Shaodong Hua, Sheng Zhang, Zhichun Feng, Xiaoying Zhang. Am J Perinatol. 2016 Apr 27. [Epub ahead of print]
Unidade de Neonatologia do HRAS/HMIB/SES/DF. Apresentação: Laura Haydée Silva Teixeira.
Coordenação: Eveylin Mirela.

As crianças que apresentaram menores níveis de hemoglobina nos primeiros 3 dias de vida tiveram maior risco de desenvolvimento de DBP (Odds ratio de   20,9 com IC a  95% de 4,18-96,5-p<0,001!); baixos  níveis de hemoglobina podem afetar a resposta imune, impedir a oxigenação tecidual podendo promover metabolismo anaeróbico e aumentar níveis de ácido lático, além de importante papel na adaptação pulmonar na vida extrauterina. Assim, deveríamos prevenir níveis baixos de hemoglobina nos primeiros 3 dias nestes pré-termos.

 

Manuseio da PaCO2 na UTI Neonatal

Manuseio da PaCO2 na UTI Neonatal

Paulo R. Margotto.

Quanto à Hipercapnia Permissiva não tem sido provada ser uma terapia benéfica para os bebês ventilados. Não se conhece altos níveis seguros de PaCO2 (comparando níveis de 55-65 mmHg com 40-50mmHg, houve maior mortalidade-DBP e pior neurodesenvolvimento com níveis mais altos).Altos  níveis de PaCO2 não melhorou a inflamação pulmonar.Níveis elevados de PaCO2 prejudicaram significativamente a microcirculação periférica em prematuros, como mostrado por uma diminuição da densidade funcional dos vasos, presumivelmente secundária à vasoconstrição periférica. No entanto Hipercapnia leve  (45-55 mmHg) parece ser segura. Noori et al realizaram estudo para determinar  níveis de CO2 acima dos quais o impacto no fluxo sanguíneo cerebral (FSC)) pode ser exagerado, em RN menor  ou igual a 30 semanas nos primeiros 3 dias de vida e verificaram um ponto de inflexão (>52 mmHg), acima do qual ocorre aumento do FSC, com alto risco de lesão cerebral.Tão ruim quanto à hipercapnia são as flutuações abruptas da PaCO2 na primeira semana de vida nos pré-termo, assim como a hipocapnia (risco de hemorragia intracraniana, leucomalácia periventricular, aumenta a resistência das vias aéreas, broncoespasmo, piora da complacência pulmonar, injúria parenquimatosa pulmonar e depleção de corpos lamelares, atenua a vasoconstrição pulmonar hipóxica piorando o shunt intrapulmonar). A hipocapnia agrava lesões cerebrais nos bebês ventilados durante a hipotermia terapêutica. Assim, nos bebês em hipotermia terapêutica ventilados, realizar controle rigoroso dos gases sanguíneos, ajustando rigorosamente os níveis de PaC02 (lembramos de corrigir  o pH e PaCO2 durante a hipotermia terapêutica (33°C): pH se elevara a 7.5 e PaCO2 baixa para 34 mmHg).A segura e a ótima variabilidade da PaCO2 na definição da hipercapnia permissiva  são desconhecidas no momento atual. Á luz das evidências parece-nos prudente aceitarmos para os bebês de muito baixo peso uma PaCO2 no máximo de 55mmHg com pH>7,20 (nos primeiros 3-4 dias, 50 mmHg), mantendo um limiar inferior de 45 mmHg. A freqüente monitorização da PaCO2 pode ser importante e que variações bruscas devem ser evitadas em RN de muito baixo peso, principalmente nos primeiros 3-4 dias de vida.

                            Não se admite ventilar estes bebês prematuros realizando estes controles com longos intervalos, como 12-24 horas!!!!

Influência do controle da PaCO2 nos resultados clínicos e de neurodesenvolvimento em bebês de extremo baixo peso ao nascer

Influência do controle da PaCO2 nos resultados clínicos e de neurodesenvolvimento em bebês de extremo baixo peso ao nascer

Influence of PCO2 Control on Clinical and Neurodevelopmental Outcomes of Extremely Low Birth Weight Infants.Thome UH, Dreyhaupt J, Genzel-Boroviczeny O, Bohnhorst B, Schmid M, Fuchs H, Rohde O, Avenarius S, Topf HG, Zimmermann A, Faas D, Timme K, Kleinlein B, Buxmann H, Schenk W, Segerer H, Teig N, Ackermann B, Hentschel R, Heckmann M, Schlösser R, Peters J, Rossi R, Rascher W, Böttger R, Seidenberg J, Hansen G, Bode H, Zernickel M, Muche R, Hummler HD; PHELBI Study Group.Neonatology. 2018;113(3):221-230. doi: 10.1159/000485828.Epub 2018 Jan 4.PMID: 29298438.Similar articles

 

Apresentação: Bruna Gomes, Brunna Garotti, Esther Agnes e Júlia de Andrade. Coordenação: Paulo R. Margotto

O estudo procurou determinar se a PaCO2 nas primeiras 2 semanas de vida pode influenciar a saúde a curto e longo prazo nos prematuros extremos (23-28 semanas;400g a 1000g em ventilação mecânica nas primeiras 24 horas de vida). A hipótese é que diferentes trajetórias de PaCO2 podem estar associadas a diferentes taxas e resultados diversos. Os bebês foram divididos em 3 grupos de acôrdo com a média de PaCO2 (43 mmHg, 50 mmHg e 60 mmHg, como hipocánicos, normocápnicos e hipercápnicos, respectivamente).Os bebês hipercápnicos tiveram mortalidade e incidência de displasia broncopulmonar (DBP) moderada a severa  significativamente mais elevada, apresentaram maior propensão a receber hidrocortisona pós-natal, maior CRIB  e a desenvolver enterocolite necrosante, além de menor ganho ponderal e menores valores do escore MDI e mais propensos a ter um MDI <70 e paralisia cerebral pelo GMFCS escore (≥2). Também apresentaram maior MAP x FiO2, indicando pior complacência pulmonar e aumento do espaço morto ventilatório e esta condição associou-se, na regressão logística,  juntamente com o menor peso,  a morte-DBP e morte-DBP-Hemorragia intraventricular. A PaCO2 pode, assim, ser vista como um medidor da gravidade da doença pulmonar. Nos links pesquisados por nós, quanto à Hipercapnia Permissiva não tem sido provada ser uma terapia benéfica para os bebês ventilados. Não se conhece altos níveis seguros de PaCO2 (comparando níveis de 55-65 mmHg com 40-50mmHg, houve maior mortalidade-DBP e pior neurodesenvolvimento com níveis mais altos).Altos  níveis de PaCO2 não melhorou a inflamação pulmonar.Níveis elevados de PaCO2 prejudicaram significativamente a microcirculação periférica em prematuros, como mostrado por uma diminuição da densidade funcional dos vasos, presumivelmente secundária à vasoconstrição periférica. No entanto Hipercapnia leve  (45-55 mmHg) parece ser segura. Noori et al realizaram estudo para determinar  níveis de CO2 acima dos quais o impacto no fluxo sanguíneo cerebral (FSC)) pode ser exagerado, em RN menor  ou igual a 30 semanas nos primeiros 3 dias de vida e verificaram um ponto de inflexão (>52 mmHg), acima do qual ocorre aumento do FSC, com alto risco de lesão cerebral.Tão ruim quanto à hipercapnia são as flutuações abruptas da PaCO2 na primeira semana de vida nos pré-termo, assim como a hipocapnia (risco de hemorragia intracraniana, leucomalácia periventricular, aumenta a resistência das vias aéreas, broncoespasmo, piora da complacência pulmonar, injúria parenquimatosa pulmonar e depleção de corpos lamelares, atenua a vasoconstrição pulmonar hipóxica piorando o shunt intrapulmonar). A hipocapnia agrava lesões cerebrais nos bebês ventilados durante a hipotermia terapêutica. Assim, nos bebês em hipotermia terapêutica ventilados, realizar controle rigoroso dos gases sanguíneos, ajustando rigorosamente os níveis de PaC02 (lembramos de corrigir  o pH e PaCO2 durante a hipotermia terapêutica (33°C): pH se elevara a 7.5 e PaCO2 baixa para 34 mmHg).A segura e a ótima variabilidade da PaCO2 na definição da hipercapnia permissiva  são desconhecidas no momento atual. Á luz das evidências parece-nos prudente aceitarmos para os bebês de muito baixo peso uma PaCO2 no máximo de 55mmHg com pH>7,20 (nos primeiros 3-4 dias, 50 mmHg), mantendo um limiar inferior de 45 mmHg (ou seja: 45-55 mmHg). A freqüente monitorização da PaCO2 pode ser importante e que variações bruscas devem ser evitadas em RN de muito baixo peso, principalmente nos primeiros 3-4 dias de vida. Não se admite ventilar estes bebês prematuros realizando estes controles com longos intervalos, como 12-24 horas!!!!Na UTI Neonatal tratamos de cérebros!

Impacto da Ventilação Mecânica Prolongada em Bebês de Muito Baixo Peso ao Nascer: Resultados de um Estudo Nacional de Coorte

Impacto da Ventilação Mecânica Prolongada em Bebês de Muito Baixo Peso ao Nascer: Resultados de um Estudo Nacional de Coorte

Impact of Prolonged Mechanical Ventilation in Very Low Birth Weight Infants: Results From a National Cohort Study.Choi YB, Lee J, Park J, Jun YH.J Pediatr. 2018 Mar;194:34-39.e3. doi: 10.1016/j.jpeds.2017.10.042. Epub 2017 Dec 1.PMID: 29198532 Similar articles. Apresentação: Fernando Andrade Coelho; Fábio Daniel Barbosa; Mariana Mendes. Coordenação:Paulo R. Margotto.

Os dados são provenientes de 60 UTI Neonatais (3238 recém-nascidos subdivididos em categorias de acordo com a duração da ventilação mecânica (VM):≤7 dias, 8-14 dias, 15-28 dias, 29-42 dias e mais de 43 dias). Todos sabemos que o suporte respiratório com ventilação mecânica é essencial para a sobrevivência de muitos RN pré-termo, no entanto, a VM prolongada associa-se a inúmeras complicações que levam a diversas morbidades em bebês prematuros. Há poucos relatos que se concentram nos desfechos clínicos relacionados ao tempo de ventilação mecânica. No presente estudo, após ajuste para variáveis de confusão, houve aumento significativo  de morte (2,85 vezes mais e 8,33 vezes mais) quando se comparou a duração da ventilação mecânica ≤ 7 dias em relação >8-14 idas e >15-28 dias, respectivamente e  aumento significativo da displasia broncopulmonar (5,66 vezes mais e 12,39 vezes mais) quando se comparou a duração da ventilação mecânica ≤ 7 dias em relação >8-14 idas e >15-28 dias, respectivamente. Para retinopatia da prematuridade (ROP) requerendo coagulação a laser, hipertensão pulmonar  e leucomalácia periventricular, foram observadas odds ratio (chances) significativamente maiores após 2 semanas de ventilação mecânica em comparação com ventilação mecânica por 7 dias ou menos.Assim, os presentes dados fornecem justificativa para evitar ventilação mecânica invasiva e limitar a duração dessa exposição em bebês prematuros. O suporte respiratório não invasivo seria menos prejudicial para o pulmão do que a ventilação endotraqueal. Nos links, como diz Fusch ” menos é mais para o apoio gentil aos prematuros extremos!Como disse E. Bancalari na sua Conferência no Miami Neonatology-38th Annual International Conference November 12th-15th,2014: passei quase toda a minha carreira lidando com ventilação mecânica e agora espero em 30 minutos convencê-los a não usá-la; usar pelo menor tempo possível a VM. Portanto, o  desmame precoce da ventilação mecânica pode reduzir o risco das complicações. “o intubar um bebê programe a sua extubação e não necessariamente deve ocorrer nos horários comerciais da UTI Neonatal!”

Efeito da pressão positiva contínua nas vias aéreas nas crianças com síndrome de aspiração meconial: ensaio clinico randomizado

Efeito da pressão positiva contínua nas vias aéreas nas crianças com síndrome de aspiração meconial: ensaio clinico randomizado

Effect of Nasal Continuous Positive Airway Pressure on Infants With Meconium Aspiration Syndrome: A Randomized Clinical Trial.Pandita A, Murki S, Oleti TP, Tandur B, Kiran S, Narkhede S, Prajapati A.JAMA Pediatr. 2018 Feb 1;172(2):161-165. doi: 10.1001/jamapediatrics.2017.3873.PMID: 29204652 Similar articles.

Apresentação: Ana Paula Rocha, Julia Beluco , Mariana Akaishi. Faculdade de Medicina da Universidade Católica de Brasília-6ª Série. Unidade de Neonatologia do Hospital Materno Infantil de Brasília/SES/DF. Coordenação: Paulo R. Margotto

A   presença de mecônio no líquido amniótico  ocorre em 10% a 15% dos partos, dos quais cerca de 1,5% a 8% apresentam  Síndrome de Aspiração Meconial (SAM) e destes, 30-50% apresentam SAM severa com necessidade de ventilação mecânica (VM).É conhecido de todos que a VM por si causa lesão pulmonar, além de hospitalizações prolongadas, sobrecarga do Sistema de Saúde e aumento do custo do tratamento. Devido o uso de   CPAP nasal (NCPAP) poder resolver atelectasias, por expandir parcialmente  as pequenas vias aéreas obstruídas e estabilizar o colapso terminal, aumentando a troca de oxigênio e prevenindo a deficiência secundária de surfactante, pode vir a ser usado como substituto ou como ponte para a VM na SAM. O presente estudo avaliou a eficácia do uso de NCPAP (5 cmH20, com FiO2 de 90-95%)em 66 RN em comparação com cuidado padrão (5-10 L / min – capacete de oxigênio)em 68 RN,  na redução da necessidade subseqüente de VM em recém-nascidos com SAM em 3 Unidade privadas na Índia. Os autores relataram que  a necessidade de ventilação mecânica (VM) nos primeiros 7 dias foi significativamente menor nos recém-nascidos do grupo NCPAP (2[3%] vs 17 [25%]: odds ratio,0.09; 95% CI, 0.02-0.43); P=.002).Para cada 5 RN com SAM que iniciaram NCPAP de forma precoce, 1 evitou ventilação mecânica quando comparado aos RN que iniciaram capacete (número necessário para tratamento:4,5). Nenhum dos RN do grupo CPAP necessitou de ventilação de alta frequência, além de apresentarem significantemente menos sepse, menor necessidade de surfactante.Reduzir a necessidade de VM em recém-nascidos com SAM tem  importância significativa, especialmente em países de média e baixa renda. A asfixia perinatal e a SAM são os principais motivos para a VM nesses países de baixa renda. A alta mortalidade (aproximadamente 40%), alta incidência de sepse e a indisponibilidade de Serviços de Ventilação de qualidade são os principais entraves  para o uso de VM nos países em desenvolvimento. Nos links, a nova orientação para os RN não vigorosos com líquido amniótico meconial (após aspiração obrigatória  das vias aéreas iniciar a ventilação por pressão positiva-VPP [em bebês asfixiados graves a aspiração de mecônio provavelmente já havia ocorrido intraútero e o retardo no inicio de VPP será mais prejudicial do que a não realização da aspiração traqueal sob visualização direta]), o uso de antibiótico na SAM (os antibióticos não diminuíram o risco de sepse em neonatos com diagnóstico de e nem em neonatos assintomáticos expostos ao mecônio no líquido amniótico;os resultados não mostram diferenças significativas na mortalidade ou duração da internação hospitalar entre os grupos que receberam antibióticos e os grupos controle de neonatos sintomáticos e assintomáticos; na presença de corioamnionite, ou numa situação em que não se detectou uma causa boa para a passagem de mecônio até prova ao contrário, parte-se do suposto que tenha infecção; ou seja  isto não implica que todo bebê com líquido amniótico tinto de mecônio esteja infectado)